PROPAGANDA DE EMIGRAÇÃO
Tenho tido a oportunidade de apreciar algumas cidades e locais existentes por esse mundo fora, através dos documentários emitidos por um canal televisivo português. Estes documentários são transmitidos por volta da hora das refeições, momento em que é quase certo os televisores estarem ligados, e tem como “objectivo” dar a conhecer aos telespectadores a existência de portugueses que saíram de Portugal e foram trabalhar noutros países, alguns deles bastante longínquos. No dia 12 de Março, a TV1 transmitiu um desses documentários, fazendo entrevistas a vários portugueses que se encontram a trabalhar em Israel. Israel é um país lindíssimo no qual eu próprio já residi, e com o qual me identifico bastante. Já foram transmitidos documentários sobre cidadãos portugueses em Itália, Inglaterra, e noutras partes do mundo. Sem dúvida que estas transmissões televisivas são interessantes, mas, quando recordo que no tempo do Estado Novo se fazia propaganda de guerra, como forma de mais facilmente cativar vontades, para alistar recursos ao exercito e outras forças militarizadas, dou comigo a pesar duas vezes. Se bem me lembro a RTP emitiu um documentário de arquivo (talvez dos fins dos anos 60, inicio dos anos 70) onde mostrava militares a mergulhar em maravilhosas piscinas lá para o lado das Áfricas, e depois reforçava o luctor!… Aliste-se. Ora, no meu entender, os documentários que actualmente são transmitidos tem conotações subjectivas que o destinatário não se apercebe. Estes documentários tem como objectivo motivar os cidadãos portugueses a sair do País, pois aqui não há nada para fazer. Pergunto? Seremos obrigados a abandonar o País onde nascemos? e ir viver em condições muitas vezes deploráveis, em nada próximas daquilo que nos é mostrado nestes maravilhosos documentários? Meus caros leitores, sair do País como eu fiz quando tinha 25 anos de idade não é “pêra” doce, não é o mar de rosas que os canais televisivos nos querem fazer crer. Então agora os portugueses são diplomaticamente convidados a abandonar o País onde nasceram?. Então os outros países é que são bons?. Então, Portugal não pode ser um País bom, com tanto terreno, tanto mar, tanto sol, tanto vento, tanto de tudo e mais alguma coisa? Mas porquê?. Portugal não é bom porque está a ser transformado num “terreno infértil”, numa porção de terreno onde os habitantes na sua maioria não tem educação, onde a população é velha (poucos são os jovens), onde tudo ou quase tudo o que é comprado nos super-mercados vem do estrangeiro (até um simples par de meias), mas porquê? Se bem verificarmos são as grandes superfícies comerciais que criam postos de trabalho, mas estas grandes superfícies comerciais, mais não são, que empresas para escoar produtos produzidos no estrangeiro, isto é, nada ou quase nada produzimos, somos meros espectadores, somos meros consumidores que coisas que os outros produzem, por isso se justifica os 700 mil desempregados. A palavra mais conhecida dos últimos tempos é a palavra «crise», crise política. Mas esta crise, por um lado é politica, pois está em causa a luta pelo “poleiro”, por outro lado é uma crise de miséria encoberta, é a crise de cidadãos deseducados, é a crise dos cidadãos aos quais não lhes foi desenvolvida a dimensão empreendedora, é a crise da ruína deste País com uma história de mais de 800 anos. É crise das pessoas que estão sem trabalho, é a crise de um conjunto de doenças de origem político-social que aos poucos se vai instalando em cada um de nós; em suma, é o caos. Eu continuo a bater na mesma tecla! A crise deve-se ao facto de pouco ou nada produzirmos para o consumo interno. Ora se nós não somos capazes de produzir para nós, andam por ai ideólogos a falar em exportação. Pôrra! Basta que se produza para o mercado interno e o desemprego baixa consideravelmente. Até parece que exportar 10.000 pares de sapatos é a salvação de uma empresa? Então não será melhor acabar com a compra de sapatos aos estrangeiros, e haver 30 fábricas de sapatos nacionais a produzirem só que sejam dois milhões de sapatos para o mercado interno? Já pensaram quantos postos de trabalho directos e indirectos seriam criados em 30 fábricas de sapatos do tipo pequenas e médias empresas? Pôrra! Será que ninguém vê que somos dez milhões de consumidores?. Não entendo! porque se compra aos estrangeiros? Se orientarmos a nossa produção para o mercado interno, o desemprego acaba meus senhores. A crise reside no desemprego, reside neste descalabro. Parem com as importações! Fechem as fronteiras, ou estaremos perdidos! Teremos apenas duas classes sociais; de um lado os policias, e de outro os “ladrões”, que roubam para comer. Fomente-se o colectivismo e não o individualismo.
José Zêzere Barradas Sociólogo
Quarenta Albicastrenses presentes na praça do Município, pelos quarenta cedros abatidos na Sra. de Mércules.
É a acção proposta por este albicastrense, aos homens e mulheres da minha terra, para o dia feriado da nossa cidade. Quarenta albicastrenses silenciosamente durante uma hora, na praça do Município, em lembrança dos velhos cedros, para recordar a quem mandou fazer esta barbárie, que o espaço da Sra de Mércules não é a quinta do (Ti Manel das Bolotas) onde ele pode por e dispor a seu belo prazer, mas antes, um local muito querido dos albicastrenses. Das 10.00 às 11.00 da manhã no dia feriado da minha terra, eu irei estar silenciosamente na praça do Município, a dizer a quem por ali passa, que de futuro não mais poderá ser possível este tipo de acontecimentos.
Eu serei um dos quarenta!... E você ?
O Albicastrense
