segunda-feira, outubro 29, 2007

TOPONÍMIA ALBICASTRENSE - (XI)

Ruas da Minha Cidade

Na toponímia albicastrense, a avenida Afonso de Paiva será seguramente uma das mais conhecidas na nossa cidade, porém, é minha convicção que a personalidade que lhe dá nome, será para a maioria dos albicastrenses um ilustre desconhecido, independentemente do mesmo ter nascido em Castelo Branco no longínquo ano de1460.
A Avenida Afonso de Paiva tem o seu início na praça Rainha D. Leonor, e termina junto à escola que também tem o seu nome.
Quem foi Afonso de Paiva?

Afonso de Paiva nasceu em Castelo Branco em 1460. Herdou o cargo de escrivão de sisas na sua comarca natal, e escrivão real da comunidade hebraica, actividade que o colocou em contacto com muita gente do Levante e lhe permitiu aprender o hebreu, tornou-se explorador português a convite de D. João II para que fosse recolher informações do Oriente acerca das rotas comerciais e pontos de referência. Afonso de Paiva, que aprendera a falar árabe com os mercadores de Ceuta, e Pêro da Covilhã, que, entre outras experiências, fizera já duas expedições a Berbéria e já conhecia os costumes e o falar dos árabes. Participou na batalha de Toro ao lado do rei D. João II que lhe reconheceu os méritos de bom escudeiro. Por nele confiar, escolhe-o para acompanhar Pêro da Covilhã na demanda pelo reino do Preste João e da Índia. Em 7 de Maio de 1487 partiram estes dois novos emissários de Santarém, bem providos de dinheiro e com indicações dadas pelos cosmógrafos da Corte, acerca do itinerário a seguir. Lisboa, Valência, Barcelona, Nápoles e Rodes, foram etapas da primeira parte da viagem. Depois, disfarçados de mercadores, passaram a Alexandria, de onde seguiram para o Cairo, para o Suez e para a Arábia (Toro). Depois partiram para Adem, onde chegaram em 1488. Aqui se separaram, indo Pêro da Covilhã para a Índia e Afonso de Paiva para a Etiópia. Afonso de Paiva não chegou a terminar a sua missão. Morreu antes que Pêro da Covilhã regressasse ao Cairo, depois de, durante um ano, ter percorrido a Índia e outras terras do Oriente. Voltando à costa de África, chegou a Sofala, de onde, por Adem e Tôro, regressou ao Cairo nos fins de 1490. D. João II veio a saber da morte de Afonso de Paiva por dois judeus que enviou.
          Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Albicastrense

sexta-feira, outubro 26, 2007

Castelo Branco na História - V


(Continuação do número anterior)
D. Pedro Alvito, 11º mestre da ordem do templo, concedeu uma carta de foral à povoação de Castelo Branco, da qual transcrevemos alguns períodos traduzidos do latim bárbaro:
“Em nome da santa e individua trindade Pai, Filho e Espírito Santo, assim seja”.
“Eu, mestre de milícia do templo, Pedro Alvito, com todo o convento de Portugal queremos restaurar e povoar Castel-Branco, concedendo-vos o foro e costumes de Elvas, tanto presentes como futuros, para que as duas partes dos cavaleiros vão ao fossado e a terça parte fique na vila: e uma vez por ano façais fossado”.
“Fazer fossado” consistia em ir com mão armada falar os campos cultivados pelo inimigo ou colher os seus frutos.Na carta de foral estavam consignados, entre outro, os seguintes direitos dos habitantes de Castel-Branco:“Tendas moinhos e fornos de Castel-Branco sejam livres de contribuições”.
“ Os cavaleiros de Castel-Branco sejam considerados em juízo como infanções e nobres de Portugal”.“ Os peões sejam considerados em juízo como cavaleiros vilões doutro concelho”.
Estabelecendo varias penalidades para os infractores das suas disposições e para os delinquentes, termina assim a carta de foral:
“Eu Pedro Alvito por graça de Deus mestre da milícia do templo em algumas partes de Espanha, juntamente com toda a comunidade de Portugal, confirmamos esta carta, para termos para sempre o domínio a todas as igrejas desta vila.
E todo aquele que infringir esta carta seja maldito do supremo Deus. Feita no mês de Outubro de 1251”
A data de 1251, posta na carta de foral por D. Pedro Alvito é a que corresponde ao ano de 1213 da nossa era (quando era mestre da ordem D. Gomes Ramires), tem deixado perplexos todos os investigadores da origem de Castelo Branco.
Com efeito, essa data é anterior à da doação feita por D. Afonso II aos templários (1214) a carta de foral adopta como norma a de Elvas, quando esta só foi concedida em 1229, em Évora, pelo rei D. Sancho II, alem disse, D. Pedro Alvito só começou a exercer as funções de mestre da ordem em 1214, tendo terminado o exercício em 1223.
Esta discrepância deu azo a varias conjecturas de Viterbo, Alexandre Herculano, António Roxo e Dr. Ribeiro Cardoso (Subsídios para a História Regional da Beira Baixa).Não reproduzimos essas conjecturas porque nenhum dos autores citados conseguiu esclarecer cabalmente as divergências que ressaltam dos vários documentos cuja autenticidade é incontestável.
(Continua – 5/103)
PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951

Autor. M. Tavares dos Santos

O Albicastrense

quinta-feira, outubro 25, 2007

Museu Francisco Tavares Proença Júnior


EXPOSIÇÃO

“A VIDA NUM CRUZAR DE FIOS”

19 De Outubro 2007 a 27 de Janeiro de 2008

Visitei no passado dia 24 no Museu Francisco Tavares Proença Júnior, esta bela exposição, e quero desde já convidar todos os visitantes deste blog a fazerem o mesmo.
A exposição que numa primeira perspectiva poderá parecer pouco interessante derivado ao tema em questão, obriga-nos a repensar essa óptica, após a nossa visita.
É caso para dizer que nunca devemos tirar conclusões precipitadas.

Vá visitar o nosso museu e aproveite para poder ver esta interessante exposição.

O Albicastrense

terça-feira, outubro 23, 2007

FONSECAS DE CASTELO BRANCO – V

“ OS RETRATOS DE FREI ROQUE DO ESPÍRITO SANTO

E FREI EGÍDIO DA APOSENTAÇÃO NO MUSEU

DE FRANCISCO TAVARES PROENÇA JÚNIOR”

Apresentada a família dos Fonsecas, faltava falar deste quadro.

Colocado sobre o altar da Capela dos Fonsecas (ou do Carneiro), acabou apeado do altar, tendo andado dezenas e dezenas de anos de um lado para o outro, sofrendo as vicissitudes inerentes às diversas e sucessivas instalações provisórias do museu albicastrense.
Com tal adversidade acabou por se destacar da moldura e andou enrolado e embrulhado durante bastante tempo.
Tais infortúnios só terminaram quando o Tenente-coronel Elias Gracia (anos trinta), assumiu a direcção do museu e ordenou que se guardasse a bom recato aquele rolo “tela”, salvando-o da perdição definitiva.
Enfim, adveio a ocasião de ser restituída à sua dignidade após beneficiação do mais essencial, de forma a poder incorporar-se em lugar de honra, numa sala do Museu.

Os juízos históricos, sobre os Fonsecas não são lisonjeiros para a memória dos irmãos, Diogo da Fonseca “corregedor do crime”, e Frei Bartolomeu da Fonseca “o inquisidor”.
Frei Roque e Frei Egídio
pelo contrário, merecerão bem esta bela homenagem, duas almas límpidas e puras, ungidas de santidade e dignas de um altar.
Note-se, em especial, que os retratos de frei Roque e de frei Egídio estão pintados no chão (os humanos não se pintam no céu) visto não serem canonizados, destinando-se o painel a uma Capela de propriedade particular e não pública.
Ao primeiro, foi conferido pela Santa Sé o titulo de Venerável, não sendo temerário admitir-se que haveria sido santificado se não caduca-se a Ordem dos Trinitários.
Frei Egídio não lhe ficava a traz, homem de modelar virtude, e superava-o decerto nos dotes de cultura e erudição, mas a sua actividade desdobrou-se entre a cátedra coimbrã e o gabinete de escritor, de filosofia e religião, sem alcançar a projecção nacional da obra social e politica do meio irmão mais velho.

O que diz José Lopes Dias sobre este quadro?

Desde logo a primeira impressão é aliciante, na harmonia geral da composição, no seu aparato egrégio, mas pujante de realismo, na perfeição do desenho e no colorido apaixonado dos tons magníficos, onde primam o azul, o vermelho e o branco, em que tudo, na verdade, inculca o valioso trabalho de séc. XVII.
Do lado esquerdo, frei Egídio, no hábito negro dos ermitãs de Santo Agostinho, a face calma e reflexiva de um mestre, abaixa a mão esquerda para um volumoso livro aberto sobre o pavimento, a sua obra de místico e filósofo, enquanto aponta ao céu com a mão direita, como se ensinasse a filosofia de Deus!...
E o semblante exprime efectivamente a mensagem de um intelectual e pensador de escolástica, de um místico ou de um asceta.
Frei Roque, na sua frente, veste o hábito branco dos Trinitários
, assinalado pela cruz de braços, a azul e a vermelho, a bela cabeça resplandecente de glórias e trabalhos sem fim, tisnada pelo duro sol africano, longas barbas de romeiro e missionário, exponde com os olhos e a alma postos no grupo celestial as mãos piedosas sobre a figura gentil e humilde de um cativo, ajoelhado a seus pés… O espírito voa-lhe para o céu, para as figuras da Trindade, enquanto as actividades práticas se multiplicam na remissão de milhares de cativos.
Entre as duas figuras principais, observa-se uma cena miniatural e alegórica, com frei Roque, presidindo á cabeceira de uma vasta mesa á romagem dos monges que vêm entregar as moedas mendigadas por toda a parte, ou vão partir com o dinheiro destinado aos resgates dos soldados nos presídios marroquinos.
Se a metade terrena do quadro contem dois retratos, duas figuras reais, a parte superior é de concepção puramente académica e celestial. A figura do Padre eterno veste-se de largas roupagens, em perfeito academismo, tendo uma das mãos sobre o globo do mundo e, a outra sobrevoada pela alva pompa do Espírito Santo; de escultórico torso nu, Jesus Cristo, realista e renascente, qual imagem humana, ostenta na mão esquerda, sobre o peito, a chaga da crucificação, adornando o corpo para a delicada imagem da Virgem.
A virgem exibe, na mão direita, as cadeias quebradas dos cativos, tendo no peito a cruz de Padroeira dos Trinitários e revendo-se no livro aberto das obras de frei Roque. Entre as figuras primaciais concorrem, em segundo plano coros de anjos ou serafins e emergem do caos bambinos de graça imanente e radiosa.
Deve destacar-se, no pormenor o expressionismo das mãos de orador e mestre em frei Egídio, de compaixão e tutela em frei Roque, majestáticas no Padre Eterno, dedicadas e poderosas em Jesus Cristo, enternecidas, as da Virgem; e mesmo os querubins rosados exibem mãozinhas papudas e tenras, como se o artista expressamente desejasse malbaratar o talento com que dominava uma das grandes dificuldades técnicas das artes plásticas.
Indubitavelmente primorosa, a obra é de relevante interesse, quer no seu valor estético, quer na representação histórica de dois personagens ilustres de Castelo Branco, sendo o nome do pintor ainda hoje desconhecido.

A minha coabitação com este quadro:

Tive oportunidade de ver este quadro pela primeira vez nos anos sessenta, quando o museu ainda morava nas suas instalações anteriores às actuais (edifício anexo ao governo civil), depois nos anos setenta, ao ir trabalhar para o museu Francisco Tavares Proença Júnior, ali o encontrei de novo, e lá se manteve exposto ao público até 1993, altura em que o edifício entrou em obras.
Quando da reabertura do museu em 1998, o nosso frei Roque e frei Egídio deixaram de ter pedestal no nosso museu, e o quadro regressou temporariamente à instituição onde estivera mais de cem anos (
Santa Casa de Misericórdia de Castelo Branco), tendo estado exposto ao cimo da escadaria principal desta instituição, entre 2001/06 (onde a foto que ilustra este post. foi obtida), sendo retirado e enviado de novo para o museu em virtude do seu mau estado em 2006.
Para terminar resta acrescentar, que este quadro se encontra actualmente na reserva do Museu Francisco Tavares Proença, não se sabendo para quando o seu restauro, assim como a sua exposição ao público.

PS. Os dados aqui apresentados são excertos retirados do livro: ” Os retratos de Frei Roque do Espírito Santo e de Frei Egídio da Aposentação, do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior” da autoria de José Lopes Dias, editado em 1976.

Se estiver interessado em conhecer na íntegra os dados desta família, deve dirigir-se ao museu, pois é possível ainda ali existirem alguns exemplares à venda.

O Albicastrense

sábado, outubro 20, 2007

TIRAS HUMORÍSTICAS - VI

Esta tira é dedicada a todos os sindicalistas do meu distrito, que em prejuízo do seu tempo livre e das suas famílias, não desistem da defesa dos direitos dos trabalhadores.

Um bem-haja do Albicastrense.

sexta-feira, outubro 19, 2007

PONTE DE SEGURA

UM PAR DE BOTAS

Dá-se alvíssaras a quem encontrar os responsáveis, por este “bonito” par de botas.
Lembrava aqui um ditado popular, que alterei para poder dedicar aos responsáveis por este trabalho.

Sapateiros remendões,
Que não sabem remendar
Pensam, que estão a arranjar sapatos
Para a ponte calçar.
O Albicastrense

terça-feira, outubro 16, 2007

Castelo Branco na História - IV


(Continuação do número anterior)
Transcorridos apenas 5 anos após a doação de Vila Franca da Cardosa feita por Fernando Sanches aos Templários, o rei D. Afonso II, sua mulher rainha D. Urraca, seus filhos infantes D. Sanches e D. Afonso e sua filha infanta D. Leonor fizeram, em 1 de Novembro de 1214, uma nova doação, ao 11º mestre da ordem do templo D. Pedro Alvito, da herdade denominada Cardosa, definindo-lhe os limites da forma seguinte:
A extrema confrontava com o conselho da Covilhã pelo Vale de Freixedo, ribeira de Alpreada e Mata das Porcos e com o concelho de S. Vicente pelo cabeço de Gosendo (hoje desconhecido) até ao rio Ocresa; inflectia depois sobre o monte de Carvalhal, onde por mandado do rei foram colocados marcos de pedra (que ainda existem) por D. Rodrigo Mendes e Mendo Anaia; daqui seguia até à foz do ribeiro da Povoa de Rio de Moinhos onde Mendo Anaia fez uma cruz na parede e dai até à fonte de Rabaças; passava pelo cabeço do Barbaido, várzea do Azinhal, ribeira de Almaceda e seguia o curso desta ribeira até ao rio Ocres; deste rio partia para Sarnadas de Rodam onde inflectia para o Ponsul pelos montes de Vilelas e Envendos, seguindo o curso do Ponsul até ao Tejo e, o deste rio até à foz do Sever; continuava pela margem esquerda do Tejo até à ribeira de Vide, seguindo o seu leite até Marvão; daqui inflectia para a ribeira de Ourela (hoje na Espanha) seguindo o seu curso até à foz, donde, atravessando novamente o Tejo e passando pelos montes Negrais e Marmelos de Malpica, se dirigia para a foz da ribeira de Escalos, para fechar o perímetro no vale de Freixedo, na ribeira de Alpreada.
Parece que os Templários receavam que lhes fosse contestada a posse da herdade, porquanto solicitaram à Santa Sé a confirmação da doação que lhes havia sido feita pelo rei D. Afonso II em 1214.
O Papa Inocêncio III confirmou essa doação em 1215 por uma Bula na qual aquele Pontífice se referia a uma vila existente na fronteira dos Sarracenos vulgarmente chamada Castel-Branco.
Viterbo, transcrevendo parte da Bula identifica esta vila com a de Cardosa; a verdade, porém, é que não se nos depara nesse documento um tal asserto. De positivo, apenas se sabe que estava situada na herdade da Cardosa.
(Continua – 4 /103)
PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951

Autor. M. Tavares dos Santos

O Albicastrense

REGISTOS PAROQUIAIS QUINHENTISTAS DE CASTELO BRANCO

ALBICASTRENSES QUINHENTISTAS  A revista Estudos de Castelo Branco publicou entre 1962 e 1969, um trabalho de Manuel da Silva Castelo Br...