terça-feira, novembro 13, 2007

ALBICASTRENSES ILUSTRES - XXV

Faria de Vasconcelos

(1880-1939)

António de Sena Faria de Vasconcelos nasceu em Castelo Branco em 1880.
O seu nome foi dado a uma das escolas da nossa cidade, porém não tenho duvidas que este albicastrense será um ilustre desconhecido, para a grande maioria dos habitantes da cidade onde nasceu em 1880, tendo falecido em Lisboa em 1939.
António de Sena Faria de Vasconcelos estudou Direito, em Coimbra e em 1902 foi para a Bélgica estudar na Universidade Nova onde chegaria a Professor Catedrático. Em 1912 funda a Escola Nova de Bièrges-Les-Wavre. Adolphe Ferrière sublinhou o valor desta escola, que usava a inteligência e a acção em vez da memória. Ferrière foi amigo e admirador de Faria de Vasconcelos.
A fundação da sua escola na Bélgica, a sua participação como professor no Instituto Jean-Jacques Rousseau (Genebra, Suíça) o trabalho que prestou em Cuba e na Bolívia, onde publicou muitos livros sobre Psicologia, traduzidos para inúmeras línguas, foi muito importante. Ainda hoje é conhecido nesses países. A sua contribuição para a criação e desenvolvimento das Escolas do Magistério Primário em Cuba e na Bolívia foi, de resto, fundamental.
Voltou para Portugal sendo professor na Universidade de Lisboa, continuando a escrever. Não sabemos qual teria sido a sua relação com o regime de Salazar. Participara, com António Sérgio, de uma tentativa de reforma educativa. Ferrière considerou modelar a escola que fundou e dirigiu na Bélgica. “Une École Nouvelle en Belgique” é uma obra que se encontra traduzida em inúmeras línguas, tal como outras que Faria de Vasconcelos nos deixou.
A admiração que por ele existe no ‘Mundo Hispânico’ é fácil de observar: basta falar nele na Galiza. Um dos seus livros foi distribuído por todos os professores bolivianos. Em Portugal, na maioria dos casos, permanece desconhecido. Mais estranho ainda: a maioria das suas obras, escritas originalmente em francês ou castelhano, nunca foram traduzidas para português.

A revista. “Estudos de Castelo Branco” publicou textos seus em várias edições, que compõem um aumento significativo para o conhecimento da vida e obra, de Faria de Vasconcelos.
Parte destes dados foram recolhidos em: http://www.apagina.pt
O Albicastrense

quinta-feira, novembro 08, 2007

Castelo Branco na História - VII

(Continuação do número anterior)

O rei D. Sancho II, não obstante figurar o seu nome na doação feita pelo seu progenitor em 1214, fez uma nova doação de Castelo Branco aos Templários em1229, na qual esse agregado populacional era mencionado como uma grande e importante povoação.
Segundo uma certidão datada em Elvas aos 15 de Marco de 1271, o cabido da ordem do Templo, reunido em Zamora em 4 de Março, concedeu aos habitantes de Mancarchino ou Castelo Branco de Mancarchino “todos os bons foros e os bons usos e os bons costumes de Elvas”.
Consta do mesmo documento que o concelho de Elvas deu uma cópia da sua carta de foral, autografada por tabelião, a três emissários de Mancarche
que ali foram com esse objectivo, munidos da certidão passada pelo mestre D. Frei Guilan de Pontes.
São também mencionados os nomes dos três emissários: o alcaide Domingos Domingues, o capelão João Pires e o sesmeiro Domingos Fernandes.
Resumindo, estão averiguados os seguintes factos sobre a origem de Castelo Branco: que esta povoação teve a denominação de Mancarche no século XIII, ignorando-se se este nome foi o primitivo; que teve também a designação de Castelo Branco de Mancarchino; que o povoamento da região, onde foi edificado, data de tempos remotos, anteriores à fundação da nossa nacionalidade; e finalmente que os Templários a restauraram e promoveram o seu desenvolvimento, dando-lhe simplesmente o nome
de Castelo Branco.
O castelo foi construído ou restaurado pelos Templários no primeiro quartel do século XIII. Em 1230 já ele estava edificado, consoante de depreende de um documento da época no qual se faz menção da alcáçova de Castelo Branco.
Este documento, que foi transcrito por Alexandre Hercu
lano na sua História de Portugal, é uma concordata feita pelos municípios de Castelo Branco e Covilhã, para pôr termo a desavenças então existentes entre estes dois concelhos.
Tendo travado uma sangrenta peleja na serra da Gardunha no local ainda hoje conhecido pelo nome de Contenda (nas proximidades de Vale de Prazeres) e desejando estabelecer relações amigáveis, nomearam, habitantes de Castelo Branco e os de Covilhã, três árbitros: o bispo de Viseu, o alcaide de Santarém e o chantre da Sé da Guarda.
Reuniram os árbitros no mosteiro de Santa Maria de Ozezar, situado na freguesia do Zêzere, do concelho de Tomar, mais tarde dominada Paio Pelle e que hoje tem o nome de Praia do Ribatejo.

(Continua – 7/103)

PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951

Autor. M. Tavares dos Santos

O Albicastrense

segunda-feira, novembro 05, 2007

ZÉ GAVETAS

NUM DOS COMENTÁRIOS COLOCADOS NESTE BLOG ALGUÉM PERGUNTAVA:
Para quando um poste dessa figura mítica albicastrense, que dava pelo nome de ZÉ GAVETAS?

JOSÉ DA ASCENÇÃO
O desafio foi aceite e depois de alguma pesquisa, aqui está o trabalho, sobre essa excêntrica figura, (como há bem pouco tempo Fabião Batista, rotulou esta e outras personagens albicastrenses, num recente trabalho publicado no Jornal "A Reconquista").

Das poucas figuras extravagantes que a nossa cidade conheceu no século XX, esta será seguramente uma das mais lembradas, e ao mesmo tempo, uma das que mais saudades deixaram aos albicastrenses. O Zé Da Assunção "Gavetas" nasceu no Castelo, (hoje conhecido como zona histórica de Castelo Branco), entre anos vinte e anos trinta (?), filho de um romance "furtivo" de sua mãe, com um militar de alta patente (segundo boatos da altura, consta que ele era a cara do dito cujo), ali cresceu e se fez homem, também lá morreu nos anos setenta. 
Muitas são as histórias contadas na nossa cidade, sobre o Zé Gavetas, umas serão autênticas e outras forjadas pelo próprio tempo. Algumas das histórias que aqui vou contar foram-me relatadas pela sua prima D. Adelaide hoje com 87 anos, outras por pessoas amigas que o conheceram, outras são parte das minhas próprias recordações de criança e por fim algumas são fruto de pesquisa em jornais da cidade. 
Conta-se que quando se vestia de fato e gravata ou papillon, (mesmo que o referido fato, fosse de segunda mão), tomava uma postura de aristocrata, parecendo mesmo um grande senhor de maneiras e atitudes importantes e ricaças. Era desta maneira, que ele muitas vezes passeava frente às esplanadas dos Cafés Aviz e Arcádia, exibindo-se e olhando por cima do ombro, para quem ali se encontrava nas esplanadas, à espera que o saudassem carinhosamente. 
Essa sua "extravagância" de grandeza e de pessoa importante, chegava a ponto de dizer a sua tia (Mãe de D. Adelaide) que brevemente ia casar, porém não as podia convidar para o casamento, pois à cerimónia só iriam pessoas importantes (Doutores como ele gostava de dizer).  Consta que um dia o fotógrafo Barata o convidou para tirar umas fotografias, arranjou-lhe um fato, assim como todos os acessórios necessários para a reportagem, e toca a tirar fotografias, fotografias em que o Zé aparecia que nem um lorde, em diversas posições, com cigarro, ou sem cigarro, sentado ou em pé. 
Estas fotos obtiveram um enorme sucesso na nossa cidade nos anos 50, (a fotografia aqui apresentada, deverá ser uma dessas). Conta-se que a sua presença frente à Escola do Magistério Primário era quase diária, as jovens que frequentavam esta escola eram todas suas namoradas (segundo ele), eram elas que na maior parte das vezes, lhe traziam roupa e alimentavam e o acarinhavam.  Das histórias mais hilariantes que sua prima me contou, a que se segue é seguramente a que mais cozo me deu ouvir. Segundo ela a nossa personagem tinha um grupo de amigos que regularmente se reunia na sua casa no castelo em jantaradas e muitos copos, um dia dois deles vão roubar um Borrego e toca a fazer uma grande jantarada.
O dono do bicho descobre e leva-os a tribunal, em plena sala de audiência o Zé juntamente com o outro capincha (que não consegui saber quem era), começam a elogiar as paredes da sala do tribunal e os quadros ali expostos, dizendo em voz alta para quem os quisesse ouvir "que belos quadros e bonita parede" o juiz volta-se para o dono do borrego e diz-lhes:
- O que é que o senhor quer que eu faça a estes dois malucos!
Naquele tempo havia uma casa de prostituição no Castelo, (a casa da Carmo). Segundo consta era o Zé, que encaminhava para lá os rapazes que vinham fazer a inspeção militar na nossa cidade (qual seria o pagamento de tal serviço). 
Zé terá sido o antecessor do saudoso Guilhermino, (outra figura popular da cidade), no trabalho que este desempenava no Cine Teatro Avenida, pois era ele que no antigo Cine Vaz Preto (situado na rua Tenente Valadim) ia buscar os filmes à estação do comboio. Quando deixou de trabalhar neste local, era usual vê-lo à saída das sessões com um cartaz onde se podia ler. "Ó criado não me mates a trabalhar, que o Zé Gavetas vai-te encerar a casa e dar brilho ao teu soalho", o Zé chegou ainda a vender jornais e revistas, foi tombem engraxador no antigo largo dos cafés.
Para terminar este poste falta dizer o seguinte:
O Zé alimentava pela mãe um grande carinho, (facto que eu próprio ouvi em criança), e que tudo fazia para lhe agradar.
Para quem como eu conheceu esta personagem, durante a minha juventude, resta acrescentar que embora a sua saúde mental muito deixasse a desejar, nunca lhe ouvi uma palavra de ofensa, para quem quer que fosse. 
Morreu na década de 70 (não consegui saber o ano do óbito), com a sua morte a cidade de Castelo Branco perdeu uma das figuras mais populares excêntricas do século XX.
                                                O Albicastrense

quinta-feira, novembro 01, 2007

A NOSSA HISTÓRIA - (III)


A TERRA ALBICASTRENSE NO TEMPO 
A 27 de Novembro de 1285, estiveram em Castelo Branco, suas majestades o rei D. Dinis e sua esposa a Rainha D. Isabel de Aragão. 
Os régios visitantes saíram no dia seguinte. 
Porem, o monarca, achando que a vila não se desenvolvia e que o casario estava deveras espartilhado pelas muralhas, com ruas muito apertadas e vielas estreitas, ordenou que se construíssem novas muralhas, a fim de haver mais espaço, para melhor se urbanizar e para se poderem abrir ruas mais amplas, onde melhor se transitasse e mais confortavelmente se mercandejasse. 
Neste sentido o perímetro das muralhas, que estava a asfixiar a urbe, passou a ter o triplo do seu comprimento.

PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias.
A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal
”A Reconquista”

O Albicastrense

segunda-feira, outubro 29, 2007

TOPONÍMIA ALBICASTRENSE - (XI)

Ruas da Minha Cidade

Na toponímia albicastrense, a avenida Afonso de Paiva será seguramente uma das mais conhecidas na nossa cidade, porém, é minha convicção que a personalidade que lhe dá nome, será para a maioria dos albicastrenses um ilustre desconhecido, independentemente do mesmo ter nascido em Castelo Branco no longínquo ano de1460.
A Avenida Afonso de Paiva tem o seu início na praça Rainha D. Leonor, e termina junto à escola que também tem o seu nome.
Quem foi Afonso de Paiva?

Afonso de Paiva nasceu em Castelo Branco em 1460. Herdou o cargo de escrivão de sisas na sua comarca natal, e escrivão real da comunidade hebraica, actividade que o colocou em contacto com muita gente do Levante e lhe permitiu aprender o hebreu, tornou-se explorador português a convite de D. João II para que fosse recolher informações do Oriente acerca das rotas comerciais e pontos de referência. Afonso de Paiva, que aprendera a falar árabe com os mercadores de Ceuta, e Pêro da Covilhã, que, entre outras experiências, fizera já duas expedições a Berbéria e já conhecia os costumes e o falar dos árabes. Participou na batalha de Toro ao lado do rei D. João II que lhe reconheceu os méritos de bom escudeiro. Por nele confiar, escolhe-o para acompanhar Pêro da Covilhã na demanda pelo reino do Preste João e da Índia. Em 7 de Maio de 1487 partiram estes dois novos emissários de Santarém, bem providos de dinheiro e com indicações dadas pelos cosmógrafos da Corte, acerca do itinerário a seguir. Lisboa, Valência, Barcelona, Nápoles e Rodes, foram etapas da primeira parte da viagem. Depois, disfarçados de mercadores, passaram a Alexandria, de onde seguiram para o Cairo, para o Suez e para a Arábia (Toro). Depois partiram para Adem, onde chegaram em 1488. Aqui se separaram, indo Pêro da Covilhã para a Índia e Afonso de Paiva para a Etiópia. Afonso de Paiva não chegou a terminar a sua missão. Morreu antes que Pêro da Covilhã regressasse ao Cairo, depois de, durante um ano, ter percorrido a Índia e outras terras do Oriente. Voltando à costa de África, chegou a Sofala, de onde, por Adem e Tôro, regressou ao Cairo nos fins de 1490. D. João II veio a saber da morte de Afonso de Paiva por dois judeus que enviou.
          Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Albicastrense

sexta-feira, outubro 26, 2007

Castelo Branco na História - V


(Continuação do número anterior)
D. Pedro Alvito, 11º mestre da ordem do templo, concedeu uma carta de foral à povoação de Castelo Branco, da qual transcrevemos alguns períodos traduzidos do latim bárbaro:
“Em nome da santa e individua trindade Pai, Filho e Espírito Santo, assim seja”.
“Eu, mestre de milícia do templo, Pedro Alvito, com todo o convento de Portugal queremos restaurar e povoar Castel-Branco, concedendo-vos o foro e costumes de Elvas, tanto presentes como futuros, para que as duas partes dos cavaleiros vão ao fossado e a terça parte fique na vila: e uma vez por ano façais fossado”.
“Fazer fossado” consistia em ir com mão armada falar os campos cultivados pelo inimigo ou colher os seus frutos.Na carta de foral estavam consignados, entre outro, os seguintes direitos dos habitantes de Castel-Branco:“Tendas moinhos e fornos de Castel-Branco sejam livres de contribuições”.
“ Os cavaleiros de Castel-Branco sejam considerados em juízo como infanções e nobres de Portugal”.“ Os peões sejam considerados em juízo como cavaleiros vilões doutro concelho”.
Estabelecendo varias penalidades para os infractores das suas disposições e para os delinquentes, termina assim a carta de foral:
“Eu Pedro Alvito por graça de Deus mestre da milícia do templo em algumas partes de Espanha, juntamente com toda a comunidade de Portugal, confirmamos esta carta, para termos para sempre o domínio a todas as igrejas desta vila.
E todo aquele que infringir esta carta seja maldito do supremo Deus. Feita no mês de Outubro de 1251”
A data de 1251, posta na carta de foral por D. Pedro Alvito é a que corresponde ao ano de 1213 da nossa era (quando era mestre da ordem D. Gomes Ramires), tem deixado perplexos todos os investigadores da origem de Castelo Branco.
Com efeito, essa data é anterior à da doação feita por D. Afonso II aos templários (1214) a carta de foral adopta como norma a de Elvas, quando esta só foi concedida em 1229, em Évora, pelo rei D. Sancho II, alem disse, D. Pedro Alvito só começou a exercer as funções de mestre da ordem em 1214, tendo terminado o exercício em 1223.
Esta discrepância deu azo a varias conjecturas de Viterbo, Alexandre Herculano, António Roxo e Dr. Ribeiro Cardoso (Subsídios para a História Regional da Beira Baixa).Não reproduzimos essas conjecturas porque nenhum dos autores citados conseguiu esclarecer cabalmente as divergências que ressaltam dos vários documentos cuja autenticidade é incontestável.
(Continua – 5/103)
PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951

Autor. M. Tavares dos Santos

O Albicastrense

REGISTOS PAROQUIAIS QUINHENTISTAS DE CASTELO BRANCO

ALBICASTRENSES QUINHENTISTAS  A revista Estudos de Castelo Branco publicou entre 1962 e 1969, um trabalho de Manuel da Silva Castelo Br...