quarta-feira, outubro 08, 2008

Castelo Branco na História XXXIX

Do lado norte da cidade, na antiga Rua da Corredoura, hoje denominada de Bartolomeu da Costa existe um palácio, com dois corpos e ângulo recto, que foi vivenda de Inverno dos bispos da Guarda nos séculos XVII e XVIII e residência permanente dos bispos de Castelo Branco desde a criação da diocese, em 17 de Julho de 1771, até ao falecimento do terceiro e ultimo prelado em 6 de Abril de 1831.
A entrada principal do palácio é constituída por um pátio nobre quadrangular, cuja área é de 370 metros quadrados, ao qual dava aceso a uma monumental porta férrea emoldurada por cantarias lavradas no estilo do Renascimento e ladeada por duas elegantes colunas de fustes com canelaras. O antigo e sumptuoso Paço Episcopal compunha-se do palácio com o seu pátio nobre e de vários e amplos logradouros que eram atravessados pela antiga Rua da Corredoura.
Do lado do poente da rua estava o palácio com o seu formoso jardim hoje classificado como monumento nacional e um olival onde se encontram actualmente o Jardim-Escola de S. João de Deus, o Dispensário do Dr. Alfredo Mota e a Escola de Enfermagem.
Neste olival era captada a água que abastecia os lagos e os repuxos. Do lado do nascente havia uma quinta ou horta ajardinada, um bosque com luxuriante e umbroso arvoredo e uma tapada adjacente que era designada pelo nome de Coelheira por servir para viveiro de coelhos.
A comunicação da horta ajardinada com o bosque contíguo era feita por duas portas férreas, uma das quais era chamada a porta de Roma, ainda existente e cujo frontão de graciosas volutas, tem uma cruz terminal de cantaria. A passagem do jardim para a quinta fazia-se transpondo a Rua da Corredoura por um passadiço sobre arcos de alvenaria, que ainda existe mas com a comunicação cortada pela supressão de um lanço da escadaria.
O corpo principal do palácio, excepto o seu peristilo e o salão de entrada, foi mandado edificar no fim do século XVI, no reinado de D. Filipe I, pelo Bispo da Guarda D. Nuno de Noronha.
No frontão da porta férrea do pátio nobre há a seguinte inscrição: “Dom Nuno de Noronha, filho de D. Sancho de Noronha, conde de Odemira, bispo que foi de Viseu, sendo da Goarda, mandou fazer estes paços, que começarão em Maio de 96 e se acabarão anno de 1598”.
O fundador do Paço Episcopal era filho do 4º conde de Odemira, alcaide-mor de Estremoz e de D. Margarida da Silva, filha de D. João da Silva, 2º conde de Portalegre. Bacharel em Teologia formado no mosteiro de Santa Cruz, foi eleito reitor da Universidade de Coimbra e confirmado nesse cargo pelo Rei-Cardeal D. Henrique em 4 de Outubro de 1578. Doutorou-se na Faculdade de Teologia, continuando a desempenhar as funções de reitor até 1586, data em que foi nomeado Bispo de Viseu pelo Rei D. Filipe I.

continua
PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1952
Autor. Manuel Tavares dos Santos
O Albicastrense

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De
Castelo Branco
Ps. Batista espero que gostes destas fotografias.
O albicastrense

terça-feira, outubro 07, 2008

CASAS DA MINHA CIDADE


Uma velha casa

Alertou-me um visitante deste blog para o perigo que representa o prédio degradado que as fotografias documentam. O referido prédio tem residência na rua do Espírito Santo, mesmo em frente da “Casa Valente Maluco“.
O aviso aqui fica… se entretanto acontecer algum acidente em virtude da situação em que se encontra parte do telheiro desta velha moradia, a responsabilidade será daqueles que preferem continuar de olhos fechados, perante a triste realidade urbanística em que se encontra boa parte da velha urbe albicastrense.
Gostaria de acrescentar ainda, que a recuperação desta velha casa, deveria ser um acto de cidadania e não uma obrigação por parte dos seus proprietários, acto que deveria ser apoiado e incentivado pela nossa autarquia. Numa cidade, onde mamarrachos sem qualquer interesse arquitectónico nascem por todo o lado, seria muito interessante vermos os proprietários destas velhas moradias e a nossa autarquia interessada e preocupada com o destino destas antigas residências.
O albicastrense

domingo, outubro 05, 2008

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - IV


A rubrica Efemérides Municipais, começou por ser publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova” transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937 e ali foi publicada até Dezembro de 1940. A mudança de um para outro jornal, deu-se derivado á extinção do primeiro.
António Ribeiro Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes.
O texto foi escrito neste blogue, tal como foi publicado em 1937.
Comentário do autor.
A sete de Abril de 1655 realizou-se mais uma sessão da Câmara, e logo de entrada diz-nos a acta ou termo da Câmara, como então se dizia, que; “foi condenado afonso mendes em douis mil Reis por não dar carne pelo antrudo“.
Comentário do autor.
Foi bem aplicada a multa, devemos convir. Faltar com a carne pelo Entrudos, quando logo a seguir vinha a quarentena e era de rigor o jejum e a abstinência, não podia ser. De admirar é que a acta se limita a dizer-nos que o velhaco do Afonso Mendes foi condenado a dois mil reis, não acrescentando que eram pagos da cadeia.
Logo a seguir aparece esta postura, que nos fala de coisas velhas que para muitos serão novidade:
"E logo naditta Camera acordarao os dittos oficiais dela que toda apesoa de qualquer qualidade que seja que na fonte do torneiro lançar gatto ou cão ou rapozo ou outro qualquer bicho pagara quatro mil Reis da cadeia etoda a pesoa que tirar algum bordo da ditta fonte pagara sies mil Reis da cadeia elansando pao ou pedra pequena pagara quinhentos Reis esendo filho familias oque fizer alguma das cousas sobredittas paguara seu pai por eles a condenação e outro sim acordarão que porquanto o tanque da deveza que de novo sefes he degrande utilidade deste povo econvem estar sempre limpo que toda apesoa de qualquer calidade queseja que lavar noditto tanque ou dentro dele oufora dele ou Roupa ou outra qualquer cousa pagara pela primeira ves douis mil Reis epela segunda quatro e outro sim toda apesoa que lançar alguma pedra ou pequena ou grande noditto tanque paguara douis mil Reis e a mesma pena tera qualquer que tirar pedra do cano dotitto chfaris ou derubar alguma pedra do bordo por baixo do tanque pagara douis mil Reis eamesma pena tera digo que toda apesoa que derrubar alguma das ameias do tanque pagara seis mil Reis de coima e outro sim toda apesoa que no ditto tanque agusar alguma ferramenta nobordo ou em alguma pedra doditto no tanque pagara douis mil Reis e fora nos asentos pagara mil Reis eesta mesma pena tera quem agusar no tanque que esta por baixo de nossa Senhora dagrassa as quais condanasois todas serão pagas nacadeia e sendo filho familias pagara seu pai por ele equalquer pesoa com hua testemunha opode acoimar e outro sim acordarão que toda apesoa que na fonte feiteira ou na do penedo das lamada (?) lansar pedra ou molhar palha pagara douis mil Reis da cadeia equalquer pesoa podera acoimar com hua testemunha emandarão apergoar da ginela da Camara pera baixo pera que viese a noticia e todos epor não aver mais que despachar a ouverão por feita e acabada e assinarão“.
Comentário do autor.
Foi extensa a transcrição, mas damo-nos por bem pago do trabalho de decifrar os hieróglifos do termo da Câmara, porque esta postura mostra aos que porventura o não soubessem que nesses tempos as posturas entravam em vigor imediatamente, supondo-se conhecidas de toda a gente logo que o pregoeiro viesse à Câmara dar conta do que se tinha resolvido. As fontes a que alude a postura onde estão? A fonte do Torneiro estava um pouco além da estação do comboio de ferro, junto ao muro da vedação da quinta da Carapalha, hoje propriedade dos industriais srs. Pires Tavares.
Da Fonte ainda há pouco tempo existiam vestígios, mas a agua há muito que desaparecera porque a roubaram sem protesto de ninguém. O tanque que noutro ponto se chama Chafariz da Deveza, era o tanque e chafariz de S. Marcos.
A Deveza ia desde a antiga Barbacã, que corresponde à rua Tenente Valadim e à Avenida Vaz Preto, até para lá do Saibreiro, Cansado, Etc.. o chafariz já existia, devia vir desde o tempo de D. Manuel I, o tanque foi feito depois de 1640.
O tanque que está por “baixode nossa Senhora dagrasa” era o tanque do Chafariz da Graça, perto da Mina.
 “A Fonte Feiteira e a Fonte do Penedo” não pudemos ainda descobrir onde ficavam, mas presumo que ficavam ao lado do caminho que corre ao lado do Quartel de Caçadores e seguia para os Escalos.
Continua
O Albicastrense

sexta-feira, outubro 03, 2008

TIRAS HUMORÍSTICAS - (XXV)

Bigodes e Companhia

Como já aqui disse por várias vezes Bigodes e Companhia, são dois albicastrenses de meia idade, reformados, teimosos, e já com alguns neurónios gastos pelo tempo.
Pois desta vez, resolveram visitar a rua do Espírito Santo também conhecida por muitos albicastrenses como rua do Valente Maluco, e agora batizada por estes malucos como a rua dos 47 Pinocos.
O motivo desta visita, tem à haver com a solução encontrada pela autarquia albicastrense, para corrigir a burrice do passeio que sendo passeio, mais parece um anexo da estrada, pois parece que alguém se esqueceu durante as obras ali realizadas, que normalmente os passeios ficam alguns centímetros acima da superfície da estrada.
Ora perante esta anormalidade de ter um passeio, que sendo passeio se tornou um perigo de passeio para quem por ali passa, resolveram os responsáveis por este bonito trabalho, corrigir esta tolice com a colocação de 18 Pinocos do lado esquerdo para quem desce a rua, e 29 do lado direito.
Que me desculpem os responsáveis por tão “brilhante ideia” parece-me que a emenda é pior que o soneto.
O Albicastrense

quinta-feira, outubro 02, 2008

Exposião de Antonio Alarcõn


Estive hoje na inauguração da exposição de António Alarcõn, e confesso que fiquei deveras encantado com a simpatia deste homem e com o seu trabalho.
Aos visitantes deste blog, recomendo rapidamente uma visita a esta bela exposição.

O albicastrense

quarta-feira, outubro 01, 2008

Castelo Branco na História XXXVIII

"Continuação do número anterior"
Enquanto durou a reconstrução o povo de Castelo Branco, tendo relutância em inumar os seus mortos no adro, pejado de materiais para as obras, pediu a D. João VI, então príncipe regente, que lhe concedesse os sobejos das cinzas para a reconstrução de um cemitério. A cidade de Castelo Branco foi talvez a primeira povoação do pais a possuir um cemitério, ainda no tempo em que estava tradicionalmente arraigado o hábito de fazer as sepulturas nos templos e nos seus adros. Em provisão de 8 de Maio de 1805 o príncipe regente concedeu para essa obra, que havia sido arrematada ao pedreiro Manuel da Silva, o rendimento das pastagens e baldios do limite da cidade e seu termo durante cinco anos. Nas obras de reconstrução do tecto e do coro e ainda no douramente da capela-mor, da capela do Santíssimo Sacramento e órgão, foi dispendida a quantia de 29.000 cruzados. Durante a execução das obras, no espaço de três anos e meio, serviu de paroquial a igreja da Misericórdia Velha.
Para ali se trasladou o Santíssimo Sacramento, que voltou para a sé no dia 4 de Outubro de 1806, véspera do dia consagrado a Nossa Senhora do Rosário, padroeira da diocese de Castelo Branco. Para a reconstrução do tecto em abobada foram elevadas as paredes-mestras do corpo da igreja, o que prejudicou sobremodo a estética do edifício, porquanto não tendo sido elevada a cornija, ficou a cobertura com novos beirais separados pelos acréscimos das paredes.
Por iniciativa do arcipreste de Castelo Branco reverendo Padre João da Assunção Jorge e segundo um projecto do autor destas crónicas procedeu-se no ano de 1956, à demolição e reconstrução da fachada principal e das duas torres da igreja, que apresentava enormes fendas e evidentes indícios de ruína. No projecto de reconstrução manteve-se a arquitectura do século XVII sem outras alterações alem da uniformização das frestas das torres e do altamente da fachada principal para atingir, com a sua cornija o nível do telhado que havia sido elevado em 1806. Esta obra, que foi executada com a aprovação do estado, foi adjudicada ao Engenheiro João Marçal Carrega pela quantia de 700.000$00, parte da qual foi obtida por subscrição pública. Após a conclusão desta obra e de outros melhoramentos que simultaneamente foram executados em todo o edifício, foi este solenemente inaugurado como Sé Catedral, no dia 27 de Outubro de 1957, por D. Agostinho de Moura, Bispo de Portalegre e Castelo Branco.
Deplora-se o facto de se não haver aproveitado a oportunidade de beneficiação geral do edifício para o desafrontar de um inestético gradeamento que ali foi colocado no século XIX e das portas férreas que, permanecendo sempre abertas, demonstram cabalmente a sua inutilidade. Não podendo suprimir em todo o seu perímetro a vedação do adro, dado a diferença do nível existente entre o seu pavimento e o das ruas adjacentes, poderia ser substituído todavia, com vantagem para a estética o local, o execrável gradeamento por uma balaustrada de cantaria com um metro de altura ou por um simples murete acanteirado onde pudessem florescer algumas plantas ornamentais.
PS . O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951
Autor. Manuel Tavares dos Santos
O Albicastrense

CHAFARIZ DE S. MARCOS

Um ano depois,  começaram finalmente as obras  de recuperação do nosso velhinho   Chafariz de S. Marcos     Como se pode ve...