CENTROS COMERCIAIS
COVEIROS DO COMÉRCIO TRADICIONAL
EM
CASTELO BRANCO !?
Pediu – me um anónimo que me pronunciasse, sobre os Centros Comercias construídos na nossa cidade, e dos malefícios que estas áreas comerciais provocaram no comércio tradicional da nossa cidade. Dizia ainda este anónimo que já tinha colocado o problema ao presidente da autarquia albicastrense, mas que ele não quis saber de nada… A questão colocada por este albicastrense, não é de análise fácil para mim, e também não é daquelas em que possamos lançar duas ou três postas de pescada e depois sairmos dela como se nada fosse connosco.
Como albicastrense que nasceu em Castelo Branco, e que procede de uma família que habita há mais de 400 anos na cidade… família que ao longo desse tempo passou por epidemias, invasões francesas, revoluções e contra revoluções e que vive desde sempre na nossa bonita cidade, não posso nem devo ficar indiferente a esta nova onda que invadiu Castelo Branco, e que está a aniquilar apressadamente o nosso comércio tradicional. A nossa cidade foi invadida por uma onda de grandes proporções, que pouco a pouco vai engolindo um sector que durante muitos anos foi pedra fundamental no seu desenvolvimento. A questão a colocar no caso da nossa cidade… é saber-se se toda esta enxurrada não poderia ter sido evitado ou minimizado, para que os estragos fossem o mais reduzido possível? Tenho para mim… que a nossa autarquia, abriu a torneira que tornou possível este Tsunami de proporções incontornáveis, ao permitir a construção de superfícies de forma completamente destrambelhada e incontrolada. Ontem abriu-se um hipermercado, hoje um centro comercial, amanhã um Fórum, depois de amanhã um Alegrete... sem se olhar ao redor para ver quais os malefícios que tal política de aberturas iriam causar no comércio tradicional da nossa cidade. Não se pense porém… que as culpas pertencem totalmente aos responsáveis da autarquia albicastrense! Seria um erro crasso pensar-se que as culpas pertencem sempre ao vizinho do lado. Muitos dos pequenos comerciantes “são culpados” por terem parado no tempo… permitindo desse modo que as grandes superfícies todas elas embelezadas, os tramassem à primeira investida. Outros “são culpados” por se terem metido dentro das suas próprias conchas… pensado que a onda dos centros comerciais era passageira e que brevemente tudo voltaria á normalidade. Outros "são vítimas” dos seus fracos recursos económicos, que não lhes permite ou permitiu sequer sonhar ou pensar em modernizações, ou alindamentos nos seus estabelecimentos comerciais. Depois de portas deitadas abaixo… qual a solução para os pequenos e médios comerciantes que ainda não se afogaram nesta onda de mar bravio!?
O Nosso presidente diz frequentemente que “Castelo Branco é hoje uma cidade moderna virada para o futuro”.
É esta afirmação verdadeira? Tenho para mim que tem muito de verdade… porém, as coisas não são assim tão simples! Castelo Branco sofreu entre os anos trinta e cinquenta do século passado, grandes modificações. Todavia nos cinquenta anos seguintes, ficou-se a olhar para o que se tinha feito nos anos anteriores, ou seja… a pasmaceira instalou-se na nossa autarquia durante quase cinquenta anos, (salvo raras excepções). Com a entrada de Joaquim Morão na autarquia albicastrense, a cidade sofre novo abanão e começam as transformações: Na devesa, no passeio verde, na zona da Sé, em algumas das ruas do centro da nossa cidade. Na Zona Histórica da cidade, fazem-se pela primeira vez obras após… quase cinquenta anos de abandono e desleixo! Constrói-se uma biblioteca de raiz, (a minha obra preferida) o velho parque da cidade é metamorfoseado de parque amplo e modernista! (que me desculpe o presidente, mas o velho parque tinha muito mais encanto), as velhas praças da cidade são requalificadas com parques de estacionamento subterrâneos, (em alguma cidades tira-se o transito do centro da cidade, em Castelo Branco faz-se o contrario). Porém as transformações são extensivas às rotundas, vias circulatórias à volta da cidade e ainda a muitas outras. Porém nem tudo são rosas nestas modificações, muitas das zonas renovadas são hoje espaços “quase” vazios do comércio tradicional e de pessoas… e quando digo ”quase” é porque felizmente alguns comerciantes ainda se vão aguentando heroicamente.
O caminho para mudar este estado de coisas não é fácil! No entanto a nossa autarquia pode e deve ter um papel importante neste trilho, depois da zona histórica da cidade e das ruas do centro da cidade estarem compostas, deveria a autarquia albicastrense apoiar e incentivar os proprietários dos prédios ai situados, a restaurá-los de forma a tornar possível que estes espaços se tornassem espaços de encontro e reencontro de albicastrenses com o comércio tradicional da sua cidade, (como aliás se vez em Abrantes).
Para terminar, voltava às palavras do nosso presidente; “Castelo Branco é hoje uma cidade moderna virada para o futuro”. Tem razão senhor presidente… agora torna-se necessário colocar pessoas e comércio tradicional nesses espaços renovados, pois se assim não for… ficar-se-á com a ideia que as obras foram feitas para ser vistas e não para servirem os albicastrenses.
O Albicastrense