sábado, maio 09, 2009

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - XVl


(Continuação)
A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940. A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Ribeiro Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes.
O texto foi escrito neste blogo, tal como foi publicado em 1937.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.
Comentário do autor: Depois de ter procurado por um freio ao furto da azeitona, a Câmara tratou de obrigar os donos dos lagares a poupar um pouco as ruas que até ai eles ponham num estado lastimoso. Disse no dá conta a acta da sessão de 31 de Janeiro de 1776 nos termos seguintes:
Acta de 1776: “Depois de deferirem vários requerimentos das partes Considerando em que se estava prometindo nesta cidade se desaguase pellas ruas do interior della todos os azinares ou agoas dos Lagares de azeite que há na mesma cidade de que seseguia estavam a maior parte das ruas por onde os dittos azinagres passavão cheas de immundice e das ditas agoas pardas que difficultavão não só afranca passagem do Povo mas também se passavão quaesquer bestas os pingos dadita agoa que emqualquer pessoa que passava erão nódoa seria que se impregava nos passajeiros e quaes quer pessoas que andacem ou tranzitacem pellas ditas ruas e querendo evitar o prejuízo do povo, e concorrer quando nos he possível para odecoro da cidade determinarão e acordarão uniformemente que todo o dono de lagar de azeite que houver nesta cidade faça coloaca por baxo das ruas de forma que fiquem estas bem seguras e encanem as ditas agoas dos lagares athe desemporarem fora da cidade e não o fasendo assim querendo conservar os ditos lagares emoer nelles azeitona servindose das ruas e lançando nellas as ditas agoas incorrerão todos os donos dos referidos lagares na de seis mil reis pagos da cadea por cada vez que o fizerem ou consentirem aos que nelles trabalharão”.
Comentário do autor: Se esta providência fez por então desaparecer o abuso, não o sabemos dizer. Sabemos, porem como sabe toda a gente que vivia já aqui há vinte ou trinta anos, que de novo se viam os “azinagres” a correr de alguns lagares para as ruas, formando respeitáveis regatos. E ainda não há meia dúzia de anos se via o “azinagre” a correr em abundância para a Quinta do Paço de um lagar que ficava por ali perto. Isso acabou, mas não foi á primeira investida que se lhe pôs termo. Nesta mesma sessão de 31 de Janeiro de 1776 os vereadores que ainda estavam frescos, resolveram-se a acabar ainda com outros abusos, e assim fizeram entrar na ordem os:
Acta de 1776: “os que embarcarem as ruas estradas ou caminhos públicos e inda terras do concelho, com pedras madeiras parreiras ás portas ou arvores nas ruas ou caminhos do publico ou porem silvas ou quais quer matos por sima dos tapumes ou valados com que embaracem de qualquer forma a passagem e serventia do povo”.
Comentário do autor: Hoje já aparece pouco disto, mas ainda uma vez ou outra a Câmara têm que fazer entrar na ordem um ou outro abelhudo que se julga no direito de dispor, livremente do que não é de ninguém por ser de todas. A educação cívica ainda tem muito que fazer por ai fora. Ainda nesta mesma sessão se encontra o seguinte, que nos diz um pouco do que eram os costumes do tempo, que afinal não eram muito diferentes dos costumes de hoje:
Acta de 1776: “E sendo informados de que há muntas pessoas nesta cidade e termo que com a sua depravada Lingoa dão causa a tomultos bricas epancadas quando se não sigão edemortes por causa dedesecompostura pallavras afrontosas einjuriosas comque desecompõem e desacreditão varias pessoas que por muitas vezes por senão meterem emgastos de demandas de injurias não acusão as pessoas que as afrontão pello que querendo de alguma forma um fereio a estas pessoas mal dizentes que há tais que tem isto mesmo por oficio e toca a estie Senado imporlhe inmendas pello meio das condenaçoens para se evitarem os prejuízos graves que se podem seguir das referidas maledicencias ou injurias determinarão e acordarão uniformemente que toda a pessoa desta cidade etermo que descer mal ou injuriar a outrem na sua prezença incorra na pena de mil e duzentos reis pagos da cadea e sendo na auzencia de outros a quem forem ditos são condenados em seis centos reis tudo pago da cadea e por esta forma amplião assim as penas determinadas napostura antiga e mandarão se poblicace nesta cidade e seu termo e se passacem as ordens nesceçarias para chegar anoticia de todos e se lhe dar tudo inteiro cumprimento.”
Comentário do autor: As penas “determinada na postura antiga” não tinham dado resultado e por isso as “ampliaram”; mas a ampliação certamente também não deu resultado ou, se o deu foi sol de pouca dura, ainda hoje se pode dizer mal do próximo e sobretudo da próxima, é o maior prazer de muita gente. Há mesmo quem não tenha outro ofício a não ser o da má-língua.
Ps Mais uma vez informe os leitores dos postes, “Efemérides Municipais” que o que acabou de ler é uma transcrição fiel do que saiu em 1937. Modificar, emendar ou alterar estes artigos seria na minha perspectiva um insulto ao seu autor.
(Continua)
O Albicastrense

quinta-feira, maio 07, 2009

DITO E FEITO


É hábito dizer-se que uma fotografia vale por mil palavras.
Como não tenho bagagem para as tais mil palavras, fico-me pelas fotografias. No entanto os visitantes do blog, podem e devem dizer o que magicam sobre esta alteração.
O Albicastrense

quarta-feira, maio 06, 2009

CASTELO BRANCO NA HISTÓRIA E NA ARTE - (L I)


Monumentos de Castelo Branco
IGREJA DA MISERICÓRDIA VELHA – (4)
(Continuação)
Pôr alvará régio de 2 de Outubro de 1610 foi deferida esta pedição, sendo Provedor o licenciado Domingos do Rego. Não obstante as intervenções do Estado realizadas em 1529, em 1584 e em 1624, a administração da Misericórdia continuou a ser escandalosa; em 1624 os lavradores queixam-se de que “os irmãos da Mesa tomam a maior parte das terras para si carregando-as no livro da Misericórdia sobre homens pobres que não tem boi nem vaca nem são lavradores, que depois lhes tornam a largar”.
Os subornos nas eleições também não cessaram com o alvará de 1610. O Provedor da Comarca de Castelo Branco, Licenciado Sebastião da Fonseca, mandou suspender a eleição até nova ordem, em 1630, recebendo uma provisão do Rei D. Filipe, datada em 10 de Agosto daquele ano, na qual se determinava que “antes da eleição se fazer se apure o livro novo da Irmandade e depois de feita esta diligencia se proceda á eleição com a assistência do dito licenciado“. No dia 18 de Abril de 1631 foi lavrado um auto do qual consta que estando o Provedor Simão da Silva Almeida e mais irmãos da Mesa e a maior parte da Irmandade junta para irem ao Enterro do Nosso Senhor Jesus Cristo, por ser em Sexta-feira da Paixão, como era costume na vila, deliberaram dar inteiro cumprimento ao que Sua Majestade dispôs em sua Provisão de 10 de Agosto de 1630, na forma seguinte.
“Que para o recebimento e aprovação dos irmãos que hão-de ser admitidos se ponham dois vasos no meio da Igreja e se dê a cada irmão uma fava e um grão. E as favas aprovarão e os grãos reprovarão. E o irmão que for votar lançará no vaso que estiver despachado para a eleição do Irmão o que lhe parecer. E o que lhe ficar na mão lançará no outro vaso, para que desta sorte se não dê satisfação a subornos se os houver e cada um possa votar livremente como lhe parecer em sua consciência.
E depois, o Provedor e Irmãos da Mesa aprovarão o que acharem no vaso reputado para a eleição de tal Irmão e achando mais favas que grãos ficará o Irmão admitido. E achando pelo contrario, mais grãos que favas ficará excluso. A qual operação se fará diante de toda a Irmandade. E nenhum Irmão será admitido senão no dia de Santa Isabel e Sexta-feira de Endoenças. E antes de se assinar o termo da aceitação e juramento, habilitará em Mesa sua pessoa. E que todo o Irmão que faltar à procissão das Endoenças, enterro do Senhor ou de qualquer Irmão que falecer, não tendo licita causa, pague dois arráteis de cera. E não se cobrando o Provedor, ele próprio pagará da sua casa. Depois se fez este termo que todos assinam”.

PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal "Beira Baixa" em 1951
Autor. Manuel Tavares dos Santos.
O Albicastrense

terça-feira, maio 05, 2009

domingo, maio 03, 2009

A Velha Senhora (Vídeo)

Este pequeno vídeo é um brinde do Albicastrense, para todos os naturais da nossa cidade, espalhados por esse mundo fora. É uma pequena amostra do excelente trabalho feito pela nossa autarquia, na restauração da nossa muralha, (a velha senhora).




Um abraço d'"O Albicastrense"!

sábado, maio 02, 2009

CENTRO DE ARTES


Após algum silêncio comprometedor, surge de novo nas parangonas dos nossos jornais locais a grande notícia;
Centro de artes, com pista de gelo deverá ser lançado a concurso ainda este ano e será, no entender de Joaquim Morão presidente da Câmara, a obra mais emblemática na história recente da cidade ”.

Não querendo ser má-língua… terá este ressurgimento alguma coisa a ver com as próximas eleições autárquicas? Estranhamente, ou talvez não, a sensação com que fico perante este tipo de notícias é que alguém se prepara para nos passar uma rasteira.
No entanto mais que saber da importância deste ”Centro de Arte, com pista de gelo” da escolha do projecto, ou do local escolhido para a sua construção, interessa perguntar a quem de direito, se a cidade precisa realmente deste mega empreendimento cultural?
Numa altura em que se põem em causa, aeroportos e comboios de alta velocidade, construir este tão proclamado Centro de Artes, não será uma provocação aos muitos trabalhadores da nossa região, que diariamente são atirados para a sopa dos pobres?
Estará a cidade de Castelo Branco tão necessitada de um empreendimento de tal grandeza, (6.000.000 de euros), quando existem outros organismos ligados á cultura, sem cheta para poderem desenvolver as suas actividades culturais? A construção deste tão proclamado Centro de Artes poderá levar muitos albicastrenses a pensar, que o problema da pouca actividade cultural na nossa cidade se deve á falta de espaços para a sua realização. Que me desculpem mais uma vez os nossos responsáveis autárquicos, mas a pouca actividade cultural existente na cidade de Castelo Branco, nada tem a ver com a falta de espaços culturais destinados a este área, mas antes á falta de projectos e de pessoas capazes para dar um pontapé no marasmo existente.
Se alguém pensa que a construção deste Centro de Artes é a resolução de todos os nossos pecados ligados ao sector da cultura, tire dai a ideia, pois na opinião deste albicastrense, (que vale o que vale), a sua construção será o aumentar do problema e nunca a sua resolução.
O Albicastrense

sexta-feira, maio 01, 2009

CURIOSIDADES DO PASSADO

NOTÍCIAS DE OUTROS TEMPOS
(63 anos depois)
A 2 de Maio de 1946, teve lugar a sessão pública da inauguração do edifício do Liceu Nun’ Álvares, hoje Escola Secundaria Nun’ Álvares.
Este edifício foi construído, tendo em vista uma frequência de 600 alunos, distribuídos por 20 turmas. Porém, em 1966, era já frequentado por uma população escolar de 1419 alunos, distribuídos por 39 turmas.
Neste mesmo dia procedeu-se à abertura da Avenida de Nun’ Álvares, que foi delineada pelo então ministro das obras Públicas, Eng.º Duarte Pacheco.

PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias.
A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal ”AReconquista”
O Albicastrense

EM DEFESA DE UMA CENTENÁRIA CHAMINÉ

Oito meses após terem começado as obras de construção da nova superfície comercial do Modelo Continente, as obras estão quase concluíd...