sexta-feira, janeiro 29, 2010

CASTELO BRANCO NA HISTÓRIA E NA ARTE - LXV


MONUMENTOS DE CASTELO BRANCO
Domus Municipalis – (V)

(Continuação)
Numa portaria de 22 de Junho de 1872 a Câmara foi compelida a inscrever no orçamento a quantia de 50$000 réis para fazer face aos encargos de uma biblioteca, nos termos do decreto de 2 de Agosto de 1870. A verba foi inscrita no orçamento mas não foi aplicada: ainda desta feita não logrou, a cidade, o funcionamento da sua Biblioteca Municipal.
Nesse ano, o Comendador José Morão decidiu entregar ao Liceu a maior parte dos livros que haviam sido legados por seu tio ao público da sua terra natal, deixando assim de cumprir as disposições testamentárias do seu parente e o compromisso que perante ele tinha assumido. Organizou-se então uma biblioteca no Liceu, que tornada pública, mas a Câmara recusou-se sempre a satisfazer os pedidos do bibliotecário e do reitor, feitos respectivamente em 20 de Janeiro de1875 e em 29 de Junho de 1884, para que lhes fosse entregue a importância inscrita no orçamento para a aquisição de livros.
A atitude era baseada no protesto de não considerar como publica a biblioteca do Liceu que funcionou num edifício, hoje desaparecido, que existiu do lado do Norte da Igreja da Misericórdia Velha, passando mais tarde para outro prédio que houve no local onde se encontra actualmente a sede da Circunscrição dos Correios Telégrafos e Telefónicos, no largo da Sé. A biblioteca funcionou durante muitos anos numa das dependências do liceu mas somente durante as horas das aulas, conforme preceituava o seu regulamento de 7 de Abril de 1888 elaborado contrariamente ao espírito da lei de 18 de Janeiro de 1883 que determinava que as bibliotecas públicas deviam funcionar durante algumas horas da noite.
Não respeitando também as disposições testamentárias do Dr. José António Morão, o regulamento permitia aos professores do Liceu que levassem os livros para o seu domicílio. Em 1990 foi a biblioteca encerrada e assim se manteve durante alguns meses. Reorganizou-se por decreto de 7 de Março de 1901, ficando a cargo da Câmara Municipal mas sujeita à superintendência da Inspecção Geral das bibliotecas e Arquivos Públicos criada pelo decreto com força de lei de 29 de Dezembro de 1887.
Quando se efectuou a transferência do Liceu do velho edifício do largo da Sé, (onde se encontra actualmente o dos Correios, (atenção… Manuel Tavares dos Santos está a referir-se a 1953) para o do antigo Paço Episcopal, (em 1911) mudou-se a Biblioteca Publica para o andar térreo do edifício da Câmara Municipal, também situado no largo da Sé onde está hoje o Tribunal da Comarca, (hoje... 2010 Consevatório). Em 1 de Julho de 1940 foi nomeado director da Biblioteca o Tenente-Coronel de Cavalaria António Elias Garcia, erudito numismata, que consegui adquirir numerosos volumes e melhorar os existentes com encadernações, não obstante dispor, para esse fim, de uma dotação irrisória.
A exiguidade das instalações não permitiu, todavia, a arrumação metódica e profícua dos 6.000 volumes, nem a sua catalogação racional de forma que se tornasse fácil a consulta de qualquer obra.
Após a reedificação dos antigos Paços na Praça Velha, concluída em 1951, foi ali instalada, no primeiro e no segundo piso, a Biblioteca Municipal que hoje depende somente da Câmara Municipal, (1953).
Sob a proficiência do Dr. Francisco Palmeiro, os livros existentes e oriundos das bibliotecas do Dr. José António Morão, do Dr. Rebelo Albuquerque, da Mitra de Castelo Branco, da Residência Albicastrense, da casa Almeida Garrett e Cunha, do extinto Grémio dos Artistas e ainda os que foram obtidos por compra e por ofertas, foram devidamente catalogados, fazendo-se criteriosamente a sua arrumação em amplas salas apropriadas.
Por seu turno, a Câmara Municipal, promovendo a acomodação da Biblioteca em condições magnificas e proporcionando a aquisição de numerosas obras para o seu engrandecimento, está resgatando, louvavelmente, os erros de um passado sem grandeza.
PS. Entre 1953 e 2008 a Biblioteca continuou nos antigos Paços do Conselho na Praça Velha, em 2008 teve finalmente um edifício criado de raiz para esse fim.
A Biblioteca tem hoje, finalmente instalações dignas e adequadas ao seu funcionamento.
Estou convicto que Manuel Tavares dos Santos gostaria de terminar a sua narrativa sobre a nossa biblioteca, com este último capítulo.

PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal "Beira Baixa" em 1951. Autor; Manuel Tavares dos Santos.
O Albicastrense

quarta-feira, janeiro 27, 2010

TIRAS HUMORÍSTICAS - 54


Bigodes e Companhia comentam a entrevista dada por Valter Lemos ao Jornal “Gazeta do Interior”.
O Albicastrense

terça-feira, janeiro 26, 2010

MUSEU FRANCISCO TAVARES PROENÇA JÚNIOR - II

NOTÍCIA SOBRE A INAUGURAÇÃO
DO
MUSEU MUNICIPAL DE CASTELO BRANCO


Prometi quando da publicação do primeiro post sobre o centenário do Museu Francisco Tavares Proença Júnior, divulgar aqui, algumas das notícias saídas nos jornais da época, referentes à actividade do museu.
Luís Pinto Garcia fala-nos na página três do seu trabalho sobre o museu, numa notícia publicada no jornal, “Gazeta da Beira” sobre a inauguração do Museu Municipal de Castelo Branco (apêndice – I).
Tentei encontrar esse exemplar na nossa biblioteca, infelizmente tal não foi possível, pois não existe ali qualquer exemplar desse antigo jornal da nossa cidade.
Na impossibilidade de mostrar aqui a centenária edição do mencionado jornal, ficam as folhas do livro de Pinto Garcia, onde ele reproduz a notícia saída em 1910.

O Albicastrense

sexta-feira, janeiro 22, 2010

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - XXVII


A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937 no jornal, “A Era Nova”. Transitou para o Jornal, “A Beira Baixa” em Abril de 1937 e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Ribeiro CardosoARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, que lhe deve ter tirado o sono muitas e muitas vezes.

O texto está escrito, tal como publicado em 1937.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.
Comentário do autor: De Julho a Dezembro de 1787 a Câmara não faz nada que se veja. Trata de ervagens para a direita, ervagens para a esquerda e passa adiante. Em sessão de 4 de Dezembro, porem, aparece alguma coisa digna de nota.
A acta fala assim:Pellos dittos procuradores do Povo António Ignacio Cardoso e o Doutor José de Andrade Themudo foi proposto que como reprezentantes de todas as pessoas que constituem a colecção do honrrado Povo desta cidade ponderando que tendonos a iluminada escolha da Sobrana e muito espessialmente a Providencia destinado hum Prellado digno da inveja das mais Dioceses que faz as delicias das suas ovelhas zeloso reparador do Culto devino e que pença seriamente na gloria de Deos e que tractando o dito Exm. Prellado de eregir huma Capella magnifica para depozito do Sacrario que encerra a Augustissimo Sacramento vay ao mesmo tempo ornar e engrandesser a Igreja da Sé e para estimolo da devoção de todas os moradores desta Cidade. Pensarão que era do seu dever e muito conforme aos vertuozos e ajustados sentimentos dos seus constituintes dar hum testemunho publico da satisfação com que olhão para tão Santa obra offeressendo em nome de todo este Povo a porção de quinhentos mil reís para hua Alampada da Capela mor ou para aquele ornato que for mais bem regullada escolha do dito Exm. E respeitável Prelado.”
Comentário do autor: Todos os vereadores concordavam que se dessem os quinhentos mil réis para a lâmpada da capela-mor, com a ressalva de que o prelado podia dar a essa quantia outra aplicação que porventura achasse melhor para o embelezamento de Sé.
Para justificar a importância da oferta (quinhentos mil reis em 1787 era dinheiro…) consignou-se na acta que no ano antecedente havia um saldo (acréscimo lhe chamava a acta) de 875.665 réis e, do ano que corria, nada menos de 1.689.100 réis. Estava rica a Câmara.
A “capela magnífica” a que se faz referência é a formosa capela chamada do Santíssimo, que ainda hoje se considera e é, uma das coisas mais belas da nossa terra. Ficam sabendo os que porventura o não sabiam que a construção da linda capela do Santíssimo foi iniciada pelos fins do ano de 1787 e é obra do zeloso Bispo D. Vicente Ferrer da Rocha.
E a lambada seria comprada? Muito provavelmente deu-se aos quinhentos mil réis outra aplicação, porque não nos consta que tivesse havido na Sé uma lambada tão rica. Valendo então quinhentos mil réis, valeria hoje mais de trinta contos e na Sé, repetimos, não nos consta que tivesse havido lambada do valor dessa quantia ou que se aproximasse sequer.
Em sessão de 1 de Janeiro de 1788, o pobre Aranha, escrivão da Câmara, apresentou um requerimento em que alegava que o serviço dos expostos lhe dava tanto trabalho que se via forçada a fazer longos serões para dar conta dele, que a este serviço acrescia, além do expediente ordinário da Câmara, o “manifesto dobrado dos vinhos”; que havia mais ainda a fazer:
Acta de 1788:Muitos registos Mapas, e relações de nascidos, mortos, vivos, cazados, órfãs e outras mais admenistraçoens e incumbências, não ganhando no dito officio senão apenas para pagar os novos direitos e a Dessima porque o ordenado o cobrava todo o proprietario pela renda, não podendo pela mesma razão pagar a hum amanuense que o ajudasse. E, porque quem trabalha meresse e este Senado tem pela Ley poder e autoridade para premiar a quem bem serve: Requeria portanto lhe arbitrassem algum pequeno Emolumento por cada um dos termos dos Expostos que tem feito e fizer, e pelo que pertence ao mais trabalho que de novo tem acrescido lhe dêem por huma vez somente algúa ajuda de custo pelo passado, e pelo futuro lhe arbitrem e acressentem algúa ordinária cada ano,
Comentário do autor: O pobre do escrivão tinha carradas de razão, e por isso a Câmara deliberou arbitrar-lhe;
Acta. ”Por cada hum termo que tem feito e fizer respectivo aos Expostos vinte reis, e sahindo com hua rellaçao jurada dos termos que tem feito desde o dia primeiro de Setembro de 1783 (foi desde esta data que o serviço dos expostos se complicou) athé o ultimo de Dezembro de 1787 se passa mandado para ser pago da sua importância pellos bens do Conselho, e os que fizer do primeiro de Janeiro de 1788 em diante se lhe pahue do dinheiro dos mesmos Expostos hindo logo a sua importância metida na despeza delles, e pelo que pertence ao mais trabalho que lhe tem acrescido lhe arbitrão por húa vez somente a ajuda de custo de quatorze mil e quatro centos reis e mais cada ano doze mim réis de que se passarão os respectivos mandados”.
Com todas estas ajudas o pobre escrivão Aranha se às aranhas andava até aí, com certeza às aranhas continuou daí por diante, tanto mais que as palavras “e mais cada ano doze mil réis” aparecem sublinhados na acta e à margem aparece esta nota desconsolada: -- “ Esta ultima, não teve efeito”.
Foi praga que rogaram aos, “escrivães” da Câmara. Até hoje, nenhum de lá saiu rico, nem sequer sofrivelmente remediado.
PS – Mais uma vez informe os leitores dos postes, “Efemérides Municipais” que o que acabou de ler é uma transcrição fiel do que saiu em 1937.
O Albicastrense

quinta-feira, janeiro 21, 2010

EXPOSIÇÃO - VI


António Andrade Fernandes
SÍMBOLO DE ABUNDÂNCIA
(Realizado no ano de 2008)
Materiais utilizados: Fotografia, manta de trapos, madeira, latas de refrigerantes, sementes, fios, canas de bambu, tinta acrílica e óleo.
A fotografia foi captada pela objectiva do meu amigo Veríssimo.
O Albicastrense

quarta-feira, janeiro 20, 2010

COMENTÁRIOS - IX

A memória de João Amaral impõe que este sentido comentário, deixe o poste onde foi colocado, (Mercado Municipal) e seja publicado como poste para que todos o possam ler. Ao seu autor o meu bem-haja, independentemente de não nos dizer o seu nome.
J.M disse….
Pois ai vai o meu comentário relativamente ao falecimento do meu amigo Sr. João Amaral.
É uma VERGONHA ninguém se responsabilizar pelo sucedido, pois este ano a porcaria do fogo-de-artifício só fez “merda”. Muitos do foguetes rebentaram em quintais e em telhados o que originou um pequeno incêndio, e lá vai o Sr. João a prestar a sua ajuda, entreteça numa mangueira, cai e morre. Isto foi presenciado por muitos moradores que ali se encontravam a ver o fogo-de-artifício.
Muito se tem comentado nestes dias, todos andam indignados como é possível que ninguém se tenha chegado ao pé da família e nem uma palavra de conforto? Será que aquela empresa de foguetes não tem culpa no cartório?
SENHORES COMPETENTES ou INCOMPETENTES acabem com o FOGO DE ARTIFICIO na zona HISTÒRICA como é do conhecimento de muita GENTE, sabem perfeitamente que nesta zona as casas são muito antigas, quem cá mora sabe muito bem o que passa tudo treme parece um sismo, isto faz alguns danos nos telhados e quem paga somos nós, porque ninguém se responsabiliza.
COMPETENTES OU INCOMPETENTES levem lá o fogo para as vossas zonas, pode ser que vos ilumine as mentes.
O Albicastrense

domingo, janeiro 17, 2010

TIRAS HUMORÍSTICAS - 53

Bigodes e Companhia divertem-se com as perversas das gotinhas que invadiram o Mercado Municipal.
O Albicastrense

CHAMINÉS DA TERRA ALBICASTRENSE - "A NOSSA LINDINHA"

  CONTRA VENTOS E TROVOADAS Alguns foram aqueles que no início da polémica da chaminé da antiga fabrica da cortiça, aqui expressaram,...