sábado, junho 12, 2010

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - XXXII


EFEMÉRIDES MUNICIPAIS
A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Ribeiro Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes.
O texto está escrito, tal como publicado em 1937.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade
.
(Continuação)
De 22 de Outubro até aos princípios de Dezembro os senhores vereadores não estiveram para se ralar. Só dia 3 de Dezembro tornaram a reunir-se em sessão para nomearem os “derramadores da Siza e os almotaceis para servirem nos tres mezes seguintes”, para voltarem a falar da morte do Príncipe do Brasil, ao longo dos seis meses “tres mezes rigurozo e tres aleviado” e mais para que
Acta de 1783: se dessem as propinas do costume em semelhantes cazos à maneyra do que tão bem se praticou por falecimento da Príncipe Senhor Dom Theodozio; costume este que além de antiquíssimo se acha autorizado com Provizoens Regias registadas nos livros competentes.
Comentário do autor: Ainda se lembraram a tempo de falar nas propinas! O pobre do Príncipe tinha morrido quase dois meses antes e agora é que se lembravam de dar as propinas apara auxílio da compra do luto! Vem a seguir a sessão de 1 de Janeiro de 1783.
Os vereadores não tiveram mais que fazer do que tomar conhecimento da “pauta das novas Justiças que no mesmo anno de mil setecentos outenta e nove hão de servir nas Terras deste termo” e nomear “para temperar o relógio Diogo Ferreyra por dez mil reis e um alqueire de azeite”.
As sessões em seguida dão um pulo de 1 de Janeiro para 15 de Fevereiro. Um intervalo de mês e meio entre a primeira e a segunda sessão da Câmara neste ano. Alguma razão havia para isto? Com paciência havemos de descobrir, e voltaremos de falar deste assunto.
Nesta sessão de 10 de Fevereiro apenas se nomearam as Justiças do lugar do Salgueiro, e que não tinham sido nomeadas na sessão de 1 de Janeiro, e foi resolvido lançar (outra vez!) uma Siza para ocorrer ao pagamento das amas dos expostos que eram cada vez mais numerosas. A acta explica o caso.
Acta de 1783: Este Senado que como deve continua com a inteira observância que principiou a dar à ordem de Sua Magestade expedida pelo seu Desembargador Intendente Geral da Policia em data de 17 de Mayo de 1783 sobre creação dos mesmos Expostos desta cidade e de todo o seu termo que com o extabelecimento da Rota reduzio a hua só administração que ficou debaixo da inspecção deste Senado zelando os seus enteresses e aumentos criando-se para isso huma só forma com dous livros, hum para os novos assentos dos mesmos Expostos que se põem na dita Roda tanto desta cidade como de todo o termo e mais partes de onda sucede virem como se tem já descuberto, ficando e estando todos juntos no mesmo Livro, outro Livro para a muyta despeza que se faz cada anno com os mesmos expostos que… são numerosos e por consequência avultada a sua despeza…
Comentário do autor: Eram atirados para a roda todos os expostos da cidade, do seu termo e mais partes, por isso não havia dinheiro que chegasse a daí, sisas sobre sisas para ocorrer às respectivas despesas.
E ainda desta vez se observava que pagando a cidade 60.000 réis, Monforte paga 80.000 réis.
Desta sessão para a imediata o salto é ainda maior. De 15 de Fevereiro salta-se para 11 de Abril, quase dois meses depois.
E depois de um intervalo tão grande, a Câmara nomeia “para servirem de Almotaceis nos trez mezes seguintes a José Carlos de Souza e Francisco António Peres Lourenço” e o bom do escrivão diz logo que “por não haver mais que despachar derão este Auto por findo que assignarão”.
Era a vida municipal quase morta! A sessão seguinte realiza-se no dia 2 de Junho, e os vereadores apenas, “Houverão os alqueves por coutado e mandarão que dentro em trez dias despejassem os gados”.
Não era coisa que causasse grande diferença aos criadores de gado, porque logo no mês seguinte se davam as folhas de restolho por baldias.
(Continua)
PS – Mais uma vez informe os leitores dos postes, “Efemérides Municipais” que o que acabou de ler é uma transcrição fiel do que saiu em 1937.
O Albicastrens
e

quinta-feira, junho 10, 2010

TIRAS HUMORÍSTICAS - 65

BIGODES & COMPANHIA
Nas comemorações de Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, o Presidente da Republica comemora hoje, (10 de Junho) 37 personalidades, entre a das quais Joaquim Morão.
Bigodes e Companhia sempre em cima do acontecimento, brincam com a atribuição da Ordem de Comentador de Mérito, ao nosso presidente.
O albicastrense

terça-feira, junho 08, 2010

Chafarizes da minha cidade





CHAFARIZ DA GRANJA
Em 2008 publiquei neste blog vários posts onde questionava a nossa autarquia, sobre o péssimo estado em que se encontravam alguns dos nossos velhinhos chafarizes. Um deles foi dedicado ao Chafariz da Granja e nele dizia, entre outras coisas o seguinte:
Encontra-se ao poente da cidade, na antiga Granja dos Castelos que pertencera à extinta Casa do Infantado. É constituído por um muro de alvenaria de forma curvilínea dividido em três painéis por duas pilastras. O painel central, onde encosta um tanque de cantaria que recebe a água de duas bocas com tubos circulares, é mais alto do que os laterais e nele figuram, em releve, as armas nacionais da época do Rei D. Luís e uma lápide com a seguinte inscrição: Obras Publicas – 1874. Aos painéis laterais estão adjacentes dois bancos de cantaria apoiados em quatro cachorros. O capeamento do muro é formado por caprichosas volutas de granito. A nascente que abastece, este chafariz, tem um caudal razoável, (água que porém não é bacteriologicamente pura).
O texto que acabou de ler é da autoria de Manuel Tavares dos Santos e foi publicado no seu livro: “Castelo Branco na Historia e na Arte” em 1958. Cinquenta anos depois, interessa clarificar que este chafariz, está hoje bem pior que então, pois actualmente já nem a água jorra das suas duas bicas. O seu estado é hoje uma autêntica calamidade, (como aliás as fotografias o demonstram). Que raio de pessoas somos nós!? Que serenamente e passivamente, assistimos à degradação do nosso património e não nos questionamos sobre toda esta desgraçada situação”.
Passados dois anos o velho chafariz da Granja foi finalmente recuperado, como se comprova pelas fotografias expostas neste posts.
Aproveitando este facto, lançava aqui um desafio ao presidente da nossa autarquia: Agora que a nossa autarquia recuperou o Chafariz da Granja, para quando a recuperação do Chafariz da Graça?
Senhor presidente, a recuperação do dito cujo, foi meritória, porém, não estrague esta boa obra, permitindo que um desgraçado irmão do dito cujo, (Chafariz da Graça) esteja no estado em que as fotografias documentam. Recuperar o chafariz da Granja e deixar o da Graça como está, é no mínimo uma impiedade medonha.
Mãos à obra!.. É o mínimo que este albicastrense pode exigir… a quem dirige a autarquia da sua terra.
O albicastrense

segunda-feira, junho 07, 2010

COMENTÁRIOS - XI

ZÉ DO TELHADO DISSE…

É bom ver escrito realidades da nossa terra. Bem hajam os que ainda falam do que se passa. Os jornais deviam dar mais atenção aos verdadeiros problemas da região e da cidade. Estão dependentes dos mandões.
Que é feito das rádios? Onde estão os debates sobre a nossa terra? Vão fechar escolas, serviços de saúde e já se fala das portagens na A-23. Isto não interessa às rádios e aos jornais?
Ora aqui estão bons assuntos para desenvolverem.
Meu caro Zé do Telhado, você diz em poucas palavras aquilo que muitos pensam no seu dia-a-dia, mas que não têm coragem de o afirmar publicamente. Como não compito com essa maioria, aqui fica o seu comentário em lugar de destaque, esperando que os que visitam este blogue nos digam o que pensam das suas palavras.
O albicastrense

sexta-feira, junho 04, 2010

MUSEU FRANCISCO TAVARES PROENÇA JÚNIOR- VIII

UM PEQUENO 
RESUMO HISTÓRICO
(1971 a 2010)
Tal como prometi, aqui ficam mais algumas páginas da história do museu entre os anos de 1910 e 1961.

Tal como disse no último posts, o museu mudou-se para o Paço Episcopal em 1971. Os albicastrenses esperavam naturalmente que esta mudança de instalações, fosse o início de algo diferente, em relação a um passado do deixa andar ou quanto pior melhor, porém, depressa se aperceberam que a continuidade da porta fechada, iria continuar por mais algum tempo.
No bicentenário da nossa cidade (1971), resolveram os responsáveis do antigamente, que era preciso enganar a malta, e vai daí, resolveram que um dito senhor que na altura era Presidente da Republica, deveria com pompa e circunstância inaugurar o novo museu, (ou será que o dito senhor, inaugurou apenas um palácio restaurado?).O museu abriu no dia do centenário, o presidente fez a visita de honra, (que foi noticiada na imprensa regional e nacional) e depois tudo continuou como antigamente! Ou seja… de porta fechada.
Só em 1974, as coisas iriam realmente mudar com a nomeação de António Forte Salvado como director, (o quinto desde a sua inauguração) e a queda do antigo regime.
À espera de António Forte Salvado, e da equipa que ele iria arquitectar para transformar esta espécie de coisa, a que muitos durante muito tempo chamaram de museu, mas que na realidade mais não era, que um local onde estava amontoada a arqueologia de Tavares Proença, e alguns pertences do antigo Paço Episcopal.
Para se ter uma ideia do que era o museu entre 1971 e 1974, veja-se algumas imagens publicadas pelo jornal do Fundão, que “Imagens que embelezavam” uma reportagem publicada em 1972 por esse jornal, e que tinha por título: “Museu Tavares Proença Júnior. Organismo ou necrópole?.
O trabalho de reconciliar uma instituição que durante os seus sessenta e quatro anos de existência (1910/1974), tinha estado mais tempo de portas fechadas do que de portas abertas, não era tarefa fácil!..
Os primeiros tempos foram para aprontar o museu, às suas novas instalações e criar amarras a uma cidade, que até então nunca sentira o museu verdadeiramente como seu.
As actividades do museu começaram ao pé-coxinho, para se ter uma ideia do que foi o inicio do Museu e do seu desenvolvimento ao longo do tempo, lembrava aqui um pormenor, que considero importantíssimo e demonstrativo das dificuldades iniciais e do seu crescimento.

O quadro do pessoal era em 1974, de cinco elementos: um director, um escriturário dactilógrafo, um guarda porteiro e dois serventes, doze anos depois (1986), o pessoal em exercício era de quarenta e tal indivíduos, incluindo aqueles que trabalhavam em serviços dependentes, sob a coordenação do Museu Tavares Proença.
Com a chegada de António Forte Salvado ao Museu, começaram as actividades que até então nunca tinham existido. As exposições, os concertos, as conferências e a ligação do Museu às escolas, (de que agora tanto se fala, mas que na realidade começaram na década de 80), e por fim, o aparecimento da Oficina Escola de Bordados. Sobre tudo isto começarei a falar no próximo poste.
(Continua)
O Albicastrense

quarta-feira, junho 02, 2010

Morreu Rosa Coutinho


Rosa Coutinho morreu hoje, aos 84 anos, vítima de doença prolongada. Durante a revolução de Abril era capitão-de-fragata. Foi um dos militares que formou o Movimento das Forças Armadas, que posteriormente acabou por desencadear a Revolução de Abril de 1974. Integrou ainda a Junta de Salvação Nacional. Passou à reserva depois de 25 de Novembro de 1975. Em Outubro de 1974 é designado Alto-Comissário em Angola até a assinatura do Acordo de Alvor (em Janeiro de 1975).
Perguntarão alguns dos visitantes que habitualmente visitam este blogue, o porquê de comentar aqui este acontecimento.
Em 1974 conheci pessoalmente Rosa Coutinho em Angola, onde cumpria o meu serviço militar (1973 a 1975).
Durante o período quente da descolonização Angolana, fui colocado juntamente com outros elementos do destacamento de Fuzileiros Especiais (D.F.E - 6), no antigo Palácio Governamental, onde o conheci e à sua família.
Para essa família, este albicastrense só pode desejar toda a energia do mundo, para superar a morte deste grande homem.
O albicastrense

OPINIÃO - Carlos Vale

O jornal “povo da beira” publicou esta semana na sua secção de opinião, o artigo que aqui ponho à disposição dos visitantes do blogue.
Ao Carlos Vale o meu bem-haja, por mais este excelente artigo de opinião.
O albicastrense

EPIGRAFIA LUSITANO-ROMANA DO MUSEU TAVARES PROENÇA JÚNIOR.

NO TEMPO EM QUE O NOSSO MUSEU  ENGRANDECIA A TERRA ALBICASTRENSE. Em 1984 o Museu Francisco Tavares Proença editou o livro que está nesta pu...