sábado, julho 17, 2010

EXPOSIÇÃO - XI

(1) (2)

ANTÓNIO ANDRADE FERNANDES

(1) - CANTO QUINTO
Trata – se de uma alusão ao Gigante Adamastor e aos Descobrimentos portugueses descritos no Canto Quinto dos Lusíadas (Luís de Camões). Este quadro não foi publicado antes do Campeonato do Mundo de Futebol, como era meu desejo, por motivos profissionais.
Infelizmente, a nossa Selecção não conseguiu passar para além do Bojador e não conseguiu dobrar o Cabo das Tormentas como outrora outros arrojados portugueses o fizeram. Foi pena não termos ido além da dor.
Outros tempos…
É uma Pintura a óleo sobre madeira e manta de trapos, foi concluída no ano de 2005 e foram utilizados os seguintes materiais: madeira, xisto, fios e moedas.
(2) - SONS DA BEIRA
É uma composição que alude aos instrumentos musicais típicos da Beira Baixa e aos sons, que por esta altura do ano, esses instrumentos vão produzindo em festas e romarias de que a nossa região ainda é pródiga. Há, ainda, os sons das palavras do poeta António Salvado num belíssimo poema alusivo a esta Beira, inscrito no quadro.
São todos esses sons que tentei esculpir nesta manta verde (
de esperança) que é a nossa Beira.
O quadro foi efectuado no ano de 2005, é uma pintura a óleo sobre manta de trapos e foram utilizados os seguintes materiais, madeira de amoreira, madeira de castanheiro e madeira de oliveira, fios, xisto, rebuçados, tipo “
chupa – chupa”, palhinhas de gelados e fósforos.
O Albicastrense

quinta-feira, julho 15, 2010

COMO SE CHAMA A NOSSA BIBLIOTECA!?


Como frequentador habitual da nossa biblioteca, ando há algum tempo embrulhado com o nome da dita cuja.
- Na internet existe um blog (que se diz oficioso), que tem a seguinte designação; “Blog Oficioso da Biblioteca Municipal de Castelo Branco – Dr. Jaime Lopes Dias.”
- No site da Câmara Municipal de Castelo Branco, a biblioteca surge com a designação de; “Biblioteca Municipal de Castelo Branco
Tentei saber mais sobre este dilema! Após… alguma pesquisa aqui e ali, descobri dados referentes ao baptismo da dita cuja, numa edição do jornal “Reconquista” de 1984.
No dia 27 de Abril de 1984 o Jornal “Reconquista” publicava a seguinte notícia, sobre o referido baptizado.
“CÂMARA DÁ À BIBLIOTECA MUNICIPAL NOME DE JAIME LOPES DIAS “.
A sessão teve como oradores, o saudoso Ernesto Pinto Lobo e César Augusto Vila Franca (presidente da Camâra albicastrense), que realçaram a vida e obra de Jaime Lopes Dias. Esteve presente o filho do homenegeado António de Andrade de Pissara Lopes Dias, que muito emocionado agradeceu o acto da autarquia albicastrense. Ainda segundo a mesma notícia; “A cerimónia foi simples, mas com a dignidade condizente com o acto de grande significado, a que se associaram inúmeras pessoas”.
Com a mudança da biblioteca da Praça Camões, para o antigo quartel da devesa, “parece” que a nossa autarquia deixou cair o nome de Jaime Lopes Dias, e começou simplesmente a identificá-la por, “Biblioteca Municipal de Castelo Branco”.
Perante o que foi decidido em 1984, (pelo então presidente da nossa autarquia) e perante a actual situação, uma questão se coloca;
- Qual o verdadeiro nome da nossa biblioteca?
- Biblioteca Municipal de Castelo Branco.
- Biblioteca Municipal de Castelo Branco – Jaime Lopes Dias.
- Biblioteca Jaime Lopes Dias.

Se fosse mauzinho, poderia alegar aqui o seguinte;
- Será que o nome de Jaime Lopes Dias, já não é suficientemente digno para tão ilustre Biblioteca!?
- Terão os dirigentes da nossa autarquia, outro nome na manga para lhe dar!?
- Ou pura e simplesmente os responsáveis pela nossa autarquia, chegaram à conclusão que a nossa biblioteca se deve chamar somente; “Biblioteca Municipal de Castelo Branco!?”
Não vou aqui avançar com conclusões precipitadas sobre esta embrulhada, porém, penso que o homem a quem um dia “solicitaram” o nome para dar à biblioteca, merece seguramente outro tipo de tratamento.
Meus senhores! Que tal dar corda às canetas e resolver de uma vez por todas esta triste trapalhada…
O albicastrense

segunda-feira, julho 12, 2010

VELHAS RUAS DA MINHA CIDADE



A rua dos Ferreiros começa na rua das Olarias (local onde se situava a antiga Porta da Vila), e termina na Praça Camões.
José Ribeiro Cardoso conta-nos que a antiga vila de Castelo Branco, tinha sete portas. A Porta do Esteval, ainda hoje mal localizada; a Porta do Espírito Santo como entrada dos caminhos de Alçafa e do Alentejo; a Porta da Vila que dava entrada para a Rua dos Ferreiros; a Porta do Ouro em frente da antiga capela de S. Brás; a Porta da Traição em frente de S. Gens; a Porta de S. Tiago que dava entrada pela Calçada de Alegria aos visitantes de Caféde e S. Vicente da Beira; a Porta de Santarém no lado poente dando acesso ao caminho das Sarzedas. (As entradas pelo “Postiguinho de Valadares” “Porta do Relógio” e “Porta do Postigo” são posteriores).
Os ferreiros habitavam a rua que ainda hoje conserva o seu nome. Segundo o livro das Ordenanças da Milícia, D. João III mandou em 1527 fazer as “ordenanças” da vila de Castelo Branco; Ai aparece a rua dos Ferreiros capitaneada por Jorge de Sousa. Foi uma das principais ruas da vila, e tinha à entrada a albergaria e a capela de S. Eulália e conduzia à Praça Velha.
O último ferreiro que naquela rua exerceu a profissão, (segundo informações recolhidas por mim), terá sido o Ti Caetano também conhecido por, “Pouca Sorte”. 
A sua oficina terá encerrado portas da década de sessenta do século passado. Ao longo dos tempos esta velha rua viu os profissionais do ferro serem substituídos pouco a pouco, por oficiais de outras profissões. Nesta rua tiveram também residência; os Bombeiros Voluntários mais a sua famosa Banda; as primeiras tipografias da cidade; o “Hotel Salvação” tão conhecido dos estudantes; a Agência do Banco de Portugal; o Colégio de Santo António; a sopa dos pobres e muitos outros estabelecimentos comerciais.

UM POUCO DA HISTÓRIA
DOS FERREIROS ALBICASTRENSES

A festa dos organismos corporativos realizava-se na procissão do Corpo de Cristo e competia aos Municípios, organizar a procissão. 
Nela se incorporavam as três classes da sociedade: o clero, a nobreza e o povo. A imagem de S. Jorge, padroeiro do reino era levada a cavalo: o rei e os príncipes seguravam as varas do palio: cada organismo apresentava-se sob a protecção de um santo cuja imagem transportava em andor ou ostentava numa bandeira. Os ferreiros de Castelo Branco não tinham nenhuma imagem. Eram obrigados a vestirem-se de diabo, expondo-se a toda a espécie de vexames para se incorporem na procissão. A Câmara exigia que dois ferreiros fossem vestidos de diabo. Isto manteve-se até ao século XVIII.
Em 1700 os ferreiros apresentaram queixa e pediram licença para “darem um santo do seu ofício que é S. Dustan e aliviarem-nos de darem os diabos que costumavam dar”.
A Câmara aceitou e propôs que a partir de então, transportariam o ”S. Dustan em sua charola com quatro tochas”.
A escolha deste Santo esta baseada numa lenda segundo a qual o diabo teria entrado em casa daquele santo que era ferrador. Dustan amarrou o diabo para o ferrar e ter-lhe-ia infligido tais tormentos que este lhe prometeu nunca mais entrar em casa de ferreiros. Desta lenda “talvez” tenha vindo a superstição do uso da ferradura para afugentar o diabo. (diz… Tavares dos Santos). 

Segundo o Tombo de Santa Maria do Castelo de 1753 descrito por Porfírio da Silva, havia na Igreja de S. Miguel um altar e uma imagem de S. Dustan. Ficava precisamente onde hoje se encontra um belo portal com colunas de granito que faz a ligação entre o corpo da Igreja e o átrio da Sacristia Grande.
Ai estava a imagem de S. Dustan em vulto com uma tenaz de ferreiro na mão que por sua devoção lhe ofertaram os ferreiros desta vila para se livrarem da obrigação que tinham de dar para a procissão do Corpo de Deus a figura do diabo, para que prometeram também levar o dito santo àquela procissão, principiando no ano de 1698, ficando por este modo dispensados de darem aquela diabólica figura (Porfírio da Silva).
Resta acrescentar que a imagem de S. Dustan, que terá sido obra dos ferreiros albicastrenses “ausentou-se da cidade" e nunca mais soube do seu paradeiro.
PS. Recolha de dados históricos: José Ribeiro Cardoso e jornal “Reconquista”.
O Albicastrense

sábado, julho 10, 2010

TIRAS HUMORÍSTICAS - 67

O REGRESSO DO CINEMA AO PARQUE
Bigodes e Companhia jubilaram de contentamento ao lerem no jornal “Reconquista” que o nosso presidente está a ponderar a hipótese, de construir um Auditório ao ar livre no Parque da Cidade. Tal estrutura iria acolher espectáculos, actividades culturais e possibilitaria o regresso do cinema ao ar livre no Parque.
PS. Bigodes e Companhia cresceram a ver e a gostar da sétima arte no velho parque da cidade, por isso, tal contentamento é perfeitamente justificável.
No entanto, este albicastrense um tanto ou quanto séptico a notícias vindas a público através de jornais (em vez das vias oficiais), só pode dizer-lhes que o melhor é esperarem sentados, para que as cãibras não os deitem abaixo de tanto aguardar pelo regresso do cinema ao parque.
O Albicastrense

quarta-feira, julho 07, 2010

MUSEU DE FRANCISCO TAVARES PROENÇA JÚNIOR - IX

UM PEQUENO 
RESUMO HISTÓRICO
(1971 a 2010)
(Continuação)
Tal como disse no último posts, com a nomeação de António Forte Salvado para director do museu tudo iria mudar. O museu deixou de ser “aquela instituição onde se guardavam coisas velhas” e escancarou portas à comunidade que o enlaçava. Esse escancarar de portas, consistiu em unir-se à comunidade escolar da nossa cidade, (essencialmente através da arqueologia de Tavares Proença) e à restante população, (assim como a quem visitava a nossa cidade), através dos bordados de Castelo Branco.
Porém, não se pense que o dia-a-dia do museu, estava acorrentado a estes dois sectores, havia muito mais que essas duas áreas. Para se compreender melhor este “segundo fôlego” do nosso museu, eu dividiria esta segunda fase da sua existência, em duas fases a que vai de 1975/89 e a que vai até à presente data, pois queira-se ou não, qualquer instituição será sempre conotada (para o bem ou para o mal), com o indivíduo que a dirige.
Tal como disse anteriormente, o museu não era só os bordados e a arqueologia! Havia muito mais… dentro das paredes do velho edifício do Paço Episcopal. As exposições, os consertos, palestras, teatro, e cinema, foram algumas das muitas áreas em que o museu cimentou o seu trabalho ao longo dos quinze anos em que António Forte Salvado esteve como director.

AS EXPOSIÇÕES
Falar das exposições realizadas entre 1975 e 1989, não é tarefa fácil, pois elas foram tantas e tão diversa, que é quase impossível fazê-lo.
Nos quinze anos que vão de 75 a 89, terão sido realizadas no museu mais de 300 exposições.
Exposições que abrangeram praticamente todas as áreas culturais e que trouxeram ao nosso museu, praticamente todos os nomes consagrados e menos consagrados da pintura portuguesa do século XX.
Mas não se pense que apenas existia a preocupação de dar sala a quem era conhecido! Existia igualmente, a preocupação de dar espaço a quem começava... e muitas foram as exposições realizadas por jovens pintores desconhecidos.
Em homenagem a algumas dessas exposições e aos seus autores, vou tentar evocar aqui uma mão cheia delas, pedindo desde já desculpa aos autores das muitas outras, por as deixar no baú do passado.
Na minha procura de dados, (mentais e documentais) sobre as exposições realizadas nas décadas de setenta e oitenta do século passado, recuei às citadas décadas e vasculhei mentes e arquivos na busca de eventos que pudessem ser uma mais-valia, para aqui poder recordar.
No ano de 76 decorreu no museu uma exposição que penso merecer ser aqui lembrada: “Albitex -76” Exposição realizada pelo Núcleo Filatélico e Numismático “Amato Lusitano” e o Museu Francisco Tavares Proença.
Um artigo publicado no jornal “Reconquista” no dia 10 de Dezembro de 76 sobre esta exposição, tinha por título: A “Albitex-76” já foi vista por mais de duas mil pessoas.
Mais de duas mil pessoas numa exposição!..
A pergunta só pode ser uma! Seria possível organizar nos dias de hoje na nossa cidade, uma exposição que fosse visitada por mais de dois mil visitantes!?
Responda quem quiser e souber.
Em 1977 decorreu uma outra exposição que tenho gratas recordações: “Angola-Culturas Tradicionais” organizada pelo Instituto de Antropologia de Coimbra e o Museu.
O jornal “Reconquista” dizia nessa reportagem a respeito dessa exposição, entre outras coisas, o seguinte: “Esta exposição merece que toda a comunidade escolar, da nossa cidade, dediquem um pouco de atenção e alertem os estudantes para o enriquecimento cultural que a visita lhes poderá proporcionar”. Terminava dizendo: “Trata-se em nosso entender, de uma das mais válidas que têm passado pelo edifício do antigo Paço Episcopal”:
Dos muitos pintores que tive o privilégio de conhecer durante o tempo em que António Forte Salvado esteve à frente do museu, houve um, por quem tenho uma admiração do tamanho do mundo. ´
Esse homem chama-se Barata Moura e expôs no museu pela primeira vez em 1978, bisou a graça em 1981, e triplicou a proeza em 1983. A primeira exposição era composta por setenta quadros, (se a memória não me atraiçoa) e tinha por tema, a nossa cidade.
Sobre essa exposição deixo algumas palavras publicadas no jornal “Reconquista” a propósito da mesma: “Os quadros expostos e que tivemos ensejo de apreciar, tem qualquer coisa de nós próprios, como pedaços de alma beiroa, testemunhos vivos muito expressivos e de singular fisionomia da nossa região, de sedutor encanto, mas nem sempre devidamente admirada e valorizada”. Esta terá sido uma das exposições que mais gente levou ao museu.
Em 1981 Barata Moura volta ao museu com a exposição: ”Pelourinhos e Castelos da Beira Baixa”.
Em 1983 regressa com a exposição: “Encontros Com o Tejo”. Sobre esta exposição muito se pode dizer, porém, fico-me por um pequeno excerto retirado do catálogo da exposição: “Mais que mostra de pintura estes sessenta trabalhos de Barata Moura patenteiam-nos a comunhão ou a luta difícil, no espaço e no tempo, entre o homem e a natureza, numa das mais curiosas, originais e belas zonas da península ibérica”.
O mestre Barata Moura tinha por hábito estar presente nas suas exposições, por vezes um outro visitante ao saber que ele era o homem que tinha pintado aqueles quadros, dirigiam-se a ele e abraçavam-no com enorme carinho. Durante a primeira exposição no museu, aconteceu um episódio que ele gostava de contar a quem visitava as suas exposições.
"Um casal de velhotes que viera casualmente visitar o Museu, entrou na sala onde estavam os meus quadros, viram-nos e depois o homem exclamou".
- Tantas obras de defuntos! - Ai que pena que este pintor também já tenha morrido e não possa estar aqui com a gente, a ver estas belezas da nossa terra... (o mestre que estava na sala, ouviu o velho homem e respondeu).
- Estou aqui amigo! "E assim nos abraçámos e congratulámos".
Terminava este posts contando que os quadros referentes às exposições:“PELOURINHOS E CASTELOS DA BEIRA BAIXA E ENCONTROS COM O TEJO”.

 Foram praticamente “Dados” ao museu pelo Mestre Barata Moura, (mais de noventa quadros) e são hoje uma mais-valia para o nosso museu, e para a nossa cidade.
(Continua)
O Albicastrense

quinta-feira, julho 01, 2010

VELHAS IMAGENS DA MINHA CIDADE

AOS ALBICASTRENSES! UM DESAFIO...
Nos últimos anos têm-se insistido muito nas mudanças feitas na nossa cidade, dizendo-se à boca cheia, que Castelo Branco é hoje uma nova cidade e por ai adiante. Para demonstrar que esta teoria tem falta de realidade, e que muitas das alterações mais não foram que “arranjos” apressadas e completamento desajustados.
Vou mostrar neste blog velhas fotografias da nossa cidade, que demonstram que se realmente houve na nossa cidade, (e houve no entender deste albicastrense), uma transformação digna desse nome, ela aconteceu na década de 40 e 50 do século XX, e não no início do século XXI.
Para levar esta ideia avante, gostaria de ter a colaboração dos visitantes do blog. Vou colocar aqui regularmente velhas fotografias da nossa cidade, (como já fiz noutras vezes) sem referir os locais a que dizem respeito na actualidade. A colaboração dos albicastrenses que visitem este blog, será deixar na caixa de comentários, a resposta sobre o local da nossa cidade, a que a fotografia diz respeito actualmente.
Para que todos possam responder, as respostas só serão publicadas alguns dias depois, para dar a hipótese de resposta a todos aqueles que o queiram fazer.
A PRIMEIRA FOTOGRAFIA…
Onde fica actualmente na nossa cidade, o local que a fotografia nos mostra!?
É fácil! Meus amigos… a fotografia foi tirada na década de 40.
O Albicastrense

CHAMINÉS DA TERRA ALBICASTRENSE - "A NOSSA LINDINHA"

  CONTRA VENTOS E TROVOADAS Alguns foram aqueles que no início da polémica da chaminé da antiga fabrica da cortiça, aqui expressaram,...