
NO PAÍS DOS BERLINDES...
A situação em que vivemos hoje no nosso pais, fez-me recuar ao início dos anos sessenta, altura em que eu brincava, (entre outros jogos), ao jogo do berlinde. O jogo do berlinde,(para quem não sabe), consiste em fazer no chão um pequeno triângulo, fazendo nas três pontas do triângulo, uma pequena cova. Depois com um berlinde joga-se de uma cova para o outra, o jogo termina quando um dos putos, (com um “abafa”: bola maior e colorida) abafava os berlindes dos outros. Falta dizer que os berlindes, (na altura), eram pequenas bolas de vidro que extraíamos do gargalo dos antigos pirolitos e que os abafas eram berlindes maiores, com várias cores e que apenas alguns putos mais “endinheirados” os tinham, pois era preciso compra-los nas papelarias.
No seguimento da explicação do jogo do berlinde, (e do abafa), dos meus tempos de criança, vou comparar este jogo à desgraçada situação que vivemos actualmente no nosso pais. Nos últimos vinte anos vivemos num pais “desgovernado” por alguns abafas, (os assombrosos políticos da nossa praça...), e com muitos berlindes a assistir e alguns a participar no jogo, (os Portugueses). Os abafas oriundos quase sempre da mesma vidreira, (embora muitas vezes queiram argumentar diferenças, entre si), abafam os berlindes com promessas e mais promessas de melhores dias. Os berlindes, (como não podia deixar de ser), deixaram-se abafar pelos abafas-comilões, que pouco a pouco os foram conduzindo para um gigantesco buraco, que não pertencia ao jogo do berlinde. O tempo passou e os abafa-mores, (também conhecidos por P.M.), e seus abafa-menores, foram acusando os abafas-anteriores do gigantesco buraco.
Perante a grandeza do brecha, o abafa-mor e seus seguidores, resolveram abafar ainda mais os berlindes. Sempre com a mesma argumentação: “É preciso reduzir o tamanho do buraco, pois corremos o risco de não conseguir sair do rombo e de nos afogarmos dentre dele”. Alguns dos berlindes resignados pela imensidão do buraco, rolam e debatem entre si, que o culpado é este ou aquele abafa-mor e que no próximo jogo do berlinde, vão jogar com outro abafa-mor. Outros berlindes, mais resistentes ao abafa-mor responsável pelo buracão existente, declaram que o actual abafa-mor há muito deveria deveria ter saído do jogo e responsabilizado pelo buracão. Outros berlindes já gastos pelas voltas que o jogo lhes deu, perguntam: “como vamos nós continuar a rolar, se já não temos força sair do buraco onde nos enfiaram?” A história destes berlindes não é uma história acabada! Talvez um dia, (quem sabe...) eles deixem de rolar ao sabor deste tipo de abafa-mores e resolvam eles próprios abafar estes abafa-coloridos, que lhes têm enegrecido a vida e empobrecido o pais.
O Albicastrense