sábado, agosto 06, 2011

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS XLIX

A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940. A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).
O texto está escrito, tal como foi publicado. Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.
(Continuação)
E os procuradores do povo mostraram-se bons rapazes. Para se convencerem de que realmente assim foi, vejam lá como as coisas se passaram;
Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil sete centos noventa e hum anno aos dezasseis dias do mez de Fevereiro do dito anno em esta Cidade de Castelo Branco e Cazas da Camara della aonde foram convocados por Pregoes públicos toda a Nobreza e Povo desta Cidade e seu termo e ahi pelo Doutor Juiz de Fora Gervazio José Pacheco de Cavallaria foy dito que elle estava encarregado de aquartelar vinte e Prassas de Cavalaria que S. Magestade manda estabelecer nesta Cidade e vendo o grande prejuizo que se seguia dos quarteis particulares o qual se podia obviar com muita facelidade: lhe propoz que elles deviam ceder do direito que tinhão ao produto do monte da piedade para se fazer hum quartel onde se pudessem acomodar as referias Prassas com separassem dos particulares, não se podendo dar milhor aplicassam ao referido producto foy respondido por todos que elles cedião do direito e convinhão na referida apilicação , e como os moradores deste cidade não tinhão dinheyro algum no Monte de Piedade se obrigavão a concorrer para o mesmo quartel com todos os sobejos dos bens do Povo de que o dito Menistro mandu fazer este auto que com elle assignarão”.
O bom do escrivão Aranha, ao redigir este auto, estava um pouco com a cabeça no ar. Diz que foram “convocados por Pregoes públicos toda a Nobreza e Povo” e afinal não aparece nenhuma assinatura de qualquer membro da nobreza. Nem admira, porque a nobreza não tinha sido convocada. Foram convocados os procuradores do povo, como diz na acta de 13 de Fevereiro, e são esses que assinam, além do ”Juiz de Monforte”, e do “ Juiz de Escalos de Bayxo”.
Por sinal nada menos de oito assinam de cruz. É conveniente notar que, quando a mesma palavra aparece, nas transcrições que das actas fazemos, com ortografia diferente, não sucede assim por descuido nosso: é o nosso escrivão Aranha que umas vezes escreve Praça e outra vezes Prassas, umas vezes escreve aplicação e outras vezes aplicassem, etc., etc..
E agora os vereadores descansam por um mês e pico. Só tornam a reunir em sessão no dia 25 de Março. Antes disse, porém, encontramos um “termo” que não deixa de ser interessante e por isso o reproduzimos:
Aos nove dias de Março de mil setecentos noventa e hum annos em esta cidade de Castelo Branco e Cazas da Camara della sendo prezentes o Doutor Juiz de Fora desta Cidade Gervazio José Pacheco de Valladares e os vereadores a baixo assignados foy chamado o Furriel que de prezente se acha destacado nesta Cidade Manuela da Fonseca e pello dito Menistro e officiais da Camara lhe forão mandados entregar vinte e quatro enxergas, vinte e quatro travesseiros, vinte e quatro cobertores, e huma saca sendo estas enxergas e travesseiros de estopa nova, e os cobertores de saragoça ou pardelho tãobem novos para tudo servir de camas a vinte e quatro soldados que se achão destacados nesta dita Cidade, e tãobem recebeo uma jueyra, duas cantares de ferro e hua almotullia de Barro do que tudo mandarão fazer este termo que o dito Furriel assignará como recebeo tudo”.
Certamente meteram-se na “Estallaje velha da Rua da Ferradura”, a que faz referencia a acta de 7 de Fevereiro, que ainda não nos foi possível descobrir em que parte da rua ficava, apesar de nos termos esforçado por apurar isso.
(Continua)
PS. Mais uma vez informe os leitores dos postes “Efemérides Municipais”, que o que acabou de ler é, uma transcrição fiel do que foi publicado na época.
O Albicastrense

quinta-feira, agosto 04, 2011

ALBICASTRENSES ILUSTRES - XXII

PADRE ANTÓNIO PIRES
Nasceu em Castelo Branco em 1519, sendo filho de Pedro Fernandes e de sua mulher D. Catarina Fernandes. Segue os estudos em Coimbra, sendo seu mestre o douto D. Gonçalo da Silveira, mas não chega a formar-se em qualquer das faculdades, para o que devia ter contribuído certamente o seu temperamento activo e essencialmente prático, pouco inclinado às disciplinas teóricas e filosóficas.
No entanto, dotado de bom senso e grande virtude e, sentido de vocação para a vida religiosa, tomou ordens menores e, entusiasmado com os princípios proclamados por Inácio de Loiola entra na Companhia de Jesus a 5 de Março de 1548. Mas, ainda noviço e servindo de porteiro do Colégio da Companhia em Coimbra, arrepende-se e pensa em sair, talvez sonhando uma vida mais intensa no cumprimento dos seus ideais.
Era então Reitor do Colégio o Padre Luís da Grã e, se não fora a sua intervenção esclarecida e amiga, teria levado a cabo tal desígnio.
Esta atitude, porém, aliada a um constante zelo e vontade de servir, foram certamente as razoes que determinaram a sua escolha para fazer parte do grupo de cinco jesuítas, que chefiados pelo padre Manuel da Nóbrega são enviados em acção missionaria ao Brasil, conjuntamente com o primeiro Governador Geral Tomé de Sousa. A armada sai de Lisboa a 1 de Fevereiro de 1549 e aporta à Baia de todos os Santos, a 29 de Março e, dois dias depois, domingo, o padre Manuel de Nóbrega celebra a primeira missa da Companhia naquele continente.
Assim se inicia a acção extraditaria de Sociedade de Jesus no Brasil, que iria concretizar-se nas realizações mais diversas e, repercutir-se profundamente nas actividades espirituais, económicas, culturais e sociais daquele grande território.
O padre António Pires, na sua ânsia de missionar, em breve se aventura até distantes aldeias dos nativos, mas ainda não aclimatado é atacado de paludismo. Por esse motivo passa a estar mais tempo em S. Salvador da Baia, onde serve de coadjutor ao Padre Nóbrega, entregando-se com ele à conversão do gentio, (educação de meninos) e morigeração dos brancos, no que tocava sobretudo à pureza dos costumes e liberdade dos índios.
O facto de coincidir o estabelecimento da Missão da Sociedade de Jesus no Brasil com o do Governo Geral, deu-lhe o ensejo de colaborarem na função da cidade de S. Salvador da Baia, empresa iniciada em principio de Maio. E, enquanto de edificavam outras obras na nova capital do Brasil, ergue-se a igreja de N. Sr. Da Ajuda, construída pelos jesuítas com as próprias mãos, indo ao mato buscar a madeira e fazendo os taipais. Neste trabalho tem acção preponderante o padre António Pires, pois que, homem de força e hábil de mãos aprende a arte de carpintaria e preside às primeiras construções materiais da Companhia. Deste modo, a 1 de Novembro de 1549, quando o Padre Nóbrega parte com a armada a visitar os cristãos da costa de S. Vicente até Porto Seguro, deixa na Baia o padre António Pires em seu lugar, trabalhando na primeira igreja da Companhia, que foi a da Ajuda, à qual se segui a ermita do Monte Calvário e a igreja que depois se chamou do Terreiro de Jesus.
E, além de ocupado com confissões e os doentes do Hospital, ainda deu principio a uma casa destinada à recolha e ensino dos meninos dos gentios novamente convertidos. Entretanto, o padre Manuel de Nóbrega regressa e, desejando alargar cada vez mais a acção da Companhia, parte novamente em meados de Julho de 1551, levando consigo o Padre António Pires para Pernambuco, onde só chegam em fins do mesmo mês, pois a viagem revestiu-se das maiores dificuldades e perigos.
Ali iniciam uma acção meritória, mas em Janeiro de 1552, o padre Nóbrega volta à Baia, pelo que o padre António Pires fica só, confessando e pregado, convertendo.
Em fins de 1553 regressa a Baia e, ali ocupa os cargos de Reitor, de Superintendente e de Mestre de Nocivos. Fez os votos de coadjutor espiritual formado, sendo considerado a pessoa de mais autoridade no Brasil para governar a Província como Vice Provincial, assumindo de novo este cargo em 1570 e, no exercício do qual acabou os seus dia a 27 de Março de 1572.
Texto da autoria de: Manuel da Silva Castelo Branco
O Albicastrense

segunda-feira, agosto 01, 2011

DO BAÚ PARA O BLOGUE


275 ANOS DEPOIS
No dia 1 de Agosto de 1736, faleceu no Paço Episcopal de Castelo Branco, o 45º Bispo da Guarda, D. João de Mendonça.
D. João de Mendonça; nasceu em Estremoz em 1 de Junho de 1673. Foi o sexto filho do Conselheiro de Estado D. Loureço de Mendonça, terceiro conde de Vale de Reis, regedor das justiças e deputado da Junta dos Três Estados, e de D. Maria de Mendonça, filha de Manuel de Sousa de Silva e de D. Joana de Mendonça. Estudou Humanidades no colégio de Santo António de Lisboa e Direito Canónico na Universidade de Coimbra. Em 15 de Junho de 1694 foi provido, pelo Cabido da Guarda no cargo de arcediago daquela diocese.
Em 28 de Dezembro do mesmo ano tomou posse do Canonicato e do lugar de tesoureiro-mor da arquidiocese de Évora. Doutorou-se em Cânones, na Universidade de Coimbra, em 17 de Julho de 1698. Foi nomeado em Novembro do mesmo ano, condutário com privilegio de lente e depois de 1700 ascendeu a lente da Universidade, regendo varias cadeiras. 
Em 1704 foi deputado extraordinário do Santo Oficio e em 1709 o Rei D. João V nomeou-o Sumilher de Cortina. Foi promovido a bispo da Guarda em 1711, desempenhando este cargo durante 23 anos com inteira justiça, segundo os seus biógrafos. 
Vivia com grande pompa e residiu frequentes vezes no Paço de Castelo Branco, onde veio a falecer em 1 de Agosto de 1736. D. João de Mendonça, mandou construir o Jardim de Paço Episcopal, com uma traça que obedeceu ao estilo Italiano.
 O Albicastrense

sábado, julho 30, 2011

As coincidências na minha terra


Centro Cultural e Artístico de Castelo Branco - 1971
Centro de Arte Contemporâneo de Castelo Branco - 2009
Nas minhas pesquisas pelos velhos jornais da minha terra, tenho encontrado verdadeiros tesouros, tesouros que na época me passaram ao lado, ou por estar a cumprir o serviço militar na marinha, ou por ser demasiado jovem para me aperceber dos mesmos.
Um dos últimos tesouros que encontrei, foi o projecto de construção dum Centro Cultural e Artístico de Castelo Branco em 1971. Pasme-se!.. Pois o dito cujo, estava projectado para ser construído ao lado da Sé, (como se pode ver na fotografia que ilustra este post).
O edifício do conservatório ia abaixo, e no local construiriam o mamarracho que a foto documenta.
Não sei o que aconteceu, pois o dito cujo finou-se antes de ser erguido... (Será que os proponentes lunáticos desta aberração, se pifarão de repente?). Ao ver este projecto dei comigo a pensar: onde vi eu um projecto com muitas semelhanças, recentemente?
Depois de passar a mão várias vezes pela cabeça, veio-me à memória o actual projecto de construção do novo Centro de Arte Contemporâneo de Castelo Branco.
Perante tantas semelhanças a pergunta só pode ser uma: será que o presidente da autarquia da minha terra, se inspirou neste velho projecto, (horroroso para aquele local), para projectar a construção do Centro de Arte Contemporânea de Castelo Branco?
Curiosamente até os nomes dos ditos cujos, têm semelhança! O projecto de 1971, tinha o pomposo nome de: “Centro Cultural e Artístico de Castelo Branco” o que se pretende construir actualmente tem a designação de: “Centro de Arte Contemporâneo de Castelo Branco”.
Terminava dizendo o seguinte: se em 1971 houve gente que impediu e estapafúrdia ideia de mandar abaixo o edifício do conservatório, para ali construir a paredes meias com a Sé aquele monte de betão, também este albicastrense espera, que desta vez aconteça o mesmo.
Não vou comparar os dois locais, pois em 1971 a situação era bem mais grave, porém, não deixa de ser igualmente grave o local escolhido e a sua necessidade neste tempo tão difícil para todos nós.
O Albicastrense

quinta-feira, julho 28, 2011

DUZENTAS MIL VISITAS.....


O SONHO COMANDA A VIDA....
Duzentas mil visitas.
Mais de mil postes publicados.
Alguns milhares de comentários.
Muitas e muitas horas frente ao computador.
Muitas e muitas horas armado em Sherlock Holmes, na biblioteca Albicastrense.
Muitas e muitas horas de máquina fotográfica em punho, a tentar captar as melhores imagens sobre Castelo Branco.
Muitas e muitas horas a palmilhar a minha terra, para poder divulgar aqui o que se vai passando no seu dai a dia.
Dois anos depois das 100.000 visitas (Julho de 2009), este “blog” ultrapassou hoje a meta das 200.000 mil. Confesso que nunca me passou pela cabeça, que seis anos depois ainda teria pedalada para andar a pedalar por estas largas estradas. Para quem pouco mais tem que a velha quarta classe, para quem o máximo que tinha escrito até então, tinham sido cartas, para a família no tempo em que prestei serviço militar na marinha, não posso deixar de pensar, que o desafio na criação do blog; “Castelo Branco O Albicastrense” foi uma aposta ganha, e que graças a este desafio sou hoje muito mais conhecedor da história da minha terra.
Se ao blogue devo o facto de hoje me interessar muito mais pela história da minha terra, aos visitantes devo as visitas, os comentários, as sugestões e o carinho muitas vezes demonstrado através dos seus comentários.
Para terminar, (pois a palestra já vai longa), quero apenas acrescentar o seguinte: duzentas mil visitas hoje! Quem sabe se num amanhã não muito longínquo, não estarei aqui a escrever sobre o meio milhão de visitas.
O sonho comanda a vida! Disse um dia o poeta....


O Albicastrense

segunda-feira, julho 25, 2011

TIRAS HUMORÍSTICAS - LXXXVI



BIGODES & COMPANHIA
O Albicastrense

VELHAS IMAGENS DA MINHA CIDADE - XIV


A imagem que aqui coloco à disposição dos visitantes, mostra-nos um local hoje bem diferente. Esta velha imagem “terá” sido captada nos anos cinquenta, do passado século (foto; site dos Monumentos).
O local tal com disse anteriormente, está hoje muito diferente, porém se olharem com muito cuidado para a fotografia, existem pistas nela para poderem chegar ao local.
Se alguém responder correctamente, o albicastrense deixa que o sortudo lhe pague um “cafézinho” no café do Daniel, pois o último sortudo não compareceu para pagar o prémio.
PS. Tal como das outras vezes, as respostas certas só serão publicadas dois ou três dias depois, para que todos possam responder.
O Albicastrense

MUSEU FRANCISCO TAVARES PROENÇA JÚNIOR - "A primeira publicação de 2020"

CASA DO PESSOAL  DO  MUSEU FRANCISCO TAVARES PROENÇA JÚNIOR. Terminei o ano de 2019 com uma publicação sobre o nosso museu. Para c...