sábado, agosto 10, 2019

PORTADOS QUINHENTISTAS DE CASTELO BRANCO


RE-PUBLICAÇÃO  SOBRE OS PORTADOS
QUINHENTISTAS DA TERRA ALBICASTRENSES 

TRABALHO DO PADRE  ANACLETO MARTINS - 1979
(Publicação: Quarta de sete).

(Continuação)
RUA DO ARCO DO BISPO
São portados quinhentistas os portados números: 11 e 13, geminados e “desfigurados”, com reboco, e 19.
RUA DOS FERREIROS
(Temporariamente de Alfredo Keil)
São quinhentistas os portados geminados números: 9; 11; 13; 15; 21 e 23; 32 e 34; 55 e 57; 92 e 94 e os portados simples: 50; 52. O portado número 36 é quinhentista e é geminado com janela que foi portado, também quinhentista.
RUA DA MISERICÓRDIA OU TRAVESSA DA MISERICÓRDIA
São portados quinhentistas os portados geminados números: 21 e 23 e os portados simples: 1; 10; 12 e 23.
O portado número 12 é o único, em toda a cidade antiga, que mantém a forma de ogiva pura e está roubado, na sua altura, naturalmente, pela elevação do nível do pavimento da rua.
RUA DO MURO
São quinhentistas os portados geminados números: 27 e 29 e os portados simples: 13; 26; 28; 31; 34; 39; 45 e 50, em cujo edifício se encontra uma janela também quinhentista.
RUA DO CAQUELÉ
São quinhentistas os portados números: 2 - (sem duvida, um dos mais belos da cidade antiga); o 17 e o 19, já bastante prejudicado.
TRAVESSA DA SOBREIRA
(Antiga Travessa de S. Tiago)
São quinhentistas os portados geminados: 11 e 13, com os lintéis belamente trabalhados com ornato característico, encontrando-se, no edifício correspondente a estes números, uma janela da mesma época e com lintél trabalhado com o mesmo ornato idêntico ao portado; e os portados simples, números: 7; 19; 23; 24; e 25, este prejudicado porque lhe foi “roubado”, já no nosso tempo, o lintél que tinha o mesmo ornato dos números 11 e 13.
RUA DA SOBREIRA
São quinhentistas os portados números: 5, que é geminado com outro portado quinhentista, hoje transformado em janela, 9; 11; 25; 27; 29; 31; 41; 45; e 47, geminados e o ultimo destes, com lintél trabalhado com ornato característico da época existindo, no edifício correspondente a este número, também uma janela quinhentista. Este edifício foi destruído já depois do nosso registo.
TRAVESSA DO JASMIM
São quinhentistas os portados números: 1 e 2 – (este bastante prejudicado).


33 ANOS DEPOIS
TRABALHO DE VERÍSSIMO BISPO - (2013)

Rua do Arco Do Bispo
Os três portados contabilizados em 1979 pelo padre Anacleto, estão de boa saúde. Contudo, a casa que alberga os portados números 11 e 13 está ao abandono, situação que em nada beneficia os belos portados que tem.
Rua dos Ferreiros
Todos os portados contabilizados pelo padre Anacleto, estão nos seus devidos lugares. Também nesta rua o abandono das velhas casas é uma realidade, realidade que transforma esta e outras ruas da zona histórica da terra albicastrense, numa espécie de deserto onde a vida humana “parece” não ter hipótese de existir.
Rua da Misericórdia
Dos 4 portados descritos no trabalho do padre Anacleto, o número 22 deu à sola. A casa onde dava entrada foi substituída por outra, e ele deixou de ter lugar na nova casa.
Rua do Muro
Nesta rua todos os portados estão nos seus devidos lugares. Gostaria porém de aqui dizer, que não compreendo a necessidade que alguns moradores tiveram, em borrar ou rebocar os portados das casas.
Rua do Caquelé
Também nesta rua os portados estão nos seus devidos lugares.
Travessa da Sobreira
Nesta rua todos os portados quinhentistas contabilizados pelo padre Anacleto, estão nos seus lugares.
Rua da Sobreira
Dos 10 portados apontados pelo padre Anacleto, os números 11; 41; 45 e 47 já não residem nesta rua. As casas onde davam entrada, foram mandadas abaixo e nas novas casas foram substituídos por portados de mármore, parede
de cimento, ou granito novo.
Travessa da Jasmim
Também nesta rua a “malvadez” andou à solta. A casa, (ou as casas) que davam guarida aos portados 1 e 2 foi mandada abaixo e, em seu lugar foi construído um prédio que não deu guarida aos dois portados quinhentistas.
RESUMO DAS OITO RUAS
Trinta e três anos depois do trabalho do padre Anacleto, constatei que neste conjunto de oito ruas, houve 7 (SETE) portados que foram mandados abaixo.
Portados que bem podiam ter continuado nos seus postos se quem de direito tivesse cumprido com as suas obrigações. Temos ainda neste conjunto de oito ruas, aberrações completamente estúpidas. Portados borrados, portados rebocados, portados com portas de alumínio, portados com fios por todos os lados, etc, etc.
Também neste conjunto de ruas, as velhas casas em que muitos dos portados dão entrada, estão em péssimas condições, situação que pode levar à destruição de muitos deles se a autarquia albicastrense não manter uma apertada vigilância neste sector.
(Continua)
O Albicastrense

quarta-feira, agosto 07, 2019

PORTADOS QUINHENTISTAS DE CASTELO BRANCO


RE-PUBLICAÇÃO  SOBRE OS PORTADOS
QUINHENTISTAS DA TERRA ALBICASTRENSES 

TRABALHO DO PADRE  ANACLETO MARTINS - 1979
(Publicação: Terceira de sete).

                                   



RUA J. CARLOS ABRUNHOSA
(Antiga Rua da Ferradura)
São portados quinhentistas os portados números: 4, 8, 40, 42, e o 46, com lintel trabalhado com ornatos manuelinos.
TRAVESSA DA FERRADURA
São quinhentistas os portados os números: 8, 10, 13, este com ornatos manuelinos no lintel, e o 15.
RUA MOUSINHO MAGRO
(Antiga Rua do Postigo e temporariamente também de Almirante Reis)
Esta rua situa-se, parte dentro e parte fora do circuito das muralhas e tem os seguintes portados quinhentistas: 50, 52, 54, 56, 58, 60, e 62.
RUA TENENTE VALADIM
É quinhentista o portado número 33.
RUA DO SACO (Atual)
São quinhentistas os portados números: 14, 18, 20, e 22.

(DENTRO DO RECINTO DAS MURALHAS)
RUA DO RELÓGIO
São quinhentistas os portados, números: 19 e 21, que são geminados, e o 23.
O edifício correspondente aos números 19 e 21, tem janelas também quinhentistas e uma delas apresenta lintel trabalhado com ornato característico da época.
Entre os números 21 e 23, situa-se, hoje, uma janela que foi também porta quinhentista.
PRAÇA DE CAMÕES
(Antiga Praça Velha)
É quinhentista o portado número 17, que corresponde ao edifício que foi Celeiro da “Ordem de Cristo”, cuja cruz ostenta na fachada que dá para a Praça de Camões e na fachada da Rua de Santa Maria, ao alto de curiosa escadaria com balcão a dar para o 1º andar. No rés-do-chão, a ligar dois compartimentos, apresenta ainda um belo arco de características românicas.
RUA DE SANTA MARIA
(Temporariamente, de Mousinho Magro)
São quinhentistas os portados geminados, números: 25 e 27; 29 e 31; 36 e 38; 62 e 64; 66 e 68; 71 e 73; 75 e 77; 79 e 81, 120 e 122, e os portados simples, números: 35; 41; 47; 53; 70, em edifício a que corresponde, no primeiro andar, uma janela também quinhentista com adorno original, no lintel; 72; 83; 112; 113; que tem ao lado uma janela quinhentista – adaptação de um portado da mesma época; 114; 116; 118 e 124.

33 ANOS DEPOIS
TRABALHO DE VERÍSSIMO BISPO - (2013)

Rua João Carlos Abrunhosa
Passados trinta e três anos após o estudo do padre Anacleto, nada mudou nesta velha rua da terra albicastrense. Ou seja: os cinco portados contabilizados por ele, continuam nos seus devidos lugares e em bom estado de saúde.
Travessa da Ferradura
Também nesta rua as coisas não mudaram. Os 4 portados constantes no referido trabalho, estão de boa saúde.
Rua Mousinho Magro
Depois das duas ruas anteriores em que a situação não se alterou em relação ao trabalho do padre Anacleto, surge a primeira tristeza neste conjunto de oito ruas.
Dois dos portados desta rua números 60 e 62, fazem parte de uma velha casa que já não existe. Ou seja: a velha casa foi mandada abaixo porque corria o risco de derrocada, porém, os dois portados foram lá deixados (como se pode ver numa das imagens colocadas neste post), para serem colocados na casa quando esta for reconstruída. 
O pior é que passados quase dois anos tudo continua na mesma.
Faço aqui um apelo aos responsáveis pela autarquia albicastrense, para que “obrigue” este senhorio a recuperar esta velha casa, pois os velhos portados não podem continuar na situação em que se encontram. Todos os outros portados estão bem.
Rua Tenente Valadim
O único portado desta rua está de boa saúde.
Rua do Saco
O padre Anacleto diz-nos no seu trabalho que em 1979 existiam nesta rua quatro portados, (14, 18, 20 e 22). A situação é hoje bem diferente: o portado número 14 foi pintado; o número 18 foi mandado abaixo; o número 22 transformado em janela; apenas o portado número 14 continua de boa saúde. Uma desgraça é o mínimo que se pode dizer desta pequena rua.

(DENTRO DO RECINTO DAS MURALHAS)
Rua do Relógio
Os portados desta rua estão bem, contudo, o mesmo não se pode dizer de algumas das casas que os albergam.
Praça de Camões
O único portado desta Praça está de muito boa saúde. Para quem ainda não olhou bem para ele, recomendo uma visita.
Rua de Santa Maria
Confesso que quando comecei a percorrer esta bonita rua da velha urbe albicastrense, tive receio do que poderia encontrar, pois os portados são muitos e o respeito por eles não abunda na terra albicastrense. Felizmente os meus receios eram injustificados. Os portados contabilizados pelo padre Anacleto, continuam a existir na sua totalidade.
Contudo não posso deixar de aqui dizer, que muitos dos velhos portados estão em casas degradadas e onde a vida perece ter sido extinta há muitos anos.
Terminava recomendando um visita a uma casa situada nesta rua. Casa que além de ter um conjunto de belos portados, tem igualmente um lindíssimo conjunto de janelas.

RESUMO DAS OITO RUAS
Trinta e três anos depois do trabalho do padre Anacleto, constatei, que neste conjunto de oito ruas houve “apenas” 1 (UM) portado que foi mandado abaixo, (Rua do Saco). Contudo, a situação em que muitos deles se encontram é deveras preocupante, pois muitas das velhas casas em que eles se encontram, estão em péssimas condições.
(Continua)                                                         O Albicastrense

segunda-feira, agosto 05, 2019

PORTADOS QUINHENTISTAS DE CASTELO BRANCO

RE-PUBLICAÇÃO  SOBRE OS PORTADOS
 QUINHENTISTAS DA TERRA ALBICASTRENSES


TRABALHO DO PADRE  ANACLETO MARTINS - 1979
Publicação: Segunda de sete.




   (Vamos começar pelas ruas situadas fora da muralha).

RUA BARTOLOMEU DA COSTA
(Antiga Rua da Corredoura)
São quinhentistas, com lintéis belamente trabalhados, com ornatos manuelinos, os números 3 e 5. O edifico a que correspondem estes dois portados apresenta ainda um conjunto de quatro janelas. Uma no rés do chão e três no primeiro andar, com lintéis, igualmente trabalhados com ornatos manuelinos, e oferece-nos a mais bela fachada quinhentista da cidade antiga, embora já situados fora do recinto das muralhas. É Também quinhentista o belo pórtico  manuelino da Igreja da Graça ou da Misericórdia.
LARGO DE S. JOÃO
São quinhentistas os portados  número 2 e os números 38 e 39, estes geminados.SS
ARRABALDE DOS AÇOUGUES
Embora afastado da muralha, o Arrabalde dos Açougues prova a sua antiguidade pelos seus numerosos portados quinhentistas. São dessa época os portados números: 1, 4, 6, 23, 32,  35, 46, 54 e 56.
ARRABALDE DOS OLEIROS
São quinhentistas os portados numero: 13, 17, 19, 22, e 24, conjunto geminado, 25, prejudicado (foi reduzido o seu tamanho e rebocado o ornato manuelino do lintél);  o 26, que foi geminado com outro portado, hoje transformado  em janela, e os números 34 e 38.
RUA DAS OLARIAS
São quinhentistas três grupos de portados geminados: os números 44-46; 60-62; 64-66;  e o 22; o 67 e o 69.
RUA RUIVO GODINHO
(Antiga Calçada da Fontinha)
São quinhentistas os números 25, em cujo edifício encontramos também uma janela da mesma época, e 27.
RUA S. SEBASTIÃO 
São quinhentistas os portados números: 4, 6, 18 e o 26-28 que são geminados.
Entre os números 6 e 8 e os números 18 e 20 existem hoje janelas, também quinhentistas (adaptação de portados dessa época).

33 ANOS DEPOIS.
TRABALHO DE VERÍSSIMO BISPO 
(Dezembro de 2012)
Rua Bartolomeu da Costa
Nesta rua, os portados descritos no trabalho do padre Anacleto, continuam a existir na sua totalidade. Podendo  até dizer-se, que para começar não podia ser melhor. 
O  atual estado de “saúde” dos portados desta rua, recomenda-se .
Largo de S. João
Neste  largo os portados descritos pelo padre Anacleto, estão todos em muito bom estado, (recomendo a quem se interessar por estas coisas, uma visita aos portados sortudos).
Arrabalde dos Açougues
A tristeza mora neste arrabalde, dois dos velhos portados foram mandados abaixo (números 32 e 56), em sua substituição, surgiram aberrações complemente estapafúrdias. Os portados números 4 e 54 estão em péssimo estado de conservação, os restantes estão em condições razoáveis.
Arrabalde dos Oleiros
Também aqui a situação não é melhor que no Arrabalde dos Açougues. O portado número 34, foi substituído por um portão. Os portados dos números 17 e 19 foram rebocados e pintados. Os outros mantém-se em condições razoáveis.  
Rua das Olarias
Depois das desgraças dos arrabaldes, uma boa notícia. Os portados desta rua estão simplesmente espectaculares. 
Como eu gostaria que os portados desta rua, fossem a regra e não a excepção. Recomendo vivamente uma visita aos sortudos portados desta rua.
Rua Ruivo Godinho
Os dois únicos portados desta rua (números 25 e 27) deram à sola.  As velhas casas foram derrubadas e substituídas por novos prédios.
Rua S. Sebastião
A desgraça instalou-se nesta velha rua da terra albicastrense. Dos portados existentes, apenas um  ostenta alguma dignidade, todos os restantes, estão em casas a cair de podre (como aliás se pode ver, na imagem captada na referida  rua). Uma autentica calamidade, é o mínimo que se pode dizer sobre a tristíssima situação em que se encontram os portados da velhinha rua de S. Sebastião.

RESUMO DAS SETE  RUAS                              

Dos portados contabilizados por Anacleto Martins, 5 (CINCO) foram derrubados sem dó nem piedade (até prova em contrario). Contudo, esse número pode a curto prazo aumentar, pois a situação atual de alguns dos portados, é no mínimo de grande preocupação.
(Continua)
 Albicastrense

sábado, agosto 03, 2019

PORTADOS QUINHENTISTAS DE CASTELO BRANCO



RE-PUBLICAÇÃO  SOBRE OS PORTADOS 


QUINHENTISTAS DA TERRA ALBICASTRENSE



Em 2006 publiquei no blogue; “Castelo Branco - O - Albicastrense”, um trabalho sobre os portados quinhentistas de Castelo Branco. 
Trabalho que consistia em saber quantos portados quinhentistas existiam na terra Albicastrense, e em que estado de “saúde” eles se encontravam,  trabalho publicado em sete publicações.
Este trabalho tinha por  base, um outro trabalho feito pelo padre Anacleto Martins feito em 1979. Nessa altura, o padre Anacleto contou 317 portados divididos por 41 ruas. 
Subindo e descendo as ruas do Castelo durante algum tempo, com o trabalho feito pelo padre Anacleto nas mãos, fui contando portado a portado para saber se os tais 317 mencionados por ele ainda existiam em 2006, e como eles estavam de “saúde”. 
Nada mais vou dizer sobre este trabalho, quem quiser saber o resultado final é as conclusões, terá que se dar ao trabalho de ler as respectivas publicações  que irei aqui colocar novamente. 
Em 2006, estas publicações foram visitados por mais de 2000 visitantes. Como penso que este trabalho inspirado no do padre Anacleto Martins merece mais visitantes que os que teve na altura, espero que desta vez mais albicastrenes o possam ler. 
O trabalho será publicado dia sim, dia não.

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TRABALHO DO PADRE  ANACLETO MARTINS - 1979
Publicação: Primeira de sete.
Para começar o ano de 2013, nada melhor que inicia-lo com um conjunto de post’s sobre uma das maiores preciosidades da terra albicastrense.
Em 1979 a revista “Estudos de Castelo Branco” publicou um trabalho do padre Anacleto Pires da Silva Martins, sobre os Portados Quinhentistas da Cidade de Castelo Branco.
Nesse trabalho, Anacleto Martins fez um levantamento dos portados da terra albicastrense, nele ficamos a saber com exactidão quantos eram os portados e em que ruas os podia-mos encontrar: trezentos e sete portados, divididos por quarenta e uma ruas”.
No mesmo trabalho, podemos igualmente constatar a desgraçada e miseravel situação em que muitos dos velhos portados da terra albicastrense se encontravam em 1979.
Perante os números apresentados pelo padre Anacleto Martins, perguntei a min próprio, se trinta e três anos depois da apresentação do seu trabalho, algo se teria alterado no “reino” dos portados da terra albicastrenses.

-  Será  que  os 307 portados  ainda  existem  na  sua totalidade?
- Será que  as palavras de Anacleto Martins cairão em roto, e tudo continua como dantes?
- Ou será, que as palavras de Anacleto Martins abriram os olhos aos responsáveis pela autarquia dessa altura e seguintes, e hoje tudo está diferente?

Para encontrar resposta às minhas interrogações, resolvi postar aqui o trabalho de Anacleto Martins e visitar as 41 ruas, para  desta forma ficar a saber, se efectivamente algo mudou no reino dos portados da terra albicastrense.
Trabalho  que  será  publicado  em vários post’s, que terão anotações minhas sobre as prováveis alterações provocadas pelo tempo e pela incúria dos homens, sobre os  portados referenciados por Anacleto Martins. Desta forma, poderemos avaliar se o padre Anacleto andou a pregar em terra de surdos, ou se pelo contrario, as suas palavras terão contribuído para  ajudar os nossos velhos portados quinhentistas.

Portados Quinhentistas de Cidade
de
 Castelo Branco
        Por Anacleto Martins
INTRODUÇÃO
Castelo Branco guarda, na zona limitada pelas muralhas, e não só, porventura, o  mais notável acervo de portas e janelas quinhentistas do nosso país, não obstante as frequentes agressões feitas nos últimos anos e que os protestos da imprensa não têm conseguido evitar.
Vamos tentar convencer os albicastrenses deste valor, para que, sentindo-se orgulhosos dele, o saibam defender e transmitir a seus filhos, como rico património que urge preservar, como elemento de cultura e de real turístico.
Pode perguntar-se porque não se preocuparam outras cidades com a delapidação do seu património  artístico e consentiram, sem protesto, na remodelação das suas ruas e na substituição de tantos dos seus antigos edifícios.
Cremos que só uma falta de cultura, bem lamentável, pode explicar tal delapidação. Quer dizer que, durante um largo espaço de tempo, os portugueses se alhearam do culto do seu património artístico e, em  muitos casos, colocaram acima desses valores, a preocupação do seu desenvolvimento urbanístico, por qualquer preço, ou de qualquer maneira.
De certo, não foi uma maior cultura, ou um mais desenvolvido sentido artístico, que preservaram a nossa cidade da onda iconoclasta que apagou a face medieval das nossas antigas vilas e cidades.
Para nós a explicação há-de ir buscar-se à carência de factores  de progresso de que outras vilas e cidades puderam beneficiar, antes de nós, e, acima de todos, parece-nos, o abastecimento normal de água.
Quando, em 1771, Castelo Branco se tornou sede de uma nova diocese e, consequentemente, foi elevada à categoria de cidade e a instalação  dos novos serviços urgia o seu desenvolvimento; quando a preocupação  da instrução, a alargar-se pelas aldeias, trouxe à cidade, sempre mais e mais estudantes; quando a sua privilegiada situação, como nó de comunicações, começou a apelar pelo seu alargamento – a falta de água asfixiava, em absoluto, qualquer veleidade de crescimento.
Assim se explica que, desde o século XVI, quase nada se tivesse alterado na maior parte das ruas da nossa cidade antiga, até aos nossos dias, precisamente até 1933, data em que a Câmara conseguiu  resolver, pelo menos para então, o problema  vital da água.
E a verdade é que, nesta altura, apesar de tudo, já se desenvolvera, a nível local, e nacional, uma certa consciência da necessidade de se preservarem os valores artísticos do passado. Por outro lado, já se não fazia sentir a necessidade de construir  dentro das muralhas cuja protecção se tornara apenas simbólica.
Assim, Castelo Branco encontrou-se, quase sem se dar conta, possuidora de um acervo de valores artísticos medievais que fazem justamente, inveja às cidades suas congéneres e fruto, afinal da estagnação urbanística imposta, sobretudo, pela falta de água. Seria caso para dizermos , com o antigo rifão: há males que vêm por bem!
Temos de verificar, no entanto, que embora o arranque para o seu impressionante desenvolvimento se tenha dado em tempos de relativa sensibilidade aos problemas  da arte, não têm conseguido as Câmaras dos últimos anos impedir autênticos “crimes”, consentindo em demolições  e construções, na zona medieval, sem um mínimo de respeito para com as características do meio ambiente, sendo a última destas aberrações a construção, adentro das muralhas, do novo edifício dos Correios – aliás uma construção magnifica que muito valorizou a nova cidade.
 Ali, onde está, levantou-se à custa de outros valores e nem espaço circundante tem para se poder admirar, no valor arquitectónico que, realmente, possui. Para que se pare, de vez, com tais aberrações,  para que não mais sejam possíveis delapidações ao ainda tão rico acervo artístico de Castelo Branco, nós decidimos a fazer este estudo, pensando no povo humilde e simples que, em geral, habita na zona medieval da nossa cidade para que respeite e faça respeitar o precioso património que, do passado, herdámos.
Cremos não ter perdido inteiramente o tempo que vamos destinando a esta causa. 
Já vamos encontrando um caso ou outro em que, nas obras de restauro, se respeitam e até se valorizam os elementos artísticos dos edifícios em  questão,  sobretudo, restituindo às cantarias a sua beleza original, limpando-as  das camadas de cal e, por vezes de reboco, com que as tinham mascarado.
Vamos registar os portados quinhentistas  que encontramos e que se situam, naturalmente, dentro das muralhas ou na sua proximidade. Não é muito simples esta tarefa, até porque muitos desses portados, chanfrados ou biselados, ao sabor e segundo o estilo da época, e alguns  deles com lintéis trabalhados, com belos ornatos manuelinos, foram alterados, concretamente, no caso muito frequente, dos portados geminados, em que uma das portas foi transformada em janela.
(Continua)

NOTA. Tal como disse anteriormente, o trabalho do padre Anacleto Martins, será aqui publicado em vários post’s para impedir que se torne demasiado maçador e, por ser demasiado extenso para ser publicado de uma só vez. No post inicial,  apenas constará a introdução do trabalho, nos seguintes vou postar oito ruas por post. 
 O Albicastrense

quarta-feira, julho 31, 2019

TOPONÍMIA ALBICASTRENSE

RUAS DA TERRA ALBICASTRENSE

QUEM FORAM ESTAS PESSOAS ?



Estas são apenas quatro ruas, pois nas zonas novas da terra albicastrense muitas mais placas existem assim.

  BATIZAR RUAS COM NOMES DE PESSOAS É TAREFA BASTANTE FÁCIL.
FAZÊ-LO CORRECTAMENTE, PARECE SER BEM MAIS DIFÍCIL.
O Albicastrense 

segunda-feira, julho 29, 2019

EXPOSIÇÃO A NAO PERDER NO NOSSO MUSEU.

MEMÓRIAS DO NOSSO MUSEU Para todos aqueles que  tenham memórias deste solo no nosso museu, esta é uma exposição a não perder.  40 anos depoi...