terça-feira, julho 14, 2020

304 ANOS DEPOIS

IRMÃOS SIAMESES - "ABDON E SEMEN"
(14-07-1716 - 14-07-2020)

Na antiga Capela de S. Braz demolida em 1940, quando dela só já restavam algumas das suas paredes-mestras.
Existia uma lápide onde figuram em relevo duas crianças desprovidas de membros inferiores e uma inscrição em latim cuja tradução livre é a seguinte: 
"Abdon e Senne, que nasceram ligadas, têm um só baixo-ventre, sexo e fígado; têm vidas distintas e distintas também todas as demais coisas; deram a Deus a vida; mas morrendo um, o outro morreu também, desfalecendo pouco a pouco durante sete hora, juntos foram gerados, juntos viveram e juntos morreram, 1716”.

Num auto datado de 13 de Outubro de 1753, que consta do Tombo da Comenda da Ordem de Cristo, fez-se a seguinte referencia a esta lápide comemorativa de um nascimento teratológico gemelar: 
a parte de cima da porta travessa virada ao Poente está uma pedra metida na parede, na qual existe retratada em relevo um prodigioso parto que houve nesta vila em o ano de 1716, pois dele nasceram duas crianças unidas no corpo mas cada com sua cabeça e braços, e mandou gravar o retrato delas na sobredita pedra, para eternizar sua memória, o Ilustríssimo D. João de Mendonça, Bispo da Guarda”.

Esta lápide esteve exposta no rés-do-chão do museu até 1994.  Foi retirada do solo onde estava visível e colocada na reserva do museu, em virtude das obras ali realizadas. 
VINTE E SEIS ANOS depois!!! Esta bela lápide continua longe dos olhos dos albicastrenses.
A pergunta a fazer não pode ser outra! Por mais quanto tempo estará esta bela lapide afastada dos nossos olhos.
                               O ALBICASTRENSE

segunda-feira, julho 13, 2020

CHAFARIZ DE SÃO MARCOS

Como é possível ver-se na imagem aqui publicada, as obras referentes à recuperação do nosso chafariz de S. Marcos estão quase finalizadas, segundo me foi dito, faltam apenas pequenas coisas.   

Pode não ter sido como já disse anteriormente, a recuperação mais desejada, contudo, no momento interessa mais amimar o velho chafariz que entrar numa disputa do que era possível fazer-se e não se fez.

Não sei se haverá festança no dia em que se derem por finalizadas as obras, todavia, este albicastrense irá passar pelo local para beber no Café meu amigo Abílio, um Porto pela recuperação desta nossa pérola.

Se alguém quiser associar-se a este porto de honra, só tem que exprimir presente, pois, assim que  souber da data, vou publica-la aqui.
                    O ALBICASTRENSE  

sexta-feira, julho 10, 2020

COMENTÁRIOS - (XXVIII)


ZONA HISTÓRICA DA TERRA ALBICASTRENSE.

Os comentários deixados pelos visitantes neste blogue, são fundamentais, pois, sem eles esta coisa não teria graça nenhuma. Atualmente os postes são partilhados por mim no facebook, por isso, muitos do novos comentários ficam unicamente ali postados.
Em meu entender, muitos dos comentários deixados nos postes, merecem muito mais que a pequena caixa onde são colocados, por isso, mais uma vez aqui fica um testemunho que em meu entender merece ser lido por todos os albicastrenses.  

                       DAR PALAVRA A QUEM SABE O QUE DIZ.
Júlio Vaz de Carvalho disse num comentário sobre a publicação; "Recuperar bem uma velha casa, e não honrar um belo portado quinhentista", o seguinte:

Aquilo está para lá da extravagância. Aquilo é mesmo um hino ao desprezo e uma Ode à falta de respeito pelo património que querem vender lá fora. Aliás, toda a política de recuperação que foi feita, pejada de erros e intervenções questionáveis, algumas das quais já se começam a notar falhas na intervenção, deveria envergonhar todos os que aplaudem por sabujice ou por acharem a parolice destas intervenções deverá ser a imagem de marca da cidade. 
Houve boas intervenções? Sim, houve, mas, as que eu mais vejo aplaudir são precisamente aquelas que são apresentadas como grande cartaz turístico da cidade e que se degradam ou simplesmente e desprezam. Há pouco mais a fazer naquilo a que reduziram a zona velha da cidade. 
Com a quantidade de excelentes exemplos de recuperação e intervenção em zonas históricas, com critério e bem preservadas, num raio de 150 km, muitas delas em Municípios com muitíssimos menos recursos, e o resultado está à vista. Temos uma zona Histórica à qual se fizeram uns trabalhos de cosmética (a cosmética é naturalmente algo que se usa para esconder, é efémera e não resolve). 
Por isso, continuamos a ter turistas que entram com uma expectativa de encontrar uma "rota dos portados quinhentistas" (não do século XV como insistem, apesar dos avisos de há uns anos, em manter na sinalética - nem uma revisão de texto se deram ao trabalho de fazer antes de gastarem uma pipa de massa com aquilo??!?!); pois, esses são os turistas que entram e saem (às vezes nem 15 m lá estão) porque, estampada no rosto trazem a expressão de decepção e fraude. Onde está o incentivo para o surgimento de estabelecimentos voltados para o turismo? Gastam-se rios de dinheiro a alimentar o bem estar do albicastrense "urbano" e continua-se a ostracizar os que aqui ainda resistem? 
Castelo Branco é aquilo a que sempre se acostumou a ser: um destruidor de património comum em detrimento do Progresso de meia dúzia, que da cidade só conhecem o que de imediato lhes satisfaz o ego ou o estômago. Sigam as festas, que é disso que a malta vive. Caro Amigo, andar para aqui a alertar para estas situações tem o resultado que bem sabe, assim como disso têm consciência os que realmente se interessam. 
Só lamento que os tais sabujos (e outros limitados que bajularão sempre quem esteja no poder) olhem, para quem levanta a voz para estas questões, como se deles próprios se tratasse; ou seja, acham que tudo esconde interesses económicos e político-partidários.
O que é certo, é que entre a sabujice que continua a iludir-se com as migalhas do pé de dança e da jantarada aqui, festarola ali, e os que realmente gostariam de ver vontade genuína de ter uma zona histórica digna de se ver e não de envergonhar, uns têm a fama, outros o proveito. 
O resto, são blá-blá. Dói-me muito, enquanto filho dessa terra, afirmar o que vou dizer, mas é o que sinto, com o que observo: Cambada de parolos em que se tornaram, e insistem em que todos se tornem, até mete dó. E há cada vez mais quem aplauda isto tudo, sem a noção do logro.
PS. O meu bem-haja ao Júlio Vaz de Carvalho, por este esclarecedor comentário.
O ALBICASTRENSE

quinta-feira, julho 09, 2020

ENTREVISTAS


O TANQUE QUE JÁ FOI
ENTERRADO DUAS VEZES.

Com as obras a terminarem no chafariz de São Marcos, resolveu o albicastrense passar por lá para entrevistar quem por ali andasse na passeada a mirar as obras.
A primeira pessoa que me apareceu pela frente foi o “Ti Queixinhas”, albicastrense que passa a vida a queixar-se de tudo e de nada. Ao ver-me, aproximou-se sorrateiramente e disparou:
- O gajos só podem estar  insensatos  da cachola, então desenterram o tanque e depois voltaram a enterra-lo? Será que eles endoidaram e ainda não deram por isso!?
Por detrás de mim alguém gritava: "rua com eles, rua com eles, rua com eles!" Voltei-me e dei de caras com o “Ti Manel Cangalheiro”, figura importante no largo e proprietário da Agência Funerária; "Uma Porta Aberta para o Céu".
- Vossemecê já viu bem o que eles fizeram? - Então não é que desenterraram o cadavérico tanque e não me contrataram para lhe fazer novo enterro! – Esta malta é toda interesseira, só dão trabalho aos da cor deles.
Ainda o “Ti Manel Cangalheiro” não se tinha calado, já a “Rosa Viçosa”, florista com loja aberta no largo e muito "bem-amada" entre os seus moradores (eu que o diga), gritava para quem a quisesse ouvir.
- Os malandros desenterraram e voltaram a enterrar o pobre desgraçado, sem me dizerem nada! O pobrezinho não teve direito a uma palma, coroa ou um simples raminho de flores, nunca vi enterramento mais desconsolado.
Perante toda esta caldeirada de insatisfação, confesso que já não sabia para onde me virar e o que dizer, quando de repente o “Ti Queixinhas” aparece a baralhar ainda mais a contenda.
- Esta malta não vale nada! Eles que se cuidem, que na próxima vou votar na oposição.
Para baralhar ainda mais, eis que aparece o “Ti Alfredo”, pessoa com café aberto no largo, de imediato estabeleceu ordem no areal da discussão.  
- Chega, Chega, Chega! – Os malandros não quiseram saber de nós, mas a partir de agora, nós também não queremos saber deles.
Zé Castanha, mecânico com oficina no largo, entra na discussão e estrebucha raios e coriscos contra quem decidiu o que decidiu, propondo a criação de uma comissão parlamentar (perdão! Do largo…), para inquirir o enterro do tanque.
Quando tudo parecia estar em vias de acalmia perante a proposta do “Zé Castanha”, eis que emerge de novo o “Ti Alfredo” gritar.
- Chega, Chega, Chega… isto só lá vai com o manda abaixo dos malandros que enterraram o nosso tanque.
Rosa Viçosa, mulher que sempre pensou pela sua cabeça e não pela dos outros, levantou a voz e exclamou bem alto:

- Chega uma PORRA! Aqui não chega nada e quando chega, é o que eles querem e não o que nós desejamos.
O “Ti Manel Cangalheiro” farto de tanta prosa e nenhum defunto, propôs de imediato que fossem ao café do Alfredo matar a sede, pois assim sempre podia alguém esticar as botas de tanto embeber briol e ele ganhar algum.
O ALBICASTRENSE

domingo, julho 05, 2020

AS NOSSAS CHAMINÉS

SERENAMENTE NO SEU LUGAR 
 
COMO É VISÍVEL NAS IMAGENS AQUI PUBLICADAS, AS OBRAS DO NOVO ESPAÇO DA MODELO CONTINENTE NA TERRA ALBICASTRENSE, ESTÃO A AVANÇAR  A BOM RITMO.


A NOSSA LINDINHA, 
MANTEM-SE SERENAMENTE NO SEU LUGAR, CONTRARIANDO DESSA FORMA,   CERTOS PROGNÓSTICOS.
A minha postura na defesa da linda chaminé, mentem-se: Qual o futuro desta nossa linda Chaminé? Enquanto não houver claridade sobre o seu futuro, irei continuar a chatear os responsáveis da Modelo Continente, assim como dos responsáveis políticos da nossa autarquia. 

PSPodem derrubar a velha chaminé e vencer-me pela razão da força, mas, nunca o conseguiram fazer, pela força da razão.
O ALBICASTRENSE

quinta-feira, julho 02, 2020

ZONA HISTÓRICA DA TERRA ALBICASTRENSE

RECUPERAR BEM UMA VELHA CASA,
E NÃO HONRAR UM BELO PORTADO QUINHENTISTA.

No que diz respeito à nossa zona histórica, confesso que já quase nada me surpreende, independentemente de por vezes alimentar ilusões quanto à sua recuperação. Vem este meu desabafo, a propósito da minha última visita ao local. 
Ao deambular pela rua dos Peleteiros, reparei na recuperação de uma velha casa, de imediato disse para mim mesmo: “Boa! Uma velha casa recuperada!”.
O pior, foi quando reparei que no portado que dá entrada para a referida casa (um dos mais bonitos da nossa zona histórica), tinha sido colocada uma porta de alumínio, assim como em todas as janelas. 
Se a antiga porta em ferro já era condenável, a de alumínio é em meu entender duplamente condenável, ou estarei eu enganado nesta assunto? 
De imediato perguntei a mim próprio, se este tipo de afronta à nossa zona histórica, não era coisa do passado?
Que me desculpe quem não concordar comigo, mas não posso deixar de dizer o seguinte: não sou fundamentalista no que diz respeito à nossa zona histórica, mas, recuperar um velha casa e depois colocar num dos mais belos portados quinhentista existentes da nossa zona histórica, uma porta em alumínio, é no mínimo revoltante. 
Claro que se torna necessário dizer o seguinte: Os responsáveis por este e outros episódios do mesmo género, não são aqueles que gastam o que têm e o que não têm para recuperar as suas casas. Os culpados, são aqueles que escolhemos para comandarem os destinos da terra albicastrense, responsáveis que deviam proteger e acarinhar cada uma das velhas ruas, cada uma das velhas casas, cada um dos velhos portados quinhentista, mas, que pouco ou nada fazem nesse sentido.
O ALBICASTRENSE

quarta-feira, julho 01, 2020

NOTAS DA HISTÓRIA DA TERRA ALBICASTRENSE


 DESGRAÇAS NA TERRA ALBICASTRENSE 

Por decreto do Ministério da Guerra e em satisfação da Câmara Municipal de Castelo Branco, foi concedida licença a 17 de Julho de 1835, para serem desmantelados os arcos da muralha da cidade, sendo aproveitada a pedra, resultante destas demolições, para ser aplicada em obras a construir, de manifesta utilidade pública.
Posteriormente, em Março de 1839 foi autorizada a venda em haste pública, de parte da pedra que resultou da demolição de algumas muralhas do Castelo, telha e madeiramentos procedentes da destruição deste património nacional. E assim, se aniquilou, leviana e irresponsavelmente, parte do património castrense da nossa cidade. 

         A ANTIGA VILA DE CASTELO BRANCO, E AS SUAS PORTAS

Porta do Esteval, ainda hoje mal localizada.
Porta do Espírito Santo,  como entrada dos caminhos do Alentejo.
Porta da Vila, que dava entrada para a Rua dos Ferreiros.
Porta do Ouro, em frente da antiga capela de S. Brás.
Porta da Traição, em frente de S. Gens.
Porta de S. Tiago, que dava entrada pela Calçada de Alegria aos visitantes de Cafede e S. Vicente da Beira.
Porta de Santarém, no lado poente dando acesso ao caminho das Sarzedas.
(As entradas pelo “Postiguinho de Valadares” “Porta do Relógio” e “Porta do Postigo” são posteriores).
O ALBICASTRENSE

EXPOSIÇÃO A NAO PERDER NO NOSSO MUSEU.

MEMÓRIAS DO NOSSO MUSEU Para todos aqueles que  tenham memórias deste solo no nosso museu, esta é uma exposição a não perder.  40 anos depoi...