UM DELICIOSO TEXTO DE PORFIRIO DA SILVA
Decorria o mêz de Maio de mil oitocentos e cinquenta e dois, quando n’uma tarde, me resolvi a ir passear á quinta do Paço Episcopal dessa cidade de Castello Branco, para ali gozar da suavidade que esparge sobre a terra a amena estação da Primavera, que n’ esta região costuma muitas vezes vir áspera e destemperada. E com efeito, apezar de haverem aparecido desde o seu começo alguns dias frios, carrancudos e chuvosos, aquelle que escolhi para o meu passeio estava bello e ameno.
Alli, divulgando de rua em rua, eu ia aspirando a suave fragrância com que a Natureza nos deleita n’esta alegre e pomposa estação, e ouvindo ao mesmo tempo os gorgeios e trinados arrebatadores de inúmeros rouxinoes domiciliados nos gigantescos e frondosos loureiros que orlam a quinta.
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“Que bello quadro, disse eu comigo! Este passeio é bonito e deleitoso e nem por isso vejo agora aqui outra pessoa que o queira desfrutar! É por isso mesmo que estou só é esta uma boa ocasião para m’entregar sem distração à contemplação d’este bello sitio.
“Que bello quadro, disse eu comigo! Este passeio é bonito e deleitoso e nem por isso vejo agora aqui outra pessoa que o queira desfrutar! É por isso mesmo que estou só é esta uma boa ocasião para m’entregar sem distração à contemplação d’este bello sitio.
Esta peça não é obra d’agora: a sua edificação foi efeituada em outros tempos: e de certo que do o seu fundador só existe a memoria e as cinzas, porque, segundo ouço dizer, foi o digno Bispo D. Vicente Ferrer da Rocha quem mandara fazer esta quinta. Sem dúvida que o Paço Episcopal e seus logradouros é uma peça de merecimento, e a de maior valor que há n’esta cidade onde se diz haverem florecido muitas pessoas dignas de veneração por seu saber e virtudes.
Aquelle castello, que lá no alto em frente, já arruinado, campêa e domina estes sítios, é testemunha da existência d’esses distinctos varões que tiveram o ser e o berço n’esta antiga povoação. Oh! e que não tenha eu encontrado um documento que me diga as memoráveis épocas em que existiram esses heróis, e bem assim seus nomes para os admirar e contemplar!...
Vou desde já dar ordem a descobrir positivas noticias de todos eles, bem como de tudo quanto se torna de mais notável n’esta terra; e se a tanto minhas forças chegarem organizarei um opusculo em que narre resumidamente quanto lhe diz respeito”.
Castello Branco 27 de Maio de 1853.
Augusto Joaquim Porfírio da Silva
(Ps. O Texto está escrito tal como foi publicado em 1853).
A ALBICASTRENSE





