segunda-feira, abril 13, 2026

ALBICASTRENSES ILUSTRES

 LEONARDO NUNES

(14??-1569)

Formou-se em medicina e exerceu clinica em Castelo Branco. O primeiro documento que se lhe refere data de 17 de Julho de 1522, data em que designado por bacharel e residente em Castelo Branco, lhe é passada carta de físico e, autorizado por el-rei D. João III a curar em todos os seus reinos e senhorios. Por carta regia de 23 de Março de 1536 é nomeada físico da Casa da Suplicação, com o ordenado de 2400 reis por ano. Nesta carta e nas demais se lhe dá o titulo de licenciado. 
Foi também fidalgo da Casa Real e Cavaleiro da Ordem de Cristo, cujo hábito recebeu em Tomar a 19 de Dezembro de 1546.
Serviu a Casa de Bragança de que tinha 20.000 reis de tença, impondo-se à consideração de todos pelas suas qualidades profissionais e, tecendo-lhe os maiores elogios D. João. Conde de Redondo, numa carta datada de 1541, em que agradece a el-rei o ter-lhe enviado Leonardo Nunes, para o tratar e a sua família.
A ele se refere também o celebre Amato Lusitano, seu patrício, dizendo: “Leonhar dus Nuius est premios opud dignitates obtineat”.
A 4 de Maio de 1554 é nomeado fisico-mor do reino por falecimento de Mestre Diogo, tendo 4240 reais por ano de vestária e, mais tarde em 16 de Setembro de 1554 é designado para exercer interinamente as funções de cirurgião-mor do reino. 
Faleceu a 19 de Janeiro de 1569, devendo-lhe suceder no cargo de fisico-mor seu filho o Dr. Ambrósio Nunes, segundo um alvará de lembrança que se não cumpriu inteiramente, ficando porem a receber e tença de 80.000 reis, enquanto não fosse provido outro oficio que os valesse.
Foi casado com D. Leonor Coronel, filha de mestre Nicolau Coronel físico da Câmara de D. Manuel I, de que houve uma geração distintíssima.
Texto da autoria de: Manuel da Silva Castelo Branco
O ALBICASTRENSE

segunda-feira, abril 06, 2026

ALBICASTRENSES ILUSTRES

 JORGE BOINO

UM DESTEMIDO ALBICASTRENSE DO SÉCULO XVI

Filho de Vasco Boino, Cavaleiro Fidalgo da Casa Real, que se radicou em Castelo Branco nos finais de século XV: e cá viveu na rua que tomaria o seu nome, e casou com Ana Lopes (irmã de Pedro Lopes e ambos filhos de Lopo Alvares e de sua mulher Leonor Fernandes), da qual houve larga descendência… Como já vimos, foi nomeado capitão das ordenanças, em 1527, ficando a seu cargo (bem como ao capitão, Álvaro Cardoso) a Porta de S. Tiago e a R. João Afonso, assim como as Travessas da zona onde residia. Teve o foro da Cafº. Fid. C.R e, segundo o Dr. Miguel Achioli (L.F.) foi muito estimado em Castelo Branco, embora aqui se tenha envolvido em diversos conflitos, que lhe fizeram gastar bastante dinheiro e o levaram por vezes à prisão.
Assim. a) Estando já retido em casa sobre a sua menagem de fidalgo, por haver desrespeitado o almotace da vila, a cuja morada enviara um bacio com ossos, foi preso a 10.2.1533, em virtude de querela apresentada também contra ele pelo tabelião Francisco Trancoso… 
Na noite desse mesmo dia, fugiu da cadeia, “sem quebrar ferros ou derrubar paredes”, pois não o haviam acorrentado e achou a porta aberta, soltando-se das mãos do carcereiro, “ sem usar armas nem provocar ferimentos”… Por tais motivos e a seu pedido, o Rei perdoa-lhe a fugida (Évora, 19.3.1533).
No entanto, permanecia o caso da querela. Porém, invocando a sua qualidade de cavaleiro, obtém de D. João III uma carta de seguro, a fim de ser presente ao ouvidor de Castelo Branco e não ao de Tomar. Aquele remeteu-o ao juiz da vila, que o mandou recolher a casa sobre a dita menagem. 
Mais uma vez, não respeita tal determinação e a 20.10.1533, “vindo do mosteiro de N. Sr. Da Graça”, dá de caras com o ouvidor que, admirado de o ver andar livremente pela vila, disse a Gaspar Rodrigues, homem do meirinho, para o conduzir à cadeia. Isto é demais para o nosso cavaleiro que, sentindo-se “agravado na sua honra e privilégios”, conseguiu soltar-se das mãos do próprio ouvidor (nas quais deixou um pedaço do seu gabão) e, sem desembainhar a espada nem enfrentar os perseguidores, refugiou-se na igreja… Enfim, o rei perdoa-lhe, também a seu pedido, o caso da querela, por carta feita em Évora, a 26.11.1533.
b) Entretanto, vai servir na guerra contra os mouros, permanecendo durante dois anos na Praça de Azamor. Por tal motivo recebe o hábito de cavaleiro professo na Ordem de Cristo, em 30.4.1545; e, no mesmo ano, a 3 de Julho, D. João III estando em Évora, concede-lhe a comenda de S. Miguel de Rio de Moinhos, no bispado de Viseu.
c) Mas não findam por aqui as “desventuras” de Jorge Boino. No ano de 1545 houve em Castelo Branco dois levantamentos populares (uniões ou voltas, como então se chamavam) contra as forças da fortaleza comandadas pelo alcaide-mor D. Fernando Meneses: o primeiro, em dia de S. João (24 de Junho) alvoraçou a maior parte da vila contra Luís de Mendonça cunhado do dito alcaide-mor, que pretendia levar um touro da boiada do concelho, no segundo, em dia da Visitação de Sta. Isabel (2 de Julho) interveio o próprio D. Fernando, que viera acudir a um arruído desencadeado por criados seus, mas os opositores mostraram espírito tão aguerrido que obrigaram-no a recolher ao castelo.
Intervieram as justiças, houve prisões e mesmo degredos, não só para fora da vila como para o Brasil. Porém, tanto D. Fernando de Meneses como Luís de Mendonça acabaram por perdoar, facilitando assim o perdão real… Ora, entre os intervenientes no último movimento esteve um Bastião, escravo de Jorge Boino, acusado de brandir uma espada (mas, sem ferir ou matar ninguém) e bradar. “Adiante! Adiante!”.
Nesta acção, quiseram alguns envolver o próprio Jorge Boino, por haver ajudado o seu criado, tirando-o da igreja onde se havia refugiado… O rei intervém novamente e, concede-lhe perdão em Santarém, a 20.10.1550 (e por carta feita a 20.2.1551).
d) Igualmente, por carta dada em Lisboa, a 10.10.1550 (e feita em Almeirim, a 19.12.1550), o mesmo rei perdoava a António Vaz Frazão, que naquele ano brigara em Castelo Branco como o “nosso” Jorge Boino, acutilando-o num braço e no rosto, ou mais precisamente, “no beiço de baixo, que desce até à ponta das barbas”. 
António Vaz fora condenado a um ano de degredo, com pregão em audiência, mas consegui livrar-se por haver servido em Ceuro e Mazagão e, visto o perdão de Jorge Boino, que não ficara aleijado nem com qualquer deformidade.
Depois do que encontrei sobre Jorge Boino, confesso que fiquei curioso sobre este homem, vou tentar encontrar mais dados sobre ele.
Recolha de dados: “A Beira Baixa Na Expansão Ultramarina”, da autoria de Joaquim Candeias Silva e Manuel da Silva Castelo Branco.
O Albicastrense

sexta-feira, abril 03, 2026

BAIRRO DO BARROCAL

                                      UM BAIRRO ENVELHECIDO
Em março de 2022 visitei o Bairro do Barrocal, local onde na altura captei algumas imagens, voltei hoje lá para ver como  o bairro estava. Quatro anos depois, o bairro está ainda mais envelhecido e abandonado. Tenho para mim, que bairros como o bairro do Barrocal e do Disco, deveriam ser locais de boa vivencia, contudo pouco a pouco, eles vão perdendo moradores, tornando-se locais sem vida. Haverá solução para evitar a morte lenta deste tipo de bairros? 
  





O ALBICASTRENSE

domingo, março 29, 2026

TOPONÍMIA ALBICASTRENSE NO SÉCULO XVI - (XIV - Última)

        MANUEL DA SILVA CASTELO BRANCO 

SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DA TOPONÍMIA
 ALBICASTRENSE DO SÉCULO XV.
(ÚLTIMA)



                                                                O ALBICASTRENSE
 

terça-feira, março 24, 2026

A TASCA DA DONA EUGÉNIA

MEMÓRIAS DA TASCA DA DONA EUGÉNIA

A Tasca da Dona Eugénia situada no largo da Senhora da Piedade, fechou portas no final de 2025. O principal pitéu que se podia comer na tasca, eram duas boas sardinhas assadas dentro de duas fatias de pão. Muitas e muitas vezes, ali fui comer este delicioso pitéu com o meu irmão António. As imagens desta publicação, recolhidas por mim em 2011, ficarão para todo o sempre como recordação de um local, onde muitos e muitos albicastrense se deliciaram papando algumas sardinhas assadas.  


     
O ALBICASTRENSE

sábado, março 21, 2026

MUSEU ACADÉMICO

NA TRAVESSA DA RUA NOVA FOI INAUGURADO 
O NOVO MUSEU ACADÉMICO DA TERRA ALBICASTRENSE
------------------------------------------ 
VIDA LONGA É O QUE LHE DESEJA ESTE ALBICASTRENSE, POIS O SEU ANTECESSOR, FECHOU PORTAS RAPIDAMENTE.
O ALBICASTRENSE

quarta-feira, março 18, 2026

TOPONÍMIA ALBICASTRENSE NO SÉCULO XVI - (XIII)

 MANUEL DA SILVA CASTELO BRANCO 

SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DA TOPONÍMIA
 ALBICASTRENSE DO SÉCULO XV.
(CONTINUAÇÃO)

(Continua)
O ALBICASTRENSE

ALBICASTRENSES ILUSTRES

  LEONARDO NUNES (14??-1569) Formou-se em medicina e exerceu clinica em Castelo Branco. O primeiro documento que se lhe refere data de 17 de...