sexta-feira, agosto 31, 2018

TOPONÍMIA ALBICASTRENSE

 ZONA HISTÓRICA
Todas as ruas travessas, becos e calejas da zona histórica da cidade, adentro da cerca medieval, tinham a sua denominação, umas vezes ligadas aos artesãos que nelas se concentravam, como a dos Ferreiros, dos Oleiros e dos Peleteiros, outras a atividade nelas exercidas, como o largo da Praça ou a rua do Mercado e dos Lagares, e outras ainda à própria muralha, como a rua do Muro ou a aberturas nela existente, como a do Postiguinho de Valadares e a do Postigo.
Havia ainda as alusivas a antiga residência ou poiso de entidades ou corporações de importância assinalável, como a rua do Bispo e a do Cavaleiro.
A dos Chões parece indicar a proximidade pequenas propriedades muradas, a do Poço das Covas a existência nela de um manancial de agua, e a da Sobreiro teria assinalada a presença de tal espécie e a do Arressário por se situar em lugar alto. Para outras não encontrei justificação real ou provável, como seja a do Caclé (ou Caquelé?), a das Cabeças, a dos Passarinhos e a D`Ega. A designação da rua do Saco dá bem a entender que se tratava de um beco.
(Continua)
Ps. Texto retirado do livro, "Castelo Branco, Um Século
  na Vida da Cidade", da autoria de, Manuel A. de Morais Martins 
O Albicastrense

terça-feira, agosto 28, 2018

RUAS DA NOSSA ZONA HISTÓRICA

RUA DO SACO
Esta rua situada nas traseiras do antigo governo civil, não deixa de ser uma das mais interessantes ruas da zona histórica da terra albicastrense. 
Esta pequena rua, curta estreita e sem saída, sustenta três portados quinhentistas e uma casa em ruínas.
O porquê do nome de Rua do Saco não consegui descobrir, porém, na nossa zona histórica existiu em tempos remotos uma rua com este mesmo nome, tenho para mim que quem a batizou, pretendeu perpetuar na memória dos albicastrenses, o nome da antiga rua do Saco?
ANTIGA RUA DO SACO
No livro: “O Programa Polis em Castelo Branco – Álbum Fotográfico” da autoria de António Silveira, Leonel Azevedo e Pedro Quintela d’ Oliveira encontrei alguns dados sobre a antiga rua do Saco. 
“A designação toponímica desta artéria deve-se, muito provavelmente, à sua configuração específica - abre em ângulo recto a partir da fachada lateral da antiga biblioteca municipal, (Praça Camões), e não tem qualquer saída, formando um L invertido, por esta razão assemelha-se a um saco, dai a sua dominação. 
Este arruamento pertence, provavelmente ao século XVI, embora o registo documental mais antigo remonte a um processo inquisitorial de 1628. 
Esta artéria desviou o curso normal da sua história, como espaço público, quando um vereador em exercício, António César de Abrunhosa, requereu em 1890 a supressão do beco denominado rua do Saco (…) no sitio em que uma das suas casas confina com o edifício dos Paços do Concelho. 
Na origem deste pedido está a aquisição de todos os prédios com servidão desse local, pelo conhecido comerciante da praça albicastrense. A Câmara discutiu o assunto e aceitou a perdição. 
Em 1927 o espaço passou de vez para a posse da família Abrunhosa, com a autorização dada pela nossa autarquia para a instalação de um portão na entrada da velha rua”.
Nota Veríssimo Bispo:
Em 2012 os responsáveis pela nossa autarquia voltaram a adquirir a antiga rua do Saco e iniciaram obras de requalificação na velha rua.
 Em 2013 houve fanfarra e foguetes na sua inauguração, (campanha eleitoral autárquica), porém, foi tudo para o inglês ver, pois, no dia seguinte fecharam o portão que dá acesso à pobrezinha e ainda hoje os albicastrenses não põem lá os pés. 

Ps. Resta acrescentar que nesta rua, terá nascido um dos mais ilustres Albicastrenses de sempre.
Segundo J. D. Porfírio Silva no seu livro.”Memorial Cronológico e Descritivo Da Cidade de Castelo Branco” editado em 1838, consta o seguinte sobre esta rua: “O Cardeal da Mota, que nasceu na rua do Saco em umas casas próximas ao celeiro da comenda, aos 4 de Agosto de 1685”.
 O Albicastrense

sexta-feira, agosto 24, 2018

DOCAS OU DEVESA?

A NOSSA  DEVESA 

A questão que aqui deixo só pode ser uma:

"Docas 
ou 
Devesa"?


Uns chama-lhe Docas, outros insistem em chamar-lhe Devesa.

Eu, 
em quando
por cá andar, 
direi sempre bem alto:

DEVESA SEMPRE!
                          
Ps. Comentar esta questão é sinal de amor pela terra onde está ou onde nasceu, como acredito que ama a terra albicastrense, deixe aqui a sua opinião.  
                                                      O Albicastrense   

quarta-feira, agosto 22, 2018

ESTABELECIMENTOS DA NOSSA ZONA HISTÓRICA - (II)

   

RESISTENTES DA NOSSA ZONA HISTÓRICA  

Numa das minhas visitas à nossa Zona Histórica, dei comigo a enumerar os últimos estabelecimentos que ainda por lá habitam.
Se encararmos a nossa zona histórica a partir da rua dos Ferreiros, largo de Camões e rua de Santa Maria, os estabelecimentos resistentes podem contar-se com os dedos de uma só mão, e ainda nos ficam a sobrar dedos.                         

"O SEGUNDO DOS RESISTENTES" 
ALMA DAS GENTE
(ATELIER DE CONSERVAÇÃO E RESTAURO DE TÊXTEIS)

O atelier "Alma das Gentes", está  situado no inicio da rua de Santa Maria para quem entra nela, pelo largo do Espírito Santo. 
Abriu portas neste local em 2014, contudo, já tinha sido inaugurado em 2008 no edifício do Mercado Municipal. O atelier de conservação e restauro de têxteis pertencente a Sandra Carvalho, bem podia ser um exemplo para muitos, todavia, quatro anos depois da sua abertura, continua a ser uma exceção num deserto que não quer deixar de o ser.
O Albicastrense

sexta-feira, agosto 17, 2018

ACTA CAMARÁRIA DE 1655

E logo na ditta Camara deu lee bernardo do vale porteiro da Camara que hu dos escriptos que se fiseram em ela naforma que he costume nesta Camara das pessoas nobres desta vila que hão-de levar as varas dopalio na prosissão docorpo de deus as quais pesoas secostumão fazer escriptos nesta Camara asinados pelos officiais dela e fechados com o pobre escripto do nome dapesoa que hade levar se lhe manda pelo mordomo da vara eporteiro da Camara enesta confirmidade elles dittos officiais da Camara fizerão escriptos que entre elles herão oe três vreadores do anno pasado como he costume eas outras três pesoas que são eleitas hera Manoel de valadares Sotto mayor e João Teles capitão ordenansa vreador que tem sido nesta vila pesoa em quem comcorrem os requesitos nesessarios pêra tal auto easim foi também eleito pera ele Manoel defonseca coutinho aquem se mandou hu escripto desta Camara na conformidade Relalada pelo mordomo da vara porteiro da Camara como se he costume e ele não quis aseitar no que fes grave ofensa aesta Camara esuposto que logo se podia porseder na forma que o caso pedia com tudo seasentou nesta Camara oera mayor sastifasão que o o meirinho manoel Ribeiro com hu escrivão levase o escripto ao ditto Manoel defonseca Coutinho pêra levar hua vara na prosisão do corpo de deos na confirmidade que esta ordenado enão oquerendo aseitar nem levar aditta vara oditto meirinho oprendera emsua casa eo escrivão o notificara que não saya dela sem ordem desua magestade esaindo será preso na cadeia desta vila ate a Camara avisar a sua magestade que mandara oque for servido”.

Comentário de António Rodrigues Cardoso autor de: "Castelo Branco na sua vida Municipal": Não se fazia então por menos. Um cidadão era convidado pele Câmara para pegar a uma vara do palio na procissão do Corpo de Deus e recusava-se ou não aceitava a carta de convite, (o escrito, como diz a carta) o que vinha a ser a mesma coisa?
Grave ofensa, que podia ser logo completamente punida, mas, no caso como o convidado era nobre, “pêra mayor satisfasão" mandava-se-lhe de novo fazer entrega da carta por meirinho acompanhado de um escrivão. Preso em casa e notificado para não sair dela sem ordem de El-Rei.
A procissão do Corpo de Deus era considerada um acto oficial, intervinham nela as autoridades, os convites, os escriptos, eram ordens e a estas não se desobedecia então com facilidade com que hoje se desobedece. 
PS. A acta está escrita tal como foi publicada em 1655.
O Albicastrense

segunda-feira, agosto 13, 2018

RUA DAS OLARIAS



Em 2008 durante as obras da rua das Olarias publiquei aqui um poste com estas imagens. 

Ao rever as minhas velhas imagens, pensei que talvez fosse interessante voltar a posta-las  10 anos depois.

                                   

O que foi feito, feito está, como se costuma dizer, porem, ao olhar para a imagem onde coloquei parte da muralha da velha urbe albicastrense, não pude deixar de sorrir e dizer a mim próprio:
" Veríssimo, este local tinha ficado muito mais bonito assim".



 Ficam as imagens para quem quiser  recordar como era a rua dos Oleiros em 2008, ou para quem quiser comentar o que era, o que ficou, ou como poderia ter ficado a referida zona.

O Albicastrense

sábado, agosto 11, 2018

ESTABELECIMENTOS DA NOSSA ZONA HISTÓRICA - (I)


RESISTENTES DA NOSSA
 ZONA HISTÓRICA 

Numa das minhas visitas à nossa Zona Histórica, dei comigo a enumerar os últimos estabelecimentos que ainda por lá habitam.

Se encararmos a nossa zona histórica a partir da rua dos Ferreiros, largo de Camões e rua de Santa Maria, os estabelecimentos resistentes podem contar-se com os dedos de uma só mão, e ainda nos ficam a sobrar dedos.
                   O PRIMEIRO DOS RESISTENTES
Hoje, estou a postar imagens de um desses resistentes. O pequeno Bar cujo nome nos transporta para os filmes de cowboys, está localizado na rua de Santa Maria (junto ao Centro Artístico Albicastrense).
Este pequeno Bar merece inteiramente que quem for visitar a nossa zona histórica, lhe faça uma visita para beber uma cerveja ou um cafezito.
O Albicastrense

quarta-feira, agosto 08, 2018

CHAFARIZES DA TERRA ALBICASTRENSE - Chafariz da Granja

                          
Encontra-se ao poente da cidade, na antiga Granja dos Castelos que pertencera à extinta Casa do Infantado.
É constituído por um muro de alvenaria de forma curvilínea dividido em três painéis por duas pilastras. 
O painel central, onde encosta um tanque de cantaria que recebe a água de duas bocas com tubos circulares, é mais alto do que os laterais e nele figuram, em releve, as armas nacionais da época do Rei D. Luís e uma lápide com a seguinte inscrição: "Obras Publicas 1874". 
Aos painéis laterais estão adjacentes dois bancos de cantaria apoiados em quatro cachorros. O capeamento do muro é formado por caprichosas volutas de granito. A nascente que abastece, este chafariz, tem um caudal razoável, água que porém não é bacteriologicamente pura. O texto que acabou de ler, é da autoria de Manuel Tavares dos Santos e foi publicado no seu livro: “Castelo Branco na Historia e na Arte” editado em 1958. 

PS. A imagem principal deste poste, foi captada quando  da recuperação deste chafariz no último mandato de Joaquim Morão. Infelizmente parece que depois de recuperar seja o que for na terra albicastrense, os responsáveis  pela nossa autarquia se esquecem que é necessário manter vigilância aos mesmos, para que  não se caia novamente no abandono.
                                                 O Albicastrense                 

quinta-feira, agosto 02, 2018

ZONA HISTÓRICA DA TERRA ALBICASTRENSE



UM PRÉDIO REABILITADO
MAS
MUITO POUCO UTILIZADO

As imagens que estão neste poste, referem-se a um prédio recuperado pela nossa autarquia na rua de Santa Maria no mandato de Joaquim Morão.
O prédio foi no passado, sede da antiga mocidade Portuguesa, organização a que os jovens portugueses de então, eram obrigados a pertencer e a frequentar.
Ou seja, a nossa autarquia comprou o imóvel, restaurou o dito cujo, alugou o primeiro andar para habitação e o rés-do-chão para ali funcionar uma galeria.
Até aqui tudo bem, ou muito bem se quisermos!
O pior vem a seguir: a galeria foi-se num abrir e fechar de olhos e deste então, o espaço está aos ratos  e às moscas, como aliás se pode ver nas imagens aqui postadas.

A pergunta que aqui faço ao nosso
presidente Luís Correia, só
 pode ser uma:

Senhor presidente, a recuperação de velhos prédios na nossa zona histórica é quase uma extravagância, raridade que quando acontece bem podia ser motivo para lançamento de foguetes, porem, recuperar este belo edifício e deixa-lo ao abandono depois de um aluguer menos conseguido, é sinal de burrice e de incompetência para quem tem a responsabilidade de resolver este tipo de situações.      
 Se os responsáveis por resolver este tipo de situações na nossa autarquia estão sem pensamento para o futuro deste espaço, proponho desde já, que se lance um concurso de ideias para o seu aproveitamento, estou convicto que em pouco tempo ele estará ao serviço da terra albicastrense.
O Albicastrense

O AMOR E A MORTE... NOS ANTIGOS REGISTOS PAROQUIAIS ALBICASTRENSES – (17)

Por Manuel da Silva Castelo Branco XIII - QUANDO A GUERRA BATE À PORTA.  II Parte - A Guerra da Sucessão de Espanha (1704).    Nos seis Ass...