segunda-feira, fevereiro 12, 2018

MEMÓRIAS DO BLOGUE - (X)

ALCAIDES – MORES DE CASTELO BRANCO
Por. Manuel da Silva Castelo Branco

Os alcaides, cuja designação de proveniência árabe significa “
O capitão” foram simultaneamente criados com o Reino, e tinham vastos poderes, de carácter jurídico, militar e administrativo.
Designavam-se alcaides-mores e protetores, quando superintendiam também à justiça civil.
As suas atribuições, porem foram-se reduzindo gradualmente, até acabarem por ficar somente com o encargo de governadores das fortalezas e castelos. Além dos alcaides-mores havia os pequenos ou alcaides, que lhe serviam de auxiliares, os substituíam nas ausências e estavam, por vezes, na dependência do concelho municipal.
Em Castelo Branco temos notícia da sua existência, logo a partir da doação que Fernão Sanches fez á Ordem do Templo, de Vila Franca da Cardosa, “que he Castelbranco”, de “ametade en sua vida e outra ametade per sua morte”, pela carta dada em Santarém ao 4 Idus Martii de 1220, era de César (1182), e onde se lê:..
Ego etiem debeo habere Alcaidaria de vestra medietate ipsius villae…” (in Comendas da O. Xº).
O primeiro foral, dado pelo Mestre dos Templários, D. Pedro de Alvito, a 12/3/1213, no reinado de D. Afonso II, vem também assinado por Fr. Str. Plair, Domnus Str. Albo e Domnus Stefanus, respectivamente, Comendador, pretor e alcaide de Castelo Branco.
Alguns anos mais tarde uma carta de doação de 1226 feita aos Templários, da vila da Lardosa, lugares da Lousa, Escalos e outras fazendas em Castelo Novo. Silvares e seus termos, encontramos mais uma vez referência ao “Comendador, pretor, alcaides e, em particular, a Petrus de Veiga, alcaldus Castelliblanchi”.
Sendo já Castelo Branco, uma apreciável e importante povoação em 1229, D. Simão Mendes, Mestre do Templo, mandou edificar no castelo um palácio destinado aos Comendadores da Ordem, o qual se transformaria ulteriormente na residência dos alcaides-mores.
Quando a Ordem dos Templários foi extinta em todo o mundo católico, em 1311, D. Diniz a fim de evitar que Roma tomasse conta das grandes riquezas. Institui A Ordem de Cristo, a que ficaram pertencendo todos aquele bens e, assim Castelo Branco passou a ser Comenda da Ordem de Cristo (1319).
                                                        O Albicastrense

quinta-feira, fevereiro 08, 2018

UM BELÍSSIMO PORTADO QUINHENTISTA

                            RUA DO ARRESSÁRIO
O portado quinhentista aqui postado, é sem qualquer dúvida, um dos mais belos da terra albicastrense, no entanto, a casa que o ostenta está ao abandono à muitos anos.
A pergunta que aqui deixo a quem comanda a terra albicastrense só pode ser uma: 
Não deveria este portado ter sobre si, uma casa arranjadinha e com pessoas a viver dentro dela?
A criação da rota dos portados quinhentistas da terra albicastrenses, foi uma excelente ideia, porém, ir visitar os portados e vê-los em casas vazias e em ruínas, faz doer-nos o coração.
A quem de direito só posso pedir que se tomem medidas para dar os pobres desventurados, casas que os enobreçam.
                                                  O Albicastrense

domingo, fevereiro 04, 2018

CASTELO DOS TEMPLÁRIOS – (VII - último)

CASTELO BRANCO NA HISTÓRIA E NA ARTE
(Continuação)
O terreno do parque do castelo foi cedido á Câmara pelo Governo, por portaria de 19 de Novembro de 1852, para nele se fazer um cemitério: tendo prevalecido o bom senso, não chegou a efectivar-se esse absurdo projeto.
No mesmo local foi construído em 1867, um edifício que se destinava a liceu mas que veio a ser utilizado para escola do magistério primário, e em 1919 foi ali instalado um posto radiotelegráfico do Exercito.
Foi no seculo XIX, portanto, que o vandalismo dos albicastrenses, acoberto pela complacência e pela indiferença das entidades oficiais promoveu a destruição inexorável das suas relíquias históricas que, se hoje existissem, constituiriam uma valiosa e interessante curiosidade para os forasteiros numa cidade em que não abundam as preciosidades artísticas nem as edificações monumentais.
Os agentes atmosféricos também contribuíram para a ruína do velho castelo dos Templários.
Uma violente tempestade que se desencadeou na noite de 15 de Novembro de 1852 fez desabar algumas paredes da alcáçova e desmoronar a Porta da Vila.
No princípio do ano de 1936 as chuvas torrenciais causaram a derrocada da última torre que restava do castelo no ângulo Nascente-Norte.
Foi feita, pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, em 1940, a reconstrução dessa torre. 
Não se fez, todavia, como era mister, um estudo prévio da reconstrução e a cidade assistiu indiferente a mais uma mutilação da sua velha fortaleza: impensadamente considerada uma excrescência, não obstante ser coeva da fundação do castelo, foi totalmente demolida a antiga alcáçova, da qual ainda se podiam ver, em 1939, umas casas de silharia ostentando na fachada principal duas janelas góticas geminadas e uma porta do mesmo estilo.
E assim foi implacavelmente restringida e umas pungentes ruínas, pelos impios iconoclastas indigentes com a cooperação das entidades oficiais e dos agentes meteórico, uma das veneradas fortalezas que os Templários erigiram, para defesa da Fé e da independência da Pátria. 
FIM. 
Recolha de dados:CASTELO BRANCO NA HISTÓRIA E NA ARTE – (1956)”. Autoria de Manuel Tavares dos Santos
                                                 O Albicastrense

sexta-feira, fevereiro 02, 2018

A MINHA INDIGNAÇÃO

  A MINHA PENSÃO DE REFORMA 
Quando no final do ano de 2017, ouvi o Primeiro-ministro afirmar que os aumentos para reformados e aposentados iria ser equivalente à inflação de 2017 (cerca de 1,6), os meus velhos neurónios cogitaram de imediato: “Veríssimo vais finalmente ver a tua reforma aumentada (a mesma não é aumentada à vários anos)”.
Fiz contas e constatei que o aumento seria aproximadamente de 14 euros. Mais uma vez os meus velhos neurónio matutaram: “É melhor que nada”.
No dia 19 de Janeiro ao receber a minha pensão, verifico que afinal o aumento tinha resultado numa diminuição do que recebia até então, ou seja, com os 14 euros de aumento passei a descontar para IRS 5,5% mensalmente, em vez dos 3% que descontava.
Trocando por miúdos. Recebi 14,58 de aumento e passei a pagar de IRS todos os meses, 45 euros em vez dos 24 que descontava, ou seja, tive uma reforma aumentada em 14 euros, e abaixada em 24, em virtude do aumento do IRS.
Perante tal descaramento, este albicastrense só pode dizer ao Senhor Primeiro-ministro e ministro Mário Centeno, que este aumento se transformou num embuste vergonhoso e improprio, de um governo que muito sinceramente não esperava. 
E por aqui me fico, pois não pretendo descambar e começar a chamar nomes aos autores da redução da minha pensão de  aposentação.
O Albicastrense

quarta-feira, janeiro 31, 2018

CASTELO DOS TEMPLÁRIOS - VI

CASTELO BRANCO NA HISTÓRIA E NA ARTE
(Continuação)
O castelo com o seu palácio e a muralha mantiveram-se quase intactos durante mais umas dezenas de anos.
Porém na primeira metade do século XIX, em que a cidade foi conturbada pela Guerra Peninsular e pelas pugnas politicas, os seu habitantes empreenderam a demolição do velho baluarte, com o objetivo de utilizar a pedra nas construções particulares.
Para tanto obtiveram o assentimento das autoridades a quem competia velar pela conservação dos monumentos históricos.
Nessa época, que foi a mais nefasta da sua história, a cidade foi vítima das vicissitudes das guerras e das perturbações da ordem pública e, como se não bastassem essas calamidades, foi levada a efeito a destruição sistemática da majestosa fortaleza medieval.
Em 1821, num requerimento que um capitão secretário das armas da província, fez ao rei para tirar pedra da muralha e com ela edificar uma casa junto da porta do Espírito Santo. A Câmara informou que achava justo o deferimento contanto que não fosse tirada das muralhas ocupadas por particulares e que também achava conveniente que a pedra se consumisse em obras que tinham por fim aumentar a cidade.
Por portaria de 17 de Julho de 1835, o Ministério da Guerra, satisfazendo um pedido da Câmara Municipal, concedeu-lhe licença “para se apearem os arcos das muralhas da cidade e ser empregada a pedra em obras de manifesta utilidade pública”.
Em 21 de Outubro do mesmo ano, aquele departamento do estado determinou, numa nova portaria, que se desse imediato cumprimento á primeira.
Ordenou também o Governo, por portaria de 9 de Março de 1839, que fosse vendida parte da pedra das paredes do castelo e, por outra de 20 de março do mesmo ano, que se vendesse a telha e os madeiramentos!
(continua) 
Recolha de dados: “CASTELO BRANCO NA HISTÓRIA E NA ARTE - (1958)”.
Da autoria de Manuel Tavares dos Santos
O Albicastrense

sábado, janeiro 27, 2018

CASTELO DOS TEMPLÁRIOS – (V)

  CASTELO BRANCO 
NA 
HISTÓRIA E NA ARTE
 
FANTÁSTICO PALÁCIO DOS  COMENDADORES
 DA
 VILA DE CASTELO BRANCO
 
(Continuação)
A Casa do Infantado foi fundada pelo Rei D. João IV, por alvará de 11 de Agosto de 1644, para ser desfrutada pelo filho segundo dos reis de Portugal e nela ingressaram os bens confiscados aos fidalgos que se bandearam com a Espanha durante as guerras da Restauração.
O palácio do castelo foi também incorporado nesses bens. Em 1791 a Rainha D. Maria I uniu a Comenda de Alcains à de Castelo Branco da qual era donatário o Príncipe do Brasil. Pela leitura do auto lavrado em 1753, do qual se faz uma transcrição integral por se julgar interessante pela exuberância, pode fazer-se uma ideia do antigo palácio sabendo-se que uma vara equivalia ao comprimento de 1.099, isto é, a 5 palmos de 0,2198. 
“Medição e descrição do palácio dos comendadores de Santa Maria do Castelo da vila de Castelo Branco.
Está o dito palácio fundado dentro do castelo da dita vila sobre um monte em cujas faldas, para a parte nascente, está situada a vila de castelo Branco. Entrando pela porta principal da muralha do dito castelo, fica à mão direita junto da capela-mor da igreja de Santa Maria a porta principal do palácio, que é de pedra de cantaria, e as suas portas de madeira chapeadas de ferro, tem a dita porta de altura 3 varas, e de largura 2 e meia, e à entrada desta está um pátio que tem de comprimento 25 varas e 4 palmos, e de largo 15 varas e 4 palmos; à mão direita da entrada do dito pátio está um quarto com balcão para onde se sobe por uma escada de pedra, de 12 degraus, e tem o dito quarto duas portas em cima do dito balcão, duas janelas na sua parede que caiem sobre o pátio; e para a parte da vila tem viradas 3 janelas; era o dito quarto uma sala grande, e se acha ao presente dividida em 4 quartos, dois são de telha vã, e os outros forrados de madeira.
Há debaixo do dito balcão um arco de pedra por onde se entra para a loja que serve de cavalariça, e tem todo o dito quarto de comprimento 18 varas e 2 palmos, e de largo 6 varas e 1 palmo.

Há no dito pátio um jardim cercado de pedra de cantaria de almofadas, que tem de largo 7 varas e 4 palmos, e de comprimento 9 varas e meia; tem algumas árvores de espinho, e à roda seus jasmineiros. Fica o dito jardim debaixo da galeria que o dito palácio tem sobre o dito pátio, que consta de 4 janelas rasgadas.
À parte esquerda da entrada do dito pátio está uma cisterna com suas guardas de pedra de cantaria, e por esta mesma parte cerca o dito pátio uma parede em que está uma porta que vai para uma cerca detrás da igreja de Santa Maria, que tem de circunferência 152 varas e 4 palmos, e fica toda tapada com a parede da dita igreja pela parte por onde se entrava para a tribuna que os comendadores tinham na mesma, e com a muralha. Dentro da dita cerca estão umas casas térreas, que serviam antigamente de armazém para o tesouro e munições de guerra: estão ao presente quase arruinadas, tem duas portas para a cerca, e de comprimento 19 varas e 4 palmos, e de largo 4 varas.
Por cima da porta da cerca há um patim de cantaria, do qual se sob para a escada principal da pátio, que tem 26 degraus de pedra; e no cimo da dita escada, está outro patim coberto de forro de madeira, sustenta-se sobre 3 colunas. 
Na entrada há uma porta de 9 palmos de alto e 7 de largo por onde se entra para um recebimento lajeado de pedra sobre a abobada, que antigamente era descoberto, e consta que servia de cisterna, que tem 4 varas de comprido e 3 de largo, no qual estão duas portas, e se desce pela da esquerda por uma escada de pau para uma casa térrea em  que está uma chaminé e um forno; e pela outra porta se entra para a sala da espera do palácio, que tem duas janelas, uma de assentos e outra rasgada viradas para o nascente, e uma chaminé, tendo de comprimento 10 varas, e 5 de largo.
Há nesta sala mais três portas, por uma das quais se entra para um quarto que tem uma janela rasgada sobre o pátio; e deste quarto há uma porta para outro que tem uma janela rasgada, e por ali se entra por uma porta para um outro quarto com sua janela, e tem este 5 varas de comprimento, e 3 e 2 palmos de largo.
Pela porta que está no canto da dita sala de espera, se entra para uma outra sala com sua janela para o norte, tendo de comprimento 6 varas e meia, e 5 e 4 palmos de largo. Tem esta duas portas, uma à direita, que dá entrada para o ultimo quarto, e outra para a ultima sala com duas janelas, uma para o norte e outra para o nascente, e uma chaminé, tendo 8 varas e meia de comprimento e 5 de largo; e havendo ainda outra porta por onde se entra para um quarto ladrilhado de tijolo, que tem 5 varas de comprido e outras 5 de largo.
 Há no dito quarto três portas que dão entrada, uma para a cozinha, que tem 6 varas de comprimento é 5 de largo, outra que dá saída para a varanda do palácio, da parte do nascente, que é ladrilhada de tijolo com sua guarda de parede pela dianteira, e pelos lados tem seus alegretes para flores, tendo de comprimento 14 varas e 4 palmos, e de largo 4 ditas.
Estão os três quartos de que se fez menção formados sobre três arcos de pedra, que estão ao presente tapados, á exceção de um, pelo qual se entra ficando á mão esquerda um portado que dá entrada para uma casa que fica debaixo do primeiro recebimento do palácio que é de abobada.
Defronte do dito arco está um portado de cantaria lavrada, grande e magnífico, por onde se entra para uma sala que fica debaixo da de espera, que é toda ladrilhada, e no meio tem um florão de azulejo, tendo de comprido 10 varas e 2 palmos, e de largo quatro varas e dois palmos; e nesta sala está uma porta para o norte, por onde se sai para um passeio ladrilhado de pedra miúda e cercada de parede com seus alegretes de roda, pelo que mostra que foi jardim, o qual tem de comprido 12 varas e de largo 5.
No cimo da dita sala à direita da sua entrada está outra porta por onde se entra para uma loja, que serve ao presente de tulha; e defronte da casa de abobada há outra porta por baixo de um arco por onde se entra para a tulha do azeite.
As paredes do palácio são todas mais altas do que os seus telhados, e todas cercadas de ameias que forma a perspetiva da torre da muralha.
Na forma referida é que está o sobre dito palácio e todo está suficientemente reparado sem ameaçar em parte alguma ruína”.
Acentua-se que, em Outubro de 1753, a antiga alcáçova ainda se encontrava em ótimo estado de conservação.
(continua)
Recolha de dados: “CASTELO BRANCO NA HISTÓRIA E NA ARTE”.
Da autoria de Manuel Tavares dos Santos
O Albicastrense

quarta-feira, janeiro 24, 2018

CASTELO DOS TEMPLÁRIOS – (IV)

 
CASTELO BRANCO NA HISTÓRIA E NA ARTE
 (Continuação)
Para facilitar a entrada e a saída da população, sempre crescente, foram mais tarde abertas, na muralha, mas três portas; a do Relógio, dando entrada para a Rua do mesmo nome;Postigo, dando acesso à Rua do Poço das Covas; e o Postiguinho de Valadares, cuja designação se mantém numa travessa que liga o Largo da Sé com a Rua dos Peleteiros.
No primeiro quartel do século XIX foi praticada, na muralha, ao Norte da Igreja da Misericórdia Velha que é atualmente da invocação de Santo António, mais uma abertura para dar acesso à quelha denominada Barbacã do Norte.
O vetusto castelo, com as sete torres das quais sobressaia a de menagem e a muralha poligonal, que cingia a povoação, com as suas onze portas providas de vigias e seteiras, eram construídas de silhares de granito e constituíam um fortíssimo propugnáculo de especto imponente, majestoso.
 O adarve, com os seus parapeitos e palanques apoiados em consolas e cachorros, formava uma dupla fila de ameias em toda a extensão da muralha.
 A torre situada no ângulo Nascente-Norte do castelo, da qual se vêm ainda umas paredes com janelas góticas geminadas, fazia parte da alcáçova que foi residência dos alcaides e comendadores das Ordens do Templo e de Cristo.
As janelas e portas da parte desaparecida da alcáçova eram também talhadas no estilo gótico característico da época da fundação do castelo.
No livro do Tombo da Comenda figura um auto de mediação e descrição da antiga alcáçova, lavrado em 16 de Outubro de 1753, data em que foi feito um inventário dos bens sa extinta Casa do Infantado pelo juiz do Tombo Manuel Tavares Falcão.
(continua)
Recolha de dados: “CASTELO BRANCO NA HISTÓRIA E NA ARTE - (1958)”.
Da autoria de, Manuel Tavares dos Santos
O Albicastrense

ALCAIDES - MORES DE CASTELO BRANCO - (i)

  MAIS UMA VEZ VOU PUBLICAR UM FANTÁSTICO TRABALHO DE MANUEL DA SILVA CASTELO BRANCO.  😀 😁 😇 😉 😊 O trabalho será publicado em quatro ...