quarta-feira, setembro 09, 2009

ESTUDOS DE CASTELO BRANCO


A revista “Estudos de Castelo Branco” celebrará dentro de dois anos, meio século de existência.
Quarenta e oito anos em que a magia de nos dar a conhecer a nossa história, nunca se extinguiu… independentemente de por vezes termos tido a sensação que a chama que a alimentou ao longo desse tempo, tenha sofrido alguns ventos menos favoráveis em determinadas décadas da sua história.
Fundada em 1961 por José Lopes Dias, tem hoje como director António Forte Salvado que além de director, é também seu editor e proprietário.
Não sei exactamente quantos números desta revista saíram ao longo dos 48 anos da sua existência!.. pois a sua periodicidade sofreu ao longo desse tempo várias alterações. No entanto, as centenas e centenas de artigos publicados nas suas folhas, são um néctar precioso que nos alimenta a alma e fortalece o coração.
Em 2011 esta revista irá celebrar meio século de existência, essa data será a altura ideal para homenagearmos todos aqueles que ao longo dos tempos, ali dedicaram muito do seu tempo para dar a conhecer aos albicastrenses a história da terra beirã.
Ao seu actual director, (António Forte Salvado) este albicastrense só pode agradecer e pedir-lhe que na comemoração dos cinquenta anos da revista, se faça uma edição extra dedicada á história do nosso museu e que continue, (pelo menos) por mais cinquenta anos á frente desta excelente revista de cultura.
Á Câmara Municipal da nossa cidade, só posso “exigir” o maior apoio possível para esta grande revista de cultura da nossa cidade, e que em 2011 lhe seja atribuída a medalha da cidade, por serviços prestados em prol da comunidade. Propondo igualmente que se dê a uma rua nobre da nossa cidade, o nome: Rua “Estudos de Castelo Branco”.
O Albicastrense

segunda-feira, setembro 07, 2009

Castelo Branco no passado.


AMOR E A MORTE NOS (...) REGISTOS PAROQUIAIS ALBICASTRENSES
Por - Manuel da Silva Castelo Branco
“Amores proibidos no paço dos comendadores – (II)”
Entre finais de 1508 e começos de 1509, desenrolara-se também na antiga fortaleza albicastrense, mais precisamente no Paço dos Comendadores e Alcaides-mores, um outro acontecimento dramático, que vamos relatar por forma sucinta...
Era então alcaide-mor da vila D. João de Castelo Branco, 3° filho de D. Filipa de Ataíde e Nuno Vaz de Castelo Branco, vedor da azenda de D. Duarte e D. Afonso V, monteiro-mor e almirante do reino (12.4.1467), etc. Ora, não obstante a sua fama de galante poeta e esforçado cavaleiro, D. João foi muito infortunado no amor. Tinha casado com D. Leonor (filha de D. Isabel de Sousa e Afonso Vaz de Brito alcaide-mor de Souse e caçador-mor de D. Manuel I) e, havendo tomado posse de alcaidaria de Castelo Branco, (c. 1506), ali passou a residir com sua mulher e filha, nos paços da Alcáçova. Porém, D. Leonor apaixonou-se loucamente por Frei António Penalvo, seu capelão e beneficiado na igreja de Santa Maria do Castelo.
Este, instigado pela amante, acometeu certa noite à traição o descuidado alcaide-mor, deixando-o estropiado e quase morto... Sobre o caso existem escassas memórias e delas apresentamos talvez a mais curiosa.

Comentário.
D. Leonor de Sousa, mulher do alcaide-mor D. João de Castelo Branco, fazia-lhe adultério com um clérigo seu capelão e, para mais seguramente continuar no seu delito, ordenou que o dito clérigo o matasse. Para este fim o meteu em sua casa, que era no castelo da vila de Castelo Branco e, entrando D. João pela porta já de noite, lhe deu o dito clérigo com um alfange muitas feridas, deixando-o por morto; e, logo, para desmentirem o delito, se pôs a dita D. Leonor e o clérigo sobre o corpo de D. João a fazer grande pranto contra quem o matara. Acudiu o juiz de fora e fazendo buscar todas as pessoas, que estavam na casa, se achou ao clérigo o alfange ensanguentado pelo que, compreendendo o delito e a origem dele, o prendeu e a D. Leonor.
E dando conta a El-Rei, que estava em Évora, ele os mandou levar àquela cidade e logo mandou degolar a dita D. Leonor e o clérigo foi degradado para S. Tomé, onde seria morto por um parente de D. João, o qual não morreu das feridas mas ficou aleijado. Depois, correndo o tempo e desavindo-se com D. Manuel I, lhe pediu licença para passar a Castela e El-Rei lha deu e também para vender a alcaidaria-mor a D. Diogo de Meneses, cavaleiro da Ordem de Cristo; e D. João, pondo em efeito a sua determinação, se passou àquele reino onde morreu. Uma outra versão refere que D. Leonor de Sousa fora sentenciada «a morrer morte natural por justiça, sem lhe valer a grandeza do nascimento nem a valia dos seus muitos e ilustres parentes», tendo sido degolada na praça de Évora, onde D. Manuel esteve continuadamente desde Outubro de 1508 a Setembro de 1509. Quanto a D. João sofrera profundas cutiladas numa mão, face e vista, de tal modo que quando Duarte de Armas passou por Castelo Branco, em meados de 1509, ainda ele se achava incapacitado para o exercício das suas funções. No entanto, acaba por restabelecer-se e suponho que o epíteto de o «Braço de Ferro», pelo qual é designado algumas vezes, não teria resultado apenas do seu grande valor mas talvez por utilizar qualquer aparelho metálico destinado a corrigir esse membro afectado pela brutal agressão do amante da mulher.
Enfim, D. João retoma a sua actividade e, a 13.8.1513, parte de Lisboa na armada capitaneada por D. Jaime, duque de Bragança, que vai tomar Azamor no norte de África. De regresso ao reino (1514), D. Manuel concede-lhe a comenda dos Maninhos, em Castelo Branco, ficando também a usufruir a tença de 10000 réis por ano com o hábito de Cristo... O mesmo rei dá-lhe licença, em 5.6.1516, para trespassar uma tença de 30000 réis em sua única filha D. Maria de Castelo Branco, por virtude do casamento desta com Fernão Cabral, senhor de Azurara e alcaide-mor de Belmonte. Mas, pouco tempo depois, vende a alcaidaria-mor de Castelo Branco a D. Diogo de Meneses, cavaleiro da Ordem de Cristo e retira-se para Castela, onde teve brigas sobre uma dama com "El Grande Capitan», D. Gonçalo Fernandez de Cordoba".
No «Cancioneiro Geral» de Garcia de Resende (1516), vemos uma só poesia da sua autoria dirigida a D. Guiomar de Meneses e nela declara: “Se vos eu vira, senhora, antes de ter o mal meu”.

www.historiadamedicina.ubi.pt/
O Albicastrense

sábado, setembro 05, 2009

Tiras Humoristicas - 44

Bigodes e Companhia comentam a entrevista dada por Luís Paixão, ao jornal “Reconquista“.

O Albicastrense

sexta-feira, setembro 04, 2009

OPINIÃO - Carlos Vale

Ao Carlos Vale mais uma vez o meu bem-haja, por este bom artigo de opinião.
Sobre o Bairro do Valongo onde reside á mais de 20 anos, só posso acrescentar que o desleixo, o não quero saber, o deixa andar, e o quanto pior melhor e o lema das sucessivas vereações que têm governado a nossa cidade.
O Bairro do Valongo é sem qualquer dúvida!.. o filho bastardo da nossa cidade, pois só assim se pode compreender o abandono a que foi sujeito desde o seu início.

O Albicastrense

quinta-feira, setembro 03, 2009

ANIVERSÁRIO SEM COMEMORAÇÕES

JOSÉ ANTÓNIO MORÃO
(1786-I864)

223 ANOS DEPOIS
A 3 de Setembro de 1786, nasceu em Castelo Branco, José António Morão, o qual se bacharelou em Matemática e Filosofia, pela Universidade de Coimbra, onde, mais tarde, veio a completar a licenciatura em Medicina no ano de 1812. Eduardo Salavisa, iniciou a sua actividade profissional em Almada, regressando a Castelo Branco no início de 1830, tendo desenvolvido uma acção decisiva na renovação e reestruturação do Hospital que estava sob administração da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco. Após a vitória do liberalismo, foi eleito deputado da Nação, pelo distrito de Castelo Branco em 1834 e vocal do primeiro Conselho Distrital em 1836.
Em 1848 desempenhou, interinamente, o cargo de Governador Civil do Distrito de Castelo Branco. Foi um dinâmico Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco, Procurador da Junta Geral do Distrito de Castelo Branco e médico do partido municipal da mesma cidade. Morreu a 1 de Agosto de 1864. Autor e tradutor de imensas peças de teatro e de outras obras literárias, foi uma pessoa deveras preocupada com o desenvolvimento cultural e social de toda a região da Beira Baixa. Neste contexto, fundou em 1836,a “Sociedade Civilizadora” e levou ao “Publico municipal” de Castelo Branco, uma proficiente leitura e consulta dos 3200 volumes da sua biblioteca, que deixou à disposição de todos, na sua residência, situada na rua do Pina, em
Castelo Branco.

PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias.
A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal ”A Reconquista”

PS. José António Morão, foi um dos grandes albicastrenses do seu tempo e seguramente um dos mais brilhantes de sempre, porém, se olharmos á nossa volta verificamos que o seu nome apenas é recordado numa velha placa toponímica da nossa cidade.
Serão os albicastrenses ingratos para com os seus melhores filhos? Ou será que os sucessíveis responsáveis políticos da nossa cidade, estão mais interessados em ver os seus nomes afixados a torto e a direito por tudo o que é sítio, em prejuízo daqueles que efectivamente deveriam ser recordados pelas gerações futuras!
O Albicastrense

CASTELO BRANCO NO TEMPO

ALCAIDES – MORES DE CASTELO BRANCO
Por. Manuel da Silva Castelo Branco
Os alcaides, cuja designação de proveniência árabe significa “O capitão” foram simultaneamente criados com o Reino, e tinham vastos poderes, de carácter jurídico, militar e administrativo. Designavam-se alcaides-mores e protectores, quando superintendiam também à justiça civil.
As suas atribuições, porem foram-se reduzindo gradualmente, até acabarem por ficar somente com o encargo de governadores das fortalezas e castelos.
Além dos alcaides-mores havia os pequenos ou alcaides, que lhe serviam de auxiliares, os substituíam nas ausências e estavam, por vezes, na dependência do concelho municipal.
Em Castelo Branco temos noticia da sua existência, logo a partir da doação que Fernão Sanches fez á Ordem do Templo, de Vila Franca da Cardosa, “que he Castelbranco”, de “ametade en sua vida e outra ametade per sua morte”, pela carta dada em Santarém ao 4 Idus Martii de 1220, era de César (1182), e onde se lê:..
“Ego etiem debeo habere Alcaidaria de vestra medietate ipsius villae…” (in Comendas da O. Xº).

O primeiro foral, dado pelo Mestre dos Templários, D. Pedro de Avito, a 12/3/1213, no reinado de D. Afonso II, vem também assinado por Fr. Str. Plair, Domnus Str. Albo e Domnus Stefanus, respectivamente, Comendador, pretor e alcaide de Castelo Branco.
Alguns anos mais tarde uma carta de doação de 1226 feita aos Templários, da vila da Lardosa, lugares da Lousa. Escalos e outras fazendas em Castelo Novo. Silvares e seus termos, encontramos mais uma vez referência ao “Comendador, pretor, alcaides e, em particular, a Petrus de Veiga, alcaldus Castelliblanchi”. Sendo já Castelo Branco, uma apreciável e importante povoação em 1229, D. Simão Mendes, Mestre do Templo, mandou edificar no castelo um palácio destinado aos Comendadores da Ordem, o qual se transformaria ulteriormente na residência dos alcaides-mores.
Quando a Ordem dos Templários foi extinta em todo o mundo católico, em 1311, D. Diniz a fim de evitar que Roma tomasse conta das grandes riquezas. Institui A Ordem de Cristo, a que ficaram pertencendo todos aquele bens e, assim Castelo Branco passou a ser Comenda da Ordem de Cristo (1319).

terça-feira, setembro 01, 2009

CASTELO BRANCO NA HISTÓRIA E NA ARTE - LVIII

MONUMENTOS DE CASTELO BRANCO
CONVENTO DA GRAÇA (III)
(Continuação)
Nada resolveu o Ministério do Reino, pelo que em 17 de Maio de 1886, decidiu a Mesa convidar o Engenheiro de Obras Publicas João Macário dos Santos a elaborara um orçamento das obras de maior necessidade.
As obras de execução inadiável, que consistiam na construção e uma nova cozinha e de duas enfermarias, foram orçadas na quantia de 1500$000 reis. Em 25 de Outubro de 1866 foi posto em praça a execução das obras mas, como ela ficasse deserta, resolveu a Mesa, em 1 de Novembro, efectuar a construção por administração directa e, em 23 do mesmo mês, por proposta do Provedor, decidiu dar maior altura às janelas. O hospital, após a obras de adaptação, ficou com duas enfermarias para cada sexo.
As do sexo foram designadas pelos nomes de Bartolomeu da Costa e de Francisco António Peres. As do sexo feminino foram denominadas de Santa Isabel e de Prior Vasconcelos. Durante os séculos XVII a XIX foram muitos os legados e donativos recebidos pela Santa Casa de Misericórdia. A administração dos seus bens era, porem, quase sempre, desleixada e ruinosa, obstante a que os pobres do concelho usufruíssem os benefícios correspondentes a tão importante receitas. Pelo relatório elaborado pelo Dr. José António Morão em 1834, após um minucioso estudo feito por uma comissão nomeada pela Mesa, verifica-se que o hospital se encontrava num estado deplorável, absolutamente desprovido de condições higiénicas. A Comissão era composta de três membros: Joaquim José Mendes Fevereiro, Filipe Joaquim Enriques de Paiva e José António Morão. A Mesa de 1834 diligenciou por em pratica as medidas preconizadas pela comissão para melhorar as condições sanitárias do hospital e realizar economias na sua administração. Foi todavia, somente depois do ano de 1877 que o hospital deixou de ser asqueroso. Este facto foi devido à notável e desinteressada acção do ilustre Provedor Henriques Caldeira Pedrosa, capitão aposentado que foi procurado á Junta Geral do Distrito e administrador do Concelho de Castelo Branco. Após o desaparecimento deste zeloso administrador da Misericórdia, voltou esta à tradicional incúria que dava azo a inúmeros abusos no aforamento das propriedades, a depredações nos rendimentos, a desfalques nos géneros alimentares, etc.... A comissão Administrativa era composta de Francisco Rebelo de Albuquerque e Castro (2º visconde de Oleiros), Fernando da Costa Cardoso Pacheco e Ornelas, Simão Trigueiros de Rego Martel, Joaquim António da Mata e Silva e Francisco Carvalho.
(Continua)
PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal "Beira Baixa" em 1951
Autor. Manuel Tavares dos Santos.
O Albicastrense

RECONSTRUÇÃO DA NOSSA MURALHA - (V)

                       MURALHA DA TERRA ALBICASTRENSE  Na madrugada de 21 de janeiro de 2025, deu-se a derrocada de parte da muralha que fic...