sábado, setembro 10, 2016

PRIMEIRA PAGINA (XXII)

JORNAL BEIRA BAIXA 
"CINQUENTA ANOS DEPOIS!....



11 DE
SETEMBRO
DE 1966





11 DE SETEMBRO 
DE 2016



O Albicastrense

quarta-feira, setembro 07, 2016

CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (XXIII - ÚLTIMO)

O AMOR E A MORTE... NOS ANTIGOS REGISTOS PAROQUIAIS ALBICASTRENSES.
Por Manuel da Silva Castelo Branco 
Tanta forma de amar e quanta de morrer!...

(Continuação)
Neste último capítulo reunimos cerca de meia centena de registos paroquiais, abrangendo um período compreendido entre meados de Quinhentos e finais de Setecentos, a partir dos quais procuramos apontar algumas das mais diversas formas de morrer e de amar na urbe albicastrense.
Como de costume, alguns dos Assentos acham-se suficientemente explícitos pelo que não necessitam do habitual comentário. Noutros, porém, terei a oportunidade de acrescentar os elementos indispensáveis para justificar a sua inclusão neste capítulo. Entre eles, o leitor encontrará:
- De um lado, a Morte ceifando existências quer na guerra como na paz e pelas mais variadas causas e circunstâncias: acidente, assassínio, suicídio, violência, loucura, parto, doença, ódio e vingança, interesse, etc., etc.
- Pelo outro, terei a oportunidade de abordar algumas interessantes manifestações de Amor, extensíveis a todas as classes sociais. Porém, verificando quanto esta matéria iria alargar o nosso trabalho, achamos melhor reservá-la para próxima comunicação sobre o tema proposto. De qualquer modo e para já, não quero deixar de prestar uma singela homenagem aos homens da Igreja, que ao longo dos séculos e através dos registos paroquiais, deixaram um vivido testemunho das terras e gentes das suas freguesias.
* Eng. Civil. Professor e Investigador.

Notas
(1) - Embora mantendo na generalidade o seu especto formal, em todos os Assentos trasladados procuramos atualizar a ortografia e a pontuação.
(2) - A sua leitura por extenso é a seguinte: S1- igreja e freguesia de Santa Maria do Castelo; 1M-livro 1 Misto (designam-se por livros Mistos os que contêm registos de baptismo, casamento e/ou óbito).
(3) - Manuel Castelo Branco, “Notas e Documentos para a História dos Judeus e Cristãos-Novos de Castelo Branco” (in revista “Estudos de Castelo Branco, nº 10,
1963) e “Assistência aos doentes na vila de Castelo Branco e seu termo, entre finais do séc. XV e começos do séc. XVII- (in Cadernos de Cultura da “Medicina na Beira Interior - Da Pré-História ao séc. XIX, nº2, 1990); José Lopes Dias, “Laços Familiares de Amato Lusitano e Filipe Montalto” (in separata da “Imprensa médica”, Lisboa, Ano XXV-Fevereiro de 1961).
(4) - ANTT- “Chancelaria de D. João III”, liv. 49, fl. 253 v.
(5) - Dela me consta ter havido os seguintes filhos: D. Brites Brandão e Antônio Brandão, cristão-novo e físico em Santarém, que antes de 1575 esteve na Flandres e Bristol (António Baião, “A Inquisição em Portugal e no Brasil. Subsídios para a sua história”, in “Archivo Historico Portuguez”, vol. VII, Lisboa 1909, p.230; Harry Friedenwald, in”Bulletin of the History of Medicine”, vol. 7, nº 2). D. Brites Brandão viveu casada em Penamacor com Jorge Nunes, tendo vários filhos entre os quais o Ldo. Francisco Brandão.
Este cursou Medicina na Universidade de Salamanca desde 31.10.1609. De regresso a Portugal foi examinado pelo físico-mor do reino, de acordo com o Regimento, sendo-lhe passada carta de medicina a 12.7.1616 ANTT- ”Chanc. Filipe II", liv. 31, fl. 230).
Exercitou a sua profissão na terra natal (Penamacor) até Outubro de 1618, fugindo então para a Flandres com receio da Inquisição e levando consigo a mulher e os filhos. No processo deste tribunal contra sua irmã D. Isabel Nunes, presa a 2.2.1619, é descrito como pessoa de meia estatura e seco, barba e cabelo castanhos e com cerca de 28 anos (ANTT- Procº nº 2737).
(6) - Eis a forma pela qual vemos geralmente designado o nosso Poeta. No entanto, convém esclarecer que o nome de Roiz é apenas a abreviatura de Rodrigues e resultante do seu patronímico (com efeito, o pai chamava-se Rui ou Rodrigo). Quanto ao apelido Castelbranco, e, embora designando a mesma família, aparece escrito de várias formas, a saber: Castel Branco, Castelobranco, Castelo Branco.
(7) -Esta capela achava-se também na igreja de Santa Maria do Castelo, junto ao altar.
(8) - Cada uma das duas lajes tumulares, sitas no pavimento da capela-mor da igreja de Sta. Maria do Castelo, tem cerca de 0,40 x 1,80 m. Na do lado do Evangelho (fig.2.1), onde suponho estar sepultado o poeta João Roiz, vemos apenas um escudo, cortado, com as armas dos Carrascos e Sequeiras.
Na do lado da Espístola (fig. 2.2), encimada por um escudo “ao ballon”, com paquife, elmo e timbre e as mesmas armas (tudo pouco perceptível), lemos em baixo o seguinte letreiro: S (EPULTURA) DOS E/RDEIRO/S DE FI/ILIPE VAZ. Este Filipe Vaz Carrasco (irmão de D. Catarina, mulher do nosso poeta) teve os foros de escudeiro-fidalgo, cavaleiro da Guarda d’ EI-Rei e, finalmente, cavaleiro-fidalgo da C. R. com 10 000 réis de tença anual (7.1.1550).
Viveu em Castelo Branco, onde serviu de vereador, juiz pela ordenção e provedor da Misericórdia, e casou na Cortiçada (Proença-a-Nova) com D. Maria Dias Manso, c. g.
(9) - “Lições de Literatura Portuguesa (Época Medieval)”, Coimbra Editores, 1973, 8ª ed. fl. 418.
(10) - ”Tesouros da Poesia Portuguesa”. Selecção, ilustrações de Lima de Freitas. Editorial Verbo, 1983, p.27.
(11) e (12) - ANTT-”Tombo, medição e demarcação de todas as fazendas, foros e dízimos pertencentes à comenda de Sta. Maria do Castelo da notável Vila de Castelo Branco (1753)”, Códice 146.
(13) - A epidemia grassou também na Covilhã, como podemos constatar através dos respectivos registos paroquiais, em finais de 1599.”
(14) - Manuel Castelo Branco, “ Assistência aos doentes na vila de Castelo Branco e seu termo, entre finais do séc. XV e começos do séc. XVII” (In “ Medicina na Beira Interior Da Pré-História ao séc. XIX”, Cadernos de Cultura, nº 2, 1990, p. 11).
(15) e (16) - ANTT- “ Processo da Inquisição de Lisboa contra o Ldo. Francisco de Lona”, Proc”. nº. 3747.
(17) - ANTT-” Corpo Cronológico”, Parte 11, Maço 344, n” 38.
(18) - Jorge Salter de Mendonça,” Nobiliário de Portugal” (in Biblioteca Municipal de Santarém); Diogo Gomes de Figueiredo, “Nobiliário Genealógico”, Tomo IV, fl. 208 (BNI,-Divisão de Reservados, in Arquivo da Casa Tarouca); Diogo Rangel de Macedo,” Nobiliário das famílias de Portugal”, Cód. 387, fl. 199 (BNL-” Colecção Pombalina”).
(19) - Diogo Gomes de Figueiredo, obr. cit., Cód. 240, fl. 155.
(20) - Jorge Salter de Mendonça, tomo 5º ( tít. ”Cabrais”) e tomo 7º (tít. “Castelo Branco”).
(21) - “ Livro de Registos” nº 303, fl. 649v, (in Arquivo da Câmara Municipal). O Provedor e Corregedor da Comarca de Castelo Branco, presentes nesta cerimónia, eram os Drs. António Sã Lopes e Daniel José Inácio Lopes, respectivamente.
(22) - ANTT- “Chanc. D. Maria I”, liv. 67, fl. 254 v.
(23) - ANTT- “Chanc. D. João IV”, liv. 36, fl 375.
(24) –“BNL (Divisão de Reservados)“ - Aditamento à notícia que neste livro escreveu o Rm. Pe. Frei Baltazar dos Reis da fam  ília dos Siqueiras e Avilezes,  de Aronches, etc.... (1724)”(in“Arquivo da Casa Tarouca”), cód. 254, fl. 32 v).
(25)-” Roteiro do Museu Regional de Francisco Tavares Proença Jor.”, Castelo Branco, 1980; Rdo. Dr. José Ribeiro Cardoso, “ Castelo Branco e o seu alfoz “, Castelo Branco, 1953, fl. 152. A inscrição, em latim, reza assim:
VISCERA, SUNT UNUM IMUS VENTER SEXUS,
ET HEPAR: BINAE SUNT ANIMAE CAETERA
BINA QUOQUE ISTIS QUAM VITAM
BONA-DAT-VENTURA GEMELLIS:
ABDON, ET SENNEN RESTITUERE DEO;
AST HORIS SEPTEM LANGUENS IACET
UNA SUPERSTES; SIC SOCIAE SATAGENS,
DUM SEQUITUR
MORIENS 1716.
(26)-No “Tombo da comenda de Santa Maria do Castelo”, executado em 1753, ainda se faz memória deste sucesso ... (ANTT-Cód. 146, fl. 154).
(27) - A inscrição latina é a seguinte:
D. IOANNA/MARIA IOSEPHA/DE MENESES,/COMITIS
DE SANTIAGO/DIGNISSIMA FILIA,/D. BLASII
BALTHASAR DA SYLVEIRA/ HUIUS PROV. ARM. PRAEF.
MAXJ CHARISSIMACONIUX,/EGREGIIS QUIDEM
DOTIBUS/ ILLUSTRI FOEMINA DIGNIS/ ORNATISSIMA,/
SED PIETATE,/ ALUSQUE VIRTUTIBUS/ MATRONAE
CHRISTIANAE/ DIGNIORI ORNAMENTO/
PRAECLARIOR,/ PUERPERIO EXANGUIS/ OBIIT DIE
XXI. NOVEMBR. MDCCXXVI./ ET UNA CUM DOLORIS
FILIO/ H.S.E.
(28) - Manuel Castelo Branco, “Heráldica dos Bispos de Castelo Branco” (in “ Comemorações do Bicentenário 1771-1971).
(29) - Este acontecimento mereceu a curiosidade jornalística. Assim, no “Diário de Notícias”, de 26.10.1943, saiu sobre o caso a seguinte informação, remetida a 25 pelo seu correspondente de Castelo Branco:-”Na Sé Catedral desta cidade, procedeu-se à trasladação dos restos mortais do 2º Bispo da extinta diocese de Castelo Branco, D. Vicente Ferrer da Rocha, a quem se deve a edificação da Capela do Santíssimo e da Grande Sacristia da mesma Sé. A trasladação fez-se com procissão da sepultura do adro, onde se encontrava o Prelado há cerca de duzentos anos, para a Capela do Santíssimo”.
(30) -Luís Pinto Garcia, “ Uma lápide sepulcral biface funerária de um soldado britânico”, Castelo Branco,1975.
(31) - ANTT- “Chanc. D. João VI”, liv. 40, fl. 95v.
(32) - ANTT-”Chanc. D. Maria II”, liv. 36, 11262.
(33) - Francisco Morais e José Lopes Dias, “Estudantes da Universidade de Coimbra, naturais de Castelo Branco”, V. Nova de Famalicão, 1955, p. 273.
(34)-Arquivo da PSP de Castelo Branco- “Testamentos”, Maço 399, fl. 88v.
(35)-António Roxo, “Monografia de Castelo Branco”, Elvas, 1891,fl.30, J.M. dos Santos Simões, “Azelujeria em Portugal no séc. XVIII”, Lisboa, 1979.
(36)-Câmara Eclesiástica de Castelo Branco, “Testamentos”, Maço 2265 (in BNL- Divisão de Reservados).
(37) -  No entanto, vamos trasladar uma breve memória pouco conhecida com a “Relação das atrocidades, procedimentos e insultos cometidos perpetrados pelos malvados franceses na invasão da cidade de Castelo Branco, em finais de 1810.
- “Na noite de 24.12.1810, se veio ao conhecimento que os bárbaros franceses se descobriram desta cidade, pois as Portas e Vigias não o anunciaram, na suposição de que eles não viessem nessa noite muito escura e coberta de uma densa névoa. E, na incerteza de eles virem a invadir esta cidade, houve descuido em se tomarem a tempo as precauções necessárias para segurança e retiro dos indivíduos que se achavam na terra. Porém, na mesma noite, seriam onze horas menos um quarto, veio pelo caminho da Quelha da Granja até à igreja do Espirito Santo, sem que fosse sentido, um esquadrão de cavalaria e aí deixaram uma guarnição; e o mais entrou pela Porta da Rua de Santa Maria e marchou até à Praça, dividindo-se em escoltas pelas ruas e pondo sentinelas às Portas da cidade. Outros dirigiram-se às duas igrejas matrizes afim de pilharem os fregueses na função, por ser noite de Natal.  
Neste barulho, publicavam em vozes portuguesas e espanholas que não fugissem porque eram ingleses e espanhóis. No dia 25, pelas dez horas da manhã, entrou a infantaria e tanto esta como a cavalaria, na mesma noite em que entrou, quebraram e arrombaram todas as portas das casas, que estavam fechadas, roubaram sem se saciarem pão, vinho, carnes, roupas e gados” ... (in “Tombo das capelas da igreja de S. Miguel, matriz de Castelo Branco”, publicado pelo Dr. José Lopes Dias, sob o título de “Velhos Documentos”, no semanário “Reconquista”, em 27.4.1958.
(38) - ANTT- “Portarias do Reino”, liv.3, fl. 160 v..
(39) - ANTT- “Chancelaria da Ordem de Cristo”, liv. 18, fl. 22v.
(40)- Afonso da Gama Palha„ “Relação dos sucessosda Guerra da Liga”, Elvas, 1906
(41) - O título de marquês de Matallana foi concedido em 25.1.1745 a D.Rodrigo Torres y Morales, cavaleiro de S. João de Jerusalém, bem como o viscondado de Barreras pelo Real Despacho de 31 de Agosto do mesmo anu (Julio de Atienza, “Diccionario Nobiliario Español”, Madrid, 1948, p. 1531).
(42) - Manuel Castelo Branco, “Assistência aos doentes em Castelo Branco e seu termo, entre começos dos sécs. XVII e XIX- II Parte” (em prep.).
(43) - Obr. cit. nota 37, em 2.3.1958; transcrita, igualmente, na obr. cit. nota 33, p. 207.
(44) - ANTT- “Chanc. D. Afonso VI”, liv. 43, fl. 358; obr. cit. nota 42.
(45) -ANTT-” Processo da inquisição de Lisboa contra Lázaro Rodrigues Pinheiro”, Proc. n’ 8155.
(46) - Ibid., Processos n’s 6521 e 1073 (Maço 96), respectivamente.
(47) - Efectivamente, por carta de 27.2.1797 foi-lhe passado o seguinte brasão: escudo partido em pala, tendo na 1ª as armas dos Pessoas e, na 2ª, as dos Amorins; timbre de Pessoas e, por diferença, uma brica de prata com um J de negro (ANTT-”Proc” de Justificação de nobreza”, Maço 21-N” 48) Estas armas acham-s actualmente, na fachada da Rua do Pina, nº 8, onde presumivelmente viveu, como consta dos trabalhos que tenho em preparação “Laços ancestrais de Fernando Pessoa à Beira Baixa” e “Tombo Heráldico da Beira Baixa.
(48) - ANTT- “Auto forense que subiu ao Conselho Geral do Santo Ofício”, Maço 13- Doc. n’ 82.
(49) - Obr. cit. nota 28.
(50) - ANTT- “Chanc. D. Maria I”, liv. 71, fl. 376.
(51) - ”Memorial cronológico e descritivo da cidade de Castelo Branco”, Lisboa, 1853, 11.101.
(52) - “Livro de Registos”, nº 52,11.81 (in Arqui. Da Câmara Municipal).
(53) - Entre outros, registamos sumariamente os seguintes diplomas relativos à sua carreira: - Mercê de Moço-Fidaldo da C. R, com 900 réis de moradia 5.12.1630); -Patente de capitão de infantaria, para servir com seu pai em Campo Maior (Lisboa, 2.2.1641); -Patente de capitão de cavalaria na província do Alentejo (Montemor-o-Novo, 20.11.164.5)
 - Carta de quitação ao conde de Vimioso, D. Miguel de Portugal, por o ter armado cavaleiro da Ordem de Cristo na igreja de Nª Sª. Da Conceição, em Lisboa, sendo seu padrinho D. Diogo de Almeida (8.3.1657); - Carta de Governador de Cavalaria da Corte e Comarcas do Ribatejo, com o título de Tenente- -General de Cavalaria da Beira (Lisboa, 14.8.1659).
(54) - “Livro de Registos”, nº 297, fl 147 (in Arq. da Câmara Municipal).
(55) - ”Nobiliário de Frei Flamínio de Sousa” (cópia da Biblioteca do Visconde de Sanches de Baena} Códice 9897, fl. 599 (in BNL- Divisão de Reservados.
(56) - Do seu casamento, Gaspar Mouzinho Magro teve dois filhos, Luís e António, mas morreram novos e s. g.
(57) - Gaspar Mousinho anexou esta capela às duas instituídas por seus irmãos, Jorge e D. Emerenciana Mouzinho, que haviam deixado do mesmo modo todos os bens à Confraria de Nossa Senhora do Rosário.
(58) -ANTT-”Desembargo do Paço-Beira”, Maço 311 - Proc”. nº 23851. Gaspar Mouzinho Magro nomeia por herdeira e testamenteira a mulher, D. Catarina Vilela Leitão, a quem deixa o usufruto dos seus bens,” ficando viúva ou casando com um homem seu igual na qualidade”. Porém, “esquecendo-se ela de quem é e de que foi minha mulher e casar com um homem que tenha parte da nação, cristão-novo por muito pouco que seja, a hei logo por desherdada e não quero que goze nem possua cousa alguma minha um só instante”, passando então tudo a ser administrado pelos mordomos de Nª Sª do Rosário. Aqui se manifesta uma vez mais o espirito intolerante deste ilustre benemérito, mas D. Catarina conservou-se viúva até à data do seu falecimento, em 21.9.1688.
(59) - “Castelo Branco e o seu alfoz”, Castelo Branco, 1953, fl. 111.
(60) - “Castelo Branco na História e na Arte”, Porto, 1958, n. 63 e seguintes; Rdo. Pe. Anacleto Martins, “Castelo Branco- Traços da sua história. A Confraria de Nª Sª. do Rosário.- Os dotes das orfãs” (in semanário “Reconquista”, de 4.2.1977).
(61) e (62) - ANTT - “Chanc. Ordem de Cristo”, liv. 15, fl. 284v.
(63) - ANTT- “ Chanc. Filipe III”, liv. 22, fl. 13v.
(64) - ANTT- “Chanc. Filipe II”, liv. 9, 11. 98.
(65) - ANTT- “Chanc. D. João V”, liv. 80, fl. 164. Aqui se acha registada a carta concedendo a António Feio da Maia e Almeida a propriedade do ofício de escrivão do judicial da vila de Abrantes (6.6.1731)
(66) - Estas casas eram o solar da família, onde actualmente se acha instalada a Câmara Municipal de Castelo Branco.
(67) - ”Livros de Notas dos Tableliães”, vol. 10,11. 27 (in “Arquivo Notarial de Castelo Branco”).
(68) - Manuel Castelo Branco, “Documentos quinhentistas do Arq. da Misericórdia de Castelo Branco” (em prep.).
(69) - ANTT- “Corpo Cronológico”, Parte 1, Maço 70, Doc. 61.
(70) - Ibid., Parte 1, Maço 78, Doc. 15.
O Albicastrense

domingo, setembro 04, 2016

DÉCIMO PRIMEIRO ANIVERSÁRIO


                     ONZE ANOS DEPOIS

No décimo primeiro aniversário do blogue, “Castelo Branco - O - Albicastrense”, não tenho bolos nem champanhe para comemorar a data, porém, tenho agradecimentos a fazer.
 A quem visita o blogue pela primeira vez só posso agradecer a visita, a quem me acompanha desde os primeiros anos (eu sei que existem alguns) o meu muito bem-haja por continuarem a aguentar-me.
Não sei exatamente quantos visitantes já teve o blogue, pois o contador do blogue esteve marado durante muito tempo, todavia, desde que o contador foi colocado novamente (à cerca de dois meses), o blogue teve mais de 30.000 visitas.
Termino esta breve nota festiva, afirmando que vou continuar a falar da terra albicastrense para todo o sempre.
A apelando de seguida ao meu velho computa, para ter cuidado com a sua memória ram e rom e não deixar entrar a ferrugem nos seus  megabys,  para que ele passa aquentar mais uns anos, antes de penetrar na reforma.       
                                    O Albicastrense 

quinta-feira, setembro 01, 2016

O PASSADIÇO ATRAVÉS DOS TEMPOS

FOTO BIOGRAFIA
DO
PASSADIÇO DA TERRA ALBICASTRENSE

“Mais de cem anos de imagens do nosso passadiço”

Uma das maiores pérolas da terra albicastrense é sem qualquer dúvida o seu Passadiço. Das imagens aqui postadas, a imagem mais recente foi captada por mim, uma outra foi captada pela Foto Beleza (como se pode constatar numa das imagens), contudo, estou convicto que algumas das outras imagens poderão ser igualmente da Foto Beleza.  
A Foto Beleza esteve instalada na rua de Santa Teresa, na baixa do Porto até à década de sessenta, período em que era procurada por grande parte da população da região para tirar o retrato. 
Após fechar, o espolio desta casa centenária foi adquirido pelo empresário Mário Ferreira, empresário que terá dito na altura entre outras coisas; “que a compra da Foto Beleza foi-lhe proposto, no início do ano 2000, pelo proprietário daquela casa, por um consultor que sabia do seu gosto pela fotografia. 
Quando entrou nas instalações, já bastante degradadas (na altura fechadas) da Foto Beleza, Mário Ferreira deparou com uma impressionante colecção de mais de meio milhão de chapas em vidro”. 
Resta acrescentar, que entre essas muitas chapas de vidro, poderão estar com certeza, muitas imagens da terra albicastrense. 

A pergunta que aqui deixo só pode ser a seguinte:





Não 

deveria
 a autarquia albicastrense,


 adquirir
 essas 
chapas?
 



Albicastrense

sábado, agosto 27, 2016

CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (XXII)

O AMOR E A MORTE... NOS ANTIGOS REGISTOS PAROQUIAIS ALBICASTRENSES.
 Por Manuel da Silva Castelo Branco

"O DOTE - (II)"
(Continuação)
Eis a petição que D. Isabel da Cunha (natural de Castelo Branco e irmã de D. Beatriz da Cunha, referida no Assento 50) fez ao juiz dos órfãos da dita vila com o fim de poder vender algumas fazendas e, assim, apurar os fundos necessários à sua entrada no convento de Odivelas (Lisboa).
Senhor. Diz D. Isabel da Cunha, maior de 14 anos e filha de Sebastião da Cunha e de D. Catarina da Fonseca, que por ela ser mulher fidalga e nobre e muito pobre, segundo a qualidade da sua pessoa e pela devoção que tem de servir a Nosso Senhor, quer ser freira e está concertada para entrar no mosteiro de Odivelas, Ordem de S. Bernardo, junto a Lisboa.
E, porquanto o que tem de sua legítima é tão pouco que não bastará para o dote com que está tomada, nem para as mais despesas da sua entrada no noviciado e profissão, nem ainda bastará toda a fazenda que ficou por falecimento dos ditos seu pai e mãe; e seus irmãos, uns são homens que andam em serviço d’ El-Rei nosso senhor nas partes da India e outros são religiosos, mas todos haverão por bem venderem-se algumas peças da dita fazenda para amparo e remédio dela, suplicante, pede a Vossa Mercê que, tomando a informação necessária do sobredito e a que dará seu tutor e visto o perigo que é na tardança (porque não entrando logo e pagando o seu dote não poderá ser recolhida no dito mosteiro, como tem assentado), lhe dê licença e autoridade parela e seu tutor venderem a Várzea que está no Vale da Prata e o chão da Fonte Nova e um olival à Fonte do Romeu e outro à Cardosa, por conta de sua legítima.
E, sendo caso que as ditas peças lhe não caibam e seus irmãos tenham parte de suas legítimas nas ditas propriedades e não havendo por bem de as renunciar nasuplicante, o Corregedor Diogo da Fonseca, seu tio, obrigará peças da sua fazenda livres e desembargadas para nelas Vossa Mercê entregar a seus irmãos o que lhes montar haver de suas legítimas nas ditas propriedades. Castelo Branco, 9.8. 1582.“ (68)
Na posse desta petição, Fernão de Sotomayor, Fid. C. R. e juiz dos órfãos de Castelo Branco, juntou-lhe o parecer escrito de Baltazar de Siqueira, tutor e curador de D. Isabel, bem como a obrigação feita por seu tio, o Corregedor Diogo da Fonseca. E, dando os Autos por conclusos, despachou favoravelmente, pois, “visto a pouquidão da legítima dos pais, tal resolução constituía o melhor remédio para a sua vida e, não aproveitando a ocasião, ficaria uma mulher tão honrada perdida”. Enfim, as referidas fazendas foram vendidas a Jorge Vaz Carrasco, cavaleiro fidalgo da C. R. e a sua mulher D. Ana Lopes, em 15.8.1582 e pela quantia de 65 000 réis, os quais serviram de dote a D. Isabel da Cunha para entrar no convento...
Por vezes, o dote não era constituído apenas por bens e valores materiais. Como exemplo e entre outros, podemos apontar o caso de duas jovens, órfãs e com magras legítimas mas de boas famílias, cujos casamentos se deveram à protecção que lhes dispensou pessoa poderosa e de grande prestígio na corte.
 Assim sucedeu no matrimónio de D. Catarina de Siqueira com Pedro Vaz da Cunha, comendador do Castelejo e de Alpedrinha, na Ordem de Cristo, de que houve honrada geração; e no de sua irmã D. Maria com Mateus Lopes, cav°. fid. C. R., cujo 1° filho foi baptizado a 1.4.1560 (Assento 51).
Pertenciam elas a uma das mais antigas gerações da urbe albicastrense, sendo filhas de D. Ana Dias Manso e Francisco de Sequeira da Fonseca, senhor da casa e morgado dos Sequeiras, cav°. fid. C. R. (D. Manuel I e D. João III) e cav° O. X°. (cujo hábito recebeu em Tomar, a 21.2.1528), que tirou brasão de armas, esquartelado de Sequeiras e Fonsecas (14.4.1548) e exercitou naquela vila vários cargos da governança: almoxarife dos direitos reais, provedor da Misericórdia, capitão de ordenanças, etc. Por seu falecimento ficaram-lhe 4 filhas solteiras (D. Joana, D. Catarina, D. Maria e D. Perpétua de Sequeira) com fracos recursos, pois o morgado da família passou ao filho mais velho, Simão de Sequeira. Valeu-lhes nesta difícil situação um tio, o Dr. Francisco Martins da Costa, que para todas solicitou a proteção e valimento do Secretário de Estado Pêro de Alcáçova Carneiro e de sua mulher D. Catarina de Sousa, aos quais escreveu diversas cartas nesse sentido. De duas delas damos, seguidamente, alguns extratos:
- Ao muito magnífico senhor Pêro de Alcáçova Carneiro, secretário d’El-Rei nosso senhor. 
Senhor. Depois da morte de Francisco de Sequeira escrevi a Vossa Mercê por um mercador e, porque não sei se lhe seria entregue, lhe torno a escrever esta e, assim, para lhe dar conta do que cá se passou para diligência da carta de Sua Alteza... Se Deus houver por bem que V Mercê haja de S. A. este olival para uma das filhas mais velhas, as quais se chamam: a maior, Joana e a outra Catarina; e, se a V M. bem parecer o oficio das sisas posto em quem casar com uma delas... pois, com o olival em uma e o oficio na outra, casarão estas maiores.
As outras duas pequenas seria bem meterem-se freiras e agora têm idade para o efeito, mas esta entrada no mosteiro não pode ser remediada se por V M. não for ordenada, pois as legítimas são pequenas e a Simão de Sequeira fica a capela sem partilhas... (Castelo Branco,16.8.1541).(69)
À muito magnífica senhora D. Catarina de Sousa, mulher do senhor secretário d’El-Rei nosso senhor.

“Senhora. Pois Deus permitiu e quis dar vontade a V Mercê para que folgasse de favorecer e fazer mercê a Catarina de Sequeira, filha de Francisco de Sequeira que Deus tem, e foi bom princípio assim a de permitir que por sua mão seja honrada e remediada e por o senhor Secretário. E, eu creio, que ela remediada as outras filhas, que são além dela duas, o serão também. E este remédio o dá V Mercê, pois não lhe pareça que somente pelo olival que houve por morte de sua mãe, mas por se saber que era e é de V. Mercê favorecida... e, com isto, um homem fidalgo e que tem muita renda quer casar com ela (como lá escrevo ao senhor Secretário) e não aguardará mais que a sua resposta de como é contente.
Peço a V M. por mercê que faça com que ele escreva uma carta muito encarregada sobre o caso (como ele melhor saberá fazer do que eu dizer, pois lhe dei larga informação sobre o assunto), na qual toque no olival; que não tenha nenhum escrúpulo e se, para mais riqueza e mor dote, V M. quisesse escrever uma carta à mesma D. Catarina de Sequeira de favor e esperança, de fazer por ela e por quem com ela casar, seria grande esmola e ajuda para logo ser feito e ele se haver por muito ditoso... (Castelo Branco, 23.5.1546).” (70)

Para concluir, vou apresentar o documento mais interessante que possuo sobre esta matéria. Trata-se de uma carta de meados de Setecentos, onde o seu autor responde a um parente que a ele recorrera, solicitando-lhe a opinião acerca do seu possível mas incerto enlace com uma menina bem dotada, mas filha de um bastardo e neta de outro... O Leitor poderá apreciar, assim, a mentalidade de uma época e de uma geração e, embora as principais personagens pertençam ao distrito da Guarda, ali se acham referidas muitas outras de diversas localidades da Beira Baixa, a saber: Caria, Castelo Branco, Covilhã, Fundão, Oledo, Peroviseu, etc.

-”Meu primo e senhor. Recebo as suas boas notícias, que muito estimo e a toda a família a quem me fará recomendado. Sim, senhor, a tal menina é bem dotada, todos lhe fazem já da casa de seus pais 20 000 cruzados, seguros em boa casta de fazenda e sólida; tem uns tios clérigos, que poderão também dar-lhe uma boa porção e é muito bom casamento para um cavalheiro, que tem casa só para passar com decência e não para maior esplendor. Conheço melhor que ninguém, que os tempos estão tão alterados que só cavalos, criados e seges é que são respeitados por grandes figuras.
O exame apertado de nascimentos nesta matéria só é bom para Pedro Saraiva, Pedro Aragão e outros, que têm grandes Casas e, por isso, disse eu a Vossa Mercê que lá pensaria e resolveria com juizo, com os olhos no mundo, que V M tem palpado pelos seus anos ainda melhor que eu, que nasci ontem. Se respondi a V M. que a tal menina era filha de um bastardo e neta de outro, que o primeiro era clérigo sem legitimação e desherdado da Casa de seu pai e havido nem uma criada, que o segundo, sim, fora legitimado mas não herdado na Casa do clérigo seu pai e  havido numa moleira, porque o clérigo bastardo só olhou para a decência e esplendor da Casa Rapa, a quem instituiu herdeira com bons 30 000 cruzados de fazenda que vinculou em morgado, reconhece que Miguel Alexandre é seu filho bastardo e lhe deixa como legado o que tinha em Caria, ficando estes legados livres e sem a qualidade de vínculo, que deu ao forte dos seus bens vinculados para a Rapa... Com que, meu senhor e primo, estes dois bastardos seguem outro rumo que os mais que por aí vemos.  
Conheço que há uma bastarda de João Pinto, do Fundão, mas ficou absolutamente herdada na Casa de seu pai e tias; conheço que há uma D. Maria de Mendonça, bastarda de Manuel da Fonseca morgado de Oledo, mas ficou absolutamente herdada na Casa de seus pais e avós e representando a mesma figura e nome; conheço que houve José da Silva Castelo Branco, bastardo do Dr. António da Silva Castelo Branco, mas ficou herdado nos bens de seu pai, tias e madrasta, legitimado e filho de uma mãe tanto ou mais nobre que o pai; conheço que houve Bernardo da Fonseca, bastardo de Francisco Martins de Siqueira da Fonseca, mas sei que ficou com a representação e herança de seu pai e avós, e que seu 3° neto vive em Castelo Branco no mesmo palácio em que aqueles viveram.
Nós não estamos nesse caso, meu primo... Miguel foi deserdado por seu pai nas forças principais dos seus bens. O pai quis o esplendor e a decência da Casa da Rapa, a quem anexou em morgado o seu forte e apenas deixou em legado ao bastardo o que tinha em Caria e até lho deixou livre. O pai era clérigo e um bastardo que nem legitimado nem herdado ficou pelo senhor da Casa da Rapa, seu pai. Se eu disse isto a V Mercê e se agora lho confirmo é porque mo pergunta, nem eu creio que haja ocasião em que um parente e amigo honrado deva falar com mais clareza e verdade. Sim, senhor, Manuel Veloso Cabral, pai do clérigo (1° bastardo), lá disse eu e torno a repetir que é muito distinto, dele descende a mulher do Dr. Luís António (que hoje tem o morgado que fez o clérigo bastardo) e a mulher de Diogo Dias Preto.
Mas ele ainda tem outros parentes mais honrados, como são todos os mais distintos de Celorico e Guarda; tem muitos antepassados úteis à Nação nas armas e letras, porque a Casa da Rapa sempre se distinguiu muito e nunca fez casamentos piores que estes agora em Peroviseu e Covilhã...
Lá os ascendentes figuraram melhor e conta uma igualdade em casamentos digna de muita atenção, cinco avós tem Manuel Veloso Cabral todos desembargadores: o primeiro, João Veloso, mereceu a doação de um morgado em Linhares, constituído em terras da Coroa, de juro e herdade para ele e seus descendentes, que ainda hoje tem a Casa da Rapa e isto há 300 anos, regalia e qualidade que V Mercê me não há-de apontar em Casa nenhuma destas 2 comarcas.
Ainda que meu primo é distinto, com igualdade e tem um casa muito boa, capaz de se tratar com decência, é contudo prudência chegá-la a ponto de figurar com esplendor e esta ocasião não é para desprezar. Se os clérigos estão no que V. Mercê me diz e, maiormente, se eles concorrerem a dotar os seus bens, deve V Mercê não perder com a demora, e deixar escapar um dote que, facilmente, não achará nestas terras. Em Caria há um clérigo, chamado o Pe. António Pires, que tem um bastardo e ouvi há anos que queria legitimá-lo, mas agora ouço que quer metê-lo numa religião.
Este é tio da menina e tem bons 25 000 cruzados. Se V Mercê tratar alguma cousa, veja se ele doa e talvez o faça, pois já ele foi quem casou Miguel e lhe deu dinheiro para se desempenhar.
Se puderem vinculem essas doações, porque é miséria uma Casa tão boa não ter um palmo de terra vinculado e só ser tudo livre e habilitado para vir a retalhar-se em partilhas ou a vender-se quando der num génio como João Soares Girão (da Covilhã), Agostinho Tavares (de Castelo Branco) e outros semelhantes. V Mercê tem uso do mundo, sabe pensar e lá fará com o acerto que costuma.
Veja se lhe sirvo de alguma cousa e conte com certeza o meu coração e o meu ânimo muito pronto em obsequiá-lo, pois sou De V Mercê O primo muito amante e obrigado”.
(Continua)
O Albicastrense

quarta-feira, agosto 24, 2016

PARQUE URBANO DA CRUZ DO MONTAVÃO

  HOMENAGEM AOS NOSSOS ARTISTAS
Segundo veio a público está encontrado a proposta vencedora para o Parque Urbano da Cruz do Montalvão. Entraram em concurso 19 propostas ao Concurso, promovido pela Câmara Municipal de Castelo Branco, com a assessoria da Secção Regional da Ordem dos Arquitetos, desenvolvendo-se o Parque numa área com 21 hectares dentro dos limites da cidade.
A arquiteta paisagista Verónica Ribeiro de Almeida venceu o Concurso de Concepção para a Elaboração do Projeto para o Parque Urbano da Cruz de Montalvão, em Castelo Branco.
O relatório final do Júri indica que "a proposta organiza de forma clara uma hierarquia de trajetos que emergem da grande artéria verde diagonal. Esta artéria verde faz prolongar um trajeto urbano enunciado que se torna protagonista de todo o sentido da intervenção. É sobre este eixo, com a inteligência de se fazer marcar sobre um percurso de pé posto existente, que surgem os elementos do parque".
Luís Correia, presidente da Câmara albicastrense, lamentou a ausência de propostas por parte arquitetos paisagistas albicastrenses.
Tal como Luís Correia, também eu lamento a falta de arquitetos paisagistas albicastrenses neste concurso, aliás, estou convencido que a sua presença no concurso, talvez imprimisse ao projeto um cunho ligado à história da nossa terra.

Por onde diabos andarão os jovens albicastrenses formados nesta área?

Sendo eu um albicastrense apaixonado pela sua terra e por todos aqueles que ao longo das suas vidas muito a dignificaram, gostaria de convencer o presidente Luís Correia do seguinte:
A terra albicastrense é como todos sabemos, uma terra madrasta para com os seus artistas, se perguntarmos a algum albicastrense nomes de artistas nascidos na sua terra ou nas aldeias ao seu redor, a resposta será, “não me lembro de ninguém!...” ou então, alguém evoca, Eugenia Lima.
Em Castelo Branco ou aldeias próximas, nasceram artistas como: Robles Monteiro (ator), Francisco Costa (ator), Eduardo de Matos (ator), José Boavida (ator), Maria Lalande (atriz), Maria Olguim (atriz) Eugenia Lima (acordeonista), e ainda muitos e outros a quem mendigo perdão, por não colocar aqui os seus nomes.


Artistas que fizerem rir, chorar e emocionar, mas que rapidamente tombaram no
 esquecimento colectivo dos albicastrenses depois de mortos.

O que este albicastrense propõe ao presidente da autarquia da sua terra é que, no futuro Parque Urbano da Cruz do Montalvão, exista um mural dedicado a artistas nascidos na terra albicastrense, ou aldeias próximas.
Mural, onde seriam gravados nomes de artistas que projetaram a terra albicastrense para fora das suas fronteiras.   

 Ou será que políticos que até são pagos para desempenharem funções, são mais dignos de ter os seus nomes espalhados por tudo o que é parede na terra albicastrense?

A proposta está feita. Este albicastrense e com certeza muitos outros, (penso eu), dirão que nunca é tarde para prestar justiça aos nossos artistas, artistas do passado e do presente.
Terra que não perpetua os nomes dos seus artistas, merece tê-los?
O Albicastrense

MEMÓRIAS DO BLOG - “A primeira publicação do blog” - setembro de 2005".

quarta-feira, setembro 07, 2005 CAFÉ LUSITÂNIA - 1827 - 2003 (CAFÉ TÍPICO DA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX) Local de convívio de muitos albic...