BEM – VINDOS A UM BLOGUE LIVRE DE OPINIÕES SOBRE CASTELO BRANCO, SEJAM ELAS BOAS OU MÁS. O BLOGUE É DE TODOS E PARA TODOS OS ALBICASTRENSES…
sábado, setembro 10, 2016
quarta-feira, setembro 07, 2016
CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (XXIII - ÚLTIMO)
O AMOR E A MORTE... NOS ANTIGOS REGISTOS PAROQUIAIS ALBICASTRENSES.
Por Manuel da Silva Castelo Branco
Tanta
forma de amar e quanta de morrer!...Por Manuel da Silva Castelo Branco
(Continuação)
Neste último capítulo reunimos cerca de meia centena de registos paroquiais, abrangendo um período compreendido entre meados de Quinhentos e finais de Setecentos, a partir dos quais procuramos apontar algumas das mais diversas formas de morrer e de amar na urbe albicastrense.
Neste último capítulo reunimos cerca de meia centena de registos paroquiais, abrangendo um período compreendido entre meados de Quinhentos e finais de Setecentos, a partir dos quais procuramos apontar algumas das mais diversas formas de morrer e de amar na urbe albicastrense.
Como de
costume, alguns dos Assentos acham-se suficientemente explícitos pelo que não
necessitam do habitual comentário. Noutros, porém, terei a oportunidade de acrescentar
os elementos indispensáveis para justificar a sua inclusão neste capítulo. Entre
eles, o leitor encontrará:
- De um lado,
a Morte ceifando existências quer na guerra como na paz e pelas mais variadas
causas e circunstâncias: acidente, assassínio, suicídio, violência, loucura,
parto, doença, ódio e vingança, interesse, etc., etc.
- Pelo
outro, terei a oportunidade de abordar algumas interessantes manifestações de
Amor, extensíveis a todas as classes sociais. Porém, verificando quanto esta
matéria iria alargar o nosso trabalho, achamos melhor reservá-la para próxima
comunicação sobre o tema proposto. De qualquer modo e para já, não quero deixar
de prestar uma singela homenagem aos homens da Igreja, que ao longo dos séculos
e através dos registos paroquiais, deixaram um vivido testemunho das terras e
gentes das suas freguesias.
* Eng.
Civil. Professor e Investigador.
Notas
(1) - Embora mantendo na generalidade o seu especto formal, em todos os Assentos trasladados procuramos atualizar a ortografia e a pontuação.
(1) - Embora mantendo na generalidade o seu especto formal, em todos os Assentos trasladados procuramos atualizar a ortografia e a pontuação.
(2) - A
sua leitura por extenso é a seguinte: S1- igreja e freguesia de Santa Maria do
Castelo; 1M-livro 1 Misto (designam-se por livros Mistos os que contêm registos de baptismo, casamento e/ou óbito).
(3) -
Manuel Castelo Branco, “Notas e Documentos para a História dos Judeus e
Cristãos-Novos de Castelo Branco” (in revista “Estudos de Castelo Branco, nº
10,
1963) e “Assistência aos doentes na vila de Castelo Branco e seu termo, entre finais do séc. XV e começos do séc. XVII- (in Cadernos de Cultura da “Medicina na Beira Interior - Da Pré-História ao séc. XIX, nº2, 1990); José Lopes Dias, “Laços Familiares de Amato Lusitano e Filipe Montalto” (in separata da “Imprensa médica”, Lisboa, Ano XXV-Fevereiro de 1961).
1963) e “Assistência aos doentes na vila de Castelo Branco e seu termo, entre finais do séc. XV e começos do séc. XVII- (in Cadernos de Cultura da “Medicina na Beira Interior - Da Pré-História ao séc. XIX, nº2, 1990); José Lopes Dias, “Laços Familiares de Amato Lusitano e Filipe Montalto” (in separata da “Imprensa médica”, Lisboa, Ano XXV-Fevereiro de 1961).
(4) -
ANTT- “Chancelaria de D. João III”, liv. 49, fl. 253 v.
(5) - Dela
me consta ter havido os seguintes filhos: D. Brites Brandão e Antônio Brandão,
cristão-novo e físico em Santarém, que antes de 1575 esteve na Flandres e Bristol
(António Baião, “A Inquisição em Portugal e no Brasil. Subsídios
para a sua história”, in “Archivo Historico Portuguez”, vol. VII, Lisboa 1909,
p.230; Harry Friedenwald, in”Bulletin of the History of Medicine”, vol. 7, nº 2).
D. Brites Brandão viveu casada em Penamacor com Jorge Nunes, tendo vários
filhos entre os quais o Ldo. Francisco Brandão.
Este
cursou Medicina na Universidade de Salamanca desde 31.10.1609. De regresso a
Portugal foi examinado pelo físico-mor do reino, de acordo com o Regimento,
sendo-lhe passada carta de medicina a 12.7.1616 ANTT- ”Chanc. Filipe II",
liv. 31, fl. 230).
Exercitou
a sua profissão na terra natal (Penamacor) até Outubro de 1618, fugindo então
para a Flandres com receio da Inquisição e levando consigo a mulher e os
filhos. No processo deste tribunal contra sua irmã D. Isabel Nunes, presa a
2.2.1619, é descrito como pessoa de meia estatura e seco, barba e cabelo castanhos
e com cerca de 28 anos (ANTT- Procº nº 2737).
(6) - Eis
a forma pela qual vemos geralmente designado o nosso Poeta. No entanto, convém esclarecer
que o nome de Roiz é apenas a abreviatura de Rodrigues e resultante do seu
patronímico (com efeito, o pai chamava-se Rui ou Rodrigo). Quanto ao apelido Castelbranco,
e, embora designando a mesma família, aparece escrito de várias formas, a
saber: Castel Branco, Castelobranco, Castelo Branco.
(7) -Esta capela
achava-se também na igreja de Santa Maria do Castelo, junto ao altar.
(8) - Cada
uma das duas lajes tumulares, sitas no pavimento da capela-mor da igreja de
Sta. Maria do Castelo, tem cerca de 0,40 x 1,80 m. Na do lado do Evangelho
(fig.2.1), onde suponho estar sepultado o poeta João Roiz, vemos apenas um
escudo, cortado, com as armas dos Carrascos e Sequeiras.
Na do lado
da Espístola (fig. 2.2), encimada por um escudo “ao ballon”, com paquife, elmo
e timbre e as mesmas armas (tudo pouco perceptível), lemos em baixo o seguinte letreiro:
S (EPULTURA) DOS E/RDEIRO/S DE FI/ILIPE VAZ. Este
Filipe Vaz Carrasco (irmão de D. Catarina, mulher do nosso poeta) teve os foros
de escudeiro-fidalgo, cavaleiro da Guarda d’ EI-Rei e, finalmente, cavaleiro-fidalgo
da C. R. com 10 000 réis de tença anual (7.1.1550).
Viveu em
Castelo Branco, onde serviu de vereador, juiz pela ordenção e provedor da
Misericórdia, e casou na Cortiçada (Proença-a-Nova) com D. Maria Dias Manso, c.
g.
(9) -
“Lições de Literatura Portuguesa (Época Medieval)”, Coimbra Editores, 1973, 8ª ed.
fl. 418.
(10) - ”Tesouros
da Poesia Portuguesa”. Selecção, ilustrações de Lima de Freitas. Editorial
Verbo, 1983, p.27.
(11) e
(12) - ANTT-”Tombo, medição e demarcação de todas as fazendas, foros e dízimos
pertencentes à comenda de Sta. Maria do Castelo da notável Vila de Castelo Branco (1753)”, Códice 146.
(13) - A epidemia grassou também na Covilhã,
como podemos constatar através dos respectivos registos paroquiais, em finais
de 1599.”
(14) -
Manuel Castelo Branco, “ Assistência aos doentes na vila de Castelo Branco e
seu termo, entre finais do séc. XV e começos do séc. XVII” (In “ Medicina na
Beira Interior Da Pré-História ao séc. XIX”, Cadernos de Cultura, nº 2, 1990, p. 11).
(15) e
(16) - ANTT- “ Processo da Inquisição de Lisboa contra o Ldo. Francisco de
Lona”, Proc”. nº. 3747.
(17) -
ANTT-” Corpo Cronológico”, Parte 11, Maço 344, n” 38.
(18) - Jorge
Salter de Mendonça,” Nobiliário de Portugal” (in Biblioteca Municipal de
Santarém); Diogo Gomes de Figueiredo, “Nobiliário Genealógico”, Tomo IV, fl.
208 (BNI,-Divisão de Reservados, in Arquivo da Casa Tarouca); Diogo Rangel de
Macedo,” Nobiliário das famílias de Portugal”, Cód. 387, fl. 199 (BNL-”
Colecção Pombalina”).
(19) - Diogo Gomes de
Figueiredo, obr. cit., Cód. 240, fl. 155.
(20) -
Jorge Salter de Mendonça, tomo 5º ( tít. ”Cabrais”) e tomo 7º (tít. “Castelo
Branco”).
(21) - “
Livro de Registos” nº 303, fl. 649v, (in Arquivo da Câmara Municipal). O
Provedor e Corregedor da Comarca de Castelo Branco, presentes nesta cerimónia, eram os Drs. António Sã Lopes e Daniel José Inácio Lopes, respectivamente.
(22) - ANTT- “Chanc. D.
Maria I”, liv. 67, fl. 254 v.
(23) - ANTT- “Chanc. D.
João IV”, liv. 36, fl 375.
(24) –“BNL
(Divisão de Reservados)“ - Aditamento à notícia que neste livro escreveu o Rm.
Pe. Frei Baltazar dos Reis da fam ília
dos Siqueiras e Avilezes, de Aronches,
etc.... (1724)”(in“Arquivo da Casa Tarouca”), cód. 254, fl. 32 v).
(25)-”
Roteiro do Museu Regional de Francisco Tavares Proença Jor.”, Castelo Branco,
1980; Rdo. Dr. José Ribeiro Cardoso, “ Castelo Branco e o seu alfoz “, Castelo Branco,
1953, fl. 152. A inscrição, em latim, reza assim:
VISCERA, SUNT UNUM IMUS
VENTER SEXUS,
ET HEPAR: BINAE SUNT ANIMAE CAETERA
BINA QUOQUE ISTIS QUAM VITAM
BONA-DAT-VENTURA GEMELLIS:
ABDON, ET SENNEN RESTITUERE DEO;
AST HORIS SEPTEM LANGUENS IACET
UNA SUPERSTES; SIC SOCIAE SATAGENS,
DUM SEQUITUR
MORIENS 1716.
(26)-No “Tombo da
comenda de Santa Maria do Castelo”, executado em 1753, ainda se faz memória deste
sucesso ... (ANTT-Cód. 146, fl. 154).
(27) - A inscrição
latina é a seguinte:
D. IOANNA/MARIA IOSEPHA/DE MENESES,/COMITIS
DE SANTIAGO/DIGNISSIMA FILIA,/D. BLASII
BALTHASAR DA SYLVEIRA/ HUIUS PROV. ARM. PRAEF.
MAXJ CHARISSIMACONIUX,/EGREGIIS QUIDEM
DOTIBUS/ ILLUSTRI FOEMINA DIGNIS/ ORNATISSIMA,/
SED PIETATE,/ ALUSQUE VIRTUTIBUS/ MATRONAE
CHRISTIANAE/ DIGNIORI ORNAMENTO/
PRAECLARIOR,/ PUERPERIO EXANGUIS/ OBIIT DIE
XXI. NOVEMBR. MDCCXXVI./ ET UNA CUM DOLORIS
FILIO/ H.S.E.
DE SANTIAGO/DIGNISSIMA FILIA,/D. BLASII
BALTHASAR DA SYLVEIRA/ HUIUS PROV. ARM. PRAEF.
MAXJ CHARISSIMACONIUX,/EGREGIIS QUIDEM
DOTIBUS/ ILLUSTRI FOEMINA DIGNIS/ ORNATISSIMA,/
SED PIETATE,/ ALUSQUE VIRTUTIBUS/ MATRONAE
CHRISTIANAE/ DIGNIORI ORNAMENTO/
PRAECLARIOR,/ PUERPERIO EXANGUIS/ OBIIT DIE
XXI. NOVEMBR. MDCCXXVI./ ET UNA CUM DOLORIS
FILIO/ H.S.E.
(28) -
Manuel Castelo Branco, “Heráldica dos Bispos de Castelo Branco” (in “
Comemorações do Bicentenário 1771-1971).
(29) -
Este acontecimento mereceu a curiosidade jornalística. Assim, no “Diário de
Notícias”, de 26.10.1943, saiu sobre o caso a seguinte informação, remetida a
25 pelo seu correspondente de Castelo Branco:-”Na Sé Catedral desta cidade,
procedeu-se à trasladação dos restos mortais do 2º Bispo da extinta diocese de
Castelo Branco, D. Vicente Ferrer da Rocha, a quem se deve a edificação da Capela
do Santíssimo e da Grande Sacristia da mesma Sé. A trasladação fez-se com procissão
da sepultura do adro, onde se encontrava o Prelado há cerca de duzentos anos,
para a Capela do Santíssimo”.
(30) -Luís
Pinto Garcia, “ Uma lápide sepulcral biface funerária de um soldado britânico”,
Castelo Branco,1975.
(31) - ANTT- “Chanc. D.
João VI”, liv. 40, fl. 95v.
(32) - ANTT-”Chanc. D.
Maria II”, liv. 36, 11262.
(33) -
Francisco Morais e José Lopes Dias, “Estudantes da Universidade de Coimbra,
naturais de Castelo Branco”, V. Nova de Famalicão, 1955, p. 273.
(34)-Arquivo
da PSP de Castelo Branco- “Testamentos”, Maço 399, fl. 88v.
(35)-António
Roxo, “Monografia de Castelo Branco”, Elvas, 1891,fl.30, J.M. dos Santos
Simões, “Azelujeria em Portugal no séc. XVIII”, Lisboa, 1979.
(36)-Câmara
Eclesiástica de Castelo Branco, “Testamentos”, Maço 2265 (in BNL- Divisão de
Reservados).
(37) - No
entanto, vamos trasladar uma breve memória pouco conhecida com a “Relação das
atrocidades, procedimentos e insultos cometidos perpetrados pelos malvados franceses na invasão da cidade de Castelo Branco, em finais de 1810.
-
“Na noite de 24.12.1810, se veio ao conhecimento que os bárbaros franceses se descobriram desta cidade, pois as Portas
e Vigias não o anunciaram, na suposição de que eles não viessem nessa noite
muito escura e coberta de uma densa névoa. E, na incerteza de eles virem a invadir esta cidade, houve descuido em se
tomarem a tempo as precauções necessárias para segurança e retiro dos
indivíduos que se achavam na terra. Porém, na
mesma noite, seriam onze horas menos um quarto, veio pelo caminho da Quelha da
Granja até à igreja do Espirito Santo, sem que fosse sentido, um esquadrão de
cavalaria e aí deixaram uma guarnição; e o mais entrou pela Porta da Rua de
Santa Maria e marchou até à Praça, dividindo-se em escoltas pelas ruas e pondo
sentinelas às Portas da cidade. Outros dirigiram-se às duas igrejas matrizes afim
de pilharem os fregueses na função, por ser noite de Natal.
Neste
barulho, publicavam em vozes portuguesas e espanholas que não fugissem porque eram
ingleses e espanhóis. No dia 25, pelas dez horas da manhã, entrou a infantaria
e tanto esta como a cavalaria, na mesma noite em que entrou, quebraram e arrombaram
todas as portas das casas, que estavam fechadas, roubaram sem se saciarem pão,
vinho, carnes, roupas e gados” ... (in “Tombo das capelas da igreja de S.
Miguel, matriz de Castelo Branco”, publicado pelo Dr. José Lopes Dias, sob o
título de “Velhos Documentos”, no semanário “Reconquista”, em 27.4.1958.
(38) - ANTT- “Portarias
do Reino”, liv.3, fl. 160 v..
(39) - ANTT-
“Chancelaria da Ordem de Cristo”, liv. 18, fl. 22v.
(40)- Afonso da Gama
Palha„ “Relação dos sucessosda Guerra da Liga”, Elvas, 1906
(41) - O
título de marquês de Matallana foi concedido em 25.1.1745 a D.Rodrigo Torres y
Morales, cavaleiro de S. João de Jerusalém, bem como o viscondado de Barreras
pelo Real Despacho de 31 de Agosto do mesmo anu (Julio de Atienza, “Diccionario
Nobiliario Español”, Madrid, 1948, p. 1531).
(42) -
Manuel Castelo Branco, “Assistência aos doentes em Castelo Branco e seu termo,
entre começos dos sécs. XVII e XIX- II Parte” (em prep.).
(43) - Obr. cit. nota
37, em 2.3.1958; transcrita, igualmente, na obr. cit. nota 33, p. 207.
(44) - ANTT- “Chanc. D.
Afonso VI”, liv. 43, fl. 358; obr. cit. nota 42.
(45) -ANTT-” Processo da
inquisição de Lisboa contra Lázaro Rodrigues Pinheiro”, Proc. n’ 8155.
(46) -
Ibid., Processos n’s 6521 e 1073 (Maço 96), respectivamente.
(47) -
Efectivamente, por carta de 27.2.1797 foi-lhe passado o seguinte brasão: escudo
partido em pala, tendo na 1ª as armas dos Pessoas e, na 2ª, as dos Amorins; timbre de Pessoas e, por diferença, uma brica de prata com um J de negro
(ANTT-”Proc” de Justificação de nobreza”, Maço 21-N” 48) Estas armas acham-s actualmente,
na fachada da Rua do Pina, nº 8, onde presumivelmente viveu, como consta dos
trabalhos que tenho em preparação “Laços ancestrais de Fernando Pessoa à Beira Baixa” e “Tombo Heráldico da Beira Baixa.
(48) - ANTT- “Auto forense
que subiu ao Conselho Geral do Santo Ofício”, Maço 13- Doc. n’ 82.
(49) - Obr. cit. nota
28.
(50) - ANTT- “Chanc. D.
Maria I”, liv. 71, fl. 376.
(51) - ”Memorial cronológico
e descritivo da cidade de Castelo Branco”, Lisboa, 1853, 11.101.
(52) - “Livro de Registos”,
nº 52,11.81 (in Arqui. Da Câmara Municipal).
(53) -
Entre outros, registamos sumariamente os seguintes diplomas relativos à sua
carreira: - Mercê de Moço-Fidaldo da C. R, com 900 réis de moradia 5.12.1630); -Patente
de capitão de infantaria, para servir com seu pai em Campo Maior (Lisboa,
2.2.1641); -Patente de capitão de cavalaria na província do Alentejo (Montemor-o-Novo, 20.11.164.5)
- Carta
de quitação ao conde de Vimioso, D. Miguel de Portugal, por o ter armado cavaleiro
da Ordem de Cristo na igreja de Nª Sª. Da Conceição, em Lisboa, sendo seu
padrinho D. Diogo de Almeida (8.3.1657); - Carta de Governador de Cavalaria da
Corte e Comarcas do Ribatejo, com o título de Tenente- -General de Cavalaria da
Beira (Lisboa, 14.8.1659).
(54) -
“Livro de Registos”, nº 297, fl 147 (in Arq. da Câmara Municipal).
(55) - ”Nobiliário
de Frei Flamínio de Sousa” (cópia da Biblioteca do Visconde de Sanches de
Baena} Códice 9897, fl. 599 (in BNL- Divisão de Reservados.
(56) - Do
seu casamento, Gaspar Mouzinho Magro teve dois filhos, Luís e António, mas
morreram novos e s. g.
(57) -
Gaspar Mousinho anexou esta capela às duas instituídas por seus irmãos, Jorge e
D. Emerenciana Mouzinho, que haviam deixado do mesmo modo todos os bens à
Confraria de Nossa Senhora do Rosário.
(58) -ANTT-”Desembargo
do Paço-Beira”, Maço 311 - Proc”. nº 23851. Gaspar Mouzinho Magro nomeia por herdeira
e testamenteira a mulher, D. Catarina Vilela Leitão, a quem deixa o usufruto dos seus bens,” ficando viúva ou casando com um
homem seu igual na qualidade”. Porém, “esquecendo-se ela de quem é e de que foi minha mulher e casar com um homem que tenha parte da nação, cristão-novo
por muito pouco que seja, a hei logo por desherdada e não quero que goze nem possua
cousa alguma minha um só instante”, passando então tudo a ser administrado
pelos mordomos de Nª Sª do Rosário. Aqui se manifesta uma vez mais o espirito intolerante
deste ilustre benemérito, mas D. Catarina conservou-se viúva até à data do seu
falecimento, em 21.9.1688.
(59) - “Castelo Branco e
o seu alfoz”, Castelo Branco, 1953, fl. 111.
(60) -
“Castelo Branco na História e na Arte”, Porto, 1958, n. 63 e seguintes; Rdo.
Pe. Anacleto Martins, “Castelo Branco- Traços da sua história. A Confraria de Nª
Sª. do Rosário.- Os dotes das orfãs” (in semanário “Reconquista”, de 4.2.1977).
(61) e (62) - ANTT -
“Chanc. Ordem de Cristo”, liv. 15, fl. 284v.
(63) - ANTT- “ Chanc.
Filipe III”, liv. 22, fl. 13v.
(64) - ANTT- “Chanc.
Filipe II”, liv. 9, 11. 98.
(65) -
ANTT- “Chanc. D. João V”, liv. 80, fl. 164. Aqui se acha registada a carta
concedendo a António Feio da Maia e Almeida a propriedade do ofício de escrivão
do judicial da vila de Abrantes (6.6.1731)
(66) -
Estas casas eram o solar da família, onde actualmente se acha instalada a
Câmara Municipal de Castelo Branco.
(67) - ”Livros
de Notas dos Tableliães”, vol. 10,11. 27 (in “Arquivo Notarial de Castelo
Branco”).
(68) -
Manuel Castelo Branco, “Documentos quinhentistas do Arq. da Misericórdia de
Castelo Branco” (em prep.).
(69) - ANTT- “Corpo Cronológico”,
Parte 1, Maço 70, Doc. 61.
(70) - Ibid., Parte 1, Maço 78, Doc. 15.
(70) - Ibid., Parte 1, Maço 78, Doc. 15.
O Albicastrense
domingo, setembro 04, 2016
DÉCIMO PRIMEIRO ANIVERSÁRIO
ONZE ANOS DEPOIS…
No décimo primeiro aniversário do blogue, “Castelo Branco - O - Albicastrense”, não tenho
bolos nem champanhe para comemorar a data, porém, tenho agradecimentos a fazer.
A quem visita o blogue pela primeira vez só
posso agradecer a visita, a quem me acompanha desde os primeiros anos (eu sei que existem alguns) o meu muito
bem-haja por continuarem a aguentar-me.
Não sei exatamente quantos visitantes já teve o blogue, pois o contador do blogue esteve marado durante muito tempo, todavia, desde que o contador foi colocado novamente (à cerca de dois meses), o blogue teve mais de 30.000 visitas.
Termino esta breve nota
festiva, afirmando que vou continuar a falar da terra albicastrense para todo o sempre.
A apelando de seguida ao meu
velho computa, para ter cuidado com a sua memória ram e rom e não deixar entrar a ferrugem nos seus megabys, para que ele passa aquentar mais uns anos, antes de penetrar na reforma.
O Albicastrense
quinta-feira, setembro 01, 2016
O PASSADIÇO ATRAVÉS DOS TEMPOS
FOTO BIOGRAFIA
DO
PASSADIÇO DA TERRA ALBICASTRENSE
“Mais de cem anos de imagens do nosso
passadiço”
Uma das maiores pérolas da terra albicastrense é sem qualquer dúvida o
seu Passadiço. Das imagens aqui postadas, a imagem mais recente foi
captada por mim, uma outra foi captada pela Foto Beleza (como se pode constatar
numa das imagens), contudo, estou convicto que algumas das outras
imagens poderão ser igualmente da Foto Beleza.
A Foto Beleza esteve instalada na rua de Santa Teresa, na baixa do
Porto até à década de sessenta, período em que era procurada por grande parte
da população da região para tirar o retrato.
Após fechar, o espolio desta casa centenária foi adquirido pelo empresário
Mário Ferreira, empresário que terá dito na altura entre outras coisas; “que a
compra da Foto Beleza foi-lhe proposto, no início do ano 2000, pelo
proprietário daquela casa, por um consultor que sabia do seu gosto pela
fotografia.
Quando entrou nas instalações, já bastante degradadas (na altura
fechadas) da Foto Beleza, Mário Ferreira deparou com uma
impressionante colecção de mais de meio milhão de chapas
em vidro”.
Resta acrescentar, que entre essas muitas chapas de vidro,
poderão estar com certeza, muitas imagens da terra
albicastrense.
A pergunta que aqui deixo só pode ser a seguinte:
Não
deveria
a autarquia
albicastrense,
adquirir
essas
chapas?
O
Albicastrense
sábado, agosto 27, 2016
CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (XXII)
O AMOR E A MORTE... NOS ANTIGOS REGISTOS PAROQUIAIS ALBICASTRENSES.
"O DOTE - (II)"
Por Manuel da Silva Castelo Branco
"O DOTE - (II)"
(Continuação)
Eis a petição que D. Isabel da Cunha (natural de Castelo Branco e irmã de D. Beatriz da Cunha, referida no Assento 50) fez ao juiz dos órfãos da dita vila com o fim de poder vender algumas fazendas e, assim, apurar os fundos necessários à sua entrada no convento de Odivelas (Lisboa).
Eis a petição que D. Isabel da Cunha (natural de Castelo Branco e irmã de D. Beatriz da Cunha, referida no Assento 50) fez ao juiz dos órfãos da dita vila com o fim de poder vender algumas fazendas e, assim, apurar os fundos necessários à sua entrada no convento de Odivelas (Lisboa).
” Senhor. Diz D. Isabel da Cunha, maior de 14 anos e
filha de Sebastião da Cunha e de D. Catarina da Fonseca, que por ela ser
mulher fidalga e nobre e muito pobre, segundo a qualidade da sua pessoa
e pela devoção que tem de servir a Nosso Senhor, quer ser freira
e está concertada para entrar no mosteiro de Odivelas, Ordem de S.
Bernardo, junto a Lisboa.
E, porquanto o que tem de sua legítima é tão pouco que não bastará para o dote com que
está tomada, nem para as mais despesas da sua entrada no noviciado
e profissão, nem ainda bastará toda a fazenda que ficou por falecimento
dos ditos seu pai e mãe; e seus irmãos, uns são homens que andam em serviço
d’ El-Rei nosso senhor nas partes da India e outros são religiosos, mas
todos haverão por bem venderem-se algumas peças da dita fazenda para
amparo e remédio dela, suplicante, pede a Vossa Mercê que, tomando a
informação necessária do sobredito e a que dará seu tutor e visto o
perigo que é na tardança (porque não entrando logo e pagando o seu
dote não poderá ser recolhida no dito mosteiro, como tem assentado), lhe
dê licença e autoridade parela e seu tutor venderem a Várzea que está
no Vale da Prata e o chão da Fonte Nova e um olival à Fonte do
Romeu e outro à Cardosa, por conta de sua legítima.
E, sendo caso que as ditas peças lhe não caibam e seus irmãos tenham parte de
suas legítimas nas ditas propriedades e não havendo por bem de as
renunciar nasuplicante, o Corregedor Diogo da Fonseca, seu tio, obrigará
peças da sua fazenda livres e desembargadas para nelas Vossa Mercê
entregar a seus irmãos o que lhes montar haver de suas legítimas nas ditas
propriedades. Castelo Branco, 9.8. 1582.“ (68)
Na posse desta petição, Fernão de Sotomayor, Fid. C. R. e juiz dos
órfãos de Castelo Branco, juntou-lhe o parecer escrito de Baltazar de Siqueira,
tutor e curador de D. Isabel, bem como a obrigação feita por seu tio, o
Corregedor Diogo da Fonseca. E, dando os Autos por conclusos, despachou
favoravelmente, pois, “visto a pouquidão da legítima dos pais, tal resolução constituía o melhor remédio
para a sua vida e, não aproveitando a ocasião, ficaria uma mulher tão honrada
perdida”. Enfim, as referidas fazendas foram vendidas a Jorge Vaz Carrasco,
cavaleiro fidalgo da C. R. e a sua mulher D. Ana Lopes, em 15.8.1582 e pela
quantia de 65 000 réis, os quais serviram de dote a D. Isabel da Cunha para
entrar no convento...
Por vezes, o dote não era constituído apenas por bens e valores materiais. Como
exemplo e entre outros, podemos apontar o caso de duas jovens, órfãs e com
magras legítimas mas de boas famílias, cujos casamentos se deveram à protecção
que lhes dispensou pessoa poderosa e de grande prestígio na corte.
Assim sucedeu no matrimónio
de D. Catarina de Siqueira com Pedro Vaz da Cunha, comendador do Castelejo e de
Alpedrinha, na Ordem de Cristo, de que houve honrada geração; e no de sua irmã
D. Maria com Mateus Lopes, cav°. fid. C. R., cujo 1° filho foi baptizado a
1.4.1560 (Assento 51).
Pertenciam elas a uma das mais antigas gerações da urbe
albicastrense, sendo filhas de D. Ana Dias Manso e Francisco de Sequeira da
Fonseca, senhor da casa e morgado dos Sequeiras, cav°. fid. C. R. (D. Manuel I
e D. João III) e cav° O. X°. (cujo hábito recebeu em Tomar, a 21.2.1528), que
tirou brasão de armas, esquartelado de Sequeiras e Fonsecas (14.4.1548) e
exercitou naquela vila vários cargos da governança: almoxarife dos direitos
reais, provedor da Misericórdia, capitão de ordenanças, etc. Por seu falecimento ficaram-lhe 4 filhas solteiras (D. Joana, D.
Catarina, D. Maria e D. Perpétua de Sequeira) com fracos recursos, pois o morgado
da família passou ao filho mais velho, Simão de Sequeira. Valeu-lhes nesta
difícil situação um tio, o Dr. Francisco Martins da Costa, que para todas
solicitou a proteção e valimento do Secretário de Estado Pêro de Alcáçova
Carneiro e de sua mulher D. Catarina de Sousa, aos quais escreveu diversas
cartas nesse sentido. De duas delas damos, seguidamente, alguns extratos:
- Ao muito magnífico senhor Pêro de Alcáçova Carneiro, secretário
d’El-Rei nosso senhor.
“Senhor. Depois da morte de Francisco de Sequeira escrevi a Vossa Mercê por um mercador e, porque não sei se lhe seria entregue, lhe torno a escrever esta e, assim, para lhe dar conta do que cá se passou para diligência da carta de Sua Alteza... Se Deus houver por bem que V Mercê haja de S. A. este olival para uma das filhas mais velhas, as quais se chamam: a maior, Joana e a outra Catarina; e, se a V M. bem parecer o oficio das sisas posto em quem casar com uma delas... pois, com o olival em uma e o oficio na outra, casarão estas maiores.
“Senhor. Depois da morte de Francisco de Sequeira escrevi a Vossa Mercê por um mercador e, porque não sei se lhe seria entregue, lhe torno a escrever esta e, assim, para lhe dar conta do que cá se passou para diligência da carta de Sua Alteza... Se Deus houver por bem que V Mercê haja de S. A. este olival para uma das filhas mais velhas, as quais se chamam: a maior, Joana e a outra Catarina; e, se a V M. bem parecer o oficio das sisas posto em quem casar com uma delas... pois, com o olival em uma e o oficio na outra, casarão estas maiores.
As outras duas pequenas seria bem meterem-se freiras e agora têm
idade para o efeito, mas esta entrada no mosteiro não pode ser remediada se por
V M. não for ordenada, pois as legítimas são pequenas e a Simão de
Sequeira fica a capela sem partilhas... (Castelo Branco,16.8.1541).” (69)
À muito magnífica senhora D. Catarina de Sousa, mulher do senhor
secretário d’El-Rei nosso senhor.
“Senhora. Pois Deus permitiu e quis dar vontade a V Mercê para que folgasse de favorecer
e fazer mercê a Catarina de Sequeira, filha de Francisco de Sequeira
que Deus tem, e foi bom princípio assim a de permitir que por sua mão
seja honrada e remediada e por o senhor Secretário. E, eu creio, que ela
remediada as outras filhas, que são além dela duas, o serão também.
E este remédio o dá V Mercê, pois não lhe pareça que somente pelo olival
que houve por morte de sua mãe, mas por se saber que era e é de V. Mercê
favorecida... e, com isto, um homem fidalgo e que tem muita renda quer
casar com ela (como lá escrevo ao senhor Secretário) e não aguardará
mais que a sua resposta de como é contente.
Peço a V M. por
mercê que faça com que ele escreva uma carta muito encarregada sobre o
caso (como ele melhor saberá fazer do que eu dizer, pois lhe dei larga
informação sobre o assunto), na qual toque no olival; que não tenha
nenhum escrúpulo e se, para mais riqueza e mor dote, V M. quisesse
escrever uma carta à mesma D. Catarina de Sequeira de favor e esperança,
de fazer por ela e por quem com ela casar, seria grande esmola e ajuda
para logo ser feito e ele se haver por muito ditoso... (Castelo Branco,
23.5.1546).” (70)
Para concluir, vou apresentar o documento mais interessante que
possuo sobre esta matéria. Trata-se de uma carta de meados de Setecentos, onde
o seu autor responde a um parente que a ele recorrera, solicitando-lhe a
opinião acerca do seu possível mas incerto enlace com uma menina bem dotada,
mas filha de um bastardo e neta de outro... O Leitor poderá apreciar, assim, a
mentalidade de uma época e de uma geração e, embora as principais personagens
pertençam ao distrito da Guarda, ali se acham referidas muitas outras de
diversas localidades da Beira Baixa, a saber: Caria, Castelo Branco, Covilhã,
Fundão, Oledo, Peroviseu, etc.
-”Meu primo e senhor. Recebo as suas boas notícias, que muito
estimo e a toda a família a quem me fará recomendado. Sim, senhor, a tal menina é bem dotada, todos lhe
fazem já da casa de seus pais 20 000 cruzados, seguros em boa casta de fazenda
e sólida; tem uns tios clérigos, que poderão também dar-lhe uma boa porção e é
muito bom casamento para um cavalheiro, que tem casa só para passar com
decência e não para maior esplendor. Conheço melhor que ninguém, que os tempos
estão tão alterados que só cavalos, criados e seges é que são respeitados por
grandes figuras.
O exame apertado de
nascimentos nesta matéria só é bom para Pedro Saraiva, Pedro Aragão e outros,
que têm grandes Casas e, por isso, disse eu a Vossa Mercê que lá pensaria e
resolveria com juizo, com os olhos no mundo, que V M tem palpado pelos seus
anos ainda melhor que eu, que nasci ontem. Se respondi a V M. que a tal menina
era filha de um bastardo e neta de outro, que o primeiro era clérigo sem
legitimação e desherdado da Casa de seu pai e havido nem uma criada, que o
segundo, sim, fora legitimado mas não herdado na Casa do clérigo seu pai e havido numa moleira, porque o clérigo bastardo
só olhou para a decência e esplendor da
Casa Rapa, a quem instituiu
herdeira com bons 30 000 cruzados de
fazenda que vinculou em morgado, reconhece que Miguel Alexandre é seu filho bastardo e lhe deixa como legado o que tinha em Caria, ficando estes
legados livres e sem a
qualidade de vínculo, que deu ao forte dos seus bens vinculados para a Rapa... Com que, meu senhor e primo, estes dois bastardos
seguem outro rumo que os mais
que por aí vemos.
Conheço que
há uma bastarda de João Pinto, do Fundão, mas ficou absolutamente herdada na Casa de seu pai e tias; conheço que há uma D. Maria de
Mendonça, bastarda de Manuel da
Fonseca morgado de Oledo, mas
ficou absolutamente herdada na Casa de seus pais e avós e representando a mesma figura e nome; conheço que houve José da Silva Castelo
Branco, bastardo do Dr. António
da Silva Castelo Branco, mas ficou herdado nos bens de seu pai, tias e
madrasta, legitimado e filho de
uma mãe tanto ou mais nobre que
o pai; conheço que houve Bernardo da Fonseca, bastardo de Francisco Martins de Siqueira da Fonseca, mas sei que ficou com a
representação e herança de seu
pai e avós, e que seu 3° neto vive em Castelo Branco no mesmo palácio em que aqueles viveram.
Nós não estamos nesse caso, meu primo... Miguel foi deserdado por seu pai nas forças
principais dos seus bens. O pai
quis o esplendor e a decência da
Casa da Rapa, a quem anexou em morgado o seu forte e apenas deixou em legado ao bastardo o que tinha em Caria e até lho deixou livre. O pai
era clérigo e um bastardo que
nem legitimado nem herdado ficou pelo
senhor da Casa da Rapa, seu pai. Se eu disse isto a V Mercê e se agora lho confirmo é porque mo pergunta, nem eu creio que haja ocasião em
que um parente e amigo honrado
deva falar com mais clareza e verdade. Sim, senhor, Manuel Veloso Cabral, pai do clérigo (1° bastardo), lá disse eu e
torno a repetir que é muito
distinto, dele descende a mulher do Dr. Luís António (que hoje tem o morgado que fez o clérigo bastardo) e a mulher de Diogo Dias Preto.
Mas ele ainda
tem outros parentes mais honrados, como são todos os mais distintos de Celorico e Guarda; tem muitos antepassados úteis à Nação nas armas
e letras, porque a Casa da Rapa
sempre se distinguiu muito e nunca fez casamentos piores que estes agora
em Peroviseu e Covilhã...
Lá os ascendentes
figuraram melhor
e conta uma igualdade em casamentos digna de muita atenção, cinco avós tem Manuel Veloso Cabral todos desembargadores: o primeiro,
João Veloso, mereceu a doação
de um morgado em Linhares,
constituído em terras da Coroa, de juro e herdade para ele e seus descendentes, que ainda hoje tem a Casa da Rapa e isto há 300 anos,
regalia e qualidade que V Mercê
me não há-de apontar em Casa nenhuma
destas 2 comarcas.
Ainda que meu primo é distinto, com igualdade e tem um casa muito boa, capaz de se tratar com decência, é contudo
prudência chegá-la a ponto de
figurar com esplendor e esta ocasião
não é para desprezar. Se os clérigos estão no que V. Mercê me diz e, maiormente, se eles concorrerem a dotar os seus bens, deve V
Mercê não perder com a demora,
e deixar escapar um dote que, facilmente,
não achará nestas terras. Em Caria há um clérigo, chamado o Pe. António Pires, que tem um bastardo e ouvi há anos que queria
legitimá-lo, mas agora ouço que
quer metê-lo numa religião.
Este é
tio da menina e tem bons 25 000 cruzados. Se V Mercê tratar alguma cousa, veja se ele doa e talvez o faça, pois já ele foi quem casou Miguel e lhe deu dinheiro para se desempenhar.
Se puderem vinculem essas doações, porque é miséria uma Casa tão boa não ter um palmo de terra vinculado e só ser
tudo livre e habilitado para
vir a retalhar-se em partilhas ou a
vender-se quando der num génio como João Soares Girão (da Covilhã), Agostinho Tavares (de Castelo Branco) e outros semelhantes. V Mercê tem
uso do mundo, sabe pensar e lá
fará com o acerto que costuma.
Veja se lhe sirvo de alguma cousa e conte com certeza o meu coração e o meu ânimo muito
pronto em obsequiá-lo, pois sou De
V Mercê O primo muito amante e
obrigado”.
(Continua)
O Albicastrense
quarta-feira, agosto 24, 2016
PARQUE URBANO DA CRUZ DO MONTAVÃO
HOMENAGEM AOS NOSSOS ARTISTAS
Segundo
veio a público está encontrado a proposta vencedora para o Parque Urbano da
Cruz do Montalvão. Entraram em concurso 19 propostas ao Concurso, promovido
pela Câmara Municipal de Castelo Branco, com a assessoria da Secção Regional da
Ordem dos Arquitetos, desenvolvendo-se o Parque numa área com 21 hectares
dentro dos limites da cidade.
A arquiteta
paisagista Verónica Ribeiro de Almeida venceu o Concurso de Concepção para
a Elaboração do Projeto para o Parque Urbano da Cruz de Montalvão, em Castelo
Branco.
O
relatório final do Júri indica que "a proposta organiza de forma clara uma hierarquia de
trajetos que emergem da grande artéria verde diagonal. Esta artéria verde faz
prolongar um trajeto urbano enunciado que se torna protagonista de todo o
sentido da intervenção. É sobre este eixo, com a inteligência de se fazer
marcar sobre um percurso de pé posto existente, que surgem os elementos do
parque".
Luís
Correia, presidente da Câmara albicastrense, lamentou a ausência de propostas
por parte arquitetos paisagistas albicastrenses.
Tal
como Luís Correia, também eu lamento a falta de arquitetos paisagistas
albicastrenses neste concurso, aliás, estou convencido que a sua presença no
concurso, talvez imprimisse ao projeto um cunho ligado à história da nossa
terra.
Sendo
eu um albicastrense apaixonado pela sua terra e por todos aqueles que ao longo
das suas vidas muito a dignificaram, gostaria de convencer o presidente Luís
Correia do seguinte:
A
terra albicastrense é como todos sabemos, uma terra madrasta para com os seus
artistas, se perguntarmos a algum albicastrense nomes de artistas nascidos na
sua terra ou nas aldeias ao seu redor, a resposta será, “não me lembro de ninguém!...” ou
então, alguém evoca, Eugenia Lima.
Em Castelo
Branco ou aldeias próximas, nasceram artistas como: Robles Monteiro (ator), Francisco Costa (ator), Eduardo de Matos (ator), José Boavida (ator), Maria Lalande (atriz), Maria Olguim (atriz) Eugenia Lima (acordeonista), e ainda muitos e outros
a quem mendigo perdão, por não colocar aqui os seus nomes.
esquecimento colectivo dos albicastrenses depois de mortos.
O que
este albicastrense propõe ao presidente da autarquia da sua terra é que, no
futuro Parque Urbano da Cruz do Montalvão, exista um mural dedicado a artistas
nascidos na terra albicastrense, ou aldeias próximas.
Mural,
onde seriam gravados nomes de artistas que projetaram a terra albicastrense
para fora das suas fronteiras.
Ou será que políticos que até são pagos para desempenharem
funções, são mais dignos de ter os seus nomes espalhados por tudo
o que é parede na terra albicastrense?
A proposta está feita. Este albicastrense e com certeza muitos outros, (penso eu), dirão que nunca é tarde para prestar justiça aos nossos artistas, artistas do passado e do presente.
Terra que não perpetua os nomes dos seus artistas,
merece tê-los?
O Albicastrense
domingo, agosto 21, 2016
Subscrever:
Mensagens (Atom)
MEMÓRIAS DO BLOG - “A primeira publicação do blog” - setembro de 2005".
quarta-feira, setembro 07, 2005 CAFÉ LUSITÂNIA - 1827 - 2003 (CAFÉ TÍPICO DA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX) Local de convívio de muitos albic...
-
LENDAS E FANTASIAS Num dos comentários feitos a propósito das estátuas do Jardim do Paço, desafiou-me o “Castraleuca” par...
-
LISTA DE TODOS OS GOVERNADORES CIVIS DE CASTELO BRANCO: (1835 - 2011) O Governo Civil, em Portugal. foi um órgão da administração públic...
-
" PATRIMÓNIO DA TERRA ALBICASTRENSE " O texto sobre o bordado de Castelo Branco que vão ler a seguir é, da autoria de...




















