segunda-feira, julho 04, 2016

CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (XIV)

 QUANDO A GUERRA BATE À PORTA 
    As Lutas da Restauração e a Invasão Francesa 
 (1ª Parte)
(Continuação)
Assento 23 
- Frei António Estaço, capitão de cavalos e cavaleiro da nossa Ordem, faleceu em o mesmo dia que a sua mãe (a 17.11.1663) e está enterrado em túmulo dos leões.
Assento 24 
- Aos 16 de Maio de 1666, morreram no choque que houve em Ferreira Diogo Pires, do Cebolal; Gaspar Mendes, da Benquerença de Baixo e Francisco de Oliveira, dos Maxiais / Barroso.
Assento 25 
- Pelo Mestre de Campo Estevão Pais da Costa, que morreu na ocasião em que se arrasou a Sarça, se tem satisfeito com todo o cumprimento da Alma, que ele deixou em seu testamento / Barroso (Maio, 1666).
Assento 26 
- David Horsecraff, soldado do Regimento 32 de El-rei da Grã-Bretanha, faleceu com o sacramento da extrema-unção (por mostrar ser Católico Romano) no Hospital desta cidade, em 15 de Novembro de 1808.
Foi sepultado no adro desta igreja, de que fiz este termo que assinei / O Vig° Manuel Martins Pelejão.
Assento 27 
- Cristiano Bergmann, sargento do 5° Batalhão Alemão, faleceu em o 17 de Julho de 1809 e foi sepultado no adro desta igreja, de que fiz este termo que assinei / O Vig° Manuel Martins Pelejão.
Assento 28 (Ibid. fl. 47)
- Inácio da Silva Delgado, alferes do 1 ° Batalhão da Leal Legião Lusitana, faleceu com todos os sacramentos e sem testamento em o1° de Outubro de 1809. Foi sepultado no adro desta igreja, de que fiz este termo que assinei / O Vig° Manuel Martins Pelejão.
Assento 29 
- José Lopes, soldado espanhol da 4ª Companhia do Batalhão de Mérida, faleceu com todos os sacramentos e sem testamento em o 9 de Outubro de 1809. Foi sepultado no adro, de que fiz este termo que assinei / O Vig° Manuel Martins Pelejão.
Comentário
As guerras em que o país se envolveu «bateram» quási sempre às portas da urbe albicastrense, nela deixando indeléveis marcas de destruição e morte, como podemos constatar através dos registos apresentados e relativos às lutas da Restauração (os três primeiros) e à invasão francesa (os restantes).
No 1° caso, eles confirmam que no território correspondente atualmente ao da província da Beira Baixa a guerra desenrolou-se por largo período quer em ações de saque e retaliação como pelo assalto às fortalezas e povoações mais próximas da fronteira... Quanto à entrada dos franceses sem Castelo Branco e aos sucessos que ali tiveram lugar, foram objecto de narrativas coevas já publicadas pelo que nos abstemos de qualquer comentário sobre o assunto. (37) 
Frei António Estaço da Costa, que morreu dos ferimentos sofridos na guerra em 17.11.1663 (Assento 23), foi batizado na igreja de Santa Maria a 1.2.1618, sendo filho de Manuel Oliveira de Vasconcelos e D. Helena da Costa de Lemos. Ainda jovem tomou parte nas lutas da Restauração, sendo-lhe concedida a patente de capitão dos Auxiliares da comarca de Castelo Branco, em 27.9.1647.
Prestou assinalados serviços não só na dita vila como nos mais diversos lugares e ocasiões: na entrada da vila de Ferreira e socorro a Salvaterra do Extremo, Penamacor e à província do Alentejo; na queima dos lugares de Pedras Alvas e Estorninhos, Fuente Guinaldo, Perosie Penhaparda; na peleja que se travou com o inimigo em Alcântara e assistência ao forte da Zebreira; na presa de gados em terras de Castela, entrada do campo de Cória e recontro de Penha Garcia, em que foi ferido. Por tudo isto, teve a mercê de cavaleiro da Ordem de Cristo com 40000 réis de tença, em 29.5.1655. (38)
Estevão Pais Estaço (ou da Costa), primo-irmão do anterior e a quem se refere o Assento 25, foi batizado a 10.3.1611 na igreja de Santa Maria, sendo filho de António Pais e D. Violante Estaço da Costa. Teve uma vida muito acidentada... Assim, matou por adultério a 1ª mulher D. Marta Frazão bem como o amante, o L. do Francisco Rodrigues Barriga, cunhado de seu irmão Diogo Pais da Costa.
Por tal motivo esteve preso no Limoeiro, onde matou outro homem, tendo sido condenado a pena de degredo para o Brasil. Depois da aclamação de D. João IV tornou ao reino e distinguiu-se como valoroso soldado, ocupando os postos de capitão de infantaria em Elvas, sargento--mor dos Auxiliares na Comarca de Avis e, finalmente, Mestre de Campo de um terço que arrasou Sarça, ação em que morreu no mês de Junho de 1665. Casou 2ª vez com D. Amónia de Mendanha de Sande (irmã de Sebastião Caldeira de Mendanha, morto pelos castelhanos em Salvaterra) e, por este casamento, teve a propriedade do ofício de almoxarife e juiz dos Maninhos de Castelo Branco e sua comarca, bem como das vilas do Campo das Idanhas (23.6.1663). (39)
(Continua)
                                                  O Albicastrense

sexta-feira, julho 01, 2016

ANTIGA JUDIARIA DA TERRA ALBICASTRENSE

Na minha última visita à zona histórica da terra albicastrense, constatei que a placa toponímica da rua D’ Ega tinha deixado de ter por baixo do nome da rua, a seguinte designação: “Rua Principal de Antiga Judiaria – 1363 - 1496”.
Ao passar pela rua Nova, verifiquei que a respetiva placa toponímica tinha por baixo do nome da rua, parte da informação que anteriormente estava na placa da rua D’ Ega.
Os meus velhos neurónios começaram em ebulição, agitação que de imediato concluiu que algo de novo deveria ter acontecido para que tal mutação tivesse acontecido.
O jornal Povo da Beira desta semana dá luz a este assunto. Ficamos assim a saber através do referido jornal, que a mudança se deve a um estudo encomendado pela autarquia albicastrense sobre a Antiga Judiaria.
Não querendo agueirar a migração da antiga judiaria da terra albicastrense de uma rua para a outra, este albicastrense só pode esgrimir que nunca é tarde para repor a verdade, por isso, os meus parabéns aos responsáveis pela reposição da “verdade” histórica e, pela coragem de tomar decisões onde por vezes alguns preferem ficar caladinhos. 
O Albicastrense

quarta-feira, junho 29, 2016

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - CIX


A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. 
António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).
 (Continuação)
 (Continua)           
                                      O Albicastrense

segunda-feira, junho 27, 2016

COMENTÁRIOS - XXV

A NOSSA ZONA HISTÓRICA
O comentário que desta vez estou a postar, foi deixado em esclarecimento a um poste sobre a zona histórica da terra albicastrense. Ao seu autor, só posso dizer bem-haja pelo esclarecimento que nos deixou, alegando que talvez a publicação do seu comentário como poste, possa despertar consciências adormentadas na defesa da nossa zona histórica.
A quem dirige a autarquia albicastrense, não
posso deixar de esgrimir o seguinte:
Tendo a autarquia albicastrense gasto milhões e milhões de euros na recuperação da nossa zona história, este albicastrense não consegue entender que a política empresarial de terminadas empresas “não querem gastar dinheiro com a passagem dos cabos aéreos para os tubos subterrâneos, que já lá estão”, se sobreponham aos interesses da nossa zona história e dos albicastrenses.
Aos albicastrenses posso esgrimir igualmente o seguinte: Se não fosse muita ousadia minha, quase que implorava aos albicastrenses, para que de futuro pensassem melhor antes de assinar contratos de fornecimento de serviços de comunicações com determinadas empresas, empresas que tão mal tratam a nossa terra.

José de Castilho disse...
Tem toda a razão nos comentários relativamente aos dois casos que aqui expôs. Quanto aos horríveis cabos e caixas metálicas cinzentas que desvalorizam o aspecto da fachada principal da minha casa (e a fachada lateral também) ando há 5 anos a lutar pela sua remoção, mas como as obras se iam arrastando sempre tinha a esperança que mais dia, menos dia o assunto fosse resolvido. 
Há para aí uns dois meses concluí que aquilo não saía da cepa torta, pois a EDP, à minha revelia, andou a fazer buracos nas minhas fachadas e a fixar definitivamente os cabos pendurados provisoriamente em ferros desde o final das obras. Para que as fiadas fossem na horizontal, até traços de fio de pedreiro azul fizeram por cima da pintura branca com tinta de silicato, que o IGESPAR exigiu.

Então, fui falar com o Sr. Presidente da Câmara, que me recebeu com muita simpatia e se prontificou a fazer todos os esforços para que o problema seja resolvido. O que ele me disse foi que esta situação ainda não foi resolvida porque a EDP, a PT e a Cabovisão (parece que também é TV Cabo, agora) não querem gastar dinheiro com a passagem dos cabos aéreos para os tubos subterrâneos, que já lá estão. Escrevi uma carta a cada uma das companhias a intimá-las a retirar os cabos, que foram ali colocados sem minha autorização. A EDP foi a que mais se preocupou em dar-me resposta, pois escreveu-me e mandou lá um responsável. Mas empurrou a solução para a responsabilidade da Câmara. 
O senhor que lá foi disse-me o mesmo que me tinham dito por telefone, que podiam tirar de lá os cabos se eu pagasse a despesa. Respondi que ali não é nenhuma empresa turística, que ganhe dinheiro com o visual da fachada, para arrecadar receitas e lhes pagar, que ali é um edifício com interesse histórico (tem o brasão mais antigo da cidade), mas uma mera casa particular.
É feio ver aquilo para quem ali passa, que fica mal impressionado, a começar por mim, mas não me compete custear o bom visual duma parcela da cidade.  Fiquei a saber, pelo senhor da EDP que lá foi, que as horríveis caixas cinzentas não são deles mas sim da Cabovisão. A Meo (PT ou lá o que é) não se dignou responder-me.
A Cabovisão respondeu-me com delicadeza que estão a estudar o problema. Não bastavam estes desgostos, quando tive mais um: o horrível grafito de medonhas letras rabiscadas por cima da tal tinta de silicato, na fachada principal.
Bem, vou mandar limpar aquilo e pintar, quando já lá não houver fios nem caixas metálicas. Sobre isto, o comentário principal de interesse para os albicastrenses, é que ali não há policiamento nenhum, a zona histórica está entregue à bicharada durante a noite. Só por milagre não acontecem coisas piores.
Roubaram-me das portas laterais as maçanetas metálicas desenroscáveis por fora e não fui o único contemplado. E tanto quanto consta não são moradores da zona que fazem isso. Resta-me esperar que o Senhor Presidente da Câmara Municipal, pessoa que muito admiro e por quem tenho elevada consideração, consiga resolver estes problemas.
José Martins Barata de Castilho
O Albicastrense

sexta-feira, junho 24, 2016

CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (XIII)

 Quando Neste Mundo só era Feliz
 o que Acertava Morrer bem.
(Continuação)
Assento 22 (S2 - 10, fl. 522v) - Francisco Rafeiro, natural desta vila, faleceu com todos os sacramentos em os 26 do mês de Janeiro de 1738. Fez testamento, em que deixou 1500 missas por sua alma e outras mais por parentes, e outros legados mais; e, ultimamente, instituiu a sua alma por herdeira e vinculou a sua fazenda com obrigação de missas por sua alma, como consta do mesmo testamento. E, para constar, fiz este assento que assinei dia, mês e ano «ut supra».
(Declaro que foi sepultado nesta igreja em cova de fábrica). / O Vig° Frei Manuel Rodrigues Corugeiro.
Comentário
O L. do Francisco Rafeiro, natural de Castelo Branco e baptizado na igreja de Santa Maria a 21.2.1661, era filho do boticário António Vaz Mendes e de sua mulher D. Branca Rafeiro. Frequentou a Universidade de Coimbra, onde se matriculou em Medicina a 1.10.1681 e concluiu o seu curso a 26.6.1687, passando ao exercício da clínica médica na terra natal e ali falecendo, solteiro, a 26.1.1738 (Assento 22).
Seguindo a inspiração e o exemplo de outros varões ilustres, o Dr. Francisco Rafeiro deixou o seu nome ligado a diversas ações de benemerência. Assim: legou à Misericórdia de Castelo Branco todos os bens de raiz; instituiu ainda um legado de 100000 réis para dote de casamento de 5 órfãs; doou as suas casas «novas e nobres», sitas na Rua do Postiguinho de Valadares, para vivenda dos párocos de S. Miguel; custeou a magnífica obra de azulejo, levada a cabo na antiga ermida de S. Gregório (atualmente, capela de Nossa Senhora da Piedade).
Por tal motivo, no pavimento da referida capela e defronte da porta travessa, foi gravado em azulejo o seguinte letreiro: - Esta obra de azulejo e / Pavimento se fez com o /dinheiro do doutor Francis/co Rafeiro já defunto p/e de se um P. Nosso Ave-maria pela sua alma / 1739. (35)
Por se encontrar doente e «com excessiva dor no braço direito», não pôde o Dr. Francisco Rafeiro redigir o seu testamento, lavrado a 26.12.1737 pelo patrício e amigo, o Padre - Mestre Frei Manuel da Rocha, doutorado em teologia pela Universidade de Coimbra, Abade Geral dos monges de Alcobaça, membro da Academia Real da História, etc. Dele extraímos uma parte que consideramos muito significativa.- «Em nome de Deus trino e uno, Ámen.
Este é o testamento que faço eu Francisco Rafeiro, estando enfermo na cama e em meu juízo perfeito, qual o mesmo Senhor foi servido de me dar. Primeiramente, encomendo a minha alma a Deus, que a criou e a remiu como seu preciosíssimo sangue e em cuja santa fé cristã fui criado, vivi e determino morrer, recorrendo às chagas de meu Senhor Jesus Cristo para que, mediante elas, consiga perdão das minhas grandes culpas.
Da mesma sorte, rogo e peço à Virgem Santíssima da e dade a queira ter comigo, sendo minha advogada e intercessora diante de seu unigénito Filho para que, quando a minha alma se afastar do meu corpo e for chama da ajuízo, me assista a valha; para que, por sua infinita misericórdia, se me conceda aquele sumo bem e felicidade eterna de que gozam os seus escolhidos e santos...
Considerando a pouca duração do mortal e que neste mundo só é feliz o que acerta morrer bem que o corpo se deve dar à terra de que foi formado, ordeno e mando que, quando Deus for servido de me chamar para si, seja o meu corpo amortalhado no hábito de S. Francisco e sobre ele a véstia de meu Padre S. Pedro, de que sou indigno irmão; e, assim, que me levem à igreja de S. Miguel e nela me sepultem, junto quanto for possível das sepulturas em que jazem minha mãe e minha irmã e minha sobrinha, que é junto do degrau do altar de S. Francisco Xavier
…. Mais mando que, no dia do meu ofício, se dê a cada preso dos que se acharem na cadeia um tostão de esmola e a cada enfermo, que então se achar no Hospital, outro tostão... À Senhora da Piedade, minha especial advogada, deixo uma moeda de ouro, que o meu testamento aplicará para aquilo que julgar mais necessário para o seu altar”... (36)
(Continua)
                                                  O Albicastrense

terça-feira, junho 21, 2016

GEORGIO MARINI

UM PINTOR  ITALIANO
 NA 
TERRA ALBICASTRENSE
Nos últimos anos postei aqui vários postes sobre Giorgio Marini, pintor Italiano de Florença que se fixou em Portugal. O pintor viveu algum tempo nos Açores assim como noutras localidades do nosso país. 
Nos últimos anos da sua vida, fixou-se em Castelo Branco, local onde morreu a 8 de julho em 1905, tendo aqui ficado sepultado. 
O meu interesse por este pintor, deve-se a um interessante trabalho publicado por Luís Pinto Garcia na revista “Estudos de Castelo Branco”, (Junho de 1961). 
Marini, pintou retratos, flores, paisagens e cenas históricas e religiosas. 
Muitas foram as pessoas que me contactaram por causa dos referidos postes, uns porque têm quadros seus, outros, procurando saber mais sobre ele. Também eu, procurei saber mais sobre o pintor que escolheu a terra albicastrense para fim de vida, nessas tentativas encontrei nos Açores um belíssimo quadro dele na Igreja Matriz de Ponta Delgada (Capela do Batisférico). 
- Retábulo de São João Batista na cena do Jordão. Também chamado de Altar das Almas, o homem ao fundo de barba castanha curta é auto-retrato de Marini. (Imagem foi-me oferecida por, Carlos Melo Bento). 
As imagens 1 e 2 deste poste foram-me enviadas por determinada pessoa, se alguém estiver interessado em adquirir um destes quadros, pode deixar mensagem que eu depois encaminhe-o para o proprietário das obras. 
Vou continuar a procurar mais dados sobre este homem que escolheu a terra albicastrense para morrer. 
O Albicastrense

MEMÓRIAS DO BLOG - “A primeira publicação do blog” - setembro de 2005".

quarta-feira, setembro 07, 2005 CAFÉ LUSITÂNIA - 1827 - 2003 (CAFÉ TÍPICO DA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX) Local de convívio de muitos albic...