segunda-feira, janeiro 02, 2012

OS NOSSOS POETAS



POETAS DA MINHA TERRA

Num ano que se advinha bem difícil para a grande maioria dos albicastrenses, nada melhor que começar o ano de 2012, com a publicação de um pequeno “poust” sobre  poesia.
E falando de poesia, este albicastrense só pode mesmo dar  palavra a um poeta albicastrense.
Do livro; “O Sol de Psara” de António Salvado, aqui fica um belíssimo poema.


O OLHAR DE VER



 Em tudo o que tu vês     eu moro aí,
em tudo o meu olhar        a ti só vê -
conforto de presença tão contínuo
que não sabe onde surge         onde termina
dentro do modo            o tempo deste ver.

Nem eu alcanço outro horizonte além,
nem tu aqui outra maior distancia –
e os olhos bem juntinhos não se lembram
de sentirem em si diverso alento
que não seja        - a tremerem -        a constância. 

Por isso       como um lanço -       os nossos corpos
ignoram qualquer ‘espaço que os separe –
muitos encostados             poros sobre poros
com mais desejo encima                até fartarem.

António Forte Salvado

O Albicastrense

quinta-feira, dezembro 29, 2011

BAIRRO DO VALONGO



UMA RUA NO SAPATINHO
DOS
MORADORES DO BAIRRO DO VALONGO

Para terminar o ano que agora acaba no blog; “Castelo Branco – O - ALBICASTRENSE”, nada melhor que aqui colocar um “post” sobre o bairro do Valongo, (bairro onde moro à cerca de 25 anos).
O Bairro do Valongo viu recentemente uma das suas ruas (rua da escola) recuperada, rua onde alguns dos seus moradores, receavam dia menos dia poder vir a morrer afogados, num dos muitos buracos que nela habitavam.
A rua da escola e os seus passeios (como se pode ver, nas fotografias que embelezam este poste), tem agora a dignidade que os seus moradores merecem, uma vez que também eles, são moradores de Castelo Branco em primeiro grau, e não habitantes de segunda ou terceira classe entre os albicastrenses.
A autarquia albicastrense, está pois de parabéns pelo trabalho feito, no entanto, este albicastrense notifica os responsáveis pelo trabalho desenvolvido, que esta é uma pequeníssima prenda nos sapatinhos dos moradores do Bairro do Valongo, uma vez que neste mesmo bairro, existem (pelo menos) mais de uma dúzia de ruas que aguardam por novos pisos, novos passeios, nova electrificação do bairro, um parque infantil e muitas outras coisas que o bairro não tem.

Senhores responsáveis pela autarquia da minha terra:
O futuro centro coordenador de transportes, pode ser importante!
O futuro aeródromo de Castelo Branco, pode ser importantíssimo!
O futuro centro de arte contemporânea, um espanto!
O futuro parque radical, uma novidade!

No entanto, por mais importância que queiramos dar as estas infraestruturas, elas serão sempre muito menos importantes, que o bem-estar dos albicastrenses que vivem em bairros, com projectos de recuperação adiados à muitos e muitos anos.

Senhores responsáveis pela autarquia da minha terra:

Será que os albicastrenses moradores no bairro do Valongo, vão continuar a olhar para os bairros vizinhos e perguntar a si próprios:
que mal fizemos nós a quem dirige a nossa autarquia, para que o bairro onde vivemos, continue a ser uma espécie de gueto em relação a outros bairros existentes em Castelo Branco?“
A pergunta fica feita, agora só falta mesmo que aqueles que propõem a construção de todas as estruturas anunciadas, que metam a mão (ou o pé) na consciência, e de imediato tenham a coragem de fazer o que em tempos constava no site da Câmara Municipal de Castelo Branco e que alguém fez sumir.

Intervenções Estratégicas do Bairro do Valongo

O bairro do Valongo desenvolve-se segundo uma tipologia de lotes de moradias uni familiares, envolvidas por pequenas áreas ajardinadas, implantadas segundo uma malha ortogonal extensa e repetitiva. A valorização deste núcleo passará inevitavelmente pela implementação de acções de qualificação do espaço exterior, nomeadamente, beneficiação dos pavimentos e do sistema de iluminação, enterramento de infra-estruturas e implementação de espaços de recreio e lazer. A introdução de elementos referênciadores que auxiliem a criação de hierarquias, de equipamentos que promovam melhores condições de convívio, e a promoção de ligações privilegiadas ao tecido urbano principal, poderão contribuir para diminuir as assimetrias actualmente existentes, dotar este bairro de vida própria, tornando-o parte integrante da cidade consolidada”


Bonitas palavras! Porém, apenas palavras....


O Albicastrense



quinta-feira, dezembro 22, 2011

MORREU O PINTOR BARATA MOURA



BARATA MOURA
(1911-2011)

O pintor Barata Moura faleceu, no domingo, aos 100 anos. Nascido na aldeia histórica de Castelo Novo, concelho do Fundão, no dia 9 de Janeiro de 1911, completou este ano… 100 anos de vida.
A sua aprendizagem artística foi feita em Lisboa na Escola de Artes Aplicadas e na Escola António Arroio – para onde migrou aos 17 anos. No entanto, fortemente arraigado à sua terra natal, a passagem dos anos e os ares da cidade não desvaneceram os laços de profundo afecto que ligavam o Artista aos víveres modestos das gentes da região onda nascera, não porque aí possuísse bens materiais, mas porque desta recebeu marcada influência vivencial, espiritual, moral e mesmo intelectual, do berço até hoje.
Com vasta obra artística, pintou mais de cinco mil telas, entre elas, muitas das paisagens físicas e humanas da beira interior.
Castelo Branco e o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, estão hoje muito mais pobres. Com o desaparecimento do mestre Barata Moura, perdemos alguém que através da sua pintura, nos ensinava a amar ainda mais a nossa terra.
Aos responsáveis pela autarquia da minha terra, este albicastrense que teve a honra de conhecer o mestre Barata Moura, sugere-lhes que seja dado a uma rua da sua cidade, o nome de Barata Moura. Se não honrar-mos através das placas toponímicas, os nossos pintores, poetas, artistas, escritores ou políticos quem diabo vamos nós honrar?
A sugestão fica! Vamos aguardar, para ver o que a autarquia da minha terra pensa sobre ela.
O Albicastrense

quarta-feira, dezembro 21, 2011

UM PEDIDO AO PAI NATAL


Amigalhaço pai natal: o governo que desgoverna o meu pais, aprovou recentemente as novas taxas moderadoras para o sector da saúde, taxas que prevêem aumentos monstruosos,  aumentos que vão castigar os mais pobres e os mais idosos.
Neste momento tão doloroso para a grande maioria dos portugueses, este albicastrense vem mendigar-te, (copiando aqueles que nos últimos dias tanto têm pedido aos jovens licenciados do meu Portugal, para irem para outras bandas), para colocares nos sapatinhos dos responsáveis pelas taxas moderadoras, bilhetes para viagens (de preferência em transportes com "quadruplos" e só de ida) para países nunca antes habitados.
Desde já, muitos agradecimentos pela realização desta minha fantasia.

Um albicastrense que "ainda" acredita em ti.

 Será este simples e pequeno pedido, um pedido demasiado grande para o pai natal?

Ou será que também ele, derivado à sua muita idade e ao seu precário emprego, vai meter a viola no saco e comentar para com os seus botões: ”perdoa-lhes senhor, por eles se estarem cagando para os mais necessitados!”.
Perante a tragédia que caiu sobre os portugueses, (tragédia que vai aumentar em 2012), o albicastrense só pode mesmo desejar aos visitantes deste blog, não um feliz natal, mas antes, o melhor natal possível.



O Albicastrense

domingo, dezembro 18, 2011

HISTÓRIAS DE ONTEM E DE HOJE

Das muitas histórias que todos nós já ouvimos contar, umas vão-se como o vento, outras porém, ficam-nos na memória sem sabermos muitas vezes do porquê.
A partir de hoje, o autor deste blog aceita pequenas histórias que tenham por cenário, a nossa terra ou as nossas gentes, para aqui postar.
Se conhece alguma pequena história, ou se for capaz imaginar uma que nos façam sorrir de nós próprios, só tem que a deixar nos comentários do último poste, para que eu a possa publicar.
Amigo visitante, navegue até ao sótão dos seus neurónios, abra as gavetas das cómodas que por lá encontrar e relate-nos as histórias esquecidas pelo tempo. Se na navegação efectuada apenas encontrar pó e teias de aranha, dê asas à sua criatividade (voe apenas em duas ou três páginas), e faça-nos sorrir a todos com a sua imaginação, pois, tal como diz o poeta, se não nos conseguirmos rir das nossas próprias palhaçadas, de quem havemos nós de rir?
O GATO QUE FOI MANDUCADO COMO COELHO
A história que aqui vou contar, passou-se no início da década de 60 do passado século em Castelo Branco, e tem como intervenientes oito jovens que na altura viviam no Bairro do Cansado.
A história conta a triste sina de um gato, que se vê forçado a passar por coelho no prato de sete malucos do referido bairro, mas deixe-mo-nos de conversa e vamos à história.
O Bispo e o Vitorino, tinham por hábito passear pela linha do caminho de ferro que passa perto do largo do matadouro (Bairro do Cansado), largo que ainda hoje (segundo penso), mantem o mesmo nome, independentemente do velho matadouro não morar por aquelas bandas à muitos e muitos anos.
Numa dessas andanças, os dois amigos deram com um grande gato, como quem não quer as favas, o bicho acabou com o pescoço na linha do comboio.
Depois do bicho morto, a pergunta entre eles; e agora? (diz um deles?) Vamos comê-lo!.... (respondeu o outro).
O bicho foi esfolado e colocado na mala do enxoval de uma menina casadoira (
uma irmã minha
).
O Bispo e o Vitorino (este último já falecido), resolveram convidar uns amigos para o banquete, dizendo-lhes que ele e o Vitorino tinham caçado um grande coelho.
Entre os convivas para a patuscada, estavam; o Barata, o Roque, o Marcial, o Saraiva Leiteiro, (já falecido) e o Latinhas.
O local escolhido para celebrar a caçada, foi a tasca do Vaz Preto, (hoje conhecida por café “Kate Kero”) situada na rua da Amoreirinha.
Depois do convite aos amigos, era necessário ir à mala do enxoval buscar o bicho, (o pior vem agora), como o gatinho tinha sido mal embrulhado, o sangue do bicho sujou parte do enxoval. Quando a moça casadoira deu com o enxoval sujo de sangue, foi o diabo lá por casa.
Passemos adiante e vamos ao banquete: o bichinho foi entregue na referida tasca (sem cabeça, para evitar confusões) para cozinhar com batatas, para um grupo de convivas.
A filha do dono (ainda hoje viva) foi a cozinheira. O banquete foi servido e por sinal (segundo me foi dito) bem acompanhado por tinto e cerveja.
Os mentores da comezaina acompanharam todo o banquete com boas garfadas e sem qualquer asco pelo bichinho.
Depois do gato comido, de panças bem cheias e de conversas sobre tudo e sobre nada, o Bispo levanta-se e diz que vai à casa de banho, regressa alguns momentos depois, com um pequeno saco, brinca como os convivas e abre o dito saco, tira de lá a cabeça do gatinho, e grita; miau, miau, miauuuuuuu............
Depois do miau do Bispo, os convivas do banquete atropelavam-se entre si, para sair da tasca Vaz Preto, na procura de um bom local para despejar o que tinham acabado de comer.
Segundo me foi dito, até a cozinheira do petisco que mais tarde viria a casar com um antigo futebolista do Benfica de Castelo Branco, vomitou perante o espetáculo a que tinha acabado de assistir.
Ainda hoje quando o Bispo passa pela D. Maria (a moça cozinheira), ele brinca com ela dizendo: Miau, miau, miauuuuuuu....
Moral da história: se for convidado para comer um bichinho sem cabeça, peça sempre para ver a cabeça do bichano .
Nota: esta é a primeira história, agora falta a sua!.....
O Albicastrense

sábado, dezembro 17, 2011

POETAS DA MINHA TERRA




DIA 21/12/2011
ÀS 18 HORAS
NA BIBLIOTECA MUNICIPAL
DE
CASTELO BRANCO
APRESENTAÇÃO DO LIVRO SÚBITA FLORESTA - Enquanto durar a Eternidade – (narrativa), da autoria de João de Sousa Teixeira.
O livro é editado pela RVJ, Editores e será apresentado por Carlos Semedo.
Amigo visitante, se está em Castelo Branco não deixe de assistir a este lançamento, o João conta com todos nós.
O Albicastrense

NOTAS E DOCUMENTOS PARA A HISTÓRIA DOS JUDEUS E CRISTÃOS - NOVOS DE CASTELO BRANCO - (IX)

  POR MANUEL DA SILVA CASTELO BRANCO NONA PUBLICAÇÂO: Embora já tenha publicado o trabalho de Manuel da Silva Castelo Branco, resolvi voltar...