BEM – VINDOS A UM BLOGUE LIVRE DE OPINIÕES SOBRE CASTELO BRANCO, SEJAM ELAS BOAS OU MÁS. O BLOGUE É DE TODOS E PARA TODOS OS ALBICASTRENSES…
sábado, agosto 15, 2015
quinta-feira, agosto 13, 2015
terça-feira, agosto 11, 2015
EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - CI
A
rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de
1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril
de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A
mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António
Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação,
(Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).
O texto está escrito, tal como foi
publicado.
Os comentários do autor estão aqui na
sua totalidade.
(Continuação)
Quatro
dias depois, ou seja em 20 de Julho, lá estão de novo os vereadores reunidos em
sessão, apenas para isto:
“Nesta vereação foi proposto que
suposto se tivessem avaluado os olivais desta cidade em duzentos mil réis
contudo como eles se não avaluarão logo, a demora tem feito com que o gado Bois
e Egoas tenham comido o agostadouro fica por tanto valendo cento e trinta mil
réis”.
Vem
logo dois dias depois nova cerimónia da posse de um cargo de certa importância,
o de Procurador da comarca, para que tinha sido nomeado o Doutor Francisco
Xavier Borges Pereira Feraz. Assistiu também muita gente e da mais grata da
cidade. Exerceu o cargo três anos certos. À margem do auto lá está uma nota a
dizer que foi suspenso no dia 22 de Julho de 1803.
A
deliberação adoptada pela Câmara em sua sessão de 6 de Julho de 1800 na sentido
de “as vereaçoins se fazerem nos dias que determinam as Leys da Reyno”,
isto é, duas sessões por semana, não teve desde logo execução, pois que a
sessão seguinte se realiza um mês e três dias depois, ou seja em 9 de Agosto. A
ata respetiva começa assim:
“Nesta foi apresentada huma ordem do Juizo
Provedoria na qual vinha inserta outra de Sua Alteza Real o Príncipe Regente Nosso
Senhor em Virtude da qual mandava o mesmo Senhor que a Camera desta cidade
desse a sua resposta sobre um requerimento que a Camera da Villa de Alpedrinha
fez ao mesmo Senhor para efeito de concertar as calçadas”. Depois segue-se a
resposta, que é de respeito pelo tamanho. Resumimo-la.
"A
Câmara, Nobreza e Povo de Alpedrinha, queriam que esta cidade e sua comarca concorressem
para as despesas da “calçada nova que intentavam fazer na passagem daquela Vila para a
Covilham”, mas o que se
dizia no respectivo requerimento não era exacto. Diziam que por ali tinham de
passar as lãs para as fábricas da Covilham, mas não era exacto, pois que estas
seguiam em carros pela estrada que serviam esta cidade, a da Guarda, Trancoso e
Pinhel. A calçada era para comodidade da população de Alpedrinha e por isso era
justo que fosse ela a pagá-la, tanto mais que lá havia recursos. Bastava
saber-se que só uma ervagem lhe rendia 50 moedas de ouro. Constava, era certo,
que a dita ervagem tinha sido vendida por alguns anos; mas, como essa venda
fora feita “para uma obra inútil e de ostentação, qual foi a de duas torres para a
sua Igreja empregassem o seu produto para areparaçam das ditas calçadas”.
Além
disse a Camara de Alpedrinha no que pedia cortava á larga, pois que podia economizar
muito dinheiro aproveitando a pedra da calçada velha e a que faltasse podia ir
busca-la ali mesmo ao pé, mas não estava para isso, “e bem se vê ser feito com o que há-de
ser pago pella bolça alheia”.
Não
devia contar com o auxílio desta cidade e sua comarca, para o que bastava ter
em consideração as quantias avultadas com que contribuíra ainda não havia muito
para as pontes de Caria e calçada da Guarda, parte das quais ainda estava por
pagar a quem emprestara o dinheiro.
Em conclusão e em resumo: não podia dar nada, porque ninguém dá o que não tem, e porque o pedinte tinha por lá com que podia governar-se e se o não tinha, a culpa era dele, pois o tinha gastado em obras de ostentação.
PS. Aos leitores dos
postes “Efemérides Municipais”: o que acabaram de ler, é uma transcrição fiel
do que foi publicado na época.
O Albicastrense
sábado, agosto 08, 2015
quinta-feira, agosto 06, 2015
CARTAS DE PERDÃO MANUELINAS
Das
muitas joias encontradas por mim na revista “Estudos de Castelo Branco”, as
cartas de perdão manuelinas publicadas por Fernando Portugal, são pérolas que
não posso deixar de aqui postar.
ALGUMAS CARTAS DE PERDÃO MANUELINAS
(Por Fernando Portugal)
As cartas de perdão só muito raramente tem
merecido a atenção dos nossos principais
investigadores. Para isso muito tem contribuído a carência, ainda hoje
observada, de bons índices capazes de proporcionar uma fácil e rápida consulta.
Algumas
cartas de perdão, é certo, nada dizem de interesse, mas outras há que contêm
informações dignas do maior realce.
Ascendem
ao milhar o número de cartas de perdão registadas ao longo dos 47 volumes que
constituem a chancelaria de D. Manuel, mas muitas outras se perderam como já
tivemos ocasião de mostrar. Como
presentemente nos debruçamos sobre essa chancelaria, coligimos algumas cartas
de perdão referentes a moradores em Castelo Branco de que temos conhecimento e
de que damos os sumários.
Entre
elas há duas que, embora passadas a moradores em Nisa e Crato, interessam,
diretamente ou indiretamente, a Castelo Branco.
- Maria Dias,
mulher viúva, moradora em Castelo Branco, houvera afeição carnal com Nuno Frazão,
clérigo de missa, morador na mesma vila, com o qual estivera manceba teuda e manteuda,
e recebera todo bem fazer e todas cousas que faziam mister. E estava prenhe
havia quatro ou cinco meses. E ora era apartada dele e queria daí em diante
viver bem e honestamente.
Data
em Setúbal, 1496, Março, 30 (chanc. De D. Manuel).
- Maria Gomes,
mulher viúva, moradora em Castelo Branco. Estando viúva houvera afeição carnal
com Brás Fernandes, castelhano, casado, morador nos reinos de Castela, e assim
estivera por sua manceba teuda e manteuda e recebera dele bem fazer e tudo o
que era mister, que a trazia vestida e calçada. E houvera dele um filho. E
agora se apartara dele e desejava viver honestamente, e Joana Lopes, mulher de Brás
Fernandes, lhe perdoara por um público instrumento, escrito em castelhano, qua
parecia ser feito e assinado por Pero Folgado, público escrivão na vila de
Lacarça.
Data
em Setúbal, 1496, Abril, 6. (chanc. De D. Manuel).
(Continua)
O Albicastrense
terça-feira, agosto 04, 2015
domingo, agosto 02, 2015
MUSEU FRANCISCO TAVARES PROENÇA JÚNIOR
“O NOSSO MUSEU”
A
Assembleia Municipal aprovou na passada segunda-feira, com a abstenção do Bloco
de Esquerda (!) a minuta do protocolo que prevê a passagem do museu para a
autarquia albicastrense, como se pode ler no jornal “Reconquista” desta semana.
Para
quem trabalhou no museu durante 27 anos e tem opinião sobre o que pensa ser
melhor para o museu que serviu durante quase três décadas, (modéstia à parte) este é um regresso às
origens que não posso deixar de saudar e ao mesmo tempo, atestar que a medida
apenas peca por tardia.
Contudo
é necessário recordar a quem apadrinhou este bom regresso, que o passado do
museu às mãos da autarquia albicastrense (1910/1971)
foi um verdadeiro desastre, pois durante esse tempo, foi mais o tempo em que
ele esteve de portas fechadas que de portas abertas.
- Desejo
acreditar que brevemente uma nova era se vai iniciar, e que dentro de algum tempo
a terra albicastrense se irá orgulhar de novo do seu museu, instituição que
merece o apoio e o carinho de todos os albicastrenses.
- Quero
igualmente afirmar, que o enlace entre o Museu e o Jardim do Paço, é algo que
só gente totalmente cega não conseguiu ver, sonhar, ou compreender durante
muitos e muitos anos. Este enlace irá semear novos tempos e encaminhar o museu
para um lugar que já foi seu, mas que por estupidez e malvadez de uns tantos
perdeu.
Partindo da realidade do que foi o passado recente do nosso museu, (hoje centenário), só posso exprimir que é necessário encontrar novo rumo, rota que terá que ser diferente da percorrida nos últimos tempos, pois se assim não for, o barco pode afundar-se de vez, independentemente das muitas boas vontades.
O Albicastrense
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