quinta-feira, novembro 17, 2016

O CASTELO E AS MURALHAS DA TERRA ALBICASTRENSE - (2)

ACHEGAS PARA UMA MONOGRAFIA REGIONAL
 “CASTELO BRANCO E O SEU ALFOZ”
(J. RIBEIRO CARDOSO)

(Continuação)
A porta do Pelame que desapareceu no segundo cerco das muralhas pode bem supor-se que é o Arco ainda hoje existente na praça (hoje de Luís de Camões) e que dá entrada para a rua do Bispo.
Esta asserção não é tão inverosímil como pode parecer á primeira vista. A rua que descendo do castelo perpendicular à rua dos Ferreiros, finda em frente do Postiguinho de Valadares, dos Peleteiros.
A rua dos Peleteiros devia ficar próxima à porta do Pelame, nome que esta a indicar que os peleteiros, curtiam, surravam e arejavam as peles no campo imediato à porta.
Ainda mais: a rua mais próxima do Arco chamava-se Nova, o que indica ter sido a primeira que se formou depois de alargado o perímetro da muralha e em continuação à povoação para o lado do sul.
Por todas estas razões podemos afirmar que a antiga porta do Pelame é o Arco que forma a entrada da rua do Bispo.
Até aqui os dizeres de A. Roxo que merecem reparo para pôr a boiar a verdade sobre este ponto da história citadina. Antes de mais uma singela observação.
Se tivesse sido realidade o tal primeiro cerco de muralhas, por força do subsequente alargamento, era inevitável a demolição dos dois lanços da muralha, ambos saídos do arco existente na praça Luís de Camões.
Um a fechar na porta do Ouro, lá no alto, junto à torre de Santa Maria, fronteira à capela de São Braz.
Outro a fechar no lanço da muralha que descendo da porta de Santiago vem até à barbacã do norte que é, mais palmo menos palmo, no lanço da muralha ainda existente, e que agora dá passagem para o atual Jardim Escola.Ora não consta que até hoje se tenham encontrado vestígios dos alicerces de qualquer dos referidos lanços de muralha.
A suposição de ser o Arco do Bispo a porta do Pelame é pura fantasia de António Roxo, atreito a fazer história por tentativas.
Coloque-se o leitor lá em cima, no castelo, na porta do Ouro facílima de localizar por estar edificada em frente da torre de Santa Maria e ser fecho do lanço de muralha a subir a vertente do Espirito Santo, como se vê no precioso desenho do noroeste da cidade de Duarte Darmas.
Deste miradouro, por cima do casario das ruas do Mercado, dos Cavaleiros e outros da cidade velha, procure com os seus olhinhos a praça de Camões e nela o Arco do Bispo, ligue o Arco com a porta do Ouro e observe que a Rua Nova é uma rua velha com assente forçado a dentro do tal perímetro primitivo de muralhas, fantasiado por A. Roxo.
E já agora não abandone o seu miradouro sem ligar o famoso Arco com a barbacã do norte, para verificar a realidade palpável de os famosos peleteiros poderem exercer a sua atividade industrial em pleno campo, ou seja extramuros, sem necessidade da porta do Pelame, que A. Roxo congeminou.
E ao tempo já existiria com aquele nome a rua dos Peleteiro?
O problema do arruamento forçado dos mesteirais não aflorou ao espírito simplista de A. Roxo, e ainda bem, para lhe não cortar as asas á inocência da porta do Pelame, da sua exclusiva invenção. E a Rua Nova? O chama-douro desta rua não tem nada que ver com a pretensa dança das muralhas.
Segundo o testamento de Rui de Pina, Dom Dinis fez a Rua Nova de Lisboa sem haver mexido nas muralhas da cidade, e um Bispo de Viseu fez a Rua Nova daquela cidade adentro do cerco das suas muralhas.
A nossa Rua Nova também tem a sua história, mas por agora basta fixar que em 1481 o juiz da Covilhã Álvaro Gomes veio a Castelo Branco ajuramentar os novos alcaides Álvaro Martins e João Rodrigues, e o juramento se realizou na domus municipalis, que era ao tempo na rua Nova.
(Continua)
O Albicastrense 

segunda-feira, novembro 14, 2016

O CASTELO E AS MURALHAS DA TERRA ALBICASTRENSE - (1)

 ACHEGAS PARA UMA MONOGRAFIA REGIONAL
CASTELO BRANCO E O SEU ALFOZ DE
(J. RIBEIRO CARDOSO)

"O castelo e as muralhas da cidade não são dionisianas. O arco do Bispo existente no Largo Luís de Camões nunca foi porta da muralha. 
A escritura de composição de 1245 estipula que os Templários dariam aos Prelados da Guarda lugar adequado para construírem em Castelo Branco vivenda para si e casa para o seu celeiro, como realmente fizeram, e o arco atesta.
O inventário da obra dionisiana na Beira Baixa, segundo a crónica de Dom Dinis, da autoria de Rui de Pina.
Uma das torres do Castelo que resistira à ação do tempo e escapara à malicia dos homens chapou-se no nosso tempo, com muito barulho e alguma poeira. As portas das muralhas. 
A cidade velha tinha um fácil específico que lhe imprimia caracter. O casario alinhava em ruas estreitas, em ritmo igual de construção, sem sinal a marcar alojamento de pessoa fugida às categorias de peão ou cavaleiro vilão, marcadas no foral".

O palácio dos Templários dentro da alcáçova. A rua do Mercado, na encosta do castelo, coração da cidade velha, e as suas andanças até se fixar fora de portas, no largo da Devesa.
A divulgação da obra de Duarte Darmas que tráz o desenho da alcáçova e cerca amuralhada de Castelo Branco veio evidenciar as linhas fortes da defesa da nossa cidade. 
Sobre a paternidade daquelas antigualhas castrenses, os monógrafos da nossa terra Porfírio da Silva e António Roxo concertaram-se no destempero de as atribuir a Dom Dinis, talvez só por força do aforismo que bem ou mal ensina: - quem dinheiro tiver fará o que quiser, e como Dom Dinis era tido e havido por muito abonado, dele se diz: - que fez o que quis e segundo Porfírio da Silva ele quis em 1319 cingir Castelo Branco de fortes muros.
Esta afirmação fugiu da boca de Porfírio sem licença do juízo.
Em 14 de Março de 1319 foi criada a Ordem de Cristo, e para esta ordem passaram todos os bens dos Templários, e castelo Branco não chegou a reverter para a coroa e passou diretamente da Ordem do Tempo para a Ordem de Cristo, e por esta razão não teve Dom Dinis oportunidade de a cingir de fortes muros.
Entre 1230 em que há notícias históricas da existência da alcáçova e 1319 em que foi criada a Ordem de Cristo, medeia quase um seculo, e foi nesse espaço de tempo que as muralhas foram levantadas pelos templários. 
O resto, o que dizem A. Roxo e o general João de Almeida sobre o assunto, é prosa que também à toa lhes saiu da boca sem licença do juízo (1).
António Roxo com fumaças de erudito, por seu lado, diz assim:
- O Castelo foi principiado muito provavelmente durante o mestrado de Pedro Alvites. O primitivo cerco de muralhas foi feito apenas com 4 portas: - Pelame, Santiago, Traição e Oiro. 
Tão rápido foi o incremento da povoação, que em 1285 vindo Dom Dinis com sua esposa Dona Isabel à vila de Castelo Branco, achou que a vila estava apertada pelas suas muralhas e ordenou que à custa das rendas reais se fizesse nova muralha, alargando o perímetro. 
Ficou então a nova muralha com as seguintes portas: - Santiago, Traição, Ouro, Esteval, Santarém, Espirito Santo e Vila. Vê-se que aporta do pelame da primeira muralha desapareceu. Das antigas portas subsistiram três, e deste facto pode concluir-se que a muralha alargou para nascente e sul, sabida a posição das portas que ficaram.
(Continua)
O Albicastrense

sábado, novembro 05, 2016

CENTENÁRIO DA MORTE DE FRANCISCO TAVARES PROENÇA JÚNIOR

(1916 - 2016)

No dia 24 de Setembro fez cem anos que Francisco Tavares Proença júnior faleceu. Muitas foram as vezes que aqui postei publicações sobre ele, não fazia pois sentido que no centenário da sua morte, não reeditasse neste blogue uma pastagem sobre a vida deste grande albicastrense.

Nasceu a 1 de Junho de 1883, em Lisboa, filho de Francisco de Almeida Tavares de Proença e de Luzia de Judite Galdino. 

A 20 de Outubro de 1899, sai de Portugal com destino a Inglaterra onde ingressa no colégio de Arreton Vicarege, na ilha de Wight. Durante a sua estadia no colégio o jovem Francisco conheceu novas realidades, cresceu física e intelectualmente, tende sido um aluno brilhante. 

A 27 de Julho de 1900 deixou Inglaterra com destino a Portugal, fazendo uma paragem por Paris, tendo visitado a Exposição Universal e apreciado o pavilhão de Portugal. 
A nove de Agosto chega a Castelo Branco com um aspecto muito debilitado, atribuído por todos ao cansaço da viagem e à má alimentação, faz exames médicos e é-lhe diagnosticado tuberculose. Parte para Davos na Suíça a fim ser internado no sanatório de Schatzalp, nos Alpes Suíços.

A 30 de Março de 1901 regressa a Portugal, no início do verão instala-se numa das suas casas na Serra da Estrela e aproveita a estadia para conhecer melhor alguns espectos da região: geografia, hidrologia, etnologia e climatologia, tende inclusivamente preparado um estudo que nunca chegou a ser publicado. 

Em Dezembro de 1901 regressa a Davos para novo tratamento e aproveita o tempo para se dedicar à fotografia. 

A vinte de Marco de 1902 é considerado completamente curado e regressa à serra da estrela, onde permanecera até ao fim do verão desse ano.
Em Outubro do mesmo ano ingressa na Faculdade de Direito de Coimbra mais por vontade do seu pai do que por sua própria vontade. Durante a estadia em Coimbra surgem as primeiras referências ao seu gosto pelo estudo da arqueologia, tendo sido aqui que a paixão pela arqueologia tomou forma: Começou a frequentar o Museu do Instituto, a convite do Dr. Bernardino Machado, bem como a sua biblioteca, o direito ficou assim relegado para segundo plano. Nos fins-de-semana deslocaram varia vezes à quinta da Cortiça propriedade da família, situada perto de Leiria, onde tentava por em pratica os seus conhecimentos de arqueologia. 

Em Março de 1903 descobre a Anta da Urgueira e registou a topografia das capelas da Senhora de Mércoles, de Santa Ana e de São Martinho, neste ano ainda publica vários trabalhos.

Em 1905 é convidado a participar no congresso Préhistorique de Franca, em Pèrigueux, onde apresenta duas comunicações. 

Em 1906 publica vários trabalhos e visita pela primeira vez o museu da Figueira da Foz, nesse mesmo ano escreve ao pai a dizer-lhe que está muito descontente com o curso de direito e que tinha desejo de dar outro rumo à sua vida, o pai proibiu-o de abandonar a Universidade.
Em Outubro deste mesmo ano vai a Lisboa visitar o Museu de Etnologia e conhece o Dr. Leite de Vasconcelos, volta a Coimbra para tentar concluir os seus estudos, porem advocacia não era de facto a sua vocação e perde o seu tempo com os amigos.

Em 1907 publicou em O Archeologo Português, um estudo sobre “inscrições Romanas de Castelo Branco” e prepara um trabalho para o congresso de Autun, com o título de “Essai d`un inventaire des enceintes portugaises (résume)“, nesse mesmo ano abandona definitivamente Coimbra.

Em 26 de Março enviou 1909 enviou à Câmara Municipal de Castelo Branco uma proposta para a criação de um Museu, a 8 de Abril a Câmara aceitou formalmente a proposta cedendo para o efeito a capela do Convento de Santo António.

Em Junho de 1909 publicou “Anta da Urgueira (Beira Baixa)” e prepara ansiosamente a inauguração do Museu Arqueológico de Castelo Branco.

Em Janeiro de 1910, desloca-se a Lisboa onde se encontra com leite de Vasconcelos, com quem conversa sobre a inauguração do Museu por ele financiado recebendo por doação as peças da sua coleção privada ficando também a seu cargo a direção a e conservação do espolio.

A 17 de Abril abriu ao público o Museu de Castelo Branco que teve na sua primeira direção Francisco Tavares Proença Júnior, o conservador Dr. Manuel Pires Bento e o Conservador – Ajudante Sr. Manuel dos Santos. Nesse mesmo ano fez o lançamento do nº 1 da sua revista a que chamou “Materiais para o estudo das antiguidades portuguesas”.
Ainda nesse ano, o pai envolve-se na luta politica pelos ideais Monárquicos, e foi o chefe do Partido progressista no distrito de Castelo Branco, e a 5 de Outubro dá-se a implantação da Republica em Portugal.
Depois da Implantação da Republica em Portugal Francisco Tavares Proença Júnior aderiu à causa Monárquica e sublevou a Beira Baixa contra os Republicanos e juntou-se na Galiza, ao movimento de Paiva Couceiro, não tanto para defender os seus ideais mas sim os do seu pai. Durante aproximadamente dois anos entra em escaramuças contra os republicanos, sendo obrigado a fugir de Portugal. 

Em Outubro de 1912 voltaram a evidenciar-se os sinais da do doença respiratória que lhe tinha sido diagnosticada em 1900, parte par Davos e instala-se no hotel Curhaus onde é observado pelo Dr. Spengler, que lhe disse não haver motivos para preocupação, regressa a Paris, onde aluga um pequeno apartamento. Um mês depois volta a Davos com novos sintomas da doença, 

em Abril de 1913 escreveu ao Presidente da Republica Francesa, Raymond Poincaré, a dar-lhe conhecimento de um projeto com inovações para um navio de guerra. Em Maio, não suportando mais o ambiente de Davos, mudou-se para Lousanne e a 8 de Junho remeteu para a Chancelaria Particular do Imperador da Rússia uma carta dando-lhe conhecimento do projeto, anteriormente apresentado ao Presidente Francês. Os Russos pediram mais detalhes ao que respondeu com algumas indicações isentas de pormenores técnicos. Nunca recebeu resposta.

Durante o ano de 1914 deambulou pela Europa, em Agosto de 1915 instalou-se em La Rosiaz, na Suíça, e ali dedicou os seus últimos meses de vida ao estudo da fisiologia e da microbiológica, a 24 de Setembro de 1916 morre com 33 anos. 

No dia 12 de Outubro a comissão executiva da Câmara Municipal de Castelo Branco aprovou por unanimidade a alteração do nome do museu, para Museu Municipal Tavares Proença Júnior. A 14 de Outubro realizou-se o seu funeral em Castelo Branco.

Na sua pedra tumular no cemitério de Castelo Branco constava a seguinte inscrição.

AQUI JAZ NA BOA TERRA DE CASTELO BRANCO UM HOMEM DE QUEM DEVE COM PROPRIEDADE DIZER-SE, DO SEU ESPÍRITO INQUIETO E CRIADOR, DA SUA MENSAGEM DE SUPERIOR BELEZA E DE INCALCULÁVEL PROJECÇÃO SOCIAL, QUE HÁ MORTOS QUE VERDADEIRAMENTE NÃO MORREM.

Recolha de dados; de José Lopes Dias. 
Roteiro do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior. 
O Albicastrense

quinta-feira, novembro 03, 2016

segunda-feira, outubro 31, 2016

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS – CXIII


A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).

(Continuação)
Temos agora a sessão de 2 de Outubro, com a assistência dos misteres, nobreza e povo. O assunto a tratar consta do seguinte requerimento, que fielmente transcrevemos:
Ilustríssimos Senhores – Reprezentão  a Vossas Senhorias os Procuradores do Povo desta cidade o deplorável estado em que se acha a maior parte dos olivais,  secos e sem outros alguns arrebentos mais do que no fundo que só podem vir a ser arvores vedando-se toda a qualidade de gados Vossas Senhorias pertense dar as  providencias necessárias para a conservação e aumento de hum dos ramos que faz o fundo principal do paiz alem de ser género de primeira necessidade nós temos Provizoins, e Alvaras  que prohibem a entrada dos gados nos olivais se algumas vezes por justas cauzas se não tem executado hoje devem por-se em viva observância, porque assim o pede o bem Publico todo o povo clama e os suplicantes o representam e requerem.
Pedem a Vossas Senhorias Ilustríssimo Senhor Prezidente e mais Senhores da Camera que sem demora mandem observar o Alvará chamado o grande, e Provizoins a que elle se refere ajuntando justas Providencias com que se acautele hum prejuízo imcalculavel que merese a atenção e zello deste Ilustre Senado. E receberá Merecê”.
Vereadores, misteres, nobreza e povo acharam que o que se pedia tinha de ser atendido, “porque pello insedente das grandes neves ficarão as ouliveiras queimadas, cujos rebentoins sómente agora vem pello pé faceis a serem cómidos por toda a qualidade de gado”.
Por esse motivo, além das penas de que falavam os alvarás e provisões, determinou-se:

a) que o gado miúdo que fosse encontrado nos olivais seria conduzido ao curral do concelho, pagaria 6.000 réis de multa e o pastor teria três mil reis de multa e trinta dias de cadeia;
 b) que as “éguas”, jumentos e mais bestas encontradas a pastar nos mesmos olivais teria, a multa de 1.000 reis por cabeça;
c) que os próprios bois da lavoura só poderiam ir soltos pelos caminhos e nos olivais só entrariam “presos e junguidos”;
d) que o gado não sairia do curral enquanto a coima não fosse paga e os donos dos olivais poderiam acoimar com uma só testemunha:

Tratava-se de maior riqueza do concelho, todo o cuidado era pouco.
A ata da sessão anterior é encerrada na folha 401 do respetivo livro, e daqui por diante, até folhas 598 (as que o livro tem), aparecem todas em branco, sem uma letra, a não ser a numeração das folhas e rubrica do escrivão. 
É esquisito.
Mais esquisito, porem, é que o livro seguinte das atas das sessões da Câmara começa pela sessão de 9 de Janeiro de 1806!
Que quer isto dizer? Não se realizaram sessões desde Novembro de 1802 até Janeiro de 1806? Realizaram-se sessões, mas ninguém se deu ao trabalho de escrever as competentes atas?
Coisa interessante! dá-se o caso de o tempo de abertura de novo livro de atas ser datado de 15 de Dezembro de 1805 e não apareceu ata da sessão realizada em 1 de Janeiro de 1806, como era da praxe, para a nomeação das Justiças, visto que a primeira sessão de que o livro nos dá conhecimento se realizou, como já dissemos, no dia 9 de Janeiro.     

Porque seria tudo isto? Seria por motivo de balburdia que ia por esse Portugal fora, ocasionado pelas desordens que se davam em toda a Península, pelas ambições  de Godoy que aspirava nada menos que ser Rei de Portugal, pela inabilidade da nossa  diplomacia, pelas insolvências de Lannes em Lisboa, perante as quais se encolhia deploravelmente  o Governo do Príncipe Regente, pelo abandono do nosso país por parte da Inglaterra que, depois de ter contribuído para que se azedassem mais que nunca as nossas relações com a Espanha e a França, retirou de Portugal as forças que cá tinha no momento preciso em que mais precisávamos do auxilio deles?
Fosse como fosse e fosse pelo que fosse, o que é certo é que, a seguir à sessão de 3 de Novembro de 1802, aparece  a sessão de 9 de Janeiro de 1806, num livro novo, tendo-se deixado em branco 197 folhas do livro antecedente.
(Continua)

PS. Aos leitores dos postes “Efemérides Municipais: O que acabaram de ler, é uma transcrição fiel do que foi publicado na época.  
O Albicastrense

sexta-feira, outubro 28, 2016

DUAS BELISSIMAS EXPOSIÇÕES




Duas 
grandes exposições  
 na terra albicastrense.



No museu Francisco Tavares Proença Júnior, pode visitar-se uma exposição de Miguel Elias. 
Visitei esta exposição e confesso, que fiquei rigorosamente de boca aberta e de olhos bem esbugalhados perante tal beleza e originalidade. 
No antigo edifício dos CTT, pode visitar-se uma espectacular exposição de Luís Fernandes. Ao seu autor, este albicastrense só pode mesmo  dizer bem-haja e pedir-lhe, para que continue a deliciar-nos com muitas mais exposições como esta. 
Perante tanta beleza, este albicastrense não pode deixar de apelar a quem visita este blogue, para não deixar de visitar esta duas fantásticas exposições. 

Não seja bota-de-elástico!
Levante o traseiro da cadeira, desligue o computa,
dê corda aos sapatos, e vá visitar estas duas belíssimas exposições.
O Albicastrense 

quarta-feira, outubro 26, 2016

RECORDAÇÕES DA LOJA DO “Cândido Gatuno”

As nossas memórias em relação a determinados estabelecimentos comerciais da terra albicastrense, podem ser também recordações de muitas das gentes que nos rodeiam.
O prédio da imagem aqui postada poderá ser um desses casos, não pelo prédio em si, mas por nele ter existido em tempos passados, um estabelecimento que terá sido dos mais populares e castiços da terra albicastrense desse tempo.
A loja do “Cândido Gatuno” ocupava o rés-do-chão deste velho prédio, vendia um pouco de tudo: livros de Cowboys, livros românticos, livros pornográficos, calendários com muchachas em trajes comprometedores, símbolos dos clubes, rifas de todos os géneros, guloseimas e muitas outras coisas, enfim, uma espécie de loja dos chineses dos dias de hoje.
Na década de sessenta passava diariamente à porta desta loja, parava, e ficava ali especado como se aquilo fosse uma coisa do outro mundo.
Um dia descobri lá uma rifa que consistia no seguinte: um cartão com os nomes de 20 a 22 jogadores de futebol.
Por baixo dos nomes dos jogadores, tinha uma pequena etiqueta a tapar a importância que quem escolhesse esse jogador, teria que pagar para poder candidatar-se ao prémio da rifa.
Quem comprasse esse jogador punha lá o seu nome, (normalmente as importâncias iam de $20 a $50 centavos).
Após vender o cartão na sua totalidade, cortava-se um pequeno quadrado que existia por detrás do cartão, nesse quadrado estava o nome do jogador premiado e a importância que quem tivesse comprado esse jogador ganhava. Até aqui tudo parece normal!
O pior, é que este vosso amigo, antes de começar a vender o cartão via o nome do jogador e comprava ele essa rifa, escrevendo lá um nome que ninguém conhecia, depois “ganhava” ele o prémio, que normalmente era de 5$00.
Esta é uma das muitas memórias que abrigo da loja do “Cândido Gatuno”.
O Albicastrense

MEMÓRIAS DO BLOG - “A primeira publicação do blog” - setembro de 2005".

quarta-feira, setembro 07, 2005 CAFÉ LUSITÂNIA - 1827 - 2003 (CAFÉ TÍPICO DA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX) Local de convívio de muitos albic...