terça-feira, julho 07, 2015

MURALHAS DE CASTELO BRANCO

A Quase totalidade dos trabalhos monográficos que se referem a Castelo Branco pretendem dar-nos de ciência certa a noticia de ter sido construída a muralha que cinge esta vila não só por D. Dinis, mas também à  custa do erário régio, e desta afirmação conjectural se tem feito eco todos os divulgadores.

Profirio da Silva no seu Memorial diz-nos terem sido as fortes muralhas que cingiram Castelo Branco edificadas por D. Dinis em 1319.
António Roxo também na sua Monografia pretende fazer crer ter existido uma primitiva cintura de muralhas, mas devido ao rápido incremento da povoação, e por este se achar apertada, ordenou D. Dinis que à custa das rendas reais se fizesse nova cintura de muralhas, alargando-se assim o perímetro da vila.
O Dr. Ribeiro Cardoso atribui à Ordem do Templo a construção das muralhas, entre 1230, em que há notícia histórica da existência da Alcáçova, e 1319 em que foi criada a Ordem de Cristo, declarando em nota haver conhecimento da afirmação feita pelo Dr. Rui de Azevedo na História da Expansão Portuguesa no Mundo, de terem sido mandados levantar o muro da vila de Castelo Branco, pela Ordem de Cristo em 1343 a instâncias de D. Afonso IV, mas que embora reconhecesse no Dr. Rui de Azevedo merecimentos comprovados para se acreditar na sua afirmação, não emendava o texto por não haver tomado conhecimento de documento que justifique a asserção do ilustrado professor.

Vejamos o que nos dizem estes documentos: O Mestre da Cavalaria da Ordem de Jesus Cristo D. Frei Estêvão Gonçalves comunicou ao alcaide, juízes e vereadores e concelho de Tomar que considerava serviço de Deus e beneficio da Ordem que se cercasse a vila de Castelo Branco, como tinha sido consentido e achado necessário por el-Rei.
Para que este povo pudesse levar a eleito esta obra de fortificação e porque estes se queixaram ao Rei de não poderem efectuá-las por estarem esgotadas as suas possibilidades económicas e pedirem por mercê que mandasse que fossem ajudados, no que foram atendidos, determinou o Mestre da Ordem de Cristo que os conselhos da Ordem e os freires, lhes dessem ajuda; pelo que mandou lançar uma Sisa sobre o cereal, o vinho e a carne; mandou que se arrecadasse o que sobejasse dos Hospitais, dos Albergues e das Gafarias que a Ordem mantinha, bem assim o que ficasse dos Resíduos dos Testamentos e que tudo se guardasse numa arca de 3 chaves até perfazer a importância de 600 libras.
Uma das chaves ficaria em poder de João Lourenço, procurador do concelho que cobraria esses direitos, outra em poder do Tabelião, Aires Peres que os contabilizaria, ficando como depositário  do dinheiro e com a terceira chave o mercador João Martins, devendo contudo os juízes fazê-lo jurar aos Santos Evangelhos que bem e directamente haviam de tirar estes dinheiros, que deviam estar recolhidos de forma que fossem entregues para os lavores dos muros, da seguinte maneira:
Uma terça parte pela Páscoa próxima, outra terça parte pelo S. João e a outra terça parte pelo Natal. Toda e qualquer importância que fosse recolhida, superior às 600 libras estipuladas, ficavam os depositários inibidos de a utilizar até que o Mestre determinasse a sua aplicação.
Não foi de boa mente que os de Tomar aceitaram o encargo de contribuir para a realização destas obras; duvidaram que a resolução do Mestre da Ordem tivesse o consenso régio, pelo que lhes foi comunicado que o perguntassem a el-Rei, dando os documentos a notícia das sanções aplicadas a quem quisesse esquivar-se ao pagamento da Sisa e a quem não cumprisse o que se mandava.
Um dos documentos foi dado em Estremoz aos 2 dias de Janeiro de ano de 1343 e o outro em Vila Viçosa, no mesmo ano, a 19 de Janeiro.
O Albicastrense

sexta-feira, julho 03, 2015

IMAGENS DE CASTELO BRANCO

       A TERRA ALBICASTRENSE 
 VISTA ATRAVÉS
 DE UMA OBJETIVA OLHO DE PEIXE


VERÍSSIMO BISPO
2015
                                    O Albicastrense                                 

terça-feira, junho 30, 2015

EURICO SALES VIANA

No seguimento dos postes sobre o velho prédio "Ferrinho de Engomar", não podia deixar de publicar aqui, um poste sobre Eurico de Sales Viana.
Eurico de Salles Viana nasceu em Coimbra no dia 31 de Janeiro de 1891, e fez em Coimbra toda a sua escolaridade. Terá chegado a Castelo Branco por volta de 1912, cidade onde passou praticamente toda a sua vida. Foi professor do liceu e da Escola Normal, tendo desempenhado os cargos de Chefe da Repartição de Obras da Câmara Municipal e director Delegado dos Serviços Municipalizados, sendo de destacar a acção preponderante por ele desenvolvida nas obras de abastecimento de água à cidade.
Para além disse era dotado de rara sensibilidade Artística, dedicou-se especialmente ao estudo do folclore, etnografia e arqueologia da Beira Baixa, tendo colaborado em vários jornais e noutras publicações sobre temas dessa especialidade.
Mas a herança maior, que nos coube em sorte acolher e preservar, consiste indubitavelmente num vasto acervo arquitectónico espalhado pela cidade de Castelo Branco. Ao olharmos nos dias de hoje, para o património deixado por “Sales Viana”, mesmo que essa observação seja apenas um virar de cara, podemos contemplar peças de arte em áreas tão diferenciadas como: a arte pública, arquitectura civil e religiosa, urbanismo e jardinagem.
Como autoridade reconhecida na matéria, colaborou na Exposição Colonial do Porto, no Congresso Beirão e no Concurso da Aldeia mais Portuguesa cujo título recaiu em Monsanto da Beira. 
Organizou cortejos etnográficos apresentados concretamente em Castelo Branco, em Lisboa e em Évora. Dedicou-se ainda ao estudo dos bordados de Castelo Branco tendo promovido exposições dos mesmos nesta cidade e em Lisboa.
Como jornalista fundou e dirigiu largos anos o jornal “Era Nova”. Promoveu e impulsionou a realização de alguns cortejos de oferendas a favor da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco. Faleceu em Lisboa no dia 10 de Fevereiro de 1973.
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Leonel Azevedo publicou em 2011 um livro sobre Sales Viana, livro que nos conta muito do seu percurso na terra albicastrense e que tem por titulo: “BREVE HISTÓRIA DE UMA LONGA VIDA – (Catalogo Incompleto das Actividades de, Eurico de Sales Viana), obra que ainda não comprei, (a reforma não chega para tudo), mas que já consultei na nossa biblioteca.
Embora já conhecesse alguma coisa sobre Sales Viana, confesso que fiquei impressionado com o seu percurso na terra albicastrense e, com mais este grande trabalho, de Leonel Azevedo.
PALAVRAS DE LEONEL AZEVEDO             
O ALBICASTRENSE

sexta-feira, junho 26, 2015

quarta-feira, junho 17, 2015

UM PRÉDIO CENTENÁRIO – (II)

Quando da publicação do poste sobre o prédio que se pode ver nas imagens aqui postadas, congeminei eu, que os albicastrenses que visitam este blogue, iriam dizer da sua justiça em relação ao referido tema.
Engano meu, pois tirando os comentários de Cristina e José Augusto, nenhuma outra alma se interessou pelo assunto. Todavia nem tudo foi negativo, pois os dois comentários deixados na caixa embora sendo muito pessoais, laçaram novos dados sobre o "Ferrinho de Engomar", informação que nos dá conta que Eurico de Sales Viana viveu no primeiro andar do prédio, durante quase meio século.
Se na altura defendia a compra do edifício pela autarquia albicastrense derivado à sua singularidade quase única na terra albicastrense, à sua centenária existência e beleza, não posso agora deixar de mencionar o facto de ali vivido uma das personagens mais marcante da terra albicastrense desse tempo. 
Como não sou de deixar tombar aquilo em que acredito, os apaixonantes comentários de Cristina e José Augusto, saíram da caixa de comentários e passaram a poste na esperança de que desta vez, os albicastrenses possam interessar-se pelo futuro do velhinho "Ferrinho de Engomar". O passado, presente e futuro da terra albicastrense é património de todos nós, considerar que nada disto é da nossa responsabilidade é deixar que os outros façam na nossa terra e dos nossos antepassados, aquilo que eles entendam a não aquilo que gostaríamos que fosse feito.

Cristina disse…
O meu Avô Eurico de Sales Viana viveu no 1º andar desta casa durante 40 ou 50 anos. Eu própria tenho muito boas recordações dela. É um prédio muito bonito e é de facto uma pena. Tentei falar para a Prisma mas sem sucesso. Não quero deixar de lhe dar os meus parabéns pelo seu blog. É com imensa alegria que o visito com frequência pois não vou à terra albicastrense há 13 anos por razões pessoais. Por favor continue o bom trabalho. Acho que somos da mesma idade e portanto se calhar até nos conhecemos. Um grande abraço e até sempre.
Cristina de Sales Viana Serôdio Sernadas
José Augusto disse...
Também concordo totalmente consigo e com a minha prima Maria Cristina. O prédio é muito bonito, completamente diferente do habitual e faz parte do enquadramento daquela zona da cidade.
Pertence a todos os albicastrenses! Embora sempre tenha residido em Lisboa, também tenho muitas recordações da casa do meu Avô materno. Lembro-me perfeitamente da sua divisória interior - muito original, das escadas de acesso, de quase tudo!
Seria uma pena o seu desaparecimento de Castelo Branco. Julgo ser do maior importância alertar o Exmo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, com a finalidade de se encontrar uma solução que agrade a todos os albicastrenses (petição?) preservando este edifício, à semelhança do ocorrido com outros (interesse para a Cidade) recordando a obra e a figura do meu Avô em prol desta Cidade.
 O Albicastrense

segunda-feira, junho 15, 2015

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS – XCIX

A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).
O texto está escrito, tal como foi publicado.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade. 
(Continuação)
A sessão seguinte realizou-se no dia 4 de Maio e nela não e fez mais nada do que nomear os almotaceis para os três meses seguintes. Foram nomeados para o exercício do cargo o Dr. João Antunes Pelejão e José da Silva Castelo Branco.
O pior era se os três meses destes eram do tamanho dos três meses dos que serviram antes deles. Nomeados em 18 de Novembro para servir nos “três meses futuros”, só foram substituídos agora, quase passados seis meses!
Só torna a Câmara a dar sinal de si um mês e quatro dias depois, em 8 de Junho, mas desta vez foi para ceder os lugares aos novos vereadores, que eram Francisco da Fonseca Coutinho, Diogo da Fonseca Barreto e Mesquita e Francisco José de Carvalho Freire. Para procurador do conselho vinha nomeado José Vaz da Cunha.
Mas os novos vereadores vinham com um coragem de primeira categoria para fazer entrar tudo na ordem, e tanto que no mesmo dia em que tomaram conta das poltronas senatoriais fizeram… 
Ora façam favor de ler, se querem ver: 
Nesta determinarão que visto constar a confuzam de contas e atrazamento de pagas em que se acha o Depositário do Conselho tanto pelo que respeita a este como ao depozito dos beins de raiz e dinheiros dos Ingeitados não querendo os Actuais Vereadores e Procurador daqui por diante abonalo nem aprovalo em quanto se não liquidarem as suas contas e se mostrar capaz de pagar o atrasado e o for cobrado. Determinarão que seja o dito Manoel António de Carvalho notheficado para de hoje em diante não receber dinheiro algum pertencente a qual quer dos referidos depozitos emquanto se lhe não tomarem contas e se tomar arrezulçam conveniente nesta Camara”.
Chama-se a isto entrar com fúrias de leão. Veremos se tinham razão para desconfiar do tesoureiro ou se tudo aquilo não foi mais que o resultado de más vontades ou de intrigas de soalheiro.

PS. Aos leitores dos postes “Efemérides Municipais”: O que acabaram de ler, é uma transcrição fiel do que foi publicado na época. 
O  Albicastrense

NOTAS E DOCUMENTOS PARA A HISTÓRIA DOS JUDEUS E CRISTÃOS-NOVOS DE CASTELO BRANCO - (II)

POR MANUEL DA SILVA CASTELO BRANCO SEGUNDA PUBLICAÇÂO: Embora já tenha publicado o trabalho de Manuel da Silva Castelo Branco, resolvi volta...