segunda-feira, outubro 31, 2005

CASTELO BRANCO







CASAS DA MINHA CIDADE

A partir de hoje vou incluir nesta página semanalmente algumas imagens de palacetes e casas antigas da nossa cidade, em avançado estado de degradação, contribuindo desta forma para o levantar das consciências dos responsáveis da nossa cidade. Vou começar com dois edifícios situados numa das praças mais bonitas da nossa cidade
- a praça de D. José, situada praticamente no centro da cidade mesmo ao lado do Banco de Portugal, bem merecia a referida praça ter dentro do seu espaço caras bem mais lavadas. O palacete frente ao banco de Portugal, foi construído em 1891 e serve actualmente de sede a um partido politico ( PSD) no 1º andar e no r/c está instalado uma loja, não sei a quem pertence o referido edifício, mas pela forma como é tratado quer pelo senhorio e pelos inquilinos, bem merecia novo dono e novos inquilinos. Na mesma praça mesmo ali ao lado existe outro edifício, que não sendo tão grandioso não deixa porém de ser também interessante. Construído em 1928 é hoje ocupado por alguns comerciantes, também aqui não sei quem é o proprietário, gente boa não é certamente, porque a casa bem merecia tratamento diferente.

Qual deve ser o papel da Câmara na recuperação desses edifícios?

Senhor Presidente da Câmara é preciso tomar medidas, depois das mudanças feitas na cidade, torna-se necessária uma mudança de mentalidades em alguns senhorios da nossa cidade, a fim de evitar que a curto prazo os mais belos edifícios se tornem num conjunto de ruínas. Senhor Presidente, ao bolo não basta ter uma boa apresentação, tem que estar igualmente bem cozido senão ninguém o come.
À cidade pode aplicar a mesma máxima, cidade bonita com edifícios a cair de podre.

sexta-feira, outubro 21, 2005

HOMENS E MULHERES DA NOSSA TERRA: BARATA MOURA


BARATA MOURA – PINTOR

Recentemente tive a oportunidade de ler numa revista, uma pequena entrevista com o pintor Barata Moura. Nela o pintor refere a sua mágoa, por não ver algumas das suas obras mais importantes expostas, referia-se mais concretamente á sua maior obra “Encontros com o Tejo” (sessenta quadros), que levou cerca de cinquenta anos a pintar.

Quem é Barata Moura?

Barata Moura nasceu em Castelo Novo, Fundão em 1910 radicando-se muito cedo em Lisboa. Nesta cidade, tirou o curso de pintor-decorador de Escola António Arroio e frequentou Belas Artes. De Paula Campos, Falcão Trigoso e Mário Augusto recebeu lições particulares tendo com esses pintores, realizado pintura ao ar livre. Conta-se pelas muitas dezenas o número de exposições que levou a efeito em Portugal e no estrangeiro. É autor dos conjuntos Pelourinhos e Castelos da Beira Baixa (trinta e um quadros) e Encontros com o Tejo (sessenta quadros), com os quais o Museu de Francisco Tavares Proença Júnior realizou algumas exposições itinerantes há alguns anos. Encontra-se representado no referido Museu e em outros Museus e em numerosas colecções particulares.

Ao ler a pequena reportagem, não pede deixar de pensar naquele ano de 1978, quando a convite do Dr. António Forte Salvado, director Museu Francisco Tavares Proença Júnior de Castelo Branco, ele ali expôs pela primeira vez, e eu tive a sorte de o conhecer.

Era comum ouvi-lo dizer “chamam-me o pintor do povo…”

Ele tinha a exacta noção do que a sua pintura representava na grande maioria das pessoas, a reacção dos visitantes aos seus quadros, a forma como ele dialogava com eles durante a visita à sua exposição os abraços com que muitos dos visitantes o premiavam no final da exposição tornavam-no um homem extremamente feliz, a referida exposição e todas as outras que se seguiram ao longo dos tempos no Museu, foram sempre visitadas por largas centenas de pessoas, com todos os seus quadros vendidos e outros tantos encomendados. A sua ligação ao Museu e a cidade de Castelo Branco tornou-se a partir dessa altura num acto de amor, as suas obras mais conhecidas “Pelourinhos e Castelos da Beira Baixa” um conjunto de trinta e um quadros e ”Encontros com o Tejo” um conjunto de sessenta quadros, que levou mais de cinquenta anos a pintar e ele ofereceu ao Museu, são a sua maior prova de amor.

Em 2003 Barata Moura foi distinguido com a comenda do Infante D. Henrique pelo Presidente da Republica Dr. Jorge Sampaio, por toda uma vida dedicada a Pintura.

Barata Moura hoje com 94 anos encontra-se actualmente num lar de idosos perto de Lisboa.

A pergunta a fazer neste momento a fazer é!

Para quando a justa homenagem em vida ao Mestre Barata Moura, com a realização de uma exposição com as referidas obras e não só, no Museu Tavares Proença, e se possível com a sua presença física?

Será que estão á espera do final do mestre Barata Moura, para depois fazer o que deve ser feito em vida?

Ou será que para os entendidos da pintura, aquilo a que eu assisti nas exposições do Mestre Barata Moura são apenas sonhos, que nunca foram realidades.

Triste sina a nossa quando alguns idiotas decidem por nós, o que devemos ver e não aquilo que gostamos de ver.

Para terminar cito aqui uma definição atribuída a Viera da Silva e que assenta que nem uma luva ao Mestre Barata Moura.

“Pintor não é aquele que sabe pintar mas aquele dedica a sua vida á pintura”

sexta-feira, outubro 14, 2005

A NOSSA CIDADE

Recentemente tive a oportunidade de ver no telejornal de um dos canais de televisão, uma notícia que me deu alguma satisfação e ao mesmo tempo alguma tristeza.

A notícia dizia respeito à cidade de Barcelos, alguns responsáveis pela cidade de Barcelos decidiram colocar nas ruas da cidade estatuetas de galos, símbolo da respectiva cidade, dando a conhecer desta forma o símbolo de que a cidade tanto se orgulha, e ao mesmo tempo fazer promoção do seu artesanato. Esta foi a parte da notícia que mais gostei, depois vem a parte que como Beirão mais me entristece.

Como se pode ver pela fotografia, que tive o cuidado de tirar há tempos a traz, o antigo passeio verde era calcetado com calcada à Portuguesa, onda se podia ver alguns símbolos do bordado de Castelo Branco.

Que vimos nós entretanto com as obras ali feitas?

Que alguém se esqueceu dos nossos bordados colocando lá em sua substituição um traço que vai de uma ponta à outra. Será que na sala de visita da nossa cidade, interessa mais divulgar os traços, em prejuízo dos nossos bordados? Substituir uma árvore da vida, um dos símbolos mais importantes dos nossos bordados, por um traço? Nem o diabo se lembraria de tal coisa!

Será que o nosso artesanato é assim tão rico, que se torna desnecessário divulga-lo aos que nos visitam? Senhor presidente sabe quantos albicastrenses tem em sua casa, na sua sala de visitas uma árvore da vida?

Quer crer que foi apenas um esquecimento, ou teremos que falar com os responsáveis de Barcelos para convidar os responsáveis autárquicos da nossa cidade para ali poderem aprender com eles. Senhor presidente da Câmara fui um dos que votou em si neste ultimo acto eleitoral, por entender que o trabalho desenvolvido por si nestes últimos anos é bastante positivo, embora discordando num ou noutro ponto, e como quer continuar acreditar em si que tal dar a mão á palmatória neste caso.

Vamos lá substituir o traço pelo bordado de Castelo Branco!

quinta-feira, outubro 13, 2005

MUSEU DE FRANCISCO TAVARES PROENÇA JÚNIOR


Continuação.1976 – 1989 =III

TRANSPOSIÇAO DE UM SOLO
DE HABITAT PALEOLÍTICO DE VILAS RUIVAS (RODAO)

A oficina-Escola é ainda hoje uma realidade, podendo a curto prazo ser apenas uma saudade, porém outras realidades que existiram no Museu, são hoje apenas gratas recordações.

O solo de habitat paleolítico de Vilas Ruivas (Ródão).

Quando em 11 de Abril de 1981 foi inaugurado na sala 1 do Museu uma exposição relativa à Estação de Vilas Ruivas e ao Paleolítico do Ródão, poucas pessoas poderiam imaginar as mais de mil horas de trabalho necessárias para a montagem do solo no Museu.

Não vou aqui lembrar do que foi todo o processo de montagem do referido solo no Museu, pois seria de todo impossível faze-lo nesta pagina dado à sua complexidade, porém quem tiver a curiosidade ou seja um apaixonado por estas coisas, pode dirigir-se à loja do Museu e adquirir o livro publicado na altura da autoria do Dr. Luís Raposo e Dr. António Carlos Silva sobre todo o processo de montagem e não só.

Se me fosse pedido que dissesse o que mais me marcou culturalmente, ao longo de tempo em que ali trabalhei, diria sem grandes dúvidas, a montagem de um solo de habitat paleolítico de Ródão. A reacção dos jovens estudantes quando ali se deslocavam juntamente com os seus professores, para no local terem as suas aulas de história, era no mínimo de espanto e admiração, pela oportunidade de poderem ver ao vivo no Museu um solo de habitat paleolítico.

O solo era sem dúvida o elo mais importante que ligava as escolas ao Museu, juntamente com os bordados. Porém em 1993 esse elo quebrou-se, aquando das obras de restauro do Museu, as mentes iluminadas de alguns sábios que habitam em Lisboa e não só, decretaram o seu fim. Depois de mais de mil horas de trabalho para que a sua montagem no Museu fosse uma realidade, é ordenada a sua desmontagem, ficando praticamente ao abandono durante alguns anos.

Não fosse a determinação da Dr. Ana Margarida terceira directora com quem tive a honra de trabalhar, hoje o referido solo seria apenas uma imagem fotográfica. Em 2000 o solo foi devidamente limpo, cuidadosamente encaixotado e colocado em lugar seguro, sete anos apôs os tais sábios terem feito da sua estupidez lei.

Será que alguma vez foram pedidas desculpas ao Grupo para o estudo do Paleolítico Português, e aos Drs. Luís Raposo e António Carlos Silva, responsáveis pela sua montagem no museu em 1981?

Aqui faço a pergunta para quando a sua colocação de novo, numa das salas do r/c do Museu?

Albicastrenses palavras para que!!! Só temos aquilo que merecemos!!!

CONTINUA

segunda-feira, outubro 03, 2005

MUSEU FRANCISCO TAVARES PROENÇA - Continuação =II










Continuação. 1976-1989 = II

OFICINA – ESCOLA DE BORDADOS
DE CASTELO BRANCO

Mas as actividades no Museu não andavam unicamente a volta da pintura e da música, havia muito mais vida dentro daquelas paredes, os bordados de Castelo Branco eram já uma realidade, bordadeiras vindas da antiga mocidade Portuguesa que entretanto fora extinta em virtude do 25 de Abril de 1974, entravam pela primeira vez no Museu.
O Dr. Salvado cedia nas instalações do Museu a casa a que tinha direito, para ai instalar um grupo de bordadeiras, que iria dar origem em 1976 á criação da oficina-escola, de Bordados de Castelo Branco, cujo os
objectivos eram a produção, conservação, restauro e divulgação dos bordados de Castelo Branco. Competia ainda ao Museu o estudo e aperfeiçoamento das técnicas e da arte dos bordados, devendo ainda prestar colaboração e apoio às actividades e aos trabalhos oficinais dos estabelecimentos de ensino de Castelo Branco.
A vinda pró Museu das bordadeiras não foi porém nada fácil para elas. Nos primeiros tempos, o salário das bordadeiras dependia da vendas dos bordados, uma vez que o Museu não disponha de meios financeiros para lhes pagar, só com a integração delas no quatro de pessoal do Museu foi possível a resolução do problema. Será justo ainda aqui referir o empenho e o brio profissional que sempre demonstraram, não esquecendo porém a encarregada D. Etelvira e os seus conhecimentos em Lisboa, foi também fundamental o trabalho desenvolvido pelo Dr. Salvado para a criação da oficina-escola de bordados de Castelo Branco.

Foram muitas exposições de bordados no Museu e fora dele entre 76 e 89 porém á uma que recordo pela sua importância e também por ter feito as fotografias para o respectivo catálogo que ainda hoje guardo com algum carinho. Estou a referir-me á exposição feita em Lisboa na galeria Almada Negreiros em 86.

Porém o mais o mais importante, por parte da direcção do Museu foi o iniciar da sua colecção de colchas antigas, hoje uma das mais importantes do país, pena é que a oficina-escola que eu também ajudei a criar, tenha os seus dias contados, das cerca de vinte bordadeiras iniciais, restam actualmente cinco, por motivo de reforma das funcionarias, e não haver qualquer interesse por parte das entidades responsáveis ( M.C. – IPM ) na sua continuação.

O acabar com a oficia-escola é hoje em meu entender quase uma realidade, porem a destruição do seu espaço físico em 1992, foi o primeiro passo, nesse sentido, na década de 80 foram construídas instalações próprias no edifício do museu para funcionamento dos bordados. Essa construção situava-se junto a figueira ao lado do Museu, e muito mal ficaria eu comigo próprio se não contasse aqui uma pequena história sobre as referidas instalações. No início dos anos 80, o Dr. Salvado então director do Museu conseguiu que fossem feitas as referidas instalações que reuniam todas as condições para um bom funcionamento dos bordados. A construção tinha duas salas: uma para as bordadeiras e outra para o marceneiro que dava apoio á oficina-escola, um vasto corredor e ainda duas casas de banho, na sala das bordadeiras foi construída uma clara bóia para ter luz natural.

Ali funcionaram os bordados durante alguns anos, mas em 1992 aquando das obras de restauro do museu já com outra directora (a personagem seguinte) eis que se da o milagre da extinção do edifício dos bordados. Pegou-se numa borracha e apagou-se as instalações dos bordados e colocou-se lá um restaurante – o restaurante invisível (!!!), que ainda hoje pode ser visto (ou não visto) no local.

Albicastrenses de que massa somos nós feitos?

Será que se esta história real acontecesse noutro local, o fim seria o mesmo?

Que futuro espera a oficina-escola?

Os Albicastrenses vão mais uma vez ficar surdos e calados?

Ou será que o proclamado certificado do bordado de Castelo Branco que alguns falam vai resolver todos os problemas?

Foi difícil o seu parto

Foi difícil a sua criação

Será assim tão fácil

A sua destruição

CONTINUA