sexta-feira, julho 30, 2010

DO CANHENHO DE UM VELHO


Nas minhas peregrinações pelos antigos jornais da nossa cidade, tenho encontrado crónicas escritas por Jorge Seabra e António Rodrigues Cardoso, que são autênticas preciosidades. António Rodrigues Cardoso iniciou em 1930 no jornal “A ERA NOVA” uma série de crónicas a que deu o nome de: “Do Canhenho de um Velho”. Crónicas em que retrata albicastrenses que nos são desconhecidos, e nos dá conta de locais da nossa cidade entretanto desaparecidos. Em homenagem a António Rodrigues Cardoso e aos albicastrenses que ele nos dá a conhecer nos seus registos de lembranças, irei aqui publicar algumas dessas crónicas.

O PINA”

O Pina (Joaquim Esteves de Pina era a sua graça) não passava de um simples carteiro, e contudo não havia por estes sítios quem o excedesse em popularidade e em prendas. Era um artista, e a sua arte revelava-se principalmente no fabrico de lanternas para a procissão das ditas e para a do enterro do Senhor. Lanternas como as que ele fazia, tão bonitas, tão perfeitas, não tornaram por cá a aparecer depois que o Senhor o levou. Eram inconfundíveis. Desde a porta da igreja da Graça até ao largo de S. João, no sábado de Passos ou na sexta feira de Paixão, à noite, via a gente milhares de lanternas dos mais variados feitios; mas logo que dava com os olhos numa que lhe tivesse saído das mãos, dizia sem sombra de hesitação. Aquela é obra do Pina.

Era um cozinheiro de fama; e, como a esta prenda juntava a de saber guardar segredo, a “jeunesse dorme” do seu tempo recorria invariavelmente a ele para as ceias de pandega, que então eram frequentes, e podiam todos estar seguros de que o que nelas se passava ninguém o sabia pelo Pina. Era um criador de cenário como nunca mais houve por cá. Também ninguém como ele era capaz de ensinar um melro a assobiar a Maria cachucha, a mais afamada peça do seu reportório musical. Era um bebedor de respeito. Embriagava-se normalmente trezentas e sessenta e cinco vezes nos anos comuns e trezentos e sessenta e seis nos anos bissextos, mas sempre à noite, o que o não impedia de desempenhar com toda e regularidade e correcção o seu serviço de distribuidor postal, serviço que no seu tempo só era feito de dia. Tinha um génio alegre e saia-se às vezes com partidas que faziam rir a bandeiras desgarradas. Salvemos algumas para a historia. Certa noite, uns tantos rapazes de situação social de destaque, festejaram qualquer acontecimento, que pouco importa qual fosse, com uma ceia de rapazes. O Pina, como acontecia quase sempre, foi escolhido para cozinheiro. Comeu-se bem, e, bebeu-se melhor e, quando mal se precataram, estavam todos (incluindo o Pina), no estado em que ficou Noé depois de beber com certa abundância o liquido extraído das uvas da primeira vinha que plantou. E para que lhe havia de dar? Como era noite de verão, deu-lhe para de despojarem de todo o fato e andarem a passear as ruas nusinhos de todo. Tudo correu sem novidades até ao romper da manhã, porque nesses tempos ainda por cá não havia policia, mas a essa hora começaram a passar homens para o trabalho e mulheres para a fonte da Mina, deram com aquele bando de malucos completamente vestidos de nu, o caso fez escândalo.

Passadas poucas horas, foi informado do que se passava o administrador do concelho, que era Henrique Caldeira Pedroso e este quis desagravar a moral ofendida apanhando nas malhas do ”Ano do Nascimento” pelo menos um dos criminosos. Não se atrevendo com nenhum dos rapazes, que tinham a defende-los os nomes que usavam, quis vencer a dificuldade chamando a contas o Pina. Fá-lo comparecer na administração. De sobrecenho carregado, pregou-lhe um sermão de moral, colocou-lhe diante dos olhos a indecência da sua nudez por essas ruas fora em companhia dos senhores Fulano, Beltrano e no fim perguntou-lhe o que tinha a dizer em sua defesa. O Pina, com ares de quem não entendia o que lhe estiveram dizer, respondeu:

- O que tenho a dizer é que não percebo nada disse. Então eu, um pobre carteiro, havia de acompanhar com esses senhores que V. Ex. nomeou? Henrique Caldeira atalhou:

- Não esteja a fazer-se pacóvio, que eu estou bem informado. Tenho muitas testemunhas de vista e vou tratar de o meter na cadeia para exemplo

- Desculpe V. Ex. mas faça favor de me dizer: Como é que disseram a V. Ex. ?

- Disseram-me que Fulano, Sicrano e Beltrano andaram por essas ruas nus até ser já dia claro e com eles andava no mesmo estado o Pina.

- Ah agora já entendo! Se disseram a V. Ex. Só o Pina, é claro que não era eu. Devia ser uma pessoa da categoria desses senhores e essa pessoa só poderá ser o sr. Pedro de Pina.

O administrador do concelho deu-lhe uma gargalhada e, como já não era capaz de manter-se serio em vista da lembrança do Pina, mandou-o em paz. É que Pedro de Pina era um homem já de idade madura, muito ponderado, e muito temente a Deus, tão capaz de entrar numa pandega como subir até à lua, que entrava para casa com as galinhas e não saia dela até à hora da missa q que nunca faltava. Deixou em testamento os seus avultados bens aos padres jesuítas. Cera noite, o medico Dr. José António Morão voltava de visitar um doente acompanhado de um criado. Vinha pela rua então chamada do Bispo, hoje chamada do Arco. A noite estava chuvosa e fria. Ao chegar ao pé do arco, viu estendida na valeta um homem. Aproximou-se, conheceu que era o Pina caído de borracho e, coitado dele, porque, se ali o deixasse, a agua que começava a correr pela valeta já o cobria por complete, quis levanta-lo e fazê-lo seguir para casa. Impossível. O Pina não se aguentava nas pernas. Então, com a ajuda do criado, pegou nele, estendeu-o num degrau que havia debaixo do arco (ainda lá está), dobrou uma ponte do capote, que o Pina usava de noite, para lhe servir de travesseiro e cobriu-o com o resto para o proteger contra o frio. O Pina deixou fazer tudo aquilo sem dizer uma palavra. No fim, quando o dr. Morão se disponha a seguir o seu caminho, disse-lhe o estas palavras de agradecimento:

- Assim te cubra o Zé da Manta!... (O Zé da Manta era o coveiro)

Os canários do Pina tinham fama e esta fama era merecida. Para criação escolhia sempre bons exemplares, do melhor que havia, e tratava das simpáticas avesinhas com uns cuidados de que só ele era capaz. Dai vinha que criava canários como ninguém, e que quem pretendia adquirir um exemplar garantido destas avesinhas, era à porta do Pina que ia bater, sendo raro aquele que não ficava inteiramente satisfeito. Certo dia bateu-lhe à porta um empregado publico, para lhe comprar um canário. Entrou, viu, ouviu encantado com o canto de um, separado dos restantes, numa gaiola à parte. Achou-lhe, porem, um defeito: era de plumagem escura, e o que ele desejava era um canário amarelo, gemadinho.

- Mal empregado! Dizia o nosso homem. Se fosse gemadinho, comprava-o pelo que fosse. Canta que é mesmo um enlevo. O Pina atalhou logo:

- Tenho o que deseja. Tenho um canário gemado, amarelinho, que parece mesmo oiro, que conta como este ou melhor ainda. Emprestei-o a um amigo para ver se um canário que lá tem aprendia a cantar com o meu; mas amanhã, se quiser, cá o tem. Previno-o, porém de que lho não vendo por menos de três mil réis. Vale-os a olhos fechados.

Era puxado o preço, porque naqueles tempos três mil réis eram dinheiro, mas o comprador não regatou e ficou combinado que no dia seguinte viria pelo canário. Á hora combinada lá estava, acompanhado de Pedro Rondão, que era portador da gaiola, uma gaiola bem bonita, escolhida a preceito na loja do João dos Santos, que vendia tudo desde as cartas de alfinetes até à lã de Cágado. O canário lá estava, gemadinho que era um gosto vê-lo, e cantava que era uma perfeição. Fez-se logo a transacção: canário para a gaiola do comprador, três mil réis para a mão do Pina e imediata saída do comprador todo satisfeito com a preciosidade que adquirira. Chegado a casa, o novo dono do canário encheu-lhe o comedouro da alpista, colocou uma folha de alface muito tenrinha, deitou-lhe agua fresca no bebedouro, pôs a gaiola no lugar que lhe estava destinada e ficou a namorar o seu lindo passarinho. Passados poucos minutas, o canário meteu-se dentro do bebedouro, começou a banhar-se e o seu novo dono ficou passado, quando viu que, à medida que se ia banhando, lhe iam aparecendo umas penas escuras, que foram alastrando e crescendo em numero até ao ponto de ficar escuro de todo. Era o canário que vira na véspera em casa do Pina! Este tinha-o pintado de amarelo! Furioso, saiu em busca do Pina. Encontrou-o na Praça Camões com a bolsa do oficio para ir recolher a correspondência das caixas postais e começou logo a chamar-lhe nomes feios, uma verdadeira ladainha de injurias. O Pina fingiu-se de muito espantado e perguntou-lhe que despropósitos eram aqueles.

- Então você, seu malandro, replicou o furioso comprador, intrujou-me com o canário que me vendeu, leva-me três mil réis por um pássaro escuro que pintou de amarelo e ainda me pergunta que despropósitos são estes! Da-me vontade de o esganar.

- Ai pobre do passarinho! Respondeu com ares de compunção o Pina.

O pobrezinho viu-se separado dos companheiros, convenceu-se de que os torna a ver, e vestiu-se de luto. Foi o que foi, pode crer. O homem embatocou e o Pina foi ver a correspondência das caixas. Mais tarde ria-se a contar o caso e comentava:

- O alma de cântaro nunca mais me falou, mas a verdade é que quem foi roubado fui eu! A pintura do canário tinha ficado uma verdadeira obra de arte, e as obras de arte não se pagam com três mil réis.

Uma noite na taberna do Lêndeas, que ficava onde hoje está o edifício do Banco Ultramarino, entrou em disputa com um sargento de Cavalaria. Palavra puxa palavra, chegaram às do cabo. O Lêndeas, que era um homem cordato e um taberneiro tão honrado que nunca constou que tivesse baptizado o vinho que vendia aos fregueses, interveio. Não queria desordens em sua casa. De mais a mais a hora regulamentar tinha passado e, apesar de a porta estar fechada, podia haver quem informasse o administrador do concelho de que estava a taberna a funcionar fora de horas, e o administrador não era de graças. O Pina dirigiu-se logo para a porta e, passando pela frente do sargento, atirou-lhe esta carta:

- Fique sabendo, seu barbas de chibo, que não tenho medo. Se quer alguma coisa, venha dai para trás da Sé. Era um desafio em forma, Nesse tempo os “rapazes da rua”, quando queriam bulhar, desafiavam-se “para trás da Sé

O sargento aceitou o repto e segui o Pina. À cautela, seguiram-nos à distancia dois outros fregueses do Lêndeas, dispostos a intervir, no caso de a bulha passar a mais. Chagados atrás da Sé, o Pina começou a despir o casaco. Depois despiu o colete e disponha-se a despir as calças, quando o sargento, de sobrecenho carregado, lhe disparou esta pergunta:

- Então que palhaçada é esta?

- Palhaçada? Respondeu logo o Pina. Estou a fazer o que devo, dispo-me. E você se quer bulhar comigo, dispa-se também, que o fato não tem culpa das asneiras que a gente faz.

É desnecessário dizer que o sargento, em vista de uma saída destas, se sentiu desarmado, e a bulha ficou adiada para melhor oportunidade que aliás nunca chegou. Já agora, mais uma do Pina para fecho da crónica. Numa noite de inverno a caraspana do Pina foi das de caixão à cova. Com as pernas a falharem-lhe foi dar consigo no Passeio Publico. Sentindo vontade de deitar-se, fez cama em cima do parapeito do Passeio, do lado que dá para o largo que hoje se chama Campo da Pátria. Adormeceu. A dormir voltou-se e caiu para o largo, da altura de alguns metros. Presenciaram a queda dois soldados que tinham dispensa de recolher e mais ninguém, porque àquela hora, numa noite fria e, convencidos que ele estava morto, foram dar parte do acorrido ao quartel de Cavalaria 8, que ficava em frente. Estava de serviço o tenente Filipe Malaquias, que era amicíssimo do Pina, e correu logo para o local do sinistro. Com ele correu também o sargento Carvalho, que eu conheci muito bem e morreu capitão. Chegados ali, pareceu-lhes que o Pina, se não estava morto, estava mais para a morte do que para a vida, e por isso mandaram logo buscar uma maca, meteram-no dentro e ei-los com o morta às costas. Hesitaram se haviam de conduzi-lo ao hospital ou a casa, mas optaram pela casa. Morava o Pina na Rua Nova, uma rua empinadissima, e por isso chegaram à porta da casa a suar apesar do frio da noite. Puseram a maca no chão e bateram à porta. Acudiu a filha, única pessoa com quem vivia depois da morte da mulher e informada de que era o pai que ia na maca, começou a chorar, a lamentar-se em altos gritos: que era uma desgraçada, que ficava só no mundo, que antes Deus a levasse a ela que não fazia falta a ninguém, etc. Quando as lamentações eram mais vivas, levanta-se a cortina de um dos lados da maca, aparece a cabeça do Pina e disse-lhe isto:

- Não chores, rapariga, que não há razão para isso!... Eu ainda não morri nem morro desta. Cala-te e vai ver se arranjas um molho de palha para dar a estas bestas......

PS. O texto está escrito tal como foi publicado em 1930, no jornalA ERA NOVA

O Albicastrense

quarta-feira, julho 28, 2010

IMAGENS GELADINHAS














Numa altura em que o calor nos abrasa o corpo e nos tira a vontade de fazer o que quer que seja, aqui ficam algumas imagens bem fresquinhas da nossa cidade, para animar a malta.

O Albicastrense

segunda-feira, julho 26, 2010

VELHOS JORNAIS DA MINHA CIDADE

A VOZ DA RAZÃO
(NOVENTA E UM ANOS DEPOIS)
A 27 de Julho de 1919, surgiu à luz do dia o jornal “ A VOZ DA RAZÃO ” Este periódico tinha como subtítulo “pela verdade; pela justiça; pela legalidade” O artigo de fundo versava sobre “A maior violência - A ultima das ilegalidades - O Cumulo ridículo”.
Era seu director Fernando Pardal e tinha como redactores e Secretários, José Maria Curado e José da Cruz Mendes. Eram seus administradores, João Ribeiro Costa e Florindo Bispo. Era impresso na Empresa Tipográfica Lda., com sede em Castelo Branco. Tinha como estatuto redactorial, ser “uma folha defensora dos empregados de barbearia desta cidade. Publica-se quando os interesses da classe o exigirem ” Os interesse da classe devem ter deixado de existir, porque este jornal só teve uma única edição.
É CASO PARA DIZER: TANTA PARRA PARA TÃO POUCA UVA....
PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias.
A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal
A Reconquista
O Albicastrense

sexta-feira, julho 23, 2010

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - XXXIV


A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Ribeiro Cardoso, “ ARC ” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes.
O texto está escrito, tal como publicado em 1937.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade
.
(Continuação)Comentário do autor: Segue-se agora a sessão de 24 de Julho em que nos aparece caso bicudo, como se verifica pela prosa da acta, que é prosa do escrivão Aranha e por isso de miolo e chorume. Leiam, façam favor:
Acta de 1789: E logo foi apresentado hua petição dos Procuradores do Povo desta cidade em que expunhão que este dito Povo está na posse de tempo antequissimo o acordar lhe hua Ervagem que chamão da Coutada para com o seu rendimento acudirce a muitas precizoens que tem o dito Povo, e as que agora se lhe offeressem são as mais urgentes porque achandosse demolidas as paredes das rayas todos pertendião levantallas com o produto da mesma Ervagem, e porque o mesmo dinheiro não chagaria para ultimarse a dita obra e outras mais igualmente urgentes requeriam também que se acordasse o Baldio da Granja porque como se acha de estacal não podem nelle entrar reses he do maior enteresse venderçe. Determinarão que por reconhesserem justo o requerimento dos supp.es que tende ao Beneficio Comum e tão necessário na reedificação das rayas e sendo esta venda repetidas vezes praticada presentemente tinha ella muito milhor lugar porque ficando para a mayoria duas Ervagens no mais profico terreno esta que se propõem não he tão útil para a mesma mayoria pela rezão do citio em que se acha.
Comentário do autor: E por causa do “levantamento das paredes das rayas”, isto é, das paredes divisórias dos terrenos, resolveu-se vender as ervagens da “quegeira da Estacia” e da Granja (eram os terrenos do Ribeiro da Torre, incluindo a Teleigueira), ficando assim sensivelmente reduzidos os terrenos em que os criadores mais pobrezinhos podiam levar a pasto os seus rebanhos, (Finezas dos Procuradores do Povo).
E ainda as coisas não ficam por aqui. Saltando a sessão de 30 de Julho, em que apenas se tratou da nomeação de um novo carcereiro, que desta vez se chamava José de Sequeira, vamos encontrar na sessão de 12 de Agosto esta beleza:
Acta de 1789: Sendo aprezentada hua deprecada vinda da Correyção desta cidade para effeito de se dar inteira providencia aos Pastos precizos para as Egoas de Leite e Bois de Arado em cuja deprecada de advertia que as ditas Egoas não sam mais que nove com assim he na verdade: Determinarão em comprimento da mesma Ordem se fizesse executar e guardar inalteravelmente a referida Coutada não consentindo nella mais do que as ditas Egoas de Leite, os Bois de Arado, expulsar todos aqulles que forem de negócios de bestas à Coudellaria ficando sujeitos às Posturas todo aquele gado que não for do prometido.
Comentario do autor: Lá ficavam os criadores mais pobrezinhos também sem “Ervagem que chamam da Coutada”. O mundo sempre assim foi, torto que nem um arrocho!
(Continua)
PS – Mais uma vez informe os leitores dos postes, “Efemérides Municipais” que o que acabou de ler é uma transcrição fiel do que saiu em 1937.
O Albicastrense

quarta-feira, julho 21, 2010

TIRAS HUMORÍSTICAS - 68

CONVERSA DA CHACHA
Bigodes e Companhia conversam sobre as declarações do presidente da nossa autarquia, ao jornal “Reconquista” referentes à nova praça pedonal da cidade.
- Companhia… o nosso presidente diz: “Que este é mais um espaço nobre na cidade”. Ele pergunta ainda, “Quem se lembra desta área antes de iniciarmos estes trabalhos!? E recorda, “Que ela estava muito degradada, sem qualquer aproveitamento”. E por fim argumenta, ”Que o espaço não prestigiava o centro da cidade”.
- O nosso presidente até pode ter razão! Mas… este albicastrense que nasceu em Castelo Branco e seguramente aqui vai morrer, pergunta: Quem são os culpados por este local ter chegado ao ponto a que chegou?

- O velho rezingão está de volta!.. De quem é a culpa?
- Dos últimos dois inquilinos que ocuparam a casa grande da nossa cidade, um esteve lá vinte anos e transfigurou um bonito parque, num local de estacionamento miserável, o outro deu-lhe prosseguimento durante os dez anos seguintes!

- Estás a ser demasiado duro Companhia! O nosso presidente termina dizendo: “As traseiras do edifício da autarquia estavam escondidas, quando estas são bastante atraentes e bonitas”.
- As traseiras da minha Ermelinda também são bem jeitosas, no entanto, ela não as anda a exibir a quem passa lá por casa.

- Lá estás tu a desconversar homem! Olha… pelo menos não podes deixar de concordar, que o local está hoje muito mais bonito e que o parque infantil, assim como a nova estrutura envolvente ao parque, deram ao local uma imagem mais moderna e mais atraente.
- Quanto ao parque infantil, só posso dizer-te que é mais um parque infantil para “Inglês ver”!

- Como assim!..
- As crianças que se cuidem! No Verão ficam sujeitas a uma insolação derivado ao excessivo calor que aqui se colheita, no Inverno poderão contrair uma pneumonia proveniente do frio que aqui se recolhe.

- Safa! Para ti nada está bem…
- E não é tudo Bigodes! Diz-se à boca cheia na nossa cidade, que a infiltração de água no piso destinado aos serviços da autarquia, é tanta que um dia destes os funcionários terão que ir de barco de um lado para o outro.

- Invejosos!.. É o que eles são… segundo fontes “não oficiais” trata-se unicamente de um inovador sistema de refrigeração, que funciona através da captação de águas da superfície, e de uma nascente que se “sabia” existir no subsolo, para refrescar esse espaço.
- Essa nem o diabo se lembraria de engendrar! Vai mas é dar banho à minhoca…

- Companhia… que tal afogarmos as nossas divergências, com um branquinho traçado no restaurante do Chico do Kalifa!?
- Amigo Bigodes! Para selarmos as nossas divergências nesta matéria, terão que ser pelo menos, dois ou três branquinhos.
PS O albicastrense não se responsabiliza pela conversa maluca, deste dois resmungões.

O Albicastrense

terça-feira, julho 20, 2010

DO BAÚ DO PASSADO, PRÓ BOLG.


CENTO E SESSENTA E UM ANOS DEPOIS...
A vinte de Julho de 1849, foi extinta a freguesia de Santa Maria do Castelo, de Castelo Branco, a qual passou a ficar anexa à freguesia de São Miguel da Sé. Esta alteração deu origem à criação de três novas freguesias: Benquerenças, Cebolais de Cima e Retaxo, povoações estas que pertenciam à freguesia de Santa Maria do Castelo de Castelo Branco.
PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias.
A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal ”A Reconquista

O Albicastrense

domingo, julho 18, 2010

VELHAS IMAGENS DA MINHA CIDADE



UM NOVO DESAFIO...
Onde fica actualmente na nossa cidade, o local que a fotografia nos mostra!? A fotografia foi tirada por volta de 1930.
Para que todos possam responder, as respostas só serão publicadas alguns dias depois, para dar a hipótese de resposta a todos aqueles que o queiram fazer.
O Albicastrense

sábado, julho 17, 2010

EXPOSIÇÃO - XI

(1) (2)

ANTÓNIO ANDRADE FERNANDES

(1) - CANTO QUINTO
Trata – se de uma alusão ao Gigante Adamastor e aos Descobrimentos portugueses descritos no Canto Quinto dos Lusíadas (Luís de Camões). Este quadro não foi publicado antes do Campeonato do Mundo de Futebol, como era meu desejo, por motivos profissionais.
Infelizmente, a nossa Selecção não conseguiu passar para além do Bojador e não conseguiu dobrar o Cabo das Tormentas como outrora outros arrojados portugueses o fizeram. Foi pena não termos ido além da dor.
Outros tempos…
É uma Pintura a óleo sobre madeira e manta de trapos, foi concluída no ano de 2005 e foram utilizados os seguintes materiais: madeira, xisto, fios e moedas.
(2) - SONS DA BEIRA
É uma composição que alude aos instrumentos musicais típicos da Beira Baixa e aos sons, que por esta altura do ano, esses instrumentos vão produzindo em festas e romarias de que a nossa região ainda é pródiga. Há, ainda, os sons das palavras do poeta António Salvado num belíssimo poema alusivo a esta Beira, inscrito no quadro.
São todos esses sons que tentei esculpir nesta manta verde (
de esperança) que é a nossa Beira.
O quadro foi efectuado no ano de 2005, é uma pintura a óleo sobre manta de trapos e foram utilizados os seguintes materiais, madeira de amoreira, madeira de castanheiro e madeira de oliveira, fios, xisto, rebuçados, tipo “
chupa – chupa”, palhinhas de gelados e fósforos.
O Albicastrense

quinta-feira, julho 15, 2010

COMO SE CHAMA A NOSSA BIBLIOTECA!?


Como frequentador habitual da nossa biblioteca, ando há algum tempo embrulhado com o nome da dita cuja.
- Na internet existe um blog (que se diz oficioso), que tem a seguinte designação; “Blog Oficioso da Biblioteca Municipal de Castelo Branco – Dr. Jaime Lopes Dias.”
- No site da Câmara Municipal de Castelo Branco, a biblioteca surge com a designação de; “Biblioteca Municipal de Castelo Branco
Tentei saber mais sobre este dilema! Após… alguma pesquisa aqui e ali, descobri dados referentes ao baptismo da dita cuja, numa edição do jornal “Reconquista” de 1984.
No dia 27 de Abril de 1984 o Jornal “Reconquista” publicava a seguinte notícia, sobre o referido baptizado.
“CÂMARA DÁ À BIBLIOTECA MUNICIPAL NOME DE JAIME LOPES DIAS “.
A sessão teve como oradores, o saudoso Ernesto Pinto Lobo e César Augusto Vila Franca (presidente da Camâra albicastrense), que realçaram a vida e obra de Jaime Lopes Dias. Esteve presente o filho do homenegeado António de Andrade de Pissara Lopes Dias, que muito emocionado agradeceu o acto da autarquia albicastrense. Ainda segundo a mesma notícia; “A cerimónia foi simples, mas com a dignidade condizente com o acto de grande significado, a que se associaram inúmeras pessoas”.
Com a mudança da biblioteca da Praça Camões, para o antigo quartel da devesa, “parece” que a nossa autarquia deixou cair o nome de Jaime Lopes Dias, e começou simplesmente a identificá-la por, “Biblioteca Municipal de Castelo Branco”.
Perante o que foi decidido em 1984, (pelo então presidente da nossa autarquia) e perante a actual situação, uma questão se coloca;
- Qual o verdadeiro nome da nossa biblioteca?
- Biblioteca Municipal de Castelo Branco.
- Biblioteca Municipal de Castelo Branco – Jaime Lopes Dias.
- Biblioteca Jaime Lopes Dias.

Se fosse mauzinho, poderia alegar aqui o seguinte;
- Será que o nome de Jaime Lopes Dias, já não é suficientemente digno para tão ilustre Biblioteca!?
- Terão os dirigentes da nossa autarquia, outro nome na manga para lhe dar!?
- Ou pura e simplesmente os responsáveis pela nossa autarquia, chegaram à conclusão que a nossa biblioteca se deve chamar somente; “Biblioteca Municipal de Castelo Branco!?”
Não vou aqui avançar com conclusões precipitadas sobre esta embrulhada, porém, penso que o homem a quem um dia “solicitaram” o nome para dar à biblioteca, merece seguramente outro tipo de tratamento.
Meus senhores! Que tal dar corda às canetas e resolver de uma vez por todas esta triste trapalhada…
O albicastrense

segunda-feira, julho 12, 2010

VELHAS RUAS DA MINHA CIDADE



A rua dos Ferreiros começa na rua das Olarias (local onde se situava a antiga Porta da Vila), e termina na Praça Camões.
José Ribeiro Cardoso conta-nos que a antiga vila de Castelo Branco, tinha sete portas. A Porta do Esteval, ainda hoje mal localizada; a Porta do Espírito Santo como entrada dos caminhos de Alçafa e do Alentejo; a Porta da Vila que dava entrada para a Rua dos Ferreiros; a Porta do Ouro em frente da antiga capela de S. Brás; a Porta da Traição em frente de S. Gens; a Porta de S. Tiago que dava entrada pela Calçada de Alegria aos visitantes de Caféde e S. Vicente da Beira; a Porta de Santarém no lado poente dando acesso ao caminho das Sarzedas. (As entradas pelo “Postiguinho de Valadares” “Porta do Relógio” e “Porta do Postigo” são posteriores).
Os ferreiros habitavam a rua que ainda hoje conserva o seu nome. Segundo o livro das Ordenanças da Milícia, D. João III mandou em 1527 fazer as “ordenanças” da vila de Castelo Branco; Ai aparece a rua dos Ferreiros capitaneada por Jorge de Sousa. Foi uma das principais ruas da vila, e tinha à entrada a albergaria e a capela de S. Eulália e conduzia à Praça Velha.
O último ferreiro que naquela rua exerceu a profissão, (segundo informações recolhidas por mim), terá sido o Ti Caetano também conhecido por, “Pouca Sorte”. 
A sua oficina terá encerrado portas da década de sessenta do século passado. Ao longo dos tempos esta velha rua viu os profissionais do ferro serem substituídos pouco a pouco, por oficiais de outras profissões. Nesta rua tiveram também residência; os Bombeiros Voluntários mais a sua famosa Banda; as primeiras tipografias da cidade; o “Hotel Salvação” tão conhecido dos estudantes; a Agência do Banco de Portugal; o Colégio de Santo António; a sopa dos pobres e muitos outros estabelecimentos comerciais.

UM POUCO DA HISTÓRIA
DOS FERREIROS ALBICASTRENSES

A festa dos organismos corporativos realizava-se na procissão do Corpo de Cristo e competia aos Municípios, organizar a procissão. 
Nela se incorporavam as três classes da sociedade: o clero, a nobreza e o povo. A imagem de S. Jorge, padroeiro do reino era levada a cavalo: o rei e os príncipes seguravam as varas do palio: cada organismo apresentava-se sob a protecção de um santo cuja imagem transportava em andor ou ostentava numa bandeira. Os ferreiros de Castelo Branco não tinham nenhuma imagem. Eram obrigados a vestirem-se de diabo, expondo-se a toda a espécie de vexames para se incorporem na procissão. A Câmara exigia que dois ferreiros fossem vestidos de diabo. Isto manteve-se até ao século XVIII.
Em 1700 os ferreiros apresentaram queixa e pediram licença para “darem um santo do seu ofício que é S. Dustan e aliviarem-nos de darem os diabos que costumavam dar”.
A Câmara aceitou e propôs que a partir de então, transportariam o ”S. Dustan em sua charola com quatro tochas”.
A escolha deste Santo esta baseada numa lenda segundo a qual o diabo teria entrado em casa daquele santo que era ferrador. Dustan amarrou o diabo para o ferrar e ter-lhe-ia infligido tais tormentos que este lhe prometeu nunca mais entrar em casa de ferreiros. Desta lenda “talvez” tenha vindo a superstição do uso da ferradura para afugentar o diabo. (diz… Tavares dos Santos). 

Segundo o Tombo de Santa Maria do Castelo de 1753 descrito por Porfírio da Silva, havia na Igreja de S. Miguel um altar e uma imagem de S. Dustan. Ficava precisamente onde hoje se encontra um belo portal com colunas de granito que faz a ligação entre o corpo da Igreja e o átrio da Sacristia Grande.
Ai estava a imagem de S. Dustan em vulto com uma tenaz de ferreiro na mão que por sua devoção lhe ofertaram os ferreiros desta vila para se livrarem da obrigação que tinham de dar para a procissão do Corpo de Deus a figura do diabo, para que prometeram também levar o dito santo àquela procissão, principiando no ano de 1698, ficando por este modo dispensados de darem aquela diabólica figura (Porfírio da Silva).
Resta acrescentar que a imagem de S. Dustan, que terá sido obra dos ferreiros albicastrenses “ausentou-se da cidade" e nunca mais soube do seu paradeiro.
PS. Recolha de dados históricos: José Ribeiro Cardoso e jornal “Reconquista”.
O Albicastrense

sábado, julho 10, 2010

TIRAS HUMORÍSTICAS - 67

O REGRESSO DO CINEMA AO PARQUE
Bigodes e Companhia jubilaram de contentamento ao lerem no jornal “Reconquista” que o nosso presidente está a ponderar a hipótese, de construir um Auditório ao ar livre no Parque da Cidade. Tal estrutura iria acolher espectáculos, actividades culturais e possibilitaria o regresso do cinema ao ar livre no Parque.
PS. Bigodes e Companhia cresceram a ver e a gostar da sétima arte no velho parque da cidade, por isso, tal contentamento é perfeitamente justificável.
No entanto, este albicastrense um tanto ou quanto séptico a notícias vindas a público através de jornais (em vez das vias oficiais), só pode dizer-lhes que o melhor é esperarem sentados, para que as cãibras não os deitem abaixo de tanto aguardar pelo regresso do cinema ao parque.
O Albicastrense

quarta-feira, julho 07, 2010

Museu Francisco Tavares Proenca Júnior - IX


UM PEQUENO RESUMO HISTÓRICO
(1971 a 2010)

(Continuação)
Tal como disse no último posts, com a nomeação de António Forte Salvado para director do museu tudo iria mudar. O museu deixou de ser “aquela instituição onde se guardavam coisas velhas” e escancarou portas à comunidade que o enlaçava. Esse escancarar de portas, consistiu em unir-se à comunidade escolar da nossa cidade, (essencialmente através da arqueologia de Tavares Proença) e à restante população, (assim como a quem visitava a nossa cidade), através dos bordados de Castelo Branco.
Porém, não se pense que o dia-a-dia do museu, estava acorrentado a estes dois sectores, havia muito mais que essas duas áreas. Para se compreender melhor este “segundo fôlego” do nosso museu, eu dividiria esta segunda fase da sua existência, em duas fases a que vai de 1975/89 e a que vai até à presente data, pois queira-se ou não, qualquer instituição será sempre conotada (para o bem ou para o mal), com o indivíduo que a dirige.
Tal como disse anteriormente, o museu não era só os bordados e a arqueologia! Havia muito mais… dentro das paredes do velho edifício do Paço Episcopal. As exposições, os consertos, as palestras, o teatro, o cinema, foram algumas das muitas áreas em que o museu cimentou o seu trabalho, ao longo dos quinze anos em que António Forte Salvado esteve como director.
AS EXPOSIÇÕES
Falar das exposições realizadas entre 1975 e 1989, não é tarefa fácil, pois elas foram tantas e tão diversa, que é quase impossível fazê-lo.
Nos quinze anos que vão de 75 a 89, terão sido realizadas no museu mais de 300 exposições.
Exposições que abrangeram praticamente todas as áreas culturais e que trouxeram ao nosso museu, praticamente todos os nomes consagrados e menos consagrados da pintura portuguesa do século XX.
Mas não se pense que apenas existia a preocupação de dar sala a quem era conhecido! Existia igualmente, a preocupação de dar espaço a quem começava... e muitas foram as exposições realizadas por jovens pintores desconhecidos.
Em homenagem a algumas dessas exposições e aos seus autores, vou tentar evocar aqui uma mão cheia delas, pedindo desde já desculpa aos autores das muitas outras, por as deixar no baú do passado.
Na minha procura de dados, (mentais e documentais) sobre as exposições realizadas nas décadas de setenta e oitenta do século passado, recuei às citadas décadas e vasculhei mentes e arquivos na busca de eventos que pudessem ser uma mais-valia, para aqui poder recordar.

No ano de 76 decorreu no museu uma exposição que penso merecer ser aqui lembrada: “Albitex -76” Exposição realizada pelo Núcleo Filatélico e Numismático “Amato Lusitano” e o Museu Francisco Tavares Proença.
Um artigo publicado no jornal “Reconquista” no dia 10 de Dezembro de 76 sobre esta exposição, tinha por título: A “Albitex-76” já foi vista por mais de duas mil pessoas.
Mais de duas mil pessoas numa exposição!..
A pergunta só pode ser uma! Seria possível organizar nos dias de hoje na nossa cidade, uma exposição que fosse visitada por mais de dois mil visitantes!?
Responda quem quiser e souber.

Em 1977 decorreu uma outra exposição que tenho gratas recordações: “Angola-Culturas Tradicionais” organizada pelo Instituto de Antropologia de Coimbra e o Museu.
O jornal “Reconquista” dizia nessa reportagem a respeito dessa exposição, entre outras coisas, o seguinte: “Esta exposição merece que toda a comunidade escolar, da nossa cidade, dediquem um pouco de atenção e alertem os estudantes para o enriquecimento cultural que a visita lhes poderá proporcionar”. Terminava dizendo: “Trata-se em nosso entender, de uma das mais válidas que têm passado pelo edifício do antigo Paço Episcopal”:
Dos muitos pintores que tive o privilégio de conhecer durante o tempo em que António Forte Salvado esteve à frente do museu, houve um, por quem tenho uma admiração do tamanho do mundo. ´
Esse homem chama-se Barata Moura e expôs no museu pela primeira vez em 1978, bisou a graça em 1981, e triplicou a proeza em 1983. A primeira exposição era composta por setenta quadros, (se a memória não me atraiçoa) e tinha por tema, a nossa cidade.
Sobre essa exposição deixo algumas palavras publicadas no jornal “Reconquista” a propósito da mesma: “Os quadros expostos e que tivemos ensejo de apreciar, tem qualquer coisa de nós próprios, como pedaços de alma beiroa, testemunhos vivos muito expressivos e de singular fisionomia da nossa região, de sedutor encanto, mas nem sempre devidamente admirada e valorizada”. Esta terá sido uma das exposições que mais gente levou ao museu.
Em 1981 Barata Moura volta ao museu com a exposição: ”Pelourinhos e Castelos da Beira Baixa”.
Em 1983 regressa com a exposição: “Encontros Com o Tejo”. Sobre esta exposição muito se pode dizer, porém, fico-me por um pequeno excerto retirado do catálogo da exposição: “Mais que mostra de pintura estes sessenta trabalhos de Barata Moura patenteiam-nos a comunhão ou a luta difícil, no espaço e no tempo, entre o homem e a natureza, numa das mais curiosas, originais e belas zonas da península ibérica”.
O mestre Barata Moura tinha por hábito estar presente nas suas exposições, por vezes um outro visitante ao saber que ele era o homem que tinha pintado aqueles quadros, dirigiam-se a ele e abraçavam-no com enorme carinho. Durante a primeira exposição no museu, aconteceu um episódio que ele gostava de contar a quem visitava as suas exposições.
"Um casal de velhotes que viera casualmente visitar o Museu, entrou na sala onde estavam os meus quadros, viram-nos e depois o homem exclamou".

- Tantas obras de defuntos! - Ai que pena que este pintor também já tenha morrido e não possa estar aqui com a gente, a ver estas belezas da nossa terra... (o mestre que estava na sala, ouviu o velho homem e respondeu).
- Estou aqui amigo! "E assim nos abraçámos e congratulámos".

Terminava este posts contando que os quadros referentes às exposições: “PELOURNHOS E CASTELOS DA BEIRA BAIXA E ENCONTROS COM O TEJO” Foram praticamente “Dados” ao museu pelo Mestre Barata Moura, (mais de noventa quadros) e são hoje uma mais-valia para o nosso museu, e para a nossa cidade.
(Continua)
O Albicastrense

quinta-feira, julho 01, 2010

VELHAS IMAGENS DA MINHA CIDADE

AOS ALBICASTRENSES! UM DESAFIO...
Nos últimos anos têm-se insistido muito nas mudanças feitas na nossa cidade, dizendo-se à boca cheia, que Castelo Branco é hoje uma nova cidade e por ai adiante. Para demonstrar que esta teoria tem falta de realidade, e que muitas das alterações mais não foram que “arranjos” apressadas e completamento desajustados.
Vou mostrar neste blog velhas fotografias da nossa cidade, que demonstram que se realmente houve na nossa cidade, (e houve no entender deste albicastrense), uma transformação digna desse nome, ela aconteceu na década de 40 e 50 do século XX, e não no início do século XXI.
Para levar esta ideia avante, gostaria de ter a colaboração dos visitantes do blog. Vou colocar aqui regularmente velhas fotografias da nossa cidade, (como já fiz noutras vezes) sem referir os locais a que dizem respeito na actualidade. A colaboração dos albicastrenses que visitem este blog, será deixar na caixa de comentários, a resposta sobre o local da nossa cidade, a que a fotografia diz respeito actualmente.
Para que todos possam responder, as respostas só serão publicadas alguns dias depois, para dar a hipótese de resposta a todos aqueles que o queiram fazer.
A PRIMEIRA FOTOGRAFIA…
Onde fica actualmente na nossa cidade, o local que a fotografia nos mostra!?
É fácil! Meus amigos… a fotografia foi tirada na década de 40.
O Albicastrense

RUAS DA ZONA HISTÓRICA DE CASTELO BRANCO

AS MINHAS IMAGENS  ZONA HISTÓRICA DA TERRA ALBICASTRENSE  O  Albicastrense