sexta-feira, dezembro 29, 2006

CASTELO BRANCO NO TEMPO


CASTELO BRANCO

E OS SEUS

ESPAÇOS CULTURAIS, ATRAVÉS DO TEMPO

A Cidade de Castelo Branco é desde sempre, (infelizmente), um rosário de amarguras e decepções, no desenrolar da existência dos nossos espaços culturais. Praticamente desde o final do século XIX, que a problemática dos espaços culturais na cidade de Castelo Branco tem tido um caminho tortuoso, com alguns oásis pelo meio, de politicas e intenções privadas.
Quem não se lembra dos muitos projectos, (ao longo dos tempos), vindos a publico, para a construção de não-sei-quantos centros culturais, que nunca passaram do papel. Porém a história é feita de realidades e não de projectos, que nunca passaram disso mesmo. Em virtude dessas mesmas existências aqui ficam alguns dados
, dos espaços culturais que existiram na nossa cidade, entre os finais do século XIX e a inauguração do Cine-Teatro Avenida, no ano de 1954.

O Teatro União, segundo consta foi a primeira casa de espectáculos da cidade de Castelo Branco, Situava-se no largo de Santo António, e terá sido construído em 1853. Pouco se sabe desta casa de espectáculos, e da sua história.

Por finais do séc. XIX, deu-se a construção do Teatro da Sé, (onde ainda hoje funciona o conservatório). Foi um drama daqueles de faca e alguidar, uma série quase indeterminável de actos e cenas, podendo hoje dizer-se que, um edifício que foi inicialmente projectado para ser teatro nunca o foi efectivamente.

O Teatro de Castelo Branco, Construído no inicio do século XX, sucedeu ao famigerado teatro da Sé, e também construído no Largo de Santo António, (onde já anteriormente existira o Teatro União). È caso para dizer que o referido largo, é um verdadeiro cemitério de espaços culturais.

Nos anos 20, o Cine – Teatro Vaz Preto, que se situava na rua com o mesmo nome, e onde até à pouco tempo existia um armazém da firma Castanheira.

O Cine – Teatro Vaz Preto, nasce da remodelação do antigo Salão Olímpia.

Nos anos 50, construí-se o Cine – Teatro Avenida, de que muitos albicastrenses guardaram com certeza boas memórias.

Castelo Branco, teve igualmente algumas salas de cinema;
O
Salão A.P que de 1911 a 1913 funcionou na Rua do Relógio, o Animatógrapho Royal que funcionava na Devesa, o Salão Olímpia que será transformado mais tarde em Cine -Teatro Vaz Preto.

Muito mais haverá a dizer naturalmente destes espaços culturais, e das pessoas responsáveis pelas suas construções. Gostaria no entanto de aqui falar de um nome muito ligado a este sector.

Tomás Mendes da Silva Pinto, (empresário albicastrense do sector dos espectáculos), que segundo os apontamentos que tive oportunidade de ler, foi um grande impulsionador nesta área ao longo de mais de 50 anos.

O Albicastrense

sexta-feira, dezembro 22, 2006

A MINHA CIDADE

CASTELO BRANCO

NA

HISTÓRIA E NO TEMPO

Em época de paz e concórdia, aqui fica um post com algum humor.
A todos os visitantes deste blog um feliz natal, e que o ano de 2007 seja muito melhor que o de 2006.
São os votos sinceros do albicastrense.

A 27 de Outubro de 1808, deu entrada em Castelo Branco, um regimento de infantaria escocesa, o qual surpreendeu os albicastrenses, provocando grande escândalo, tanto nos homens como nas mulheres, ferindo a sua susceptibilidade, especialmente do sector feminino, que não gostou de ver os militares envergando saiotes, o que se tornou um grande e melindre ofensivo do pudor e bons hábitos das gentes albicastrenses, e um verdadeiro sacrilégio para os padres da época. Apesar de se apresentarem irrepreensivelmente fardados, esmeradamente limpos e muito asseados de serem deveras correctos, delicados e respeitadores, mesmo assim não agradaram ao povo albicastrense, nem conseguiram granjear as simpatias dos albicastrenses.
E se calhar nem sabiam que quando rigorosamente vestidos, não podiam usar cuecas nem ceroulas, por baixo do saiote. Este corpo Expedicionário, era composto por um coronel, um tenente-coronel 15 capitães, 36 oficiais subalternos e por 1050 praças. Ficaram instalados no Convento de Santo António, na Igreja da Rainha Santa e na Capela de São Pedro. Abandonaram Castelo Branco, no dia 29 de Outubro. Estes militares, que eram muito gentis e altamente disciplinados, deixaram a cidade sem terem provocado o mais leve desvario ou qualquer distúrbio.

PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias.
A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal ”A Reconquista”

O Albicastrense

terça-feira, dezembro 19, 2006

CAPELAS DA MINHA CIDADE

Capela da Nossa Sra. da Piedade

O autor desta página já por varias vezes aqui criticou, as entidades locais pelo estado de abandono de muitos dos nossos monumentos locais, e irá continuar a fazê-lo sempre que se justificar. Porém como não sou cego e muito menos sectário, hoje gostaria de dar os parabéns à autarquia albicastrenses pelo trabalho que está a ser feito na recuperação da velha Capela da Senhora da Piedade. O monumento em causa foi classificado de interesse municipal em 1982, sendo o ano de construção desconhecido, porém no século XVIII foi reconstruída, e hoje oferece ao visitante a possibilidade de admirar um conjunto de azulejos que forram as paredes da pequena nave, oferecidos em 1739, pela família do Dr. Francisco Rafeiro, azuis e de estilo joanino, representam a Adoração dos Reis Magos, a Última Ceia e os Mistérios da Virgem.

PS. A Capela da Senhora da Piedade, tem estado praticamente encerrada ao longo dos tempos, lançava aqui um apelo aos responsáveis, para que depois das obras ali feitas, se estabelecesse um horário de abertura e encerramento de portas, principalmente no verão, doutra maneira nunca compreenderei estas obras.

O Albicastrense

sexta-feira, dezembro 15, 2006


CENTRO DE ARTE CONTEMPORÂNEA
De
CASTELO BRANCO

?????

O jornal ”Gazeta do interior” publicou na sua edição de 6 de Dezembro, um trabalho sobre a (possível) construção do Centro de Arte Contemporânea de Castelo Branco. Aguardei alguns dias na expectativa de reacção dos intelectuais cá do burgo, para meu espanto o silêncio é total e a reacção a tal possibilidade foi nula. Perante tal atitude dos nossos ilustres, gostaria de lembrar aos responsáveis por tal projecto (autarquia albicastrense) e aos albicastrenses o seguinte:
Á alguns anos discutiu-se muito neste pais a construção do famoso Centro Cultural de Belém, independentemente de todas as manifestações feitas na época, entendeu o “Primeiro” que na altura comandava Pais, (o tal que nunca se enganava e que raramente tinha duvidas), que custasse o que custasse ele iria ser feito, e assim foi… O Preço do tal centro cultural foi enorme! Muito mais que o previsto…
Os proveitos de tal investimento são hoje questionados, sendo praticamente ponto assente, que a sua construção foi uma grande asneirada. Perante este triste exemplo de dinheiros públicos mal gasto. Que aprenderam os nossos autarcas com este triste exemplo? Nada!
Deixem-se de fantasias de rico meus senhores, e olhem bem para o que se passa á vossa volta na cidade. Saberão os nossos autarcas por ventura, quantas casas existem na zona histórica da cidade (Castelo) em degradação total?
Dezenas e dezenas delas! Existem ruas onde não mora, viva alma…
Ainda na zona do castelo, ali na Praça Camões, podemos ver o edifício da antiga biblioteca, (um dos mais belos da nossa cidade) o seu estado de degradação é de tal ordem, que envergonha os albicastrenses e deveria cobrir de descrédito os nossos responsáveis autarcas.
Eu sei que a culpa não é da actual vereação camarária, mas são eles os eleitos neste momento, e cabe-lhes a resolução destes graves problemas, e não continuar a adia-los.
Mas há mais meus amigos, o centro da cidade de que a nossa autarquia tanto se orgulha, ao ponte de ser considerada a menina dos olhos do presidente, é por enquanto apenas uma parte do que ali tem que ser feito, (e não resisto fazer aqui uma comparação). O novo centro da cidade faz-me lembrar aquela boazona, que ao passar-mos por ela, temos sempre de olhar para trás, mas depois se tivermos a sorte de a conhecer-mos melhor, verificamos muitas vezes, tratar-se apenas de uma boazona, porque o resto deixa muita a desejar.
A meu ver é precisamente o que se passa com o centro da cidade.

Está bonita! Está sim senhor… Mas se verificar-mos bem, entre o largo da Sé e a Câmara Municipal moram actualmente quatro famílias… (se pensa que leu mal, eu repito: quatro famílias) … A maior parte das casas existentes em toda aquela zona, estão uma autêntica desgraça, estando muitas delas abandonadas por falta de condições habitacionais.
As obras não deveriam ter em atenção as pessoas e as suas necessidades?
O centro não deveria ser o coração da cidade, e os habitantes da zona as outras partes do corpo? Ou será que o coração sobrevive sozinho?
É caso para colocar aos senhores responsáveis pela nossa autarquia a seguinte questão: Não deveriam os responsáveis dar prioridade à reabilitação urbanística de toda aquela zona? Assim como de outras zonas da cidade em condições semelhantes?
A cultura não se dá nem se vende em um qualquer “centro comercial”, por mais que ele esteja “travestido” de centro cultural meus senhores, e entre o mamarracho projectado (de muito mau gosto e completamente despropositado para aquele local) e a recuperação urbanística de algumas zonas da cidade, este albicastrense prefere mil vezes, a segunda hipótese.
Porém se for essa a decisão da Autarquia Albicastrenses, e tende em conta que o referido centro irá ter uma pista de gelo proponho desde já o seguinte; Que o referido edifício se chame centro de ski da cidade de Castelo Branco, e que se adapte desde já como hino do referido centro a canção se (cá nevasse fazia cá ski)

O Albicastrense

quarta-feira, dezembro 13, 2006

EXPOSIÇAO DE PINTURA

Na Casa do Arco do Bispo em Castelo Branco, está patente ao público uma exposição do Pintor Costa Camelo. Estive lá e embora não sendo esta a minha fase proferida deste grande pintor beirão, recomendo uma visita.
PS. Apenas um senão: que pena serem só quinze quadros…


Raul Costa Camelo
– nasceu em 22 de Abril de 1924, na Covilhã, originário de velha família albicastrense. Infância em Castelo Branco, em cujo Liceu fez o curso secundário. Frequência da Faculdade de Letras de Lisboa. Academia Real de Belas Artes de Antuérpia. V.ª Exposição de Belas Artes (Lisboa, 1949).
Vive e trabalha em Paris desde 1950. Nomeado com o Grau de Cavaleiro das Artes e das Letras pelo Governo Francês em 1987 e condecorado pelo Governo Português em 1984 como “Oficial da Ordem do Infante D. Henriques o Navegador".

Extractos duma entrevistam dada pelo pintor ao

JL/ jornal de letras, Artes e ideias,

em Setembro de 87

O meu objectivo, ao longo dos anos, primeiro em Lisboa, depois em Antuérpia e, finalmente em Paris, foi encontrar uma “escrita”, uma “caligrafia” pessoal que me permitisse não necessariamente “ imitar ” a natureza mas ”ser” Natureza.
Sempre admirei e invejei a soberana liberdade dos compositores musicais, dos quais ninguém esperou que descrevessem o “ Rapto das Sabinas” ou a “Chegada de Maria a Paris”… Embora o pudesse ter feito se lhes desse para isso… Ao contrario da Musica, a Pintura está cheia de impurezas, de ambiguidades. Dá-se o nome genérico de Pintura a coisas que não têm nada que ver umas com as outras.
Quanto ao meu objectivo, foi “apenas” a conquista de uma liberdade semelhante à que os músicos sempre tiveram.
Creio que já era esse o objectivo de um Kupka, antes da Primeira Guerra Mundial.
Não sei bem o que é a “Arte Moderna”, não sei bem o que é “abstracto” nem o que é ”figurativo”. Creio que toda a pintura é, de certo modo, gravuras e desenhos ”abstractos gestuais”; e Turner, segundo a Rainha Vitória, “tinha talvez muitos talento mas fazia coisas que ninguém entendia”, o que, claro, tinha algo de “shocking”…
Haverá uma maneira portuguesa de “estar na pintura”? Não sei…Talvez um certo sentido melancólico da medida, avesso às “outrances” e às afirmações categóricas. Não sei…À laia de conclusão, faço minha, sem escrúpulo, uma frase de Andrei Sakharov, admirável na sua humildade: “Gradualmente, fui deixando de compreender muitas coisas”…

O Albicastrense

terça-feira, dezembro 12, 2006

MITOS URBANOS - ?

LENDAS E FANTASIAS

Num dos comentários feitos a propósito das estátuas do Jardim do Paço, desafiou-me o “Castraleuca” para neste blog apresentar um tópico sobre os túneis que eventualmente poderiam ter existido entre o Jardim do Paço e outros pontos da cidade. Como gosto de desafios, resolvi aceitar o repto e aqui está a resposta.
Amigo Castraleuca, lamento dizer-lhe que tudo aquilo que ouviu em relação a este assunto não passa, como diria o meu bom amigo Batista, de “mitos urbanos” e quero desde já dizer-lhe o seguinte:
Se em relação às estátuas se podem colocar dúvidas quando á veracidade dos factos noticiados, em relação aos possíveis túneis, penso tratar-se de pura fantasia. Também eu em criança ouvi contar essa história dos túneis, que vinham do Castelo para o Jardim do Paço, cuja entrada ou saída se encontrava por baixo de um dos tanques do referido jardim, e um segundo que partiria do Castelo e iria terminar perto da escola Afonso de Paiva.
Gostaria de aqui contar uma pequena história sobre os hipotéticos túneis: Na década de sessenta, (tinha eu dezasseis ou dezassete anos), contava-se na cidade que teriam morrido, (á alguns anos, não se sabendo quantos), no túnel, que dava do Castelo ao Jardim do Paço três estudantes, os três teriam feito uma promessa que se passassem de ano iriam explorar o referido túnel. Segundo a mesma história, contava-se que teriam atado uma corda a cintura de cada um deles, e que a mesma se teria partido, dando origem a que ficassem perdidos no túnel durante muito tempo, sem ninguém saber onde eles estavam e a história continuava por ai adiante.
Um pouco influenciado por esses “boatos”, um dia agarrei numa lanterna e resolvi inspeccionar o túnel que diziam que vinha do castelo para o Jardim do Paço, a entrada situa-se conforme já disse anteriormente, por baixo do tanque de agua, (hoje encontra-se fechada a tijolo), avancei alguns metros dentro deste pequeno túnel e pude verificar que se tratava unicamente de um sistema de drenagem de aguas do próprio tangue.
Amigo castraleuca lá se foi a fantasia, agora mais a sério se realmente existissem esses túneis, com os esburacamentos que ultimamente se têm feito em Castelo Branco, os mesmos já teriam dado a “LUZ” se alguma vez tivessem existido é claro.

(PS.) Gostaria de aqui ressalvar o seguinte: Como não sou séptico bem gostaria de acreditar na existência desses túneis, o problema é que, a realidade é bem diferente da fantasia.

O Albicastrense

sexta-feira, dezembro 08, 2006

PRAÇA D. JOSÉ


(ANTIGA PRAÇA DO COMÉRCIO XVIII)
Terminadas as obras do POLIS na cidade de Castelo Branco, seria importante que a nossa autarquia se começasse a preocupar com a situação urbanística da cidade. Não basta dizer-se que a cidade têm hoje uma nova imagem, (na qual até posso estar de acordo), e depois consentir-se que a actual situação urbanística, totalmente degradante, continue a degradar-se ainda mais.
Um dos exemplos mais
demonstrativos deste marasmo urbanístico é o da Praça D. José, (antiga praça do comércio), ali mesmo ao lado da delegação do banco de Portugal, e que em tempos idos, terá sido uma das praças mais movimentadas da nossa cidade. Na referida praça moram hoje “ZERO” pessoas, melhor dizendo, nicles, nada, ninguém!
Para que não restem duvid
as daquilo que aqui afirmo, aqui ficam alguns dados da referida praça: o prédio onde se situa a “Ourivesaria Rosa de Ouro” está uma desgraça, o Casarão ao lado da Banco de Portugal, (hoje sede do P.S.D.), outra desgraça, a antiga casa das noivas, em frente ao banco de Portugal, está abandonada, (consta-se que foi comprada pelo POLIS, não se sabe bem para quê), o prédio que alberga a pensão Estrela da Beira e a loja Leão das Loiças, mais parece uma albergaria do século XVIII, caída em desgraça. E por fim resta a loja dos chineses, de que nem vale a pena falar.
A questão não pode deixar de ser aqui colocada: Do que valeu aos albicastrenses, a Câmara Municipal de Castelo Branco e o POLIS terem gasto milhões e milhões de Euros, em toda aquela área da cidade, quando praticamente todos os prédios existentes nas referidas zonas estão a cair de podre.
A degradação e abandono do parque habitacional, (sobretudo no centro da cidade de Castelo Branco), é o espelho do desleixo e da incúria de politicas governamentais e municipais ao longo de varias décadas. A recuperação desse parque habitacional é uma prioridade que deve ser dirigida para a reconstrução e recuperação, mantendo sempre lá os seus moradores.
Albicastrense

quarta-feira, dezembro 06, 2006

ALBICASTRENSES ILUSTRES - XXI

ANTÓNIO FORTE SALVADO
Poeta, ensaísta, antologiador e tradutor natural de Castelo Branco, onde nasceu a 20 de Fevereiro de 1936. É Licenciado em Letras: Filologia Românica pela Universidade Clássica de Lisboa, esteve profissionalmente ligado ao ensino e à museologia, docente do Ensino Técnico-Profissional, do Ensino Superior Politécnico, da Escola Secundária Nuno Álvares (Liceu) de Castelo Branco, cidade onde foi Director-Conservador do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior e Vogal do Conselho de Arte e Arqueologia da Câmara Municipal de Castelo Branco. É membro da Cátedra de Poética Fray Luís de León, da Universidade Pontifícia de Salamanca. É autor duma escrita (profícua) de poesia e antologia de várias obras. Dirige a revista "Estudos de Castelo Branco" (III série; já tinha dirigido a II), sendo o editor dos Cadernos de Cultura "Medicina na Beira Interior da Pré-história ao século XX". Tem colaboração dispersa em vários jornais e revistas, portuguesas ("Palavra em Mutação") e estrangeiras ("Encontro", do Brasil).  

Contrariamente ao habitual desta vez não me vou ficar pela apresentação biográfica da personalidade escolhida, pois se o fizesse estaria a cometer uma grande injustiça. 
Tive o privilégio de conhecer o Dr. Salvado em 1976, aquando de uma entrevista para o lugar de servente no quadro do Museu Tavares Proença. O curioso é que trinta anos após a referida entrevista, ainda hoje me recordo perfeitamente da mesma, no entanto se me for perguntado o que fiz há alguns dias, ficarei aflito para responder. 
Porque será? Trabalhei com o Dr. Salvado no Museu entre 1976 e 1989, (tempo suficiente para conhecer bem este Homem), no entanto a questão que se me coloca neste momento é a seguinte: Que poderei eu dizer sobre este homem, que ainda não tenha sido dito? Seria trágico e até de muito mau gosto da minha parte, escrever aqui um conjunto de banalidades, (como é costume aliás fazer-se), sempre que se pretende homenagear ou dizer bem de alguém. Direi apenas que Castelo Branco e as suas gentes nunca conseguirão pagar e este homem bom, tudo aquilo que ele nos doou, (e irá continuar a doar), ao longo de uma vida. Ao Dr. António Forte Salvado um grande abraço.

Poema de Natal (IV - Noite Branca)
Melodia macia perfumada
a desta noite: bafo de surpresas,
odor dos troncos a resplandecerem
cabor do Encoberto regressado.
Os astros correm pela Terra acesa
ciciando palavras entre orvalho -
a directriz que denuncia os passos
por onde caminharmos sem receio.
Mistério d'encantamento nascimento,
ela nos cobre com seu manto estranho
bordado a graça a lar a comunhão;
e nunca a voz do fogo foi mais viva;
a labareda cresce ao infinito
gestos d'amor surdindo em nossas mãos.

António Salvado
O Albicastrense

sábado, dezembro 02, 2006

JARDIM DO PAÇO


E AS SUAS ESTÁTUAS DE BRONZE (!!!)
A 20 de Novembro de 1807, Junot invadiu Portugal, entrando pelo Rosmaninhal, à frente de um poderoso exército, constituído por 30 mil homens, fortemente armados. Foi a I Invasão Francesa. Neste mesmo dia chegaram a Castelo Branco, sem terem encontrado qualquer resistência, para alem da difícil subida da Monheca. No sentido de amenizar a fúria invasora e confiando nas promessas feitas em recente comunicado, tudo foi feito para que nada viesse a faltar aos invasores.
Apesar de tod
os os cuidados para não hostilizar os invasores, a verdade é que a soldadesca praticou toda a espécie de vandalismos, saqueando os templos, profanando os lugares sagrados, pilhando igrejas, roubando capelas que despojaram de todo o seu recheio, furtando pratas, jóias, ouro e até estátuas de cobre e tudo quanto representasse alguma valor. Desataram a esbulhar mosteiros e casas particulares, a devastar conventos, a rapinar do Jardim do Paço todas as estátuas de bronze que lá havia, furtando cobres e alfaias religiosas, violando mulheres, agredindo homens e insultando idosos e todas quantos tivessem a coragem de se insurgir
contra este infame procedimento, à boa maneira de um exercito invasor.
PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias. A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal ”A Reconquista”


Ao ler esta recolha de dados não pude deixar de pensar naquilo que sempre ouvi dizer ”desde criança”, mas que nunca vi confirmado em qualquer publicação sobre este assunto.
Que algumas das antigas estátuas do jardim do paço eram de bronze, e que durante as invasões Francesas teriam sido roubadas por eles. A questão que aqui gostaria de colocar aos entendidos nesta matéria é a seguinte;
Terá sido mesmo assim? Se de facto aconteceu qual a razão de não se saber exactamente o que terá acontecido? Não seria importante para a história da cidade de Castelo Branco e do Jardim do Paço, ter mais dados sobre o acontecimento?
Aos historiadores locais lanço um desafio: Para quando um estudo sobre este acontecimento histórico?
O Albicastrense