quarta-feira, abril 30, 2008

TÚNEL DO LARGO DE S. JOÃO - 3


Passados cerca de vinte dias, após o descobrimento do túnel do largo de S. João, as obras continuam, (conforme se pode ver na foto 1).
Os albicastrenses continuam aguardar “serenamente” pela decisão da nossa autarquia, no que diz respeito ao túnel, (fotos 2 e 3).
O Albicastrense

terça-feira, abril 29, 2008

Jornais da minha cidade

4º Congresso Beirão
E

Exposição das Beiras
.

Jornal Acção Regional de 16 de Junho de 1929.

Sem comentários da minha parte… Mas aberto a quem os quiser fazer!

O Albicastrense

sábado, abril 26, 2008

TOPONÍMIA ALBICASTRENSE - (XIX)



Ruas da Minha Cidade
Rua Joaquim Martins Bispo
(Bairro do Socorro)
Dos muitos nomes de pessoas, que constam nas placas toponímicas da nossa cidade, este será mais um dos que pouco ou nada dizem aos albicastrenses.
Esta rua, situa-se num dos novos bairros da cidade (Bairro do Socorro),
e a personalidade que lhe dá nome, tem para mim um significado especial, pois trata-se de um antigo familiar meu (irmão do meu bisavô), que morreu em 1956.
Esta rua, fica muito perto do local onde moro, porém desconhecia por completo a sua existência até há poucos dias.
Quem foi
Joaquim Martins Bispo?
Era um homem Bom e um ferrenho admirador de tudo quando pudesse enaltecer a terra que lhe serviu de berço”, disse Jorge Seabra em 1956 num artigo publicado no antigo jornal “Beira Baixa”, dois messes após a sua morte.
Joaquim Martins Bispo nasceu a 28 de Junho de 1868, filho de João Martins Bispo, sapateiro e de Quitéria de Jesus ambos naturais de Castelo Branco, e moradores na rua dos Ferreiros. Casou com Amélia Gil, na ig
reja paroquial da freguesia e concelho de Castelo Branco, no dia 12 de Outubro de 1895.
Comerciante de grande prestígio na cidade, onde ganhou o título de decano dos comerciantes albicastrenses da sua época.
Entre os muitos empreendimentos em que esteve envolvido na cidade de Castelo Branco, podemos destacar: construção do antigo Hotel Turismo, melhoramentos no jardim do paço, construção do Cine Teatro Avenida e na constituição da corporação de bombeiros voluntários de Castelo Branco.
Fundador da antiga casa a “Popular”, que na altura teve direito a noticia nos jornais da cidade, a loja foi criada num edifício propositadamente construído para o efeito na rua Mousinho Magro, prédio que ainda hoje existe conforme podemos ver na fotografia aqui colocada.
Foi Presidente da Câmara Municipal,
(1) Vereador, Administrador do Concelho, Vogal da Junta Geral do Distrito, Presidente da Associação Comercial, e Director do antigo Teatro de Castelo.
Joaquim, faleceu em Castelo Branco no dia vinte e seis de Maio de 1956.
PS (1). Embora o Dr. Jorge Seabra se refira a Joaquim como antigo presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, até à presente data nada encontrei que possa confirmar esse dado.
Segue-se o artigo do Dr. Jorge Seabra publicado em 1956, no jornal já aqui mencionado sobre este meu antepassado que nunca conheci.
“Romeiros da Saudade”
O Comerciante Joaquim Martins Bispo
Não á sem a mais profunda das comoções que um “romeiro da saudade” vê desaparecer do número dos vivos outro “ romeiro da saudade”. Por isso, o falecimento, ocorrido há dois meses, do comerciante Joaquim Martins Bispo, veio encher de luto e cruciante angustia, toda a vasta falange dos “romeiros da saudade”, a que pertenceu como elemento activo e preponderante. Alto, seco, inteligente e extremamente bondoso, foi durante largas décadas, pessoa marcante no meio albicastrense. O seu dinamismo e iniciativa, aliados a uma modéstia e honradez inexcedíveis, estavam sempre, incondicionalmente, ao dispor da Grei. Para ele que nasceu em Castelo Branco, não havia terra mais linda nem mais progressiva do que a sua! Ouvi-lo discretear sobre os encantes e progressos da histórica urbe dos Templários, era como se escutássemos, enlevados, um hino tecido ás virtudes da boa gente da nossa Beira. Obcecado pelo amor á terra “mater”, exagerava-lhe, por vezes, numa ternura de encantar, as suas belezas e melhoramentos!
Mas quem é que, tributando verdadeira afeição à terra natal, a não alcandora nos píncaros da lua!? Presidente da Câmara, vereador, Administrador do Concelho, comerciante e industrial, a sua opinião era sempre escutada com religiosidade e respeito, raras vezes se enganando nos seus conceitos e maneiras de ver. Ponderado e com uma pratica imensa da vida, que foi longa e trabalhosa, vencia as dificuldades com um sorriso nos lábios e uma candura no coração, nunca se esquivando a colaborar na resolução de qualquer empreendimento quando visse que dele podia resultar um beneficio para o desenvolvimento de Castelo Branco. Meu parente muito próximo e meu amigo sincero, eu olhava-o e admirava-o como uma grata reminiscência do passado, desse glorioso passado em que não se mentia e tudo decorria meiga e brandamente. E que satisfação não era a sua, quando eu, num curto intervalo dos meus afazeres, dava uma saltada ate Castelo Branco!
Então, agarrando-me carinhosamente no braço, levava-me por ali fora a todos os recantos da cidade, na insofrida ânsia de me mostrar os seus mais recentes progressos. Ainda me lembro de que, em dada altura, me levara, com agilidade e optimismo dum rapaz e trepando pelas íngremes ruas do Castelo, até lá acima ao Miradouro de S. Gens, belo empreendimento camarário e que havia sido inaugurado há pouco. A subida fora para mim, apesar de novo, um tanto fatigante, mas os frutos colhidos, com tão surpreendente espectáculo, regalaram-me a alma! Dizia-me Joaquim Martins, todo alegre e envaidecido:
Então que tal o Jorge? Magnifico, adorável, embasbacante! Respondia-lhe. E não lhe mentia. É que o panorama dali desfrutado, vasto e grandioso, nunca mais se esquece, perdendo-se os olivedos por ali fora, quase até aos contrafortes da Gardunha! Depois, vindo os dois por ali abaixo de escantilhão, ala para a parte nova da cidade, que, nessa altura, começava a germinar, a desentranhar-se em artérias modernas e espaçosas.
E Joaquim Martins, pletórica de seiva e bom humor, não obstante a sua avançada idade, ia-me dando informes de tudo e a propósito de tudo… Olha, aqui, vai construí-se o Cine Teatro, e mais alem, outra “garagem”. Outra “garagem”!? Sim, outra “garagem”. Depois, compreendes a nossa terra não pode estagnar, ficar para traz… É preciso caminhar … E eu, enternecido, ia-o ouvindo atentamente, nas suas doutas explicações, certo de que com Homens assim, Castelo Branco jamais sossegara.
Quando em 1929, se efectuou, na capital da Beira Baixa, o IV “Congresso Beirão”, o entusiasmo e dinamismo dispendidos por Joaquim Martins, foram de tal ordem apreciáveis, em especial nos sectores: recepção de congressistas, ornamentação de ruas e festivais no parque, que, sem a sua colaboração, o dito congresso, seria como uma coisa sem açúcar ou um caldito, embora substancial a que faltasse o devido tempero. É que o prestigio e o bom nome da cidade que viu nascer, estavam em jogo, tornando-se pois, necessário desenvolver um esforço prodigioso para que tudo saísse um miminho e a avalanche de visitantes levasse, da linda e acolhedora terra beiroa, as mais gratas impressões.
Depois, muito mais tarde, a quando da “1º Romagem de Saudade”, a sua actividade mostrou-se, igualmente, prodigiosa e pletórica de seiva e mocidade. Ainda estou a vê-lo, nessa parada de solidariedade dos antigos escolares do liceu, um tanto triste e cabisbaixo, por o vendaval lhe haver, inclementemente destruído grande parte das ornamentações… Mas eu, para o consolar, ia-lhe dizendo que a chuva não tinha… importância e que a falta de festões e bandeiras, seria suprida, com vantagem, pelo calor da nossa fé e pelo entusiasmo dos nossos corações!
Era um Homem bom e um ferrenho admirador de tudo quanto pudesse enaltecer a terra que lhe serviu de berço.
Falecendo quase nonagenário, nunca foi velho! A sua actividade, impulsionada por um invulgar entusiasmo, dava-lhe um ar juvenil, encantador, metendo a um canto os que podiam já ser, sem favor seus netos! Quando, em 1947 na “Romagem de Gratidão”, os romeiros mais novos, lhe puseram, sobre os ombros, como homenagem às suas excelsas virtudes a avançada idade, uma capa de estudante, a fim de descerrar, na frontaria da “Domus Municipalis”, a lapide comemorativa da romagem do ano anterior, a sua desenvoltura, puxando pelo pano que a envolvia, foi de tal ordem rápida e magnifica, que a todos enterneceu! Isto tudo, meus amigos, faz parte do passado, dum passado relativamente recente.
É certo, mas muito saudoso para o meu sensível coração. Não quis, o destino, que Joaquim Martins Bispo, o egrégio Papa da infindável legião dos saudosistas pudesse assistir à última “ Romagem”. Ele achava-se já por essa altura, gravemente enfermo, desconhecendo, mesmo que a grande festa de solidariedade dos antigos escolares do liceu estava a decorrer. Fui visita-lo, contrito e cabisbaixo. Ainda me reconheceu e abraçou carinhosamente, não obstante a morte se aproximar a passos agigantados.
E decorridos umas semanas após o meu regresso ao Porto, Joaquim Martins Bispo desapareceu do número dos vivos, deixando em todos os que tiveram a ventura de o conhecer, a mais profunda das saudades. E assim se vão extinguindo, pouco a pouco, os grandes valores da boa terra albicastrense, e nós ficando mais sós, mais tristes e mais descrentes… Uma pena!
Porto, Julho de 1956 – Jorge de Seabra
O Albicastrense

sexta-feira, abril 25, 2008

Castelo Branco na História XXIII

(Continuação do número anterior)

Existiam nesta igreja as confrarias de Santíssimo Sacramento, das Almas e de Nossa Senhora do Rosário, que foram transferidas para a igreja de S. Miguel da Sé após a extinção da Freguesia de Santa Maria.
Por portaria de 9 de Outubro de 1849 foi concedida à Confraria de Nossa Senhora do Rosário autorização para continuar a exercer os ofícios divinos na igreja de Santa Maria com a obrigação, de tomar a seu cargo a conservação e decência do templo, sem que essa concessão lhe conferisse o direito à posse do edifício.
Da invocação de Nossa Senhora do Rosário e comunicando com a capela-mor da igreja houve uma capela, instituída por Gaspar Mouzinho Magro, por testamento feito em 29 de Agosto de 1684 e um codicilo de 26 de Abril de 1685.
Este benemérito nasceu em Castelo Branco em 1611 e faleceu na mesma cidade em 29 de Agosto de 1684, legando à Virgem Maria de Rosário da igreja de Santa Maria do Castelo todos os seus bens, constituídos por 39 propriedades.
Os bens de Gaspar Mouzinho Magro foram descritos num tombo, ainda existente, ao qual se deu princípio em 20 de Junho de 1706, em obediência á seguinte disposição testamentária: “Primeiramente se há-de fazer tombo, de todos os bens de raiz e casas que se acharem serem nossas, assim meus como do meu irmão para que em nenhum tempo se possam alhear nem trespassar e porque não faça duvida declaro que esta Capela que ambos instituímos, assim ele como eu, é uma só e não uma do meu irmão e outra minha e a missa quotidiana somente uma”.
Segundo o testamento, haviam falecido seus irmãos Francisco Mouzinho e Merenciana Mouzinho, deixando os seus bens a Nossa Senhora do Rosário com obrigação de missa quotidiana, no caso de não existirem filhos dele e que já tinham falecido também os seus filhos Luís e António.
Contem, o mesmo testamento, as seguintes disposições: “E porque meu irmão instituiu uma Capela de seus bens, na mesma forma e maneira eu instituo à qual vinculo e ajunto todos os meus bens, nomeio por minha herdeira a Sempre Virgem do Rosário, da Igreja de Santa Maria do Castelo, queira aceitar esta nossa herança e queira por seus infinitos merecimentos e como mãe de Jesus Cristo, que nesta herança entrem também as nossas almas, como de seus escravos e cativos para que este nome, merecemos gozar da presença
eterna de seu filho Jesus Cristo. Amem. Amem. Amem”.

23/103

PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951
Autor.
M. Tavares dos Santos
O Albicastrense

quarta-feira, abril 23, 2008

Apanhados albicastrenses


Nas Barbas do Vaz Preto

Se a estatua falasse, que diria ela ao bichinho que ali deixou o presente?

Primeira hipótese

Não tens outro local, para fazer o serviço?

Segunda hipótese

Então… já não mereço respeito!!!

Terceira hipótese

E se fosse c…… para outro lado!!!

O Albicastrense

terça-feira, abril 22, 2008

1º de Maio de 1900

1º De Maio
Em
Castelo B
ranco
01 – 05 – 1900

O 1º de Maio celebrou-se, pela primeira vez em Castelo Branco no longínquo ano de 1900, a iniciativa pertenceu a um grupo de artistas locais.
A festa foi engalanada pela tuna Artistas Albicastrense, que durante o dia percorreram as ruas da cidade, ao som dos acordes musicais e do
estrondear dos foguetes que estalejavam no espaço.
A festa prolongou-se pela noite dentro na sede da tuna, onde ouve os discursos, alusivos ao 1º de Maio.
Cento e oito anos depois, aqui fica o cartaz da Intersindical, relativo ao 1º de Maio de 2008.

O Albicastrense

sexta-feira, abril 18, 2008

Tiras Hunoristicas

LARGO DE S. JOAO

O jornal Gazeta do Interior, publica esta semana um óptimo artigo sobre o historial do largo de S. João, da autoria do meu amigo Pedro Salvado. Ao Pedro Salvado, o meu bem-haja pelo excelente trabalho, porém, quero desde já dizer-lhe, que desta vez se enganou a respeito deste achado, segundo os investigadores “Bigodes e Companhia”, a verdade dos factos é bem diferente!!!

BIGODES E COMPANHIA

Decifraram o mistério do túnel do largo de S. João…
É no "Café do Jorge" situado mesmo ao lado do passadiço que liga o jardim do paço ao parque da cidade, que está o grande mistério do túnel do largo de S. João!!! Vamos à história: "Bigodes e Companhia", (albicastrenses com muitos anos de vida e muitos copos nos beiços), resolveram revelar neste blog, o resultado de uma grande investigação desenvolvida por eles, assim que souberam da descoberta do já famoso túnel do largo de S. João.

Eis o resultado da investigação:
O "Café do Jorge" é hoje o legitimo descendente da antiga tasca do Casimiro, que antes fora conhecida por tasca do Regedor, cujo proprietário era igualmente conhecido por Castanheira. Segundo os nossos investigadores, "Bigodes e Companhia", a antiga tasca que ali existiu durante muitos e muitos anos, era senhora de um bom vinho a martelo. 
O produto era vendido ao copo e em grande quantidade, sendo muito apreciado pelos albicastrenses. Porém a desconfiança reinava entre os frequentadores da tasca! Pois o "tintol" vendia-se bem, no entanto raramente se via alguém a descarregar a "pomada" na tasca do regedor! A suspeita era constante entre os frequentadores da tasca… Onde arranjava o Castanheira a dita pomada? O Regedor finou-se e o segredo morreu com ele… Foi preciso quase um século e um parque de estacionamento, para se descobrir o grande segredo.

Por fim a grande descoberta!!!!!
Não havendo água canalizada na época, para fazer o célebre vinho a martelo, o manhoso do Regedor, fez um túnel do seu estabelecimento, directo ao poço mais próximo, (mesmo ali ao lado) para fazer a tão famosa pomada! O Regedor, foi pois o grande obreiro da construção deste túnel !!!!
PS. Ao Pedro Salvado, (agora a sério) mais uma vez Bem-haja pela notável aula de história, que nos deu através do jornal Gazeta do Interior.
O Albicastrense

ALBICASTRENSES ILUSTRES - II


D. FREI FERNANDO RODRIGUES DE SEQUEIRA
1338 - 1433
(Nasceu em Castelo Branco, em 1338)
Presumivelmente numas casas nobres situadas na rua do Cavaleiro. Sua família possuía, no corpo da igreja matriz de Santa Maria do Castelo, um jazigo levantado junto do púlpito na parte direita, onde foi sepultada sua bisavô materna D. Estevaínha e sua mãe D. Maria Afonso, conforme fazia memória um letreiro que ali existiu: Aqui jaz lá madre de Fernão Rodrigues de Sigueira Mestre de cavalaria de Aviz. Comendador-mor na Ordem de Avis foi eleito Grão-Mestre em 1386, substituindo neste cargo D. João I, aclamado rei de Portugal nas Cortes de Coimbra de 1385. Muito ligado ao rei a quem serviu ainda príncipe, como aio e introdutor nas regras da cavalaria, com ele se achou em vários sucessos e empresas, como referem as crónicas: no cerco de Lisboa e na batalha de Aljubarrota. Pertenceu ao seu Concelho e ficou por Defensor do Reino quando D. João I passou por Africa, em 1415, à conquista de Ceuta. Mandou edificar a igreja de N. Senhora das Neves em Borba, belo templo de 3 naves, sustentadas por 14 colunas de mármore branco e, no qual há a seguinte inscrição: Esta igreja é da ordem de Aviz: mandou-a fazer o muito nobre Senhor D. Frei Fernando Roiz de Sequeira, Mestre de Cavalaria e da Ordem de Avis, no ano da era de 1401. Durante o seu Mestrado veio a Portugal o Mestre da Ordem de Calatrava, D. Gonçalo Nuno de Gusmão, reclamar a obediência que, pela sua instituição, a ordem portuguesa lhe devia mas, recebido por D. Fernando Rodrigues de Sequeira com honras e cortesia não alcançou dele o “reconhecimento dessa dependência, pelo que furioso se retirou para Castela, lançando excomunhões e recorrendo mais tarde, em 1435, ao concilio de Basileia. Nessa altura, Já D. Fernando Rodrigues de Sequeira jazia na sua magnífica urna de mármore amarela que mandara construir no baptistério da igreja conventual de Avis, pois falecera a 31-8-1433. Na parede fronteira à urna, existe uma lápide com a cruz florenciada de Avis sobreposta por um escudo tendo 5 vieras (armas dos Sequeiras); elmo e penacho sobre o escudo e, ainda, a roda da fortuna ou da Santa Catarina, com a seguinte divisa: Avis. Avis. Sequeira. Sequeira; na parte inferior uma inscrição faz sucinta memória dos factos mais salientes da vida do 24 ª Mestre da Ordem de Avis.
Texto retirado do livro bicentenário da cidade de Castelo Branco
Autor: Manuel da Silva Castelo Branco
O Albicastrense

terça-feira, abril 15, 2008

Castelo Branco na História XXII

Continuação do número anterior)

O campanário da Igreja, com dois sinos, estava numa torre piramidal que existia sobre a porta principal de entrada na cidadela. Esta porta, situada nas proximidades da antiga capela da S. Brás, foi arruinada pelas tropas franco espanholas que tomaram a cidade em 1704. O rei D. Manuel I instituiu no século XVI, a Colegiada de Santa Maria que constava de quatro beneficiados e o rei, D. João III aumentou esse número para cinco por alvará de 18 de Agosto de 1523. Os beneficiados eram professores da Ordem de Cristo e foram considerados coadjutores desde 1744 até à extinção da Colegiada em 1834.
O vigário de Santa Maria era, implicitamente, professor da Ordem de Cristo, sendo aposentado pelo rei, Grão-Mestre da Ordem. O vigário tinha a residência numa casa nobre situada no cimo da rua de Ega e que foi legada para esse fim, em 1610, pelo antigo vigário Heitor Borralho de Almeida, segundo uma inscrição que ainda se encontra sobre a porta de entrada. Estava determinado que o vigário fosse juiz da Ordem de Cristo e que, por essa razão, fosse doutor ou bacharel formado.
Este preceito, porém, foi alterado por graça especial feita a um presbítero que, não sendo formado, foi nomeado Vigário por se haver tido em atenção os seus relevantes serviços. O tesoureiro, que tinha a seu cargo a guarda das alfaias, era nomeado pelo vigário e devia ser eclesiástico. Na igreja havia ainda um cura que era obrigado a residir dentro da freguesia e um febriqueiro ou sineiro.
A Câmara Municipal dava à Igreja todo o junco verde para revestir o seu pavimento nos dias em que se realizavam as festividades. A igreja de S. Maria foi quase completamente destruída pelos espanhóis na guerra da independência que se segui à revolução de 1640 contra o seu domínio. Os paroquianos pediram então ao rei D. João IV um subsidio para a reedificação da Igreja matriz da sua freguesia, alegando que eram pobres e que havia já alguns anos que os lucros da agricultura eram escassos por terem sido devastados os campos com a praga de gafanhotos.
Em 19 de Junho de 1641 o rei mandou dar para a reconstrução 200$000 réis cada ano e pelo espaço de cinco anos, dos sobejos da Câmara, “depois de pagas todas as despesas ordinárias e os gastos dos soldados”. Conseguíram assim os paroquianos, reedificar a Igreja em meados do século XVII.

22/103

PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951
Autor.
M. Tavares dos Santos
O Albicastrense

Túnel no Largo de S. João - 2

Aqui ficam mais duas fotografias do túnel do largo de S. João.
Fotografias tiradas hoje, dia 15 de Abril.

O Albicastrense

domingo, abril 13, 2008

Túnel no Largo de S. João


Largo de S. João

No largo de S. João, aconteceu o inesperado, quando quase todos esperavam o aparecimento de restos humanos naquele local, eis que surge a surpresa!
Apareceu a cerca de três metros da superfície um túnel! Estive lá e fotografei o já famoso túnel, pois os albicastrenses fazem bicha para o observar. Segundo sei, as entidades locais, estudam a situação imprevista, vamos portanto esperar pelo resultado deste estudo.
Não quero estar a dar palpite sobre este achado, mas tendo em conta a existência de antigos poços de água ali perto, quase que apostaria que se trata de um túnel de escoamento de águas.
Os técnicos têm a palavra… o povinho aguarda pela sentença.

O Albicastrense

sábado, abril 12, 2008

Abril – 2008

Com Abril, Sempre!

Mais que lembrar, pensar, ou falar aqui ficam as palavras de quem sabe o significado de Abril.

Eu Sou Português Aqui

Eu sou português
aqui
em terra e fome talhado
feito de barro e carvão
rasgado pelo vento norte
amante certo da morte
no silêncio da agressão.

Eu sou português
aqui
mas nascido deste lado
do lado de cá da vida
do lado do sofrimento
da miséria repetida
do pé descalço
do vento.

Nasci
deste lado da cidade
nesta margem
no meio da tempestade
durante o reino do medo.
Sempre a apostar na viagem
quando os frutos amargavam
e o luar sabia a azedo.

Eu sou português
aqui
no teatro mentiroso
mas afinal verdadeiro
na finta fácil
no gozo
no sorriso doloroso
no gingar dum marinheiro.

Nasci
deste lado da ternura
do coração esfarrapado
eu sou filho da aventura
da anedota
do acaso
campeão do improviso,
trago as mão sujas do sangue
que empapa a terra que piso.

Eu sou português
aqui
na brilhantina em que embrulho,
do alto da minha esquina
a conversa e a borrasca
eu sou filho do sarilho
do gesto desmesurado
nos cordéis do desenrasca.

Nasci
aqui
no mês de Abril
quando esqueci toda a saudade
e comecei a inventar
em cada gesto
a liberdade.

Nasci aqui
ao pé do mar
duma garganta magoada no cantar.
Eu sou a festa
inacabada
quase ausente
eu sou a briga
a luta antiga
renovada
ainda urgente.

Eu sou português aqui
o português sem mestre
mas com jeito.

Eu sou português
aqui
e trago o mês de Abril
a voar dentro do peito.

Eu sou português aqui

José Fanha

O Albicastrense

quinta-feira, abril 10, 2008

Castelo Branco na História XXI

(Continuação do número anterior)

Situada no recinto do velho castelo dos Templários, com o altar-mor orientado para o lado do nascente, a Igreja de Santa Maria, mercê das vicissitudes por que passou a povoação de Castelo Branco através dos séculos, é hoje um edifício álgido e pobre, inteiramente desprovido de lavores artísticos.
Foi esta Igreja sede de uma das duas freguesias em que outrora, esteve dividida a cidade. A freguesia de Santa Maria foi extinta e anexada à de S. Miguel por decreto de 20 de Julho de 1849. Segundo um auto de medição e descrito da Igreja, que figura no livro do Tombo da Comenda e que foi lavrado em 1753 pelo juiz do Tombo Manuel Falcão, constava nessa data que ela era obra dos Templários; é possível, porém, que a sua edificação seja anterior à do castelo e que ela já existisse em Mancarche, povoação mais remota à qual os Templários deram, no século XIII, a designação de Castelo Branco.
Sendo o edifício obra dos Templários, era natural que a sua traça obedecesse, ao estilo gótico da época, no qual foi edificada a alcáçova do castelo; o seu pórtico principal era ”guarnecido de um círculo de meia laranja de pedra, fundado em colunas” o que parece significar que era formado por arcaturas de volta plena apoiadas em colunatas, que caracterizavam as construções monumentais do estilo românico, anterior ao gótico.
Tinha este templo, desde a porta principal até ao arco da capela-mor, cerca de 33 metros de comprimento por 7,5 de largura. A capela-mor era um quadrado com 4,8 de lado. A sacristia era também quadrada com 4,17.
Na parede lateral do lado do Norte existia uma tribuna, fronteira à porta lateral, que comunicava por um arco com a cerca do palácio do castelo. Esta tribuna era privativa dos comendadores da Ordem de Cristo. Após a sua demolição foi entaipado com alvenaria o arco da entrada privativa pela cerca do palácio.
Na capela das almas existia uma lápide de cantaria com a seguinte inscrição:
“Esta capela mandou fazer Heitor Borralho de Almeida, vigário que foi desta Igreja, a qual deixou por herdeira com a obrigação de uma missa cantada cada um ano. Jaz enterrado ao pé deste altar, ano de seiscentos e dez”.
Grande número de inscrições tumulares, algumas das quais em letra gótica, se podiam ler outrora no pavimento da Igreja; porém com o objectivo de se obter o nivelamento do lajedo, foram muitas dessas inscrições vandálicamente destruídas e apagadas.

21/103

PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951
Autor.
M. Tavares dos Santos
O Albicastrense

segunda-feira, abril 07, 2008

Os Nossos Tesouros

PORTADOS QUINHENTISTAS
DE
CASTELO BRANCO

Tal como prometi, aqui ficam mais algumas fotografias de portados quinhentistas da zona histórica da cidade de Castelo Branco (estes em muito mão estado).

O Albicastrense

domingo, abril 06, 2008

sábado, abril 05, 2008

Castelo Branco na História XX

(Continuação do número anterior)

Por portaria de 17 de Julho de 1835 do ministério da Guerra, satisfazendo um pedido da Câmara Municipal, concedeu-lhe licença “para se apearem os arcos das muralhas da cidade e ser empregada a pedra em obras de manifesta utilidade pública”. Em 21 de Outubro do mesmo ano, o Ministério da Guerra determinou, uma nova portaria, que se desse imediato cumprimento à primeira. Ordenou também o Governo, por uma portaria de 9 de Março de 1839, que fosse vendida parte da pedra das paredes do castelo e, por outra de 20 de Março do mesmo ano, que se vendessem a telha e os madeiramentos. O terreno do parque do castelo foi cedido à Câmara pelo governo, por portaria de 19 de Novembro de 1852, para nele se fazer um cemitério; tendo porém prevalecido o bom censo, não chegou a efectuar-se esse absurdo projecto. No mesmo local foi construído, em 1867, um edifício que se destinava a liceu mas veio utilizado para Escola do Magistério Primário; em 1919 foi ali instalado um posto radiotelegráfico do exército. Foi, portanto, no século XIX que o vandalismo dos albicastrenses, acoberto pela complacência e pela indiferença das entidades oficiais, promoveu inexoravelmente a destruição das suas relíquias históricas que, se hoje existissem, constituiriam uma valiosa e interessante curiosidade turística numa cidade em que não abundam as preciosidades artísticas nem as edificações monumentais. Os agentes atmosféricos também contribuíram para a ruína do velho castelo dos templários. Uma violenta tempestade que se desencadeou na noite de 15 de Novembro de 1825 fez desabar algumas paredes da alcáçova e desmoronou a porta da Vila. No principio do ano de 1936, as chuvas torrenciais causaram a derrocada da ultima torre que restava do castelo, no ângulo nascente norte. Foi feita a reconstrução das paredes dessa torre, pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, em 1940. Todavia, não foi então feito, como era mister, um estudo prévio da reconstrução e a cidade assistiu indiferente a mais uma mutilação da sua velha fortaleza: Impensadamente considerada uma excrescência, não obstante ser coeva da fundação do castelo, foi totalmente demolida a antiga alcáçova, da qual ainda se podiam ver, em 1939, umas casas de cilharia ostentando na fachada principal duas janelas góticas geminadas e uma porta do mesmo estilo. E assim ficou implacavelmente restringida a umas pungentes ruínas, pelos ímpios iconoclastas indígenas com a cooperação das entidades oficiais e dos agentes meteóricos, uma das venerandas fortalezas medievais que os denodados Templários erigiram, com acrisolado desvelo, para defesa da fé e da independência da Pátria.

20/103

PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951
Autor.
M. Tavares dos Santos
O Albicastrense

sexta-feira, abril 04, 2008

EXPOSIÇÃO DE PINTURA

MACHACO

EXPOSIÇÃO DE PINTURA

Sala da Nora 27 de Março a 27 de Abril

Se existem alturas na vida, em que todos nós gostaríamos de ter determinadas capacidades para podermos classificar, qualificar, ou rotular um qualquer acontecimento, este será para mim um desses momentos.Visitei esta bela exposição, e fiquei sem palavras para poder ajuizar toda aquela atmosfera de cor e luz reinante na sala da nora.
Na falta de palavras próprias, dou escrita a quem sabe, ”as palavras que se seguem constam no catálogo da exposição”.

As composições “ machaquianas” subtis por toda a sensibilidade com que se teciam, emitiam e provocavam a diferença, o contraste e a ruptura assumidas.
Alguns dos seus elementos deixam transparecer um território genético criativo individualizado e um ancoramento a um universo mítico muito particular, que não se traduziam numa cartografia geográfica específica. Dentro da sua autonomia expressiva, as propostas machaquianas, que se desenrolam por vezes entre um esquematismo diluído e um firme abstracionismo, constroem, isso sim, territórios cujas descodificações conduzem a uma interrogação intima.

Pedro Salvado

Se quiser saber mais sobre este homem e conhecer a sua pintura, vá até à sala da nora e aprecie esta linda exposição.

O Albicastrense

quarta-feira, abril 02, 2008

Tiras Humorísticas

O Resultado Final
Bigodes e Companhia, ao saberem do estado da ponte Romana do Ponsul, resolveram ajudar as entidades oficiais, na recuperação de um bem que é de todos nós.
Seguiu-se, ao restauro da ponte, uma boa miga na tasca da tia Amélia
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O Albicastrense

Obras na minha cidade

Edifício da Portugal Telecom

A demolição de parte do antigo edifício da Portugal Telecom, continua a bom ritmo.
Irei aqui mostrando fotografias deste acontecimento, permitindo deste modo que aos albicastrenses ausentes da nossa cidade, possam acompanhar este acontecimento.

O Albicastrense

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS – CXIX

A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “ A Era Nova ”.  Transitou para o Jorna...