segunda-feira, outubro 29, 2007

TOPONÍMIA ALBICASTRENSE

Ruas da Minha Cidade

Na toponímia albicastrense, a avenida Afonso de Paiva será seguramente uma das mais conhecidas na nossa cidade, porém, é minha convicção que a personalidade que lhe dá nome, será para a maioria dos albicastrenses um ilustre desconhecido, independentemente do mesmo ter nascido em Castelo Branco no longínquo ano de1460.
A Avenida Afonso de Paiva tem o seu início na praça Rainha D. Leonor, e termina junto à escola que também tem o seu nome.
Quem foi Afonso de Paiva?

Afonso de Paiva nasceu em Castelo Branco em 1460. Herdou o cargo de escrivão de sisas na sua comarca natal, e escrivão real da comunidade hebraica, actividade que o colocou em contacto com muita gente do Levante e lhe permitiu aprender o hebreu, tornou-se explorador português a convite de D. João II para que fosse recolher informações do Oriente acerca das rotas comerciais e pontos de referência. Afonso de Paiva, que aprendera a falar árabe com os mercadores de Ceuta, e Pêro da Covilhã, que, entre outras experiências, fizera já duas expedições a Berbéria e já conhecia os costumes e o falar dos árabes. Participou na batalha de Toro ao lado do rei D. João II que lhe reconheceu os méritos de bom escudeiro. Por nele confiar, escolhe-o para acompanhar Pêro da Covilhã na demanda pelo reino do Preste João e da Índia. Em 7 de Maio de 1487 partiram estes dois novos emissários de Santarém, bem providos de dinheiro e com indicações dadas pelos cosmógrafos da Corte, acerca do itinerário a seguir. Lisboa, Valência, Barcelona, Nápoles e Rodes, foram etapas da primeira parte da viagem. Depois, disfarçados de mercadores, passaram a Alexandria, de onde seguiram para o Cairo, para o Suez e para a Arábia (Toro). Depois partiram para Adem, onde chegaram em 1488. Aqui se separaram, indo Pêro da Covilhã para a Índia e Afonso de Paiva para a Etiópia. Afonso de Paiva não chegou a terminar a sua missão. Morreu antes que Pêro da Covilhã regressasse ao Cairo, depois de, durante um ano, ter percorrido a Índia e outras terras do Oriente. Voltando à costa de África, chegou a Sofala, de onde, por Adem e Tôro, regressou ao Cairo nos fins de 1490. D. João II veio a saber da morte de Afonso de Paiva por dois judeus que enviou.
          Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Albicastrense

sexta-feira, outubro 26, 2007

Castelo Branco na História - VI

(Continuação do número anterior)

D. Pedro Alvito, 11º mestre da ordem do templo, concedeu uma carta de foral à povoação de Castelo Branco, da qual transcrevemos alguns períodos traduzidos do latim bárbaro:
“Em nome da santa e individua trindade Pai, Filho e Espírito Santo, assim seja”.

“Eu, mestre de milícia do templo, Pedro Alvito, com todo o convento de Portugal queremos restaurar e povoar Castel-Branco, concedendo-vos o foro e costumes de Elvas, tanto presentes como futuros, para que as duas partes dos cavaleiros vão ao fossado e a terça parte fique na vila: e uma vez por ano façais fossado”.
“Fazer fossado” consistia em ir com mão armada falar os campos cultivados pelo inimigo ou colher os seus frutos.
Na carta de foral estavam consignados, entre outro, os seguintes direitos dos habitantes de Castel-Branco:
“Tendas moinhos e fornos de Castel-Branco sejam livres de contribuições”.
“ Os cavaleiros de Castel-Branco sejam considerados em juízo como infanções e nobres de Portugal”.
“ Os peões sejam considerados em juízo como cavaleiros vilões doutro concelho”.
Estabelecendo varias penalidades para os infractores das suas disposições e para os delinquentes, termina assim a carta de foral:
“Eu Pedro Alvito por graça de Deus mestre da milícia do templo em algumas partes de Espanha, juntamente com toda a comunidade de Portugal, confirmamos esta carta, para termos para sempre o domínio a todas as igrejas desta vila.
E todo aquele que infringir esta carta seja maldito do supremo Deus. Feita no mês de Outubro de 1251”
A data de 1251, posta na carta de foral por D. Pedro Alvito é a que corresponde ao ano de 1213 da nossa era (quando era mestre da ordem D. Gomes Ramires), tem deixado perplexos todos os investigadores da origem de Castelo Branco.
Com efeito, essa data é anterior à da doação feita por D. Afonso II aos templários (1214) a carta de foral adopta como norma a de Elvas, quando esta só foi concedida em 1229, em Évora, pelo rei D. Sancho II, alem disse, D. Pedro Alvito só começou a exercer as funções de mestre da ordem em 1214, tendo terminado o exercício em 1223.
Esta discrepância deu azo a varias conjecturas de Viterbo, Alexandre Herculano, António Roxo e Dr. Ribeiro Cardoso (Subsídios para a História Regional da Beira Baixa).
Não reproduzimos essas conjecturas porque nenhum dos autores citados conseguiu esclarecer cabalmente as divergências que ressaltam dos vários documentos cuja autenticidade é incontestável.

(Continua – 6/103)

PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951

Autor. M. Tavares dos Santos

O Albicastrense

quinta-feira, outubro 25, 2007

Museu Francisco Tavares Proença Júnior


EXPOSIÇÃO

“A VIDA NUM CRUZAR DE FIOS”

19 De Outubro 2007 a 27 de Janeiro de 2008

Visitei no passado dia 24 no Museu Francisco Tavares Proença Júnior, esta bela exposição, e quero desde já convidar todos os visitantes deste blog a fazerem o mesmo.
A exposição que numa primeira perspectiva poderá parecer pouco interessante derivado ao tema em questão, obriga-nos a repensar essa óptica, após a nossa visita.
É caso para dizer que nunca devemos tirar conclusões precipitadas.

Vá visitar o nosso museu e aproveite para poder ver esta interessante exposição.

O Albicastrense

terça-feira, outubro 23, 2007

FONSECAS DE CASTELO BRANCO – V

“ OS RETRATOS DE FREI ROQUE DO ESPÍRITO SANTO

E FREI EGÍDIO DA APOSENTAÇÃO NO MUSEU

DE FRANCISCO TAVARES PROENÇA JÚNIOR”

Apresentada a família dos Fonsecas, faltava falar deste quadro.

Colocado sobre o altar da Capela dos Fonsecas (ou do Carneiro), acabou apeado do altar, tendo andado dezenas e dezenas de anos de um lado para o outro, sofrendo as vicissitudes inerentes às diversas e sucessivas instalações provisórias do museu albicastrense.
Com tal adversidade acabou por se destacar da moldura e andou enrolado e embrulhado durante bastante tempo.
Tais infortúnios só terminaram quando o Tenente-coronel Elias Gracia (anos trinta), assumiu a direcção do museu e ordenou que se guardasse a bom recato aquele rolo “tela”, salvando-o da perdição definitiva.
Enfim, adveio a ocasião de ser restituída à sua dignidade após beneficiação do mais essencial, de forma a poder incorporar-se em lugar de honra, numa sala do Museu.

Os juízos históricos, sobre os Fonsecas não são lisonjeiros para a memória dos irmãos, Diogo da Fonseca “corregedor do crime”, e Frei Bartolomeu da Fonseca “o inquisidor”.
Frei Roque e Frei Egídio
pelo contrário, merecerão bem esta bela homenagem, duas almas límpidas e puras, ungidas de santidade e dignas de um altar.
Note-se, em especial, que os retratos de frei Roque e de frei Egídio estão pintados no chão (os humanos não se pintam no céu) visto não serem canonizados, destinando-se o painel a uma Capela de propriedade particular e não pública.
Ao primeiro, foi conferido pela Santa Sé o titulo de Venerável, não sendo temerário admitir-se que haveria sido santificado se não caduca-se a Ordem dos Trinitários.
Frei Egídio não lhe ficava a traz, homem de modelar virtude, e superava-o decerto nos dotes de cultura e erudição, mas a sua actividade desdobrou-se entre a cátedra coimbrã e o gabinete de escritor, de filosofia e religião, sem alcançar a projecção nacional da obra social e politica do meio irmão mais velho.

O que diz José Lopes Dias sobre este quadro?

Desde logo a primeira impressão é aliciante, na harmonia geral da composição, no seu aparato egrégio, mas pujante de realismo, na perfeição do desenho e no colorido apaixonado dos tons magníficos, onde primam o azul, o vermelho e o branco, em que tudo, na verdade, inculca o valioso trabalho de séc. XVII.
Do lado esquerdo, frei Egídio, no hábito negro dos ermitãs de Santo Agostinho, a face calma e reflexiva de um mestre, abaixa a mão esquerda para um volumoso livro aberto sobre o pavimento, a sua obra de místico e filósofo, enquanto aponta ao céu com a mão direita, como se ensinasse a filosofia de Deus!...
E o semblante exprime efectivamente a mensagem de um intelectual e pensador de escolástica, de um místico ou de um asceta.
Frei Roque, na sua frente, veste o hábito branco dos Trinitários
, assinalado pela cruz de braços, a azul e a vermelho, a bela cabeça resplandecente de glórias e trabalhos sem fim, tisnada pelo duro sol africano, longas barbas de romeiro e missionário, exponde com os olhos e a alma postos no grupo celestial as mãos piedosas sobre a figura gentil e humilde de um cativo, ajoelhado a seus pés… O espírito voa-lhe para o céu, para as figuras da Trindade, enquanto as actividades práticas se multiplicam na remissão de milhares de cativos.
Entre as duas figuras principais, observa-se uma cena miniatural e alegórica, com frei Roque, presidindo á cabeceira de uma vasta mesa á romagem dos monges que vêm entregar as moedas mendigadas por toda a parte, ou vão partir com o dinheiro destinado aos resgates dos soldados nos presídios marroquinos.
Se a metade terrena do quadro contem dois retratos, duas figuras reais, a parte superior é de concepção puramente académica e celestial. A figura do Padre eterno veste-se de largas roupagens, em perfeito academismo, tendo uma das mãos sobre o globo do mundo e, a outra sobrevoada pela alva pompa do Espírito Santo; de escultórico torso nu, Jesus Cristo, realista e renascente, qual imagem humana, ostenta na mão esquerda, sobre o peito, a chaga da crucificação, adornando o corpo para a delicada imagem da Virgem.
A virgem exibe, na mão direita, as cadeias quebradas dos cativos, tendo no peito a cruz de Padroeira dos Trinitários e revendo-se no livro aberto das obras de frei Roque. Entre as figuras primaciais concorrem, em segundo plano coros de anjos ou serafins e emergem do caos bambinos de graça imanente e radiosa.
Deve destacar-se, no pormenor o expressionismo das mãos de orador e mestre em frei Egídio, de compaixão e tutela em frei Roque, majestáticas no Padre Eterno, dedicadas e poderosas em Jesus Cristo, enternecidas, as da Virgem; e mesmo os querubins rosados exibem mãozinhas papudas e tenras, como se o artista expressamente desejasse malbaratar o talento com que dominava uma das grandes dificuldades técnicas das artes plásticas.
Indubitavelmente primorosa, a obra é de relevante interesse, quer no seu valor estético, quer na representação histórica de dois personagens ilustres de Castelo Branco, sendo o nome do pintor ainda hoje desconhecido.

A minha coabitação com este quadro:

Tive oportunidade de ver este quadro pela primeira vez nos anos sessenta, quando o museu ainda morava nas suas instalações anteriores às actuais (edifício anexo ao governo civil), depois nos anos setenta, ao ir trabalhar para o museu Francisco Tavares Proença Júnior, ali o encontrei de novo, e lá se manteve exposto ao público até 1993, altura em que o edifício entrou em obras.
Quando da reabertura do museu em 1998, o nosso frei Roque e frei Egídio deixaram de ter pedestal no nosso museu, e o quadro regressou temporariamente à instituição onde estivera mais de cem anos (
Santa Casa de Misericórdia de Castelo Branco), tendo estado exposto ao cimo da escadaria principal desta instituição, entre 2001/06 (onde a foto que ilustra este post. foi obtida), sendo retirado e enviado de novo para o museu em virtude do seu mau estado em 2006.
Para terminar resta acrescentar, que este quadro se encontra actualmente na reserva do Museu Francisco Tavares Proença, não se sabendo para quando o seu restauro, assim como a sua exposição ao público.

PS. Os dados aqui apresentados são excertos retirados do livro: ” Os retratos de Frei Roque do Espírito Santo e de Frei Egídio da Aposentação, do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior” da autoria de José Lopes Dias, editado em 1976.

Se estiver interessado em conhecer na íntegra os dados desta família, deve dirigir-se ao museu, pois é possível ainda ali existirem alguns exemplares à venda.

O Albicastrense

sábado, outubro 20, 2007

TIRAS HUMORÍSTICAS - VI

Esta tira é dedicada a todos os sindicalistas do meu distrito, que em prejuízo do seu tempo livre e das suas famílias, não desistem da defesa dos direitos dos trabalhadores.

Um bem-haja do Albicastrense.

sexta-feira, outubro 19, 2007

PONTE DE SEGURA

UM PAR DE BOTAS

Dá-se alvíssaras a quem encontrar os responsáveis, por este “bonito” par de botas.
Lembrava aqui um ditado popular, que alterei para poder dedicar aos responsáveis por este trabalho.

Sapateiros remendões,
Que não sabem remendar
Pensam, que estão a arranjar sapatos
Para a ponte calçar.
O Albicastrense

terça-feira, outubro 16, 2007

Castelo Branco na História - V

(Continuação do número anterior)

Transcorridos apenas 5 anos após a doação de Vila Franca da Cardosa feita por Fernando Sanches aos Templários, o rei D. Afonso II, sua mulher rainha D. Urraca, seus filhos infantes D. Sanches e D. Afonso e sua filha infanta D. Leonor fizeram, em 1 de Novembro de 1214, uma nova doação, ao 11º mestre da ordem do templo D. Pedro Alvito, da herdade denominada Cardosa, definindo-lhe os limites da forma seguinte:
A extrema confrontava com o conselho da Covilhã pelo Vale de Freixedo, ribeira de Alpreada e Mata das Porcos e com o concelho de S. Vicente pelo cabeço de Gosendo (hoje desconhecido) até ao rio Ocresa; inflectia depois sobre o monte de Carvalhal, onde por mandado do rei foram colocados marcos de pedra (que ainda existem) por D. Rodrigo Mendes e Mendo Anaia; daqui seguia até à foz do ribeiro da Povoa de Rio de Moinhos onde Mendo Anaia fez uma cruz na parede e dai até à fonte de Rabaças; passava pelo cabeço do Barbaido, várzea do Azinhal, ribeira de Almaceda e seguia o curso desta ribeira até ao rio Ocres; deste rio partia para Sarnadas de Rodam onde inflectia para o Ponsul pelos montes de Vilelas e Envendos, seguindo o curso do Ponsul até ao Tejo e, o deste rio até à foz do Sever; continuava pela margem esquerda do Tejo até à ribeira de Vide, seguindo o seu leite até Marvão; daqui inflectia para a ribeira de Ourela (hoje na Espanha) seguindo o seu curso até à foz, donde, atravessando novamente o Tejo e passando pelos montes Negrais e Marmelos de Malpica, se dirigia para a foz da ribeira de Escalos, para fechar o perímetro no vale de Freixedo, na ribeira de Alpreada.
Parece que os Templários receavam que lhes fosse contestada a posse da herdade, porquanto solicitaram à Santa Sé a confirmação da doação que lhes havia sido feita pelo rei D. Afonso II em 1214.
O Papa Inocêncio III confirmou essa doação em 1215 por uma Bula na qual aquele Pontífice se referia a uma vila existente na fronteira dos Sarracenos vulgarmente chamada Castel-Branco.
Viterbo, transcrevendo parte da Bula identifica esta vila com a de Cardosa; a verdade, porém, é que não se nos depara nesse documento um tal asserto.
De positivo, apenas se sabe que estava situada na herdade da Cardosa.

(Continua – 5 /103)

PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951

Autor. M. Tavares dos Santos

O Albicastrense

segunda-feira, outubro 15, 2007

A NOSSA CIDADE


CONTRADIÇÕES DA MINHA CIDADE


Castelo Branco é hoje uma cidade diferente, daquela que todos nós conhecíamos há alguns anos atrás.
As obras realizadas nos últimos anos deram à nossa cidade uma nova imagem, a abertura de novas ruas na cidade possibilitaram um novo crescimento da cidade, assim como a resolução de velhos problemas existentes, relativos ao trânsito automóvel na cidade.
Negar esta realidade é fazer como a avestruz, (ou
seja enterrar a cabeça na terra esquecendo-se que o rabo fica á disposição de quem passa), como não me encontro entre estes, prefiro reconhecer o trabalho feito nos últimos anos, e apontar o que em meu entender continua por fazer. Estou a referir-me às muitas zonas da cidade onde a degradação urbanística é uma autêntica calamidade, (desta vez não estou a referir-me à zona do castelo). A zona de que aqui quero falar fica bem no centro da cidade, conforme se pode ver nesta fotografia aérea. A área em questão é um autentico rectângulo rodeado de casas por todos os lados, (tipo ilha), sendo circundada por quatro ruas, rua São João de Deus, rua Tavares Proença júnior, rua Santo António e Alameda da Liberdade. Esta área mede cerca de 5500 (+/-) metros quadrados, e tem um total de 138 portas de entrada nas quatro ruas. Actualmente existem neste espaço uma farmácia (farmácia Grave), um cabeleireiro, uma loja de calçado, três cafés, um armazém de ferro e duas casas habitadas, ou seja sete estabelecimentos em toda esta zona, o resto está tudo abandonado e a cair de podre. Esta zona é apenas uma entre as muitas que existem na nossa cidade, a questão a colocar aos responsáveis pela nossa autarquia só podem ser as seguintes:


Qual o plano da nossa autarquia para este grave problema urbanístico?

Estará a Autarquia Albicastrense, apenas no papel de observador a ver quem passa?

Será que está à espera de um terramoto, para depois limpar esta e outras zonas da cidade e então obrigar os legítimos proprietários a fazer obras?

Senhores autarcas, não estará na altura de se tomarem decisões drásticas, em relação a toda esta calamidade urbanística?
As mudanças na nossa cidade não podem limitar-se á recuperação de locais emblemáticos, agora devem recuperar-se as zonas habitacionais como a que aqui apresentei, pois se assim não for, de que vale ter-se uma cidade nova quando as pessoas moram e vivem nos bairros limítrofes da cidade !!!

O Albicastrense

sábado, outubro 13, 2007

Curiosidades Albicastrenses

15 - 10 - 1887

Efectuou-se, em Castelo Branco, o primeiro casamento pelo Registo Civil, de acordo com o novo Código do Registo Civil, que tinha sido recentemente aprovado e entrado em vigor.
Foram seus intervenientes, os nubentes, Aleixo Afonso Damanete, natural de Landelis (Bélgica) e Eustácia Árias Dias, nascida em Santa Maria, Ordex (Espanha).

PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias.
A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal ”A Reconquista”

TOPONÍMIA ALBICASTRENSE


A rua que aqui trago desta vez situa-se bem no centro das cidade de Castelo Branco, tem o seu início no largo da devesa e termina junto à Capela de S. Marcos.
QUEM FOI
SÃO JOÃO DE DEUS ?
Nasceu em Montemor-o-Novo no dia 8 de Março de 1495. Aos oito anos João ouviu, de um padre em visita a Montemor-o-Novo, sobre as aventuras que o poderiam esperar, nesse ano de 1503 na descoberta de novos mundos.
Nessa mesma noite fugiu de casa para viajar com o padre, trabalhou como pastor nas montanhas até aos vinte e sete anos, sentindo-se pressionado para casar com a filha do regente a qual amava como irmã. Abandonou o local e alistou-se no exército espanhol na guerra contra França.
Como soldado, era tudo menos modelo de santidade, participando no jogo, na bebida e nas pilhagens com os seus camaradas. Um dia caiu de um cavalo roubado perto das linhas francesas e com medo de ser capturado ou morto, reviu toda a sua vida e fez um voto impulsivo de mudança.Quando regressou, mantendo o estímulo do voto feito, confessou-se, e imediatamente mudou a sua vida, mendigou no caminho de volta para a casa, onde tinha trabalhado como pastor, até que ouviu falar de uma nova guerra com os Muçulmanos a invadirem a Europa. Partiu de novo mas no final da guerra, decidiu tentar encontrar os seus pais, mas para sua tristeza, descobriu que ambos tinham morrido na sua ausência.
Aos trinta e oito anos decidiu ir para África para resgatar cristãos cativos. Aos quarenta e um anos, teve uma visão que o levou a Granada onde vendeu livros numa pequena loja, (por isso é o santo padroeiro dos livreiros e tipógrafos).
Depois de escutar um sermão pelo famoso João de Ávila sobre o arrependimento, ficou tão perturbado pelo sermão que regressou de imediato à sua livraria e rasgou todos os livros de conteúdo secular, e deu todos os seus livros religiosos e todo o seu dinheiro.
De roupas rasgadas e em pranto, era alvo de insultos, de piadas, e até de pedradas e lama arremessadas pela população da vila, incluindo as suas crianças.
Amigos levaram o enlouquecido João para o Hospital Real, onde foi internado com os lunáticos. João de Ávila veio visitá-lo, dizendo-lhe que a sua penitência já durava há tempo suficiente, quarenta dias, o mesmo período que o Senhor sofreu no deserto e fez com que João fosse levado para uma zona melhor do hospital.
João de Deus não conseguia ver sofrimento sem que não tentasse algo para o colmatar. Estando melhor de movimentos embora ainda paciente, imediatamente se levantou e começou a ajudar os outros doentes à sua volta.
João estava certo de que Deus queria que ele fundasse um hospital para os pobres, que recebiam fraco tratamento, ou mesmo nenhum, nos outros hospitais, mas toda a gente ainda o olhava como um homem louco.Não obteve grande sucesso, a sua decisão de financiar o seu plano com a venda de lenha na praça à noite, pegando no pouco dinheiro que ganhava, trazia comida e conforto aos pobres que viviam em edifícios abandonados e sob
as pontes.
Uma hora após ter visto uma placa numa janela dizendo "Aluga-se casa para alojamento de pobres", alugou a casa para poder prestar cuidados debaixo de tecto, depois de ter pedido dinheiro para camas, voltou às ruas e trouxe os seus pacientes aos ombros, que já tinham carregado pedras, lenha e livros.
Uma vez dentro de casa, lavou-os, fez-lhes curativos, e remendou-lhes as roupas à noite enquanto rezava. Usou da sua antiga experiência como
vendedor ambulante para pedir esmola, apregoando pelas ruas na sua voz de vendedor, "Façam bem a vós próprios! Por amor de Deus, irmãos, façam o bem!"
Em vez de vender mercadorias, antes aceitava tudo o que lhe pudessem dar, sobras, roupas, moedas. Quando lhe foi possível mudar o seu hospital para um antigo mosteiro Carmelita, abriu um abrigo para os sem casa no hall do mosteiro. Imediatamente, os seus críticos tentaram demovê-lo com o argumento de que estaria a saciar arruaceiros.
A sua resposta a estas críticas foi sempre de que apenas conhecia um mau carácter no hospital, ele próprio. A sua solicitude para agir imediatamente quando via necessidades, levou-o a estar em apuros várias vezes.
No entanto, o seu desejo impulsivo de ajudar salvou muita gente numa certa emergência, soou o alarme de que o Hospital Real estava a arder, correu para o edifício em chamas e carregou ou ajudou os doentes a sair.
Quando todos os doentes estavam a salvo, começou a atirar cobertores, lençóis e colchões pelas janelas, nesse momento, foi trazido um canhão para destruir a parte em chamas do edifício de modo a salvar o resto, João pediu-lhes que parassem, subiu ao telhado, tendo separado com um machado a parte em chamas.
Conseguiu, mas acabou por cair do telhado em chamas, todos pensaram que teriam morrido, até que João de Deus apareceu miraculosamente de entre o fumo. (Por esta razão, João de Deus é o Santo Padroeiro dos Bombeiros).
João estava doente quando ouviu que uma cheia estava arrastando madeira para perto da vila, saltou da cama para recolher essa madeira do rio em fúria, tendo um dos seus companheiros caído ao rio, João sem pensar na sua doença e segurança atirou-se ao rio para o salvar.
Não conseguiu salvar o rapaz e apanhou uma pneumonia, e morreu no dia 8 de Março, no aniversário dos seus cinquenta e cinco anos.
O Albicastrense
Dados recolhidos em:
Pt.wikipedia.org/wiki/São_João_de_Deus

segunda-feira, outubro 08, 2007

Castelo Branco na História - IV

(Continuação do número anterior)

A doação, que foi feita pelo primeiro rei de Portugal para sempre e com proibição dos seus descendentes a não cumprirem, compreendia os territórios limitados pelo rio Elge (ou Erges), entre Portugal e Leão, até ao Tejo e pelo rio Zêzere também até ao Tejo. Era Antão Mestre da Ordem do Templo D. Gualdim Pais, que foi o 6º governador desde 1157.
Não tendo, os templários tomado posse destes territórios, o rei D. Sancho I fez-lhes em 5 de Julho de 1198, na vila de Covilhã, uma nova doação da herdade da Açafa , no termo de Rodam, limitada pelos rios Tejo e Ponsul e por uma linha que partia de Mércoles até à serra da Cardosa.
Declarava o soberano que fazia a doação não só pelo amor de Deus e pelos grandes serviços que os Templários tinham prestado à pátria, mas também em troca das igrejas de Mogadouro e Penas Royas, para que os cavaleiros do Templo povoassem a Açafa e a aforrassem como bem lhes parecesse; com a cláusula de tanto o doador como os seus sucessores serem recebidos nesses lugares como reis e senhores todas as vezes que ai fossem.
O 7º Mestre da Ordem do Templo. D. Lopo Fernandes, morreu no mesmo ano da doação, no Outono de 1198, no cerco de Ciudad Real, combatendo nas hostes de D. Sancho I. Talvez por andarem então assoberbadas em constantes e denotadas pelejas, os Templários não chegaram ainda desta vez a tomar posse da herdade da Açafa e entretanto um fidalgo Português, de nome Fernando Sanches, apossou-se da parte denominada Cardosa em cuja área está hoje a cidade de Castelo Branco.
Em 1209 isto é, decorridos onze anos após a doação feita por D. Sancho I aos Templários, estes decidiram tomar posse da herdade da Açafa e, tendo encontrado estabelecido na Cardosa Fernando Sanches, entabuaram com ele negociações. Conseguíram então que aquele fidalgo lhes fizesse a doação, datada em Santarém aos 4 de Março de 1209, de metade da herdade a que ele chamou Vila Franca da Cardosa, com toda a sua população, igrejas, foros e direitos durante a sua vida, reservando para si a Alcaidaria e consignando que, após a sua morte, os Templários ficariam com a posse integral.
António Roxo, na sua Monografia, diz ser evidente que Fernando Sanches foi fundador da povoação que pouco tempo depois veio a ter a designação de Castelo Branco. Todavia, na carta de doação ao 10º Mestre da Ordem do Templo D. Gomes Ramires, não foi por Fernando Sanches invocada a sua qualidade de fundador da povoação e nesses documento não se encontram os elementos imprescindíveis para se poder fazer uma identificação de Castelo Branco com Vila Franca da Cardosa.
(Continua – 4 /103)

PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.

Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951
Autor.
M. Tavares dos Santos

O Albicastrense

sábado, outubro 06, 2007

Varandas da Minha Cidade


Varandas da Zona Histórica

Da
Cidade de Castelo Branco

A varanda é normalmente estendida como a parte de uma casa que estabelece uma transição gradual entre os espaços internos e os espaços externos. As varandas são bastante comuns na arquitectura vernacular de povos que vivem em climas tropicais ou subtropicais.
Uma variação de varanda é o alpendre, encontrado no Brasil tipicamente nas construções bandeiristas e em determinados exemplares da arquitectura rural.
A varanda assumiu um novo significado quand
o do advento da arquitectura moderna, visto que alguns dos seus arquitectos
passaram a questionar os antigos preconceitos arquitectónicos em voga na arquitectura eclética.
Um novo uso para as varandas, por exemplo, passou a se verificar nos edifícios de apartamentos, seja como circulação, seja como espaço de estar.

PS. As varandas que ainda hoje podemos vêr nesta zona da cidade, estão todas elas em muito mau estado (conforme se verifica aliás nestas fotografias). O apelo que aqui quero deixar à nossa autarquia, só pode ir no sentido de pedir aos nossos autarcas o máximo rigor na restauração das velhas casas do castelo, sempre que uma das casas seja restaurada e tenha varanda, a mesma deve ser preservada para bem do nosso património.

O Albicastrense

sexta-feira, outubro 05, 2007

quinta-feira, outubro 04, 2007

Exposição

Exposição de Gráfica Original
De

Joaquín Capa

Na sala da Nora do Cine - Teatro Avenida está patente ao público, uma exposição de Joaquín Capa, que gostaria de aqui dar a conhecer aos albicastrenses.
Não vou aqui dizer quem é Joaquín Copa… Se quiser saber quem é este artista! Vá visitar esta belíssima exposição e fique a conhecer a obra deste homem.
Ao ver esta bela exposição não pude deixar de recuar no tempo e lembrar-me das muitas e belas exposições feitas na década de oitenta no museu Francisco Tavares Proença Júnior.
Há muitos anos que não tinha o privilégio de poder descobrir tão bela exposição. A cor e a luz dos quadros, espalham-se pela sala da nora a dão aquele espaço um aspecto deslumbrante, parecendo estarmos numa autêntico cenário de um conto de fadas.

Levante o seu rabo da cadeira, e vá até lá…

O Albicastrense

terça-feira, outubro 02, 2007

Obras na minha cidade

A Praça

A cidade de Castelo Branco está hoje um autêntico vendaval de obras, umas anunciadas para breve (Av. 1º de Maio), outras a começar (Conservatório Regional), outras a terminar (antigo edifício dos CTT) e outras a arrastar-se não se sabendo até quando !
Qual o critério que a nossa autarquia encontrou para movimentar toda esta embrulhada é que eu gostaria de compreender...
Para exemplificar esta minha perplexidade, dava aqui um exemplo;
As obras de remodelação do Mercado Municipal custaram 2.500.000 Euros,1300.000 Euros saíram dos cofres da Câmara Municipal e 1220.000 da comunidade europeia, passado todo este tempo a obra ainda não está terminada. A sensação com que fico após o anúncio de mais obras na nossa cidade, é de que na grande casa Autárquica cá do burgo alguém anda desorientado.
Então começam-se todas estas obras e deixam arrastar outras que à muito deveriam estar terminadas
?
A remodelação da praça tem ainda outro pormenor completamente incompreensível para este albicastrense. Além das obras não terem ainda finalizado, constato hoje que a galeria comercial existente no primeiro andar da referida praça é uma autêntica treta.
Para este espaço, estava programada a abertura duma área comercial dedicada ao artesanato local (?) e a abertura dum grande Restaurante. Das quinze lojas ali construídas, apenas nove estão ocupadas e mesmo essas nem sempre estão abertas porque os respectivos ocupantes têm outros estabelecimentos conforme se pode ver no panfleto informativo afixado nas portas das lojas, (sabia senhor Presidente?).
Dizer-se que o referido espaço é dedicado ao artesanato é de muito mau gosto, pois apenas em três ou quatro lojas isso acontece, o resto não passa de xisbec importado (Made in China), proponho desde já o baptismo deste espaço para "Galerias da treta"...
Quanto à abertura do restaurante nem vê-lo, será que meteu férias grandes?
Terminava sugerindo ao nosso presidente o seguinte;
Não teria mais lógica terminar primeiro esta obra, assim como o embelezamento da área envolvente da nova biblioteca, (que está um mete nojo), antes de avançar com novas obras?
As obras em curso na nossa cidade são importantes, mas terminar aquilo que começamos antes, parece-me de bom senso no mínimo!

O Albicastrense

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