sexta-feira, outubro 26, 2007

Castelo Branco na História - VI

(Continuação do número anterior)

D. Pedro Alvito, 11º mestre da ordem do templo, concedeu uma carta de foral à povoação de Castelo Branco, da qual transcrevemos alguns períodos traduzidos do latim bárbaro:
“Em nome da santa e individua trindade Pai, Filho e Espírito Santo, assim seja”.

“Eu, mestre de milícia do templo, Pedro Alvito, com todo o convento de Portugal queremos restaurar e povoar Castel-Branco, concedendo-vos o foro e costumes de Elvas, tanto presentes como futuros, para que as duas partes dos cavaleiros vão ao fossado e a terça parte fique na vila: e uma vez por ano façais fossado”.
“Fazer fossado” consistia em ir com mão armada falar os campos cultivados pelo inimigo ou colher os seus frutos.
Na carta de foral estavam consignados, entre outro, os seguintes direitos dos habitantes de Castel-Branco:
“Tendas moinhos e fornos de Castel-Branco sejam livres de contribuições”.
“ Os cavaleiros de Castel-Branco sejam considerados em juízo como infanções e nobres de Portugal”.
“ Os peões sejam considerados em juízo como cavaleiros vilões doutro concelho”.
Estabelecendo varias penalidades para os infractores das suas disposições e para os delinquentes, termina assim a carta de foral:
“Eu Pedro Alvito por graça de Deus mestre da milícia do templo em algumas partes de Espanha, juntamente com toda a comunidade de Portugal, confirmamos esta carta, para termos para sempre o domínio a todas as igrejas desta vila.
E todo aquele que infringir esta carta seja maldito do supremo Deus. Feita no mês de Outubro de 1251”
A data de 1251, posta na carta de foral por D. Pedro Alvito é a que corresponde ao ano de 1213 da nossa era (quando era mestre da ordem D. Gomes Ramires), tem deixado perplexos todos os investigadores da origem de Castelo Branco.
Com efeito, essa data é anterior à da doação feita por D. Afonso II aos templários (1214) a carta de foral adopta como norma a de Elvas, quando esta só foi concedida em 1229, em Évora, pelo rei D. Sancho II, alem disse, D. Pedro Alvito só começou a exercer as funções de mestre da ordem em 1214, tendo terminado o exercício em 1223.
Esta discrepância deu azo a varias conjecturas de Viterbo, Alexandre Herculano, António Roxo e Dr. Ribeiro Cardoso (Subsídios para a História Regional da Beira Baixa).
Não reproduzimos essas conjecturas porque nenhum dos autores citados conseguiu esclarecer cabalmente as divergências que ressaltam dos vários documentos cuja autenticidade é incontestável.

(Continua – 6/103)

PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951

Autor. M. Tavares dos Santos

O Albicastrense

3 comentários:

  1. Anónimo21:33

    para quando um post dessa figura mitica albicastrense que dava pelo nome de GAVETAS?

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  2. Anónimo11:28

    Quem o Zé?

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  3. Caro anónimo.
    Vou pensar no assunto, pois também eu tenho lembranças desta bela personagem albicastrense, dos anos sessenta e setenta.
    Bem-haja pela dica.

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