sábado, novembro 30, 2013

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS – LXXX

A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940. A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).
O texto está escrito, tal como foi publicado.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.
(Continuação)
No dia 21 de Dezembro de 1795, por conseguinte a mais de mês e meio da sessão anterior tornou a reunir-se a Câmara. Do que se passou diz assim a acta:
Nesta vereação se determinou que visto António Jozé da Cunha naõ ter sido preenxido de toda a quantia que tinha emprestado para as Festas que nesta cidade se fizerão pello feliz nascimento da Princeza da Beira, e ainda se lhe restarem a quantia de duzentos mil réis os ouvesse de Jozé Pessoa Tavares pelo produto das Ervagens que a rematou para sy e para o João de Ordaz passandosse mandado pela referida quantia”.
Muita paciência tinha o tal Sr. António José da Cunha, para se aguentar tanto tempo à espera do seu rico dinheiro! Já a Princesa da Beira devia estar quase uma senhora e só agora acabava de se pagar a quantia que a Câmara teve de pedir emprestada para a celebração das festas do seu nascimento.
A sessão seguinte realizou-se no dia 1 de Janeiro de 1796 e, como era da praxe, começou-se pela eleição das Justiças para as diversas terras do termo. Depois de apurado caso das Justiças, procedeu-se à nomeação dos derramadores da sisa, e entre estes lá nos aparece o insubstituível Dr. José Esteves Póvoa. Os outros eram José Vaz da Cunha, Manuel António de Carvalho, Francisco José de Pina, João Pantonilha (ou Pantorrilha? Tanto se pode ler uma coisa como a outra) e João do Amaral. Foram ainda nomeados os “almotaceis” para os três meses seguintes e por fim trata-se do seguinte:
Nesta Vereação apareceu o Mister do Povo Alexandre Domingues e seu companheiro Francisco Jozé de Carvalho e requererão que por utilidade do Povo se estabelecesse hua Taberna de azeite sem que comtudo esta privasse em algûa couza o direito dos particulares de mesma forma que se praticava com a Taberna do vinho com a declaração que devem ser excluídos do azeite todos os revendedores, à vista de cujo requerimento lhe foy deferido e se arematasse a dita Taberna com a condição de que o rematante seria obrigado a ter sempre azeite eficaz sugeito todas as vezes que o não tiver a pagar as mesmas Posturas que se achão estabelecidas contra os revendedores”.
Não se percebe bem como se excluíam da venda de azeite “todos os revendedores”, como se lê na acta. Só podiam concorrer à arrematação da “Taberna do azeite” os produtores? E se o azeite que produziam se lhes acabasse, que haviam de fazer? Se o não tinham já seu, tinham de o comprar a quem o tivesse e em tal caso lá estavam metidos na conta de “revendedores”. Ou em tal caso tinham de fechara a “Taberna”. Não se percebe bem mas adiante.
(Continua)
PS. Mais uma vez informe os leitores dos postes “Efemérides Municipais”, que o que acabou de ler é, uma transcrição fiel do que foi publicado na época.
O Albicastrense

quarta-feira, novembro 27, 2013

CRÓNICAS DO QUINTAL DOS MARRECOS – (VII)


O IMPERADOR DOS NEVOEIROS 

O quintal marrécal anda num alvoroço do caraças, o superior marreco economista Imperador dos Nevoeiros, afirmou aos órgãos da comunicação social marrécal, o seguinte:
Aumentar a paga mínima mensal das massarocas aos marrecos é estragar a vida aos pobres”, acrescentando de seguida; está acontecer algo de bom na sociedade portuguesa, mas que isso não é visível”. Para terminar o Imperador declarou ainda; "não há um tipo sindicalizado que receba salário mínimo porque quem recebe não tem dinheiro para pagar as quotas".
Perante tais declarações, o marreco Arménio Piza Calos, (Secretario-Geral da Central Marrecal), afirmou o seguinte: "Há espaço para subir o salário mínimo nacional e a própria OIT defendeu, num relatório recente, que o salário mínimo deve aumentar para melhorar a economia e o rendimento de quem trabalha". Acrescentou ainda o marreco Piza Calos; "há pessoas que falam do que não sabem e é bom que se diga que há muita gente que recebe o salário mínimo e desconta 1% do seu rendimento para os sindicatos".

Alguns marrecos povões, fartos de ouvir finórios que nunca se enganam e que raramente têm dúvidas, não se ficaram e responderam ao Imperador dos Nevoeiros:
O marreco Zé da Pedrada, declarou na barbearia do Zé Troço, que o Imperador ou estava com a maluqueira na tola, ou então andava a fumar charros com defeito.
A marreca Maria dá Musica, afirmou que o infeliz Imperador, deveria meter a viola no saco e ir dar música para outra freguesia, pois no quintal marrécal, ela é a única a poder dar música aos marrecos.
O marreco Tonho dos Repolhos, ofereceu-se para ofertar ao marreco Imperador, umas couves com pesticida.
O marreco Luís Vesgo, disse que o citado marreco deve andar com cataratas nas olheiras, por isso, recomenda-lhe uma visita à “Óptica Boa Vista”. Óptica que tem como frase publicitária; “a óptica que põe um vesgo a ver o que só quer ver”.
O marreco Manel dos Tomates, informou os fregueses do seu estabelecimento (a loja dos tomates), que iria convidar o Imperado para lhe fazer uma vistoria aos tomateiros, uma vez que as declarações feitas pelo Imperador sofrem de substrato tomatal.
A marreca Albertina dos Fretes, disse na mercearia da Rosa, que se não estivesse já fora de rodagem, convidava o marreco Imperador para dar uma cambalhota, e que depois o convidava para almoçar com ela na sopa dos pobres, (local onde ela come a única refeição do dia).
O marreco Zé das Bichas, designado como rei do jetSet do quintal marrécal, comunicou através do seu agente, que o Imperador deve andar com diarreia bichana, pois no seu discurso é notória a falta de convívio com outras bicharocas.
O marreco Alfredo Ferrugento, proprietário de um armazém de ferro, afixou no seu armazém de o Imperador deve andar com uma infecção nos neurónios, infecção provocada pelo muito ferro e magnésio nos locais que anda a frequentar.
PS. O escrivão deste assento, não se responsabiliza pelas declarações dos marrecos citados, declarações que segundo alguns, mostram a inveja instalada no quintal marrécal.
O Escrivão do Quintal Marrécal

domingo, novembro 24, 2013

A VELHA RUA DO SACO

                              
     EU SÓ QUERIA ENTENDER....
À tempos postei aqui um poust, onde dava a conhecer as obras que decorriam na antiga rua do Saco (rua que começou por ser pública, depois privada e agora novamente pública). Poust, onde elogiava as obras a decorrer, assim como a recuperação da velha muralha que ali esteve tapada durante muitos e muitos anos.
Durante a campanha para as últimas eleições da autarquia albicastrense, as obras foram dadas por terminadas e deu-se a receptiva inauguração, como não estava nesse altura em Castelo Branco, não pude estar presente.
Depois disso, tentei por variadas vezes visitar o espaço recuperado, contudo, ao chegar ao local, (para espanto meu) verifico que o referido espaço embora tenha sido inaugurado, está proibido de ser visitado, pois os portões quer pela rua de Mouzinho Magro, quer pela entrada da Praça Camões, estão fechados.
A pergunta que aqui deixo aos atuais responsáveis pela autarquia da terra albicastrense, só pode ser uma:

O espaço foi inaugurado para fazer de conta.
Ou a velha rua do Saco foi recuperada não para ser visitada, mas para poder ser mirado do lado de fora.

Palavra que por mais que tente, esta é uma daquelas situações que não consigo compreender e muito menos entender.
O Albicastrense

sexta-feira, novembro 22, 2013

terça-feira, novembro 19, 2013

VELHAS RUAS DA TERRA ALBICASTRENSE

 
A ESPERANÇA MORA AQUI....
A zona histórica de Castelo Branco é como todos aqueles que por ali costumam deambular, um amontoado de casas em ruínas, independentemente da recuperação das ruas e de algumas casas feita pela autarquia albicastrense.
Situação que já aqui realcei muitas e muita vezes, contudo, hoje em vez de estar aqui a lamentar-me sobre tal calamidade, quero aqui plantar uma réstia de esperança junto daqueles que olham para as velhas ruas da zona histórica, como um testemunho do passado que é necessário recuperar e preservar.
Nas ruas de S. Sebastião e Mouzinho Magro, estão a ser recuperadas algumas velhas casas, recuperação que pode vir a dar áquelas ruas a vida que em tempos já tiveram.
Na rua de S. Sebastião a autarquia adquiriu algumas casas que se encontravam em ruínas e está a recuperá-las, na de Mouzinho Magro, um velho palacete está a ser recuperado por quem o comprou, aliás, as imagens aqui postadas são elucidativas do que por ali se passa.
A rua de S. Sebastião vai poder voltar a ter gente a morar nela, coisa que tinha deixado de acontecer em virtude da degradação instalada, contudo ainda temos nesta rua o bonito palacete da família Tavares Proença na situação que todos conhecemos.
Na de Mouzinho Magro a situação é bem diferente, pois estamos perante a recuperação de um velho palacete, palacete que à muito exigia ser restaurado, porém nesta rua existem ainda muitas casas à espera de melhores dias.
Como sou optimista quero acreditar que ainda nesta década, seja possível aos proprietários e à autarquia, recuperar parte das muitas casas ao abandono na zona histórica da terra albicastrense.
O Albicastrense

sábado, novembro 16, 2013

ACONTECIMENTOS DO PASSADO

O jornal “Beira Baixa” de 2 de janeiro de 1954, trazia na sua primeira página, a notícia da recondução de Augusto Duarte Beirão à frente da autarquia da terra albicastrense.

Cinquenta e nove anos depois, confesso que desconheço grande parte do trabalho realizado pelo Dr. Augusto Duarte Beirão à frente da autarquia albicastrense, assim como o tempo em que esteve à sua frente.
Sei todavia que na cidade albicastrense existe uma rua como o seu nome, e que durante os seus mandatos a mesma sofreu grandes transformações.
                              O Albicastrense

quinta-feira, novembro 14, 2013

CADERNOS DE CULTURA - MEDICINA NA BEIRA INTERIOR



   O AMOR E A MORTE... 

     
NOS ANTIGOS REGISTOS 
PAROQUIAIS ALBICASTRENSES


Depois da realização das XXV Jornadas da Medicina na Beira Interior, nada melhor que apresentar neste blog, um trabalho publicado no sétimo Caderno de Cultura (novembro de 1993).
O trabalho é da autoria de Manuel da Silva Castelo Branco e tem 34 paginas. As trinta e quatro paginas, serão aqui postadas de quatro em quatro.
O Albicastrense

segunda-feira, novembro 11, 2013

CAFÉ AVIZ – EXPOSIÇÃO

VALHAS IMAGENS DA TERRA ALBICASTRENSE
"IMAGENS  COM HISTÓRIAS PARA CONTAR"
(Novembro - Dezembro)

Para quem tiver alguns minutos sem qualquer compromisso, recomendo uma visita ao Café Aviz. Aproveita para beber um café e ver algumas velhas imagens de Castelo Branco.

O Albicastrense

sexta-feira, novembro 08, 2013

CRÓNICAS DO QUINTAL DOS MARRECOS (VI)

O GUIÃO 
DO 
MARRECO PORTAS
No quintal marrécal o tão esperado Guião da Reforma do Estado, caiu que nem ginjas junto do povão marrécal.
A reação a tal guião não se fez esperar, (o povão adora uma boa ginjinha), de imediato alguns dos marrecos mais ilustres, vieram a publico expressar-se sobre tão “importantíssimo” documento.

Segundo fontes que este escrivão não consegui identificar, consta que certos laranjas, (ou será laranjinhas azedas?) terão afirmado; “o guião, é uma mão cheia de nada e repleta de banalidades, em suma uma palhaçada”.
Para outros, não laranjas; “o documento foi escrito por alguém que tendo falhado o prazo de entrega, foi à Wikipedia buscar ideias, fez um corta e cola e apresentou o documento”, ou ainda; “com este guião, Portas não passava, nem à oral ia!”.
O marreco Bago Félix, afirmou; ”o documento é um memorando doméstico cheio de intenções”.
O marreco líder da Central Sindical, declarou que; “o guiãozito do Marreco Portas, está cheio de lanças contra trabalhadores”.

Contudo as reacções a tão prestigiado guião, não se ficaram pelas declarações de marrecos ilustres, o povão (menos ilustre, mas também com direito à indignação) não quis ficar de fora e comentou também ele, o malparido guião.
O marreco Zé das Larachas, berrava na tasca da “Ti Lurdes” para quem o quisesse ouvir, que o Portas deveria meter o guião no (!), pois assim sempre tinha alguma utilidade.
O marreco Tonho Azedo, (sempre muito bem disposto), afirmava na “Tasca do Manel das Bifanas”, que ia ser operado às hemorróidas e que no hospital o tinham informado que teria que levar um rolo de papel higiénico, perante tal exigência, pediu ao marreco Portas para lhes emprestar o guião, pois assim não necessitava de levar o papel higiénico, (não será demasiado duro o papel?).
O marreco Betinho Pastel de Nata, proclamava na pastelaria “Belar” que o Portinhas era um pastel de nata, contudo não era com este Guião que o convencia a papar com ele, um pastelinho de nata.
O marreco realizador de fitas, Manel dos Sobreiros, responsável pelos dois últimos sucessos cinematográficos do quintal marrécal, (O milagre do Passos e Chantagem do Portas) afirmou que o guião daria um excelente filme e propôs desde logo, passá-lo ao cinema com o titulo de; “O Guião do ilusionista manhoso”.
O marreco Sacristão, (responsável pela salvação das alminhas do quintal), anunciou que perante tão volumoso guião e na presença de tão “boas” intenções, iria benzer com ácido sulfúrico o citado coitado, para excomungar os muitos pecados que nele existem.
Para terminar: o marreco escrivão do quintal, pedincha aos “marrecos” que escarafuncham este blog, para aqui deixarem as suas declarações marrécais sobre o infeliz e mal parido guião.

Ultima hora: Segundo o jornalista Boca Suja, num artigo publicado no jornal marrécal, “Correio da Madrugada”, o marreco primeiro (perdão! Vice-primeiro...), terá tentado apresentar dois guiões aos marrecos.
Um sobre a reforma do quintal Marrecal, e outro sobre a reforma do Borda d'Água, (almanaque marrécal publicado anualmente desde 1929, pela Minerva). Segundo o referido artigo, consta que um grupo de assinantes do referido almanaque, (fanáticos pelo Borda) ao terem conhecimento  de tal propósito,  terão feito chegar ao marreco das feiras e mercados uma missiva onde lhe é dito, para ele não insistir no propósito de alterar o que quer que seja no Borda, de contrario, eles iriam contratar meia dúzia de galináceos para lhe cortar a coisinha e dá-la de presente ao primeiro.  
O Escrivão do quintal marrécal.

quarta-feira, novembro 06, 2013

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS – LXXIX

A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940. A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).
O texto está escrito, tal como foi publicado.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.
(Continuação)
Agora há um salto de dois meses e meio, nada menos. Em Setembro e Outubro nem uma só sessão se realizou. Os bons dos vereadores só tornaram a reunir-se em sessão no dia 12 de novembro, mas desta vez com assistência da Nobreza e Povo da cidade e seu termo, porque se tratava de coisa de importância como vai ver-se. A carta reza assim:
Sendo juntos na Casa da Camara a Nobreza e Povo desta cidade e seu termo lhes foy proposto pelo Juiz de fora Gervazio Jozé Pacheco Valadares hum requerimento do Reverendo Juiz da Ordem Vigr. de S. Maria do Castelo Fr. António Jozé Geraldes Leite no qual pretende que S. Mag. lhe concedesse o Rial de Agoa do Vinho e carne e os sobejos das sizas desta cidade e seu termo e huma finta pela sua freguesia para reedificação do corpo da Igreja Parochial que se acha em total ruina sem nella se possa selebrar os oficios Devinos: Sobre cujo requerimento Sua Magestade se dignava mandallos ouvir. E logo pela Nobreza e Povo desta cid. foy respondido uniformamente que elles convinhão no indicado requerimento pelas justas rezoens que nelle se allegavão sendo certo que só pellos rendimentos que o Sup. Requeria se podia conseguir a indispensavel reedificação da Igreja para que não herão sifuficientes as poucas posses dos seus fregueses pela mayor parte pobres no que convierão os de Alcains e Monforte”.
Mas, se os representantes da Nobreza e Povo de Alcains e Monforte disseram que sim, apareceram logo os da Lousa a dizer que nos sobejos da sisa do seu povo se não devia tocar, porque tinham lá obras urgentes entre mãos e precisavam de todo o dinheiro, e todo ele seria pouco para as necessidades que por lá havia. Depois de concluídas as obras que tinham entre mãos veriam o que podiam fazer.
Os do Salgueiro. Mata, Cafede e Escalos de Baixo, foram ainda mais completos. Esses declararam pura e simplesmente: “que não convinhão no presente requerimento por terem outro da mesma natureza para obras de indispensável necessidade...
Mas a igreja de Santa Maria do Castelo nem por isso deixou de ser convenientemente reparada.
(Continua)
PS. Mais uma vez informe os leitores dos postes “Efemérides Municipais”, que o que acabou de ler é, uma transcrição fiel do que foi publicado na época. 
O Albicastrense