sexta-feira, outubro 31, 2008

Castelo Branco na História - XLI

Continuação:
Após a criação do bispado de Castelo Branco, deixou o Paço Episcopal de ser residência de Inverno dos Bispos da Guarda, passando para a posse da nova diocese. Foi desde então habitado pelos três prelados. D. Frei José de Jesus Maria Caetano (1771-1782); D. Frei Vicente Ferrer da Rocha (1782- 1814); e D. Joaquim José de Miranda Coutinho (1914-1831).
O segundo bispo de Castelo Branco mandou ampliar o palácio com o corpo do lado norte e com o monumental peristilo da entrada nobre. Mandou também decorar a capela, as salas, as janelas e os logradouros. Estas obras, onde predominam os estuques artísticos em voga no século XVIII, foram projectados pelo arquitecto Frei Daniel, da Sagrada Ordem dos Pregadores, que faleceu em 6 de Outubro de 1821 e foi sepultado ao lado do Bispo seu amigo e protector nas proximidades do portal da sacristia grande da Igreja da Sé.
Os restos mortais dos dois amigos estão actualmente num sarcófago existente sob o arco cruzeiro da capela-mor daquela Igreja, tendo sido para ali trasladados por ordem do bispo de Portalegre D. Domingos Frutuoso.
Em1835, estando o bispado sede vacante, foram instaladas no Paço Episcopal as repartições do Governo Civil, que ali funcionaram até ao ano de 1891.
Nesta data foram transferidas para o palácio que foi dos viscondes de Portalegre, adquirido pelo estado em 1888. O palácio foi também utilizado para sede da Junta Geral de Distrito e para residência dos governadores civis. Alguns destes funcionários deixaram deteriorar o mobiliário e utensílios e apropriaram-se de algumas alfaias.
Foi extraviada o inventario a que se procedeu após o falecimento do ultimo bispo. Quando ocorreram a revolução da Maria da Fonte e o golpe de estado de 1846 as pratas foram para Tomar por ordem do Marechal Saldanha e ali se conservaram em casa de Feliciano Tomé da Silva até voltarem para Castelo Branco em obediência a uma portaria de 25 de Setembro de 1847, sendo estão guardadas em casas particulares. Em 1854 o governador civil mandou arrecadar as pratas no cofre do Distrito depois de as ter inventariar e avaliar. O seu valor era de 2.886$490 reis.
Um dos governadores civis que habitaram o palácio mandou substituir por papel as tapeçarias e damascos que forravam as paredes das salas e da capela! Após o advento do regime republicano, em 1910, o estado incorporou no seu património o Paço Episcopal com o seu recheio e dependências.
Pretendeu o Conselho de Arte e Arqueologia de Coimbra em 1912, depois de obter a respectiva autorização, fazer trasladar para aquela cidade os objectos que restavam do recheio e que estavam na iminência de ser vendidos em hasta publica. Para fazer uma escolha dos que tivessem valor histórico mandou aquele Conselho a Castelo Branco o mestre António Gonçalves, consagrado perito de Arte. Não conseguiu porem, este artista conduzir para Coimbra os que havia escolhido porque um movimento de protesto da população, no qual se salientaram os estudantes do liceu obstou à sua saída da cidade.
Foi o Dr. Manuel de Paiva Pessoa, notário e arqueólogo, quem iniciou os ânimos à rebelião, publicando um artigo de protesto no jornal Noticias da Beira. Alguns dos objectos de valor artísticos que faziam parte do recheio do palácio estão actualmente no Museu Regional de Francisco Tavares Proença Júnior.
Continua
PS . O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951
Autor. Manuel Tavares dos Santos
O Albicastrense

quinta-feira, outubro 30, 2008

Tiras Humorísticas - O PDM


Bigodes e Companhia, brincam com a entrevista dada por Carlos Vale e Francisco Costa da CDU, ao jornal Povo da Beira sobre a necessidade da revisão do PDM e do PGU albicastrense.

O Albicastrense

terça-feira, outubro 28, 2008

Exposição - A Cidade de Castelo Branco


As imagens que podemos ver nesta exposição, serão para os jovens albicastrenses apenas; Fotografias Antigas da Cidade de Castelo Branco.
No entanto, para os albicastrense mais velhos estas imagens, são muito mais que simples imagens da nossa cidade… a colecção de fotografias do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior, é para alguns albicastrenses, (por enquanto), um relembrar de recordações passados e um oceano de emoções.
São recordações de um tempo, que o tempo vai dissipando numa nuvem de lembranças bem distantes.
O tempo pode vencer-nos… derrubar-nos… ou até reduzir-nos ao pó… Mas não conseguirá nunca, apagar as imagens que um dia um clique arrecadou para gerações futuras.
Se ainda não visitou esta exposição!! vá visitá-la… pois os ilustres desconhecidos, que durante anos e anos foram captando estas imagens, merecem bem a sua visita.
O Albicastrense

segunda-feira, outubro 27, 2008

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - V


A rubrica Efemérides Municipais, começou por ser publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova” transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937 e ali foi publicada até Dezembro de 1940. A mudança de um para outro jornal, deu-se derivado á extinção do primeiro.
António Ribeiro Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes.

O texto foi escrito neste blogo, tal como foi publicado em 1937.
Os comentários do autor não estão aqui, na sua totalidade.
Comentário do autor:A sessão da Câmara que se realizou, sem afinal se realizar no dia 17 de Abril é interessante… pela falta de interesse. Leiam a acta e concordaram connosco:
Acta de 1655“Aos desasete dias do mês de Abril de mil seiscentos esincoenta esinco anos estando em Camara o doutor domingos Caiado Repelo juis de fora Luis da Silva barrete o 1º thomas de Carvalho da silva vreadores Antonio martins Ruivo procurador mandarão o seguinte por não haver mais que despachar na ditta Camara a ouverão por feita a acabada e assinarão aqui Manuel ferrão de pinna.”

Comentário do autor:

Não acham curioso? Os vereadores mandaram o seguinte, mas o seguinte é nada e, como se o nada fosse muito, acrescenta-se que por não haver mais que despachar “ a ouverão por feita e acabada”. Seguem-se sessões sem importância e chega-se depois a sessão de 9 de Maio de 1655, em que se procede à “ A Rematação do asougue dos nobres feita Afonso Mendes”. É interessante tomar nota dos preços porque os nobres ficaram comendo a carne:
Acta de 1655afonso mendes lansou na ditta obriguação pelos preços seguintes asaber a vaqua a quinze Reis, o artel o carneiro a vintem o aratel e obode a trese e a cabra a dose.
Comentário do autor:A vaca, como se vê, é mais barata que o carneiro, pois que cada arrátel de vaca custa apenas quinze reis, ao passo que o carneiro é fornecido a vintém, ou seja mais cinco reis em arrátel. Depois a acta continua:
Acta de 1655E sara obriguado dar talho de dia do espírito santo até dia desão miguel todos os dias e de dia desão Miguel ate dia de natal dará dous talhos na semana e de dia de natal ate dia de Entrudo hu talho cada semana tudo nafor ma costumada com comdisão que toda a vês que não der carne nos dias dasua obriguação ficara acomdenação ao albitrio da Camara e lhe darão trinta mil Reis de empréstimo até dia de antrudo.
Comentário do autor:Até ao dia 26 de Maio não se passa nada que mereça atenção, mas neste dia há coisa seria. Reunidos os vereadores com o juiz de fora e o procurador do concelho, “ mandarão o seguinte”
Acta de 1655elogo na ditta Camara deu lee bernardo do vale porteiro da Camara que hu dos escriptos que se fiseram em ela naforma que he costume nesta Camara das pessoas nobres desta vila que hão de levar as varas dopalio na prosissão docorpo de deus as quais pesoas secostumão fazer escriptos nesta Camara asinados pelos officiais dela e fechados com o pobre escripto do nome dapesoa que hade levar se lhe manda pelo mordomo da vara eporteiro da Camara enesta confirmidade elles dittos officiais da Camara fizerão escriptos que entre elles herão oe três vreadores do anno pasado como he costume eas outras três pesoas que são eleitas hera Manoel de valadares Sotto mayor e João Teles capitão ordenansa vreador que tem sido nesta vila pesoa em quem comcorrem os requesitos nesessarios pêra tal auto easim foi também eleito pera ele Manoel defonseca coutinho aquem se mandou hu escripto desta Camara na conformidade Relalada pelo mordomo da vara porteiro da Camara como se he costume e ele não quis aseitar no que fes grave ofensa aesta Camara esuposto que logo se podia porseder na forma que o caso pedia com tudo seasentou nesta Camara oera mayor sastifasão que o o meirinho manoel Ribeiro com hu escrivão levase o escripto ao ditto Manoel defonseca Coutinho pêra levar hua vara na prosisão do corpo de deos na confirmidade que esta ordenado enão oquerendo aseitar nem levar aditta vara oditto meirinho oprendera emsua casa eo escrivão o notificara que não saya dela sem ordem desua magestade esaindo será preso na cadeia desta vila ate a Camara avisar asua magestade que mandara oque for servido.
Comentário do autor:Não se fazia então por menos. Um cidadão era convidado pele Câmara para pegar a uma vara do palio na procissão do Corpo de Deus e recusava-se ou não aceitava a carta de convite, ( o escripto, como diz a carta) o que vinha a ser a mesma coisa? Grave ofensa, que podia ser logo completamente punida, mas, no caso como o convidado era nobre, “ pêra mayor satisfasão “ mandava-se-lhe de novo fazer entrega da carta por meirinho acompanhado de um escrivão. Não mudava de proceder? Preso em casa e notificado para não sair dela sem ordem de El-Rei.
A procissão do Corpo de Deus era considerada um acto oficial, intervinham nela as autoridades, os convites, os escriptos, eram ordens e a estas não se desobedecia então com facilidade com que hoje se desobedece. Mas afinal o teimoso Manuel da Fonseca Coutinho, depois de lhe ir com a carta o meirinho, obedeceu ou manteve-se na recusa e foi preso? As actas não tornam a fazer referência ao caso. A única coisa que se sabe é que o caso deu que entender, pois que até as sessões da Câmara se interromperam por mais de um mês, realizando-se a imediata apenas em 28 de Junho. E nesta sessão vê-se exactamente o contrário do que poderia esperar-se: o teimoso Manuel da Fonseca Coutinho apareceu a tomar posse do lugar de vereador em consequência de “ hua carta deseua magestade pasa da no desembargo do paso”.
O seu nome constava da mesma relação onde vinham os nomes que estavam servindo, mas apuseram-lhe embargos, principalmente pelo que se depreende do exame sereno dos factos da obra do licenciado Tomás de Carvalho da Silva, e enquanto estes se não resolveram esteve de fora. Daqui é fácil concluir-se que o que levou Manuel da Fonseca Coutinho a negar-se a aceitar uma vara do palio foi a irritação que nele produziram os embargos à sua entrada na Câmara.

Continua

O Albicastrense

sábado, outubro 25, 2008

EDIFÍCIO FRONTEIRA


UMA BOA NOTÍCIA
Após alguma especulação sobre o destino a dar ao antigo edifício dos CTT, os responsáveis pela autarquia albicastrense tomaram a decisão de albergar naquela velha edificação, (agora restaurada), o Edifício Fronteira.
Este novo edifício, (segundo os responsáveis pela sua criação), será um espaço de interpretação do centro histórico, que terá exposições permanentes e que servirá também como um posto de informação, num investimento de 400 mil euros.
Independentemente de ainda não se saber muito bem, o que tudo isto significa e qual o resultado final deste projecto, parece-me uma boa aposta por parte de quem comanda a autarquia da cidade albicastrense.
Aos nossos autarcas, este albicastrense, só pode dar os parabéns pela decisão tomada, esperando que o projecto seja uma realidade a curto prazo.
O albicastrense

quinta-feira, outubro 23, 2008

PLACAS TOPONÍMICAS DA MINHA CIDADE



As velhas placas toponímicas de granito, que durante muitos e muitos anos foram afixadas nas nossas ruas, e que nos anos cinquenta tiveram como suas sucessoras as placas toponímicas de mármore, tiveram como filiação nos últimos tempos, as placas toponímicas feitas de chapa de ferro, conforme se pode ver nas fotografias aqui apresentadas.
Independentemente de ser discutível o aspecto estético das novas placas, a sua qualidade deixa igualmente muito a desejar, como aliás, é visível nas fotografias tiradas por mim no Bairro do Valongo.
Não sei quem começou esta filiação de placas toponímicas em metal!? Nem tal tem relevância para o caso, o que eu sei, é que o titular do nome, (esteja ele onde estiver) não merecerá que depois de terem colocado o seu nome numa placa destas, as letras possam começar a desaparecer pouco a pouco, ao ponto de uma qualquer rua designada por Rua António Carvalho, possa começar a designar-se por outro nome em virtude de ter perdido o “V”. Os motivos para a deterioração destas placas são vários… porém não vou aqui disseca-los, porque o objectivo deste post não e esse, mas antes lançar aqui um desafio aos nossos autarcas. Como já aqui afirmei por diversas vezes, desloco-me com alguma frequência à cidade de Abrantes onde tenho familiares, na minha última visita a esta cidade verifiquei que as placas toponímicas ali existentes são de azulejos, (bem bonitas por sinal) como mais uma vez as fotografias tiradas por mim demonstram.
Ao presidente da nossa autarquia Joaquim Morão lançava aqui um desafio:
Porque não imitar os autarcas de Abrantes, que dão continuidade a uma velha tradição daquela região, (placas toponímicas em azulejos) e voltarmos às velhas placas de granito tão típicas na nossa cidade, ao longo de tantos e tantos anos?
O Albicastrense

quarta-feira, outubro 22, 2008

Curiosidades Albicastrenses



No dia 24 de Outubro de 1821, o General da província ordenou que fossem presos todos os taberneiros de Castelo Branco, que depois do toque do recolher tivessem abertos os seus estabelecimentos comerciais.
Também seriam detidos todos os cidadãos que após o toque do recolher, fossem encontrados a vaguear pelas ruas da cidade, sem justificarem as suas saídas nocturnas e sem declararem qual o seu destino.

O Pessoal das docas que se ponha a pau!!! Não vá o general aparecer por lá, no próximo dia 24.
PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias.
A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal ”A Reconquista”
O Albicastrense

segunda-feira, outubro 20, 2008

Castelo Branco na História - XL


Foi confirmado nesse cargo pelo Papa Sixto V em 1587. Foi transferido em 1594 para a diocese da Guarda, onde foi confirmado pelo Papa Clemente VIII. Em 1608 foi nomeado Arcebispo de Évora, mas não chegou a ser confirmado por ter falecido em Castelo Branco em 27 de Novembro do mesmo ano. O seu corpo foi transportado no dia seguinte para a Guarda, onde foi sepultado em campa rasa na capela-mor de Sé.
O Bispo D. Nuno de Noronha mandou construir os seminários de Viseu e da Guarda e realizar muitos outros melhoramentos. Apreciando muito as comodidades e o fausto, contraiu uma divida de 425$000 reis a D. Violante de Castro, Condessa de Odemira, para poder edificar, em Castelo Branco, a sua esplendorosa residência de inverno. Quando faleceu verificou-se que, alem desta divida, tinha uma outra de 120$000 reis, de ordenados que deixou de pagar, ao provisor e vigário geral da diocese de Viseu,
Dr. André Leitão.
Intentadas acções judiciais pelos credores, foram provadas as dividas e postos em praça os bens imóveis. Para liquidação do débito à Condessa de Odemira e as custas do processo foram adjudicadas a Gaspar Correia Barreto, pela quantia de 427$000 reis, a quinta ou horta, o bosque, a tapada denominada Coalheira e varias casas.
O Bispo da Guarda D. Afonso Furtado de Mendonça comprou estas propriedades a Gaspar Correia Barreto por escritura de 18 de Janeiro de 1614. Para pagamento dos ordenados em divida ao Dr. André Leitão foram postos em praça o olival e a vinha contígua. Foram estes os bens adjudicados ao procurador do Bispo da Guarda D. Afonso Furtado de Mendonça, sucessor de D. Nuno de Noronha, por 124$000 reis, quantia que esse prelado pagou com dinheiro seu e de sua fazenda, como consta da carta de arrematação de 18 de Abril de 1614.
Comprou ainda o mesmo bispo, por escritura de 21 de Maio de 1614 e pela quantia de 65$000 reis, quatro casas que foram mais tarde utilizadas como palheiros. Quando D. Afonso Furtado foi nomeado Bispo da Coimbra quis beneficiar o bispado da Guarda fazendo, em 29 de Novembro de 1618, doação do Paço Episcopal de Castelo Branco ao seu sucessor D. Francisco de Castro, com obrigação de três missas por semana numa capela que instituiu na Igreja do convento de S. Francisco da cidade da Guarda. Esta capela foi transferida para a Sé de Castelo Branco em 1789, a pedido do Bispo D. Vicente Ferrer da Rocha.

O Paço Episcopal pertenceu sucessivamente aos seguintes Bispos da Guarda:
D. Nuno de Noronha - (1594-1608)
D. Afonso Furtado de Mendonça - (1609-1615)
D. Francisco de Castro - (1617-1629)
D. Frei Lopo de Sequeira - (1632-1636)
D. Dinis de Melo e Castro - (1638-1640)
D. Álvaro de S. Boaventura - (1670-1671)
D. Martim Afonso de Melo - (1672-1684)
D. Frei Luís da Silva - (1684-1691)
D. João de Mascarenhas - (1691- 1693)
D. Rodrigo de Moura Teles - (1694- 1703)
D. António de Saldanha - (1705-1711)
D. João de Mendonça - (1711- 1736)
D. Frei José Fialho - (1739-174!)
D. Bernardino António de Melo Osório - (1742-1771).


Apenas dois destes Bispos utilizaram assiduamente o palácio de Castelo Branco para sua residência:
Continua

PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1952
Autor. Manuel Tavares dos Santos
O Albicastrense

quinta-feira, outubro 16, 2008

ÁGUIAS DE SÃO MIGUEL DA SÉ



Águias de São Miguel da Sé fecharam portas.
Não sabia!? Eu também não!!!

Foi preciso passar pela antiga sede desta Associação, (Rua 5 de Outubro) e reparar nas obras que decorrem no edifício que agasalhava esta colectividade, para ficar a saber da sua extinção!?

COLECTIVIDADES ALBICASTRENSES

Castelo Branco é hoje uma cidade onde não faltam colectividades de carácter recreativo e desportivo. Das muitas associações existentes em Castelo Branco, subsistem algumas a que eu chamaria; Antigas Colectividades Albicastrenses, (colectividades que vão desaparecendo pouco a pouco) e outras mais recentes que designaria como; Colectividades pós 25 de Abril.
Se em relação às últimas parece não haver grandes dificuldades, podendo até dizer que o trabalho desenvolvido por estas associações, é bastante positivo e merecedor de aplausos, sendo igualmente justo referir o apoio que a nossa autarquia tem prestado a estas colectividades.
No entanto no que diz respeito às velhas colectividades a coisa é bastante mais complicada… Existiam até há pouco tempo na nossa cidade, (se a memória não me atraiçoa); Assembleia de Castelo Branco, Centro Artístico Albicastrense, (do qual sou sócio à cerca de 40 anos) Clube de Castelo Branco, Benfica de Castelo Branco, Águias de São Miguel da Sé e Desportivo de Castelo Branco.
Nos últimos anos, duas destas colectividades; Assembleia de Castelo Branco, (2000) e os Águias de São Miguel da Sé (2005) fecharam as portas, sem que qualquer albicastrense se preocupasse, (pelo menos assim parece) sobre o que terá levado ao encerramento de porta, ou sobre o destino que terá levado o património destas colectividades
.

ÁGUIAS DE SÃO MIGUEL DA SÉ
(1950- 2005?)

A Sua história

Após alguns contactos, consegui descobrir um quinhão da história desta velha colectividade albicastrense;
Os fundadores desta associação, começaram por se reunir em finais dos anos 40 na tasca do Júlio Marzia hoje conhecida, (que me desculpe o seu actual proprietário de quem sou amigo) pelo café do cabeça grossa, (situado junto ao Café Beirão).
As primeiras reuniões, decorreram nesta tasca onde lhes era cedido pelo Júlio, uma sala para reunirem no inicio dos anos 50 ganharam asas e abriram a sua primeira sede na rua Ruivo Godinho, (segundo ouvi perto do restaurante, “O Caçador”).
Teve como seu primeiro presidente; Zé Augusto Gama, também conhecido por “Zé Doutor”, em virtude de trabalhar num consultório médico. Na década de sessenta, mudaram a sua residência para a rua cinco de Outubro, (edifício da foto) e ali desenvolveram a sua actividade até à sua extinção.
Após a mudança da sede, esta associação tornou-se uma das mais populares a nível futebolística da nossa cidade, fazendo do futebol o seu emblema.
Inscrita no antigo “ Inatel” (Organização fundada em 1935, como Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho – FNAT). Foi durante muitos anos, a associação mais representativa da nossa cidade, nas competições desportivas promovidas pelo Inatel.
Em 1974 ganhou a taça do Trabalhador, prova organizado pelo Inatel cuja final se realizou na Covilhã. Por ali passaram jogadores como, Irmãos Vaz, Augusto Nabais, Isidoro, Tomás, Aurélio, Henrique Silva, Zé da Costa, Irmãos Serra, Sávedra, Catarro, Quim e muitos outros, (Muitos destes jogadores viriam mais tarde a jogar no Benfica de Castelo Branco).
O período de ouro desta associação, foi sem dúvida os anos que vão de sessenta a oitenta, nestes anos passaram por sucessivas direcções desta colectividade, homens como Américo, Zé Benfica, (tragicamente desaparecidos num acidente de automóvel em 1973) Augusto Vaz, Augusto Nabais, e muitos e muitos outros.
Na década de 80, esta associação ganhou notoriedade na modalidade de atletismo, chegando a ter um bom lote de atletas que a representavam em provas por todo o país. Lembraria aqui o Viegas, antigo praticante e grande impulsionador do atletismo nos Águias de S. Miguel da Sé. Da década de 90 do século XX, e dos primeiros anos do século XXI, praticamente nada se sabe de interessante sobre a actividade dos Águias de São Miguel da Sé.

Interrogações:

Mais que saber a quem cabem as responsabilidades, ou culpas desta extinção, interessa saber o que foi feito do seu património, (livros de actas, troféus, bandeira, estandarte, etc.).

Estará na posse de algum dos seus últimos dirigentes?
Foi depositado em lugar seguro?

Apelava a estas pessoas para depositarem o património existente, (por menor que seja) nas entidades oficiais, pois só assim será possível escrever o passado dos Águias de São Miguel da Sé, e evitar que o tempo apague a história e o esforço de muitos albicastrenses que dedicaram parte do seu tempo a esta colectividade e aos albicastrenses.

O Albicastrense

quarta-feira, outubro 15, 2008

A NOSSA HISTÓRIA - (XIII)




A TERRA ALBICASTRENSE ATRAVÉS DOS TEMPOS

ENCICLOPÉDIA

Noventa e dois anos depois, aqui fica a notícia publicada pelo jornal Noticias da Beira em 15 de Outubro de 1916, sobre a chegada do cadáver de Francisco Tavares Proença Júnior a
Castelo Branco.

O Albicastrense

segunda-feira, outubro 13, 2008

OS NOSSOS JORNAIS

Notícias da Beira

Na minha procura de dados sobre a cidade de Castelo Branco em antigos jornais albicastrenses, sou por vezes surpreendido pela boa qualidade de alguns jornais do inicio do século XX.
O jornal “Noticias da Beira” é um desses exemplos;
A Sua História
Este apareceu na nossa cidade no dia 29 de Maio de 1904 e teve como seu primeiro director, António Trindade Cardoso e Silva que era igualmente editor e proprietário do jornal. A sua administração estava instalada na Rua dos Peleteiros, nº 39, em Castelo Branco, local onde era igualmente composto e impresso.
Foi um dos grandes marcos da imprensa albicastrense, quer pela sua longevidade quer pela sua pertinência, intransigência, espírito e vida, fortemente agitada.
Embora no primeiro numero afirmasse que estava despido de preconceitos e livre de peias partidárias, sem ter ligações a qualquer cor política ou mercantil, a verdade é que o director era um fervoroso Regenerador, afirmando ser este o único partido capaz de ultrapassar toda a crise do desenvolvimento. Depois do dia 5 de Outubro de 1910, passou a servir as novas instituições, sob a direcção de Gastão Correia Mendes, tornando-se órgão dos republicanos filiados no Partido Republicano Português.
Em 30 de Outubro de 1910, passa a ter como subtítulo: “ Semanário Republicano”.
Em 1923, é proprietário das comissões Politicas do Pratito Democrático. Termina em 23 de Maio de 1926, com a publicação do nº 831 e com um artigo de fundo fortemente contundente” Rivérada”(1)

(1) - Recolha dos dados históricos José Dias - Compilação Gil Reis Publicados no Jornal Reconquista.
Depois de um pequeno resumo histórico sobre o “Noticias da Beira” voltemos ao jornal.
Na biblioteca albicastrense, apenas existem exemplares deste jornal entre os anos que vão de 1911 a 1926, e mesmo assim com muitas falhas pelo meio.
Após consultar os exemplares existentes na nossa biblioteca, confesso que fiquei bastante impressionado, com a qualidade jornalística deste antigo jornal, (principalmente com as edições de 1911 a 1920), neste jornal encontrei coisas muito interessantes que irei divulgar neste blog pouco a pouco. Para atiçar a curiosidade, posso adiantar que encontrei numa edição de 1912 um polémico artigo sobre Francisco Tavares Proença Júnior, (Fundador do nosso Museu) quando da sua fuga de Castelo Branco para Espanha, em virtude do derrube da monarquia no nosso país.
O Albicastrense

sábado, outubro 11, 2008

CARTA ABERTA AO MUNICIPIO ALBICASTRENSE

O Bairro do Valongo – Castelo Branco
(1 de Fevereiro de 2006 )

Vou hoje dar continuidade a um assunto já aqui falado por mim. Trata-se do bairro onde moro ou seja o Bairro do Valongo. No passado apontei aqui alguns dos problemas existentes no referido bairro. Como até á presente data nada mudou cá estou eu mais uma vez a fazer o papel do diabo.
Gostaria em primeiro lugar de dizer aqui algo que considero ter alguma importância neste assunto: Votei nas últimas eleições para a autarquia albicastrense em Joaquim Morão, por considerar que o trabalho desenvolvido até então tinha sido positivo.
Como eleitor que votou Joaquim Morão, estou portanto a vontade para poder opinar sobre o que considero ter sido bem, ou mal feito, ou ainda sobre o que está por fazer.
Vou pois pela segunda vez falar aqui do Bairro do Valongo, bairro onde moro á mais de vinte anos. Foi recentemente aberta uma nova rua no bairro, à qual eu já aqui chamei a rua da rotunda com casa no meio!!! uma bela rua por sinal… muito diferente das já existentes!!! Os passeios estão neste momento a ser arranjados, os postes da luz foram colocados em devido tempo, para evitar os arrais de fios das ruas antigas, tudo bem feito senhor presidente
.

E as outras ruas senhor presidente?!
Há dias fiz uma pequena experiência peguei numa maquina fotográfica e percorri metade da rua onde moro, (Rua Vale da Raposa). Durante o percurso tirei algumas fotos. Senhor presidente – as fotografias tiradas por mim neste espaço de aproximadamente cinquenta metros foram mais que muitas, e sabe o que retratam estas fotos?
- A falta de passeios devidamente arranjados, pois muitos deles estão em terra batida, outros em cimento, outros com muita erva e alguns bem arranjados pelos moradores;
- Os postos dos fios dos correios são no mínimo do século passado, com fios a passar por todos os lados de um lado da rua para o outro, um autêntica arraial de fios;
- Ruas a necessitarem de ser arranjadas, pois as constantes aberturas de valas fazem delas autenticas redes de pesca;
- Não existem no Bairro paragens para os transportes públicos, o que existe são locais onde os autocarros descarregam ou carregam pessoas sem quais queres condições, ou seja (aqui vou repetir-me) no Inverno a espera de um autocarro dá direito banho certo, no verão não necessitamos de praia para ficarmos bem torradinhos;
- A iluminação do bairro é bastante deficiente;
- Não existe no bairro um parque infantil. Terão as nossas crianças menos direitos que as crianças dos outros bairros da cidade?
- Não existe um pequeno parque no bairro onde as pessoas possam conviver.
A questão que aqui coloco á autarquia albicastrense é a seguinte: Para quando a resolução destes e de outros problemas existentes no Bairro?
Eu sei que os problemas do bairro foram herdados, mas com franqueza senhor presidente, o bairro do Valongo não é filho bastardo da cidade, e quando olho para outros bairros da nossa cidade é com essa impressão que fico. Mas nem tudo é negativo senhor presidente, pois recentemente os problemas relacionados com a sinalização de trânsito foram resolvidos. Será que este problema só foi resolvido por causa da nova rua?
Muito mais haveria para dizer mas vou aguardar serenamente pelos novos episódios, na esperança de ver a nossa autarquia interessar-se pela resolução dos problemas do nosso bairro.
PS. Já depois de ter escrito esta página entrei no Sitio Oficial da Câmara Municipal de Castelo Branco e descobri por acaso o texto que abaixo publico sem qualquer comentário.
Intervenções Estratégicas do Bairro do Valongo
“O bairro do Valongo desenvolve-se segundo uma tipologia de lotes de moradias uni familiares, envolvidas por pequenas áreas ajardinadas, implantadas segundo uma malha ortogonal extensa e repetitiva. A valorização deste núcleo passará inevitavelmente pela implementação de acções de qualificação do espaço exterior, nomeadamente, beneficiação dos pavimentos e do sistema de iluminação, enterramento de infra-estruturas e implementação de espaços de recreio e lazer. A introdução de elementos referenciadores que auxiliem a criação de hierarquias, de equipamentos que promovam melhores condições de convívio, e a promoção de ligações privilegiadas ao tecido urbano principal, poderão contribuir para diminuir as assimetrias actualmente existentes, dotar este bairro de vida própria, tornando-o parte integrante da cidade consolidada”
Meus senhores parece que estamos de acordo quanto a necessidade das obras a fazer no bairro do Valongo!
Mas por favor! Não vamos esperar por 2020 para dar inicio as mesmas. Muitos dos moradores já cá não estarão para as ver.
PS - Vamos lá dar corda aos sapatos e começar o mais rapidamente possível as obras.
O texto que acabou de ler, foi colocado neste blog no dia 1 de Fevereiro de 2006.
Dois anos nove meses e 10 dias depois, o que é que mudou?
Nada de nada!!!! ou seja, está pior…. em virtude de não se ter feito rigorosamente nada de nada.
Em virtude disso aqui ficam de novo as palavras, para que os responsáveis pela nossa autarquia se envergonhem do estado deplorável em que se encontra o BAIRRO DO VALONGO.
É caso para dizer…. obras só na cidade, que é para o inglês ver!!! Gastam-se milhões e milhões de euros em parques de estacionamento para estacionar popós, e esquecem-se que muitos albicastrense moram em bairros limítrofes da cidade, onde tudo continua como dantes ou pior.
Curiosamente vemos muitas vezes no programa Regiões da rtp-1, imagens do novo centro da nossa cidade, parecendo que a cidade se resume aquele espaço e que todo o resto se encontra muito bem, ( graças a deus) pois… pois… lá voltamos á velha história, é tudo para o inglês ver.
O centro até está bonito… e o resto meus senhores!!!! Talvez lá pró ano 2020, o bairro do Valongo deixe de ser o filho bastardo para começar a ser mais um filho de pleno direito
Vamos ver se daqui a dois anos nove meses e 10 dias, estarei de novo a colocar este post, para leitura dos visitantes deste blog.
O Albicastrense

quarta-feira, outubro 08, 2008

Castelo Branco na História XXXIX

Do lado norte da cidade, na antiga Rua da Corredoura, hoje denominada de Bartolomeu da Costa existe um palácio, com dois corpos e ângulo recto, que foi vivenda de Inverno dos bispos da Guarda nos séculos XVII e XVIII e residência permanente dos bispos de Castelo Branco desde a criação da diocese, em 17 de Julho de 1771, até ao falecimento do terceiro e ultimo prelado em 6 de Abril de 1831.
A entrada principal do palácio é constituída por um pátio nobre quadrangular, cuja área é de 370 metros quadrados, ao qual dava aceso a uma monumental porta férrea emoldurada por cantarias lavradas no estilo do Renascimento e ladeada por duas elegantes colunas de fustes com canelaras. O antigo e sumptuoso Paço Episcopal compunha-se do palácio com o seu pátio nobre e de vários e amplos logradouros que eram atravessados pela antiga Rua da Corredoura.
Do lado do poente da rua estava o palácio com o seu formoso jardim hoje classificado como monumento nacional e um olival onde se encontram actualmente o Jardim-Escola de S. João de Deus, o Dispensário do Dr. Alfredo Mota e a Escola de Enfermagem.
Neste olival era captada a água que abastecia os lagos e os repuxos. Do lado do nascente havia uma quinta ou horta ajardinada, um bosque com luxuriante e umbroso arvoredo e uma tapada adjacente que era designada pelo nome de Coelheira por servir para viveiro de coelhos.
A comunicação da horta ajardinada com o bosque contíguo era feita por duas portas férreas, uma das quais era chamada a porta de Roma, ainda existente e cujo frontão de graciosas volutas, tem uma cruz terminal de cantaria. A passagem do jardim para a quinta fazia-se transpondo a Rua da Corredoura por um passadiço sobre arcos de alvenaria, que ainda existe mas com a comunicação cortada pela supressão de um lanço da escadaria.
O corpo principal do palácio, excepto o seu peristilo e o salão de entrada, foi mandado edificar no fim do século XVI, no reinado de D. Filipe I, pelo Bispo da Guarda D. Nuno de Noronha.
No frontão da porta férrea do pátio nobre há a seguinte inscrição: “Dom Nuno de Noronha, filho de D. Sancho de Noronha, conde de Odemira, bispo que foi de Viseu, sendo da Goarda, mandou fazer estes paços, que começarão em Maio de 96 e se acabarão anno de 1598”.
O fundador do Paço Episcopal era filho do 4º conde de Odemira, alcaide-mor de Estremoz e de D. Margarida da Silva, filha de D. João da Silva, 2º conde de Portalegre. Bacharel em Teologia formado no mosteiro de Santa Cruz, foi eleito reitor da Universidade de Coimbra e confirmado nesse cargo pelo Rei-Cardeal D. Henrique em 4 de Outubro de 1578. Doutorou-se na Faculdade de Teologia, continuando a desempenhar as funções de reitor até 1586, data em que foi nomeado Bispo de Viseu pelo Rei D. Filipe I.

continua
PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1952
Autor. Manuel Tavares dos Santos
O Albicastrense

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De
Castelo Branco
Ps. Batista espero que gostes destas fotografias.
O albicastrense

terça-feira, outubro 07, 2008

CASAS DA MINHA CIDADE


Uma velha casa

Alertou-me um visitante deste blog para o perigo que representa o prédio degradado que as fotografias documentam. O referido prédio tem residência na rua do Espírito Santo, mesmo em frente da “Casa Valente Maluco“.
O aviso aqui fica… se entretanto acontecer algum acidente em virtude da situação em que se encontra parte do telheiro desta velha moradia, a responsabilidade será daqueles que preferem continuar de olhos fechados, perante a triste realidade urbanística em que se encontra boa parte da velha urbe albicastrense.
Gostaria de acrescentar ainda, que a recuperação desta velha casa, deveria ser um acto de cidadania e não uma obrigação por parte dos seus proprietários, acto que deveria ser apoiado e incentivado pela nossa autarquia. Numa cidade, onde mamarrachos sem qualquer interesse arquitectónico nascem por todo o lado, seria muito interessante vermos os proprietários destas velhas moradias e a nossa autarquia interessada e preocupada com o destino destas antigas residências.
O albicastrense

domingo, outubro 05, 2008

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - IV


A rubrica Efemérides Municipais, começou por ser publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova” transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937 e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal, deu-se derivado á extinção do primeiro.
António Ribeiro Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes.
O texto foi escrito neste blogo, tal como foi publicado em 1937.
Comentário do autor.
A sete de Abril de 1655 realizou-se mais uma sessão da Câmara, e logo de entrada diz-nos a acta ou termo da Câmara, como então se dizia, que;
“foi condenado afonso mendes em douis mil Reis por não dar carne pelo antrudo“.
Comentário do autor.
Foi bem aplicada a multa, devemos convir. Faltar com a carne pelo Entrudos, quando logo a seguir vinha a quarentena e era de rigor o jejum e a abstinência, não podia ser. De admirar é que a acta se limita a dizer-nos que o velhaco do Afonso Mendes foi condenado a dois mil reis, não acrescentando que eram pagos da cadeia.
Logo a seguir aparece esta postura, que nos fala de coisas velhas que para muitos serão novidade:

"E logo naditta Camera acordarao os dittos oficiais dela que toda apesoa de qualquer qualidade que seja que na fonte do torneiro lançar gatto ou cão ou rapozo ou outro qualquer bicho pagara quatro mil Reis da cadeia etoda a pesoa que tirar algum bordo da ditta fonte pagara sies mil Reis da cadeia elansando pao ou pedra pequena pagara quinhentos Reis esendo filho familias oque fizer alguma das cousas sobredittas paguara seu pai por eles a condenação e outro sim acordarão que porquanto o tanque da deveza que de novo sefes he degrande utilidade deste povo econvem estar sempre limpo que toda apesoa de qualquer calidade queseja que lavar noditto tanque ou dentro dele oufora dele ou Roupa ou outra qualquer cousa pagara pela primeira ves douis mil Reis epela segunda quatro e outro sim toda apesoa que lançar alguma pedra ou pequena ou grande noditto tanque paguara douis mil Reis eamesma pena tera qualquer que tirar pedra do cano dotitto chfaris ou derubar alguma pedra do bordo por baixo do tanque pagara douis mil Reis eamesma pena tera digo que toda apesoa que derrubar alguma das ameias do tanque pagara seis mil Reis de coima e outro sim toda apesoa que no ditto tanque agusar alguma ferramenta nobordo ou em alguma pedra doditto no tanque pagara douis mil Reis e fora nos asentos pagara mil Reis eesta mesma pena tera quem agusar no tanque que esta por baixo de nossa Senhora dagrassa as quais condanasois todas serão pagas nacadeia e sendo filho familias pagara seu pai por ele equalquer pesoa com hua testemunha opode acoimar e outro sim acordarão que toda apesoa que na fonte feiteira ou na do penedo das lamada (?) lansar pedra ou molhar palha pagara douis mil Reis da cadeia equalquer pesoa podera acoimar com hua testemunha emandarão apergoar da ginela da Camara pera baixo pera que viese a noticia e todos epor não aver mais que despachar a ouverão por feita e acabada e assinarão“.Comentário do autor.
Foi extensa a transcrição, mas damo-nos por bem pago do trabalho de decifrar os hieróglifos do termo da Câmara, porque esta postura mostra aos que porventura o não soubessem que nesses tempos as posturas entravam em vigor imediatamente, supondo-se conhecidas de toda a gente logo que o pregoeiro viesse à Câmara dar conta do que se tinha resolvido. As fontes a que alude a postura onde estão? A fonte do Torneiro estava um pouco além da estação do comboio de ferro, junto ao muro da vedação da quinta da Carapalha, hoje propriedade dos industriais srs. Pires Tavares.
Da Fonte ainda há pouco tempo existiam vestígios, mas a agua há muito que desaparecera porque a roubaram sem protesto de ninguém. O tanque que noutro ponto se chama Chafariz da Deveza, era o tanque e chafariz de S. Marcos.
A Deveza ia desde a antiga Barbacã, que corresponde à rua Tenente Valadim e à Avenida Vaz Preto, até para lá do Saibreiro, Cansado, Etc.. o chafariz já existia, devia vir desde o tempo de D. Manuel I, o
tanque foi feito depois de 1640.
O tanque que está por “baixode nossa Senhora dagrasa” era o tanque do Chafariz da Graça, perto da Mina. “A Fonte Feiteira e a Fonte do Penedo” não pudemos ainda descobrir onde ficavam, mas presumo que ficavam ao lado do caminho que corre ao lado do Quartel de Caçadores e seguia para os Escalos.

Continua
O Albicastrense

sexta-feira, outubro 03, 2008

TIRAS HUMORÍSTICAS - (XXV)

Bigodes e Companhia

Como já aqui disse por várias vezes Bigodes e Companhia, são dois albicastrenses de meia idade, reformados, teimosos, e já com alguns neurónios gastos pelo tempo.
Pois desta vez, resolveram visitar a rua do Espírito Santo também conhecida por muitos albicastrenses como rua do Valente Maluco, e agora batizada por estes malucos como a rua dos 47 Pinocos.
O motivo desta visita, tem à haver com a solução encontrada pela autarquia albicastrense, para corrigir a burrice do passeio que sendo passeio, mais parece um anexo da estrada, pois parece que alguém se esqueceu durante as obras ali realizadas, que normalmente os passeios ficam alguns centímetros acima da superfície da estrada.
Ora perante esta anormalidade de ter um passeio, que sendo passeio se tornou um perigo de passeio para quem por ali passa, resolveram os responsáveis por este bonito trabalho, corrigir esta tolice com a colocação de 18 Pinocos do lado esquerdo para quem desce a rua, e 29 do lado direito.
Que me desculpem os responsáveis por tão “brilhante ideia” parece-me que a emenda é pior que o soneto.
O Albicastrense

quinta-feira, outubro 02, 2008

Exposião de Antonio Alarcõn


Estive hoje na inauguração da exposição de António Alarcõn, e confesso que fiquei deveras encantado com a simpatia deste homem e com o seu trabalho.
Aos visitantes deste blog, recomendo rapidamente uma visita a esta bela exposição.

O albicastrense

quarta-feira, outubro 01, 2008

Castelo Branco na História XXXVIII

"Continuação do número anterior"
Enquanto durou a reconstrução o povo de Castelo Branco, tendo relutância em inumar os seus mortos no adro, pejado de materiais para as obras, pediu a D. João VI, então príncipe regente, que lhe concedesse os sobejos das cinzas para a reconstrução de um cemitério. A cidade de Castelo Branco foi talvez a primeira povoação do pais a possuir um cemitério, ainda no tempo em que estava tradicionalmente arraigado o hábito de fazer as sepulturas nos templos e nos seus adros. Em provisão de 8 de Maio de 1805 o príncipe regente concedeu para essa obra, que havia sido arrematada ao pedreiro Manuel da Silva, o rendimento das pastagens e baldios do limite da cidade e seu termo durante cinco anos. Nas obras de reconstrução do tecto e do coro e ainda no douramente da capela-mor, da capela do Santíssimo Sacramento e órgão, foi dispendida a quantia de 29.000 cruzados. Durante a execução das obras, no espaço de três anos e meio, serviu de paroquial a igreja da Misericórdia Velha.
Para ali se trasladou o Santíssimo Sacramento, que voltou para a sé no dia 4 de Outubro de 1806, véspera do dia consagrado a Nossa Senhora do Rosário, padroeira da diocese de Castelo Branco. Para a reconstrução do tecto em abobada foram elevadas as paredes-mestras do corpo da igreja, o que prejudicou sobremodo a estética do edifício, porquanto não tendo sido elevada a cornija, ficou a cobertura com novos beirais separados pelos acréscimos das paredes.
Por iniciativa do arcipreste de Castelo Branco reverendo Padre João da Assunção Jorge e segundo um projecto do autor destas crónicas procedeu-se no ano de 1956, à demolição e reconstrução da fachada principal e das duas torres da igreja, que apresentava enormes fendas e evidentes indícios de ruína. No projecto de reconstrução manteve-se a arquitectura do século XVII sem outras alterações alem da uniformização das frestas das torres e do altamente da fachada principal para atingir, com a sua cornija o nível do telhado que havia sido elevado em 1806. Esta obra, que foi executada com a aprovação do estado, foi adjudicada ao Engenheiro João Marçal Carrega pela quantia de 700.000$00, parte da qual foi obtida por subscrição pública. Após a conclusão desta obra e de outros melhoramentos que simultaneamente foram executados em todo o edifício, foi este solenemente inaugurado como Sé Catedral, no dia 27 de Outubro de 1957, por D. Agostinho de Moura, Bispo de Portalegre e Castelo Branco.
Deplora-se o facto de se não haver aproveitado a oportunidade de beneficiação geral do edifício para o desafrontar de um inestético gradeamento que ali foi colocado no século XIX e das portas férreas que, permanecendo sempre abertas, demonstram cabalmente a sua inutilidade. Não podendo suprimir em todo o seu perímetro a vedação do adro, dado a diferença do nível existente entre o seu pavimento e o das ruas adjacentes, poderia ser substituído todavia, com vantagem para a estética o local, o execrável gradeamento por uma balaustrada de cantaria com um metro de altura ou por um simples murete acanteirado onde pudessem florescer algumas plantas ornamentais.
PS . O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951
Autor. Manuel Tavares dos Santos
O Albicastrense

RUAS DA ZONA HISTÓRICA DE CASTELO BRANCO

AS MINHAS IMAGENS  ZONA HISTÓRICA DA TERRA ALBICASTRENSE  O  Albicastrense