domingo, outubro 29, 2006

CINEMA NO PARQUE DA CIDADE

“Um bilhete de Cinema”

O revistar de algumas velharias que todos nós temos em casa, proporciona-nos por vezes gratas recordações, assim aconteceu comigo há alguns dias, quando dentro de um livro encontrei este velho bilhete de cinema do antigo parque da cidade.
O cinema ao ar livre, no então dominado ”Parque Desportivo”, hoje mais conhecido por Parque dos Loureiros foi inaugurado em 1921, e ali permaneceu durante mais de 50 anos.
Mais de cinquenta anos de fitas cinematográficas que terão ficado na memória de muitos albicastrenses. Quem não se lembra dos filmes de John Wayne, Gary Cooper, James Stewart, Clark Gable, Henry Fonda, Alain Delon, Jean – Paul Belmondo, Lino Ventura e tantos e tantos outros, ou das actrizes Brigitte Bardot,
Jeanne Moreau, Sofia Lorem, Claudia Cardinale ou ainda dos realizadores Francois Truffaut, Roger Vadim ou Claude Lelouche, John Ford, John Huston, Sérgio Leone e por fim o grande Alfred Hitchcock.
O cinema de ontem é muito diferente do de hoje, para melhor dirão alguns, para pior dirão outros. Como cinéfilo que sou, direi apenas que está diferente, e acrescentarei que saudades tenho eu de alguns
(bons velhos) filmes!!!
Na década de sessenta, (tinha eu na altura 15 ou 16 anos de idade), quando no cimo de uma árvore, bem lá no cimo, que se encontrava mesmo ao lado da casinha onde se vendiam os bilhetes para o cinema, no antigo parque da cidade, (neste momento não sei se esta arvore, ainda lá está, ou se a febre do corte também a levou), vi um filme que ainda hoje guardo na memória e que gostaria de aqui repartir, com todos aqueles que eventualmente possam gostar de cinema.

O Mensageiro do Diabo “The Night of the Hunter”
De
Charles Laughton;
Com “
Robert Mitchum”.

O Mensageiro do Diabo conta a história de um indivíduo que é condenado à forca por roubo e homicídio e antes de entrar na prisão, deixa a seus filhos o dinheiro roubado, obrigando-os a jurar que não revelarão o segredo a ninguém. Na cadeia, conhece um pregador (Robert Mitchum), que tenta por todos os meios averiguar onde está o dinheiro. Quando o pregador sai da prisão, vai à procura das crianças, decidido a ficar com o dinheiro. O Mensageiro do Diabo é um extraordinário conto de fadas em que a verdade depende sempre da inocência e a astúcia das crianças, e onde os adultos são, na sua maioria, corruptos, bobos ou malvados. O mensageiro conta com excelentes actuações: de Robert Mitchum e Lilian Gish, e uma impressionante fotografia expressionista, e foi feito em 1955.
Infelizmente para todos, esta foi a primeira e última vez que o genial actor Charles Laughton se colocou atrás das câmaras, produzindo um filme inquietante que com o passar dos anos se tornaria uma verdadeira obra de culto.

Foi ainda em finais da década de sessenta que ali vi o filme, (que hoje tenho em DVD), que considero um dos meus melhores filmes de sempre. Estou a referir-me a: ”ACONTECEU NO OESTE”.

Deste filme disse Sérgio Leone, na época.

“ O ritmo do filme pretende criar a sensação dos últimos suspiros que uma pessoa dá antes de morrer. ACONTECEU NO OESTE, é do princípio ao fim, uma dança de morte, todas as personagens do filme, excepto Cláudia Cardinale, tem consciência do facto de que não vão chegar ao fim vivas”.

Para terminar apenas uma pergunta.
Sendo a indústria cinematográfica uma actividade bastante lucrativa, (e só assim se compreende as quantias astronómicas pagas a algumas “estrelas”), a realização de pequenos ciclos de cinema a preços convidativos, no parque da cidade em plena época de verão, não seria um bom negócio? E ao mesmo tempo uma boa aposta na promoção do cinema “fora-de-casa”? Responda quem souber ou quem quiser!
O Albicastrense

quarta-feira, outubro 25, 2006

ALBICASTRENSES ILUSTRES


JOAQUIM MARTINS BISPO
(1878 - 1956)
Gostaria de aqui fazer uma pequena homenagem a um familiar meu (tio avô) cuja fotografia descobri acidentalmente no livro “ISTOPÍA”, já aqui referenciado por mim.
Nos apontamentos de Gil Reis publicados no jornal ”Reconquista”. Descobri o texto referente a este meu familiar, que aqui se segue.

A 26 De Maio de 1956, faleceu em Castelo Branco o decano dos comerciantes, Joaquim Martins Bispo, que contava 78 anos de idade. Era proprietário do estabelecimento comercial “A Popular”, casa fundada em 1899. 
Entre as várias iniciativas deste grande bairrista, consta-se a construção da actual entrada do Paço e respectivo grandil (1936), assim como a edificação do Hotel de Turismo, de saudosa recordação.
Joaquim Martins Bispo foi vereador e presidente da edilidade concelhia, presidente da Associação Comercial de Castelo Branco, Administrador do Concelho e Comissário da Policia, em 1916. Foi ainda director do Clube Harmonia, director e componente da Orquestra de Castelo Branco e director do Teatro de Castelo Branco.
Como homenagem a este albicastrense (meu familiar), aqui fica a fotografia do saudoso Hotel de Turismo, que ele ajudou a erguer, e que uns “tontos” resolveram mandar abaixo em 1973, para ali construir o brilhante e luxuoso hotel, que hoje lá podemos ver.
O Albicastrense

sábado, outubro 21, 2006

PINTOR BARATA MOURA

PINTOR BARATA MOURA

RETROSPECTIVA

20 de Outubro de 2006 a 22 de Janeiro de 2007
No
Museu Francisco Tavares Proença Júnior

Castelo Branco
Nascido em Castelo Novo em 1910, migrante para Lisboa aos 17 anos onde estudou e se fez homem (primeiro na Escola de Artes Aplicadas, depois na Escola António Arroio) o pintor Barata Moura levou no seu coração a límpida luminosidade dos céus da Gardunha, o cheiro acre e adocicado das plantas que pontuam os cantos da Beira, as casas e os caminhos marcados pelos passos da gente humilde e, ainda, os castelos e os pelourinhos das vilas da raia.
A rota dos anos e os ares da cidade não desvaneceram os laços de profundo afecto que ligavam o Artista aos víveres modestos das gentes da região onda nascera.
E, por uma subtil mas consistente alquimia, foi esta realidade vivencial da sua infância e da sua adolescência que Barata Moura soube transpor para a sua pintura. Daí que “ pintor da Beira” lhe tenham chamado, acrescentando-se à expressão uma outra não menos convincente: “pintor do povo”.
A este homem-artista, de ilimitada generosidade, de alma aberta, fraterna e solidária, muito deve o Museu de Francisco Tavares Proença Júnior. O conjunto de quadros que pintou e que tem o rio Tejo, da nascente à Foz, como elo temático e, também a colecção de telas da sua autoria representando os Castelos e os Pelourinhos da Beira constituíram, um e outra tornados exposições itinerantes, poderoso meio de divulgação de valores patrimoniais da nossa região, formalizando, em época e em tempo em que a palavra de ordem consistia em aproximar o povo da cultura, significativo instrumento didáctico.
Como pintor (e pensamos no multifacetado repertório da sua actividade), o seu apego às raízes e a sua criação próxima das fontes implicaram absoluta identificação com conteúdos e formas que, no universo da realidade visual que era o seu, se revelaram de total e permanente constância no decurso de uma longa vida de artista. Pintor de proximidade e consciência de que a sua arte era uma arte de fixação (o olhar do pintor incidia sempre, e sem provocações imediatas, na captação de imagens da natureza dotadas de significação em cenários físicos e humanos), Barata Moura objectivou sem distorções ou idealizações, toda uma ruralidade em mutação acelerada.
Por outro lado, releve-se que a filiação realista/naturalista que suporta o dilatado desenvolvimento da sua obra traduz hoje uma passada atitude mais conservadora ou um consciente desapego relativamente a outros caminhos estético-pictorios correntes no Portugal do século XX. Atitude aliás muito peculiar que tem a ver, ao fim e ao cabo, com a função social do acto de pintar.
A simplicidade (quantas vezes aparente) dos ciclos naturais da vida, conseguiu o Pintor testemunhá-la mediante a utilização de uma paleta forte e exuberante em contraste, quantas vezes, com os elementos humanos na mesma, tornada composição, representados.
Pintura que afinal se individualiza ainda pelo não raro teor de denúncia que a enforma e que podemos apreender em variadas telas.
Não se trata, pois e tão somente, de um pintor de” líricas” paisagens, copiador fiel de uma natureza estática, mas antes de um, artista que foi capaz de captar, interpretando-as, a tristeza e a solidão, pertinentes evidências num mundo rural, em gentes e espaço em acentuada desagregação.
Castelo Branco, Outubro de 2006
António Forte Salvado

PS. A todos os responsáveis por esta bela Exposição Retrospectiva, apenas duas palavras, Bem-haja.

Ao mestre Barata Moura, um grande abraço do Albicastrense

domingo, outubro 15, 2006

LÁPIDE DE DOIS IRMÃOS SIAMESES

Gil Reis, publica semanalmente no jornal “Reconquista” a rubrica “efemérides”, onde dá a conhecer factos antigos ocorridos em Castelo Branco e arredores.
Nessa rubrica encontrei o facto oco
rrido em Castelo Branco em 1716, que aqui se segue:
“A 14 de Julho de
1716, Maria Mendes Maya, casada com António Simão Bragança, jornaleiro, deu á luz, na sua residência na vila de Castelo Branco, duas crianças siamesas. Os bebés que viveram 16 dias, estavam espertos, mamavam bastante bem e pelas palpitações cardíacas, tudo levava a crer que cada uma tinha o seu coração”, fim de citação.

Ao ler tal registo não pude deixar de sentir alguma nostalgia, pois durante aproximadamente dezoito anos (74/92), foi possível ver-se no Museu Francisco Tavares Proença o testemunho deste facto, através de uma lápide mandada fazer por D. João de Mendonça, bispo da Guarda residente no Paço de Castelo Branco, diz ele “para comemorar um estranho parto ocorrido em Castelo Branco” e que ali foi colocada no r/c, quando da abertura do museu Francisco Tavares Proença em 1974.
Porém as obras feitas no início dos anos 90 no museu, ditaram o seu fim, era a morte anunciada da arqueologia no museu, arrancada do chão foi parar á reserva, onde ainda hoje se encontra.
Para quem tiver a memória curta, aqui fica a fotografia da lápide, e respectiva tradução do que lá se encontra escrito.

Tradução de lápide

Abdon e Semen, que nasceram ligados, têm um só baixo-ventre, sexo e fígado; têm vidas distintas e distintas também todas as mais coisas; deram a vida a Deus, mas, morrendo um o outro morreu também, desfalecendo pouco a pouco durante sete horas; juntos foram gerados, juntos viveram e juntos morreram.
PS. Em 2004 a arqueologia volta novamente ao museu graças á persistência da directora de então, Dr. Ana Margarida Ferreira, (infelizmente em espaço reduzido), através da mostragem de parte da colecção de Francisco Tavares Proença Júnior.

O Albicastrense


terça-feira, outubro 10, 2006

AS TASCAS DA MINHA CIDADE

A
TABERNA
DO FERNANDO

As tabernas, (ou tascas como era vulgar chamar-lhes), são hoje em dia locais praticamente extintos em Castelo Branco, e foram poucas as que conseguiram sobreviver à “terrível doença” dos cafés, ou snack-bares, que há alguns anos invadiram a nossa cidade.
Porém meia dúzia das muitas tascas
existentes na nossa cidade, conseguiram sobreviver a esta “horrorosa praga”, através de um novo medicamente chamado “Caturrice” que temporariamente as vai salvando, não se sabendo até quando.
Visitei há dias uma das últimas tascas que ainda existem em Castelo Branco. Conhecida durante muitos e muitos anos pela tasca do Tomé ou Castanheira, anos depois por morte ou trespasse destes, passou a chamar-se tasca do Cardoso, (o novo proprietário), porém á alguns anos em virtude de novo trespasse, passou a chamar-se a Taberna do Fernando.
A Taberna do Fernando tem residência na rua de St. Maria e durante o ultimo trespasse sofreu algumas obras. Porém neste caso,
é caso para dizer que foi mesmo para melhor. O granito que até então estava rebocado é hoje visível, dando ao local um ar medieval muito interessante.

Para quem tiver saudades destes sítios,

vá até lá um dia destes beber um copo!

O Albicastrense

sexta-feira, outubro 06, 2006

CIDADE NOVA

FOTOGRAFIAS

DE

CASTELO BRANCO – (2006)

A pedido de alguns visitantes deste blog (principalmente emigrantes) aqui ficam algumas fotografias de Castelo Branco, após a finalização das obras na cidade.

Fotografias de. V.Bispo

O Albicastrense

terça-feira, outubro 03, 2006

D. VICENTE FERRER DA ROCHA

D.VICENTE FERRER DA ROCHA

05-04-1737 - 25/8/1814

Á porta da sacristia da Igreja da Sé, é hoje visível o túmulo de D. Vicente Ferrer da Rocha, 2º Bispo de Castelo Branco e que anteriormente se encontrava oculto.
Foi
ele o responsável pela construção, (em estilo barroco), dos dois corpos laterais, com os quais foi aumentado o templo: A Sacristia Grande e a Capela do Santíssimo Sacramento.
É hoje muito comum vermos o nome dos nossos governantes em
tudo o que é sitio, muitas vezes por tudo e por nada, caramba! será que este homem não merecia algo mais que uma simples data de nascimento e falecimento na sua nova pedra tumular, (que nada têm a ver com a verdadeira lápide sepulcral)
De seguida para todos aqueles que possam estar estejam int
eressados neste tipo de conhecimentos, gostaria de informar que a verdadeira lápide sepulcral que cobria este túmulo, se encontra no Museu Francisco Tavares Proença Júnior, em Castelo Branco e tem uma particularidade única.
Trata-se de uma lápide sepulcral biface, ou seja a mesma lápide foi utilizada para as campas de duas p
essoas distintas; em 1726 a lápide serviu pela primeira vez, para cobrir a campa de D. Joana Maria Josefa de Meneses e seu filho, tendo sido utilizado um dos lados para se fazer a respectiva inscrição do facto ocorrido, (diz na lápide que terá morrido juntamente com o filho, durante o parto deste).
Cerca de noventa anos depois, (em 1814), a mesma lápide serviu para o túmulo de D.Vicente Ferrer da Rocha, utilizando-se a outro face da lápide para se fazer a respectiva inscrição.
Para quem quiser saber mais dados sobre esta história, (que é lamentável), recomendo a leitura do livro “Uma Lápide sepulcral biface e uma lápide funerária de um soldado britânico”, de Luís Pinto Garcia, que poderá adquirir na loja do Museu Francisco Tavares Proença Júnior.
Por fim gostaria de dar os parabéns a todos os responsáveis pelas obras feitas, na Igreja de S. Miguel
, (Sé), estando certo que os albicastrenses partilham comigo este agradecimento.

O Albicastrense