quarta-feira, junho 30, 2010

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - XXXIII


A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Ribeiro Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes.

O texto está escrito, tal como publicado em 1937.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.
(Continuação)

A sessão seguinte realizou-se cinco dias depois, em 7 de Junho de 1789, e o que nela se passou, sendo pouco, não deixa de ser interessante. Ora façam favor de ler:
Acta de 1789: E logo sendo aprezendada huma carta precatória vinda da Correcção da Guarda para effeito desta Camara, Nobreza e Povo responder ao conhecido nela sobre hua Provisão obtida a favor dos moradores de Manteigas em que a Raynha Nossa Senhora he servida mandarmos ouvir e sendo convocada a Câmara, Nobreza e Povo por avizos e Pregoens para neste dia se juntarem e darem a sua resposta, esta se não pode effectuar no prezente dia em razão do Vereador mais velho José Tudella de Castilho juiz actual pela ordenação se achar gravemente moleste, e auzente o Vereador mais mosso José Nicolau da Costa e a mayor parte da Nobreza e Governança empedidas como tão bem a maior parte do Povo pela razão de ser este tempo de colheytas: E como na dita Provizao se encluem couzas que nescessitão de hua seria ponderação para que devem ser convocados e ouvidos na forma da mesma Regia Provizao: Detreminarão que se deferisse a dita resposta para outro dia mais cómodo em que possa juntarçe toda a Câmara, Nobreza e Povo, visto conter a mesma Provizão matéria muito considerável e de muita ponderação que deve pôr-se na presença da mesma Senhora.
Comentário do autor: O caso era este: A provisão falava de auxílio em metal sonante e esse não abundava. Responder que não, assim sem mais nem menos, parecia Amal. Então o vereador mais velho não aparece por estar gravemente doente “moleste”; o vereador mais novo ausenta-se; a maior parte da Nobreza está impedida; o Povo andava nas colheitas, e por isso fica a coisa para mais tarde, para quando estejam todos juntos. Enquanto o pau vai e vem, folgam as costas… Fartamos-nos de dar voltas às actas das sessões seguintes e não fomos capazes de encontrar uma em que tornasse a falar-se da provisão ou do auxílio a Manteigas.
Sabiam-na toda… Seguem-se agora umas tantas sessões em que se não encontra nada que interesse. Na de 18 de Junho, o “Meirinho Geral desta cidade”, que acumulava este cargo com o de “Alcaide desta Comarca”, acha que exercer os dois cargos ao mesmo tempo é de mais e por isso pede dispensa de um. É dispensado do cargo de alcaide, nomeando-se para o substituir Fernando José da Silva. Logo no dia seguinte, 19 de Junho, torna a reunir a Câmara em sessão, mas da acta só consta que “responderão a duas Informações e despacharão alguas peticones”.
E mais nada. A sessão seguinte realizou-se em 2 de Julho e nela apenas se resolve dar “Licença Geral para se acarretar o pam da folha para as lajes e Eyras”; e a licença começa a contra-se desde o domingo seguinte, que era o dia 5, deitando-se pregoes para que todos os interessados o ficassem sabendo e “para que quem ainda tiver na mesmo folha algum pam por seifar athé o dito dia”.
Na sessão imediata, que se realizou no dia 11, mandam-se deitar pregoes para quem tivesse ainda; “pam na folha por acarretar o acarretasse athe o dia quarta feira quinze do corrente que no mesmo dia se dá licença para entrar a Boyada e mais Gado na dita folha amalhandosse a coutada pellos malhoens antigos por onde sempre foy uso e custume” .
Além disse, foram avaliadas as ervagens. Dois dias depois, ou seja em 13 de Julho, há nova sessão apenas para se resolver que a entrada da boiada e mais gado no restolho, em vez de começar a partir do dia 15, começava a partir do próprio dia da sessão, por que assim e requerem os lavradores, “expondo para isso rezoens muito fortes que foram atendidas”.

(Continua)
PS – Mais uma vez informe os leitores dos postes, “Efemérides Municipais” que o que acabou de ler é uma transcrição fiel do que saiu em 1937.

O Albicastrense

quarta-feira, junho 23, 2010

FALA QUEM SABE....

Anónimo perguntou…

Mas então como é?
A betuminosa vem ou não vem?
O lago vaza ou não vaza?
Existe ou não existe oposição?
A ULS anda ou não anda desgovernada? (e porque razão não vem o nome L. Correia, no artigo da reconquista?)
Onde anda o PSD, BE e PC? É que não se ouve falar destas atrocidades aos albicastrenses, se não aqui. Já começo a pensar que é tudo mentira e o comendador é um bom homem.
Anónimo informou...
Há um blog que já publicou um artigo sobre a central betuminosa e sobre o encerramento de escolas e não se encontram lá comentários dos frequentadores de blogs. O endereço é “voodofalcao.blogspot.com
Carlos Vale... esclareceu-nos com o artigo publicado no jornal “povo da beira”, com que começo este posts. Ao Carlos Vale mais uma vez o meu bem-haja, por continuar a lutar contra a muralha do silêncio, que nos ultimos tempos tombou sobre a nossa cidade.
Ao Jornal “Povo da beira”, o meu agradecimento por não se ajeitar à muralha silenciosa da maioria.
O albicastrense

terça-feira, junho 22, 2010

BAÚ DO PASSADO

IGREJA DE SANTA MARIA DO CASTELO
No ano de 1704, a Igreja de Santa Maria do Castelo foi vandalizada e selvaticamente espoliada, profanada e incendiada por uma força do exército invasor Franco-Hispanico.
Portugal tinha-se envolvido na guerra da sucessão de Espanha. Em represália, Castelo Branco foi invadido e ocupado por uma força militar, desde o dia 22 de Maio, até aos primeiros dias do mês de Julho de 1704.
Tudo isto porque D. Pedro I. havia tomado o partido do Arquiduque Carlos de Áustria, que havia sido aclamado Rei de Espanha, por morte de Carlos II, Rei de Espanha, o qual faleceu sem deixar filhos que lhe sucedessem no trono real.
PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias.
A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal ”A Reconquista
O albicastrense

domingo, junho 20, 2010

CASTELO BRANCO NA HISTÓRIA E NA ARTE - LXX


MONUMENTOS DE CASTELO BRANCO

CAPELAS E CRUZEIROS

(III)
(Continuação)
CAPELA DO SENHOR DA PIEDADE
Era um pequeno edifício de forma hexagonal que estava situada em frente da actual capela da Nossa Senhora da Piedade. Estando arruinada no princípio do século XVIII, foram então transladados para a capela próxima as imagens que ali existiam, entre as quais se encontrava a do Senhor da Azinha. Esta ultima, havia dado origem à designação de Capela do Senhor da Azinha pela qual era vulgarmente conhecida. Durante alguns anos serviu de arrecadação de ferramentas da Câmara Municipal.
CAPELA DE S. SEBASTIÃO
Encontrava-se na parte oriental da rua dominada por Arrabalde de S. Sebastião. Foi construída a expensas do juiz de fora Doutor António Pereira de Azevedo. Tinha uma confraria que organizava, no dia 20 de Janeiro de cada ano, uma festividade consagrada ao seu orago, à qual assistia a vereação da Câmara Municipal. Foi demolida no fim do século XIX.
CAPELA DE SANTA EULÁLIA
Erguia-se na Rua dos Ferreiros, no troço compreendido entre o Postiguinho de Valadares e a antiga Porta da Vila que existia na muralha e que dava acesso à antiga rua da Corredoura, hoje denominada de Bartolomeu da Costa. Foi instituída por Martins Esteves no século XIV e os seus administradores ou morgados eram obrigados a manter com os seus rendimentos, um hospital na vila de Castelo Branco. Os administradores limitaram-se, porém, a custear com os rendimentos uma albergaria destinada a dar guarida aos peregrinos religiosos e aos viandantes pobres. A albergaria de Santa Eulália, estava instalado numa casa anexa à capela. Martim Esteves deixou o vínculo a Vasco Anes, para este o legar a um seu filho “que não fosse sandeu nem desmemoriado”. No século XIX a capela de Santa Eulália foi transformada em palheiro e no século seguinte foi arrasada para no local onde havia sido erecta, ser edificada uma casa de habitação.
CAPELA DOS PRESOS
Esteve localizada na parte ocidental da Praça Velha. Foi instituída pelo Padre Manuel de Vasconcelos que era natural de Castelo Branco e foi prior da Igreja de S. Pedro da vila de Torres Vedras onde faleceu. A capela dos Presos era de pequenas dimensões e de arquitectura muito singela, foi por várias vezes restaurada. Confinada pelos lados do Norte, do Sul e do Poenta com a casa de Rafael José da Cunha, foi vendida em 1870 por 500$00 reis a um sobrinho e herdeiro daquele argentaria para ele a mandar demolir e poder reconstruir e ampliar a casa da sua residência. Ao efectuar a venda projectava, a Misericórdia, aplicara a quantia resultante na construção de uma nova capela anexa à cadeia distrital quando ela fosse construída. Entretanto mandou estabelecer um altar provisório na sala de entrada da casa do carcereiro, onde se celebrou missa até cerca de 1890. A nova cadeia comarca só veio a ser construída em 1944 tendo ficado concluída em 1948. Com a reedificação da casa de Rafael José da Cunha desapareceu também o velho pelourinho de Castelo Branco, relíquia simbólica da autonomia municipal.
(Continua)
PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época. Publicado no antigo jornal "Beira Baixa" em 1951. Autor; Manuel Tavares dos Santos.
O Albicastrense

sábado, junho 19, 2010

MORREU JOSÉ SARAMAGO

MORRER É DEIXAR DE ANDAR POR CÁ...
Como não tenho palestra para estar aqui a comentar a morte de José Saramago, deixo apenas uma mensagem à sua companheira dos últimos 23 anos.
Saramago disse um dia, que tinha ganho dois Prémios Nobel!
O Nobel! E a Pilar…
E que morrer! É deixar de andar por cá…
À Pilar este albicastrense só pode desejar muita força, para que ela possa ultrapassar este deixar de andar por cá, de Jasé Saramago.
Aos suspeitos do costume (que já se estão a chegar à linha da frente, para fazer o elogio fúnebre), apenas um comentário. Metam a viola no saco! Porque as cordas há muito que estão quebradas...
O albicastrense

quarta-feira, junho 16, 2010

TIRAS HUMORÍSTICAS - 65

Bigodes e Companhia irritam-se com as declarações feitas por Manuel Frexes, na sessão solene comemorativa do dia do concelho do Fundão.
O albicastrense

ECOS DO PASSADO

- Em Junho de 1908, apareceu pela primeira vez em Castelo Branco, um carro de aluguer de marca “Brasier” Era propriedade de António José da Cunha. Este veiculo que tinha uma lotação de seis passageiros, praticava as seguintes tarifas: Até três pessoas, 100 reis por quilómetro; mais de três passageiros, 150 reis por quilómetro.
Os quilómetros eram contados desde a saída da viatura, até à entrada do automóvel na garagem.

- Em Junho de 1924, o salário médio de um trabalhador rural, era de 4$50 e de 5$00 mensais, subindo apenas na época das ceifas, para 8$00, 10$00 e 12$50 mensais e a seco.

- Em Junho de 1924, a população escolar do liceu nacional de Castelo Branco, era de 241 alunos.
PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias.
A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal ”A Reconquista
O albicastrense

segunda-feira, junho 14, 2010

O CANTO DAS CEGONHAS



" CASTELO BRANCO HABITAT DE CEGONHAS”
É muito comum ouvir da boca de dirigentes ligados a instituições culturais da nossa cidade, que se a instituição que dirigem mais não faz, é porque não dispõem de meios para o fazer. Acrescentando logo de seguida, que o dinheiro é cada vez menos, e que os meios humanos que dispõem são insuficientes
Até pode ser que em alguns casos, haja alguma verdade neste tipo de afirmação, porém, para quem trabalhou vinte e sete anos no museu Francisco Tavares Proença Júnior onde o dinheiro era coisa rara, (isto para não dizer raríssima) a falta de pilim, nunca foi motivo para que a instituição baixasse os braços, e gritasse aqui D’el-rei que não nos deixam trabalhar. Antes pelo contrário! A falta de pilim… e a falta de pessoal devidamente qualificada, era quase sempre um desafio à imaginação do director e restante equipa, para conseguir encontrar soluções para essa falta de recursos.
Vem esta prosa a propósito, da exposição de cegonhas feitas em PVC, que se encontra no jardim frente ao edifício do Governo Civil.
Exposição promovida pelo agrupamento de Escolas do Concelho, e que contou com o apoio de várias entidades da nossa cidade. Esta pequena mas deliciosa montra, a que deram o nome de, ”O Canto das Cegonhas” é o exemplo de que na maioria das vezes, não necessitamos de grandes meios ou carradas de pilim, para levar a efeito uma iniciativa digna.
Aos responsáveis por esta iniciativa, assim como a todas as escolas e alunos que participaram nesta magnífica ideia, o meu bem-haja por esta belíssima vitrina de cegonhas, e por lembrar aos albicastrenses e a quem nos visita, que a Beira Interior é uma das regiões do nosso país, que mais acarinha e protege a cegonha branca.

O Aviso das Cegonhas
I
As cegonhas chegaram já, silenciosamente.
Ei-las, madrugadoras, como anjos aturdidos.
Ainda sem jeito, miram lá do alto a gente
que passa e não as vê nem lhes dá ouvidos.
II
Não trazem – como na fábula – o bebé no bico;
a prole é a sua apenas – já não é segredo –
e eu, se as olho, é porque as amo e porque fico
a matutar, que arcano as leva a vir tão cedo.
"Poema de João de Sousa Teixeira"
PS. Amigo João Teixeira, o teu poema é demasiado belo para ficar olvidado na caixa de comentários.
O albicastrense

sábado, junho 12, 2010

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - XXXII


EFEMÉRIDES MUNICIPAIS
A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Ribeiro Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes.
O texto está escrito, tal como publicado em 1937.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade
.
(Continuação)

De 22 de Outubro até aos princípios de Dezembro os senhores vereadores não estiveram para se ralar. Só dia 3 de Dezembro tornaram a reunir-se em sessão para nomearem os “derramadores da Siza e os almotaceis para servirem nos tres mezes seguintes”, para voltarem a falar da morte do Príncipe do Brasil, ao longo dos seis meses “tres mezes rigurozo e tres aleviado” e mais para que
Acta de 1783: se dessem as propinas do costume em semelhantes cazos à maneyra do que tão bem se praticou por falecimento da Príncipe Senhor Dom Theodozio; costume este que além de antiquíssimo se acha autorizado com Provizoens Regias registadas nos livros competentes.
Comentário do autor: Ainda se lembraram a tempo de falar nas propinas! O pobre do Príncipe tinha morrido quase dois meses antes e agora é que se lembravam de dar as propinas apara auxílio da compra do luto! Vem a seguir a sessão de 1 de Janeiro de 1783.
Os vereadores não tiveram mais que fazer do que tomar conhecimento da “pauta das novas Justiças que no mesmo anno de mil setecentos outenta e nove hão de servir nas Terras deste termo” e nomear “para temperar o relógio Diogo Ferreyra por dez mil reis e um alqueire de azeite”.
As sessões em seguida dão um pulo de 1 de Janeiro para 15 de Fevereiro. Um intervalo de mês e meio entre a primeira e a segunda sessão da Câmara neste ano. Alguma razão havia para isto? Com paciência havemos de descobrir, e voltaremos de falar deste assunto.
Nesta sessão de 10 de Fevereiro apenas se nomearam as Justiças do lugar do Salgueiro, e que não tinham sido nomeadas na sessão de 1 de Janeiro, e foi resolvido lançar (outra vez!) uma Siza para ocorrer ao pagamento das amas dos expostos que eram cada vez mais numerosas. A acta explica o caso.

Acta de 1783: Este Senado que como deve continua com a inteira observância que principiou a dar à ordem de Sua Magestade expedida pelo seu Desembargador Intendente Geral da Policia em data de 17 de Mayo de 1783 sobre creação dos mesmos Expostos desta cidade e de todo o seu termo que com o extabelecimento da Rota reduzio a hua só administração que ficou debaixo da inspecção deste Senado zelando os seus enteresses e aumentos criando-se para isso huma só forma com dous livros, hum para os novos assentos dos mesmos Expostos que se põem na dita Roda tanto desta cidade como de todo o termo e mais partes de onda sucede virem como se tem já descuberto, ficando e estando todos juntos no mesmo Livro, outro Livro para a muyta despeza que se faz cada anno com os mesmos expostos que… são numerosos e por consequência avultada a sua despeza…

Comentário do autor: Eram atirados para a roda todos os expostos da cidade, do seu termo e mais partes, por isso não havia dinheiro que chegasse a daí, sisas sobre sisas para ocorrer às respectivas despesas.
E ainda desta vez se observava que pagando a cidade 60.000 réis, Monforte paga 80.000 réis.
Desta sessão para a imediata o salto é ainda maior. De 15 de Fevereiro salta-se para 11 de Abril, quase dois meses depois.
E depois de um intervalo tão grande, a Câmara nomeia “para servirem de Almotaceis nos trez mezes seguintes a José Carlos de Souza e Francisco António Peres Lourenço” e o bom do escrivão diz logo que “por não haver mais que despachar derão este Auto por findo que assignarão”.
Era a vida municipal quase morta! A sessão seguinte realiza-se no dia 2 de Junho, e os vereadores apenas, “Houverão os alqueves por coutado e mandarão que dentro em trez dias despejassem os gados”.
Não era coisa que causasse grande diferença aos criadores de gado, porque logo no mês seguinte se davam as folhas de restolho por baldias.

(Continua)
PS – Mais uma vez informe os leitores dos postes, “Efemérides Municipais” que o que acabou de ler é uma transcrição fiel do que saiu em 1937.

O Albicastrense

quinta-feira, junho 10, 2010

TIRAS HUMORÍSTICAS - 65

BIGODES & COMPANHIA
Nas comemorações de Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, o Presidente da Republica comemora hoje, (10 de Junho) 37 personalidades, entre a das quais Joaquim Morão.
Bigodes e Companhia sempre em cima do acontecimento, brincam com a atribuição da Ordem de Comentador de Mérito, ao nosso presidente.
O albicastrense

terça-feira, junho 08, 2010

Chafarizes da minha cidade





CHAFARIZ DA GRANJA
Em 2008 publiquei neste blog vários posts onde questionava a nossa autarquia, sobre o péssimo estado em que se encontravam alguns dos nossos velhinhos chafarizes. Um deles foi dedicado ao Chafariz da Granja e nele dizia, entre outras coisas o seguinte:
Encontra-se ao poente da cidade, na antiga Granja dos Castelos que pertencera à extinta Casa do Infantado. É constituído por um muro de alvenaria de forma curvilínea dividido em três painéis por duas pilastras. O painel central, onde encosta um tanque de cantaria que recebe a água de duas bocas com tubos circulares, é mais alto do que os laterais e nele figuram, em releve, as armas nacionais da época do Rei D. Luís e uma lápide com a seguinte inscrição: Obras Publicas – 1874. Aos painéis laterais estão adjacentes dois bancos de cantaria apoiados em quatro cachorros. O capeamento do muro é formado por caprichosas volutas de granito. A nascente que abastece, este chafariz, tem um caudal razoável, (água que porém não é bacteriologicamente pura).
O texto que acabou de ler é da autoria de Manuel Tavares dos Santos e foi publicado no seu livro: “Castelo Branco na Historia e na Arte” em 1958. Cinquenta anos depois, interessa clarificar que este chafariz, está hoje bem pior que então, pois actualmente já nem a água jorra das suas duas bicas. O seu estado é hoje uma autêntica calamidade, (como aliás as fotografias o demonstram). Que raio de pessoas somos nós!? Que serenamente e passivamente, assistimos à degradação do nosso património e não nos questionamos sobre toda esta desgraçada situação”.
Passados dois anos o velho chafariz da Granja foi finalmente recuperado, como se comprova pelas fotografias expostas neste posts.
Aproveitando este facto, lançava aqui um desafio ao presidente da nossa autarquia: Agora que a nossa autarquia recuperou o Chafariz da Granja, para quando a recuperação do Chafariz da Graça?
Senhor presidente, a recuperação do dito cujo, foi meritória, porém, não estrague esta boa obra, permitindo que um desgraçado irmão do dito cujo, (Chafariz da Graça) esteja no estado em que as fotografias documentam. Recuperar o chafariz da Granja e deixar o da Graça como está, é no mínimo uma impiedade medonha.
Mãos à obra!.. É o mínimo que este albicastrense pode exigir… a quem dirige a autarquia da sua terra.
O albicastrense

segunda-feira, junho 07, 2010

COMENTÁRIOS - XI

ZÉ DO TELHADO DISSE…

É bom ver escrito realidades da nossa terra. Bem hajam os que ainda falam do que se passa. Os jornais deviam dar mais atenção aos verdadeiros problemas da região e da cidade. Estão dependentes dos mandões.
Que é feito das rádios? Onde estão os debates sobre a nossa terra? Vão fechar escolas, serviços de saúde e já se fala das portagens na A-23. Isto não interessa às rádios e aos jornais?
Ora aqui estão bons assuntos para desenvolverem.
Meu caro Zé do Telhado, você diz em poucas palavras aquilo que muitos pensam no seu dia-a-dia, mas que não têm coragem de o afirmar publicamente. Como não compito com essa maioria, aqui fica o seu comentário em lugar de destaque, esperando que os que visitam este blogue nos digam o que pensam das suas palavras.
O albicastrense

sexta-feira, junho 04, 2010

Museu Francisco Tavares Proenca Júnior - VIII


Tal como prometi, aqui ficam mais algumas páginas da história do museu entre os anos de 1910 e 1961.



UM PEQUENO RESUMO HISTÓRICO
(1971 a 2010)
(Continuação)
Tal como disse no último posts, o museu mudou-se para o Paço Episcopal em 1971. Os albicastrenses esperavam naturalmente que esta mudança de instalações, fosse o início de algo diferente, em relação a um passado do deixa andar ou quanto pior melhor, porém, depressa se aperceberam que a continuidade da porta fechada, iria continuar por mais algum tempo.
No bicentenário da nossa cidade (1971), resolveram os responsáveis do antigamente, que era preciso enganar a malta, e vai daí, resolveram que um dito senhor que na altura era Presidente da Republica, deveria com pompa e circunstância inaugurar o novo museu,
(ou será que o dito senhor, inaugurou apenas um palácio restaurado?).
O museu abriu no dia do centenário, o presidente fez a visita de honra, (que foi noticiada na imprensa regional e nacional) e depois tudo continuou como antigamente! Ou seja… de porta fechada.
Só em 1974, as coisas iriam realmente mudar com a nomeação de António Forte Salvado como director, (o quinto desde a sua inauguração) e a queda do antigo regime.
À espera de António Forte Salvado, e da equipa que ele iria arquitectar para transformar esta espécie de coisa, a que muitos durante muito tempo chamaram de museu, mas que na realidade mais não era, que um local onde estava amontoada a arqueologia de Tavares Proença, e alguns pertences do antigo Paço Episcopal.
Para se ter uma ideia do que era o museu entre 1971 e 1974, veja-se algumas imagens publicadas pelo jornal do Fundão, que “Imagens que embelezavam” uma reportagem publicada em 1972 por esse jornal, e que tinha por título: “Museu Tavares Proença Júnior. Organismo ou necrópole?.
O trabalho de reconciliar uma instituição que durante os seus sessenta e quatro anos de existência (1910/1974), tinha estado mais tempo de portas fechadas do que de portas abertas, não era tarefa fácil!..
Os primeiros tempos foram para aprontar o museu, às suas novas instalações e criar amarras a uma cidade, que até então nunca sentira o museu verdadeiramente como seu.
As actividades do museu começaram ao pé-coxinho, para se ter uma ideia do que foi o inicio do Museu e do seu desenvolvimento ao longo do tempo, lembrava aqui um pormenor, que considero importantíssimo e demonstrativo das dificuldades iniciais e do seu crescimento.
O quadro do pessoal era em 1974, de cinco elementos: um director, um escriturário dactilógrafo, um guarda porteiro e dois serventes, doze anos depois (1986), o pessoal em exercício era de quarenta e tal indivíduos, incluindo aqueles que trabalhavam em serviços dependentes, sob a coordenação do Museu Tavares Proença.
Com a chegada de António Forte Salvado ao Museu, começaram as actividades que até então nunca tinham existido. As exposições, os concertos, as conferências e a ligação do Museu às escolas, (de que agora tanto se fala, mas que na realidade começaram na década de 80), e por fim, o aparecimento da Oficina Escola de Bordados.
Sobre tudo isto começarei a falar no próximo poste.
(Continua)

O albicastrense

quarta-feira, junho 02, 2010

Morreu Rosa Coutinho


Rosa Coutinho morreu hoje, aos 84 anos, vítima de doença prolongada. Durante a revolução de Abril era capitão-de-fragata. Foi um dos militares que formou o Movimento das Forças Armadas, que posteriormente acabou por desencadear a Revolução de Abril de 1974. Integrou ainda a Junta de Salvação Nacional. Passou à reserva depois de 25 de Novembro de 1975. Em Outubro de 1974 é designado Alto-Comissário em Angola até a assinatura do Acordo de Alvor (em Janeiro de 1975).
Perguntarão alguns dos visitantes que habitualmente visitam este blogue, o porquê de comentar aqui este acontecimento.
Em 1974 conheci pessoalmente Rosa Coutinho em Angola, onde cumpria o meu serviço militar (1973 a 1975).
Durante o período quente da descolonização Angolana, fui colocado juntamente com outros elementos do destacamento de Fuzileiros Especiais (D.F.E - 6), no antigo Palácio Governamental, onde o conheci e à sua família.
Para essa família, este albicastrense só pode desejar toda a energia do mundo, para superar a morte deste grande homem.
O albicastrense

OPINIÃO - Carlos Vale

O jornal “povo da beira” publicou esta semana na sua secção de opinião, o artigo que aqui ponho à disposição dos visitantes do blogue.
Ao Carlos Vale o meu bem-haja, por mais este excelente artigo de opinião.
O albicastrense