sábado, fevereiro 26, 2011

REFLEXÕES - IV


A ARTE QUE NOS FAZ RIR TAMBÉM NOS FAZ DISTRAIR
Alguém num dia inspirado teve um feliz pensamento, e conseguiu em tempo útil passar ao papel uma pequena frase, mas grande em conteúdo. Como frases e seus conteúdos são algo que a maioria dos nossos concidadãos menosprezam, ela passou despercebida à grande maioria dos que tem hábitos de leitura, e para aqueles que nada lêem, nem dela querem ouvir falar. Mas para que não caia no esquecimento eu passo a cita-la: «a arte que nos faz rir também nos faz distrair». Antigamente os teatros eram locais luxuosos os quais atraíam pessoas ricas e abastadas. Eram locais de convívio, de distracção, e enriquecimento cultural.
Gostar de teatro era uma condição privilegiada e distinta. Nem todos preferiam o teatro, pois nada lhes dizia, mas estes tinham locais e pontos de encontro próprios, e condicentes com a sua posição social. As tabernas tinham grande procura, eram autênticas farmácias onde o vinho era o “medicamento” Rei. O Zé-povinho andava distraído e contente, e assim ia ficando cada vez mais abrutalhado, e convencido que os verdadeiros homens eram aqueles que bebiam vinho. Com a ilusão do vinho a bater na “bola” lá ia andando com sorriso de orelha a orelha. E assim se passaram alguns séculos.
Agora, no corrente século, como se não bastasse o vinho e a cerveja para trazer o Zé contente e satisfeito, usa-se a técnica da arte futebolesca. A arte futebolesca é de facto uma arte para aqueles que sabem usar o “pé de obra” pois a mão-de-obra já não dá nada, nem dinheiro, é uma arte que para nada presta e desprezível, é para passar tempo. Como já poucos se distraem com o teatro foram-se modernizando as tabernas e passaram a chamar-se cafés, e estes sim, são um grande atractivo para o “Zé”. Mas estes pontos de encontro em vez de terem um cariz construtivo e cultural, são locais onde se impinge a “cultura” futebolesca, ou as telenovelas que as senhoras tanto gostam. Portanto, para o “Zé” andar contente e descontraído dá-se-lhe futebol, telenovelas, ou a vida da Maia, de manhã à noite. E ai está o “ZÉ Poveco” todo satisfeitinho da vida com uma bandeirinha na varanda e outra no Fiat Uno ou outro “charronco” qualquer. E nos períodos de época fotebolesca nada se passa e tudo se esquece. Somos portugueses, os maiores, os campeões, etc, etc. Todos andam a buzinar para as alminhas ouvirem à vitória desta ou daquela equipa. Os combustíveis já não são caros, a justiça e a saúde também estão bem.
Cada matarrolano traz uma bandeirinha no “charronco”, mas só se vê a ele próprio como sendo português, e esquece-se ou não sabe que à sua volta estão outros que também são portugueses, e que têm que ser respeitados como tal. Para quê tantas bandeiras se depois morrem nas estradas 10 pessoas por semana em acidentes de carro? Pois é, Bordalo Pinheiro criou a figura do Zé Povinho. Era um Zé Povinho bruto mas educado. Mas tantos anos depois continua para pior, o Zé Povinho virou Zé Parvinho, e está cada vez mais ‘matarruano’. Aííí !!!.
José Zêzere Barradas
(Sociólogo)

JORNAIS DA MINHA TERRA




UM PEQUENO RESUMO HISTÓRICO - (IV)
(Continuação)
Em Dezembro de 1911 saiu a primeira edição do jornal; ”O Futuro da Beira”. Tinha como subtítulo; “Pelo povo e para o povo”. Era impresso na rua dos Oleiros e tinha na sua direcção; Carlos Martins. Tinha como editor; Eugênio Cardoso. Tinha como redactores; António Guilhermino Lopes, António Romão e José Gardete Martins. A sua redacção situava-se em Proença a Nova. Dizia-se defensor; “Dos direitos das classes produtoras e órgão da Liga do Fomento da Beira”.
Nota: Para um jornal que se dizia defensor as classes produtoras, (parece que não consegui defender-se a si próprio) finou-se com a saída do número seis.
Em Fevereiro de 1912 apareceu o jornal, “A Beira”. Tinha como subtítulo; “Paz e Progresso”. Tinha como seu director; António Pignatelli. Como editor; Eugênio Cardoso. Como administrador; António Nunes Cardoso e António Nunes Basílio.
Aparece como propriedade do “Grupo União Albicastrense” e tinha a sua redacção na rua do Postigo. Era impresso na rua dos Oleiros.
Procurava defender os interesses do “Grupo”, (a briosa Corporação dos Bombeiros Voluntários) e os legítimos interesses da cidade.
Nota: Este jornal dizia-se defensor da Corporação dos Bombeiros Voluntários de Castelo Branco. Creio que não terá ajudado a apagar muitos fogos, uma vez que saiu de cena, após a publicação do décima número.
Em Dezembro de 1912 surgiu o jornal, “O Beirão”. Tinha como subtítulo; “Deus e Pátria”. Era um semanário Monárquico e tinha como director; António Rodrigues Cardoso, (cá está ele outra vez). Como administrador; José Geraldes Cardoso. Era editado na rua dos Cavaleiros. Dizia; “Que tinha por objectivo advogar dentro da lei, os direitos dos católicos e defender os fracos e os perseguidos”.
Nota: Este para a época aguentou-se bastante tempo. Publicou 200 edições ao longo dos seus cinco anos de existência. Cinco anos e duzentos números é sem duvida um feito para esses tempos.
Em 1912 iniciou a publicação o semanário; “O Futuro”. Tinha como subtítulo; “O órgão da Classe Operaria”. Era seu director; Júlio Pereira e tinha como administrador; Júlio E. Nard. Tinha como editor; Eugênio Cardoso.
A sede situava-se na rua dos Oleiros, em Castelo Branco. Era composto e impresso na tipografia Trindade..
Nota: Este tinha um bom nome, porém, para um jornal que tinha como subtítulo; “Órgão da classe operaria” dá ideia que foi abandonado por essa classe, pois finou-se após a publicação do número cinco.
A 22 de Setembro de 1912 surgiu à luz do dia em Castelo Branco, o jornal “O Rebate”, (sucessor do jornal “o Futuro). Dizia; “ser um órgão das classes trabalhadoras”.
Tinha como seu director; José Fernando Alves. Como administrador; José Eugênio Nard. Era seu editor; José Oliveira Carvalho. Tinha a sua administração, na rua do Saibreiro. Era propriedade de um grupo de operários de Castelo Branco. Era composto e impresso na tipografia Pelejão. Afirmava, “ser o continuador do programa do jornal, O Futuro”, que terminara pouco tempo antes. A partir do numero oito, dizia ser “propriedade do núcleo do Partido Socialista de Castelo Branco”. No entanto no numero 26 já afirmava que o jornal, “era propriedade de um grupo de Operários de Castelo Branco”.
Nota: Também este não foi seguido pelas classe que dizia defender, evaporou-se após a publicação no número 74 em 1915. Mesmo assim ainda por cá andou cerca de dois anos e meio.
Em Dezembro de 1912, iniciou a sua publicação o semanário “A União” Era seu director; José Barros Nobre. Tinha como editor e administrador; Joaquim Lúcio Pelejão. Era composto e impresso na tipografia de Joaquim Lúcio Pelejão. Dizia ser um semanário político, e que iria fazer a propaganda da agremiação partidária a que pertencia.
Assim como iria discutir os actos públicos das pessoas educadas e elogiar os actos de utilidade para o pais e para a região.
Nota: Parece que discutir os actos públicos a elogiar ao actos de utilidade para o pais e para a região não lhe valeu de muito, pois finou-se com a saída do número 65, em 1914.
Em Abril de 1915 Castelo Branco deu à luz o seu primeiro jornal desportivo, “O ECO”. Dizia ser; “Árduo defensor do desenvolvimento do desporto na nossa cidade”.
Tinha como director; António Pedro Costa e como redactor principal; Joaquim Santos N. Sal. Aparecia como seu administrador; Mário B. Ramos (que também era seu editor e proprietário).
A sede da administração localizava-se na rua 5 de Outubro. Era um jornal copiografado com desenhos feitos a mão.
Nota: Nem o facto de ser um jornal desportivo lhe valeu de muito, ficou fora de jogo com a saída no número nove, nesse mesmo ano de 1915
(Continua)
Os dados constantes nos postes: “Jornais da minha terra” foram recolhidos em antigos jornais da nossa cidade, e em publicações que se encontram na biblioteca da nossa cidade.
O Albicastrense

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

A TAÇA REGRESSOU AO PARQUE


Em Junho de 2009 escrevi neste blogue o poste que se segue:

TAÇA DE GRANITO DA PRAÇA RAINHA D. LEONOR

(PROMESSA NÃO CUMPRIDA)

Por vezes acontecem coisas que não podem deixar de nos surpreender, ao deslizar pela Internet encontrei o artigo que aqui deixo à consideração dos visitantes deste blogue.
Jornal “Reconquista”(14 Agosto de 2008)
A Taça de granito vai voltar ao Parque da Cidade”.
A Taça de granito que nos últimos anos esteve a funcionar como fonte luminosa na Praça Rainha Leonor, vai voltar às origens. De acordo com o presidente da nossa autarquia (Joaquim Morão), as obras de requalificação da Praça Rainha D. Leonor implicam a saída da Taça em granito que aí existia, bem como o lago. De acordo com o presidente da autarquia, o objectivo é tornar aquele espaço mais agradável. Assim a famosa taça em granito, que noutros tempos esteve no Parque da Cidade, vai regressar ao local de origem. Joaquim Morão assegurou isso mesmo ao Reconquista. “Essa estrutura vai ser colocada no Parque da Cidade, no mesmo lago em que sempre esteve antes de ser transferida para a Praça Rainha Leonor”.
PS. Tentei descobrir onde se encontra actualmente a referida taça, após alguma pesquisa descobri o misterioso local onde a agoirenta taça caiu. O local onde a pobre taça se encontra não é o prometido Parque da Cidade, mas antes o estaleiro da Câmara Municipal!.. Não vou aqui questionar as obras feitas na Praça Rainha D. Leonor pois elas eram necessárias em meu entender, mas gostaria de colocar ao autor das declarações a seguinte questão:
Bonita promessa Senhor Presidente!.. Para quando o seu cumprimento?
O retorno da velha taça ao seu local de origem, (de onde nunca deveria ter saído), é uma exigência de todos os albicastrenses e ao mesmo tempo uma homenagem aos seus progenitores.
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Volto hoje a este tema, porque fui informado por um amigo que a velha taça de granito, tinha retornado ao seu local de origem no final de 2010.
A taça regressou após uma pequena estadia nos estaleiros da Câmara, ao parque da nossa cidade, (mais propriamente ao parque dos loureiros) de onde tinha sido rapinada no consulado “Vilafranquense” para a colocar na praça Rainha D. Leonor. Assim como aqui denunciei o não cumprimento da promessa feita pelo presidente da nossa autarquia (quando da retirada da pia da respectiva praça), volto agora ao assunto, para dizer que a promessa foi cumprida e que a velha pia está hoje no local de onde nunca deveria ter saído.
As fotografias que ilustram este poste, foram captadas esta semana e são demonstrativas do seu retorno ao parque dos loureiros.
O Albicastrense

terça-feira, fevereiro 22, 2011

JORGE MOLDER


EXPOSIÇÃO
A Câmara Municipal de Castelo Branco com o apoio da Escola Superior de Artes Aplicadas da cidade, inaugurou no passado sábado uma exposição de fotografia as autoria do artista Jorge Molder, no antigo edifício dos CTT.
Jorge Molder nasceu em Lisboa em 1947 e estudou filosofia na Universidade de Lisboa. Em 2006 ganhou o prémio da AICA/MC na categoria de artes visuais, sendo esta a primeira vez que o prémio foi atribuído a um artista que trabalha exclusivamente o meio fotográfico. Jorge Molder venceu em 2010 o do grande prémio EDP Arte. Este artista está representado nas mais importantes coleções portuguesas, entre elas a da Caixa Geral de Depósitos, a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, e o Centro de Arte Moderna José de Azeredo de Perdigão da Fundação Calouste Gulbenkian.
Visitei no passado domingo esta exposição, e contrariamente ao habitual não vou tecer qualquer comentário sobre ela. Prefiro antes fazer um desafio aos albicastrenses. O duelo consiste em pedir aos visitantes deste blogue para irem visitar esta exposição, e depois comentarem neste poste as obras ali expostas.
O Albicastrense

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - XLIII


A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).
O texto está escrito, tal como foi publicado.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.
(Continuação)
A sessão seguinte realizou-se em 1 de Agosto e foi nesta altura, a mais de meio ano, que apareceu a pauta dos vereadores que neste ano haviam de servir. Andava tudo muito embrulhado nas altas regiões com as notícias que vinham da França revolucionaria e com a doença da Rainha, e por isso não se ligava importância de maior às pequenas coisas dos municípios.
Os vereadores que constavam da pauta eram José Carlos de Sousa e Castro, José Martins Goulão e António de Pina Ferrão. Vinha nela ainda o nome do procurador, que se chamava António da Silva Pereira. Mas António de Pina Ferrão e António da Silva Pereira tinham falecido, por isso só os dois primeiros tomaram posse. Remediou-se a falta mais tarde. Por provisão régia de 1 de Setembro, de que a Câmara tomou conhecimento em 12 do mesmo mês, os dois falecidos foram substituídos respectivamente por Diogo da Fonseca Barreto de Mesquita e Manuel Marques Simões.
Passados quatro dias (a 8 de Agosto), temos os vereadores a conta com nova sessão. Tratou-se nela o seguinte e do mais que a seguir se verá:
Na mesma vereação aparesserão muitos moradores do Lugar da Louza a quem foy lido hum requerimento que os Procuradores do Povo do mesmo Lugar tinhão feito a Sua Magestade pedindo Provizão para terem Jurado que acoime os Gados que forem achados em lugares coimeiros e vedados cujo requerimento veyo a informar o Doutor Corregedor desta Comarca ouvidos officiais da Camara nobreza e Povo, e sendo (como fica dito) lido aos referidos Homens lhe foy juntamente proposto que este requerimento sendo deferido prejudicava as rendas deste Conselho e por consequência a Terça de Sua Magestade, que se devião elles obrigar a satisfazer esta falta o que sendo por elles ouvido responderão que elles se obrigão a pagar pellos bens do seu Povo a falta que ouver na renda do Conselho e de como assim o desserão assnarão aqui.
Os moradores da Lousa o que queriam era que lhes mandasse para lá um “jurado” (jurado era um empregado municipal como os actuais guardas campestres) que pudesse acoimar os gados nos lugares coimeiros. Se os gados pudessem entrar em toda a parte sem o perigo da coima, estavam prontos para pagar o que faltasse na renda do Conselho. Ganhavam mais com isso.
A seguir temos mais isto:
Nesta mesma vereação apareceu Manuel do Vale, serugião aprovado, ao qual se lhe conferio de outenta mil reis, que lhe forão arbitrados pella Camara Nobreza e Povo em vereação de quatro do prezente mez e anno.
Por oitenta mil réis eram obrigados a “curar gratuitamente toda a pobreza e fazendo assistência à cidade, e cumprindo em tudo com as obrigações do seu ministério” e tinha de apresentar dentro do prazo de dois dias messes provisão régia “para poder vencer o referido Partido”. Oitenta mil réis por ano hoje seria a miséria das misérias: mas quase um século depois um professor de instrução primaria ainda ganhava apenas cento e vinte mil réis por ano nas sedes dos concelhos e cem mil nas freguesias rurais.
PS – Mais uma vez informe os leitores dos postes “Efemérides Municipais”, que o que acabou de ler é uma transcrição fiel do que foi publicado.
Albicastrense

sábado, fevereiro 19, 2011

VELHAS IMAGENS DA MINHA CIDADE XIII


A imagem hoje exposta é sem qualquer dúvida aquela que mais água pelas barbas, irá dar a quem normalmente responde a este tipo de postes. Esta velha imagem terá para cima de cem anos e retrata um local da nossa cidade, hoje totalmente diferente ou seja, esta velha imagem é mesmo uma imagem do passado da nossa cidade.
Nos anos sessenta, já com este local bem diferente do que a fotografia documenta e ainda bem mais diferente daquilo que é nos dias de hoje, este albicastrense costumava brincar por ali aos Cowboys, e a velha Sobreira que a foto documenta ainda lá habitava.
Eu subi e desci muitas vezes por essa “Velha Senhora” para entrar ou sair da quinta onde ela tinha raízes.
Só cerca de de vinte e tal anos depois, (anos oitenta) ela foi bruscamente arrancada do seu local, de muitos e muitos anos de existência para ali fazer uma urbanização.
Para ajudar os aqueles que costumam responder a estes postes, posso adiantar que hoje no local em sua homenagem existe uma praceta com o seu nome: “Praceta da Sobreira”.
O albicastrense promete enviar através de e-mail, uma imagem com mais megapixeis do que esta, a todos aqueles que acertarem no local, (se os que acertarem na resposta a quiserem).
PS. Tal como das outras vezes, as respostas certas só serão publicadas dois ou três dias depois, para que a perspicácia de todos possa ser posta à prova.
O Albicastrense

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

REFLEXÕES - III

Já que ninguém me ouve, pelo menos leiam este artigo.
No dia 20 de Maio deste corrente ano (reporta-se a 2010), enquanto estava a jantar, considerando-me desde já um privilegiado pelo facto de ainda ter a possibilidade de realizar esta refeição apercebi-me que a RTP 1 transmitia uma entrevista ao Dr. Pinto Balsemão. A entrevista foi dirigida pela jornalista Dra. Judite de Sousa. Saliento que nada tenho nem contra um nem contra outro, muito pelo contrário, cada um no seu papel social são excelentes profissionais. Mas não podia deixar a assistir à entrevista de uma forma mais objectiva, isto é, ver e ouvir com distanciamento e imparcialidade, e fazer uma análise ao seu conteúdo. A sensação que me ficou foi a presunção de que a crise que está instalada é algo de novo e muito actual, e até parece que caiu de pára-quedas num tempo e num espaço determinados. Da entrevista transparece a ideia que a crise é só de agora e só agora é que começou. Ora, em toda e qualquer sociedade humana nunca podemos pensar o presente sem presentificar-mos o passado ou então teríamos todos nós nascido já adultos sem nunca termos sido crianças. Não é preciso ser economista nem gestor, para ver que a essência da crise instalada, e de forma profundamente estrutural é irreversível nos próximos trinta a cinquenta anos. Esta situação de ineficiência económica foi levada a efeito devido a uma ausência de estratégia e de projectos de nível colectivo, isto é, aplicou-se a tese da prevalência dos interesses em detrimento dos princípios. Os interesses correspondem ao individualismo exacerbado, e os princípios corresponderiam ao interesse colectivo e por sua vez seriam o alicerce duma sociedade sã.
Pergunto eu! Foi para isto que se fez o 25 de Abril de 1974? Estamos melhor?
Talvez para os “Zés Pacóvios” esta conjuntura seja mesmo boa!. Têm carros, vivem na casa do banco, comem até ficar gordos e anafados, vestem qualquer coisa, fazem o 6.º ano em 200 horas, passeiam-se nos hipermercados e nas lojas dos “tineses”, não escrevem nem dizem duas seguidas…, então para estes a vida é mesmo boa, boa, boa.
Não é preciso ser economista nem gestor para saber que os sectores de actividade primário e secundário são base de qualquer sociedade Humana que pretende selar pelos interesses dos seus concidadãos. Mas há países em que ser Cidadão é sinónimo de pagar impostos, e depois de uma vida a pagar impostos é deixado ao abandono, velho, sem dinheiro e entregue à sua própria miséria.
Também os órgãos de comunicação social vão tendo uma cota parte de responsabilidade em todo este processo, pois vão distraindo o Zé-povinho com futebóis e novelas até mais não. Acabam as novela começam os programas da “Tulia” Pinheiro para distrair o pessoal. Depois entram os noticiários apelando ao “bom moral” dos zés pacóvios que dois ou três ladrões roubaram dinheiro nas bombas de gasolina, outros entraram na auto estrada em contra mão. Só este tipo de notícias são suficientes para alimentar o pessoal que está na tasca a encher o bandulho de vinho ou cerveja, e discutir em altos berros os feitos do Benfica ou fazer o julgamento dos ladrões que assaltaram as bombas de Gasolina. Ficam logo alimentadinhos. Bem, o cerne deste artigo não são os pacóvios que vestem calças de ganga manchadas em lixívia ou Lóis compradas nos “tineses”, e que aproveitam os grandes espaços dos hiper-mercados para passear e ir despejando a tripa. O sentido deste artigo é procurar abrir a mente daqueles que ainda vão lendo alguma coisa no sentido de lhes procurar dizer que o estado em que o País se encontra é resultado do laxismo e do “leser faire – leser passer” por parte daqueles que passaram nos sucessivos governos e que andaram encostados à sobra da bananeira, sem qualquer projecto de sustentabilidade social, e convictos que uma sociedade governa-se por ela própria.
Meus caros leitores, aqueles que tem o dever de salvar e melhorar as condições de vida aos seus habitantes ponham termo às importações, acabem com as lojas dos tineses, ensinem os jovens a trabalhar e a produzir, aproveitem o saber dos velhos que ainda restam. Fabrique-se para fazer face às necessidades de consumo internas, exporte-se o excedente, e por último, e por muito que vos custe ler, voltem a pôr fronteiras neste país.
*José Zêzere Barradas

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

EXPOSIÇÃO - XVII



ANTÓNIO ANDRADE FERNANDES
"DEPÓSITOS"
Este trabalho foi inspirado num poema do meu amigo Dr. António Salvado.
Diz o seguinte: DEPÓSITOS
Gastar a vida inteira a conjugar.
Apenas um só verbo: acumular.
Como o mundo seria tão diferente, para melhor, se todas as pessoas pensassem a sério nestas palavras sábias.
Foi realizado no ano de 2004 e quis “homenagear“ um conterrâneo meu, que é tão pobre, tão pobre, tão pobre, que a única coisa que tem é dinheiro.
MATERIAIS UTILIZADOS: madeira, manta de trapos, moedas e fios.
O Albicastrense

terça-feira, fevereiro 15, 2011

TIRAS HUMORÍSTICAS - LXXIV

BIGODES & COMPANHIA
A dupla Bigodes & Companhia brinca com a entrevista dada por João Paulo Benquerença, (Presidente da Comissão Politica da Seção de Castelo Branco) dada ao jornal “reconquista” desta semana.
Entrevista que pode ser considerada uma “espécie de motor de arranque por parte do PSD”, para as próximas eleições autárquicas na nossa cidade. Esta entrevista merece uma leitura atenta por parte dos albicastrenses, pois ali são ditas algumas verdades, porém, é necessário recordar aos responsáveis do PSD, que os albicastrenses ainda não se esqueceram do consulado “Vilafranquense”, consulado em que a nossa cidade em vez de andar para a frente, patinou demais para traz.
Meus amigos! Esta é como diria o nosso amigo Companhia... uma boa entrevista, no entanto o melhor é ficarmos desde já atentos aos vendedores de promessas que se preparam para ascender ao poleiro.
O Albicastrense

domingo, fevereiro 13, 2011

BORDADO DE CASTELO BRANCO



“O NOSSO MAIOR TESOURO”
É do conhecimento de quem visita o blogue “Castelo Branco – O Albicastrense”, que o seu autor reclama há muito, para que a nossa autarquia tomasse medidas sobre a situação da oficina-escola de bordados do museu Tavares Proença Júnior. Foi pois com muita satisfação, que li e reli o artigo que aqui afixo.
Artigo onde o presidente da nossa autarquia, dá a conhecer (não aos albicastrenses como seria lógico, mas a esta revista), as medidas que em seu entender visam impedir a “extinção” do nosso bordado!... Diz o nosso presidente; “ser urgente fazer alguma coisa para salvar o bordado de Castelo Branco, em risco de ser extinto”. Senhor presidente! Nem tanto à terra nem tanto ao mar... quem está em morte-lenta é a oficina-escola do museu Francisco Tavares Proença Júnior, e não os nossos bordados.
As medidas agora anunciadas, são em meu entender bastante positivas, pena é, que em vez de se recuperar a oficina-escola de bordados do museu, se resolva criar noutro sítio, aquilo que deixamos sucumbir numa das maiores instituições da nossa cidade.
Quanto à criação da Associação do Bordado de Castelo Branco, esta ideia pode vir a tornar-se uma belíssima ideia, porém, primeiro é essencial sabermos quais são os seus estatutos, quais os meios de que dispõe para levar avante o seu trabalho e principalmente, quais as pessoas que a vão gerir nos primeiros tempos, pois como disse um dia alguém, “de boas intenções está o inferno cheio”.
O futuro do nosso bordado, constrói-se no dia-a-dia com pessoas competentes nos lugares certos, por isso lançava aqui um desafio aos fundadores desta associação. Esta associação não pode ser invadida pelo vírus dos amigos do partido ou pelos amigos do “porreirismo”, exige-se que ela tenha à sua frente não uma boa pessoa ou um bom amigo, mas antes uma boa e competente pessoa, pessoa que deve ser conhecedora da história do nosso bordado e acima de tudo, que aceite discutir com os albicastrenses o futuro do nosso bordado. Se assim não for, será mais uma associação igual a tantas outras cujo o marasmo e a apatia levarão à sua extinção.
PS. Este albicastrense só pode pedir a todos os santinhos (embora isto, não vá lá com pedidos a santinhos), para que o nosso bordado possa ter brevemente resultados reais desta criação, e que não aconteça como aquela outra associação (pelo menos que se saiba) que andou anos e anos a proclamar um pseudo certificado para o nosso bordado, mas que na prática apenas produziu um programa informático, com pouca ou nenhuma utilidade para o nosso bordado.
O Albicastrense

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

TIRAS HUMORÍSTICAS - LXXIII

Bigodes & Companhia comentam a possível vinda para a nossa cidade, do Call Center da ASAE.
O Albicastrense

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - XLII

A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).

O texto está escrito, tal como publicado em 1937.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.
(Continuação)
Comentário do autor: Da mesma certidão consta que, sendo esta petição apresentada na Mesa do Desembargador do Paço, se mandou informar o Provedor da comarca, que deveria ouvir os oficiais da Comarca, Nobreza e Povo, o que se fez, “remetendo os ditos papeis e resposta da Câmara por escrito”. Apresentado tudo na mesa do Desembargador do Paço, obteve primeiro o seguinte despacho: “Haja visita ao Procurador da Corôa”. Com duas rubricas dos Ministros da dita Mesa, diz, para que conste, a certidão, e a seguir acrescenta:
Acta: “E sendo remetido ao Desembargador Procurador da Coroa o mencionado requerimento nele deu sua resposta e ultimamente se proferiu o despacho do theor seguinte “Escusado”. Lisboa dous de Abril de mil setecentos outenta e nove Com tres ruibricas dos Ministros da sobredita meza do Dezembargo do Paço: E para constar o referido se passou a presente em Lisboa a vinte e outo de Agosto de mil setecentos outenta e nove anos. Antonio Leyte Pereyra de Melo Virgollino”.
Comentário do autor: Em vista do despacho da Mesa do Desembargo sobre a pretensão dos moradores de Malpica, pois que aquele “escusado” era nem mais nem menos do que o indeferimento do seu requerimento, a Câmara fez o que devia:
Acta: “considerou os donos dos montes senhores de tudo o que neles se produzia e resolveu mais que se remetesse a sua e copia e juntamente o requerimento feito a sua Magestade para os juizes do dito lugar ficarem sientes de todo o referido procedimento e do que devem obrar não só em comprimento dos mesmos mas também dos Acordãos e Posturas deste Senado pena de que contravindo em alguma parte a cada huma das sobreditas despoziçoens serem punidas segundo e seu merecimento na inteligência de que ficarão responsáveis a toda a desordem”.
Comentário do autor: Foi “o alcaide da Câmara”, Fernando José da Silva, o encarregado de ir a Malpica intimar os juízes, em nome e por ordem do juiz pela ordenação, para que cumprissem o que estava deliberado: “e o fizessem publico pelo modo que lhes fosse possível para que chegasse a noticia de todas as pessoas do mesmo lugar e o terem assim entendido”. O bom do alcaide lá foi. Encontrou só um dos juízes, que se chamava Domingos Nunes Magro. O outro, Manuel Alves, “estava fora e distante”. Deu ao juiz que encontrou a ordem de que era portador e declarou:
Acta: “que lha dera por forma que o dito Juiz muito bem entendera e mais algumas pessoas que prezenciaram e que recomendara ao mesmo Juiz que tanto que o seu companheyro recolhesse lhe fizesse ler e explicar a mesma ordem que ficou na sua mão para que igualmente a cumprisse, a que tudo respondera que havião de cortar por onde quizessem, e outras palavras de pouca atenção e obediência”.
Comentário do autor: Era de pêlo na venta o tal senhor juiz de Malpica. Nem a Mesa do Desembargo do Paço, que afinal decidiu sobre o que se pedira à Rainha, nem a Câmara, que deliberara em obediência ao que superiormente lhe fora ordenado, nem o seu superior hierárquico, juiz pela ordenação, que era quem mandava fazer a intimação, valiam nada para ele. Com arreganho singular fez saber, “que havião de cortar por onde quizessem” e despejou na cara do alcaide, “outras palavras de pouca obediência”! E durante bastantes anos ainda se não pode dizer bem que os moradores de Malpica “cortavam por onde queriam”, podia dizer-se com inteira verdade que “cortavam por onde podiam”. E vamos lá com Deus, ainda hoje por lá se encontra quem não perdesse de todo os velhos costumes, sobretudo no que diz respeito a bolota. Pagam às vezes a proeza com língua de palmo. Mas pelam-se por pregar aos guardas a partida de lhes mostrar que são mais habilidosos no furto da bolota do que na guarda dela.
PS – Mais uma vez informe os leitores dos postes “Efemérides Municipais”, que o que acabou de ler é uma transcrição fiel do que saiu em 1937.
Albicastrense

terça-feira, fevereiro 08, 2011

REFLEXÕES - 2

Já fomos apelidados de república das bananas, Portugal dos pequeninos, Portugal à beira mar plantado, país de marinheiros, país conquistador, país de brandos costumes, enfim, heróis do mar, etc, etc. Tivemos história, pois a organização administrativa do território não caiu do céu. Foi necessário lutar contra aqueles que também queriam apossar-se deste espaço. Antigamente, as lutas e as guerras ganhavam-se ou perdiam-se pela força das armas. Hoje, como todos podem ver as lutas ganham-se ou perdem-se sem recorrer a qualquer tipo de armamento, existem outras estratégias. O que alguém nunca entendeu e diz o ditado que «para bom entendedor meia palavra basta», é que este país, esta porção de terreno, pelo facto de estar à beira do mar tem muito valor, e esse valor tinha que ser preservado, e está a ser cobiçado por outras partes interessadas. Mas, para se ganhar uma guerra sem armas, é necessária muita inteligência, e grande capacidade de planeamento estratégico a longo prazo, envolvendo inclusivamente várias gerações, as quais não se desviam do objectivo, isto é, ganhar uma guerra a longo prazo, deixando todos de rastos sem usar armas, pois as armas são usadas por seres Humanos pouco inteligentes, por seres Humanos fracos. Então como é que se ganha uma guerra sem armas?. Como é que se domina um País à distancia?. É como quem engana tolos, é com rebuçados e bolos. Manda-se para lá bolos já feitos, e ao fim de algum tempo já ninguém os sabe fazer, depois manda-se dinheiro fresco, para eles comprarem bolos a quem nunca se relaxou ao ponto de não se dignar fabricar um simples bolo. Pois é, uma guerra à distância ganha-se tornando um povo adormecido e espectador, como é o caso dos portugueses, e pela via de estratégias económicas. É pá, já ninguém sabe como se planta um tomateiro!. «Tamos Lixados pá ! »
José Zêzere Barradas - (Fevereiro de 1998)

domingo, fevereiro 06, 2011

IMAGENS ANTIGAS DE CASTELO BRANCO




Quer adquirir quadros com imagens de Castelo Branco antigas?
Deixe o seu e-mail na caixa de comentários deste poste, que depois eu entro em contacto através de e-mail.

MEDIDAS DOS QUADROS

Quadro número: 1 = 1.34 X 62
Medidas dos restantes quadros: 58 X 43

PS. Além das imagens que aqui estão expostas, tenho outras.

O Albicastrense

DO BAÚ PARA O BLOGUE

CENTO E OITENTA E UM ANOS DEPOIS.....
No dia 7 de Fevereiro de 1791 (reinado de D. Maria I), a edilidade albicastrense reunida em sessão, tomou conhecimento do teor de uma mensagem procedente do General de Província, na qual se ordenava que fossem preparados alojamentos, para alojar 25 praças de cavalaria, que haviam de constituir o primeiro barracão do que havia de ser o Regimento de Cavalaria, que Sua Majestade acabava de criar na cidade de Castelo Branco.
A vereação deliberou de imediato, que fosse construído, na Devesa, um Quartel, ficando o custo da edificação a expensas do Povo da cidade e do seu termo.
Resta acrescentar que na década de oitenta do século passado (ou seja cerca de 181 depois), o exercito abandonou a nossa cidade e o velho quartel ficou às aranhas. No início do século XX, a nossa autarquia mandou abaixo alguns dos velhos barracões para ali construir a nova biblioteca da cidade (em boa hora o fez), e restaurou quatro dos antigos barracões.
O Albicastrense

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

REFLEXÕES - 1


O blogue “Castelo Branco – O Albicastrense” é desde o seu nascimento, um sítio que se dedica quase exclusivamente a dar a conhecer aos albicastrenses (de uma forma muito simples), um pouco da nossa história, ou em abordar assuntos do interesse da nossa cidade.
Era e vai continuar a ser, no entanto, a partir de agora tem um novo espaço, espaço ao qual dei o nome do: “Cantinho do Barradas”. José Zêzere Barradas, irá falar-nos de assuntos de âmbito nacional, ou seja, de vez enquanto ele irá aqui presentear-nos com artigos de opinião.
Este cantinho fica para já à consideração dos visitantes do blogue, visitantes que poderão comentar os artigos do Barradas, e aos quais ele poderá responder se assim o entender.
O Albicastrense
NÃO VALE A PENA TAPAR O SOL COM UMA PENEIRA
Meus caros leitores, muito se ouvido falar nestes últimos tempos acerca da dívida pública, acerca do entendimento ao nível dos dois maiores partido políticos com representação na Assembleia da República, e até já se falou num governo de salvação Nacional. Muito também se tem vindo a falar acerca do desemprego e dos 700 mil desempregados. Penso que não vale a pena tapar o sol com uma peneira. Venham os governos que vierem, venha lá quem vier, não haverá messias nem príncipes que nos possam valer, pelo menos nos próximos 20 a 30 anos. Destruir seja o que for é uma tarefa fácil, mas construir e recuperar torna-se uma obra difícil.
Nesta porção de terreno a que se dá o nome de Portugal tudo se foi destruindo aos poucos e poucos; recordo algumas empresas que desapareceram: Siderurgia Nacional, Empresa Tramagal, Estaleiros Navais Lisnave e Setnave; Sorefame, vidreiras da Marinha Grande, empresas corticeiras, EPAC, e outras tantas.
Em fim, tem sido fechar, fechar, fechar. Quero com isto dizer que o sector secundário foi dizimado ao longo destes últimos 20 a 25 anos. O sector secundário é o sector da indústria, e a base da sociedade onde nos inserimos. As necessidades geradas por este sector de actividade levam à prosperação do sector primário, agricultura, pescas, industrias extractivas, e ao desenvolvimento do sector terciário, os serviços, os quais tem um papel importante na organização e manutenção dos sectores de actividade e sociedade em geral. Ora, quando 90% dos bens materiais necessários à satisfação das necessidades da sociedade portuguesa são importados, isto é, vem do estrangeiro, é claro que a única coisa que podemos fazer é sermos meros consumistas e espectadores.
Ficamos à espera que tudo apareça cá feito. Por isso os que não tem nada para fazer são já cerca de 700 mil. Longe vão os tempos em que nós trabalhava-mos para produzir para o mercado interno. Hoje como todos sabem já nada fazemos, e já nada ou quase nada sabemos fazer. Tudo vem de fora, e nós “nicles”.
Mesmo que queiramos tentar fazer alguns bens já não temos tecnologia nem Recursos Humanos que saibam fazer seja o que for, pois não desenvolvemos a técnica. Agradeço desde já o tempo por vós dispendido na leitura deste artigo. Segundo os cânones, a palavra Política significa governo, pode também significar um conjunto de medidas ou estratégias governativas com o fim último de garantir o bem-estar social. Andamos todos cheios de ouvir que a crise que se faz sentir em Portugal terá surgido por volta de 2007/2008, e que tem origem nos mercados internacionais. Ora bem, o problema que nos está a surgir é de natureza económica, mas com origem profunda no laxismo político, e que na minha modesta opinião, terá sido originado na acumulação de erros, desleixo político-partidário e ausência de estratégias por parte daqueles que tem vindo ao leme deste barco a que chamamos Portugal.
José Zêzere Barradas

terça-feira, fevereiro 01, 2011

DE COSTAS VIRADAS UM PARA O OUTRO.

ANÓNIMO DISSE...
“O JARDIM TEM QUE SER VENDIDO A PARTIR DO MUSEU"
O comentário que serve de título a este poste, foi deixado por um anónimo no poste referente à construção do futuro “Centro de Interpretação do Jardim do Paço”, pela nossa autarquia.
Comentário que me levou a propor aos visitantes um desafio. O desafio consistia em pedir aos albicastrenses que visitassem este blogue, para deixarem aqui a sua opinião sobre a sugestão apresentada pelo anónimo.
Disse igualmente nessa altura, que posteriormente publicaria um poste sobre a sugestão do anónimo e colocaria nele algumas das opiniões feitas pelos visitantes.
Nove dias após a publicação deste meu desafio, verifico que dos cerca de 2000 visitantes que entretanto o visitaram, apenas três nos disseram o que pensavam sobre a sugestão apresentada pelo anónimo.
Meus amigos! É caso para dizer que errei no alvo... quando pensei que este era um assunto que podia interessar aos albicastrenses que visitam este blogue. Independentemente da pouca adesão à minha proposta, vou cumprir o prometido.
Já aqui disse por enúmeras vezes que trabalhei no museu cerca de 30 anos, durante esse tempo, ouvi milhares e milhares de vezes (da parte de quem o visitava), se não podiam visitar o jardim através do museu.
Quando respondia a esses visitantes, que tinham que sair do museu, dar a volta ao edifício e entrar pelo portão que se encontrava perto do Passadiço, eles abanavam a cabeça e sorriam.
Moral da história: nem eles nem ninguém ainda hoje percebe a razão desta visita separada.
Na década de noventa, o edifício onde está instalado o museu sofreu profundas alterações, o projecto dessas obras foi apresentado com pompa e circunstancia no Governo Civil, pela então directora do I.P.P.C (Simonetta Luz Afonso). Durante essa apresentação, foi dito e reedito (pela referida senhora), que do projecto das obras, constava a construção de uma cafetaria na zona onde na altura estava o edifício da oficina–escola de bordados, (ao lado da figueira que ali existe) que curiosamente tinha sido construído meia dúzia de anos antes, e que iria ser sacrificado para no local construir a tal cafetaria.
A construção dessa cafetaria serviria, ( segundo a mesma senhora) para entre outras coisas, ligar o museu ao jardim ou vice-versa.
Ou seja, os visitantes iriam poder visitar o museu, no meio pediam almoçar na tal cafetaria, e depois podiam visitar o jardim.
A ideia era interessante, porém, (tal como diz o outro) de boas intenções está o inferno cheio. O edifício da oficina escola foi mandado abaixo e para cumulo da malvadez, o dinheiro esfumou-se e não deu para construir a tal cafetaria.
Moral da história: na próxima vez antes de deixarmos que mandem abaixo o que quer que seja, é preciso ver se podemos confiar nos espertalhões.
Os dois episódios que acabei de contar, servem apenas para mostrar que a questão não é de hoje, no entanto, estão ainda hoje por perceber as razões que levam a que a nossa autarquia e o organismo de que depende o museu, nunca tenham conseguido resolver esta questão.
Voltando à sugestão apresentada pelo anónimo, só posso argumentar que eu (e seguramente a quase totalidade dos albicastrenses), estarão de acordo com esta ideia, pois não faz qualquer sentido que sendo o museu e o jardim descendentes do velho Paço Episcopal, tenham que ser visitados separadamente como se fossem dois estranhos de costas viradas um para o outro.
Esta ideia que poderá parecer à primeira leitura uma questão menor, não o é! Antes pelo contrário... a concretização desta, juntamente com outras que se tornam necessárias a curto prazo, poderão dar ao nosso museu, aquilo que ele já foi nos anos setenta e oitenta do século passado.
Torna-se pois necessário, que a nossa autarquia diga de uma vez por todas aos albicastrenses, o que pretende para o nosso museu.
O nosso museu não pode continuar a ser uma espécie de adereço que se vai diluindo pouco a pouco, no cenário cultural da nossa cidade.
O ano de 2010 (ano do centenário do museu), deveria ter servido para que a nossa autarquia juntamente com os albicastrenses, repensassem o museu, e avançassem com sugestões sobre o que ele tem que ser, não no num futuro próximo, mas já no dia de amanhã.
É bom não nos esquecer-mos, que o organismo de que depende o museu, quer há muito chutá-lo para fora de rede nacional dos museus, e este albicastrense começa a ter sérias dúvidas se a sua permanência nesta rede nacional, será a melhor das soluções. Das duas uma, ou a nossa autarquia e os albicastrenses voltam a olhar para o seu museu, como uma instituição que prestigiou num passado recente a sua cidade, ou então ele irá ter o futuro dos tais adereços, que por mais bonitos e decorativos que possam ser, acabam por não fazer parte da cenas principais de qualquer telenovela, por mais rasca que ela seja.
Ps. Tal como prometi, aqui ficam os comentários sobre a sugestão do tal anónimo
Anónimo disse...
Assim que li a notícia no jornal pensei logo no dito poste. Das duas uma, ou alguém da câmara lê efectivamente este bloque ou é uma enormíssima coincidência pois até a sugestão que foi dada na altura como possível função para a casa (servir como local de apoio aos visitantes do jardim do paço) é aquela que aparentemente irá para a frente. Seja como for, vai ser bom poder voltar a ver esta casa centenária servir a cidade como já fez no passado.
Anónimo disse...
Na minha opinião não faria muito sentido restringir-se a entrada no jardim aos visitantes do museu. É certo que traria muitos mais visitantes ao mesmo mas o "Hall de Entrada" do jardim fica na Rua Bartolomeu da Costa e entrar na Jardim do Paço por outro lado não seria a mesma coisa. O que me pareceria uma boa iniciativa era que os visitantes do museu tivessem, no final da visita ao mesmo, a oportunidade de conhecer o jardim. Se os preços não fossem muito díspares, tenho a certeza de que muita gente preferiria ir dar uma volta pelo museu também.
JJB disse...
Relativamente à futura visita ao jardim, depois das obras previstas, penso que a entrada deveria começar pelo Portão Principal - o impacto da entrada desperta curiosidade ao visitante - e a saída seria, obrigatoriamente, pelo Museu. A colocação da bilheteira neste caso é que merece atenção especial, mas os técnicos saberão dar a volta, se assim vier a ser entendido. Soluções não faltarão, estou certo. Quanto ao sistema apresentado dou conhecimento que é assim que acontece em visitas a palácios, museus, catedrais e outros monumentos que tenho visitado por essa Europa, ou seja, acabada a visita toda a gente é obrigada a passar por salas de exposições, de vendas de artesanato/lembranças, podendo então usufruir de outras de apoio a informações, bar, wc, etc. Com a utilização deste esquema o visitante ao passar por esses espaços tem a oportunidade de usufruir de atendimento personalizado em tudo o que a estrutura lhe oferece. Para além disso, é necessário que a oferta seja de qualidade, como se espera, e então a entidade exploradora terá também direito a colher os justos proventos.
PS. Aos albicastrenses que visitam este bloque vou continuar a pedir, para se pronunciam sobre esta questão e sobre as deixas que agora lhe acrescentei.
O Albicastrense

RUAS DA ZONA HISTÓRICA DE CASTELO BRANCO

AS MINHAS IMAGENS  ZONA HISTÓRICA DA TERRA ALBICASTRENSE  O  Albicastrense