sábado, fevereiro 26, 2011

REFLEXÕES - IV


A ARTE QUE NOS FAZ RIR TAMBÉM NOS FAZ DISTRAIR
Alguém num dia inspirado teve um feliz pensamento, e conseguiu em tempo útil passar ao papel uma pequena frase, mas grande em conteúdo. Como frases e seus conteúdos são algo que a maioria dos nossos concidadãos menosprezam, ela passou despercebida à grande maioria dos que tem hábitos de leitura, e para aqueles que nada lêem, nem dela querem ouvir falar. Mas para que não caia no esquecimento eu passo a cita-la: «a arte que nos faz rir também nos faz distrair». Antigamente os teatros eram locais luxuosos os quais atraíam pessoas ricas e abastadas. Eram locais de convívio, de distracção, e enriquecimento cultural.
Gostar de teatro era uma condição privilegiada e distinta. Nem todos preferiam o teatro, pois nada lhes dizia, mas estes tinham locais e pontos de encontro próprios, e condicentes com a sua posição social. As tabernas tinham grande procura, eram autênticas farmácias onde o vinho era o “medicamento” Rei. O Zé-povinho andava distraído e contente, e assim ia ficando cada vez mais abrutalhado, e convencido que os verdadeiros homens eram aqueles que bebiam vinho. Com a ilusão do vinho a bater na “bola” lá ia andando com sorriso de orelha a orelha. E assim se passaram alguns séculos.
Agora, no corrente século, como se não bastasse o vinho e a cerveja para trazer o Zé contente e satisfeito, usa-se a técnica da arte futebolesca. A arte futebolesca é de facto uma arte para aqueles que sabem usar o “pé de obra” pois a mão-de-obra já não dá nada, nem dinheiro, é uma arte que para nada presta e desprezível, é para passar tempo. Como já poucos se distraem com o teatro foram-se modernizando as tabernas e passaram a chamar-se cafés, e estes sim, são um grande atractivo para o “Zé”. Mas estes pontos de encontro em vez de terem um cariz construtivo e cultural, são locais onde se impinge a “cultura” futebolesca, ou as telenovelas que as senhoras tanto gostam. Portanto, para o “Zé” andar contente e descontraído dá-se-lhe futebol, telenovelas, ou a vida da Maia, de manhã à noite. E ai está o “ZÉ Poveco” todo satisfeitinho da vida com uma bandeirinha na varanda e outra no Fiat Uno ou outro “charronco” qualquer. E nos períodos de época fotebolesca nada se passa e tudo se esquece. Somos portugueses, os maiores, os campeões, etc, etc. Todos andam a buzinar para as alminhas ouvirem à vitória desta ou daquela equipa. Os combustíveis já não são caros, a justiça e a saúde também estão bem.
Cada matarrolano traz uma bandeirinha no “charronco”, mas só se vê a ele próprio como sendo português, e esquece-se ou não sabe que à sua volta estão outros que também são portugueses, e que têm que ser respeitados como tal. Para quê tantas bandeiras se depois morrem nas estradas 10 pessoas por semana em acidentes de carro? Pois é, Bordalo Pinheiro criou a figura do Zé Povinho. Era um Zé Povinho bruto mas educado. Mas tantos anos depois continua para pior, o Zé Povinho virou Zé Parvinho, e está cada vez mais ‘matarruano’. Aííí !!!.
José Zêzere Barradas
(Sociólogo)

1 comentário:

  1. Pois é amigo Barradas ,continuo a gostar das suas reflexões ... Gostei do do "pé de obra " e da "mão -de -obra "e do Zé Povinho pelo Zé Parvinho ...Acrescento o facto de o "Zé ..." não saber que a liberdade de cada um acaba ,onde começa a liberdade do outro! Mas ,permita-me que lhe corrija »as novelas que as senhoras blá, blá,blá» ,por «as novelas que algumas senhoras ...»,senão sinto-me ofendida :)!!!!
    Continue a "reflectir ", espero pelas suas meditações
    »vesitas » beirãs
    Quina

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