quinta-feira, fevereiro 17, 2011

REFLEXÕES - III

Já que ninguém me ouve, pelo menos leiam este artigo.
No dia 20 de Maio deste corrente ano (reporta-se a 2010), enquanto estava a jantar, considerando-me desde já um privilegiado pelo facto de ainda ter a possibilidade de realizar esta refeição apercebi-me que a RTP 1 transmitia uma entrevista ao Dr. Pinto Balsemão. A entrevista foi dirigida pela jornalista Dra. Judite de Sousa. Saliento que nada tenho nem contra um nem contra outro, muito pelo contrário, cada um no seu papel social são excelentes profissionais. Mas não podia deixar a assistir à entrevista de uma forma mais objectiva, isto é, ver e ouvir com distanciamento e imparcialidade, e fazer uma análise ao seu conteúdo. A sensação que me ficou foi a presunção de que a crise que está instalada é algo de novo e muito actual, e até parece que caiu de pára-quedas num tempo e num espaço determinados. Da entrevista transparece a ideia que a crise é só de agora e só agora é que começou. Ora, em toda e qualquer sociedade humana nunca podemos pensar o presente sem presentificar-mos o passado ou então teríamos todos nós nascido já adultos sem nunca termos sido crianças. Não é preciso ser economista nem gestor, para ver que a essência da crise instalada, e de forma profundamente estrutural é irreversível nos próximos trinta a cinquenta anos. Esta situação de ineficiência económica foi levada a efeito devido a uma ausência de estratégia e de projectos de nível colectivo, isto é, aplicou-se a tese da prevalência dos interesses em detrimento dos princípios. Os interesses correspondem ao individualismo exacerbado, e os princípios corresponderiam ao interesse colectivo e por sua vez seriam o alicerce duma sociedade sã.
Pergunto eu! Foi para isto que se fez o 25 de Abril de 1974? Estamos melhor?
Talvez para os “Zés Pacóvios” esta conjuntura seja mesmo boa!. Têm carros, vivem na casa do banco, comem até ficar gordos e anafados, vestem qualquer coisa, fazem o 6.º ano em 200 horas, passeiam-se nos hipermercados e nas lojas dos “tineses”, não escrevem nem dizem duas seguidas…, então para estes a vida é mesmo boa, boa, boa.
Não é preciso ser economista nem gestor para saber que os sectores de actividade primário e secundário são base de qualquer sociedade Humana que pretende selar pelos interesses dos seus concidadãos. Mas há países em que ser Cidadão é sinónimo de pagar impostos, e depois de uma vida a pagar impostos é deixado ao abandono, velho, sem dinheiro e entregue à sua própria miséria.
Também os órgãos de comunicação social vão tendo uma cota parte de responsabilidade em todo este processo, pois vão distraindo o Zé-povinho com futebóis e novelas até mais não. Acabam as novela começam os programas da “Tulia” Pinheiro para distrair o pessoal. Depois entram os noticiários apelando ao “bom moral” dos zés pacóvios que dois ou três ladrões roubaram dinheiro nas bombas de gasolina, outros entraram na auto estrada em contra mão. Só este tipo de notícias são suficientes para alimentar o pessoal que está na tasca a encher o bandulho de vinho ou cerveja, e discutir em altos berros os feitos do Benfica ou fazer o julgamento dos ladrões que assaltaram as bombas de Gasolina. Ficam logo alimentadinhos. Bem, o cerne deste artigo não são os pacóvios que vestem calças de ganga manchadas em lixívia ou Lóis compradas nos “tineses”, e que aproveitam os grandes espaços dos hiper-mercados para passear e ir despejando a tripa. O sentido deste artigo é procurar abrir a mente daqueles que ainda vão lendo alguma coisa no sentido de lhes procurar dizer que o estado em que o País se encontra é resultado do laxismo e do “leser faire – leser passer” por parte daqueles que passaram nos sucessivos governos e que andaram encostados à sobra da bananeira, sem qualquer projecto de sustentabilidade social, e convictos que uma sociedade governa-se por ela própria.
Meus caros leitores, aqueles que tem o dever de salvar e melhorar as condições de vida aos seus habitantes ponham termo às importações, acabem com as lojas dos tineses, ensinem os jovens a trabalhar e a produzir, aproveitem o saber dos velhos que ainda restam. Fabrique-se para fazer face às necessidades de consumo internas, exporte-se o excedente, e por último, e por muito que vos custe ler, voltem a pôr fronteiras neste país.
*José Zêzere Barradas

2 comentários:

  1. Pois é amigo Barradas , nem supõe como estou de acordo consigo ! Li, atentamente ,as suas reflexões e só acrescentaria a culpa que a própria imprensa tem na desmoralização do pessoal que quer fazer alguma coisa . Quanto à duração da crise ,espero que seja um pouco mais curta do que 30 a 50 anos ,como diz ,senão lá terei que me zangar com a História que nunca me ensinou uma tão longa ... Claro que a de 29 deu origem a 2ª guerra mundial e a do final do século XIX originou a 1ª das ditas guerras .... Mau , será que é aí que vamos parar ? Não creio ,desta vez a Alemanha já tem o que anseia .... Será que alguém a vai contrariar ?
    Saudações arraianas

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  2. José Barradas21:55

    Obrigado pela interpretação que fez do meu artigo. Tive a oportunidade de passar bons momentos em Idanha, tem piscinas formidáveis, tem uma barragem linda, e um parque de campismo muito bom. Conheci um artista plastico de nome Rui, não sei se ainda por ai está, pois a tendencia do interior é ficar cada vez mais deserto. Abraço para Idanha a Nova.

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