quarta-feira, setembro 30, 2009

CAMINHADAS PELA ZONA DO CASTELO




Já aqui disse por várias vezes que um dos meus hobbies favoritos é deambular pela zona do castelo, zona também conhecida nos últimos tempos por, “Zona Histórica da Cidade”.
É muito comum passearmos por ali e verificarmos que desde a última vez que lá estivemos, alguma coisa mudou… também desta vez assim aconteceu.
Com o objectivo de tirar umas fotografias para fazer um poste sobre a rua do Arressario, (que brevemente aqui irei colocar) fui surpreendido com a construção de um pequeno espaço de lazer… espaço construído num antigo local abandonado e que a partir de agora, dá ao lugar uma cara bem diferente da que tinha no passado.
Este pequeno espaço agora construído fica situado na Rua da Sobreira, rua onde se situa a escadaria que dá acesso ao velho, (que pelintrice de renovação...) miradouro.
O espaço de lazer está em fase de acabamento como as fotos aqui apresentadas demonstram, no entanto parece-me justo realçar desde já esta pequena obra.
Dirão alguns! Que se trata apenas de uma pequena obra… é verdade! Porém, retoque a retoque, a zona do castelo vai ganhando nova cara e um dia destes deixaremos de nos envergonhar da tristeza que por ali morou, durante anos e anos.
PS. Atenção! Que não existem só rosas… o poste sobre a rua do Arressario vai demonstrar, que ainda existem muitos espinhos para retirar.
O Albicastrense

segunda-feira, setembro 28, 2009

Tiras Humoristicas - 46

Bigodes e Companhia satirizam a polémica das escutas.
Atenção…
O Albicastrense não faz das palavras destes patetas as suas próprias palavras.
O Albicastrense

sábado, setembro 26, 2009

INTERROGAÇÕES.....



IMAGENS DOS ANOS SESSENTA

As imagens aqui apresentadas não deixam de me causar alguma nostalgia e a interrogar-me a mim próprio, se a modernização de uma qualquer cidade deve ser feita á custa do desaparecimento de pérolas, como as que podemos ver em algumas destas fotografias.
Perante estas imagens… a pergunta que cada um de nós deveria fazer a si próprio, só pode ser uma.


Deverão os cidadãos comuns, perante estas pezudas modernizações virar a cara para o lado, não ligar, fazer de conta que nada têm a ver com estes assuntos, ou pura e simplesmente dizer que são sinais dos tempos?

Ou pelo contrario, devem os cidadãos comuns lembrar àqueles em quem votamos que preservar, recuperar ou embelezar os velhos Largos, Praças, e Prédios da cidade onde vivemos, é muito mais importante que uma qualquer modernização mediática?


Este Albicastrense... não tem dúvidas quanto ao caminho a seguir! O pior… é, que aqueles que muitas vezes elegemos para estar á frente dos destinos da nossas cidades, são pessoas cuja história destas, pouco ou nada lhes diz e interessa.
É como diz o outro!... Não a sentindo, nada têm a ver com ela.
Modernizar uma qualquer cidade é fundamental! Porém… fazê-lo á custa da história dessa mesma cidade, é completamente incompreensível.
Transportando esta história para a nossa cidade... é comum ouvir-se que Castelo Branco é hoje uma cidade diferente!
Eu diria… bem diferente! Busílis da questão é saber se essa diferença, fez da nossa cidade uma melhor cidade para quem aqui vive, ou se pelo contrario a torna igualzinha a tantas e tanta outras espalhadas pelo nosso pais.
O Albicastrense

quinta-feira, setembro 24, 2009

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - XXII

A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940. A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Ribeiro Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes.

O texto está escrito, tal como publicado em 1937.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.
(Continuação)
Acta de 1786: “Foy Deos servido á chamar Sua Santa Gloria hontem vinte e sinco do corrente pelas duas horas e meya da madrugada o Angustissimo Senhor Rey Dom Pedro tresseiro com todas as catholicas Religiosas demostrassoins que persuadem estará gozando de bem aventurança a que se encaminhavão as singullares virtudes que praticou em toda a sua vida. E a Raynha Nossa Senhora me manda participar a vossas mercês esta noticia paraque acompannhem com as demostrassoens de sentimento que se praticarão na ocasião de morte do Senhor Rey Dom José primeiro á excepção de se quebrarem os Escudos e dos mais actos só pertencentes á real Soberania”.

Comentário do autor: A Câmara cumpriu, como era seu dever, mandado apregoar por todas as povoações do concelho que o luto era de um ano, seis meses rigorosos e seis aliviado, fazendo desde logo “cubrir esta Mesa com baetas pretas” e entendendo-se com o Bispo da Diocese para se fazerem as exéquias do “custume” e
se pagassem antecipadamente ordens para que a Câmara a Nobreza com os Juizes das Vintenas se achem presentes aquele acto trazendo cada um destes capa comprida e as insígnias da sua jurisdição.
Este ano de 1786 tinha corrido mal para a agricultura. Tinha havido chuvas excessivas e estas continuavam pelo mês de Junho fora. Os mercantes aproveitaram logo isso para fazer subir o preço do pão. Então a Câmara, em sua sessão de 18 de Junho, aprovou por unanimidade a seguinte proposta do “Doutor Corregedor desta Comarca Gaspar de Sousa Barrete Ramires”:

Acta de 1786: “que sendo-lhe constante a carestia a que a ambição dos rendeiros e pessoas despidas de humanidade havião feito subir o preço do Trigo e Senteyo por acaziao das chuvas que tem sobrevindo no prezente mez de Junho, crecendo repentinamente o preço do trigo que estva a quatro centos e outenta e sete centos e sincoenta, e o do senteyo que estava a trezentos e sessenta a quinhentos e sincoenta: sendo justamente esperavel que este mesmo preço suba como protestão os ambissiozos porque deste aumento lhe resulta não só vender o pouco pam que conservão por preço tão exorbitante mas tão bem dar este valor todo o pam que an
antecedentemente venderão em todo o anno com a custumada uzura de ser pelo mais alto preço que valer pelo decurço do anno. Sendo-lhe constante a geral falta de pam e a inferioridade das searas que promete hum preço a que não poderão chegar os pobres, e que reduzira á ultima indigençia ainda os remendados.... que a triste situação em que se acha esta Cidade não havendo pam ainda por esse mesmo preço excessivo demanda providencias promptas que remedeem a fome presente e acautallem a carestia para o futuro.
E que animado elle Corregedor do dezejo de desempenhar os deveres do lugar com que Sua Magestade foy servida honrrallo, e dos sentimentos benéficos que elle sempre mostrou a favor do Povo desta Cidade lhe ocorre que o recurço mais pronto para enxer um e outro objecto he mandar este Câmara comprar a Terra fria e outras partes onde houver fruitos redundantes algumas proçoens de Trigo e Senteio, passandose para as compras os precatorios competentes”.

Comentário do autor: A proposta ainda não fica por aqui. O bom do Corregedor procura justificar a sua intervenção neste caso com a “carta Regia do Senhor Rey Dom Pedro segundo de 7 de Junho de 1698: a Provisão de 24 de Novembro de Novembro de 1698: a resolução de Senhor Rey Dom José de 28 de Abril de1769 declarando em Provisão de 6 de Mayo do mesmo anno e outras ordens que hila seri continuada das Rezollusoens cometião aos Corregedores as Providencias que fossem condecentes para minourar os effeitos da estrellidada evitar os monepollios, e fazer subsistir a possível abundância de pam naquellas terras em que fosse mais notável a falta”.
Depois vai ainda dizendo coisas reveladoras de boa vontade e sensatez como isto:

Acta de 1786: “que feita a conta ao preço da compra, condução e quebras se venda publicamente pelo preço que sahir posto nesta Cidade, e que se repita a delegencia a termos que a importação de pam de fora sirva para abundar e auxiliar a falta que delle se espera e prevenir que esse pouco não suba a tal preço que tornaria impossível a sua compra”.

Comentário do autor: Mas, para mandar vir o pão da Terra fria ou de outros pontos onde o houvesse, era necessário dinheiro e, por essas alturas, o que na Câmara havia, era falta dele. O bom do Corregedor alvitrou então:

Acta de 1786: ”que como neste conselho não ha dinheiros para estas compras propoem elle Corregedor a facelidade de se pedir emprestado do Depozito das Pontes onde ha perto de sinco mil cruzados que de prezente não tem destino em quanto se não rezolvem as representaçoens que se fizerão sobre esta materia. A cujo empréstimo elle Corregedor se presta favoravel em beneficio de utilidade publica e socorro da nescessidade prezente obrigandoce a Camara a repor o dinheyro que se emprestar todas as vezes que elle for necessario para se aplicar ao seu justo destino”.

Comentário do autor: Foram largas as transcrições dos termos da acta, mas é interessante tudo aquilo (nós pelo menos assim o achamos) e mostra que houve um corregedor que sabia interessar-se pelo bem estar do povo por isso é bom recordar-lhe o nome. Chamava-se como já disse atrás, Gaspar de Sousa Barrete Ramires.
Sete dias depois, em sessão de 25 de Julho, o bom do corregedor voltou a insistir no mesmo ponto: "que não houvesse demoras, que era preciso cuidar a tempo do abastecimento do conselho, porque se as coisas se apresentavam cada vez mais feias”, etc., etc.,. Depois, invocando a Ordenação, Livro 5ª, nº 76, propôs que se notificassem os lavradores e os “terceiros” para apresentarem uma relação completa do pão produzido e se intimassem todosa não levarem para fora da Cidade e termo sem licensa da Câmara a terça parte dos seus fruitos com a comunicação de procederce contra eles irremissivelmente na forma de Ley”.
Ps – Mais uma vez informe os leitores dos postes, “Efemérides Municipais” que o que acabou de ler é uma transcrição fiel do que saiu em 1937.

O Albicastrense

terça-feira, setembro 22, 2009

Aniversários sem comemorações.

JORNAL "O REBATE"
(1912-1915)
97 ANOS DEPOIS
A vinte e dois de Setembro de 1912, surgiu à luz do dia, em Castelo Branco, o jornal “O Rebate”. Dizia ser um órgão das classes trabalhadoras. Foi seu director, José Fernando Alves, e seu administrador, José Eugênio Nard. Tinha como editor José Oliveira Carvalho, sendo a sede de administração na rua do Saibreiro. Era propriedade de um grupo de operários de Castelo Branco e era composto e impresso na tipografia Pelejão. Afirmava-se “ser o continuador do programa do jornal ”O Futuro”. Porém a partir do numero oito, dizia-se ser “propriedade do núcleo do Partido Socialista de Castelo Branco”. Posteriormente, no numero 26, já afirmava que o jornal “é propriedade de um grupo de Operários de Castelo Branco”. Terminou a 21 de Fevereiro de 1915, com a publicação do número 74.
PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias.
A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal ”A Reconquista
O Albicastrense

segunda-feira, setembro 21, 2009

CASTELO BRANCO NA HISTÓRIA E NA ARTE - LIX

MONUMENTOS DE CASTELO BRANCO
CONVENTO DA GRAÇA (IV)
(Continuação)
No relatório da gerência da Mesa a que presidiu o segundo visconde de Oleiros, a quem a cidade ficou devendo a moralização e o zelo na administração da Misericórdia podem ler-se os seguintes períodos:
No que a Mesa empregou os mais assíduos cuidados e desvelos foi para elevar a propriedade a par da dos particulares. Já a este respeito alguma coisa se devia às Mesas passadas e esta fez quanto pode para lhe ir a pai, já que não lhe era dado avantajar-se. Existindo terrenos da Misericórdia compreendidos em tapadas de alguns particulares, com licença todavia das Mesas, resolveu-se reivindicar para o estabelecimento as vantagens dos particulares que concedem licenças idênticas ou cessar essas licenças. Assim se fez saber aos interessados, convidando-os a vir tratar com a Mesa sobre tal objectivo. Também se intimaram alguns indivíduos, que consta estarem intrusamente na posse de terrenos da Casa, a exibir os títulos por que os possuem.”
“ Com vergonha do estabelecimento, tem sido as suas propriedades até aqui conhecidas pela má aparência, filha do desleixo e negligência com que há anos são tratadas".
" A Mesa não podia, desde logo, cortar o mal pel raiz, mas tratou de o principiar a remediar, já limpando as arvores do mato e ressalvando muitas, já fazendo os cortes necessários no tempo de vido, cuidando principalmente das oliveiras, dispondo novas estacas no numero que lhe foi possível: -- numa palavra, elevar a propriedade do abatimento a que chegou.”
Pelos trechos do relatório que foram transcritos e que são bastante edificantes pode-se fazer uma ideia nítida do estado caótico a que chegou a administração da Misericórdia. O ilustre benemérito Visconde de Oleiros consegui, com a sua honrada e inteligente gerência, anular muitas fraudes e elevar para mais do dobro o rendimento das propriedades. A lei de 22 de Junho de 1866, tronando extensivas no sitioás Misericórdias as disposições da lei de 4 de Abril de 1861 referente à desamortizações dos bens das corporações religiosas veio por termo ao caos que existia na administração dos prédios pertencentes a essas instituições de beneficência. Em 1866 os louvados do concelho Francisco Mendes Nacho e Domingos dos Santos procederam à avaliação dos bens da Misericórdia para se efectuar a sua venda. Foram então avaliados em 22.959$360 réis os 110 prédios rústicos no sitio de S. Bartolomeu ; em 2.887$000 réis os 32 prédios rústicos na Líria; em 2.192$660 réis os 52 prédios no sitio de Nossa Senhora de Mércoles; em 22.986$000 réis os 37 prédios rústicos em Castelo Branco; em 14.812$860 réis os 308 foros e em 2.000$000 réis a cortiça dos montados.
A totalidade dos bens de raiz foi avaliada na quantia de 72. 849$980 tési, aproximadamente equivalente a 15.000 contos moeda actual. (a quando ascenderia hoje, 2009 esta importância?).
(Continua)

PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal "Beira Baixa" em 1951
Autor.
Manuel Tavares dos Santos.
O Albicastrense

sexta-feira, setembro 18, 2009

NOTÍCIAS DESCONCERTANTES - II


"O ENACREDITÁVEL ACONTECEU !"
Inesperadamente o nosso perfeito resolveu surpreender os albicastrenses!... Pela calada da noite, (para que a surpresa fosse mais que muita…) a escultura que José Manuel Castanheira ofereceu á nossa cidade e que tanta polémica tem provocado nos últimos dias, foi transportada do estaleiro camarário para o novo largo da nossa biblioteca, tal como a fotografia documenta!
A surpresa não podia ser maior! Grande parte das pessoas que por ali passavam, nem queriam acreditar em tal e de imediato gabavam a agilidade de movimentação do prefeito do nosso burgo.
Bigodes e Companhia informados de toda esta movimentação, deslocaram-se ao local e recolheram as primeiras impressões de quem por ali passava.
O Chico dos Favores, (homem das boas graças) dizia a quem por ali passava, que o nosso perfeito é o maior!
O Zé da Pedreira, albicastrense dos sete costados, não se ficava por menos e gritava para quem o quisesse ouvir, que melhor que o actual perfeito só nas pedreiras do outro mundo…
O João das Aguas, operário de águas pesadas, não achou graça a este trabalho e dizia que não contassem com o voto dele, pois ele gosta de ver as coisas serem tratadas às águas claras…
Manuel dos Passarinhos pasmo com este voo, apelava às pessoas que por ali passavam, para depositarem os seus votinhos no ninho do nosso perfeito.
O Carlos Jardineiro, antigo responsável pelos jardins da nossa cidade, dava pulos de contentamento e dizia que de jardins percebia ele, mas para perfeito só há um: o actual e mais nenhum!
O Luís da Devesa moço de poucas falas e um pouco atordoado parecia hipnotizado pela bola e retorcia as mãos nos bolsos, como se procura-se ali outras bolas.
O Pedrito, (moço reguila que por ali andava) afirmava á boca cheia, que a medida era uma boa medida… e que a partir de agora já tinha bola para dar uns pontapés.
Bigodes e Companhia.
Ps. Bigodes e Companhia estão neste momento a ser tratados a uma perfuração da membrana do tímpano, em virtude das muitas exclamações de contentamento proferidas pelos naturais do burgo.

quinta-feira, setembro 17, 2009

EXPOSIÇÃO - III



António Andrade Fernandes

3 – “Migrações” é o título do quadro deste mês.
Final de Agosto, final das férias… As nossas aldeias que se tinham enchido de vida com a chegada dos emigrantes, são de novo votadas a tantos silêncios. As casas por aqueles construídas, ficam agora de novo cheias de sonhos, esperanças e ilusões….. É necessário partir e de novo empreender a viagem ou não?
Será só mais uma “viagem do Nenhum regresso” ?
Este quadro tem impresso um poema (emprestado) pelo meu amigo Dr. António Salvado a quem eu humildemente desde já agradeço a sua generosidade. Pintura a óleo, acrílico e aguarela.
Materiais – Fios, tela e bonecos confeccionados com madeira e trapos. Realizado no ano 2000.
O Albicastrense

terça-feira, setembro 15, 2009

GIORGIO MARINI - II


POR. LUÍS PINTO GARCIA
Em Março deste ano publiquei aqui um poste que tinha por título, " Giorgio Marini ” onde na parte final apelava aos visitantes o seguinte.
Aos visitantes albicastrenses deste poste lançava aqui um desafio. Gostaria de colocar nesta página o nome do autor do texto, porém, tal só será possível com a colaboração de gente interessada em prestar homenagem a quem prestou tributo a uma pessoa, de quem só tinha ouvido falar.
As pistas para descobrir o autor do texto são as seguintes: O autor diz a determinada altura do texto, que falou com José Batista Figueira, (já velho) e que, em novo teria assistido Marini… acrescentando de seguida o seguinte: ”40 anos depois ainda ria das pilharias do italiano”. Podemos pois concluir que o autor do texto, terá falado com José Figueira cerca de 40 anos depois da morte de Marini (1905), ou seja por volta de 1944.
José Batista Figueira antigo enfermeiro no velho hospital albicastrense, já velho em 1940, deverá ter morrido alguns anos depois! Existirão descendentes seus na nossa cidade, a quem ele possa ter contado essas histórias?
Terão eles conhecimento das conversas com o misterioso autor do texto? Perguntas e interrogações sem resposta por agora, mas que espero poder vi a solucionar com a ajuda de alguns visitantes. Fico a aguardar ajuda dos visitantes… que a podem deixar na secção de comentários.
Após sete meses de buscas, consegui finalmente encontrar o autor do texto dedicado a Georgio Marini e três fotografias ligadas a este post.
Uma fotografia do pintor, uma do cavalete usado por ele, e por fim… uma belíssima fotografia de um quadro pintado por Marini, (pena é... que esteja a preto e branco). Na fotografia do cavalete, podem ver-se rostos de pessoas pintados pelo artista e por quem ele deveria ter grande apreço.
Estes dados foram encontrados por mim na edição número 36, dos “Estudos de Castelo Branco”, dedicada ao Bicentenário da cidade de Castelo Branco,(1971).

PS. Se desejar ler o texto de Luís Pinto Garcia relativa a Giorgio Marini, coloque na janela de busca do blogue o nome do pintor Italiano.
O Albicastrense

domingo, setembro 13, 2009

" O VOO DA CEGONHA"



O Bloco de esquerda arrasou nos últimos dias, a política cultural da nossa autarquia. Como não estive presente nesse encontro, por não saber a hora e o local em que o mesmo se ia realizar, vou hoje falar de um caso que ali foi mencionado e me deixou com os poucos cabelos que ainda tenho em pé.
Estando eu de acordo com grande parte das questões que ali foram mencionadas, não posso deixar de referir algo que ali foi falado e que em meu entender nos envergonham a todos. Estou a referir-me á escultura oferecida por José Manuel Castanheira á nossa cidade, (escultura que tive a oportunidade de ver pela primeira vez na expo 98).
A situação em que se encontra esta escultura designada por “Voo da Cegonha” é no mínimo vergonhosa, (tal como as fotos aqui apresentadas o demonstram) este caso mostra-nos o desnorte que reina na nossa autarquia, no que diz respeito á área cultural onde não existe nem rei nem roque.
Deixar esta obra ao mais completo dos abandonos, no estaleiro da câmara durante mais de dez anos, (A canção diz que dez anos é tempo senhor presidente) é sinónimo da incapacidade para decidir sobre o destino que lhe deve ser dado. Merecerá o artista albicastrense que uma escultura dada por si á sua cidade, esteja na situação em que está o “Voo da Cegonha”?
Se os responsáveis pela área da cultura da nossa autarquia, tivessem vergonha na cara, o mínimo que deveriam e poderiam fazer, era apresentar de imediato desculpas públicas ao albicastrense José Manuel Castanheira, isto para não dizer que o responsável mor deveria pedir de imediato a sua demissão deste cargo, (partindo do principio que este cargo existe na nossa autarquia?).

Ao albicastrense José Manuel Castanheira, as desculpas deste albicastrense.
PS. Se quiser conhecer melhor José Manuel Castanheira consulte: "Wikipédia, a enciclopédia livre"
O Albicastrense

sexta-feira, setembro 11, 2009

Tiras Humoristicas - 45

Bigodes e Companhia comentam algumas das afirmações feitas por dirigentes do Bloco de Esquerda, sobre a política cultural desenvolvida pela autarquia e junta de freguesia de Castelo Branco.
O Albicastrense

quarta-feira, setembro 09, 2009

ESTUDOS DE CASTELO BRANCO


A revista “Estudos de Castelo Branco” celebrará dentro de dois anos, meio século de existência.
Quarenta e oito anos em que a magia de nos dar a conhecer a nossa história, nunca se extinguiu… independentemente de por vezes termos tido a sensação que a chama que a alimentou ao longo desse tempo, tenha sofrido alguns ventos menos favoráveis em determinadas décadas da sua história.
Fundada em 1961 por José Lopes Dias, tem hoje como director António Forte Salvado que além de director, é também seu editor e proprietário.
Não sei exactamente quantos números desta revista saíram ao longo dos 48 anos da sua existência!.. pois a sua periodicidade sofreu ao longo desse tempo várias alterações. No entanto, as centenas e centenas de artigos publicados nas suas folhas, são um néctar precioso que nos alimenta a alma e fortalece o coração.
Em 2011 esta revista irá celebrar meio século de existência, essa data será a altura ideal para homenagearmos todos aqueles que ao longo dos tempos, ali dedicaram muito do seu tempo para dar a conhecer aos albicastrenses a história da terra beirã.
Ao seu actual director, (António Forte Salvado) este albicastrense só pode agradecer e pedir-lhe que na comemoração dos cinquenta anos da revista, se faça uma edição extra dedicada á história do nosso museu e que continue, (pelo menos) por mais cinquenta anos á frente desta excelente revista de cultura.
Á Câmara Municipal da nossa cidade, só posso “exigir” o maior apoio possível para esta grande revista de cultura da nossa cidade, e que em 2011 lhe seja atribuída a medalha da cidade, por serviços prestados em prol da comunidade. Propondo igualmente que se dê a uma rua nobre da nossa cidade, o nome: Rua “Estudos de Castelo Branco”.
O Albicastrense

segunda-feira, setembro 07, 2009

Castelo Branco no passado.


AMOR E A MORTE NOS (...) REGISTOS PAROQUIAIS ALBICASTRENSES
Por - Manuel da Silva Castelo Branco
“Amores proibidos no paço dos comendadores – (II)”
Entre finais de 1508 e começos de 1509, desenrolara-se também na antiga fortaleza albicastrense, mais precisamente no Paço dos Comendadores e Alcaides-mores, um outro acontecimento dramático, que vamos relatar por forma sucinta...
Era então alcaide-mor da vila D. João de Castelo Branco, 3° filho de D. Filipa de Ataíde e Nuno Vaz de Castelo Branco, vedor da azenda de D. Duarte e D. Afonso V, monteiro-mor e almirante do reino (12.4.1467), etc. Ora, não obstante a sua fama de galante poeta e esforçado cavaleiro, D. João foi muito infortunado no amor. Tinha casado com D. Leonor (filha de D. Isabel de Sousa e Afonso Vaz de Brito alcaide-mor de Souse e caçador-mor de D. Manuel I) e, havendo tomado posse de alcaidaria de Castelo Branco, (c. 1506), ali passou a residir com sua mulher e filha, nos paços da Alcáçova. Porém, D. Leonor apaixonou-se loucamente por Frei António Penalvo, seu capelão e beneficiado na igreja de Santa Maria do Castelo.
Este, instigado pela amante, acometeu certa noite à traição o descuidado alcaide-mor, deixando-o estropiado e quase morto... Sobre o caso existem escassas memórias e delas apresentamos talvez a mais curiosa.

Comentário.
D. Leonor de Sousa, mulher do alcaide-mor D. João de Castelo Branco, fazia-lhe adultério com um clérigo seu capelão e, para mais seguramente continuar no seu delito, ordenou que o dito clérigo o matasse. Para este fim o meteu em sua casa, que era no castelo da vila de Castelo Branco e, entrando D. João pela porta já de noite, lhe deu o dito clérigo com um alfange muitas feridas, deixando-o por morto; e, logo, para desmentirem o delito, se pôs a dita D. Leonor e o clérigo sobre o corpo de D. João a fazer grande pranto contra quem o matara. Acudiu o juiz de fora e fazendo buscar todas as pessoas, que estavam na casa, se achou ao clérigo o alfange ensanguentado pelo que, compreendendo o delito e a origem dele, o prendeu e a D. Leonor.
E dando conta a El-Rei, que estava em Évora, ele os mandou levar àquela cidade e logo mandou degolar a dita D. Leonor e o clérigo foi degradado para S. Tomé, onde seria morto por um parente de D. João, o qual não morreu das feridas mas ficou aleijado. Depois, correndo o tempo e desavindo-se com D. Manuel I, lhe pediu licença para passar a Castela e El-Rei lha deu e também para vender a alcaidaria-mor a D. Diogo de Meneses, cavaleiro da Ordem de Cristo; e D. João, pondo em efeito a sua determinação, se passou àquele reino onde morreu. Uma outra versão refere que D. Leonor de Sousa fora sentenciada «a morrer morte natural por justiça, sem lhe valer a grandeza do nascimento nem a valia dos seus muitos e ilustres parentes», tendo sido degolada na praça de Évora, onde D. Manuel esteve continuadamente desde Outubro de 1508 a Setembro de 1509. Quanto a D. João sofrera profundas cutiladas numa mão, face e vista, de tal modo que quando Duarte de Armas passou por Castelo Branco, em meados de 1509, ainda ele se achava incapacitado para o exercício das suas funções. No entanto, acaba por restabelecer-se e suponho que o epíteto de o «Braço de Ferro», pelo qual é designado algumas vezes, não teria resultado apenas do seu grande valor mas talvez por utilizar qualquer aparelho metálico destinado a corrigir esse membro afectado pela brutal agressão do amante da mulher.
Enfim, D. João retoma a sua actividade e, a 13.8.1513, parte de Lisboa na armada capitaneada por D. Jaime, duque de Bragança, que vai tomar Azamor no norte de África. De regresso ao reino (1514), D. Manuel concede-lhe a comenda dos Maninhos, em Castelo Branco, ficando também a usufruir a tença de 10000 réis por ano com o hábito de Cristo... O mesmo rei dá-lhe licença, em 5.6.1516, para trespassar uma tença de 30000 réis em sua única filha D. Maria de Castelo Branco, por virtude do casamento desta com Fernão Cabral, senhor de Azurara e alcaide-mor de Belmonte. Mas, pouco tempo depois, vende a alcaidaria-mor de Castelo Branco a D. Diogo de Meneses, cavaleiro da Ordem de Cristo e retira-se para Castela, onde teve brigas sobre uma dama com "El Grande Capitan», D. Gonçalo Fernandez de Cordoba".
No «Cancioneiro Geral» de Garcia de Resende (1516), vemos uma só poesia da sua autoria dirigida a D. Guiomar de Meneses e nela declara: “Se vos eu vira, senhora, antes de ter o mal meu”.

www.historiadamedicina.ubi.pt/
O Albicastrense

sábado, setembro 05, 2009

Tiras Humoristicas - 44

Bigodes e Companhia comentam a entrevista dada por Luís Paixão, ao jornal “Reconquista“.

O Albicastrense

sexta-feira, setembro 04, 2009

OPINIÃO - Carlos Vale

Ao Carlos Vale mais uma vez o meu bem-haja, por este bom artigo de opinião.
Sobre o Bairro do Valongo onde reside á mais de 20 anos, só posso acrescentar que o desleixo, o não quero saber, o deixa andar, e o quanto pior melhor e o lema das sucessivas vereações que têm governado a nossa cidade.
O Bairro do Valongo é sem qualquer dúvida!.. o filho bastardo da nossa cidade, pois só assim se pode compreender o abandono a que foi sujeito desde o seu início.

O Albicastrense

quinta-feira, setembro 03, 2009

ANIVERSÁRIO SEM COMEMORAÇÕES

JOSÉ ANTÓNIO MORÃO(1786-I864)
223 ANOS DEPOIS
A 3 de Setembro de 1786, nasceu em Castelo Branco, José António Morão, o qual se bacharelou em Matemática e Filosofia, pela Universidade de Coimbra, onde, mais tarde, veio a completar a licenciatura em Medicina no ano de 1812. Eduardo Salavisa, iniciou a sua actividade profissional em Almada, regressando a Castelo Branco no início de 1830, tendo desenvolvido uma acção decisiva na renovação e reestruturação do Hospital que estava sob administração da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco. Após a vitória do liberalismo, foi eleito deputado da Nação, pelo distrito de Castelo Branco em 1834 e vocal do primeiro Conselho Distrital em 1836.
Em 1848 desempenhou, interinamente, o cargo de Governador Civil do Distrito de Castelo Branco. Foi um dinâmico Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco, Procurador da Junta Geral do Distrito de Castelo Branco e médico do partido municipal da mesma cidade. Morreu a 1 de Agosto de 1864. Autor e tradutor de imensas peças de teatro e de outras obras literárias, foi uma pessoa deveras preocupada com o desenvolvimento cultural e social de toda a região da Beira Baixa. Neste contexto, fundou em 1836,a “Sociedade Civilizadora” e levou ao “Publico municipal” de Castelo Branco, uma proficiente leitura e consulta dos 3200 volumes da sua biblioteca, que deixou à disposição de todos, na sua residência, situada na rua do Pina, em
Castelo Branco.
PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias.
A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal ”A Reconquista
PS. José António Morão, foi um dos grandes albicastrenses do seu tempo e seguramente um dos mais brilhantes de sempre, porém, se olharmos á nossa volta verificamos que o seu nome apenas é recordado numa velha placa toponímica da nossa cidade.
Serão os albicastrenses ingratos para com os seus melhores filhos? Ou será que os sucessíveis responsáveis políticos da nossa cidade, estão mais interessados em ver os seus nomes afixados a torto e a direito por tudo o que é sítio, em prejuízo daqueles que efectivamente deveriam ser recordados pelas gerações futuras!
O Albicastrense

CASTELO BRANCO NO TEMPO

ALCAIDES – MORES DE CASTELO BRANCO
Por. Manuel da Silva Castelo Branco
Os alcaides, cuja designação de proveniência árabe significa “O capitão” foram simultaneamente criados com o Reino, e tinham vastos poderes, de carácter jurídico, militar e administrativo. Designavam-se alcaides-mores e protectores, quando superintendiam também à justiça civil.
As suas atribuições, porem foram-se reduzindo gradualmente, até acabarem por ficar somente com o encargo de governadores das fortalezas e castelos.
Além dos alcaides-mores havia os pequenos ou alcaides, que lhe serviam de auxiliares, os substituíam nas ausências e estavam, por vezes, na dependência do concelho municipal.
Em Castelo Branco temos noticia da sua existência, logo a partir da doação que Fernão Sanches fez á Ordem do Templo, de Vila Franca da Cardosa, “que he Castelbranco”, de “ametade en sua vida e outra ametade per sua morte”, pela carta dada em Santarém ao 4 Idus Martii de 1220, era de César (1182), e onde se lê:..
“Ego etiem debeo habere Alcaidaria de vestra medietate ipsius villae…” (in Comendas da O. Xº).

O primeiro foral, dado pelo Mestre dos Templários, D. Pedro de Avito, a 12/3/1213, no reinado de D. Afonso II, vem também assinado por Fr. Str. Plair, Domnus Str. Albo e Domnus Stefanus, respectivamente, Comendador, pretor e alcaide de Castelo Branco.
Alguns anos mais tarde uma carta de doação de 1226 feita aos Templários, da vila da Lardosa, lugares da Lousa. Escalos e outras fazendas em Castelo Novo. Silvares e seus termos, encontramos mais uma vez referência ao “Comendador, pretor, alcaides e, em particular, a Petrus de Veiga, alcaldus Castelliblanchi”. Sendo já Castelo Branco, uma apreciável e importante povoação em 1229, D. Simão Mendes, Mestre do Templo, mandou edificar no castelo um palácio destinado aos Comendadores da Ordem, o qual se transformaria ulteriormente na residência dos alcaides-mores.
Quando a Ordem dos Templários foi extinta em todo o mundo católico, em 1311, D. Diniz a fim de evitar que Roma tomasse conta das grandes riquezas. Institui A Ordem de Cristo, a que ficaram pertencendo todos aquele bens e, assim Castelo Branco passou a ser Comenda da Ordem de Cristo (1319).

terça-feira, setembro 01, 2009

CASTELO BRANCO NA HISTÓRIA E NA ARTE - LVIII

MONUMENTOS DE CASTELO BRANCO
CONVENTO DA GRAÇA (III)
(Continuação)
Nada resolveu o Ministério do Reino, pelo que em 17 de Maio de 1886, decidiu a Mesa convidar o Engenheiro de Obras Publicas João Macário dos Santos a elaborara um orçamento das obras de maior necessidade.
As obras de execução inadiável, que consistiam na construção e uma nova cozinha e de duas enfermarias, foram orçadas na quantia de 1500$000 reis. Em 25 de Outubro de 1866 foi posto em praça a execução das obras mas, como ela ficasse deserta, resolveu a Mesa, em 1 de Novembro, efectuar a construção por administração directa e, em 23 do mesmo mês, por proposta do Provedor, decidiu dar maior altura às janelas. O hospital, após a obras de adaptação, ficou com duas enfermarias para cada sexo.
As do sexo foram designadas pelos nomes de Bartolomeu da Costa e de Francisco António Peres. As do sexo feminino foram denominadas de Santa Isabel e de Prior Vasconcelos. Durante os séculos XVII a XIX foram muitos os legados e donativos recebidos pela Santa Casa de Misericórdia. A administração dos seus bens era, porem, quase sempre, desleixada e ruinosa, obstante a que os pobres do concelho usufruíssem os benefícios correspondentes a tão importante receitas. Pelo relatório elaborado pelo Dr. José António Morão em 1834, após um minucioso estudo feito por uma comissão nomeada pela Mesa, verifica-se que o hospital se encontrava num estado deplorável, absolutamente desprovido de condições higiénicas. A Comissão era composta de três membros: Joaquim José Mendes Fevereiro, Filipe Joaquim Enriques de Paiva e José António Morão. A Mesa de 1834 diligenciou por em pratica as medidas preconizadas pela comissão para melhorar as condições sanitárias do hospital e realizar economias na sua administração. Foi todavia, somente depois do ano de 1877 que o hospital deixou de ser asqueroso. Este facto foi devido à notável e desinteressada acção do ilustre Provedor Henriques Caldeira Pedrosa, capitão aposentado que foi procurado á Junta Geral do Distrito e administrador do Concelho de Castelo Branco. Após o desaparecimento deste zeloso administrador da Misericórdia, voltou esta à tradicional incúria que dava azo a inúmeros abusos no aforamento das propriedades, a depredações nos rendimentos, a desfalques nos géneros alimentares, etc.... A comissão Administrativa era composta de Francisco Rebelo de Albuquerque e Castro (2º visconde de Oleiros), Fernando da Costa Cardoso Pacheco e Ornelas, Simão Trigueiros de Rego Martel, Joaquim António da Mata e Silva e Francisco Carvalho.
(Continua)
PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal "Beira Baixa" em 1951
Autor. Manuel Tavares dos Santos.
O Albicastrense