sexta-feira, dezembro 29, 2006

CASTELO BRANCO NO TEMPO


CASTELO BRANCO

E OS SEUS

ESPAÇOS CULTURAIS, ATRAVÉS DO TEMPO

A Cidade de Castelo Branco é desde sempre, (infelizmente), um rosário de amarguras e decepções, no desenrolar da existência dos nossos espaços culturais. Praticamente desde o final do século XIX, que a problemática dos espaços culturais na cidade de Castelo Branco tem tido um caminho tortuoso, com alguns oásis pelo meio, de politicas e intenções privadas.
Quem não se lembra dos muitos projectos, (ao longo dos tempos), vindos a publico, para a construção de não-sei-quantos centros culturais, que nunca passaram do papel. Porém a história é feita de realidades e não de projectos, que nunca passaram disso mesmo. Em virtude dessas mesmas existências aqui ficam alguns dados
, dos espaços culturais que existiram na nossa cidade, entre os finais do século XIX e a inauguração do Cine-Teatro Avenida, no ano de 1954.

O Teatro União, segundo consta foi a primeira casa de espectáculos da cidade de Castelo Branco, Situava-se no largo de Santo António, e terá sido construído em 1853. Pouco se sabe desta casa de espectáculos, e da sua história.

Por finais do séc. XIX, deu-se a construção do Teatro da Sé, (onde ainda hoje funciona o conservatório). Foi um drama daqueles de faca e alguidar, uma série quase indeterminável de actos e cenas, podendo hoje dizer-se que, um edifício que foi inicialmente projectado para ser teatro nunca o foi efectivamente.

O Teatro de Castelo Branco, Construído no inicio do século XX, sucedeu ao famigerado teatro da Sé, e também construído no Largo de Santo António, (onde já anteriormente existira o Teatro União). È caso para dizer que o referido largo, é um verdadeiro cemitério de espaços culturais.

Nos anos 20, o Cine – Teatro Vaz Preto, que se situava na rua com o mesmo nome, e onde até à pouco tempo existia um armazém da firma Castanheira.

O Cine – Teatro Vaz Preto, nasce da remodelação do antigo Salão Olímpia.

Nos anos 50, construí-se o Cine – Teatro Avenida, de que muitos albicastrenses guardaram com certeza boas memórias.

Castelo Branco, teve igualmente algumas salas de cinema;
O
Salão A.P que de 1911 a 1913 funcionou na Rua do Relógio, o Animatógrapho Royal que funcionava na Devesa, o Salão Olímpia que será transformado mais tarde em Cine -Teatro Vaz Preto.

Muito mais haverá a dizer naturalmente destes espaços culturais, e das pessoas responsáveis pelas suas construções. Gostaria no entanto de aqui falar de um nome muito ligado a este sector.

Tomás Mendes da Silva Pinto, (empresário albicastrense do sector dos espectáculos), que segundo os apontamentos que tive oportunidade de ler, foi um grande impulsionador nesta área ao longo de mais de 50 anos.

O Albicastrense

sexta-feira, dezembro 22, 2006

A MINHA CIDADE

CASTELO BRANCO

NA

HISTÓRIA E NO TEMPO

Em época de paz e concórdia, aqui fica um post com algum humor.
A todos os visitantes deste blog um feliz natal, e que o ano de 2007 seja muito melhor que o de 2006.
São os votos sinceros do albicastrense.

A 27 de Outubro de 1808, deu entrada em Castelo Branco, um regimento de infantaria escocesa, o qual surpreendeu os albicastrenses, provocando grande escândalo, tanto nos homens como nas mulheres, ferindo a sua susceptibilidade, especialmente do sector feminino, que não gostou de ver os militares envergando saiotes, o que se tornou um grande e melindre ofensivo do pudor e bons hábitos das gentes albicastrenses, e um verdadeiro sacrilégio para os padres da época. Apesar de se apresentarem irrepreensivelmente fardados, esmeradamente limpos e muito asseados de serem deveras correctos, delicados e respeitadores, mesmo assim não agradaram ao povo albicastrense, nem conseguiram granjear as simpatias dos albicastrenses.
E se calhar nem sabiam que quando rigorosamente vestidos, não podiam usar cuecas nem ceroulas, por baixo do saiote. Este corpo Expedicionário, era composto por um coronel, um tenente-coronel 15 capitães, 36 oficiais subalternos e por 1050 praças. Ficaram instalados no Convento de Santo António, na Igreja da Rainha Santa e na Capela de São Pedro. Abandonaram Castelo Branco, no dia 29 de Outubro. Estes militares, que eram muito gentis e altamente disciplinados, deixaram a cidade sem terem provocado o mais leve desvario ou qualquer distúrbio.

PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias.
A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal ”A Reconquista”

O Albicastrense

terça-feira, dezembro 19, 2006

CAPELAS DA MINHA CIDADE

Capela da Nossa Sra. da Piedade

O autor desta página já por varias vezes aqui criticou, as entidades locais pelo estado de abandono de muitos dos nossos monumentos locais, e irá continuar a fazê-lo sempre que se justificar. Porém como não sou cego e muito menos sectário, hoje gostaria de dar os parabéns à autarquia albicastrenses pelo trabalho que está a ser feito na recuperação da velha Capela da Senhora da Piedade. O monumento em causa foi classificado de interesse municipal em 1982, sendo o ano de construção desconhecido, porém no século XVIII foi reconstruída, e hoje oferece ao visitante a possibilidade de admirar um conjunto de azulejos que forram as paredes da pequena nave, oferecidos em 1739, pela família do Dr. Francisco Rafeiro, azuis e de estilo joanino, representam a Adoração dos Reis Magos, a Última Ceia e os Mistérios da Virgem.

PS. A Capela da Senhora da Piedade, tem estado praticamente encerrada ao longo dos tempos, lançava aqui um apelo aos responsáveis, para que depois das obras ali feitas, se estabelecesse um horário de abertura e encerramento de portas, principalmente no verão, doutra maneira nunca compreenderei estas obras.

O Albicastrense

sexta-feira, dezembro 15, 2006


CENTRO DE ARTE CONTEMPORÂNEA
De
CASTELO BRANCO

?????

O jornal ”Gazeta do interior” publicou na sua edição de 6 de Dezembro, um trabalho sobre a (possível) construção do Centro de Arte Contemporânea de Castelo Branco. Aguardei alguns dias na expectativa de reacção dos intelectuais cá do burgo, para meu espanto o silêncio é total e a reacção a tal possibilidade foi nula. Perante tal atitude dos nossos ilustres, gostaria de lembrar aos responsáveis por tal projecto (autarquia albicastrense) e aos albicastrenses o seguinte:
Á alguns anos discutiu-se muito neste pais a construção do famoso Centro Cultural de Belém, independentemente de todas as manifestações feitas na época, entendeu o “Primeiro” que na altura comandava Pais, (o tal que nunca se enganava e que raramente tinha duvidas), que custasse o que custasse ele iria ser feito, e assim foi… O Preço do tal centro cultural foi enorme! Muito mais que o previsto…
Os proveitos de tal investimento são hoje questionados, sendo praticamente ponto assente, que a sua construção foi uma grande asneirada. Perante este triste exemplo de dinheiros públicos mal gasto. Que aprenderam os nossos autarcas com este triste exemplo? Nada!
Deixem-se de fantasias de rico meus senhores, e olhem bem para o que se passa á vossa volta na cidade. Saberão os nossos autarcas por ventura, quantas casas existem na zona histórica da cidade (Castelo) em degradação total?
Dezenas e dezenas delas! Existem ruas onde não mora, viva alma…
Ainda na zona do castelo, ali na Praça Camões, podemos ver o edifício da antiga biblioteca, (um dos mais belos da nossa cidade) o seu estado de degradação é de tal ordem, que envergonha os albicastrenses e deveria cobrir de descrédito os nossos responsáveis autarcas.
Eu sei que a culpa não é da actual vereação camarária, mas são eles os eleitos neste momento, e cabe-lhes a resolução destes graves problemas, e não continuar a adia-los.
Mas há mais meus amigos, o centro da cidade de que a nossa autarquia tanto se orgulha, ao ponte de ser considerada a menina dos olhos do presidente, é por enquanto apenas uma parte do que ali tem que ser feito, (e não resisto fazer aqui uma comparação). O novo centro da cidade faz-me lembrar aquela boazona, que ao passar-mos por ela, temos sempre de olhar para trás, mas depois se tivermos a sorte de a conhecer-mos melhor, verificamos muitas vezes, tratar-se apenas de uma boazona, porque o resto deixa muita a desejar.
A meu ver é precisamente o que se passa com o centro da cidade.

Está bonita! Está sim senhor… Mas se verificar-mos bem, entre o largo da Sé e a Câmara Municipal moram actualmente quatro famílias… (se pensa que leu mal, eu repito: quatro famílias) … A maior parte das casas existentes em toda aquela zona, estão uma autêntica desgraça, estando muitas delas abandonadas por falta de condições habitacionais.
As obras não deveriam ter em atenção as pessoas e as suas necessidades?
O centro não deveria ser o coração da cidade, e os habitantes da zona as outras partes do corpo? Ou será que o coração sobrevive sozinho?
É caso para colocar aos senhores responsáveis pela nossa autarquia a seguinte questão: Não deveriam os responsáveis dar prioridade à reabilitação urbanística de toda aquela zona? Assim como de outras zonas da cidade em condições semelhantes?
A cultura não se dá nem se vende em um qualquer “centro comercial”, por mais que ele esteja “travestido” de centro cultural meus senhores, e entre o mamarracho projectado (de muito mau gosto e completamente despropositado para aquele local) e a recuperação urbanística de algumas zonas da cidade, este albicastrense prefere mil vezes, a segunda hipótese.
Porém se for essa a decisão da Autarquia Albicastrenses, e tende em conta que o referido centro irá ter uma pista de gelo proponho desde já o seguinte; Que o referido edifício se chame centro de ski da cidade de Castelo Branco, e que se adapte desde já como hino do referido centro a canção se (cá nevasse fazia cá ski)

O Albicastrense

quarta-feira, dezembro 13, 2006

EXPOSIÇAO DE PINTURA

Na Casa do Arco do Bispo em Castelo Branco, está patente ao público uma exposição do Pintor Costa Camelo. Estive lá e embora não sendo esta a minha fase proferida deste grande pintor beirão, recomendo uma visita.
PS. Apenas um senão: que pena serem só quinze quadros…


Raul Costa Camelo
– nasceu em 22 de Abril de 1924, na Covilhã, originário de velha família albicastrense. Infância em Castelo Branco, em cujo Liceu fez o curso secundário. Frequência da Faculdade de Letras de Lisboa. Academia Real de Belas Artes de Antuérpia. V.ª Exposição de Belas Artes (Lisboa, 1949).
Vive e trabalha em Paris desde 1950. Nomeado com o Grau de Cavaleiro das Artes e das Letras pelo Governo Francês em 1987 e condecorado pelo Governo Português em 1984 como “Oficial da Ordem do Infante D. Henriques o Navegador".

Extractos duma entrevistam dada pelo pintor ao

JL/ jornal de letras, Artes e ideias,

em Setembro de 87

O meu objectivo, ao longo dos anos, primeiro em Lisboa, depois em Antuérpia e, finalmente em Paris, foi encontrar uma “escrita”, uma “caligrafia” pessoal que me permitisse não necessariamente “ imitar ” a natureza mas ”ser” Natureza.
Sempre admirei e invejei a soberana liberdade dos compositores musicais, dos quais ninguém esperou que descrevessem o “ Rapto das Sabinas” ou a “Chegada de Maria a Paris”… Embora o pudesse ter feito se lhes desse para isso… Ao contrario da Musica, a Pintura está cheia de impurezas, de ambiguidades. Dá-se o nome genérico de Pintura a coisas que não têm nada que ver umas com as outras.
Quanto ao meu objectivo, foi “apenas” a conquista de uma liberdade semelhante à que os músicos sempre tiveram.
Creio que já era esse o objectivo de um Kupka, antes da Primeira Guerra Mundial.
Não sei bem o que é a “Arte Moderna”, não sei bem o que é “abstracto” nem o que é ”figurativo”. Creio que toda a pintura é, de certo modo, gravuras e desenhos ”abstractos gestuais”; e Turner, segundo a Rainha Vitória, “tinha talvez muitos talento mas fazia coisas que ninguém entendia”, o que, claro, tinha algo de “shocking”…
Haverá uma maneira portuguesa de “estar na pintura”? Não sei…Talvez um certo sentido melancólico da medida, avesso às “outrances” e às afirmações categóricas. Não sei…À laia de conclusão, faço minha, sem escrúpulo, uma frase de Andrei Sakharov, admirável na sua humildade: “Gradualmente, fui deixando de compreender muitas coisas”…

O Albicastrense

terça-feira, dezembro 12, 2006

MITOS URBANOS - ?

LENDAS E FANTASIAS

Num dos comentários feitos a propósito das estátuas do Jardim do Paço, desafiou-me o “Castraleuca” para neste blog apresentar um tópico sobre os túneis que eventualmente poderiam ter existido entre o Jardim do Paço e outros pontos da cidade. Como gosto de desafios, resolvi aceitar o repto e aqui está a resposta.
Amigo Castraleuca, lamento dizer-lhe que tudo aquilo que ouviu em relação a este assunto não passa, como diria o meu bom amigo Batista, de “mitos urbanos” e quero desde já dizer-lhe o seguinte:
Se em relação às estátuas se podem colocar dúvidas quando á veracidade dos factos noticiados, em relação aos possíveis túneis, penso tratar-se de pura fantasia. Também eu em criança ouvi contar essa história dos túneis, que vinham do Castelo para o Jardim do Paço, cuja entrada ou saída se encontrava por baixo de um dos tanques do referido jardim, e um segundo que partiria do Castelo e iria terminar perto da escola Afonso de Paiva.
Gostaria de aqui contar uma pequena história sobre os hipotéticos túneis: Na década de sessenta, (tinha eu dezasseis ou dezassete anos), contava-se na cidade que teriam morrido, (á alguns anos, não se sabendo quantos), no túnel, que dava do Castelo ao Jardim do Paço três estudantes, os três teriam feito uma promessa que se passassem de ano iriam explorar o referido túnel. Segundo a mesma história, contava-se que teriam atado uma corda a cintura de cada um deles, e que a mesma se teria partido, dando origem a que ficassem perdidos no túnel durante muito tempo, sem ninguém saber onde eles estavam e a história continuava por ai adiante.
Um pouco influenciado por esses “boatos”, um dia agarrei numa lanterna e resolvi inspeccionar o túnel que diziam que vinha do castelo para o Jardim do Paço, a entrada situa-se conforme já disse anteriormente, por baixo do tanque de agua, (hoje encontra-se fechada a tijolo), avancei alguns metros dentro deste pequeno túnel e pude verificar que se tratava unicamente de um sistema de drenagem de aguas do próprio tangue.
Amigo castraleuca lá se foi a fantasia, agora mais a sério se realmente existissem esses túneis, com os esburacamentos que ultimamente se têm feito em Castelo Branco, os mesmos já teriam dado a “LUZ” se alguma vez tivessem existido é claro.

(PS.) Gostaria de aqui ressalvar o seguinte: Como não sou séptico bem gostaria de acreditar na existência desses túneis, o problema é que, a realidade é bem diferente da fantasia.

O Albicastrense

sexta-feira, dezembro 08, 2006

PRAÇA D. JOSÉ


(ANTIGA PRAÇA DO COMÉRCIO XVIII)
Terminadas as obras do POLIS na cidade de Castelo Branco, seria importante que a nossa autarquia se começasse a preocupar com a situação urbanística da cidade. Não basta dizer-se que a cidade têm hoje uma nova imagem, (na qual até posso estar de acordo), e depois consentir-se que a actual situação urbanística, totalmente degradante, continue a degradar-se ainda mais.
Um dos exemplos mais
demonstrativos deste marasmo urbanístico é o da Praça D. José, (antiga praça do comércio), ali mesmo ao lado da delegação do banco de Portugal, e que em tempos idos, terá sido uma das praças mais movimentadas da nossa cidade. Na referida praça moram hoje “ZERO” pessoas, melhor dizendo, nicles, nada, ninguém!
Para que não restem duvid
as daquilo que aqui afirmo, aqui ficam alguns dados da referida praça: o prédio onde se situa a “Ourivesaria Rosa de Ouro” está uma desgraça, o Casarão ao lado da Banco de Portugal, (hoje sede do P.S.D.), outra desgraça, a antiga casa das noivas, em frente ao banco de Portugal, está abandonada, (consta-se que foi comprada pelo POLIS, não se sabe bem para quê), o prédio que alberga a pensão Estrela da Beira e a loja Leão das Loiças, mais parece uma albergaria do século XVIII, caída em desgraça. E por fim resta a loja dos chineses, de que nem vale a pena falar.
A questão não pode deixar de ser aqui colocada: Do que valeu aos albicastrenses, a Câmara Municipal de Castelo Branco e o POLIS terem gasto milhões e milhões de Euros, em toda aquela área da cidade, quando praticamente todos os prédios existentes nas referidas zonas estão a cair de podre.
A degradação e abandono do parque habitacional, (sobretudo no centro da cidade de Castelo Branco), é o espelho do desleixo e da incúria de politicas governamentais e municipais ao longo de varias décadas. A recuperação desse parque habitacional é uma prioridade que deve ser dirigida para a reconstrução e recuperação, mantendo sempre lá os seus moradores.
Albicastrense

quarta-feira, dezembro 06, 2006

ALBICASTRENSES ILUSTRES - XXI

ANTÓNIO FORTE SALVADO
Poeta, ensaísta, antologiador e tradutor natural de Castelo Branco, onde nasceu a 20 de Fevereiro de 1936. É Licenciado em Letras: Filologia Românica pela Universidade Clássica de Lisboa, esteve profissionalmente ligado ao ensino e à museologia, docente do Ensino Técnico-Profissional, do Ensino Superior Politécnico, da Escola Secundária Nuno Álvares (Liceu) de Castelo Branco, cidade onde foi Director-Conservador do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior e Vogal do Conselho de Arte e Arqueologia da Câmara Municipal de Castelo Branco. É membro da Cátedra de Poética Fray Luís de León, da Universidade Pontifícia de Salamanca. É autor duma escrita (profícua) de poesia e antologia de várias obras. Dirige a revista "Estudos de Castelo Branco" (III série; já tinha dirigido a II), sendo o editor dos Cadernos de Cultura "Medicina na Beira Interior da Pré-história ao século XX". Tem colaboração dispersa em vários jornais e revistas, portuguesas ("Palavra em Mutação") e estrangeiras ("Encontro", do Brasil).  

Contrariamente ao habitual desta vez não me vou ficar pela apresentação biográfica da personalidade escolhida, pois se o fizesse estaria a cometer uma grande injustiça. 
Tive o privilégio de conhecer o Dr. Salvado em 1976, aquando de uma entrevista para o lugar de servente no quadro do Museu Tavares Proença. O curioso é que trinta anos após a referida entrevista, ainda hoje me recordo perfeitamente da mesma, no entanto se me for perguntado o que fiz há alguns dias, ficarei aflito para responder. 
Porque será? Trabalhei com o Dr. Salvado no Museu entre 1976 e 1989, (tempo suficiente para conhecer bem este Homem), no entanto a questão que se me coloca neste momento é a seguinte: Que poderei eu dizer sobre este homem, que ainda não tenha sido dito? Seria trágico e até de muito mau gosto da minha parte, escrever aqui um conjunto de banalidades, (como é costume aliás fazer-se), sempre que se pretende homenagear ou dizer bem de alguém. Direi apenas que Castelo Branco e as suas gentes nunca conseguirão pagar e este homem bom, tudo aquilo que ele nos doou, (e irá continuar a doar), ao longo de uma vida. Ao Dr. António Forte Salvado um grande abraço.

Poema de Natal (IV - Noite Branca)
Melodia macia perfumada
a desta noite: bafo de surpresas,
odor dos troncos a resplandecerem
cabor do Encoberto regressado.
Os astros correm pela Terra acesa
ciciando palavras entre orvalho -
a directriz que denuncia os passos
por onde caminharmos sem receio.
Mistério d'encantamento nascimento,
ela nos cobre com seu manto estranho
bordado a graça a lar a comunhão;
e nunca a voz do fogo foi mais viva;
a labareda cresce ao infinito
gestos d'amor surdindo em nossas mãos.

António Salvado
O Albicastrense

sábado, dezembro 02, 2006

JARDIM DO PAÇO


E AS SUAS ESTÁTUAS DE BRONZE (!!!)
A 20 de Novembro de 1807, Junot invadiu Portugal, entrando pelo Rosmaninhal, à frente de um poderoso exército, constituído por 30 mil homens, fortemente armados. Foi a I Invasão Francesa. Neste mesmo dia chegaram a Castelo Branco, sem terem encontrado qualquer resistência, para alem da difícil subida da Monheca. No sentido de amenizar a fúria invasora e confiando nas promessas feitas em recente comunicado, tudo foi feito para que nada viesse a faltar aos invasores.
Apesar de tod
os os cuidados para não hostilizar os invasores, a verdade é que a soldadesca praticou toda a espécie de vandalismos, saqueando os templos, profanando os lugares sagrados, pilhando igrejas, roubando capelas que despojaram de todo o seu recheio, furtando pratas, jóias, ouro e até estátuas de cobre e tudo quanto representasse alguma valor. Desataram a esbulhar mosteiros e casas particulares, a devastar conventos, a rapinar do Jardim do Paço todas as estátuas de bronze que lá havia, furtando cobres e alfaias religiosas, violando mulheres, agredindo homens e insultando idosos e todas quantos tivessem a coragem de se insurgir
contra este infame procedimento, à boa maneira de um exercito invasor.
PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias. A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal ”A Reconquista”


Ao ler esta recolha de dados não pude deixar de pensar naquilo que sempre ouvi dizer ”desde criança”, mas que nunca vi confirmado em qualquer publicação sobre este assunto.
Que algumas das antigas estátuas do jardim do paço eram de bronze, e que durante as invasões Francesas teriam sido roubadas por eles. A questão que aqui gostaria de colocar aos entendidos nesta matéria é a seguinte;
Terá sido mesmo assim? Se de facto aconteceu qual a razão de não se saber exactamente o que terá acontecido? Não seria importante para a história da cidade de Castelo Branco e do Jardim do Paço, ter mais dados sobre o acontecimento?
Aos historiadores locais lanço um desafio: Para quando um estudo sobre este acontecimento histórico?
O Albicastrense

terça-feira, novembro 28, 2006

PEDIDO DE AJUDA

RESTAURO
DE
COLCHAS E PAINÉIS DE CASTELO BRANCO


Pediu-me uma pessoa amiga que está desempregada, se podia colocar neste blog, um pequeno anúncio relativo ao restauro de têxteis, nomeadamente colchas de Castelo Branco, painéis e paramentos.
Sempre aqui afirmei que o meu lema é sempre por Castelo Branco.
Sendo o bordado de Castelo Branco o único tesouro local, e que o mesmo se debate com falta de pessoas devidamente qualificadas na área do restauro, não podia ficar insensível ao pedido de uma pessoa que tem precisamente essas qualificações.
A resposta só poderia ser a publicação deste pequeno anúncio.

A situação aqui descrita, não pode no entanto deixar de ter a seguinte pergunta:
Que país andamos “nós”, os portugueses, a construir?
Então damos formação aos nossos jovens, gastamos rios de dinheiro na sua formação profissional e depois mandamo-los para os “centros de desemprego”, (a quem só um louco poderia chamar centros de emprego), e onde nunca se arranja trabalho a ninguém e se ganham teias de aranha á espera não se sabe bem do quê.
É caso para dizer, que raio fizeram os nossos governantes, por este país, ao longo dos últimos vinte anos?


RESTAURO DE TEXTEIS
Pessoa devidamente qualificada,
executa trabalhos de conservação
de têxteis.
Nomeadamente colchas de
Castelo Branco, painéis e paramentos.

Contactar 966335138

O Albicastrense

segunda-feira, novembro 27, 2006

EXPOSIÇÃO




Até 22 de Janeiro de 2007.
Se ainda não visitou, a exposiçao retrospectiva do pintor Barata Moura, no Museu Tavares Proença, não perca!! Dê corda aos sapatos e vá até lá.
Aqui fica o belíssimo texto, da autoria do Dr. António Forte Salvado, sobre o pintor Barata Moura.A não perder esta exposição!!
EXPOSIÇÃO RETROSPECTIVA
DO
PINTOR BARATA MOURA
Nascido em Castelo Novo em 1910, migrante para Lisboa aos 17 anos onde estudou e se fez homem (primeiro na Escola de Artes Aplicadas, depois na Escola António Arroio) o pintor Barata Moura levou no seu coração a límpida luminosidade dos céus da Gardunha, o cheiro acre e adocicado das plantas que pontuam os cantos da Beira, as casas e os caminhos marcados pelos passos da gente humilde e, ainda, os castelos e os pelourinhos das vilas da raia.
A rota dos anos e os ares da cidade não desvaneceram os laços de profundo afecto que ligavam o Artista aos víveres modestos das gentes da região onda nascera.
E, por uma subtil mas consistente alquimia, foi esta realidade vivencial da sua infância e da sua adolescência que Barata Moura soube transpor para a sua pintura. Daí que “ pintor da Beira” lhe tenham chamado, acrescentando-se à expressão uma outra não menos convincente: “pintor do povo”.
A este homem-artista, de ilimitada generosidade, de alma aberta, fraterna e solidária, muito deve o Museu de Francisco Tavares Proença Júnior. O conjunto de quadros que pintou e que tem o rio Tejo, da nascente à Foz, como elo temático e, também a colecção de telas da sua autoria representando os Castelos e os Pelourinhos da Beira constituíram, um e outra tornados exposições itinerantes, poderoso meio de divulgação de valores patrimoniais da nossa região, formalizando, em época e em tempo em que a palavra de ordem consistia em aproximar o povo da cultura, significativo instrumento didáctico.
Como pintor (e pensamos no multifacetado repertório da sua actividade), o seu apego às raízes e a sua criação próxima das fontes implicaram absoluta identificação com conteúdos e formas que, no universo da realidade visual que era o seu, se revelaram de total e permanente constância no decurso de uma longa vida de artista. Pintor de proximidade e consciência de que a sua arte era uma arte de fixação (o olhar do pintor incidia sempre, e sem provocações imediatas, na captação de imagens da natureza dotadas de significação em cenários físicos e humanos), Barata Moura objectivou sem distorções ou idealizações, toda uma ruralidade em mutação ace
lerada.
Por outro lado, releve-se que a filiação realista/naturalista que suporta o dilatado desenvolvimento da sua obra traduz hoje uma passada atitude mais conservadora ou um consciente desapego relativamente a outros caminhos estético-pictorios correntes no Portugal do século XX. Atitude aliás muito peculiar que tem a ver, ao fim e ao cabo, com a função social do acto de pintar.
A simplicidade (quantas vezes aparente) dos ciclos naturais da vida, conseguiu o Pintor testemunhá-la mediante a utilização de uma paleta forte e exuberante em contraste, quantas vezes, com os elementos humanos na mesma, tornada composição, representados.
Pintura que afinal se individualiza ainda pelo não raro teor de denúncia que a enforma e que podemos apreender em variadas telas.
Não se trata, pois e tão somente, de um pintor de” líricas” paisagens, copiador fiel de uma natureza estática, mas antes de um, artista que foi capaz de captar, interpretando-as, a tristeza e a solidão, pertinentes evidências num mundo rural, em gentes e espaço em acentuada desagregação.
O Albicastrense

sexta-feira, novembro 24, 2006

MANIAS DE UM ALBICASTRENSE

Caro Batista em resposta à tua provocação, quero desde já dizer-te que a “mano mania”? É a minha especialidade!!!
E como gostei da ideia aqui vão cinco das minhas.

1- Maluco por filmes de Cowboys  (neste momento mais de 250)
2- Sou por Castelo Branco e sempre por Castelo Branco.
3- Falar  demais  quando  por  vezes  devia  ficar  calado.
4- Politicamente  não consigo  aturar  a  malta  de direita.
5-  Estar   sempre   no  contra,   em  relação  aos  nossos governantes.
Quanto ao testemunho “Vitimas” aqui é que a porca troce o rabo, pois conheço poucos autores de Blogs, vou deixar esta parte sem vitimar ninguém.

PS. Aproveitando esta ideia maluca, gostaria de aqui colocar a minha maior mania actual. Trata-se, como já disse anteriormente, de filmes antigos de cowbois, onde pretendo chegar aos 500.
É hoje bastante difícil encontrar este género de filmes. Os lançamentos de Westerns dos anos 60 são raros, por isso lançava aqui um desafio e ao mesmo tempo um pedido a todos aqueles que possam ter filmes deste género em casa. O filme que tem em casa está a ocupar lugar e não lhe liga patavina, comprou-o por acidente, é um traste a mais na sua estante, já está dentro de uma caixa com destino ao sótão?
Está á espera do quê? Envio-me pois este mano-dependente agradece-lhe desde já.
Até pode enviar a cópia do filme, pois muitos dos filmes que tenho foram gravados quando foram exibidos na TV.
Aproveito igualmente a oportunidade para fazer o pedido a portugueses emigrantes nos estados unidos, que costumam visitar esta página. Uma vez que grande parte destes filmes foram feitos nesse pais, sendo John Ford e John Wayne dois dos seus principais mentores.
Ao meu amigo Joaquim Batista e a todos os que queiram perfilhar esta ideia, peço que no seu blog, ”Por terras do rei Wamba” uns dos mais visitados do nosso distrito, dê pernas a esta minha ideia.
Se quiser enviar-me algum filme peça a morada através desta página. Desde já o meu Bem-haja
O Albicastrense

quarta-feira, novembro 22, 2006

BAIRRO DO LEONARDO - II

BAIRRO LEONARDO

Para o Stalker.

Aqui ficam duas fotografias do interior do bairro Leonardo, porém não deixe de fazer a “expedição”, a simplicidade do bairro e os seus cem anos de história bem
merecem a sua visita.

O Albicastrense

HOMENS DA MINHA TERRA

ERNESTO PINTO LOBO

Decorreu há alguns dias no Cine-Teatro Avenida de Castelo Branco a apresentação do livro de Carlos Salvado, sobre os cinquenta anos de existência da Orquestra Típica Albicastrense.
Na apresentação do livro o seu autor recorda, Ernesto Pinto Lobo, dizendo a certa altura “este livro surge na sequência de uma ideia do antigo presidente, tendo inclusivo feito alguns tópicos e apontamentos do mesmo”.
Não conheço pessoalmente o autor do livro, porém numa altura em que o mais importante é sempre trepar por cima de tudo e todos, gostaria de aqui realçar este gesto de homenagem a um homem bom.
Ao ler esta notícia no jornal “A Reconquista” não pude deixar de pensar no Stôr. Lobo, pois era desta forma que eu costumava chamar-lhe, cada vez que o encontrava no café “Retiro do Relógio” ali na rua S. Sebastião. A pergunta dele era quase sempre a mesma: “Então oh Bispo, como é que vai o Museu?”. A resposta também não variava muito: “Bem stôr!
Gostaria de aqui contar um pequeno episódio sobre este homem; Quando em 1989 o então director do museu, do Dr. António Forte Salvado, foi de uma forma vergonhosa e cobarde, afastado do cargo de director do museu, resolveram alguns trabalhadores do museu, fazer uma reunião com algumas “personalidades” cá do burgo, na sede da Orquestra Típica Albicastrense, no sentido de obter apoio para evitar a sua saída do cargo, “Sabem quantas foram as personalidades que compareceram ao encontro?

Apenas duas ou três! E uma dessas pessoas era precisamente o Dr. Pinto Lobo, um dos poucos que teve a coragem de dar a cara.Numa Homenagem póstuma feita pela Câmara Municipal de Castelo Branco a Ernesto Pinto Lobo, foi-lhe a atribuída a medalha de ouro de Mérito Cultural. Joaquim Morão disse nessa altura. "Um homem preponderante pelo seu trabalho, cultura e dedicação. Esteve sempre empenhado na construção da cidade de Castelo Branco. Devemos, por isso, honrar o seu nome, recordando-o hoje e sempre". 

- Senhor presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, indo ao encontro das suas palavras, para quando o nome do Dr. Ernesto Pinto Lobo numa das ruas da nossa cidade?


Perpetuar o nome dos albicastrenses mais ilustres, nas ruas da nossa cidade, é um dever e ao mesmo tempo uma obrigação por parte da nossa autarquia, e já agora deixe que lhe diga senhor presidente, entre um qualquer nome Chinês, Moçambicano ou Brasileiro, os albicastrenses preferem sem qualquer dúvida os nomes dos seus concidadãos nas nossas ruas.
O Albicastrense

quarta-feira, novembro 15, 2006

MEMÓRIAS DA MINHA CIDADE


BAIRRO LEONARDO

No dia 21 de Outubro de 1940, faleceu em Castelo Branco, o conceituado industrial Leonardo José de Sousa de 68 anos de idade. De origem bastante modesta, singrou na vida, a pulso. Iniciou a sua actividade comercial, instalando uma taberna na cidade. Posteriormente, ligou-se á indústria corticeira. Em 1907, numa altura de grande a recessão económica e os operários albicastrenses atravessavam uma enorme crise laboral, Leonardo de Sousa tomou a iniciativa de construir a expensas suas, dezenas de casas de habitação, para depois arrendar a preços módicos, a trabalhadores que laborassem na sua fabrica. Foi deste modo que surgiu o tão conhecido e popular Bairro do Leonardo, nome este que se estendeu a toda aquela zona citadina, em tácita memória e expressiva homenagem, de todos os albicastrenses, a Leonardo de Sousa, o qual permanece na lembrança de todos os naturais de Castelo Branco. Há mesmo quem considere Leonardo de Sousa, como sendo o pioneiro do desenvolvimento e renovação urbanística, que cinco décadas mais tarde se veio a verificar em Castelo Branco.
De notar que em 1940, residiam em Castelo Branco, 12.763 habitantes.

PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias.
A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal ”A Reconquista”
O Albicastrense

segunda-feira, novembro 13, 2006

Museus fora da rede nacional

Museus regionais fora
Da
Rede Portuguesa de Museus

Isabel Pires de Lima, Ministra da Cultura afirmou durante o debate do Orçamento
de Estado para 2007, na Assembleia da Republica, ser intenção do governo remeter para as Câmaras Municipais a gestão dos museus nacionais que têm uma linha marcadamente regional.
Ouvido pela Agência Lusa Joaquim Morão o Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco (Socialista) disse desconhecer as afirmações de Isabel Pires de Lima.
Joaquim Morão, afirmou ainda defender a continuação do Museu Francisco Tavares Proença na rede Portuguesa de Museus, adiantando “só estamos disponíveis mediante condições que não sejam prejudiciais para a Câmara”
O Presidente da Câmara, assegurou ainda que a autarquia iria estar atenta a futuros desenvolvimentos sobre o assunto.
O Presidente da Câmara da Guarda (Socialista) pronunciou-se igualmente sobre o assunto tendo afirmado aceitar a gestão do Museu da cidade, desde que a medida seja acompanhada por “transferências financeiras” tendo acrescentado ainda que por “principio não achava mal, acho até muito bem”, afirmou o autarca há agência Lusa.
O engraçado neste problema, (se for possível dar alguma graça a este assunto), não é o governo querer entregar às referidas autarquias a gestão dos Museus em causa, (pois deste governo os Portugueses bem podem esperar sentados algo de bom), mas antes as reacções dos Presidentes das Câmaras sobre o assunto em causa.
Qual é a parte do bolo que nos vai calhar?

É caso para aqui lembrar uma velha canção: ”money, money, money”…
Meus senhores não seriam mais lógico perguntar-se desde logo, será que as referidas instituições, assim como as populações locais, ficam melhor servidas com a integração dos Museus nas suas autarquias?
Ou será que as medidas do governo (PS) a que pertencem são mais importantes que os interesses das populações que juraram defender?
O silêncio sobre o assunto é total, a discussão entre os responsáveis culturais do burgo é silenciosa, podendo até dizer-se que o silêncio é de ouro. Atrever-me-ia a dizer que depois das medidas tomadas e aplicadas pelo MC iremos com certeza protestar silenciosamente.
Como já aqui afirmei por diversas vezes, trabalhei no Museu Francisco Tavares Proença Júnior ao longo de 27 anos, e durante esse tempo assisti a muita “merda” vinda de Lisboa e dos seus mentores culturais. Durante esses mesmos anos existi igualmente ao trabalho cultural desenvolvido pelas várias vereações da nossa autarquia, podendo expressar que também aqui, a cultura é filha bastarda do orçamento.
Gostaria no entanto de aqui ressalvar algum trabalho feito pela actual vereação da Câmara Municipal de Castelo, que considero positiva.
Perante tal cenário qual a resposta dos albicastrenses quanto ao futuro do seu museu? Comente e dê a sua opinião!
O Albicastrense


quarta-feira, novembro 08, 2006

FOTOGRAFIAS DE CASTELO BRANCO

VENDO FOTOGRAFIAS

DE

CASTELO BRANCO

(RECENTES OU ANTIGAS)

Imagens de Castelo Branco, de 1900 a 2003 a cores ou preto e branco.
Para colocar em Cafés, Restaurantes ou casas particulares
Imprimidas em papel fotográfico ou tela

Seja bairrista e coloque no seu estabelecimento imagens antigas da nossa cidade.


quinta-feira, novembro 02, 2006

O NOSSO VELHO RELÓGIO

O RELÓGIO DA TORRE DE CASTELO BRANCO

O velho relógio instalado numa das torres que integravam o sistema de defesa da velha urbe, tem constituído um dos elementos mais marcantes da estrutura da vida da cidade de Castelo Branco ao longo dos tempos. O seu funcionamento e respectiva manutenção são da responsabilidade da Câmara Municipal de Castelo Branco há quase duzentos anos.
Porém desde há algum tempo o tempo parou por ali, e hoje o referido cujo, encontra-se ferido de “morte”, pois nada nos diz acerca do tempo.
As obras necessárias para a sua reparação começaram no entanto. Parece que o tempo de reforma do dito cujo, se aproxima, pois não se vislumbram melhoras na sua recuperação. São recaídas e mais recaídas! Serão sintomas de agonia de que os médicos “relojoeiros” não dão conta?
O diagnóstico parece reservado e sem fim a vista:
“Enterre-se o defunto!” - proclama-se em alta voz.
Agora mais a sério, que raio se passa com o velho relógio?
Será desleixo, falta de cuidadosa assistência ou não há relojoeiro que consiga pô-lo a trabalhar convenientemente?
Será necessário a vinda de algum relojoeiro Suíço, para o seu restauro, meus senhores?

O Albicastrense

domingo, outubro 29, 2006

CINEMA NO PARQUE DA CIDADE

“Um bilhete de Cinema”

O revistar de algumas velharias que todos nós temos em casa, proporciona-nos por vezes gratas recordações, assim aconteceu comigo há alguns dias, quando dentro de um livro encontrei este velho bilhete de cinema do antigo parque da cidade.
O cinema ao ar livre, no então dominado ”Parque Desportivo”, hoje mais conhecido por Parque dos Loureiros foi inaugurado em 1921, e ali permaneceu durante mais de 50 anos.
Mais de cinquenta anos de fitas cinematográficas que terão ficado na memória de muitos albicastrenses. Quem não se lembra dos filmes de John Wayne, Gary Cooper, James Stewart, Clark Gable, Henry Fonda, Alain Delon, Jean – Paul Belmondo, Lino Ventura e tantos e tantos outros, ou das actrizes Brigitte Bardot,
Jeanne Moreau, Sofia Lorem, Claudia Cardinale ou ainda dos realizadores Francois Truffaut, Roger Vadim ou Claude Lelouche, John Ford, John Huston, Sérgio Leone e por fim o grande Alfred Hitchcock.
O cinema de ontem é muito diferente do de hoje, para melhor dirão alguns, para pior dirão outros. Como cinéfilo que sou, direi apenas que está diferente, e acrescentarei que saudades tenho eu de alguns
(bons velhos) filmes!!!
Na década de sessenta, (tinha eu na altura 15 ou 16 anos de idade), quando no cimo de uma árvore, bem lá no cimo, que se encontrava mesmo ao lado da casinha onde se vendiam os bilhetes para o cinema, no antigo parque da cidade, (neste momento não sei se esta arvore, ainda lá está, ou se a febre do corte também a levou), vi um filme que ainda hoje guardo na memória e que gostaria de aqui repartir, com todos aqueles que eventualmente possam gostar de cinema.

O Mensageiro do Diabo “The Night of the Hunter”
De
Charles Laughton;
Com “
Robert Mitchum”.

O Mensageiro do Diabo conta a história de um indivíduo que é condenado à forca por roubo e homicídio e antes de entrar na prisão, deixa a seus filhos o dinheiro roubado, obrigando-os a jurar que não revelarão o segredo a ninguém. Na cadeia, conhece um pregador (Robert Mitchum), que tenta por todos os meios averiguar onde está o dinheiro. Quando o pregador sai da prisão, vai à procura das crianças, decidido a ficar com o dinheiro. O Mensageiro do Diabo é um extraordinário conto de fadas em que a verdade depende sempre da inocência e a astúcia das crianças, e onde os adultos são, na sua maioria, corruptos, bobos ou malvados. O mensageiro conta com excelentes actuações: de Robert Mitchum e Lilian Gish, e uma impressionante fotografia expressionista, e foi feito em 1955.
Infelizmente para todos, esta foi a primeira e última vez que o genial actor Charles Laughton se colocou atrás das câmaras, produzindo um filme inquietante que com o passar dos anos se tornaria uma verdadeira obra de culto.

Foi ainda em finais da década de sessenta que ali vi o filme, (que hoje tenho em DVD), que considero um dos meus melhores filmes de sempre. Estou a referir-me a: ”ACONTECEU NO OESTE”.

Deste filme disse Sérgio Leone, na época.

“ O ritmo do filme pretende criar a sensação dos últimos suspiros que uma pessoa dá antes de morrer. ACONTECEU NO OESTE, é do princípio ao fim, uma dança de morte, todas as personagens do filme, excepto Cláudia Cardinale, tem consciência do facto de que não vão chegar ao fim vivas”.

Para terminar apenas uma pergunta.
Sendo a indústria cinematográfica uma actividade bastante lucrativa, (e só assim se compreende as quantias astronómicas pagas a algumas “estrelas”), a realização de pequenos ciclos de cinema a preços convidativos, no parque da cidade em plena época de verão, não seria um bom negócio? E ao mesmo tempo uma boa aposta na promoção do cinema “fora-de-casa”? Responda quem souber ou quem quiser!
O Albicastrense

quarta-feira, outubro 25, 2006

ALBICASTRENSES ILUSTRES


JOAQUIM MARTINS BISPO
(1878 - 1956)
Gostaria de aqui fazer uma pequena homenagem a um familiar meu (tio avô) cuja fotografia descobri acidentalmente no livro “ISTOPÍA”, já aqui referenciado por mim.
Nos apontamentos de Gil Reis publicados no jornal ”Reconquista”. Descobri o texto referente a este meu familiar, que aqui se segue.

A 26 De Maio de 1956, faleceu em Castelo Branco o decano dos comerciantes, Joaquim Martins Bispo, que contava 78 anos de idade. Era proprietário do estabelecimento comercial “A Popular”, casa fundada em 1899. 
Entre as várias iniciativas deste grande bairrista, consta-se a construção da actual entrada do Paço e respectivo grandil (1936), assim como a edificação do Hotel de Turismo, de saudosa recordação.
Joaquim Martins Bispo foi vereador e presidente da edilidade concelhia, presidente da Associação Comercial de Castelo Branco, Administrador do Concelho e Comissário da Policia, em 1916. Foi ainda director do Clube Harmonia, director e componente da Orquestra de Castelo Branco e director do Teatro de Castelo Branco.
Como homenagem a este albicastrense (meu familiar), aqui fica a fotografia do saudoso Hotel de Turismo, que ele ajudou a erguer, e que uns “tontos” resolveram mandar abaixo em 1973, para ali construir o brilhante e luxuoso hotel, que hoje lá podemos ver.
O Albicastrense

sábado, outubro 21, 2006

PINTOR BARATA MOURA

PINTOR BARATA MOURA

RETROSPECTIVA

20 de Outubro de 2006 a 22 de Janeiro de 2007
No
Museu Francisco Tavares Proença Júnior

Castelo Branco
Nascido em Castelo Novo em 1910, migrante para Lisboa aos 17 anos onde estudou e se fez homem (primeiro na Escola de Artes Aplicadas, depois na Escola António Arroio) o pintor Barata Moura levou no seu coração a límpida luminosidade dos céus da Gardunha, o cheiro acre e adocicado das plantas que pontuam os cantos da Beira, as casas e os caminhos marcados pelos passos da gente humilde e, ainda, os castelos e os pelourinhos das vilas da raia.
A rota dos anos e os ares da cidade não desvaneceram os laços de profundo afecto que ligavam o Artista aos víveres modestos das gentes da região onda nascera.
E, por uma subtil mas consistente alquimia, foi esta realidade vivencial da sua infância e da sua adolescência que Barata Moura soube transpor para a sua pintura. Daí que “ pintor da Beira” lhe tenham chamado, acrescentando-se à expressão uma outra não menos convincente: “pintor do povo”.
A este homem-artista, de ilimitada generosidade, de alma aberta, fraterna e solidária, muito deve o Museu de Francisco Tavares Proença Júnior. O conjunto de quadros que pintou e que tem o rio Tejo, da nascente à Foz, como elo temático e, também a colecção de telas da sua autoria representando os Castelos e os Pelourinhos da Beira constituíram, um e outra tornados exposições itinerantes, poderoso meio de divulgação de valores patrimoniais da nossa região, formalizando, em época e em tempo em que a palavra de ordem consistia em aproximar o povo da cultura, significativo instrumento didáctico.
Como pintor (e pensamos no multifacetado repertório da sua actividade), o seu apego às raízes e a sua criação próxima das fontes implicaram absoluta identificação com conteúdos e formas que, no universo da realidade visual que era o seu, se revelaram de total e permanente constância no decurso de uma longa vida de artista. Pintor de proximidade e consciência de que a sua arte era uma arte de fixação (o olhar do pintor incidia sempre, e sem provocações imediatas, na captação de imagens da natureza dotadas de significação em cenários físicos e humanos), Barata Moura objectivou sem distorções ou idealizações, toda uma ruralidade em mutação acelerada.
Por outro lado, releve-se que a filiação realista/naturalista que suporta o dilatado desenvolvimento da sua obra traduz hoje uma passada atitude mais conservadora ou um consciente desapego relativamente a outros caminhos estético-pictorios correntes no Portugal do século XX. Atitude aliás muito peculiar que tem a ver, ao fim e ao cabo, com a função social do acto de pintar.
A simplicidade (quantas vezes aparente) dos ciclos naturais da vida, conseguiu o Pintor testemunhá-la mediante a utilização de uma paleta forte e exuberante em contraste, quantas vezes, com os elementos humanos na mesma, tornada composição, representados.
Pintura que afinal se individualiza ainda pelo não raro teor de denúncia que a enforma e que podemos apreender em variadas telas.
Não se trata, pois e tão somente, de um pintor de” líricas” paisagens, copiador fiel de uma natureza estática, mas antes de um, artista que foi capaz de captar, interpretando-as, a tristeza e a solidão, pertinentes evidências num mundo rural, em gentes e espaço em acentuada desagregação.
Castelo Branco, Outubro de 2006
António Forte Salvado

PS. A todos os responsáveis por esta bela Exposição Retrospectiva, apenas duas palavras, Bem-haja.

Ao mestre Barata Moura, um grande abraço do Albicastrense

DESCOBRINDO CASTELO BRANCO ANTIGO – (III)

                                     PARTI-LHE  AS SUAS RECORDAÇÕES SOBRE ESTE LOCAL A imagem deste poste mostra-nos um local não ...