sexta-feira, agosto 29, 2014

BAIRRO DO VALONGO


                    OS PASSEIOS 
                       DO
               MEU BAIRRO

As imagens aqui postadas valem mais que mil palavras, por isso, vou limitar-me a convidar o ilustre presidente da autarquia da terra albicastrense, para vir passear nos passeios do meu bairro.

Como para chegar à nascente é necessário remar contra a corrente, posso igualmente pedir a algum peixinho que navegue por este blog, (ou pelo meu Facebook local onde este “post” também vai navegar), para propagar a tragédia dos passeios do meu bairro, aos novos responsáveis da autarquia albicastrense.

Pode ser que assim os passeios (e não só), possam finalmente ter alguém que se preocupe com o desprezado bairro do Valongo.

Nos passeios do meu bairro,
ninguém passeia por eles,
são tristes, pavorosos e medonhos,
o desamparo tomou conta deles.

Os passeios do meu bairro,
parecem saídos de um western,
só falta ver John Wayne,
para parecer o faroeste.

Nos passeios do meu bairro,
o desamor mora neles,
os moradores não os namoram,
e a autarquia não quer saber deles.

Os passeios do meu bairro,
deitam lágrimas de tristeza,
por não terem quem lhes dê,
um pouquinho de beleza.

Nos passeios do meu bairro,
ninguém passeia por eles.
são tristes, pavorosos e medonhos,
o desamparo tomou conta deles.
A/Veríssimo-2014
  O Albicastrense

quinta-feira, agosto 28, 2014

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS – LXXXIX

A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).

O texto está escrito, tal como foi publicado.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.

(Continuação)
Sessão de 2 de Fevereiro. Queixas do tesoureiro dos enjeitados que já não tinha vintém para pagar às amas dos expostos, à rodeira e para vestuário e por isso que lhe acudissem. Fez-se por isso o que era costume: uma sisa de 600.000 réis por todo o concelho, cabendo 100.000 réis à cidade e 160,000 réis a Monforte. O resto foi assim repartido: 40.000 réis ao Salgueiro, 30.000 réis a Cafede, 38.000 réis a Alcains, 40.000 réis a Escalos de Cima, 72.000 réis à Lousa, 12.000 réis à Mata, 88.000 réis a Escalos de Baixo a 20.000 a Malpica.
Em 5 de Março os vereadores apareceram na Câmara, mas o nosso escrivão Aranha diz que não houve nada que despachar e não põe nada na carta.
A sessão seguinte quase um mês depois, no dia 4 de Abril. Nesta sessão apareceu Manuel Joaquim de Paiva a dizer que não podia continuar a desempenhar o cargo de alcaide “em razão de ter diversas ocupações em outras Terras” e por isso a Câmara resolveu substitui-lo por João Gomes Figueira “por contar que tem os requisitos necessários para o bem servir”.
O ordenado era coisa de apetecer: nada menos de 40.000 réis por ano, sendo 30.000 réis pagos “pelas terras do termo” e 10.000 réis pela cidade.
E não houve mais nada que despachar, diz a acta.
Um mês e dois dias depois, ou seja em 6 de Maio, realizou-se a sessão seguinte. O que se passou resume-se em pouco. Foram coutados os alqueives, que deveriam ser despejados dentro do prazo de três dias e ordenou-se que todos os moradores da cidade e termo matassem cinco pardais. Os que os não matassem pagariam cinco tostões de multa “ na forma do costume”.
Em 22 de Maio apareceu a carta régia que nomeava os vereadores que haviam de servir dai em diante. Os vereadores nomeados eram: Manuel Vaz preto Castilho, João de Mendanha Valadares e António Inácio Cardoso Frazão. Procurador era António de Almeida Freixedas.
Depois destes tomarem posse e prestarem juramente a acta diz ainda: “E logo pellos officiaes da Camara que acabarão foy dito que elles havião por reclamadas as nomeaçoens de Thrzoureiros e Recebedores antecedentemente feitas”.
Já os vereadores que tinham servido antes dos que agora saiam tinham feito a mesma coisa. Saiam, não queriam mais nada com os que andavam com as mãos nos dinheiros da Câmara.
(Continua)
PS. Aos leitores dos postes “Efemérides Municipais”, o que acabau de ler, é uma transcrição fiel do que foi publicado na época.
O Albicastrense

terça-feira, agosto 26, 2014

CURIOSIDADES DA TERRA ALBICASTRENSE


ENCICLOPÉDIA
Em 6 de Maio de 1796, os vereadores da terra albicastrense reunidos em sessão plenária, ordenaram o seguinte: 
Que todos os moradores da cidade e termo matassem cinco pardais. Os que os não matassem pagariam cinco tostões de multa”.
As causas de tal ordenação, eram os estragos que os “malvados” dos passarinhos, provocavam na agricultura da terra albicastrense.
PS. Não sei a quantidade de pardais abatidos nem quantos habitantes terão pago a multa de cinco tostões. 
Terá esta ordenação tido êxito, ou os malandros dos pardais piraram-se para outras bandas?
O Albicastrense

segunda-feira, agosto 25, 2014

CASTELO BRANCO - IMAGENS


"PÈROLAS"

DA 
TERRA
ALBICASTRENSE




                          O       
              Albicastrense

sábado, agosto 23, 2014

quinta-feira, agosto 21, 2014

DESCUBRA CASTELO BRANCO


UM MUSEU ESQUECIDO OU APENAS
UMA ESCOLHA JORNALÍSTICA ?

O jornal "Povo da Beira", apresenta esta semana como título principal da sua primeira página: “Descubra Castelo Branco”, trabalho que depois é apresentado nas duas páginas centrais com um sub-titulo: Castelo Branco, uma cidade a descobrir”, da autoria de Cristina Valente. Confesso que tal trabalho me provocou uma verdadeira azia cultural, não por se tratar de um mau trabalho (antes pelo contrário), mas, por constatar, que uma instituição centenária como o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, não faz parte das instituições prioritárias a descobrir, por parte de quem visita a terra albicastrense.
Perante tal “esquecimento”, não posso deixar de me interrogar sobre se estarei apenas perante uma escolha jornalística, (que podemos ou não concordar), ou se o nosso museu, já não se recomenda a quem visita a cidade de Castelo Branco.
Palavra que me custou imenso não ver na reportagem da Cristina Valente, o nome de uma instituição que servi durante quase trinta anos, anos, em que se ouvia da boca de quem visitava o museu da terra albicastrense, o seguinte: Vir a Castelo Branco e não visitar o museu, é como ir a Roma e não ver o Papa”, afirmação que deixava todos os que ali trabalhavam, com um sorriso no rosto.
Vou contar aqui um caso (entre muitos e muitos outros, que aqui podia contar), que servirá para demonstrar a importância do museu naqueles tempos. Na década de 80 veio Castelo Branco um grande artista (já nesse tempo) fazer um espetáculo no velho parque da cidade, no dia a seguir ao espectáculo ele estava à porta do museu para o visitar, o artista era nem mais nem menos que, Carlos do Carmo.
- O que terá acontecido para que nos dias de hoje, o museu já nem sequer seja incluído numa reportagem de locais prioritários a descobrir na terra albicastrense?
- Será que o Museu Cargaleiro e o Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco são novidades que é preciso promover, e que o museu Francisco Tavares Proença Júnior perdeu a importância, notoriedade e competência de outros tempos?
Muitas mais perguntas poderia eu continuar a fazer sobre este assunto, porém, prefiro que os albicastrenses que visitam este blog, me digam se existe ou não algum desamor entre a terra albicastrense e o seu museu, ou se estamos apenas perante uma mera escolha jornalística, de locais a visitar na nossa terra.
                                     O Albicastrense

segunda-feira, agosto 18, 2014

A HISTÓRIA DA TERRA ALBICASTRENS - III


História - (III)
(Continuação)
Estas resultaram na reforma de igrejas (Igreja de Santa Isabel, onde funcionou a Misericórdia), de palácios (Solares dos Caldeiras dos Cardosos) e de algumas habitações, em nada alterando a malha urbana preexistente e respeitando nalguns
Numa representação litográfica de Castelo Branco de meados do século XIX, algumas das construções mais significativas do século anterior como o Paço Episcopal, o Convento de Santo António dos Capuchos, o Solar dos Viscondes de Oleiros e o Solar dos Condes de Portalegre aparecem ainda isoladas.
Apesar dos quatro arrabaldes mencionados, a área construída era reduzida, continuando a existir muitas bolsas por urbanizar, algumas junto do antigo casco, mas mais persistentes à medida que nos afastamos do centro cívico, que permanecia na Praça Velha. O campo continuava a chegar-se e a entrar na cidade. De facto, no início do séc. XIX, o marasmo instala-se em termos de evolução urbana, para o qual muito contribuiu a acção nociva das tropas de Junot, que durante as invasões francesas se instalaram no burgo semeando fome e destruição. É também por esta época que entram em decadência a zona do castelo, a alcáçova e a generalidade do casco antigo.
Os particulares começaram a retirar pedras do paço para com elas levantarem os seus muros e erguerem habitações; chegou mesmo a vender-se pedra, madeira e telhas do castelo; e em 1815 a Câmara mandou destruir os arcos das portas da muralha, reaproveitando a silharia em obras públicas. Finalmente, à destruição humana vieram juntar-se estragos causados por uma enorme tempestade que assolou a região, provocando o desabamento da última torre da muralha.
Estes nefastos acontecimentos - com o consequente desaparecimento da delimitação física de uma zona da cidade e de uma fáceis medieval que havia teimado em manter-se - acabariam por favorecer o desenvolvimento e o crescimento urbano no fim do séc. XIX, entrando-se no ciclo da modernidade. Os arrabaldes começaram a ficar ligados por arruamentos, entre si e também à cidade antiga. Destes, os mais densamente urbanizados localizavam-se em redor do Cruzeiro de S. João (uma construção quinhentista), do Poço do Concelho, do Chafariz de S. Marcos e junto da Sé, onde a Câmara veio a instalar-se. Surgem, entretanto, novas vias de comunicação e algumas construções de utilidade pública que vão favorecer o desenvolvimento: a abertura da estrada entre Castelo Branco e Abrantes, o telégrafo entre as duas cidades, as malas de correio passam a chegar diariamente à urbe, a inauguração da iluminação pública em 1860, o funcionamento do caminho-de-ferro a partir de 1891.
Uma agência do Banco de Portugal, instalada em casa edificada para o efeito, começa a laborar em 1892. E as grandes famílias da cidade, correspondendo a uma burguesia fluorescente, constituída essencialmente por liberais que ascenderam ao poder, tomam conta de alguns chãos devolutos, ou de antigos edifícios em ruínas, e erguem os seus palácios, exemplares arquitectónicos cenográficos e imponentes: o Palácio Cunha ou Mota, da Praça Velha, o Palácio Tavares Proença e Abrunhosa, o Palácio Garret e o Palácio Abreu Lima, na Rua de S. Sebastião, artéria que contornava a parte mais baixa, já na zona do vale, do antigo perímetro da muralha.
Só no início do séc. XX a cidade começa a adquirir a sua fácies moderna. Uma vez mais, o centro cívico é deslocado, com a mudança dos Paços do concelho para o antigo Palácio dos Viscondes de Oleiros, situado num arrabalde designado Terreiro da Devesa e que passou a ser chamado Campo da Pátria. A este largo, autêntico rossio da cidade, vem desembocar a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, aberta nos anos 30, que põe em comunicação o centro da urbe com o apeadeiro dos caminhos-de-ferro (construído já fora dos limites da cidade, hoje completamente engolido pelos novos bairros).
Nesta avenida, a actual Nuno Álvares, no Campo da Pátria, está concentrado o maior número de edificações públicas de que a cidade carecia, erguidas nos anos 30 e 40: o quartel dos bombeiros, o antigo Liceu Nuno Álvares, o mercado municipal, a Caixa Geral de Depósitos, o Cine-Teatro Avenida (... em fase de reconstrução) e o Palácio da Justiça, além de inúmeras vivendas e casas de habitação.
Esta é a Castelo Branco do estado novo. Hoje, a cidade ocupa todo o vale, a nordeste, este, sul e sudoeste do antigo outeiro da Cardosa, com seus bairros residenciais, e uma zona industrial na periferia. Fica-nos a imagem de duas cidades, distintas na história e no viver, uma presa ao passado mais remoto, medieval, de origem incerta, outra moderna e aberta ao futuro.
In: Ana Cristina Leite: Guia das Cidades Históricas de Portugal - Expresso
O Albicastrense

sexta-feira, agosto 15, 2014

A HISTÓRIA DA TERRA ALBICASTRENS - II

História - (II)
Como qualquer outro povoado medieval, Castelo Branco começou por ter o seu castelo, a sua alcáçova, uma igreja e uma cinta de muralhas que protegiam o casario. Logo em 1230 há notícias da alcáçova templária e de uma muralha com quatro portas; e cerca de cem anos mais tarde, no tempo de D. Dinis, fala-se de um aumento do número de portas, que passaram a ser sete, o que teria implicado o alargamento do perímetro das muralhas. Com o crescimento da população, surgiriam ainda mais três portas.
Já nenhuma existe, só alguns espaços perpetuados na memória urbana e alguns topónimos. Apesar de serem escassos os testemunhos, ficaram-nos dois importantes desenhos de Duarte d'Armas, datando da primeira metade do século XVI, inclusos no seu Livro das Fortalezas.
Duarte d'Armas mostra-nos uma alcáçova com uma imponente torre de menagem e um paço (o Palácio dos Comendadores), que aqui se apresenta como uma reconstrução de traça quinhentista, com janelas maineladas e uma "loggia", do primitivo paço templário); e uma cinta de muralhas, com pano duplo junto aos terrenos da planície, defendida por cinco torres, digna de qualquer arquitectura militar de defesa fronteiriça.
No séc. XIII, a vida em Castelo Branco desenrolava-se dentro das muralhas, dominada por um castelo de uma ordem militar e à sombra de uma alcáçova.
As ruas estreitas formavam calçadas muito íngremes em direcção ao topo do outeiro, existindo entre elas algumas zonas agrícolas constituídas por hortas e olivais, como acontecia na maior das urbes intramuros. Entretanto, logo nos finais da Idade Média, com o aumento demográfico e o aparecimento de uma burguesia enriquecida, a vila vai crescer para fora dos muros, surgindo uma nova área urbana em redor da Igreja de S. Miguel (construída a nordeste da muralha) que dá origem à segunda freguesia de Castelo Branco (a primeira era a de Santa Maria, correspondendo à igreja do mesmo nome, que existia no recinto do castelo).
Acompanhado este desenvolvimento, o centro cívico, político e económico vai-se alterando e descendo a encosta: do adro da Igreja de Santa Maria, onde se juntavam os homens-bons, passa para a Rua Nova e de seguida desce, a partir dos finais do séc. XV, para a Praça Velha, ainda dentro das muralhas, mas perto do vale. Nesta Praça Velha, além da Domus Municipalis, do celeiro da Ordem de Cristo (recordemos que, com a extinção da Ordem do Templo, foi a de Cristo que herdou os seus bens) e do pelourinho, existiu uma área reservada para o mercado.
O tecido urbano medieval e quinhentista pouco se alterou, o que permite fazer uma leitura planimétrica muito aproximada da primitiva: as ruas continuam estreitas, dispostas do lado este da colina, perpendicular e paralelamente à antiga alcáçova; mais junto do vale acompanham as variações do terreno. O casario continua compacto, sendo a Praça Velha o único largo existente. As hortas e os quintais, cultivados pela população actual, continuam produtivos. No séc. XVI começaram a surgir construções nos arrabaldes da vila, correspondendo às novas exigências da vida e à necessidade de fixar uma população que não parava de crescer.
É disto exemplo o Chafariz de S. Marcos, obra quinhentista que ajudou a solucionar o problema do abastecimento de água a um pequeno núcleo populacional. E noutros núcleos (bolsas distribuídas de nordeste a sudoeste, acompanhado o plano da muralha medieval) foram aparecendo, com a racionalização do aproveitamento das nascentes e dos poços ou impulsionados pela construção de alguns edifícios religiosos (Convento de Santo António dos Capuchos, Igreja de Nossa Senhora da Piedade e Igreja do Espírito Santo). Também nos finais de quinhentos, o bispo da Guarda, D. Nuno de Noronha, escolhe Castelo Branco para edificar um paço episcopal, destinado a morada de Inverno dos prelados.
Este paço (totalmente remodelado e enriquecido com os seus jardins e quinta ajardinada, por volta de 1711, pela mão de D. João de Mendonça), que encostará a norte da muralha medieval, condicionou o crescimento da cidade, mantendo-se até ao nosso século como uma fronteira do perímetro urbano.
Pouco a pouco as casas foram engolindo as antigas muralhas e uma grande parte da povoação estendia-se pelo campo. Construíram-se ou reconstruíram-se novos conventos, igrejas palácios, dando uma consistência urbana aos arrabaldes, que passaram, em finais do séc. XVIII, a ser conhecidos pelos nomes de Fonte Nova, Oleiros, Cidade e S. Sebastião. Este surto de construções das quais se destacam o restauro da Igreja de S. Miguel (que em 1771, com a criação do bispado de Castelo Branco, passou a ser Sé Catedral) e a edificação do solar dos Viscondes de Portalegre e do Palácio dos Visconde de Oleiros penalizou a parte antiga que, apesar de tudo, acabou por ser salvo de intervenções pontuais, casos a própria altimetria.
(Continua)
In: Ana Cristina Leite: Guia das Cidades Históricas de Portugal - Expresso
O Albicastrense

quinta-feira, agosto 14, 2014

A NOSSA HISTÓRIA

BATALHA DE ALJUBARROTA
(14 de agosto de 1385)

629 ANOS DEPOIS
A batalha ocorrida no planalto de S. Jorge no dia 14 de Agosto de 1385 constituiu um dos acontecimentos mais decisivos da História de Portugal.
Sem ela, o pequeno reino português teria, muito provavelmente, sido para sempre absorvido pelo seu poderoso vizinho castelhano. Sem o seu contributo, o orgulho que temos numa história largamente centenária, configurando o estado português como uma das mais vetustas e homogéneas criações políticas do espaço europeu, não seria hoje possível.
A Batalha de Aljubarrota proporcionou definitivamente a consolidação da identidade nacional, que até então se encontrava apenas em formação, e permitiu às gerações futuras portuguesas a possibilidade de se afirmarem como nação livre e independente.
Recolha de dados; Fundação Batalha de Aljubarrota. 
O Albicastrense

quarta-feira, agosto 13, 2014

NÃO ESTOU PENSANDO EM NADA


Hoje quando deambulava pelo Facebook, dei comigo a reparar numa pequena janela onde aparecia o seguinte dizer: "O que estás a pensar?"
Não estou pensando em nada, respondi a mim próprio. Perante tal expressão, veio-me à memoria um poema de Álvaro de Campos (Fenando Pessoa), com esse mesmo nome. Poema, que aqui deixo à consideração dos visitantes deste blog.
NÃO ESTOU PENSANDO EM NADA
Não estou pensando em nada
E essa coisa central, que é coisa nenhuma,
É-me agradável como o ar da noite,
Fresco em contraste com o verão quente do dia,

Não estou pensando em nada, e que bom!

Pensar em nada
É ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
O fluxo e o refluxo da vida...
Não estou pensando em nada.
E como se me tivesse encostado mal.
Uma dor nas costas, ou num lado das costas,
Há um amargo de boca na minha alma:
É que, no fim de contas,
Não estou pensando em nada,
Mas realmente em nada,
Em nada...            

 Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa
PS. Será que o gato tambem não está pensando em nada, ou estará simlesmente olhando para dentro de si mesmo?
O Albicastrense

segunda-feira, agosto 11, 2014

A HISTÓRIA DA TERRA ALBICASTRENS

História - (I)
«São mais as conjunturas do que as certezas sobre a forma como nasceu Castelo Branco. Vestígios exumados provam que houve ali um povoado romano de algum relevo. (...) No entanto, durante os séculos dos bárbaros e o tempo dos mouros, toda a região caiu em mortório, terra de fronteira exposta às violências de todos. 
No tempo de D. Sancho I chamava-se Cardosa à terra coberta de ruínas e matagais onde depois se veio a construir Castelo Branco. Em 1214, o Rei de Portugal, D. Afonso II, doou à Ordem do Templo a parte que tinha aquelas terras. No ano seguinte, o Papa Inocêncio III confirma a régia doação, e diz que "os templários tinham fundado, na fronteira dos mouros, uma vila e fortaleza, no sítio da Cardosa, a que eles deram o nome de Castelo Branco".
Este último texto é uma das amargas obrigatórias de todos os historiadores da cidade: quem a fundou foram os templários, o nome antigo era Cardosa mas os Cavaleiros mudaram esse nome para Castelo Branco.
E porquê essa mudança? A explicação que se costuma dar é que existia também uma povoação romana de nome Castraleuca, que significava Castelo Branco em português. Os Templários teriam julgado que Castraleuca era ali e adoptaram o nome mais antigo. Mas como podemos pensar hoje o que os Templários julgaram? O mais simples é ficar por aqui: numa brecha com pedregais que eram sepulcros de terras mortas, os cavaleiros do Templo construíram no Séc. XII um castelo e uma vila.
O solo ali não é generoso. Planuras áridas, bosques e granitos frios e calmas nas épocas estivais. Espaços agrícolas abundantes, decerto, mas de pouco valem solos sem braços, e a autoridade pesada dos templários não era chamariz para a fixação dos homens livres que, por essa época, buscavam nas terras recém-conquistadas um espaço de sobrevivência e liberdade. Por isso, e em termos gerais, as terras entregues às ordens militares desenvolveram-se menos que as regiões entregues às comunidades dos vizinhos, depressa organizadas em concelhos.
Um bom exemplo da brutalidade templária é a chacina dos homens do concelho da Covilhã pelos templários de Castelo Branco. Os templários seriam severamente punidos pelo Rei, mas continuamos a ignorar que razões teriam eles contra os seus vizinhos da serra. A hipótese mais provável é a de que arrogassem eles, os templários, a autoridade exclusiva sobre toda a terra entre a Gardunha e o Tejo, e impedissem portanto os da Covilhã de passar com os seus rebanhos para as pastagens do Alentejo.
Nos séc. XIV e XV não são de grande monta os progressos de Castelo Branco. Mas no século XVI assistimos à fundação da Misericórdia, à construção dos conventos dos frades Agostinhos (1526), dos Capuchos (1562) e da grande Igreja de S. Miguel, que tem agora o papel de Sé. Para os fins da centúria, um bispo da Guarda, D. Nuno de Noronha, edifica um palácio rodeado de jardins, que é presentemente um dos mais belos monumentos da cidade e está a ser utilizado como sede de museu. Esse enorme volume de construção implicou uma base económica sólida, que poderá estar relacionada com a actividade comercial de uma comuna judaica. Por isso, em Castelo Branco como em vários lugares da Beira, o século seguinte é de marasmo e penúria. A expulsão dos judeus deixou um vácuo que demorou muito tempo a preencher. O facto decisivo para afirmar a primazia de Castelo Branco sobre a vasta região entre a Serra da Estrela e o curso do rio Tejo foi a criação da diocese de Castelo Branco, em 1771, pelo Marquês de Pombal. O trono episcopal trazia consigo a categoria de cidade, e foi essa dignidade que colocou a terra na posição importante de capital de distrito depois das reformas administrativas do liberalismo. A sede diocesana foi extinta em 1881, mas nessa altura já a cidade efectivara na função, que ainda hoje exerce, de capital da Beira Baixa.
In: José Hermano Saraiva/Expresso
O Albicastrense

sábado, agosto 09, 2014

quarta-feira, agosto 06, 2014

CRÓNICAS DO QUINTAL DOS MARRECOS - X


No quintal marrécal, está instalado o caos “massarocal” em virtude de ter rebentado um petardo de enormíssimas dimensões, numa das caixas fortes do quintal. Garante quem sabe, que a cratera aberta pelo petardo é de tal profundidade, que serão necessários mais de seis mil milhões de massarocas para tapar o buracão.
Fontes anónimas e nada credíveis, garantiram a este cronista, que o marreco responsável pela guarda das massarocas, descendente de ilustre família marrecal e pessoa acima de qualquer suspeita, terá dividido com a distinta família, carradas e carradas de massarocas para que elas não morressem à fome.
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Na tasca do Zé da Boa Pinga, a discussão do dia fazia-se à volta deste assunto. O Manel Santinho, argumentava para quem o quisesse ouvir, que o marreco Salgadinho é um grande marreco, pois não é todos os dias que se vê alguém distribuir tanta massaroca, pelos pobres marrecos familiares.
O Zé Língua Afiada sempre atento ao que se vai dizendo na tasca, propôs de imediato que perante tal atitude de solidariedade familiar do marreco Salgadinho, se fizesse uma recolha de fundos entre os marrecos que ainda não estão tesos, para depositar no Banco Mau, fundos que serviriam para erguer uma estátua do marreco Salgadinho no átrio do Banco Bom.
A Rosa dos Fretes, marreca sempre atenta aos plenários da tasca, de copo na mão argumentava para quem a quisesse ouvir: "Eu não vou contribuir para essa causa maluca e mal cheirosa, então o Chico-Espertalhão faz um buraco maior que algumas crateras que existem na lua, e vocêmeses querem erguer-lhe uma estátua?"
Acrescentando de imediato: "O meu amigo Picha-Rápido “esqueceu-se” de pagar uma caixinha de camisinhas no Lidl, foi preso, julgado e condenado a pagar 260 euros, este manhosos arrebentou com a caixa forte que governava e vai ficar no bem bom.
Aliás, eu proponho que os espertalhões que dirigiam os cofres fortes arrebentados, sejam enterrados no panteão dos safados, assim sempre podemos ir lá, salivar-lhes em cima" (será que a Rosa dos Fretes estava a propor enterra-los vivos, ou era depois de mortos?).
O Toni dos Biscates que não perde uma oportunidade para entornar mais um copo de três, propôs de imediato, que todas as propostas apresentadas fossem aprovadas e enviadas ao marreco presidente para ele as promulgar. Sugestão aprovada com aclamação e dois copos de três pela goela abaixo.
O Zé da Tasca, farto de ouvir tanta asneirada e sem paciência para tanta palermice, após os ditos cujos terem entornado os últimos copos, deu por encerrada a sessão plenária e colocou os respetivos malucos na rua.
O cronista Marrecal. 

segunda-feira, agosto 04, 2014

domingo, agosto 03, 2014

CASTELO BRANCO E O SEU ALFOZ - XVI

LUTA ENTRE OS TEMPLÁRIOS
E O
CONCELHO DA COVILHÃ - (IV)
(Continuação)
Assim o prometemos – foi o grito espontâneo de toda a multidão, saído bem do intimo da sua alma. Estava contente o Bispo de Viseu e foi sorridente que acrescentou: - em sinal de haverem terminado os mútuos danos e agravos dos dois concelhos, ordenamos: - que o alcaide da Covilhã dê o ósculo da paz ao Mestre da Ordem do Templo, e os alcaides da Covilhã beijem os alcaides de Castelo Branco – quao in continenti factum est – ou seja o que se fez imediatamente.
Aos homens do nosso século eivado de grosseiro cepticismo pode parecer infantil o cenário de que se lançou mão para obrigar ao cumprimento do acordo, mas no século XII os homens eram outros, gente de fé robusta, mas em consciência se sentiam obrigados pela promessa feita a Deus, do que pela multa imposta aos transgressores.
No documento vem ainda a cláusula - tanto os alcaides da Covilhã como os de Castelo Branco de novo constituídos em dignidade, acrescentariam ao juramento a que são obrigados, mais o compromisso de - manter e fazer guardar fielmente tudo quanto foi acordado entre os dois concelhos.
E cumpriam, como mostra a documentação do tempo. Em 2 de Maio de 1364 veio a Castelo Branco Salvador Esteves, juízo da Covilhã, e no adro de Santa Maria onde era costume fazer o concelho, ajuramentou os alcaides Gonçalo Martins e Fernão Rodrigues de bem e directamente guardarem o compromisso feito entre os dois concelhos.
O Juiz da Covilhã pediu instrumento que lhe foi dado por Marcos Jordão, tabelião em Castelo Branco. Em 1380 os alcaides da Castelo Branco Simão Domingos, Afonso Anes e Afonso Martins foram à Covilhã e exigiram o mesmo juramento às autoridades daquele concelho. Em 1385 vieram as autoridades da Covilhã a Castelo Branco e o juramento fez-se ainda no adro de Santa Maria. Em 1431 Álvaro Gomes, juiz da Covilhã veio a Castelo Branco ajuramentou os alcaides Álvaro Martins e João Rodrigues e o juramento já não se realizou no adro de Santa Maria, mas na rua Nova, onde então se fazia o concelho. O cumprimento do acordo interessava aos dois concelhos, mas sobretudo o concelho da Covilhã,pela garantia de livre transito para o porto do Tejo, com passagem por terras de Castelo Branco e da Açafa.
De 1230 até hoje não temos notícia de qualquer agravo que resfriasse o espírito ou solidariedade selada com o ósculo da paz entre os alcaides da Covilhã e Castelo Branco. No rodar dos anos a Covilhã criou para si um primado industrial que a fez um dos mais importantes centros fabris de Portugal.
Castelo Branco soube aglutinar os interesses de uma importante região agrícola, e vem afirmando capacidade de exercício de primado político.
As duas cidades movem-se em esferas de actividade diferenciada sem probabilidades de atritos reais. Uma e outra, à custa das suas possibilidades económicas estão delineando numa curva ascensional de progresso, que as coloca entre as terras progressivas de Portugal.
Nota.
O artigo que deu origem aos quatro "pousts" sobre a luta entre os Templários e o concelho da Covilhã, foi publicado na Monografia, “Castelo Branco e o seu Alfoz” da autoria de J. Ribeiro Cardoso. Foi publicado em 1953.
O Albicastrense

sábado, agosto 02, 2014

sexta-feira, agosto 01, 2014

CASTELO BRANCO E O SEU ALFOZ - (XV)

LUTA ENTRE OS TEMPLÁRIOS
E   O
CONCELHO DA COVILHÃ - (III)
(Continuação)
Aquela matança da serra do Cabrão dera brando na região, e todas as almas bem formadas, no mais intimo das suas consciências condenavam o desfecho da luta inglória e a desumanidade de se deixarem insepultos alguns mortos, e outros mal soterrados nos desvios da serrania, todos privados de sepultura em terra sagrada e sem o viático das orações da igreja.
Lentamente o Bispo de Viseu começou a dobrar o papel que lhe havia dado o Mestre Martinho, e parecia que a cerimónia havia tocado seu fim, quando o Prelado voltando-se para o alcaide da Covilhã o intimidou a entregar a sua bandeira ao mestre da Ordem do Templo, e este a hasta-la na torre mais alta da alcáçova.
Depois exclamou: Homens de Castelo Branco e Covilhã ouvi. No tempo do Rei Dom Sancho, que santa gloria haja, aquela bandeira era comum aos dois concelhos, pois, como todos sabem, o alfoz da Covilhã abrangia o alfoz inteiro de Castelo Branco.
Depois por necessidade do povoamento foram criados novos concelhos, e com eles novas bandeiras apareceram, não a simbolizar interesses divergentes, mas a existência de novas forças para a defesa da Pátria, que é de todos nós. E porque assim é, resolvemos e mandamos que daqui em diante, quando o conselho da Covilhã estiver em armas no exercito real, o concelho de Castelo Branco guarde e proteja a bandeira da Covilhã.
Se os conselhos de Castelo Branco e da Covilhã, no exercito ou em qualquer parte, tiverem rixas com outros homens, unam-se, defendem-se e amparem-se contra cristãos e sarracenos. Em tudo e por tudo se ressalva o direito de El-Rei e dos ferires do Templo de disporem das forças armadas dos dois conselhos.
Homens de Castelo Branco e Covilhã ouvi: Quando os Mouros dominavam esta nossa terra abençoada, os Cristãos viviam unidos na mesma fé, e todos se consideravam irmãos. Depois na reconquista inventaram-se dois pesos e duas medidas na distribuição da justiça, consoante eram vizinhos do conselho ou homens de fora parte.
Nós resolvemos que de hoje em diante e para sempre, tal distinção desapareça dos vossos forais, e assim, se algum homem da Covilhã tiver queixa de alguém de Castelo Branco, venha a esta vila e aqui lhe será feita justiça, como vizinho que fica sendo e para sempre, deste concelho.
Se algum homem de Castelo Branco tiver queixa de alguém da Covilhã vá àquela vila a aí lhe será feita justiça, como vizinho que fica sendo para sempre daquele conselho. Agora homens de Castelo Branco e da Covilhã, mãos ao alto, ordenou o Bispo, e perante Deus fazei o juramento solene de observar e manter para sempre este acordo.
(Continua)
O Albicastrense


DESCOBRINDO CASTELO BRANCO ANTIGO – (X)

Esta é uma imagem que não vai ser nada fácil de identificar. A imagem terá sido apanhada nos anos 40 do passado século, ( se estiver er...