quinta-feira, agosto 28, 2014

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS – LXXXIX

A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).

O texto está escrito, tal como foi publicado.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.

(Continuação)
Sessão de 2 de Fevereiro. Queixas do tesoureiro dos enjeitados que já não tinha vintém para pagar às amas dos expostos, à rodeira e para vestuário e por isso que lhe acudissem. Fez-se por isso o que era costume: uma sisa de 600.000 réis por todo o concelho, cabendo 100.000 réis à cidade e 160,000 réis a Monforte. O resto foi assim repartido: 40.000 réis ao Salgueiro, 30.000 réis a Cafede, 38.000 réis a Alcains, 40.000 réis a Escalos de Cima, 72.000 réis à Lousa, 12.000 réis à Mata, 88.000 réis a Escalos de Baixo a 20.000 a Malpica.
Em 5 de Março os vereadores apareceram na Câmara, mas o nosso escrivão Aranha diz que não houve nada que despachar e não põe nada na carta.
A sessão seguinte quase um mês depois, no dia 4 de Abril. Nesta sessão apareceu Manuel Joaquim de Paiva a dizer que não podia continuar a desempenhar o cargo de alcaide “em razão de ter diversas ocupações em outras Terras” e por isso a Câmara resolveu substitui-lo por João Gomes Figueira “por contar que tem os requisitos necessários para o bem servir”.
O ordenado era coisa de apetecer: nada menos de 40.000 réis por ano, sendo 30.000 réis pagos “pelas terras do termo” e 10.000 réis pela cidade.
E não houve mais nada que despachar, diz a acta.
Um mês e dois dias depois, ou seja em 6 de Maio, realizou-se a sessão seguinte. O que se passou resume-se em pouco. Foram coutados os alqueives, que deveriam ser despejados dentro do prazo de três dias e ordenou-se que todos os moradores da cidade e termo matassem cinco pardais. Os que os não matassem pagariam cinco tostões de multa “ na forma do costume”.
Em 22 de Maio apareceu a carta régia que nomeava os vereadores que haviam de servir dai em diante. Os vereadores nomeados eram: Manuel Vaz preto Castilho, João de Mendanha Valadares e António Inácio Cardoso Frazão. Procurador era António de Almeida Freixedas.
Depois destes tomarem posse e prestarem juramente a acta diz ainda: “E logo pellos officiaes da Camara que acabarão foy dito que elles havião por reclamadas as nomeaçoens de Thrzoureiros e Recebedores antecedentemente feitas”.
Já os vereadores que tinham servido antes dos que agora saiam tinham feito a mesma coisa. Saiam, não queriam mais nada com os que andavam com as mãos nos dinheiros da Câmara.
(Continua)
PS. Aos leitores dos postes “Efemérides Municipais”, o que acabau de ler, é uma transcrição fiel do que foi publicado na época.
O Albicastrense

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