sexta-feira, agosto 01, 2014

CASTELO BRANCO E O SEU ALFOZ - (XV)

LUTA ENTRE OS TEMPLÁRIOS
E   O
CONCELHO DA COVILHÃ - (III)
(Continuação)
Aquela matança da serra do Cabrão dera brando na região, e todas as almas bem formadas, no mais intimo das suas consciências condenavam o desfecho da luta inglória e a desumanidade de se deixarem insepultos alguns mortos, e outros mal soterrados nos desvios da serrania, todos privados de sepultura em terra sagrada e sem o viático das orações da igreja.
Lentamente o Bispo de Viseu começou a dobrar o papel que lhe havia dado o Mestre Martinho, e parecia que a cerimónia havia tocado seu fim, quando o Prelado voltando-se para o alcaide da Covilhã o intimidou a entregar a sua bandeira ao mestre da Ordem do Templo, e este a hasta-la na torre mais alta da alcáçova.
Depois exclamou: Homens de Castelo Branco e Covilhã ouvi. No tempo do Rei Dom Sancho, que santa gloria haja, aquela bandeira era comum aos dois concelhos, pois, como todos sabem, o alfoz da Covilhã abrangia o alfoz inteiro de Castelo Branco.
Depois por necessidade do povoamento foram criados novos concelhos, e com eles novas bandeiras apareceram, não a simbolizar interesses divergentes, mas a existência de novas forças para a defesa da Pátria, que é de todos nós. E porque assim é, resolvemos e mandamos que daqui em diante, quando o conselho da Covilhã estiver em armas no exercito real, o concelho de Castelo Branco guarde e proteja a bandeira da Covilhã.
Se os conselhos de Castelo Branco e da Covilhã, no exercito ou em qualquer parte, tiverem rixas com outros homens, unam-se, defendem-se e amparem-se contra cristãos e sarracenos. Em tudo e por tudo se ressalva o direito de El-Rei e dos ferires do Templo de disporem das forças armadas dos dois conselhos.
Homens de Castelo Branco e Covilhã ouvi: Quando os Mouros dominavam esta nossa terra abençoada, os Cristãos viviam unidos na mesma fé, e todos se consideravam irmãos. Depois na reconquista inventaram-se dois pesos e duas medidas na distribuição da justiça, consoante eram vizinhos do conselho ou homens de fora parte.
Nós resolvemos que de hoje em diante e para sempre, tal distinção desapareça dos vossos forais, e assim, se algum homem da Covilhã tiver queixa de alguém de Castelo Branco, venha a esta vila e aqui lhe será feita justiça, como vizinho que fica sendo e para sempre, deste concelho.
Se algum homem de Castelo Branco tiver queixa de alguém da Covilhã vá àquela vila a aí lhe será feita justiça, como vizinho que fica sendo para sempre daquele conselho. Agora homens de Castelo Branco e da Covilhã, mãos ao alto, ordenou o Bispo, e perante Deus fazei o juramento solene de observar e manter para sempre este acordo.
(Continua)
O Albicastrense


3 comentários:

  1. Anónimo01:25

    Caro conterraneo, este episódio tantas vezes esquecido, não deixa de ser verdade, as lutas dos templários e os pastores da covilhã foi algo que ficou na história, e ainda por vezes é visto como uma desculpa para a rivalidade entre estas duas grandes cidades da minha beira baixa.

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  2. Anónimo18:14

    Alguém sabe onde foi construido a igreja onde "guardaram" os restos mortais dos pastores? Ou seja onde foi a chacina.

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  3. Caro anónimo,
    Já depois de ter escrito estes “pousts”, vi no canal memória da RTP um programa de José Hermano Saraiva sobre Niza. Neste episódio de horizontes da memória, é dito pelo seu autor que ali bem perto foram encontrados alguns anos uma vala com restos de ossadas e, que essas ossada podem ser as dos pastores chacinados. Será!
    Abraço

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