quarta-feira, janeiro 28, 2009

UM VELHO POTE - IV


Cinquenta e cinco dias depois… O velho pote continua no jardim do governo civil!!! De nada valeram até agora os apelos feitos para que este velho pote regressa-se ao lugar para onde foi doado em 1916: o Museu Francisco Tavares Proença Júnior.
Passaram-se quase dois messes e durante este tempo, (que eu saiba), nada de nada aconteceu. Os responsáveis das instituições que podiam resolver este caso, continuam quietos, surdos e mudos…
Perante este estado de coisas, este blogue irá ter regularmente entre os post’s expostos aos visitantes, notícias sobre esta triste novela albicastrense.


Perante este marasmo local… coloco a mim mesmo as seguintes questões;
1 - O velho pote não vale patavina, e o autor deste blog não sabe o que diz?

2 - O velho pote pode ter 400 anos, mas é apenas uma vasilha de barro sem qualquer valor histórico?

3 - O lugar do velho pote é no abandonadíssimo jardim do Governo Civil, e não no museu da nossa cidade?

4 - Quem ofereceu o velho pote ao museu em 1916, era um imbecil aparvalhado?

5 - Quem recebeu o velho pote no museu, era um paspalhão imbecil?

6 - Este blogue não é visto por ninguém, (embora o albicastrense as vezes… pense o contrario), de peso na nossa cidade, e por isso ninguém sabe rigorosamente nada desta historia?

Perante esta indiferença local… coloco às entidades da nossa cidade, as seguintes questões;

1 - Exma. Senhora Governadora de Castelo Branco e Exma. Senhora Directora do Museu Francisco Tavares Proença Júnior: Será necessário escrever ao Instituto dos Museus e da Conservação, (IMC) para tentar resolver este tristíssimo exemplo do marasmo local?

2 - Será… que os nossos responsáveis culturais, estão tão açambarcados de trabalho, que não têm tempo para estas ninharias?

3 - Será… que as nossas instituições já nem um simples caso como este, são capazes de resolver?

4 - Ou será… que tudo isto não passa de uma tontaria minha? E que afinal, os senhores nada têm que fazer no infeliz caso: “Do misterioso pote desaparecido e agora aparecido “.

5 - Ou será… que os albicastrenses andam tão pachorrentas com tudo o que se passa na sua cidade, que já se estão borrifando para tudo e mais alguma coisa?

Questões e perguntas de alguém que não consegue entender ou compreender a indiferença, o virar de cara, o não quer saber, ou quanto pior melhor.
A doença da indiferença, do virar de cara, ou do quanto pior melhor, alastra-se diariamente nas nossa mentes… Permitindo que a memória passada seja cada vez mais, uma miragem nebulosa que se vai desfazendo num horizonte longínquo
.


São tempos de indiferença “quase” colectiva…
São tempos em que o passado não é um valor a preservar…
São tempos em que o presente é o valor maior…
São tempos difíceis estes em que vivemos…


PS - Para que não restem duvidas da entrada do pote no museu em 8 de Junho de 1916, e do início da sua exposição ao publico ao público em 18 de Julho, aqui fica a fotografia do pote e as pequenas noticias publicadas pelo antigo jornal “ Notícias da Beira” nessa altura.

O Albicastrense

Castelo Branco na História - XLVI

(Continuação)
Em torno do recinto, que se ajardinou com canteiros de buxo no gosto italiano do século XVIII, foram colocados bancos de cantaria aguais aos existentes na rotunda do bosque. As paredes, divididas em painéis por pilastras de cantaria, foram revestidas de azulejos artísticos com motivos da região (monumentos desaparecidos) e com as efígies dos Bispos D. João de Mendonça e D. Vicente Ferre da Rocha. A reconstrução do muro de suporte de terras do socalco do jardim a edificação da escadaria que lhe dá acesso, do lago, da fonte e dos muros laterais do recinto, o ajardinamento deste e a construção do gradeamento e da porta férrea executaram-se no ano de 1936 por administração directa do vereador Joaquim Martins Bispo, segundo um projecto e a direcção técnica do autor destas despretensiosas e desataviadas crónicas. Transcreve-se a Memoria Descritiva e Justificativa do Projecto:
“ O jardim Municipal de Castelo Branco é um curioso e belo exemplar dos graciosos e característicos jardins concebidos no gosto italiano do século XVIII.
“Anexo ao antigo Paço Episcopal e outrora logradouro dos bispos da extinta diocese de Castelo Branco, não possui, como jardim particular que era, uma entrada condigna pela rua pública, sendo feito actualmente o acesso dos visitantes por uma entrada indirecta e deficiente.
“ Sendo um ponto obrigatório de vista de todos os excursionistas que passam pela cidade e sendo estima publico do por todos os albicastrenses como uma preciosidade artística, o Jardim Municipal, desde que passou a ser do domínio publico carecia de uma entrada que patenteasse o culto pela tradição e o carinho da cidade pelo seu — infelizmente diminuto património artístico.
“ Nesta ordem de ideias, a comissão administrativa da Câmara Municipal de Castelo Branco, cônscia do valor artístico do jardim municipal e interpelando o desejo dos munícipes, deliberou mandar proceder à elaboração deste projecto com o fim de por termo a um deplorável abandono a que durante alguns anos esteve votado o jardim que constitui, por assim dizer, a sala de visitas da cidade, devendo aproveitar-se para pátio de entrada um recinto pejado de entulhe que prejudica altamente a estética do conjunto formado pelo jardim e pelo bosque fronteiro, observado, numa admirável perspectiva, do patim superior da Escadaria dos Reis.
“O entulhamento do recinto deve-se ao facto de se haver planeado, há poucos anos, o seu nivelamento com o jardim situado num plano superior e o seu ajardinamento como continuação do mesmo jardim, baseando-se tal projecto na suposição de que ele não havia sido concluído e de que seria esse o plano da sua conclusão.
“ A existência de parapeitos ladeados por assentos de pedra no coroamento do muro induziu a essa presunção. Todavia, um estudo do assunto, baseado em atentas observações do local, demonstrou facilmente que tal suposição era errónea. Com efeito, os vestígios do reboco nas paredes interiores do recinto, a continuação do Passadiço sobre o mesmo com arcos actualmente entaipados, a existência de uma porta que dava acesso da rua para o recinto hoje também entaipado, os vestígios de uma casa e de uma calçada num plano inferior ao do jardim e ainda os restos de um muro de vedação sobre o muro de suporte de terras que limita o antigo jardim com um vão de porta e uma escadaria para o recinto inferior, são factos observados que provam insofismàvelmente que não houve primitivamente a ideia de prolongar o jardim, no mesmo nível, além dos limites que lhe foram estabelecidos na sua construção.

(Continua)
PS . O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal "Beira Baixa " em 1951
Autor. Manuel Tavares dos Santos

O Albicastrense

sábado, janeiro 24, 2009

BIGODES E COMPANHIA - Entrevistas

Bigodes e Companhia… embalados pela entrevista ao novo relógio do largo de S. João, incentivados por um numeroso grupo de anónimos, (pelo menos dois ou três), a ainda apoiados fanaticamente por um minúsculo número de desconhecidos, (que ninguém conhece), resolveram entrevistar um estranhíssimo monumento construído há algum tempo na devesa do nosso burgo. Monumento alvo de muitas especulações e anedotas entre os burgueses, (e não só).
No entanto, o melhor é deixar este assunto para esta dupla de brincalhões e endoidecidos da tola..

Bigodes para Companhia:
-- Companhia… Como vamos nós entrevistar uma “coisa” que nem sequer temos nome para lhe dar, e tão-pouco sabemos para que serve?
-- O albicastrense arranja-nos cada trapalhada.

-- Olha… Ele faz a caca e nó limpamos-lhe o rabo.
-- Seja o que deus quiser… Vamos lá fazer esta entrevista maluca.
Chegados à devesa da nossa cidade, (hoje… docas para alguns) Bigodes e Companhia dirigiram-se á “coisa” e começaram a massacrar esta estranha “coisa“ a que alguns albicastrenses hoje em dia, já dão o nome de “A Gaiola“.

-- D. Qualquer coisa… A dupla Bigodes e Companhia gostava de lhe fazer umas perguntinhas.
-- Irra… que já não se pode estar descansado.
-- D. Qualquer coisa… as nossa desculpa por vir infringir o seu tédio, mas prometemos não o enfadar excessivamente.
-- Porra… Que essa conversa de D. Qualquer coisa já começa a irritar-me, perguntem que eu vou tentar responder-vos.
-- Em primeiro lugar, como devemos nós chamar-lhe?
-- Inovador Monumento Megalítico Albicastrense, ou (I.M.M.A) para os amigos.
Companhia para Bigodes:
Bigodes… Este (I.M.M.A) pertence ao rolo dos novos Inovadores Monumentos Megalíticos Albicastrense de geração futurista!!!! -- Parece-me que desta vez o Presidente do condado, se passou ao colocar chips Chineses nestes Megalíticos de ultima geração.
-- Diga-nos D. Monumento Megalítico, quais os seus préstimos no nosso restaurado Burgo!?
-- Meus amigos… Nem quero acreditar no que estou a ouvir! então vocês pessoas tão sabidas, vêem perguntar-me qual a minha utilidade?
-- Desculpe a nossa ignorância D. Monumento Megalítico, mas como já ouvimos tantas coisas a seu respeito na nossa cidade, ficamos sem patavina de sabedoria, para poder ajuizar sobre os seus préstimos.
-- Caros Bigodes e Companhia… Tomem nota, porque eu não vou repetir nada daquilo que vos vou dizer. -- Eu sou um Monumento Megalítico com objectivos simbólicos e principalmente funerários!!!!
-- Mas caro (I.M.M.A), para que queremos nós no nosso Burgo, um mamarracho da última geração dos Megalíticos!?
-- Irra… Que eles são burros!! Onde pensam vocês que vão ficar a repousar os restos mortais dos refundadores do nosso condado ?
-- Mas D. Monumento Megalítico… Os restos mortais do fundador do antigo condado, que mais tarde se viria a chamar Burgo já não existem!? além de existirem muitas dúvidas quanto ao dito cujo.
-- Mas que raio estão vocês prá ai a dizer?
-- Então o D. Monumento Megalítico não sabe… Que há quem defenda, que quem fundou o antigo condado foi Fernando Sanches, e outros que foi D. Pedro de Alvito, e outros que se estão borrifando para qualquer dos dois.
-- Tontarias meus amigos… Tontarias…
-- Ora essa!! é a pura das verdades… Além de não ser possível hoje em dia encontrar os restos mortais de qualquer deles.
-- Nem tal é preciso!!! Pois eu sei muito bem quem é o pai deste refundado e maravilhoso burgo.
-- D. Monumento Megalítico isso é fantástico… Pois nem Herculano, nem J. A. Porfírio da Silva, nem António Roxo ou Manuel Tavares dos Santos conseguiram decifrar tal enigma. -- Mas afinal quem foi o fundador da velha Urbe D. Inovador Monumento Megalítico, e como vamos nós recuperar os seus restos mortais ?
-- Irra… Que esta dupla está cada vez mais burra!!! Na minha Câmara Funerária do primeiro andar vão repousar os restos mortais do arquitecto mor do reino, na Câmara Funerária do segundo andar, vão repousar os do nosso querido presidente do Burgo.
-- Mas afinal… Ainda não nos disse quem são eles.
-- Não disse!!! Nem vou dizer… Pois tenho que guardar sigilo profissional. -- Quando lá forem colocados os restos mortais, os habitantes do burgo serão os primeiros a saber.
Companhia para Bigodes:
-- Bigodes… Este é maluco mas sabe-a toda, ele nunca nos vai dizer o nome dos felizes contemplados neste sorteio fúnebre, vamos embora, senão quem vai inaugurar este Monumento Megalítico maníaco ainda somos nós.
Bigodes e Companhia.
PS- O albicastrense não se responsabiliza pelas tontarias desta dupla maluca.

terça-feira, janeiro 20, 2009

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - X


A rubrica Efemérides Municipais, começou por ser publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova” transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937 e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro.
António Ribeiro Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes.
O texto foi escrito neste blogo, tal como foi publicado em 1937.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.
Comentário do autor -- Na sessão de 2 de Junho os vereadores ocupam-se de tabaco e fazem saber aos vendedores que;
Acta de 1700 -- “não só pello groço nas cabeças das comarcas mas também pello meude em todas as terras… terão pelo seu trabalho aluguer das casas e mays gastos necessários para as ditas vendas dous tostões de cada arrátel de pó e hum tostão do de Rollo”.
Comentário do autor -- Para o tempo, não era uma insignificância o lucro, tanto mais que não era estrangeiro quem queria. Havia apenas um em cada freguesia, proposto pelo respectivo juiz e aprovado pela Comarca. È verdade: havia também um estrangeiro no Monte de Sebolal, que ainda não era freguesia, mas também pelo que se vê, já nesse tempo tinha alguma importância embora não soubesse que viria a ser o importante meio industrial que hoje é. Aos estanqueiros impunham-se condições: não podiam vender senão pelo preço marcado na carta do Presidente da Junta da Administração do Tabaco; não poderiam vender “mays tabaco que o de Sua Magestade no qual não hão de misturar confeições algumas”; tinham que jurar que não possuíam “pizões nem outro algum instrumento de fazer tabaco” Como se vê, já então não era legítimo o uso do matrafão, de que tão grande uso se fazia aqui há uma dúzia de anos nos chamados concelhos da Serra. Em sessão de 25 de Junho trata-se apenas de un assunto, mas esse era coisa de polpa. Leiam e admirem:
Acta de 1700 – “logo na dita Camara parecerão os ferreiros desta Villa abaixo assinados e requererão que para mayor ornato da prociçao do Corpo de Deus pedião lhe quizessem dar lisensa para darem hum Santo do seu officio que he São Dustano (foi São Dusutano que conseguimos ler) e alliviaremnos de darem os diabos que costumavão dar. O que tudo pellos ditos afficiais os houverão por aliviados dos ditos diabos eque daqui por diante darião o Santo Dustano em sua charola com quatro tochas e de tudo serem contentes fis este termo que a sinarão e eu Antonio de Pina Ferrão o escrevi.”
Comentário do autor -- Apurem-se para a história os nomes dos devotos ferreiros, que conseguiram que os livrassem dos diabos, passando a levar na procissão o Santo Dustano, que não fui capaz de encontrar na folhinha. Tanto quanto é possível apurar pelos rabiscos das assinaturas, esses ferreiros eram: Tomaz Rodrigues, Manuel Augusto Rosa, Domingos Marsigote e Paulo Fernandes. Por sinal que a assinatura do Rosa é a coisa mais bonita, mais floreada, mais artística que até aqui encontrei nas actas. Tinha gosto e habilidade o ferreiro que não queria nada com os diabos. Em sessão de 10 de Julho os vereadores, tendo na devida conta os interesses dos donos de gados;
Acta de 1700 – “Acordarão que hão por dada licensa para acarretar geralmente o pão dos restolhos com carros com declaração que não entrarão mays boys na folha que os do carro somente os quais anoite serão prezos ou encurralados alis terão coima.”
Comentário do autor -- Naquele tempo havia grande cuidado com as hervagens, que tinham para a alimentação do gado, especialmente o lacígero, uma grande importância e nos quais não entravam os gados senão quando a Câmara o mandava “apregoar” no interesse da comunidade. Hoje então não só os bois andam á vontade pelos restolhos atrás dos ceifeiros, mas de mistura com os bois anda cada récua de burros que é mesmo um louvar a Deus. A regra é esta. O ceifeiro que não tem um burro tem dois. Na sessão de 14 de Julho a Câmara deliberou dar licenças “para debulhar geralmente com Boys na folha de Val Longo ”, logo a seguir os vereadores;
Acta de 1700 – “ acordarão que os oleiros fossem noteficados para de dous fazerem huma fornada de telha que darão feita athe o ultimo dia do mês de Agosto sob pena de seys mil reis e que outro sim não vendão fornada de telha por junto apessoa alguma sob amesma penna ”.
Comentário do autor -- Foram bem amplas as atribuições da Câmara nesses tempos, como estas duas simples deliberações nos mostram. Debulhar com bois? Pois sim, mas a Câmara há de dizer primeiro se para tanto dá licença. Os oleiros, por mais que isso lhes custe, hão - de fazer telha na quantidade que a Câmara julgue necessária, e não podem vende-la por junto. São proibidos os monopólios. É assim que a Câmara o entende e por isso é assim que se faz. Não cumprem? Multa. Não pagam a multa? Cadeia. Bons tempos, afinal de contas. Em sessão de 18 de Agosto os “ Officiais da Camara ” souberam que as galinhas estavam pela hora da morte. Para grandes males grandes remédios:
Acta de 1700 – “ Acordarão por haver geral queixa neste povo do escecivo preço das galinhas e frangos por causa das muytas doenças e principalmente pella falta que se exprimenta nos hospitais que daqui em diante durante adita necessidade nenhuma pessoa possa vender galinha por mays de duzentos reis cada uma e as frangas a cento e vinte reis com penna de quinhentos reis e as galinhas perdidas e esta penna poderá denunciar qualquer pessoa do povo eque outro sim debaixo da mesma penna ninguém venda as perdizes velhas por mais de meio tostão as perdigotas a quarenta reis e os coelhos pelo mesmo preço daqui athe dia de São Miguel ”.
Comentários do autor -- E mais não deliraram nesta sessão e há razão para se estranhar que, fixando-se o preço máximo das perdizes, se deixassem no escuro as lebres e as “ lebrachas ”. Assim, não sabe a gente em que conta eram tidos esses bichos no tempo em que uma perdiz velha se vendia por meio tostão e um perdigoto e um coelho por um pataco, preço máximo. Em 11 de Setembro passou-se em sessão de Câmara isto, que não deixa se ser interessante:
Acta de 1700 – “ E logo no mesmo dia atrás declarado poreceo na dita Camara Manuel Martins Nunes do logar de Alcains termo desta Volla e apresentou asua carta se axaminação passada pelo Doutor Manoel de Pinna Coutinho medico da Camara de Sua Magestade Cirurgiao mor deste Reynos requerendo emvertude della lhe dessem em Camara juramento para poder usar do officio de sangrador edo mays contheudo na dita carta por vertude da qual o Doutor Manoel de Affonseca e Albuquerque juis de fora lhe encarregou de baixo delle fezesse bem e verdadeiramente seu officio oque elle prometteo fazer e assinou aqui ”.
Comentários do autor -- Prometeu e assinou, mas a história não nos diz se cumpriu. Talvez ele fosse da força do Doutor Sangrando do Gil Braz de Santilhana, que, quando lhe morria um doente, exlicava logo que o doente morrera por não ter apanhado mais umas tantas sangrias. Seja porém como for, regista-se que naqueles tempos, para se ser sangrador, era preciso apresentar carta de examinaçao, passada pelo “Cirurgiao mor destes Reynos”, ao passo que hoje os sangradores, sem carta nem meia carta, se atiram ao tratamento (e que tratamente!) das doenças mais graves, aproveitando os intervalos da “clinica” para fazer a barba aos fregueses, Neste particular não se pode dizer que avançássemos muito antes pelo contrario.
Fechemos com chave de ouro estas notas da vida municipal no “ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil e setecentos anos”. E’ do dia 22 de Novembro a deliberação e depois não aparece, até ao fim do ano, mais nada de jeito. Leiam, façam favor:
Acta de 1700 -- E logo na ditta Camara acordarão que nenhuma pessoa desta Villa e seu termo venda o vinho por mayor de três quartilhos por hum vintém daqui athe dia de entrudo com pena de dez tostões toda a pessoa que esceder este preço ede não tornar mais vender.
Comentário do autor -- Três quartilhos de vinho por um vintém, santo Deus! Como o vinho assim de rastos (e actualmente não vai muto alem, atendendo á diferença do valor da moeda) não queriam então que o carsireiro andasse de noite na pândega com os presos!
(continua) Arc.
o Albicastrense

sábado, janeiro 17, 2009

CAPELAS DA MINHA CIDADE

Capela de S. Marcos
Situada no largo do mesmo nome, foi construída no século XVI, sob a invocação de Santo Inácio de Loiola, pelo padre Sebastião Lopes Melraxo, para que os seus rendimentos servissem de património a qualquer candidato clérigo que não o possuísse para receber ordens sacras, com o encargo de mandar celebrar quarenta e cinco missas por ano.
Reconstruída no século XIX e restaurada em 1985.
Em 12 de Setembro de 1978 foi considerado imóvel de interesse público..


O Albicastrense

sexta-feira, janeiro 16, 2009

CRÓNICAS DO PASSADO


Dos muitos acontecimentos sobre Castelo Branco que encontrei relatados em antigos jornais da nossa cidade, esta coluna assinada por António Roxo é sem duvida uma verdadeira delícia.
A coluna foi publicada no antigo jornal "Correio da Beira" em 1888, e tinha por título; “NINHARIAS FRIOLEIRAS E BAGATELAS”.
Quando António Roxo resolveu investigar as actas da nossa autarquia, tinham-se passado 132 anos após a morte de D. João V, hoje dia 15 de Janeiro de 2009 passaram-se duzentos e cinquenta e um após essa morte, e cento e vinte e um depois da publicação da coluna de António Roxo.

NINHARIAS FRIOLEIRAS E BAGATELAS
Notícia do que se praticou na vila de Castelo Branco por ocasião do falecimento de El. Rei D. João V.
“Ano do nascimento de Nosso Senhor Jezus Cristo de 1750, aos 31 do mez de Agosto do dito anno nesta villa de Castelo Branco nas cazas da camara della estando ahi presentes o doutor Bento Caetano Freyre juiz de fora, Nicolau Tudella de Castilho vereador, Diogo Luiz de Sousa vereador dos annos anteriores, que foi chamado por impedimento do vereador mais velho Manoel de Magalais e Menezes, e Pedro Affonso Urgueira, procurador da camara, e as pessoas nobres e da governança e mesteres do povo, ahi por todos em observância de hua carta de sua magestade, que Deus guarde, se fizerão as demostrações de sentimento e pranto pella morte do senhor rei D. Joao o quinto nosso senhor que Deus haja em gloria em que se teve a ordem seguinte. No dia de segunda feira 31 de Agosto do sobre dito anno pellas sinco horas da tarde sahirão todos com grandes lutos da caza da camara, em primeiro logar Rodrigo Luiz de Souza com hua bandeira preta que lavava de rastos e nela as armas reaes, logo o doutor Bento Caetano Freyre, juiz de fora, Nicolao Tudella de Castilho vereador, e o escrivão da câmara (1) na falta do outro vereador, cada hum com o seu escudo nas mãos junto ao peito, e de trás d’ elles o procurador da câmara e mesteres do povo, seguido-se logo as pessoas principaes e da governação e a trás d’ estes os officiaes de justiça e juízes das aldeãs, que forão chamados para assistirem a este acto, e logo toda a gente do povo, e juntos todos na praça ahi subio em hum cavallo todo coberto de luto o sobredito Rodrigo Luiz de Souza com a bandeira real sobre o hombro direito a cahida, e logo no alto da primeira escada da câmara o doutor Bento Caetano Freyre juiz de fora dice em voz alta a todos. chorai dice em vos alta a todos: Chorai fidalgos, chorai nobres e chorai povo a morte del rei D. Joao quinto nosso senhor que nos governou tantos annos em pas, e acabando as dittas palavras quebrou o seu escudo sobre hua menza que estava diante coberta de luto, e pegou na sua vara costumada que levou de rastos, e logo forão todos pella ordem asima dita pella rua dos Ferreiros adianta, fora da porta da villa (2) o vereador Nicolau Tudella de Castilho subindo sobre hum estrado coberto de luto repetio as sobreditas palavras e quebrou seu escudo, e pegou na sua vara preta levande-a de rastos, e indo todos a rua adiante á Deveza (3) ruas de S. Sebastião e arrabalde da Ferradura, ao Espírito Santo fora da rua Santa Maria sobre outro estrado coberto de luto o escrivão da camara repetio as sobretidas palavras quebrou o seu escudo, e tomou a sua vara preta levande-a de rastos, e pella rua dos Ferreiros (4) recolherão para a casa da câmara sahirão o dito doutor juiz de fora e os mais do senado da camara com bandeira preta que levava o dito Rodrigo Luiz de Souza, lavando varas pretas de rastos acompanhados da nobreza e mesteres do povo, officiaes de justiça, juízes das aldeãs e lugares do termo e povo para a Igreja de Santa Maria aonde se fizerão as exéquias de sua magestade defunta com sermão e muita sumptuosidade, e dahi sahirão todos da mesma sorte para casa da câmara aonde mandarão lavrar este termo”.
1 - O homem por modéstia é que não escreveu o nome, mas é justo que se diga, pois bem o merece, ainda que mais não seja, para se saber quem foi o autor de escripto tão monumental. Era o Sr. Manoel Ferrão de Pina e Olival. Tinha uma caligrafia que só por castigo se pode ler o que escreveu. O homem parece que tinha a ideia reservada de que no futuro se não pudesse saber nada do que elle escrevia. Enganou-se, coitado, e Deus lhe perdoe as zangas que me fez ter para lhe decifrar os hiéroglyphos.
2 - Porta da Villa – estava situada esta porta da muralha á entrada norte da rua dos Ferreiros.
3 - Hoje parece um disparate este itinerário. A Deveza de então era um vasto campo sem casas que abrangia o actual Largo da Sé, Quita Nova, Largo de Santo António, limitando-se com a capella de S. Gregório (hoje Senhora da Piedade) e com a do Espírito Santo. A rua da Ferradura era então um arrabalde da villa! A cidade moderna está quase toda na deveza.
4 - E’ equivoco, deve ser pela rua de Santa Maria, não e de crer que voltassem para traz.
(António Roxo)
Ps. Este texto está escrito tal como saiu em 1888.
António Roxo é autor de uma Monografia sobre Castelo Branco, editada em 1890 e recentemente reeditada pela editora Alma Azul.
Dados Biográficos de D. João V
D. João V, nasceu em Lisboa, a 22 de Outubro de 1689, recebendo o nome de João Francisco António José Bento Bernardo, e faleceu em Lisboa, a 31 de Julho de 1750, tendo sido sepultado no Mosteiro de S. Vicente de Fora. Casou em 9 de Junho de 1708 com D. Maria Ana de Áustria (nasceu. em Linz, a 7 de Setembro de 1683; morreu no Palácio de Belém, a 14 de Agosto de 1754; sendo sepultada no Mosteiro de S. João Nepomuceno, dos Carmelitas Descalços Alemães, de onde o seu coração foi levado para a Alemanha, filha do imperador Leopoldo I e de sua terceira mulher Leonor Madalena. (1)
O Albicastrense

quarta-feira, janeiro 14, 2009

BIGODES E COMPANHIA - Entrevistas





Bigodes e Companhia afastados das lides jornalísticas desde Dezembro de 2008, resolveram voltar ao serviço e foram visitar o quase renovado largo de S. João, (pela calada da noite) para entrevistar a nova coqueluche deste largo; A nova torre de relógio.

Bigodes para Companhia:
-- Companhia desta vez temos uma tarefa dos diabos!!! Como vamos nós entrevistar uma torre de relógio que ainda nem horas dá !!!
-- Bigodes isto vai ser canja… vamos apresentar-nos como grandes admiradores da modernização e progresso do nosso condado.
Chegados ao largo de S. João, os nossos amigos dirigiram-se á nova torre do relógio, ou será ao novo relógio com torre!?

-- “Grande” e moderno exemplar da nova arte da relojoaria Portuguesa deste novo renovado largo de S. João, a dupla Bigodes e Companhia, grande admiradora do progresso e modernização do nosso burgo, gostaria de lhe colocar umas perguntinhas!?
-- Perguntinhas!!! Bom… como ainda não comecei a dar horas, vou responder-vos por respeito à vossa postura de apoio ao modernismo do nosso primeiro.
-- Diga-nos D. Relógio, (ou será D. Torre!?) deste novo e renovado largo de S. João; qual vai ser o seu papel neste largo magnifico!?
-- Ora que pergunta mais tola!! Vou dar horas aos dias, minutos ás horas, e segundos aos minutos.
-- D. Relógio vai ter algum papel no funcionamento do esplendoroso parque de estacionamento, que fica debaixo de si?
-- Vou contar o tempo dando tempo ao tempo, para ter tempo de decidir a quem vou penalizar por não ter respeitado o tempo de estacionamento.
-- D. Relógio esta sua resposta até nos deixou boquiabertos de estupefacção!!!!
-- Meus amigos… sou um produto do novo modernismo, preparado e programado para os altos desafios da modernização e progresso do nosso burgo.
-- Irra! Companhia… que este já vem programado com chipes de submissão e vassalagem ao nosso primeiro.
-- Diga-nos D. Relógio… não lhe faz confusão o facto de ter sido colocado nas costas do nosso velho Cruzeiro?
-- Eu não estou nas costas do vosso velhíssimo cruzeiro!!! Ele é que está á minha frente… mas deixem que vos diga que já marquei reunião com o primeiro, para resolver este caso.
-- Dispendioso D. Relógio, então agora quer dar cabo do magnifico cruzeiro manuelino?
-- Meus amigos, só vou propor que seja substituído por um sistema de vídeo em três dimensões… sistema aliás, fruto da mais alta tecnologia, tal como aconteceu com o velho túnel.
Companhia para Bigodes:
-- Irra! Bigodes… que esta torre relógio de cimento é mais papista que o papa. Vamos embora antes que nos infiltre algum chipe marado, e nos ponha a imitar algum galo falante.
Bigodes e Companhia

segunda-feira, janeiro 12, 2009

CURIOSIDADES DO PASSADO


Com as obras do largo de S. João quase concluídas, aqui fica o programa de festa para a inauguração de 2009.

Agora mais a sério…
O programa diz respeito às festas de 1886, e foi publicado no antigo Jornal “Correio da Beira”. Curiosamente se repararmos bem na fotografia com que ajeito este post, verificamos que ela deve ter sido tirada por esses tempos, pois nela vemos o CORETO e o MASTRO mencionados no programa de festas de 1886.
O PROGRAMA DAS FESTAS DE 1886
Dia 23
Alvorada pela charanga de cavallaria 8, com salva de 21 tiros annunciando a festa; de tarde a mesma charanga executara em um coreto construído para esse fim, mimosas e variadas peças de música, à noite, bonita illuminaçao, bazar e fogo prezo de surprehendente effeito.
Dia 24
Alvorada com salva de 21 tiros, festa na ermitã com musica e sermão; de tarde musica, MOURA ENCANTADA – restituida ao seu castello depois de renhido tiroteio, terminado por uma bonita dança, e mastro com surpreza no tôpo, que ficará pertencendo a quem tiver a destreza de lá ir tiral-a; à noite illuminaçao bazar e música.
Dia 25
Alvorada e salva; de tarde e á noite bazar e musica, terminando a festa por um grande passeio pelas ruas da cidade.

Quadras publicadas no mesmo jornal, dedicadas às festas de S. João.

A’ VOL D’ OISEAU

Vae este anno festejar-se
com bastante animação
O santinho mais querido,
o divino S. João

Elle há musica, há bazar,
elle há salvas e alvorada,
elle há belo fogo preso
e também MOURA ENCATANDA!

Elle há mastyro que no tôpo
tem a bella de a surpreza
para quem quizer toral-a,
se tiver essa testreza!
Mas eu acho que o festejo
era então de três estalos
se juntassem ao programa
uma corrida de galos!


Autor das quadras (Trux)
PS - O programa foi aqui publicado tal como foi publicado em 1886.
O Albicastrense

sábado, janeiro 10, 2009

Castelo Branco na História - XLV


Continuação:

Após a transformação da horta ajardinada foi demolido o muro de vedação de alvenaria do lado da rua Bartolomeu da Costa e, em sua substituição, construído um mesquinho gradeamento que destoa por complete da porta férrea do século XVIII.
O bosque contíguo à horta ajardinada tem uma área de 3.500 metros quadrados e três ruas longitudinais cruzadas por outras tantas transversais. No cruzamento das ruas centrais há uma rotunda com bancos de cantaria.
Em 1940 foi ali colocado um lago de forma elíptica deformada, tendo ao meio uma taça de cantaria cujas dimensões são despropositadas. Nos talhões intercalados pelos arruamentos havia numerosos loureiros, cedros e ciprestes. Em 1949, sendo presidente da Câmara Municipal o Dr. Augusto Duarte Beirão e vereador do pelouro dos jardins o industrial Abílio Neves Tavares, efectuou-se o repovoamento do bosque com grande numero de arvores e arbustos de varias espécies que substituíram muitos exemplares desaparecidos no decurso dos anos, sendo as plantações feitas sob a direcção do regente agrícola Manuel Ribeiro do Rosário. Fazia parte do conjunto de logradouros uma tapada com a superfície de 5.500 metros quadrados, povoada de oliveiras e sobreiros, que era utilizada para criação de coelhos e é actualmente uma propriedade privada. A comunicação do bosque com a coelheira fazia-se por uma porta praticada no muro de alvenaria que, pelo lado do norte, separava estes dois logradouros.
O jardim contíguo ao palácio era limitado do lado da rua da Corredoura por um muro alto de alvenaria com parapeitos e bancos de cantaria. No recinto situado entre este muro e o suporte de terras do socalco do jardim primitivo existiram varias dependências do palácio para arrecadações e alojamento de animais domésticos. Como essas edificações desapareceram por falta de conservação e sob a acção dos agentes atmosféricos supôs-se, no século XX, que o jardim não havia sido concluído no século XVIII e que o muro de vedação do lado da rua, com os seus bancos de pedra e os seus parapeitos, teria sido construído para servir de suporte das terras a colocar no recinto para o nivelar com o plano do jardim. Então, foram ali lançado entulhe para se conseguir realizar esse objectivo e ampliar o jardim até à rua. Porém, no ano de 1936, sendo presidente da Câmara Municipal O Tenente-Coronel de Cavalaria José Guedes da Silva e vereador do pelouro dos jardins o comerciante Joaquim Martins Bispo foi, por iniciativa deste dinâmico bairrista, demolido o alto muro de vedação e construída em seu lugar um gradeamento de ferro no gosto do século XVIII, com uma porta férrea também assim concedida. Procedeu-se então ao desaterro do recinto e, para dar acesso ao jardim situado num plano superior, foi construído uma escadaria monumental, no gosto das existentes, depois de ser reconstruído o murro de suporte do socalco.
Junto do muro de suporte do patim central da escadaria foi construído um lago de cantaria, abastecido de água por uma bica em forma de golfinho.
(Continua.)
PS . O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951
Autor. Manuel Tavares dos Santos
O Albicastrense

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Fotografias Antigas de Castelo Branco - Fotografias de Bordados de Castelo Branco




Carteiras com 12 Fotografias antigas da cidade de Castelo Branco.
Carteiras com 12 Fotografias de Bordados de Castelo Branco.


Duas versões de cada colecção.

CONTACTOS : antbispo@gmail.com

O Albicastrense

quarta-feira, janeiro 07, 2009

UM VELHO POTE - III



Após a publicação dos postes; “Castelo Branco no tempo” no dia 4 e “Um Velho Pote” no dia 15 de Dezembro de 2008, esperava o autor deste blog, (e continua a esperar… mas sentado) que algo de positivo acontecesse em relação a este assunto.
Passados mais de trinta dias, após ter escarrapachado neste blog a notícia encontrada por mim no antigo jornal “Noticias da Beira”, nada mudou em relação a este triste caso.
No entanto, como sou um homem de fé, de causas, e ainda por considerar que a esperança é sempre a ultima coisa a morrer, lançava aqui um repto aos responsáveis do Governo Civil e do nosso Museu;
Meus senhores… este velho pote tem quase 400 anos!!! Será que a nossa cidade é assim tão rica na área de cerâmica, que nos possamos dar ao luxo de desprezar esta velha relíquia !?
Meus senhores… este velho pote foi oferecido ao museu em 1916! o seu abandono é uma afronta às pessoas que na altura o ofereceram ao museu da sua cidade.
Meus senhores… se até aqui ninguém podia apontar o dedo a quem quer que fosse por se desconhecer este abandono, a partir de agora os responsáveis pela continuação desta triste situação são conhecidos;
“Os responsáveis do Governo Civil e os responsáveis do Museu Francisco Tavares Proença Júnior”.
A continuação desta triste e infeliz situação é uma vergonha para todos nós… é urgente que este velho Pote volte ao local para onde foi em 1916; O museu da nossa cidade.
O Albicastrense

segunda-feira, janeiro 05, 2009

A MINHA CIDADE










Retratos
À–lá-minuta
Após mais de 20 anos, as ruínas da antiga fábrica Prazol, (é caso para dizer… mais vale tarde que nunca), começaram a ser demolidas. Este espaço, abandonado á mais de 20 anos por tudo e todos, era nos dias de hoje um local de encontro de toxicodependentes que o frequentavam, para satisfazerem as suas dependências. A resolução deste velho problema, leva-me em primeiro lugar a dar os parabéns aos nossos responsáveis autárquicos pela decisão tomada, independentemente de ainda não se conhecer em pormenor, o projecto do Parque de Lazer que a autarquia diz querer ali construir.
Li recentemente que a nossa autarquia terá lançado, (ou irá lançar brevemente) um concurso de ideias sobre o espaço envolvente à zona da estação, e que este auto proclamado Parque de Lazer se irá enquadrar nesse concurso de ideias. Perante este propósito… o albicastrense quer desde já ajudar a nossa autarquia com uma pequena ideia, que bem podia ser implementada nos antigos terrenos da Empresa Metalúrgica da Beira. O espaço de terreno ocupado pela antiga Empresa Metalúrgica, é hoje um local muito cobiçado por algumas aves de rapina da nossa praça para ali construírem mais alguns “belos edifícios”, em vez de permitir que nesse lugar se possa empinar mais um conjunto de mamarrachos… não seria de questionar a possibilidade da autarquia adquirir também estas instalações, e instalar nesse local um núcleo museológico ligado ao sector; Metalúrgico e Têxtil?
Para muitos esta sugestão poderá parecer descabida ou até disparatada, porém, convêm elucidar os menos esclarecidos que as empresas; Metalúrgica e Auto Mecânica da Beira foram entre os anos trinta e oitenta do século vinte, os principais pólos de emprego da nossa cidade, e que durante esses tempos tão difíceis… era ali que os habitantes de Castelo Branco (e não só) iam buscar o sustento para alimentar as suas famílias. Nestas duas empresas trabalhavam nos anos sessenta mais de 700 trabalhadores, não existia em Castelo Branco ou arredores, uma família que não tivesse um ou mais familiares a trabalhar numa dessas duas empresas.
Também no sector têxtil a explicação é mais que lógica… a nossa cidade está localizada entre dois antigos pólos do sector têxtil do nosso distrito; Os Cebolais… (onde infelizmente os têxteis morreram de uma forma completamente estúpida) e a Covilhã, onde o funeral do que resta deste ramo tem velório mercado se tudo continuar como até aqui.
A questão não pode deixar de ser colocada; “Falou-se durante muito tempo na possibilidade do antigo edifício dos CTT ser cedido pela nossa autarquia para um futuro museu do brinquedo”. Possibilidade que segundo parece a autarquia albicastrense deixou cair, (dificilmente alguém conseguiria entender a cedência do edifício para esse fim)
”.
Ora se os nossos autarcas estavam na disposição de doar à nossa cidade um novo espaço cultural, então que se aposte em algo que tenha raízes na memória da nossa região e nos albicastrenses de hoje, (por enquanto).
Adquirir, recuperar, e instalar um território cultural, (Têxtil e Metalúrgico) nas antigas instalações da Empresa Metalúrgica da Beira, seria acima de tudo uma grande lição de história sobre a nossa região, e uma grande homenagem aos homens e mulheres do nosso passado recente.

O Albicastrense

sábado, janeiro 03, 2009

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - IX



A rubrica Efemérides Municipais, começou por ser publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova” transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937 e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro.
António Ribeiro Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes.

O texto foi escrito neste blogo, tal como foi publicado em 1937.
Os comentários do autor não estão aqui na sua totalidade.
(Continuação)
Comentário do autor -- Interessantíssima é a deliberação adoptada pela Câmara em sessão de 10 de Março de 1700. Interessantíssima, não só porque, sem necessidade de estudo dos documentos e dos textos legais da época, nos mostra até onde iam as atribuições da Câmara, mas ainda porque nos mostra como as vereações do tempo cuidavam de acudir às necessidades do povo. Por esses tempos, a abstenção da carne durante a quaresma era completa. Os católicos de fé e mandamentos começavam a jejuar deste quarta-feira de cinza até sábado de Aleluia e, a não ser por motivo de doença grave, nenhum tocava numa febrazinha de carne. Mas, se não podia comer-se carne, era humano cuidar-se de proporcionar a toda a gente, ou pelo menos a todos os que não estivessem em condições de resistir a sete semanas seguidas de jejum a pão e água ou coisa parecida. Por isso mesmo a Câmara, na sessão indicada, tratou de nomear os almocreves que em cada semana de quaresma haviam de ir buscar peixe fresco para consumo da população do concelho. Para a primeira semana coube a encargo a Domingos Martins Bispo e Manuel Mendes Bacaldou. Na segunda semana haviam de apresentar o peixe Mateus Rodrigues Romano e Manuel Ribeiro. Na terceira, João Perez e Domingos Abade. Na quarta não fomos capazes de decifrar os nomes dos almocreves e outro tanto nos aconteceu a respeito da sétima. Na sexta coube a encargo a Manuel Martins Galeguinho e Manuel Gomes Barroso. E ai daquele que não cumprisse! Os vereadores acautelaram-se pois que
Acta de 1700 -- “mandarão fossem notificados para hirem buscar peixe fresco do mar e não outro algum sob pena de três mil reis e quinze dias de cadeia cada um delles não estando nesta Villa no principio da sua semana”.
Comentário do autor -- Como vêem, o caso era sério. Se não apareciam com o peixe fresco do mar “ e não outro algum” logo no princípio da semana que lhes fora marcada, era uma multa de três mil reis (e três mil reis nesse tempo era dinheiro) e ainda por cima quinze dias de cadeia. O peixe, em regra, ia-se buscar a Abrantes. Com os caminhos de cabras desse tempo era um esticão de respeito. Em sessão de 24 de Março os vereadores fixaram o preço do leite. A respectiva acta reza assim;
Acta de 1700 -- “outros sim acordarão que nenhuma pessoa venda o quartilho de leyte por mayor preço de quatro reis sob pena de quinhentos reis pagos da cadeia”.
Comentário do autor -- Em sessão de 31 de Março aparece-nos isto, que não deixa de ser interessante e nos mostra que já nesse tempo havia maraus que podiam medir-se com alguns de hoje:Acta de 1700 -- “E logo na dita Camara foi dito por todos uniformemente que por quanto lhes constava por queixa de todos os officiais da justiça e a maior parte deste povo que o Carsireiro aquém se tinha arrematado a cadea este prezente anno hera homem mal procedido e delle se não podia fiar hua cadea chea de tantos fasinorosos por quanto constava que publicamente comia e bebia com elles e jugava a sahia com alguns de noite pella villa e que aquelles que os menistros tinhão mandado para a enxovia os trazia na salla livre sem sua licensa eoutro sim porque também constava metia más mulheres nadita cadea e que que algumas das prezas as trazia para sima sem licensa e o que mais é que nunca fechava a grade das prezas da cadea denoite que cahe para apraça por se evitarem os escândalos que disse rezulta com por estas cauzas e porsetemerem que pela pouca capasidade e procedimento do dito carsireiro lhe fugissem os prezos porque tinha sido advertido pelos menistros actuais deste terra ouverão por servisso del-Rei e bem comum de infrangir e quebrar a dita rematação e entregarem a dita a cadea na forma dela a Bartolameu Fernandes daquém tinhão boa informaçãp do seu procedimento na mesma forma os próprios menistros…”
Comentário do autor -- Nas sessões da Câmara que de realizam durante o mês de Abril e os primeiros vinte e cinco dias de Maio de 1700 e a que assistem invariavelmente Manuel Brandão Castelo Branco, vereado e juiz pela ordenação, Pedro Cardoso Frazão, vereador, Manuel Vilela, procurador da Câmara, as deliberações são sem sombra de interesse. No dia 25 de Maio, porém temos coisa de circunstância: nada menos do que acordarem “ que os pessoas seguintes fossem juízes dos officios na procição do Corpo de Deus:”
Acta de 1700 -- Juízes dos Pastores e Cabreiros – Manoel Dias Godinho e Manoel Frz Sousa. Juiz dos Hortellões – Manoel Frz Rolle. Juiz dos Alfayates – Manoel Francisco. Juiz dos Cartadores -- Manoel Frz (tem a seguir esta nota: pão e azeite). Juiz dos Tesellões – Francisco Frz filho de João Frz. Juiz dos Ferreiros – Francisco Rodrigues. Juiz dos Carpinteiros – Miguel Frz Fransellos. Juiz dos Sapateiros – Miguel Gomes. Juiz dos Mulleiros – Manoel Frz Barca. Juiz dos Maquilões – José Sallo de Moura. Juiz dos Almocreves – António Martins Cascão. Juiz dos Barbeiros – António Rodrigues Longo digo Manuel Lopes. Juiz dos Ferradores – Francisco Giraldes. Juiz dos Caldeireiros – Pedro Martins Cascão. Juiz dos Estallajadeiros – Domingos Vaz. Juiz dos Oleiros – Mathias Nunes. Juiz dos Pedreiros – António Lopes. Juiz dos Serralheiros e Espingardeiros – Miguel Rodrigues. Juizas das Padeiras – Maria Moura e Maria Mendes mulher do Carralo. Juiz dos Mateiros e Burriqueiros – Manoel Frz Serrano digo João Frz.
Comentário do autor -- Salvo todos estes nomes para a história, consignemos que a seguir a esta grande lista de juízes, que felizmente para os fasinorosos do tempo não proferiam sentenças, se lê nada menos do que isto:
Actas de 1700 --
Os Sirieiros darão oito tochas. Os Sombreiros cada hum sua tocha. Os Mercadores cada hum sua tocha. Os Boticarios cada hum sua tocha. E mandarão que as pessoas a sima e a trás declaradas fossem obrigadas adar as charolas e emsiguias contheudas no Livro dos Registos folhas duzentas e trinta e quatro usque duzentas trinta e sinco verso com as condições nelle contheudas e pennas declaradas.
Comentário do autor -- Não era só serem juízes: haviam de por para ali as charolas e emsignias que constavam do tal livro desde folhas tantas usque folhas quantas ou lá estavam á espera dos remissos “as pennas declaradas”. È que nesses tempos a procissão do Corpo de Deus, que era soleníssima cerimónia oficial, era ao mesmo tempo um acto para toda a gente, da mais altamente colocada á mais modesta, se honrava de contribuir com a sua quota parte.E ainda o foi por mais dois séculos…
(continua) Arc.
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