segunda-feira, janeiro 19, 2015

BISPADO DE CASTELO BRANCO – (V)

LEMBRANÇAS....
Para a história do Bispado de Castelo Branco

(Continuação)
Duas palavras sobre a residência episcopal, o famoso Paço do Bispo, de curiosa história e tradição sem confronto, nesta cidade.
Ordenara-lhe a traça primitiva, D. Nuno de Noronha, 34º bispo da Guarda, um aristocrata letrado e teólogo, com registo nas crónicas dos fins do séc. XVI e alvores do imediato.
Filho de D. Sancho de Noronha, 4º conde de Odemira e alcaide-mor de Estremoz, e de D. Margarida da Silva, herdeira do 2º conde de Portalegre, fora escolar teólogo nos crúzios de Coimbra, mestre em Artes e bacharel em Teologia, eleito Reitor da Universidade pela corporação dos mestres e estudantes.
Obtende confirmação do Cardeal-Rei (1578), tomou graus de licenciatura e doutoramento (1584), não sendo excepcional que um estudante como ele ocupasse a prelazia universitária.
Filipe II o despachou para a Sé de Viseu (1586), e dali se transferiu para a Guarda (1594). A sua memória perpetua-se na edificação dos seminários diocesanos e na organização do Sínodo de 1579, em que se aprovaram as novas constituições deste bispado. Ora os bispos guardenses usufríam direitos episcopais, rendas e procurações, no termo de Castelo Branco, desde eras remotas.
O “gentilhomem de grande estatura e grandiosa trato na sua casa”, segundo os testemunhos do secretário Belchior de Pina e do Padre Carvalho, deliberou estabelecer aqui uma residência hibernal, para si e seus sucessores. A edificação primitiva (1596-98) abrangia somente uma parte da actual, “a que tem janelas rasgadas sobre o parque, sem o perystilo nem o salão de entrada e todo o corpo correspondente”.
Era um personagem faustoso do quinhentismo, evidenciado na conhecida visita a Filipe II, “para concertar alguns negocio do reino”, à própria residência da corte, em Madrid, capital de Espanha e, também – ai de nós! - de Portugal. Finava-se em 1608, arruinado na fazenda, a ponto de um sucessor na Mitra (desde 13 de Fevereiro de 1610), D. Afonso Furtado de Mendonça, doutor em Cânones e futuro bispo de Coimbra, arcebispo de Braga e de Lisboa, ter providenciar na aquisição em hasta pública, da quinta do bosque, pele falta de pagamento aos proprietários.
(Continua)

O Albicastrense

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