domingo, dezembro 14, 2014

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS – XCIII

A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).
O texto está escrito, tal como foi publicado.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.
(Continuação)
A sessão seguinte foi a 1 de Janeiro de 1798. Como era da praxe, foram nomeados as justiças para as povoações do termo.

A sessão imediata realizou-se no dia 1 de Fevereiro e o primeiro assunto de que se tratou foi isto:
E sendo proposto e requerimento de Manuel da Cunha Cirurgião Mor do Regimento  de Pena Macor  acantonado  nesta Cidade todos uniformemente disserão que querião  e era sua vontade fazer o Partido de cento e quarente mil reis tirado da siza desta Cidade  visto a necessidade  que ha de hum habil Cerurgião  para curar as frequentes imfermidades de Cerurgia  que costumão haver nesta cidade, e  com correrem nelle as qualidades necessarias para bem dezempenhar os deveres de seu menisterio, e ter dado Provas no tempo que aqui tem assistido do seu zelo e prontidão com que se presta a todas as curas da sua profição”.
Estava a misericordia aberta e por isso, logo a seguir, todos os vereadores, procurador do conselho, Nobreza e Povo que assistiam á sessão, todos sem a menor divergência, foram de parecer que devia também criar-se um novo partido médico de duzentos e quarenta mil réis, ficando   porém, ao arbítrio da Câmara nomeá-lo  e demiti-lo “todas as vezes  que elle não cumpir com as suas obrigações”.

A nomeação ainda então se não fez, mas fez-se pouco depois. Ainda na acta desta sessão se lê o seguinte:
Outro sim foi proposto o de Jozé António Mangas Coronel do Regimento de Pena Macor aqui acantonado  se assentou uniformemente  se lhe aforasse o terreno que pertende presedendo  primeiro vistoria e as mais Deligencias do estilo para se arbitrar o fôro  competente e Desmarcarse o mesmo terreno”.
Aquele “Corronel e aquele Pena Macor” valem quanto  pesam. Mas adiante.

Procedeu-se à vistoria e do competente auto apura-se que o homem não se chamava só José António Mangas. Mas sim, José António Mangas de Almeida Pimentel e que o terreno que ele pretendia ficava; “junto á Sé Cathedral” e partia “com o portal do chão dos Gouloens de Alcains em direitura  o caminho que da Deveza atravessa para a Fonte Nova, e da him pelo atravessadouro  que vai direito o caminho que vai desta cidade para o Santo António e depois em direitura a quina do chão que pega com a serca dos Padres Capuchos com quem igualmente pega todo o terreno a sima declarado pella parte Norte”.

Vejam por aqui se apuram, que a casa foi edificada no tal terreno e fiquem  sabendo que o  bom “Corronel” ficou a pagar de foro, por  ano, um pataco, ou quatro centavos, como agora se diz.
(Continua)

PS. Aos leitores dos postes “Efemérides Municipais”,  o que acabaram de ler, é uma transcrição fiel do que foi publicado na época.
O Albicastrense

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