sexta-feira, abril 01, 2016

JORGE BOINO


UM DESTEMIDO ALBICASTRENSE DO SÉCULO XVI

Filho de Vasco Boino, Cavaleiro Fidalgo da Casa Real, que se radicou em Castelo Branco nos finais de século XV: e cá viveu na rua que tomaria o seu nome, e casou com Ana Lopes (irmã de Pedro Lopes e ambos filhos de Lopo Alvares e de sua mulher Leonor Fernandes), da qual houve larga descendência… Como já vimos, foi nomeado capitão das ordenanças, em 1527, ficando a seu cargo (bem como ao capitão, Álvaro Cardoso) a Porta de S. Tiago e a R. João Afonso, assim como as Travessas da zona onde residia.
Teve o foro da Cafº. Fid. C.R e, segundo o Dr. Miguel Achioli (L.F.) foi muito estimado em Castelo Branco, embora aqui se tenha envolvido em diversos conflitos, que lhe fizeram gastar bastante dinheiro e o levaram por vezes à prisão.
Assim. a) Estando já retido em casa sobre a sua menagem de fidalgo, por haver desrespeitado o almotace da vila, a cuja morada enviara um bacio com ossos, foi preso a 10.2.1533, em virtude de querela apresentada também contra ele pelo tabelião Francisco Trancoso… Na noite desse mesmo dia, fugiu da cadeia, “sem quebrar ferros ou derrubar paredes”, pois não o haviam acorrentado e achou a porta aberta, soltando-se das mãos do carcereiro, “ sem usar armas nem provocar ferimentos”… Por tais motivos e a seu pedido, o Rei perdoa-lhe a fugida (Évora, 19.3.1533).
No entanto, permanecia o caso da querela. Porém, invocando a sua qualidade de cavaleiro, obtém de D. João III uma carta de seguro, a fim de ser presente ao ouvidor de Castelo Branco e não ao de Tomar. Aquele remeteu-o ao juiz da vila, que o mandou recolher a casa sobre a dita menagem. 
Mais uma vez, não respeita tal determinação e a 20.10.1533, “vindo do mosteiro de N. Sr. Da Graça”, dá de caras com o ouvidor que, admirado de o ver andar livremente pela vila, disse a Gaspar Rodrigues, homem do meirinho, para o conduzir à cadeia. Isto é demais para o nosso cavaleiro que, sentindo-se “agravado na sua honra e privilégios”, conseguiu soltar-se das mãos do próprio ouvidor (nas quais deixou um pedaço do seu gabão) e, sem desembainhar a espada nem enfrentar os perseguidores, refugiou-se na igreja… Enfim, o rei perdoa-lhe, também a seu pedido, o caso da querela, por carta feita em Évora, a 26.11.1533.
b) Entretanto, vai servir na guerra contra os mouros, permanecendo durante dois anos na Praça de Azamor. Por tal motivo recebe o hábito de cavaleiro professo na Ordem de Cristo, em 30.4.1545; e, no mesmo ano, a 3 de Julho, D. João III estando em Évora, concede-lhe a comenda de S. Miguel de Rio de Moinhos, no bispado de Viseu.
c) Mas não findam por aqui as “desventuras” de Jorge Boino. No ano de 1545 houve em Castelo Branco dois levantamentos populares (uniões ou voltas, como então se chamavam) contra as forças da fortaleza comandadas pelo alcaide-mor D. Fernando Meneses: o primeiro, em dia de S. João (24 de Junho) alvoraçou a maior parte da vila contra Luís de Mendonça cunhado do dito alcaide-mor, que pretendia levar um touro da boiada do concelho, no segundo, em dia da Visitação de Sta. Isabel (2 de Julho) interveio o próprio D. Fernando, que viera acudir a um arruído desencadeado por criados seus, mas os opositores mostraram espírito tão aguerrido que obrigaram-no a recolher ao castelo.
Intervieram as justiças, houve prisões e mesmo degredos, não só para fora da vila como para o Brasil. Porém, tanto D. Fernando de Meneses como Luís de Mendonça acabaram por perdoar, facilitando assim o perdão real… Ora, entre os intervenientes no último movimento esteve um Bastião, escravo de Jorge Boino, acusado de brandir uma espada (mas, sem ferir ou matar ninguém) e bradar. “Adiante! Adiante!”.
Nesta acção, quiseram alguns envolver o próprio Jorge Boino, por haver ajudado o seu criado, tirando-o da igreja onde se havia refugiado… O rei intervém novamente e, concede-lhe perdão em Santarém, a 20.10.1550 (e por carta feita a 20.2.1551).
d) Igualmente, por carta dada em Lisboa, a 10.10.1550 (e feita em Almeirim, a 19.12.1550), o mesmo rei perdoava a António Vaz Frazão, que naquele ano brigara em Castelo Branco como o “nosso” Jorge Boino, acutilando-o num braço e no rosto, ou mais precisamente, “no beiço de baixo, que desce até à ponta das barbas”. 
António Vaz fora condenado a um ano de degredo, com pregão em audiência, mas consegui livrar-se por haver servido em Ceuro e Mazagão e, visto o perdão de Jorge Boino, que não ficara aleijado nem com qualquer deformidade.
Recolha de dados:A Beira Baixa Na Expansão Ultramarina”, da autoria de Joaquim Candeias Silva e Manuel da Silva Castelo Branco.
Ps. Depois do que encontrei sobre Jorge Boino, confesso que fiquei curioso sobre este homem, vou tentar encontrar mais dados sobre ele.
O Albicastrense

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