domingo, maio 14, 2017

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS – CXVIII


A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal, deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).

(Continuação)
Nova sessão três dias depois, ou seja em de 30 de Julho.
Da acta consta que, “tendo sido determinado pelo Juizo da Comissão que esta Câmara passasse a nomear cobradores para a Decima dos Logares do Termo”, nomeavam toda a gente. 
Para Alcains, António Baptista; para os Escalos de Cima, Manuel Ferreira; para a Louza, Luís Rodrigues; para os Escalos de Baixo, Joaquim Fernandes Monteiro; para a Mata, Francisco Falcão; para Monforte, António José Louro; para Malpica, Manuel Vicente; para Cafede, José Ribeiro Galveias; para o Salgueiro, Manuel da Silva; para Lentiscais, Manuel Pires da Gama; para Benquerenças, o Juiz Barbado; para Maxiais, Manuel Gomes; para cebolais, Manuel Moura; para Retaxo e anexos, Manuel Duarte.

Sessão de 9 de Setembro de 1806.
Depois do introito da praxe, em que de dá conta do dia, mês e ano em que se realizou a sessão, dos vereadores que a ela assistiram e do local onde se reuniram, começou assim a acta, ou o auto, como então se dizia:
Sendo constante a eles vereadores a impossibilidade, que havia para conservar-se o Deposito Geral da Siza, a Desima em poder de José Tudella de Castilho por causa de moléstia e perigo de vida em que se achava, houveram por bem nomear em seu lugar em Joaquim Pessoa Amorim por ser pessoa abonada, e muito principalmente sendo seu abonador seu Pay o Sargente mor José Pessoa Tavares vindo assim a ficar segura a Renda do Património Real e a ficarem eles vereadores por satisfeitos com esta mesma nomeação”.
O nomeado, que estava presente, apresentou-se logo a dizer que por desejar munto empregar-se no Real serviço ser útil ao povo, e condescender com as vontades deles vereadores que o nomeavam para Depositário dos referidos dinheiros de sua vontade aceitava a nomeação que se fazia nelle do mesmo Depozito, e que queria assinar este termo”.

O pai, sargento mor, também estava presente e declarou que de boa vontade ficava abonador do filho.
Todo o mundo estava satisfeito. Apenas houve quem fizesse uma observação, que destoou um pouco no meio de toda aquela alegria. 
Foi o caso que estando ausento o vereador Manuel Vaz Nunes Preto, foi chamado para o substituir Fernando da Costa Cardoso e este declarou que achava que tudo estava bem, mas a sua responsabilidade a respeito de “abono” desaparecia “à primeira chegada do dito actual vereador a esta cidade”. O “dito actual vereador” era o que ele fora chamado a substituir.
Logo que ele viesse, não queria saber mais nada.

Ainda nesta sessão se tratou do seguinte:
E mais determinarão eles ditos vereadores que visto haver neecssidade de cancellas que vedem a entrada dos gados em lugares prohibidos a aparecia José Roberto (o escrivão queria dizer Robelo) que se obrigava a por as que fossem precisas, e tinha velhas pelo preço de cada huma mil e quatro centos reis, sendo obrigado a polas por sua conta, e vegiar sobre ellas fazendo-lhes os concertos que precisarem, e ainda mesmo todos outras que forem precisos para ellas andarem, e de comos se obrigou assinou”.

Cancelas velhas por mil e quatrocentos reis cada, não eram baratas; mas, como o homem se obrigava a concertar as que precisassem de conserto, velava por elas e ainda se comprometia a pôr "outoins" que fossem necessárias, vamos lá, sempre ficava a coisa mais em conta.
Outoins eram as pedras laterais em que as cancelas se apoiavam, incluindo a pedra furada que servia de couceira.

E ainda houve mais, o escrivão Vaz Touro conta assim:
E mais determinarão, que se não passasse mandados pelo que respeita acrescento de ordenado de officiais, sem com efeito apresentarem Provizão de seus acrescentos”. Faziam bem. Com acrescentos de ordenados toda a cautela era pouca.

PS. Aos leitores dos postes “Efemérides Municipais
O que acabaram de ler é uma transcrição fiel do
 que foi publicado na época.  
O Albicastrense

Sem comentários:

Enviar um comentário

RUAS DA ZONA HISTÓRICA DE CASTELO BRANCO

AS MINHAS IMAGENS  ZONA HISTÓRICA DA TERRA ALBICASTRENSE  O  Albicastrense