A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro
de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”, transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi
publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção
do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo
trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e
muitas vezes).
(Continuação)
Vem agora a
sessão de 1 de Janeiro de 1807.
Foram nomeadas as justiças
do termo, como era da praxe, e acabou-se a sessão.
Depois de 1 de Janeiro de
1807 os vereadores só tomaram a reunir-se em sessão no dia 28 do mesmo mês. A sessão que nesse dia se
realizou achamo-la interessante e por isso ponde de parte o introito, que é
sempre e o mesmo, transcrevemos na íntegra ata.
Ora façam o
favor de ler:
“Por ele Juiz Presidente
foi proposto que a importante cultura das Amoreiras tem merecido as atenções
dos nossos Augustos Soberanos, e com especialidade do Príncipe Regente Nosso
Senhor, pelo Alvará de seis de Janeiro de mil outo centos e dous confirmativo
da Real Companhia das Fiaçoens e Torcidos das sedas, os quias nas respetivas Leis
agrarias tem feito este objeto dos cuidados, e vigilância das Camaras pelo que
representa que é do dever desta fazer acórdãos, e Posturas que facilitem, e
promova este de industria e portante lhe parecia.
Iº
Que visto o esquecimento e
descuido em que se tem posto a Derrama que por esta Camara se fez para os Cultivadores
das Fazendas desta Cidade e Termo plantarem Amoreiras se ponha a mesma em
indefectiva observatório debaixo de penas impostas a arbitro pertente segundo a
negligencia e malicia em que foram compreendidos os ditos cultivadores e quando
alguns deles as não tenham para plantar as devem pedir aos inspetores que
gradualmente lhas deveram fornecer.
2º
Que se deveram assinar e
Demarcar terras dos Baldios, sem prejuízo dos Logradouros para o plantio e
viveiro das ditas Amoreiras, e lembra o sitio do tangue da Graça, e da Deveza
para serem bordados com elas com o necessário resguardo e para viveiro o sitio
do Calvário junto a cerca dos Padres de Santo António cujas terras ficarão
vedadas e coutadas para outro qualquer contrario uso que lhe possa ser prejudicial
e nocivo.
3º
Que toda a pessoa que quebra
pé ou cortam alguma das ditas Amoreiras, ou danificam o viveiro delas fosse
condenado em dous mil reis porem se o dano for tal que as mesmas não possam vir
a proceder e corroborar-se ou se ficarem de todo secas ou forem arrancadas
seriam condenados em quatro mil reis e a plantarem e a formar outras tudo de baixo
de vigilância e arbítrio dos inspetores.
4º
Que sendo gado que fizer o
dano será o dono encoimado, e condenado nas ditas penas de dous e quatro mil
reis e plantar e formar outras segundo o prejuízo e dano que fizer e se seguir
tudo na forma da Postura terceira já referida cujas penas serão todas aplicadas
para as Despesas do plantio e viveiro e a sua promoção, assunto das coimas e
vigilâncias deve principalmente competir aos Inspetores que o poderão fazer e
requerer perante o juiz competente guardando em tudo o ser regimento e
formalidades legais.
E logo pelos ditos
vereadores foi acordado, e assentado que vista a necessidade, e utilidade que
exige, e resulta do objecto proposto se guardeasse o mesmo em todos os seus
capítulos intimamente enquanto com audiência e conselho dos Povos e das pessoas
da Governança se não deliberar definitivamente, e tão bem para se demarcar nos
lugares do termo as terras Baldias para o plantio, e viveiro e que as Posturas
já referidas, e acórdãos se intimasse aos Inspetores para ficarem na sua
inteligência e devida execução cada hum pela parte que lhe respeita, e
recomendam aos mesmos principalmente o cuidado dos viveiros por ter mostrado e experiência que o plantio de estacas hê de pouca substancia, procedimento neste
pais, que só de raiz as Amoreiras são melhores.
E assentaram mais que
facultavam ao Inspetor desta cidade os paus que se acham no referido sítio do
Tanque e que já não servem para encosto, e guia das Arvores que ali se plantaram
para servirem para o mesmo respeito das Amoreiras”.
Façam favor de reparar na
importância que então se atribuía á cultura da amoreira e, por conseguinte, à criação
dos bichos-da-seda.
A seda que então se
produzia era matéria-prima de uma indústria que deu brado, mas que por complete
se perdeu; a das famosas colchas de Castelo Branco, que foram um motivo de
admiração e de pasmo para os nacionais e estrangeiros que vieram á nossa terra
por ocasião da inauguração do caminho-de-ferro da Beira Baixa e as viram às
centenas a ornamentar a sala onde jantaram no dia 5 de Setembro e almoçaram no
dia 6 o Rei D. Carlos e a Rainha Senhora D. Amélia.
Tudo isso se foi, incluindo
as amoreiras.
(Continua)
PS.
Aos leitores dos postes “Efemérides Municipais”:
O
que acabaram de ler é uma transcrição do que foi publicado na época.
O Albicastrense
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