sexta-feira, novembro 06, 2009

MONUMENTOS DE CASTELO BRANCO


CONVENTO DE SANTO ANTÓNIO DOS CAPUCHOS
As notícias vindas a público recentemente sobre o futuro do Convento de Santo António dos Capuchos, (actualmente prisão) colocaram-me a pulga atrás da orelha.
O presidente da nossa autarquia, (Joaquim Morão) anunciou a sua compra, porém, pouco mais adiantou em relação ao seu futuro, a não ser que o mesmo irá ser devolvido á cidade.
Passado o folclore eleitoral, (onde esta notícia foi divulgada várias vezes) resolvi tentar saber um pouco mais sobre a história deste antigo convento e dar a conhecer aos albicastrenses, um pouco do seu passado.
UM POUCO DA SUA HISTÓRIA
Data do século XVI a fundação do mosteiro de Santo António dos Capuchos, localizado do lado nascente da cidade de Castelo Branco. Profiro da Silva, no seu Memorial de Castelo Branco, fixou em 1562 a data da fundação do convento e afirmou que ele foi instituído por D. Fernando de Meneses, comendador da Ordem de Cristo e alcaide-mor de Castelo Branco, por antonomásia o “Boca Aberta” por ter o hábito de não fechar a boca e que era avô doutro D. Fernando de Meneses o bisavô de D. Leonor de Meneses que foi casada com D. Jerónimo Ataíde, conde de Atouguia.
Não esclareceu Porfírio da Silva o fundamento do seu asserto, que parece ser erróneo, a julgar por uma inscrição latina que se encontra no pórtico da entrada principal e cuja tradução á a seguinte:
“Este mosteiro, cujos fundamentos foram lançados pelos frades, foi depois continuado por António, o qual (mosteiro) durará para sempre.”
“As paixões do mundo, umas arrebatadas e violentas como as ondas do mar, alteroso, outras suaves e deleitosas como o brando murmúrio dos rios, jamais perturbarão o bestifico sossego deste cenóbio.”
O convento foi reedificado no fim do século XVII e no princípio do século XVIII. A sua fachada principal, construída no acaso do Renascimento e no dealbar do estilo barroco acusa uma notável semelhança com a do Convento da Graça: são iguais os arcos de volta dos pórticos, os capitéis das piastras, os perfis COMOdas cornijas e os pináculos. Pertencia, o mosteiro a um a Ordem medicante à qual segundo os estatutos, era vedado possuir bens de raiz. Esta circunstância, porém era causa de muitas reclamações dos proprietários dos prédios rústicos onde os frades apascentavam o gado que lhes era ofertado pelos lavradores.
Consta do arquivo municipal que a Câmara dava anualmente ao Convento de Santo António dos Capuchos a quantia de 20$000 réis em cumprimento de uma provisão de 3 de Novembro de 1660 da Rainha Regente Luísa de Gusmão, viúva de do Rei D. João IV, para que os frades pregassem os sermões do concelho e mais 40$000 réis para a manutenção de uma escola primaria criada pela Rainha D. Maria I EM 24 DE Novembro de 1770, sendo metade dessa quantia para o convento e a outra para o frade regente. Esta escola, da qual foi professor frei José do Dominguizo, funcionou até ao ano de 1807 e, como nesta cidade foi encerrada pelos frades, criou-se outra de ensino gratuito em 9 de Novembro desse ano, tendo sido nomeado mestre régio António Gomes da Almeida. Com a extinção das congregações religiosas, em 1834 o convento foi incorporado no património do estado. No mesmo ano destinou-se o edifício a hospital, prevendo-se a hipótese, que não se verificou, de alastrar a Castelo Branco a epidemia da cólera-morbo que então grassava nos pais. Em 21 de Março de 1836 foi autorizado a venda de uma parte do convento para ser adaptado a teatro. Não chegou porém a ser feita a adaptação. Por portaria de 12 de Novembro de 1836 foi a cerca do mosteiro cedida à pelo ministério do reino ao da guerra para servir de horta ao Regimento de Cavalaria nº 3 aquartelado no castelo. A antiga capela dos Terceiros, situada do lado sul do convento, foi cedida à sociedade União, por decreto de 25 de Maio de 1845, para será adaptada a teatro. Foi então ali instalada uma casa de espectáculos de exíguas dimensões, que era insuficiente para a população da cidade, pelo que foi condenada à demolição em 31 de Março de 1888.
Durante alguns anos serviu de teatro um barracão provisório até ser construído um edifício próprio, pela sociedade do Teatro de Castelo Branco, no local da antiga Capela dos Terceiros. O novo teatro foi inaugurado em 1900 e era justamente considerado um das melhore casas de espectáculos que nesse época existiam no pais, fora das cidades de Lisboa Porto.
Entre 1835 e finais do século XX o convento serviu de quartel e várias unidades militares por ali passaram. No antigo mosteiro de Santo António dos Capuchos esteve alojado o Museu regional de Francisco Tavares Proença Júnior deste a sua fundação em 1910, até ao ano de 1929 em que foi transferido para o edifício do Governo Civil. Em 1935 foi ampliado o edifício para serem melhoradas as instalações do Batalhão de Caçadores nº 6. Ainda para ampliar as dependências da mesma unidade militar, foi comprada em 1950 pelo ministério da guerra à sociedade do teatro de castelo Branco, a casa de espectáculos ali erguida no inicio do século XX.
Este pequeno resumo histórico é apenas uma pequena migalha, do muito que existe por saber sobre a história do convento de Santo António. Aos responsáveis pela devolução do convento á cidade pede-se inteligência e bom senso sobre qualquer projecto que ali possa vir a ser implementado, pois no local estão cerca de quinhentos anos da história de nossa terra.
PS - Recolha de alguns dados históricos: “Castelo Branco na História e na Arte” - Manuel Tavares dos Santos.
O Albicastrense

5 comentários:

Joaquim Baptista disse...

Verissimo, muito cuidadinho com as fontes de onde se saca informação. Manuel Tavares dos Santos nem sempre é fiavel. Neste caso a tradução da inscrição que estava por cima da porta principal da igreja do convento é completamente irreal e fabulosa. A inscrição encontra-se na actualidade no Museu Tavares Proença. Assim temos de dar razão, porque a tem, a Porfírio da Silva, quanto á fundação do convento. Este monumento é quase desconhecido para os albicastrenses, o que foi publicado é um grão de areia numa enorme praia. Merecia uma publicação demorada e bem feita.

Abraço

Joaquim

Zé do Telhado disse...

Qualquer de nós está de acordo com a compra do Convento. A cidade, ou melhor,os cidadãos,há muito que são a favor da compra.Mas o Verissimo tem razão quando diz que Morão não adiantou grande coisa, como sempre gosta de fazer. Coisa que os jornais não dizem.Para eles,a defesa de Morão está acima da defesa da cidade.Ainda esta semana o "Carregador-Mor" dos elogios, parecendo estar apenas a citar o discurso da posse de Morão,não perde pitada para deixar a sua bajulice,tal como: "E,foi dentro daquela filosofia de rigor"."Com humildade,mas com a determinação que o caracteriza"."O autarca foi claro",etc. Bajulice alargada à "coluna-curvada" com mais uns mimos e com a desvergonha de referir passagens proferidas por um dos partidos da oposição, coisa que escamoteou na reportagem não fazendo qualquer referência sobre o que disseram os outros partidos. Só teve olhos e ouvidos para o seu adorado fã.
Com informação deste quilate, está tudo dito.
Zé do Telhado

António Veríssimo disse...

Batista.

Independentemente de um ou outro equívoco que Manuel Tavares da Silva possa ter cometido, esses desacertos estão á muito inocentados por quem lê o que ele escreveu sobre Castelo Branco.
Tomara a nossa cidade ter tido ao longo do tempo muitos e muitos homens como ele.
Um abraço deste teu amigo

O pastor Lusitano disse...

Tanto o convento como tudo o resto vai ficar paradinho.....pelo menos nos próximos 50 anos, ou mais. Quem o diz é o próprio presidente; “Modernizámos a cidade, realizámos obras estruturais e renovámos infra-estruturas para os próximos 50 anos. Construímos novos equipamentos essenciais para uma cidade moderna e competitiva. Creio que é desejável e útil que esta questão fique clara para todos”. Tirando o tom de brincadeira, onde está a cidade competitiva? Só se for entre os seus seguidores próximos para ver é o mais amiguinho.
Agora o que me preocupou mesmo foi o tom ameaçador com que ele disse "Creio que é desejável e útil que esta questão fique clara para todos" ainda estou a ver se percebo o que ele quer dizer.

Anónimo disse...

O Zé do Telhado tem razão.
O repórter do Perfeito fez sujeira. Não noticiou o que as oposições disseram,mas serviu-se de uma das intervenções para na sua vesga coluna,caricaturar a bel-prazer e de acordo com o chefe. Quem lá não foi, nem chega a perceber...Muito feio. Um nojo!
Pôncio Pilatos