domingo, fevereiro 01, 2015

BISPADO DE CASTELO BRANCO – (VI)

LEMBRANÇAS....
“Para a história do Bispado de Castelo Branco”

(Continuação)
O destino da residência alcançava certo grau de luxo, um século depois, com o mitrado D. João de Mendonça, filho dos condes de Vale de Reis e natural de Estremoz.
Cursara Filosofia e Humanidades no Colégio de Santo António de Lisboa, estudante porcionista no Colégio Universitário de S. Paulo e matriculado em Cânones desde 1690. Vinha a disfrutar a Sé da Guarda (em 1711), após sagrado bispo pelo Cardeal da Cunha e, em tal qualidade, demorava bastas vezes em Castelo Branco.
O aparato da corte de D. João V e uma visita à cidade eterna (em 1717) concorreram, decerto, para a construção do anexo Jardim de S. João Batista, com as datas de 1725, na peanha da estátua do santo percursor e de 1726 na bem conhecida Cascata de Moisés. As alfaias da residência, tapetes de Rás, faianças e porcelanas, vidros e pinturas, biblioteca erudita, moedas, mobiliário, indumentária, artefactos e botica episcopal preciosa deviam-se, com efeito à memória de D. João de Mendonça, conservadas e melhoradas pelos seus sucessores.
O seu ultimo benfeitor, na construção do peristilo, do salão a casaa correspondentes do lado sul, dos estuques e da capela, foi D. Vicente Ferrer, 2º bispo albicastrense.
O edifício adquirira então a fama de sumptuoso, em adereços artísticas, tapeçarias, a cadeirões, baixela de magnificas pratas e bragal de colchas artísticas, de sorte que nenhum outra morada episcopal a excedia no conforto de aposentos e salas, no mimo dos fogões, nos jardins com laranjeiras bravas, ao gosto da Itália do sul, jogos de água e tanque alagado, sua curiosa estatuária de granito, a perpetuar doutores e apóstolos da Igreja, reis de Portugal, signos do Zodíaco, símbolos das artes, da natureza e da geografia; com anexos de pomar e horta, quinta e bosque de sombras aprazíveis, hoje moderno jardim, recreio e pulmão da cidade; com farto olival e o cercado dos coelhos bravos, açougue da culinária pascense... Ali foi hospedo de D. Vicente Ferrer, Junot, em 1807, no comando da 1ª invasão napoleónica.
(Continua)

O Albicastrense

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