Das
muitas joias encontradas por mim na revista “Estudos de Castelo Branco”, as
cartas de perdão manuelinas publicadas por Fernando Portugal, são pérolas que
não posso deixar de aqui postar.
ALGUMAS CARTAS DE PERDÃO MANUELINAS
(Por Fernando Portugal)
As cartas de perdão só muito raramente tem
merecido a atenção dos nossos principais
investigadores. Para isso muito tem contribuído a carência, ainda hoje
observada, de bons índices capazes de proporcionar uma fácil e rápida consulta.

Ascendem
ao milhar o número de cartas de perdão registadas ao longo dos 47 volumes que
constituem a chancelaria de D. Manuel, mas muitas outras se perderam como já
tivemos ocasião de mostrar. Como
presentemente nos debruçamos sobre essa chancelaria, coligimos algumas cartas
de perdão referentes a moradores em Castelo Branco de que temos conhecimento e
de que damos os sumários.
Entre
elas há duas que, embora passadas a moradores em Nisa e Crato, interessam,
diretamente ou indiretamente, a Castelo Branco.
- Maria Dias,
mulher viúva, moradora em Castelo Branco, houvera afeição carnal com Nuno Frazão,
clérigo de missa, morador na mesma vila, com o qual estivera manceba teuda e manteuda,
e recebera todo bem fazer e todas cousas que faziam mister. E estava prenhe
havia quatro ou cinco meses. E ora era apartada dele e queria daí em diante
viver bem e honestamente.
Data
em Setúbal, 1496, Março, 30 (chanc. De D. Manuel).
- Maria Gomes,
mulher viúva, moradora em Castelo Branco. Estando viúva houvera afeição carnal
com Brás Fernandes, castelhano, casado, morador nos reinos de Castela, e assim
estivera por sua manceba teuda e manteuda e recebera dele bem fazer e tudo o
que era mister, que a trazia vestida e calçada. E houvera dele um filho. E
agora se apartara dele e desejava viver honestamente, e Joana Lopes, mulher de Brás
Fernandes, lhe perdoara por um público instrumento, escrito em castelhano, qua
parecia ser feito e assinado por Pero Folgado, público escrivão na vila de
Lacarça.
Data
em Setúbal, 1496, Abril, 6. (chanc. De D. Manuel).
(Continua)
O Albicastrense
Sem comentários:
Enviar um comentário